Especiais

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Por Bruna Valentim

Foi comemorado no último dia 12, o dia nacional do enfermeiro. Ofício que sempre esteve presente em nosso cotidiano porém, não é valorizado como deveria. Seja trabalhando em hospitais ou postos de saúde esses profissionais passam por altos e baixos, mas são sempre guiados pelo amor à enfermagem e ao cuidar.

A enfermeira Simone Bernardes, 41, sempre gostou de cuidar dos animais e de pessoas. Por um tempo se viu dividida entre optar pelo caminho da veterinária ou da enfermagem, quando sua mãe lhe aconselhou dizendo que deveria direcionar este desejo de cuidar às pessoas, que seria muito mais gratificante. Com a decisão tomada e com o apoio da família cursou a faculdade de enfermagem pela Pontifícia Universidade Católica, e exerce a profissão há 18 anos, trabalhando há 9 na Atenção Básica da Prefeitura de Contagem.

Inserida em ambientes hospitalares há quase duas décadas em ambientes hospitalares, Bernardes diz que sempre foi feliz em seu exercício, mas recorda de um triste episódio no início de sua carreira ocorrido 12 anos atrás “ Certa vez acompanhei uma paciente do posto de saúde até o hospital em que seu marido estava internado, pois ela estava muito abalada emocionalmente. Enquanto fazia a visita, ele teve uma parada cardíaca e faleceu naquele momento e eu acabei dando a notícia para a paciente, apoiando-a e ligando para o restante da família. Foi algo que me marcou muito” lamenta a enfermeira.

Ela diz que apesar das alegrias que a enfermagem lhe proporciona, nem tudo são flores já que a pressão em torno da profissão é alta e um erro pode ser fatal “A área da saúde deveria receber dos mais altos salários. Lidar com vidas, isso não tem preço, um erro, não tem volta. A grande maioria dos profissionais da enfermagem sofre de algum problema de saúde relativo ao estresse, sobrecarga de trabalho, assédio moral, etc… Administramos medicamento errado e matamos um paciente, deixamos sequelas irreparáveis…Se formos processados nem temos dinheiro para pagar a indenização, já o salário dos médicos é bem diferente” conta relatando a diferença no salário do profissional de medicina, uma profissão que de acordo com ela não se compara com a enfermagem. Bernardes classifica que são diferentes como sal e açúcar, embora sempre caminhem de mãos dadas. Segundo a profissional a dica para quem está começando, apesar dos contratempos, é não desanimar “Aos colegas recém formados, digo sempre que sejam bem vindos e que precisamos de gente dedicada e humana acima de tudo. A academia forma, mas é a vida que ensina. Tenham humildade para reconhecer que não sabe, para aprender com os mais experientes” finaliza.

Os conselhos de Bernardes, serão benéficos para Bruno Santos, 20, estudante do segundo ano do curso de enfermagem pela Newton Paiva. Apesar das dificuldades no semestre, o mesmo alega estar satisfeito com o curso “A princípio o que me fez cursar a profissão foi o meu amor pelo ambiente hospitalar e o cuidado às pessoas”. O estudante conta que as coisas saíram um pouco diferente do planejado “Ainda não está cumprindo minhas expectativas. porque eu pensava que nesse momento já teríamos mais atividades práticas e até o momento basicamente só temos teoria”. Pelo fato de ser um homem em meio predominantemente feminino, Santos diz que o machismo sempre existe e já ouviu comentários jocosos, mas nada que chegasse a afetá-lo de maneira pessoal. Sobre a valorização no meio profissional o jovem relata que não chegou a pensar sobre isso, mas é otimista ao dizer que a profissão precisa ser valorizada.

