Esportes

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*Divulgação

*Por Gabriel Barros

50 campeonatos disputados, 44 finais e 37 títulos. Essas são as impressionantes marcas do Sada Cruzeiro em sua história. O time, comandado pelo argentino Marcelo Mendez, é hoje o clube mais vitorioso do vôlei brasileiro, sendo considerado por muitos jogadores renomados e jornalistas da área como o maior da história.

Visto à proporção que o Sada alcançou, tanto no cenário nacional, quanto no internacional, a qualificação dos profissionais internos se tornou um grande diferencial para que o clube alcance marcas expressivas e positivas. A Assessora de Imprensa do SADA Cruzeiro, Ana Flávia Goulart, nos contou um pouco de como é a cobrança e o trabalho desenvolvido dentro do clube.

“Acredito que a frase que mais ouvi no Sada Cruzeiro durante todos esses anos foi: chegar ao topo não é fácil, mas é ainda mais difícil permanecer. E esse pensamento permeia todas as ações do clube, desde as atividades técnicas e táticas, aos cuidados com a quadra ou mesmo na comunicação da equipe. É um time formado por profissionais com mentalidade vencedora, dispostos a uma doação imensurável dos seus esforços para que os resultados continuem sendo atingidos. O próximo campeonato é sempre o mais importante, seja ele regional ou mundial.”

Ela ainda ressaltou o que mais a fascina dentro da instituição. “A filosofia que permeia todas ações do Sada Cruzeiro é a sede de vencer. Ainda que peças sejam alteradas, que os desafios se multipliquem ano após ano, a meta é sempre chegar ao topo. E isso dá a todos os profissionais do clube a responsabilidade de ser referência. Por tudo o que já construiu, como a equipe mais vitoriosa da história do voleibol nacional, o Sada Cruzeiro é um modelo, um exemplo a ser seguido por outras instituições. Isso é desafiador na rotina de trabalho, pois te motiva a buscar o melhor sempre”, reforça.

No atual cenário, com a pandemia do Coronavírus que assola todo o mundo, o Sada decidiu abandonar a Superliga Masculina, mesmo antes da determinação da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei). Para muitos, foi uma decisão acertada, e para outros o receio de uma punição era iminente. Considerando todo esse cenário, o jornalista Leonardo Gimenez, explica que a decisão está de acordo com tudo que o clube acredita e demonstra dentro e fora das quadras. “O Sada Cruzeiro sempre demonstrou intensa organização, planejamento e responsabilidade. Pelo momento crítico que estamos vivendo e pelo fato da equipe possuir atletas estrangeiros, vejo como uma medida extremamente humana e responsável. Juntos, os clubes optaram pelo stand-by nesse momento. Só tempo vai dizer se o Sada impactou ou não. Fato é que tentou tomar alguma decisão. Como sempre o fez”, afirma.

Ao perguntar ao jornalista sobre o “título” de maior time dos esportes coletivos, Leonardo é enfático. “Tenho certeza que sim. Pelo histórico invejável de conquistas, crescimento em momentos decisivos, formação de atletas, trocas de jogadores fundamentais pelo sistema de ranking, mas sempre com uma equipe muito bem preparada e treinada para vencer. Está no DNA do Sada Cruzeiro. Não me lembro de ver uma instituição com um aproveitamento tão espetacular no que diz respeito a participações e títulos.”.

O respeito e a visibilidade que o Sada Cruzeiro adquiriu ao longo dos anos se deve ao exemplo de gestão e planejamento que o clube demonstra a cada dia, como destacaram Ana Flávia e Leonardo. O questionamento que fica é: o que ainda vem pela frente? O clube conseguirá manter o seu nível técnico por mais quanto tempo? Até quando a hegemonia do Sada será mantida? Existe uma certeza: a torcida do time mineiro está ansiosa pelos próximos capítulos da vitoriosa história do Sada Cruzeiro.

 

*A matéria foi produzida sob a supervisão da jornalista Daniela Reis

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Elas também curtem esportes radicais e buscam por mais espaço

Os desafios da crescente presença feminina na vida esportiva radical

*Por: Thainá Hoehne

Pela primeira vez na história, no ano de 2020, os jogos olímpicos de Tóquio tiveram presença feminina superior à dos homens na fase de convocação, sendo 80 vagas femininas, 65 masculinas e 7 do hipismo, que tem disputa mista.

