LGBTs

Por Júlia Garcia

O fim de semana em Belo Horizonte está repleto de eventos para todos os gostos. Confira hoje a agenda que o Contramão separou para você curtir o final de semana.

Sexta

Para começar a primeira Agenda Cultural deste ano, hoje acontece O Baile da Kingdom de Ano Novo. Nesta sexta, a Dj Kingdom celebra a música preta com convidados especiais. A noite contará com o melhor da música jamaicana e também com muita música eletrônica de periferia. O Baile da Kingdom acontece na casa de show Autêntica, a partir das 22h. Os ingressos estão disponíveis no próprio site da Autêntica.

Sábado

E a contagem regressiva para a folia já começou. Neste sábado e domingo acontece o Ensaio Geral do Carnaval 2024, que vai reunir 24 blocos do Carnaval de Belo Horizonte. Nomes como Então Brilha, Baianas Ozadas, Havayanas Usadas e outros, estarão presentes neste ensaio. O evento é gratuito e contará com uma sonorização inédita, que é uma novidade para o Carnaval deste ano. O Ensaio Geral acontece na Avenida dos Andradas, na altura do número 4.000, das 10h às 20h. 

Domingo

E para fechar a agenda com chave de ouro, neste domingo a capital mineira recebe o Na Vibe do Verão, que apresenta grandes nomes da música. Thiaguinho, Atitude 67 e Greg & Gonet foram os nomes escalados para animar a festa. Cantando seus diversos hits, os artistas se apresentarão no UNIBH, a partir das 14h. Para garantir seu ingresso, basta acessar a Central dos Eventos.

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Por Eduarda Boaventura e Pedro Soares 

“A festa Dengue foi muito legal, comemorando seus 10 anos de marco, muita tradição, do vogue no Brasil, especificamente em Belo Horizonte onde que começou no nosso país. Como sempre foi bem alegre, animado, as pessoas gostam de estar ali e ver. Fico encantada com as possibilidades de improviso que as pessoas têm e como, mesmo sendo um duelo, não parece ser uma competição. É muito bonito ver a reciprocidade que as pessoas têm umas com as outras.”

Essa fala foi de Ana Clara Souza, que participou de umas das maiores referências de Ballroom no Brasil, a Dengue. Você já ouviu falar do Ballroom? E da cultura do vogue? Vogue não só da música da Madonna mas de toda uma história de luta e pertencimento. Uma comemoração por um grupo excluído que finalmente achou seu lugar em uma sociedade tão julgadora e maldosa.

De acordo com o google, a Ballroom é descrita como “um movimento político e de entretenimento que celebra a diversidade de gênero, sexualidade e raça, eventos nos quais as pessoas se reúnem e performam categorias e ganham prêmios por elas”

Criado por drag queens negras e latinas nos EUA no final da década de 80 e início da década de 90, a cultura Ballroom surgiu como meio de refúgio para pessoas que naquela época sofriam não só com a homofobia, mas também com o racismo e xenofobia. Uma personagem muito importante pela luta contra os padrões raciais no mundo da Ballroom foi a Crystal Labeija, que além de drag queen era uma mulher trans negra, que se revoltou e, criou o primeiro baile exclusivo para queens negras e foi a pioneira em fazer um ball feito por uma house.

Foto/Divulgação: Chantal Regnault/Alma Preta
Houses e Balls

Essa cultura é dividida pelas houses e as ball, onde a primeira, assim como sua tradução, são as casas dos participantes, em todos os sentidos. As houses é onde se encontra o acolhimento e pertencem a uma família, com a mesma hierarquia: mothers e fathers, principalmente nesta época em que muitos jovens eram expulsos de casa e se sentiam envergonhados pelas pessoas com quem conviviam. As balls são espaços para celebrar a beleza que tanto foi marginalizada, admirar o que era comum esconder, criando um ambiente único para aqueles que se sentiam diferentes do restante da sociedade.

Na Ballroom, não é só uma competição relacionada à moda e dança, é muito mais do que só o seu “jeito de se vestir” ou sua forma de performar, e sim de como você quer se mostrar ao mundo. Um ball é além de uma festa convencional, onde se tem as competições sendo as mais famosas o Runway (categoria de desfile), Face (rosto mais expressivo), Best Dressed (melhor caracterização) e Sex Siren (avalia a sexualidade dos participantes).