A técnica de enfermagem Vanilda Silva, 61 anos, é aposentada há três,  já vivenciou muitas angústias e alegrias similares as de Simone e Bruno, nos 30 anos que passou apaixonada e dedicada ao ofício. Mas admite que é uma profissão tão árdua quanto gratificante, embora o salário não seja tão bom. “Sempre gostei de cuidar, do processo de ajudar na cura de um paciente, ver a evolução de seu tratamento”. Silva conta que foi muito feliz em todos os seus anos praticando enfermagem e que sempre lembra saudosa os velhos tempos. “Trabalhei em várias áreas, com cirurgia, na central de esterilização e no serviço de urgência. Cada lugar foi um acréscimo ao meu crescimento pessoal e profissional, me fez sentir grande ao cuidar das pessoas, ver as pessoas ficando saudáveis. O que eu digo para todos que estão começando, que estão nessa profissão é para se prepararem pois na enfermagem por vezes você precisa ser um amigo do paciente, um confidente, mas acima de tudo você precisa amar a profissão” finaliza a aposentada.

 

por Moisés Martins (aluno do 3° período de Jornalismo Multimídia)

O tema da primeira mesa foi “Resistências Cotidianas”, inspirado pelo Dia Internacional da Mulher, celebrado no último dia 8 de março. O Mulheres Comunicam tratou em toda discussão, as condições das mulheres na contemporaneidade.

As convidadas da primeira mesa; Polly do Amaral, Larissa Metzker, Gilmara Silva Souza, Cristina Tolentino, trataram de temas importantes e atuais, como o papel da mulher na sociedade moderna, machismo, feminismo entre outros.

A noite foi marcada por frases fortes, lágrimas, indignações e pequenas manifestações contra a morte da Vereadora Marielle Franco assassinada a tiros no Rio de Janeiro, no último dia 14.

Gilmara Souza começou o seu discurso sem palavras e disse que: “No silêncio e no sorriso tem muita coisa”. Disse também que: “Tem humanos que podem existir tem humanos que não, Marielle não podia”

Outra frase Marcante foi da Jornalista Larissa Metzker que disse “A gente precisa romper, tentar intervir nessa política”. A noite não parou por aí, a segunda mesa falou sobre “Desafios no Trabalho”, onde as convidadas falaram sobre empreendedorismo feminino no trabalho.

Ao entrevistar uma convidada que participou do encontro, a Pedagoga formada pela UFMG Kenia Araújo, disse que a temática lhe interessou bastante, e que um ponto positivo do encontro foi levar os presentes a reflexão sobre o lugar que cada um ocupa no mundo, considerando o outro como sujeito que também tem direitos.

Aberto ao público, o Ciclo de Debates e Mostra de Cinema ocorrerão no Campus Liberdade e no Anexo I (prédio do ICBEU), entre os dias 14 e 24 de março de 2018.

 

Cobertura por Ked Maria e Ana Luísa Arrunátegui

Provocando o público quanto aos termos Realismo e Naturalismo, a curadora de curtas da 21ª Mostra de Cinema de Tiradentes, Camila Vieira destacou que essas palavras têm ligações históricas e são carregadas de sentidos, durante o Seminário Debate que ocorreu no sábado, 20 no Cine Tenda.

Junto de Camila, estava também os curadores Cleber Eduardo, Francis Vogner, Lila Foster e Pedro Marciel, que explicaram como foram feitas as seleções dos filmes e o que nós podemos esperar do termo realismo.

Camila, após a provocação destacou que a seleção não foi pensada somente sob o olhar do engajamento com o real, segundo ela, a ficção também está presente nos filmes selecionados que serão vistos durante todo o festival. Já Cleber ressaltou que a escolha do tema não foi aleatória, uma vez que, as produções desde 2012 vem com uma relação direta com o real.

O termo Chamado Realista, surgiu a partir das variações de filmes inscritos, selecionados ou não para a Mostra, e que apresenta de maneiras distintas a abertura para a vida. Além de esclarecer que em sua visão a ideia do “realismo” tende para o lado pan-realista. O curador enfatiza que esse tema não está presente em todos os filmes exibidos.