Considerando que, na primeira edição dos jogos, em 1896, as mulheres eram proibidas de competir, como na Grécia antiga, a participação das esportistas tem crescido, mas ainda é significativamente menor que a dos homens, principalmente nos esportes radicais, em que há distinção de gênero muito marcada.

“As mulheres são criadas para ficar em casa… O mundo dos esportes ‘outdoor’ é composto, majoritariamente, por homens, mas isso vem mudando aos pouquinhos”, analisa Paloma Galvão, profissional de slack e highline.

Ela descobriu o esporte há nove anos, e nunca mais parou. Apesar das dificuldades ao longo do caminho, principalmente com aquisição e montagem de equipamentos, Paloma, hoje, tem conhecimento necessário para uma prática segura, a ponto de participar de intervenção urbana com highline em 2017.

“Montamos um highline em cima do ‘Pirulito’ da praça 7, em BH, e, literalmente, paramos a cidade. Foi incrível.”, conta.

Representação

Para entender a experiência feminina nos esportes radicais, foram realizadas entrevistas com oito mulheres, profissionais e praticantes de diferentes esportes, entre os quais, modalidades de ação, como motocross, skate e MMA, e de aventura, a exemplo do highline, escalada e voo livre.

Apesar de as mulheres estarem cada vez mais inseridas nos esportes radicais, ainda não têm as mesmas condições e oportunidades dos atletas masculinos. Das entrevistadas, 87,5% confessaram já ter passado por algum tipo de preconceito ou situação constrangedora.

“Um dos maiores constrangimentos foi no primeiro voo. Ao chegar ao local, me deparei com um grupo de homens que voavam de parapente e ficaram indignados com o fato de uma ‘menininha’ pretender voar… Antes do voo, eles chegaram a me falar que era loucura e suicídio. Eu só precisava de concentração e paz”, lembra Beatriz de Souza, a Bya, atleta de pêndulo e tecido acrobático em alturas – hoje, considerada uma atleta única no mundo, por unir esportes radicais à arte.

De acordo com estudo realizado em 2015, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sobre prática de esporte e atividade física, as modalidades preferidas por homens destacam são ciclismo (75,2%); lutas e artes marciais (70%); e atletismo (64,5%). Já entre as mulheres, destacam-se dança e balé (85%); ginástica rítmica e artística (80,5%); caminhada (65,5%) e fitness (academias de ginástica: 64,4%).

Isso nos leva a perceber o porquê de os esportes radicais serem, majoritariamente, atribuídos aos homens, enquanto a imagem da mulher esportista, na maioria das vezes, é retratada não como campeã, mas por meio de atributos relacionados ao corpo e à beleza da atleta.

Laiane Amaral, skatista profissional, começou na prática do skate com seus 18 anos de idade. Hoje, com 21, já conquistou o pódio dez vezes em campeonatos variados.

“A maioria não acreditava que eu ia chegar longe. A maioria dizia que eu ia parar, que não ia mais evoluir. Diziam que mulher usava skate como moda, para tirar fotos, essas coisas.”, comenta.

O papel da mídia é questionado quanto à contribuição na diminuição do preconceito e da discriminação impostos às mulheres atletas, por reportar comentários sobre vida social, beleza e formas físicas para além do desempenho esportivo.

Medo, adrenalina e felicidade

Apesar das barreiras impostas dentro dos esportes radicais, são nítidas a paixão e a coragem de cada entrevistada por fazer o “impossível”, de modo a inspirar outras mulheres incríveis e a conquistar cada vez mais espaço.

Gleicy das Neves, empresária e praticante de motocross, foi a única entre as participantes que afirmou nunca ter sofrido preconceitos por ser mulher. Segundo ela, nos campeonatos de motocross de que participou, os direitos são iguais e as mulheres podem até mesmo competir com os homens. “Quando colocamos amor, dedicação, e mentalizamos o desejo de ser, o resultado tem grande possibilidade de vir a seu encontro”, comenta.

Entre as palavras mais citadas com relação aos sentimentos das atletas, as principais foram: medo, adrenalina e felicidade, respectivamente. O medo pelos riscos, a adrenalina que dá asas à coragem e a felicidade da superação.