Ball Vera Verão. Foto/Divulgação: Instagram.
Dengue, umas das pioneiras na América Latina

Em 17 de junho, aconteceu o evento que foi descrito no início da reportagem, a Dengue, um fenômeno que esse ano está comemorando seu décimo evento. A festa é umas das pioneiras da cena vogue na América Latina e coloca Belo Horizonte como a capital nacional da dança em um cenário antes inimaginável. A capital mineira é referência quando se fala do Ballroom, com um crescimento forte e a cultura já sendo conhecida fora da bolha que antigamente tinha, não restringindo a quem pode assistir e enaltecer sua riqueza.   

Aqui em Belo Horizonte, a cultura Ballroom ganha vida em 2013, através desta mesma festa, que acontecia em um espaço de arte colaborativa que tem como objetivo difundir a arte contemporânea. O ‘Espaço Cultural Gruta’ pode ser chamado de berço da Ballroom em BH e fica localizado no bairro Horto.

A Dengue não é uma house, mas sim uma ball, que acontece mensalmente. Cada uma das festas tem um tema diferente, e cada edição é marcante para os participantes de formas distintas. Para Iara, de 24 anos, é considerado o nascimento de seu alter ego Amerikana.

“Eu considero que o aniversário da Amerikana é no Halloween.”

Amerikana para o Halloween da festa Eleganza. Foto: Instagram/Divulgação.

Esse foi o tema de sua primeira participação em uma categoria em uma ball, que inclusive foi coroada com a vitória.

Disputas de voguing

Com a popularização da Dengue e a expansão das disputas de voguing, dois anos depois surgiu o BH Vogue Fever, organizado pelo Trio Lipstick (Maria Teresa Moreira, Paula Zaidan e Raquel Parreira). O festival promoveu workshops com referências internacionais da dança voguing e trouxe influências diretas da ‘ballroom scene’, como é chamada em Nova York.

A organização do festival chamou a atenção de toda a comunidade vogue do Brasil e também atraiu olhares internacionais, principalmente após confirmarem a presença de Archie Burnett, conhecido como “Grandfather” da House of Ninja é considerado uma das maiores lendas do vogue mundial. Ele também é um dos responsáveis por essa cultura acontecer em BH, já que é padrinho do Trio Lipstick.

Archie foi um dos motivos do sucesso do evento, fazendo com que dançarinos de diversos lugares do Brasil e da América Latina estivessem presentes na capital do estado, que tem 42% dos eleitores conservadores. Em entrevista para o jornal O Tempo, Maria Teresa Moreira, uma das fundadoras do Trio Lipstick, comenta sobre esse grito de resistência que é a Ballroom. 

“Acho fantástico que isso aconteça logo em nosso Estado, terra da tradicional família mineira, onde ainda há muito conservadorismo. Porque o vogue é esse grito, essa vontade de se expressar e exigir respeito.”

Trio Lipstick. Paula Zaidan, Quel Parreira e Tete Moreira. Foto: Instagram/Divulgação.
Capital do vogue

Em 2019, a festa Dengue deixou de ter uma sede fixa, levando seus eventos para diversos lugares diferentes da capital mineira, como o Sesc Palladium, Galpão Cine Horto, Casa Matriz, Mineirão, Parque Municipal, Viaduto Santa Tereza, Praça da Liberdade, FIT – Festival Internacional de Teatro, Virada Cultural, entre outros. Essa descentralização da festa, somada ao sucesso do BH Vogue Fever, fez com que a cultura se expandisse cada vez mais na capital, ecoando ainda mais alto esse grito de resistência.

Após tanto sucesso nos eventos realizados aqui e ao alto nível de engajamento na comunidade brasileira, Belo Horizonte começou a ser chamada de capital do vogue. Para celebrar ainda mais esse grupo de pessoas, no mês de junho deste ano, em que a festa Dengue comemora seus dez anos de existência, o Memorial Vale anunciou a festa e uma série de programações como parte do memorial, apoiando a realização da festa e uma série de workshops e oficinas gratuitas.

Por Júlia Garcia

O fim de semana em Belo Horizonte está repleto de eventos para todos os gostos. Confira hoje a agenda que o Contramão separou para você curtir o final de semana.

Sexta

O mês de julho já se foi, mas os arraiás continuam em julho. E nesta sexta-feira você pode separar sua bota e sua camisa xadrez para a 7ª edição do Arraiá de São José. O evento está repleto de comidas típicas, quadrilhas, música ao vivo e muita diversão para toda a família. A festa, que iniciou às 16h, vai até às 22h e acontece no Pátio do Santuário São José, no centro de BH.  Se não puder ir hoje, pode ficar tranquilo, o Arraiá de São José continua no sábado e domingo. 