De acordo com Francis Vogner, as experiências contemporâneas, cada vez mais, servem como alimento para produções de curta-metragem, e que isso fica evidente quando se compara com as edições anteriores da mostra. Lila Foster destaca que o tema sugere algo como um documentário ultra-realista permeado por fabulações, pensado em estratégias em que filmes desenvolvem para ter contato com o real.

Exemplo deste chamado realista é o curta Vaca Profana, de René Guerra, um dos quatro curtas exibidos dentro dessa temática no Cine-Tenda, foram 16 minutos de emoção com a história de Nádia, uma travesti que sonha em ser mãe. Pontos Corridos, tirou risos dos espectadores com a fugaz amizade entre um homem com problemas e o motorista derivada de uma música. Outro curta-metragem que se destacou na Mostra Panorama foi o Intervenção de Issac Brum, explorando a tensão e os conflitos com a polícia, o diretor despeja a violência e as decisões de um motoboy.

Por Ked Maria 
A 21ª Mostra de Cinema de Tiradentes além de difundir a sétima arte, dá destaque para grandes nomes do cinema e abre espaço para quem está começando no mercado audiovisual. O Jornal Contramão conversou com quem está estreando na Mostra de Tiradentes para saber mais sobre as produções, os desafios e a expectativa da apresentação de seus trabalhos.

 Maria Cachoeira
21/01 | Domingo – 15h00 | Cine-Tenda


Escrito e dirigido por Pedro Carcereri, de 29 anos, o curta-metragem “Maria Cachoeira”, exibido onze vezes em mostras e festivais brasileiros e seis internacionais. O curta contou com o apoio da Lei Murilo Mendes de incentivo à cultura de Juiz de Fora. “Nossa ideia foi ambientar a narrativa nas pessoas e lugares que melhor pudessem representá-la, por conta disso nos utilizamos de locações e moradores (não-atores) de Torreões, um distrito de Juiz de Fora.”, relata Carcereri que confessa se sentir satisfeito com a troca que envolve a sociedade na realização cinematográfica.


O interesse pelo cinema surgiu na vida do diretor em 2008, quando frequentava festivais como o de Tiradentes e cursava outro curso na faculdade. “Comecei a conviver com pessoas da área, sempre escrevi e fui atento a filmes, mas de 2009 pra frente comecei a estudar e produzir.”, confessa o jovem-adulto que teve seu primeiro curta, “Modorra”, lançado em 2014. “Sempre pesquisei e tentei produzir um tipo de cinema que chamo de fantástico, onde elementos sobrenaturais se mesclam com certas peculiaridades à nossa realidade.”, e complementa alegando que esse tipo de cinema se mostrando muito fértil no sentido de produzir uma estética relevante quanto uma discussão social no Brasil.


Com todos os preparativos para a 21ª Mostra de Cinema Tiradentes, Carcereri demonstra entusiasmo com a exibição de Maria Cachoeira. “É um festival pelo qual tenho muito carinho, por ter sido meu primeiro contato com o cinema há dez anos atrás, levar meu primeiro filme para lá faz muito sentido na minha caminhada cinematográfica, além de ser um imenso prazer.”, Sobre o temaChamado Realista, o jovem destaca que o momento que vivemos no Brasil nos choca com a responsabilidade de estarmos atentos para que novos cataclismas políticos e sociais não venham a acontecer, apesar da certa iminência deles. “Devemos estar conectados com a realidade nua e crua, mesmo que flertando com diversas outras formas de realidade é importante para uma construção cinematográfica contemporânea”.