“No momento que senti que era possível atravessar uma fita grande, em minha caminhada sobre alinha monstro do pântano, de 230 metros de distância, no festival Dibson Team, me conectei à fita e o momento foi único, de superação e auto controle. Foi a primeira vez que chorei de emoção e alegria na fita.”, relembra a highliner Laís Rodrigues, que superou o medo de altura e a falta de confiança nos equipamentos, os principais desafios enfrentados no começo de sua jornada no esporte.

Palavras das minas

“Não deixem a idade, a falta de tempo ou a vergonha atrapalhar seus objetivos. Precisamos sempre sair de nossa zona de conforto.” Tarciara Santos, atleta profissional de MMA

“Não se baseiem em outros corpos ou opiniões. Vão e façam. Raquel Froes, escaladora

“Não liguem para o que os outros falam… apenas sejam vocês mesmas e façam o que amam de verdade.” Gabriela Marques, atleta de motocross.

Projetos mineiros que apoiam a cena feminina dos esportes radicais

  • @minasdepedra – Coletivo de escaladoras mineiras.
  • @highlinedasmulheres e @Highline_feminino_brasil – Projetos voltados à evolução e à divulgação das mulheres no highline.
  • @minasnoskate – Marca coletiva para incentivar e divulgar o skate feminino.

 

*A matéria foi produzida sob a supervisão do professor Maurício Guilherme Silva Jr. e da jornalista Daniela Reis

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Imagem: Bruno Cantini/Divulgação/Atlético-MG

Por: Raphael Segato

Após a demissão do técnico venezuelano Rafael Dudamel, pelos maus resultados, o Atlético anunciou a chegada do argentino Jorge Sampaoli, de 60 anos, ex-comandante de Santos-SP e das seleções chilena e argentina, que já iniciou os trabalhos na Cidade do Galo. O comandante chega ao Galo cercado de expectativas, tanto por parte da diretoria do clube quanto da torcida e da imprensa mineira.

A grande expectativa da torcida alvinegra se dá pela volta das boas atuações do Atlético. Para tal, Sampaoli terá um trabalho longo pela frente, e, também, um grande desafio: manter-se no cargo durante todo seu contrato – algo que só Cuca, treinador do Atlético entre 2011 a 2013, conseguiu nos últimos anos, já que seis treinadores se sucederam durante a gestão de dois anos e três meses do presidente Sérgio Sette Câmara.

Sampaoli já demonstra dar retorno imediato fora de campo. Esperam-se muitas adesões ao novo sócio torcedor, lançado pelo Atlético no dia 10 de março. Há promessa, também, de casa cheia nos jogos em casa. Isso tudo devido à imagem e à visibilidade que Sampaoli transmite ao clube.

Guilherme Frossard, jornalista do site globoesporte.com, que realiza a cobertura do clube, conta que o Atlético vem de dois anos ruins, com pouca relevância e resultados ruins em campo. “Afinal, o time investiu em um treinador de seleção, com trabalhos sólidos na América do Sul e na Europa. Isso tudo passa um recado aos patrocinadores, a clubes concorrentes, a atletas. Gera maior expectativa, e traz holofotes. Isso tudo, se bem explorado, pode ajudar muito”, comenta.

Twitter da Fifa

Após o anúncio da chegada de Sampaoli, diversos veículos de comunicação noticiaram o grande acerto do treinador com o clube mineiro. A visibilidade foi tão grande que a Federação Internacional de Futebol (Fifa) mencionou, em sua página oficial, no Twitter, a publicação do anúncio feito pelo presidente do clube. No post, a Fifa cita o retrospecto de Sampaoli, o primeiro título da seleção chilena, a quebra da invencibilidade de 40 jogos do Real Madrid, o vice-campeonato brasileiro do Santos, no ano passado, e o terceiro lugar como melhor técnico do mundo, em 2015, disputado com Luís Henrique e Pep Guardiola.

Fora de campo, este é um dos vários efeitos de Sampaoli no Atlético – e, até mesmo, em Minas Gerais. Dentro de campo, quais resultados o técnico pode trazer ao clube?  Frossard fala do estilo de ataque do time e do jeitão do treinador: “Já é possível ver o estilo Sampaoli no dia a dia. Dentro de campo, viu-se um time mais agressivo, dominante, com posse de bola e jogo mais vertical. A estratégia de controle precisa ser aprimorada, mas já é possível observar uma linha de raciocínio tático”.