Se você quer terminar sua sexta-feira com bastante alegria, pode conferir o espetáculo “Aperte o play e só… ria”. Protagonizado pelos atores Kayete e Carlos Nunes, o espetáculo é uma mistura de cenas engraçadas, conduzidas com humor e inteligência. Kayete e Carlos interpretam diversos personagens no decorrer dessa hilariante história. A comédia acontece hoje, às 20h, no Teatro Raul Belém Machado. Para comprar os ingressos, basta acessar o site ou aplicativo Sympla.

Sábado

E se você é amante do rock, e quer iniciar as comemorações para o Dia Internacional do Rock, se prepare! No sábado, acontece o Rock no Parque, evento em que evidencia a força do rock em BH. O evento reúne diversas atrações, de bandas da capital mineira. Shows com: Orquestra Mineira de Rock, Putz Grilla, Banda Cianna e muito mais. Para garantir os ingressos, é só abrir o Sympla. O evento acontece no Parque Municipal, a partir de 10h. 

A partir de 16h você pode curtir o Arraiá Casa Lagoa Eventos de 2023. O evento, que é 100% open bar e open food, convida os Barões da Pisadinha e Gabi Martins como atrações. Serão oito horas de festa, com muitas comidas e bebidas. O arraiá acontece neste sábado, no espaço CASA LAGOA EVENTOS. Os ingressos estão disponíveis no Sympla

Domingo

Domingou com a 24ª Parada do Orgulho LGBT+ de BH. E o tema escolhido deste ano é  Democracia: Liberdade e direitos para todes! A luta pela democracia não deve ser seletiva. O evento acontece na Praça da Estação, a partir das onze da manhã e é totalmente gratuito. Todos, todas e todes, devem se unir, em uma voz coletiva, para combater a opressão e o preconceito. 

 

Evento é considerado a maior manifestação popular de massa de caráter social de Minas Gerais e uma das mais antigas do país

Por Gustavo Meira

Acontece no próximo domingo (09), a 24ª edição da Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ de Belo Horizonte, com o tema ‘’Democracia: Liberdade e Direito para Todes’’.  Um evento de luta coletiva para combater a opressão, o preconceito e a invisibilidade presente dentro da própria comunidade. A concentração é a partir dàs 11h na Praça da Estação, onde haverá um palco principal para a apresentação de mais de 50 atrações. 

Multidão de pessoas reunidas na Parada do Orgulho na Praça da Estação. Foto: Cellos MG.

A artista drag Mannu Mallibu interpretada por Daniel Gerth é uma delas. Ela se apresentará pela primeira vez na Parada do Orgulho da capital, o maior palco em que já se apresentou. A inspiração da performance ao lado de duas amigas será em ‘’RuPaul’s Drag Race’’, programa que tem um significado pessoal à artista, que a influenciou diretamente em sua carreira. 

‘’Ser uma das atrações do palco principal da Parada me traz uma sensação de muita felicidade. De saber que alguma pessoa, nem que seja uma só, vai me ver e vai pensar ‘nossa, eu queria estar lá!’. Então, eu acho que a importância que tem pra mim, é de ser vista como possibilidade para alguém de algo real, que é válido, que é possível. Que ser drag queen é algo que é, que pode e que deve ser celebrado’’, diz.  

Artista Mannu Mallibu, interpretada por Daniel Gerth. Foto: redes sociais/divulgação.

A celebração contará também com cortejo de cinco trios elétricos que agitam o público durante todo o percurso com músicas que tem como destino final a Praça Raul Soares, no Barro Preto. Segundo a Prefeitura da capital, são esperadas 250 mil pessoas, 100 mil a mais do que na edição do ano passado, que aconteceu em novembro.

Além da Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ ser um movimento de resistência, luta e celebração, ela serve também para dar visibilidade às drags queens ‘’Além do Carnaval, a parada provavelmente é o lugar em que um artista drag mais vai ter público. É você estar em um lugar que majoritariamente entende e celebra a arte que você faz, a arte drag. É como uma validação’’, é o que explica Mannu Mallibu.

Alto investimento 

Esta edição da Parada contou com o investimento de R$ 300 mil do município e R$ 50 mil de emendas parlamentares vindas da Câmara Municipal. Todo o valor foi investido na estrutura do evento, que é organizado pelo Centro de Luta Pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais (Cellos MG).