Maria Adelaide
24/01 | Quarta – 17h30 | Cine Teatro SESI

 

Com direção de Catarina Almeida de 23 anos, o curta-metragem Maria Adelaide é sobre uma retirante nordestina que se descobre na cidade grande do Rio de Janeiro. Resultado de um trabalho de conclusão de curso, o processo de produção durou cerca de um ano e meio. Almeida conta que o início se deu no sexto período, onde o roteiro foi escolhido para uma defesa oral. “Dessa defesa, 2 projetos foram aprovados, entre eles, o “Maria Adelaide”, que na época tinha até outro nome. Seguindo para o 7º período, tivemos 6 meses para produzir todo o filme.”, relata a diretora. A arrecadação de fundos para a pré-produção se deu com bazar, rifas e financiamento coletivo, as filmagens foram feitas em sete dias seguidos de manhã até a madrugada. “Foi um processo de extremo aprendizado e também foi onde a turma toda se uniu muito para produzir o filme da melhor forma possível.”, Catarina afirma que o resultado foi uma consciência de que o trabalho em equipe é a forma mais gratificante e gostosa de se aprender a trabalhar.

O cinema sempre esteve presente na vida da jovem diretora, “Minha madrinha fazia faculdade de Cinema quando eu tinha uns 8 anos, e eu me lembro de assistir com ela Cidadão Kane (não entendia nada), e até os filmes de terror, que eu assistia escondida na beirada da porta.”. Mas foi em 2013 quando entrou para a Escola Cinema Nosso que Catarina teve um contato real com as telonas, com criação de roteiros, aprendizados sobre posicionamentos de câmera e termos técnicos. “Eu não tenho um estilo de filme favorito, eu gosto do filme que de alguma forma me desperta interesse, principalmente aqueles que envolvam questões relacionados ao ser humano”, comenta a diretora e complementa dizendo que gosta de histórias que a faça refletir, seja através das risadas ou lágrimas.

Maria Adelaide, já passou por festivais no México e na Itália, além do Brasil, na Bahia, Porto Alegre, Santos e Curitiba. Foi premiado como Melhor Curta de Ficção no NEOfest em Puebla e direcionada ao público LGBTQ em Napoli. Ansiosa para a 21ª Mostra de Cinema Tiradentes, Almeida ressalta a importância desses espaços para quem está começando no mercado audiovisual, “A recepção do filme está sendo algo inimaginável. É importante demais para nós universitárias e recém-formadas, perceber essa abertura em festivais tão múltiplos, além de servir como um super apoio para prosseguirmos produzindo e fazendo o que amamos, que é o cinema.”. A jovem confessa curiosidade sobre os filmes relacionado ao tema Chamado Realista, uma vez que, ela se sente próxima dessa expressão artística. “Os debates do ano passado me acrescentaram bastante, principalmente pela presença da mulher que mais me inspira cinema. Acredito que esse ano os debates também vão trazer diversas reflexões e direções futuras para o cinema nacional.”, declara a diretora.

Por Ked Maria

A pequena Tiradentes entra mais uma vez na rota dos amantes da sétima arte, a 21ª Mostra de Cinema começa nesta sexta, 19 e se estende até o dia 27 de janeiro com uma programação gratuita e bem diversificada que atende toda a família. Será uma semana de seminários, exibições de longas e curtas, lançamento de livros e DVDs, exposições, oficinas, shows e muito mais. O tema desde ano é o Chamado Realista, que reúne títulos que exprimem a demanda social do público e traz filmes que tratam sobre feminismo, violência, política, protestos, segregação e manipulação midiática, referenciando as discussões cotidianas e os noticiários.

A 21ª Mostra de Cinema Tiradentes se consolida como um importante canal de lançamento do cinema brasileiro contemporâneo, abrindo oportunidades e espaço para os iniciantes. Exibindo filmes em pré-estreias mundiais e nacionais, títulos premiados e de destaque em festivais no Brasil e no exterior. Neste ano, na Mostra Homenagem, estará Babu Santanta, ator brasileiro que ganhou destaque pelo seu trabalho na televisão brasileira e no cinema, totalizando 23 filmes entre eles Estômago e Tim Maia.

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