No que diz respeito ao comportamento fora de campo, fica claro o perfil “durão” do argentino. “Ele não é muito de papo, nem gosta muito de falar à imprensa. Além disso, fecha praticamente todas as atividades, mas, dentro de campo, entende-se bem com os atletas, desde que estejam comprometidos”.

Quanto à postura da diretoria, cujo pensamento anterior buscava austeridade nas finanças, tudo mudou: agora, pretende-se adotar a busca por reforços. “Sampaoli, cobra um time competitivo, além de reforços. A diretoria já tem se movimentado neste sentido, para buscar reforços e montar um elenco qualificado, com foco nos atletas, para que tenham espaço”.

Na visão do jornalista, tudo isso é consequência natural da pressão implícita com a chegada de Sampaoli ao Atlético. “São elementos que ‘obrigam’ o clube a pensar grande, a vislumbrar objetivos audaciosos”, esclarece, ao ressaltar: “Resumidamente, Sampaoli traz, ao Atlético, um perfil competitivo, determinado a entrar nas competições para disputar título, e não só para participar. Significa que vai dar certo? Não, necessariamente. Mas é um bom começo”.

Certo é que, hoje, o Atlético Mineiro entra em busca do título brasileiro, que não vem há 49 anos. Sem dúvida, trata-se da obsessão de dirigentes, jogadores e torcedores do clube.

 

*A matéria foi produzida sob a supervisão do professor Maurício Guilherme Silva Jr. e da jornalista Daniela Reis

 

“Tem que ter emoção do início ao fim, raça, força de vontade e o coração na ponta da chuteira” diz Fabio Anacleto Técnico do time masculino Vila Ventosa, Campeão da Taça das Favelas 2018

Equipe de Reportagem: Ana Carolina Nunes e Humberto Alkmim

Foto: Bianca Morais e Moisés Martins 

Arquibancadas cheias. Tambores tocam. Gritos da torcida. O Poliesportivo do Vale do Jatobá foi cenário da festa da final da Taça das Favelas. O evento, cujas partidas ocorreram nos finais de semana de abril, reuniu, no último dia, as melhores equipes que entram em campo com único objetivo: soltar o grito de campeão!

A primeira partida foi entre Aglomerado Santa Lúcia e Alto Vera Cruz. A cena de 2017 se repetiu e as duas equipes se enfrentam mais uma vez na final do campeonato. As meninas do Vera Cruz realizaram uma excelente campanha ao longo da competição. Sem tomar nenhum gol, seguiram invictas no torneio. Aglomerado Santa Lúcia também não ficou para trás e venceu todos os jogos.

O confronto foi uma corrida contra o tempo. Finalizações perigosas, mas sem o balançar das redes. Dribles profissionais chamaram a atenção até daqueles que não se interessam por futebol.

Apesar do empenho dos dois times, o jogo finalizou em 0 a 0, levando a decisão para os pênaltis. Nas últimas cobranças, o Santa Lúcia deu uma “bola quadrada” que passou longe do gol, deixando o placar em 5 a 4. O Alto Vera Cruz alcançou o bicampeonato na Taça das Favelas.

A celebração das meninas contou com a presença de Alexia Fernanda, ex jogadora do time. À atleta foi campeã junto à equipe em 2017. Atualmente, joga profissionalmente no América Futebol Clube.

No período da tarde, a decisão foi entre as equipes masculinas, Cabana do Pai Tomás e Vila Ventosa. Os times foram destaque ao longo do campeonato. Sem terem sofrido nenhuma derrota, chegaram invictos à final.

Enquanto o primeiro tempo rolava, as equipes mediram forças de igual para igual, com dinâmicas e movimentos rápidos, mas o placar não saiu do 0 a 0. Durante o intervalo, os técnicos das duas equipes enfatizaram que se tratava de um jogo valendo o título. Atenção e marcação eram muito importantes naquele momento.

O segundo tempo começou acirrado. As equipes trabalharam bem os passes de bola e buscaram finalização a todo custo. Ventosa abriu o placar com golaço de fora da área que explodiu no pé da trave. Não conformada com o resultado, a Cabana do Pai Tomás esticou a rede durante a comemoração do adversário. No entanto, a arbitragem não validou o gol do Cabana, alegando que os jogadores do Ventosa não estavam em campo para defender o lance. Mesmo com a anulação, o time do Cabana estava disposto a levar o troféu para casa. Ao final do segundo tempo os meninos empataram o jogo em 1 a 1, levando a partida para os pênaltis. As cobranças ficaram em 3 a 2 para o Ventosa.