O Brasil continua a liderar o ranking dos países que mais matam LGBTQIAPN+. De acordo com levantamento do Grupo Gay da Bahia (GGB), a partir da análise de notícias publicadas nos meios de comunicação. Foram apontados 242 homicídios e 14 suicídios ao longo do ano passado, ou seja, uma morte a cada 34 horas. Este movimento é em prol dessas pessoas, que sofrem e morrem todos os anos por simplesmente serem quem elas são. Além da celebração, é a luta pelo respeito.

A diversidade é um dos pilares fundamentais de uma sociedade democrática. Cada indivíduo merece ser reconhecido e respeitado em sua individualidade, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero. A luta pela liberdade e pelos direitos da comunidade é um reflexo do desejo de criar um mundo mais inclusivo e justo para todos.

 

Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ de 2022, na Av. Amazonas, BH. Foto: Cellos MG.

 

 

No Brasil, 68,8% da comunidade LGBTQIA+ está em algum grau de Insegurança Alimentar, sendo 20,2% em IA grave, conforme levantamento do Guia de Cuidado e Atenção Nutricional à População LGBTQIA+

Por Júlia Garcia e Millena Vieira.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), os transtornos alimentares são um conjunto de doenças psiquiátricas que se caracteriza por uma desordem no ato de se alimentar. Estima-se que mais de 70 milhões de pessoas no mundo sejam afetadas por algum transtorno alimentar, incluindo anorexia, bulimia, compulsão alimentar e outros, sendo a anorexia e a bulimia nervosa as de maior incidência entre o público jovem de 12 anos até o início da vida adulta, o que acaba dificultando o seu desenvolvimento. 

Para a nutricionista e professora Luana Santos, especialista em Adolescência pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), com Doutorado em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP), os distúrbios alimentares estão vinculados a condições de saúde física ou psicológica, questões socioculturais e até mesmo fatores genéticos. Entre os adolescentes, o principal fator de risco, além da auto estima baixa, a distorção da própria imagem e os maus hábitos alimentares, é o culto excessivo ao corpo. “Isso tem sido muito valorizado, sobretudo nos últimos anos, com o avançar das redes sociais, há uma imposição pelas redes, pelas mídias de corpos que fogem do padrão, há um culto excessivo ao corpo esteticamente diferente do que é habitual da adolescência, isso favorece a ocorrência de distúrbios”, alerta.

Na visão da professora, existe uma linha muito tênue entre transtorno alimentar e transtorno de saúde mental. “Essa relação é uma via de mão dupla, aqueles indivíduos que têm o histórico de depressão, ansiedade e outros transtornos, vão ter maior propensão a ter um distúrbio alimentar, e aqueles indivíduos que têm um distúrbio alimentar também poderão ter maior chances de desenvolver qualquer transtorno de saúde mental, pela questão inerentes aos quadros de distúrbios”, afirma.

Em 2021, o Conselho Regional de Nutricionistas 1º Região (CRN-1), lançou a 1º edição do “Guia de cuidado e atenção nutricional à população LGBTQIA +”. Conforme levantamento, no Brasil, 68,8% dessas pessoas vivem com algum grau de Insegurança Alimentar (IA), sendo 20,2% em IA grave. De acordo com o Guia, entre os TAs mais comuns à população LGBTQIA+ e outros problemas correlacionados, estão: altos índices de insatisfação corporal devido ao padrão de corpo e beleza e à pressão estética hetero cisnormativa; estresse entre minorias (opressão sofrida pelos próprios membros da comunidade); estresse de minorias (opressão sofrida pela sociedade). Em relação às pessoas trans em comparação com cisgêneros, o uso de laxantes e outros remédios para fins de emagrecimento são muito comuns.

Aos 21 anos, Isaque Vieira, um homem negro, gordo, baixo, de cabelos cacheados e pretos, está dentro da estatística de 2% da população brasileira transgênera. Ele lembra as inseguranças que o levaram a desenvolver bulimia no início de sua juventude. “Eu comecei a passar pelo transtorno alimentar quando eu tinha uns 10 anos mais ou menos. Foi quando comecei a entender como as pessoas na escola eram diferentes de mim por conta do meu corpo. No twitter, descobri uma hashtag chamada #anaemia que é onde pessoas que sofrem anorexia e bulimia conversam entre si e colocam metas nada seguras para perder peso e eu comecei a praticá-las”, conta. 

Após o desenvolvimento do transtorno alimentar na adolescência, Isaque diz que ao se identificar como um homem trans, as influências das mídias digitais começaram a ser muito mais negativas. “Hoje quando vejo um corpo trans nas redes sociais, ao invés de olhar para esse corpo e me identificar, eu olho e me sinto triste. Muitas das vezes são corpos fora do padrão por serem corpos trans, mas são corpos padronizados dentro da comunidade trans, (corpos magros, brancos e principalmente transicionados) e daí se cria um enorme sentimento de insegurança em mim”, afirma. Embora seja um fator limitante, para o jovem negro e trans, o padrão de beleza vai muito além do corpo. “Quando a gente vê os padrões da sociedade sendo impostos, geralmente são pessoas brancas, de cabelo liso, olhos azuis. Padrões que uma pessoa negra não vai alcançar, sabe? E isso acaba sendo frustrante”, diz.

De acordo com a psicóloga Dalcira Ferrão, pessoas fora do padrão normativo tendem a desenvolver mais transtornos pela cobrança excessiva imposta socialmente sobre os corpos, ou seja, sobre a forma como devem ser e existir. “Perceber que não se aproxima desse dito “padrão” faz com que as pessoas se vejam sem pertencimento no coletivo”, afirma. Ainda segundo a psicóloga, a maioria dos jovens utilizam as redes sociais como referencial para a construção de suas identidades. Espelham-se em pessoas públicas e naquilo que é divulgado nas mídias. “O tempo que os jovens têm destinado à tecnologia tem sido demasiado, o que acaba impossibilitando outras vivências no dia-a-dia. Ao mesmo tempo em que a internet pode interligar pessoas que estão distantes geograficamente, pode também afastar quem está ao nosso lado”, diz. 

Dalcira Ferrão é uma mulher preta de cabelos cacheados, feminista, bissexual, antirracista e militante LGBTQIA+ e Direitos Humanos. Psicóloga clínica e social desde 2007, ela trabalha no atendimento de pessoas LGBTIQIA+, suas famílias, mulheres em situação de violências e pessoas pretas. Além disso, durante o período de 2016 a 2019, Ferrão foi presidente do Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais (CRP-MG) e Conselheira Federal de Psicologia, entre 2020 e 2021. Hoje, a psicóloga é colaboradora das Comissões de Psicologia, Gênero e Diversidade Sexual e de Psicologia e Relações Étnico-Raciais do CRP-MG.

Outro fator preocupante sobre o transtorno alimentar, é o isolamento do indivíduo, podendo afetar de forma negativa a saúde mental e impactar nas atividades diárias. “No início pode ser que a pessoa se distancie da família ou do grupo, para que as pessoas não percebam vestígios do distúrbio. Esse indivíduo pode se tornar incapaz de participar de atividades por até mesmo sentimentos causados pelo transtorno e não querer estar de forma sociável com os demais”, afirma a profissional Luana Santos.

Desafio de ser um homem trans

Isaque acredita que o seu maior desafio seja parar de se comparar tanto. O jovem alega que até dentro da comunidade trans há padrões a serem seguidos. “Você sempre tem que ser alguém que toma hormônio, que já transicionou. Quando você olha pra você e vê que você tem traços femininos, você não se entende mais como um homem trans”, declara.

A divisão entre “ser um homem trans” e “ser um homem cis”, também é um desafio para Isaque. “Quando a sociedade impõe que homens trans não são “homens de verdade” por serem transexuais, você ouve isso e nega para si mesmo. É muito difícil, sabe? Porque tem mil coisas que a sociedade vai impor para você seguir, mil padrões, e quando você não tem como seguir, é mais complicado ainda”, diz.

Segundo o psicanalista Julian Silvestrin, ter seu modo de gozo, seu prazer, sua forma de viver a sexualidade encarada como um transtorno, pode produzir diversas formas de sofrimento e igualmente diversas formas de tentativa de apaziguamento. “É aí que cada sujeito vai construir sua trajetória de transição, que é sempre singular”, conclui.

Para Dalcira Ferrão, “é extremamente importante que as pessoas que apresentem sofrimento psíquico decorrentes dos transtornos alimentares ou das imposições de sexualidades e de gênero tenham suporte psicológico e/ou médico adequados, quando necessário, e que se constitua uma rede de apoio, de modo a promover relações de segurança e confiança”, ressalta.