O herói pela equipe vencedora foi o goleiro Yago Junio, que se postou como muralha no gol, impedindo a pontuação do adversário. “Nosso time batalhou, correu atrás. Fizemos boa caminhada até a final. Conseguir defender as cobranças me deixa muito feliz e realizado”, afirma.

Os vencedores foram condecorados na cerimônia de encerramento. As equipes campeãs receberam como prêmio cheque no valor de R$ 1 mil. Conforme informaram integrantes das equipes técnicas, o valor será investido no time. No entanto, os jogadores querem uma parte da premiação vá para a realização do churrasco. O segundo e terceiro lugar voltaram para casa com troféu simbólico.

Além das equipes, houve a premiação de dois artilheiros do campeonato: a jogadora Gabriela Gonçalves Ferreira, de 23 anos, com o saldo de quatro gols.  Já no masculino, a artilharia ficou com Marconi Cândido Liberato, de 17 anos, da Vila Tiradentes.

“Trouxemos os meninos para disputar a Taça das Favelas e eles apresentaram um bom futebol. Lá (dentro da comunidade), eles não têm a exposição que conseguem aqui, sendo vistos por olheiros de grandes times”, diz, Josely Rafael Honorato, mais conhecido como “cabelo” treinador das equipes do Cabana.

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Equipe de Reportagem: Alice Berdinazzi, Izabela Avelar e Kamille Lobato

Fotógrafo: Marcelo Duarte

O futebol da quebrada pode ser tão emocionante quanto os clássicos dos estádios. Foi o que comprovaram as oito equipes que participaram das semifinais da Taça das Favelas,  no Campo do Poliesportivo do Vale do Jatobá, no sábado (28). As semifinais intercalaram disputas entre os times femininos ( Minas Caixas versus Aglomerado Santa Lúcia e Cabana do Pai Tomás versus Alto Vera Cruz)  e os masculinos (Ventosa versus Mariano de Abreu e Cabana do Pai Tomás versus Vila Tiradentes).

Cheias de gás, as meninas do Complexo Minas Caixa e Aglomerado Santa Lúcia brigaram pau a pau para garantir a vaga da final. Santa Lúcia venceu o time de Venda Nova por 3 a 1, classificando-se para última fase.

As seleções masculinas esbanjaram confiança dentro das quatro linhas na segunda disputa do dia. Sem dar chances para o adversário, Ventosa marcou 4 a 1. Em sinal de respeito, os times se cumprimentaram ao término da partida e se parabenizaram  pelo desempenho ao longo do campeonato.

Na segunda semifinal feminina e o terceiro jogo do sábado, o mata-mata foi entre Alto Vera Cruz e Cabana do Pai Tomás. Jogo difícil: sem colher de chá as meninas disputaram o resultado. Vera Cruz esticou as redes e carimbou a invencibilidade durante o torneio, desclassificando a Cabana por 2 a 0. A final do feminino repete o confronto Alto Vera Cruz e Aglomerado Santa Lúcia. Naquela edição, a equipe do Alto foi vencedora, no Campo da Barragem Santa Lúcia, região Centro-sul de Belo Horizonte.

Depois de jogo, mesmo com a derrota, as meninas do time da Cabana se uniram a outros torcedores para apoiar a equipe masculina que ainda estava na disputa por vaga na final. A torcida invadiu as arquibancadas do Poliesportivo do Vale do Jatobá com foguetes, tambores e canções ensaiadas. Todo apoio à equipe masculina que poderia representar a comunidade na final.

“Ah, sai da frente, sai que o Cabana é chapa quente”  

Com apoio da torcida, Cabana do Pai Tomás enfrentou a Vila Tiradentes. No primeiro tempo, nenhuma das equipes abriu o placar. Mas, se as redes não balançaram na primeira etapa da partida, no início da segunda, não ficaram paradas. Gol relâmpago, mas que não foi considerado em função do impedimento na jogada.

A partida finalizou em 0 a 0 e a decisão foi para os pênaltis. Antes de iniciarem as cobranças, as duas equipes se reuniram – como de costume – para fazerem a oração. O Pai Nosso foi clamado com fervor. Após a prece, os garotos assumiram as posições para bater as penalidades. Entre gols de gaveta e defesas espetaculares, Cabana do Pai Tomás conquistou vaga como  finalista da Taça das Favelas com placar de 4 a 3 sobre a Vila Tiradentes.