Segundo o Guia de cuidado e atenção nutricional à população LGBTQIA+, o acesso à saúde também é limitado para a comunidade. “De forma geral, a experiência de pessoas LGBTQIA+ nos serviços de saúde é marcada por constrangimentos, falta de conhecimento e violências, o que resulta em um afastamento dessa população dos serviços de saúde”, afirma o estudo.

Embora o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibilize atendimento para pessoas em sofrimento psíquico por meio dos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), sendo os CAPS – Centro de Atenção Psicossocial, em suas diferentes modalidades, pontos de atenção estratégicos da rede, a espera pela disponibilização de um profissional qualificado e a falta de investimento na saúde mental no Brasil, que recebe menos de 2% do orçamento recomendado pela OMS, quando deveria receber no mínimo 6%, dificulta o acesso afetando toda a população.

Perguntado sobre o que gostaria de deixar para as pessoas que se identificam com Isaque, o jovem respondeu: “Eu diria que antes de tudo, reconhecer que precisamos de ajuda é o principal, a partir daí as coisas fluem naturalmente para o nosso bem. Quando a gente está nesse processo, é muito difícil enxergar que estamos precisando de ajuda, o primeiro passo é reconhecer isso. Meu maior conselho é que a pessoa encontre um profissional que a ensine a se enxergar de uma forma melhor e cuidadosa. Hoje eu digo que amar nossos corpos é uma luta diária que temos que ter em mente que vamos vencer, falo luta porque é realmente algo muito difícil. Mas sempre com a ajuda de um profissional, a gente consegue aprender o que é amar e respeitar nossos corpos.”

 

Bruna Marquezine no carnaval de Salvador em 2019. Foto: Instagram @brunamarquezine/reprodução
Bruna Marquezine no carnaval de Salvador em 2019. Foto: Instagram @brunamarquezine/reprodução

Por Keven Souza

Chegamos, finalmente, no mês do carnaval! E não precisa nem esperar os dias oficiais da folia, que ocorre de 17 a 21 de fevereiro, pois os bloquinhos já estão com tudo no pré-carnaval de Belo Horizonte. 

Se você, assim como muitas querides indecisas, ainda não está com as suas roupas de carnaval montadas, não se preocupe, trouxemos muitas ideias de peças e tendências para você brilhar nesse carnaval de 2023. Vem conferir!

Bucket hat

Bombando na moda desde os anos 2000, os buckets hats (ou chapéus de pescador) apresentam uma infinita possibilidade de composições para looks. No carnaval é uma ótima escolha para usar durante a folia dos bloquinhos, onde o sol é, ironicamente, a principal atração. Além disso, possui estampas criativas e com pegada urbana.

Bucket hat Tanto Faz (Foto: Reprodução/Instagram)
Bucket hat Tanto Faz (Foto: Reprodução/Instagram)

Luvas

Assim como o período carnavalesco, que está de volta depois de um hiato devido a pandemia, as luvas retornam neste ano totalmente repaginadas. Mais despretensiosas, ousadas e divertidas, elas trarão aquele up que faltava nos looks da folia. O hit é certo! 

Bruna Marquezine no carnaval de Salvador em 2019. Foto: Instagram @brunamarquezine/reprodução
Bruna Marquezine no carnaval de Salvador em 2019. Foto: Instagram @brunamarquezine/reprodução

Coturno

Se engana quem acredita que não é possível utilizar coturnos em dias quentes. O calçado pode ser facilmente combinado com saias, shorts e hot pants. Na folia proporciona conforto e praticidade, além de um visual cheio de atitude. Tudo que o carnaval pede…

Bruna Marquezine de coturno all black. Foto: Instagram @brunamarquezine/reprodução
Bruna Marquezine de coturno all black. Foto: Instagram @brunamarquezine/reprodução

Biquíni de crochê 

Ele já é antigo no mundo da moda, mas nunca sai de tendência. O biquíni de crochê é um item que não pode faltar nesse carnaval, é delicado e super estiloso. E seus modelos vão desde os mais tradicionais (brancos ou cor gelo) até os mais sexys (aqueles coloridos). 

Para quem adora estar por dentro das tendências, Anitta, Bruna Marquezine e Sabrina Sato são algumas das celebridades que ditaram a tendência da peça. Aproveite o calor do nosso Brasilzão e (ab)use da peça.

Camila Queiroz usa biquíni de crochê na praia. Foto: Instagram @camilaqueiroz/reprodução
Camila Queiroz usa biquíni de crochê na praia. Foto: Instagram @camilaqueiroz/reprodução