O goleiro  da equipe vencedora, Marcos Felipe, foi elogiado pela torcida. O estudante de Jornalismo Pedro Lucas, torcedor declarado da Vila Tiradentes, afirma que a salvação do Cabana foi o goleiro, que mostrou estar preparado para enfrentar cobranças de pênaltis.  

Árbitra mais jovem da CBF é destaque na Taça das Favelas

Francielly Fernanda, de 21 anos, ocupa o espaço como a árbitra mais jovem da América Latina. Natural de Pará de Minas, a jovem atua desde os 15 anos nos jogos em sua cidade e, aos 17, chegou a Belo Horizonte para cursar  arbitragem. Já apitou nas partidas da série A do campeonato brasileiro feminino e, conta que, apesar da responsabilidade que a função exige, a experiência é incrível. Um trabalho desenvolvido com carinho e dedicação. Orgulhosa de suas conquistas, ela fica feliz em apitar as partidas da Taça das Favelas, campeonato que traz consigo visibilidade e oportunidade para novos talentos do esporte.

Equipe de Reportagem: Alice Berdinazzi, Júnior Silva e Thaís Gonçalves

Foto: Letícia Íris

A Taça das Favelas movimenta todo o bairro Vale do Jatobá. Nos bastidores, estão dezenas de colaboradores do torneio, como os vendedores. Picolé, chup chup, balas, água e cerveja, enfim vendem de tudo e mais um pouco. Os comerciantes são personagens fundamentais, enquanto a bola rola. Também há o exército da Central Única das Favelas (CUFA) na  produção. Fotógrafo, produtor, quem faz a marcação do campo, coordenador, muita gente que está a postos para fazer a competição acontecer.

Dezenas de pessoas que contribuem para oferecer oportunidades a esses jovens, muitas vezes, marginalizados pela sociedade e vítimas de violência. A CUFA se empenha na promoção da cidadania nas comunidades. Com o olhar atento, entende o esporte como meio e instrumento de inclusão social.

A central ressignifica o conceito de esporte, não apenas como forma de lazer. Entende que a prática esportiva abraça desafios das comunidades de reconstruir vidas e reaproximar amigos. As famílias, por mais que não percebam, exercem papel fundamental. Sem o apoio delas, os jovens não estariam ali.

O vendedor de balas e salgadinhos José Luiz da Silva compareceu a todos os jogos. Aos 63 anos, afirma que não está ali só pelas vendas, mas também pelo lazer. “O esporte envolve a família e por serem jovens da periferia, é uma oportunidade de se manterem longe da criminalidade”, afirma.

 

Famílias dão sustentação para os atletas em campo

Entretenimento, família, amigos e moradores do bairro compuseram o cenário poliesportivo no domingo (22). Olhares atentos dos torcedores. Cada jogador carrega um sonho. Nos bastidores de um dos maiores torneios entre as favelas do Brasil, cada família é uma torcida, que traz histórias que motivam os jovens atletas e futuros profissionais a estarem ali.

Entusiasmados, pais, avós e até mesmo o motorista de ônibus escolar que transporta os atletas não conseguem conter a emoção. Apesar do pouco movimento no Complexo Poliesportivo do Vale do Jatobá, os pais de Victor Silva, de 17 anos, foram prestigiar o garoto.  “Ele é um menino esforçado, queremos que ele se sinta bem aqui, aqui ele se diverte”, diz o pai. Victor estava ansioso para entrar em campo. Seus pais mais ainda, demonstrando gratidão ao projeto que pode abrir portas para o filho.

A história dos irmãos Nunes, atletas do Jardim Leblon, desperta a atenção pelo empenho para que possam participação da Taça. Tanto os irmãos, que jogaram no campeonato, quanto a família vieram de Confins, a 42 quilômetros da capital, para participar do jogo. Além de se esforçarem nos treinamentos, fazem viagem entre a cidade de origem e a sede do torneio. No entanto, não falta apoio da família, que veio prestigiar os meninos no domingo. O esforço pode trazer resultados, um dos irmãos  participará de processo de seleção para o Clube Atlético Mineiro em maio. A aposta é que a Taça das Favelas poderá revelar nova estrela para o futebol mineiro.