Literatura

“Tudo pode ser um ponto de partida para uma crônica”. Luís Fernando Verissimo

Do lado de fora da Academia Mineira de Letras (AML), a fila para ver de perto e “bater um papo” com o autor estava enorme. Muitos rostos ansiosos eram percebidos ao longo de uma fila que dobrava o quarteirão (entre as ruas da Bahia e Aimorés, em frente ao Colégio Imaculada, quase chegando à rua Espírito Santo). O autor da noite de ontem, era Luís Fernando Verissimo, que lançaria o livro “Em algum lugar do paraíso”. Uma mulher pergunta se ainda tinha livros para vender. Naquele momento já não havia mais.

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Foram vendidos cem livros antes do bate-papo

Os lugares do auditório, rapidamente, se esgotaram. Algumas pessoas foram se aglomerando ao fundo, outras nas laterais, cada um se ajeitando como podia. Uma mulher sentada em uma das laterais do palco fazia cara de desagrado toda vez que alguém a pedia licença para passar. Do lado de fora, acompanhando o bate-papo pela porta lateral, vários alunos faziam suas anotações. Em meio a quem acompanhava em pé a fala de Luís Fernando Veríssimo, estava o ex-ministro, Patrus Ananias, que assim permaneceu durante todo o evento.

Na plateia, pessoas de todas as idades eram percebidas. Chapéus, óculos e livros nas mãos daqueles que conseguiram comprar, se destacavam entre a multidão. Grande parte do público ficou em pé, mas isto não influenciou e nem dispersou a atenção. Todas as pessoas, (sentadas ou em pé) prestavam a atenção e acompanhavam cada minuto do bate-papo. O evento iniciou com grande público e terminou da mesma forma. Do inicio ao fim, foi possível observar câmeras fotográficas erguidas, em busca de fotos do autor.

Batendo um papo com Verissimo

O autor Luís Fernando Verissimo depois de dizer ter “um certo pânico” de falar em público, abriu espaço para que a plateia fizesse perguntas. Um senhor saiu do meio das pessoas e entregou ao autor de “Em algum lugar do paraíso” dois presentes, um para ele e outro para a esposa. Toda a plateia aplaudiu a atitude.

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Homem entrega presente para Verissimo

O público deixava escapar muitos sorrisos ao ouvir as piadas, brincadeiras e histórias que Verissimo contava durante o bate-papo. Histórias estas, como textos de outros autores, que foram assinados com seu nome. “Já recebi elogios por textos que não eram meus, fiquei sem jeito dizer que não era”, conta Verissimo.

Um homem perguntou a Luís Fernando se ele tinha aprendido a cozinhar ou só entrava na cozinha para comer. A resposta do autor fez toda a plateia cair na gargalhada. “Eu só entro na cozinha para perguntar se já está pronto”, brinca. Outro rapaz pergunta se alguma ideia ou vivência de Verissimo, que poderia se tornar uma crônica, já teria sido ignorada. Em resposta o escritor afirma que as melhores ideias são as que a gente esquece. “Algum sonho ou ideias debaixo do chuveiro”, destaca Verissimo.

Ao final do bate-papo, mais uma fila se formou e mais uma vez a ansiedade era percebida no rosto das poucas pessoas que conseguiram comprar o livro. Desta vez, a fila era para autógrafos. Neste momento, as pessoas se viravam como podiam, algumas tiravam fotos dos celulares, outras pediam para amigos fotografarem com suas câmeras. Valia tudo para não perder a oportunidade e tirar uma foto com o autor.

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Luís Fernando Verissimo, durante a sessão de autógrafos

Por: Bárbara de Andrade

Fotos: Felipe Bueno e Natália Alvarenga

Dentre os presentes, algumas personalidades como o ex-ministro do desenvolvimento Patrus Ananias prestigiaram o escritor

A Academia Mineira de Letras recebeu na noite desta terça-feira (6/03) a ilustre presença do escritor gaúcho Luiz Fernando Veríssimo, famoso por seu jeito peculiar de contar diferentes histórias. O evento marcou, também, a divulgação de sua mais nova obra, lançada em novembro passado pela editora Objetiva e intitulada “Em algum lugar do paraíso”. Ainda do lado de fora do auditório, algumas personalidades mineiras, como o ex-ministro do desenvolvimento social e combate a fome, Patrus Ananias, abraçaram o autor e conversaram com a imprensa.

Patrus Ananias destacou a importância de eventos como o da noite para o acréscimo cultural da população. “Acho muito importante que a cidade tenha abraçado o Veríssimo. Estou muito feliz em ver, inclusive, vários jovens, estudantes universitários”, afirmou.

Ouça a entrevista com Patrus Ananias:


Em algum lugar do paraíso

Recheado de boas histórias, o livro reúne 41 crônicas, escolhidas dentre 350, escritas por Veríssimo ao longo dos últimos cinco anos, várias delas publicadas em sua coluna no jornal O Estado de S. Paulo e em outras publicações nacionais. Segundo a editora, a obra retrata temas que vão de vida a morte ou do tempo ao amor, sempre colocando em voga reflexões acerca das escolhas feitas ao longo da existência.

Casa cheia e misto de reclamações com bons indicativos

Tamanho sucesso de público rendeu ao evento não só elogios. Do lado de fora, sem conseguir um espaço no Auditório Vivaldi Moreira – que tem capacidade para 120 pessoas sentadas –, o psiquiatra e escritor Marco Aurélio Baggio, afirmou que visita a casa há anos, mas que nunca a viu tão cheia como da forma que estava. Entretanto, enalteceu a presença, em peso, dos jovens, no evento. “Freqüento essa academia há mais de quatorze anos e nunca a vi tão cheia, o que é um excelente indício de que a juventude está atenta ao Veríssimo, que é, hoje, um dos maiores intelectuais brasileiros”, disse.

Texto: Tiago Mattar e Marcelo Fraga – Módulo 1A – Jornalismo Multimídia
Foto: Felipe Bueno

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O livro “Ministérios e magistérios, testemunhos de uma paixão”, foi lançado no dia 29 de novembro. O livro, organizado por Lúcio Flávio Machado, reúne 80 testemunhos de pessoas próximas ao Pe. Geraldo Magela, falecido em 29 de setembro, e faria parte das homenagens aos 80 anos do reitor da UNA. O lançamento reuniu familiares, amigos, autoridades políticas e educacionais do estado, além de professores, alunos e pessoas que admiravam o Pe. Magela.

Além do lançamento do livro, os familiares doaram o acervo pessoal composto por livros e móveis que hoje integram a Biblioteca Padre Geraldo Magela Teixeira, no Campus Aimorés.

Confira o vídeo do lançamento:

“Quando nasci, um anjo torto

desses que vivem na sombra

disse: Vai Carlos! Ser gauche na vida”.

Poema de sete faces

Carlos Drummond de Andrade

Hoje se comemora o dia D, a data é uma iniciativa do Instituto Moreira Sales e uma homenagem ao poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade, que hoje comemoraria 109 anos. Em Belo Horizonte a livraria Mineiriana montou uma exposição que resgata a vida do escrito.

A capital mineira não é a única a homenagear o poeta. “O Rio de Janeiro, São Paulo, Itabira (que é a terra dele), entre outros lugares, que não estão ligados ao movimentos do Instituto Sales Moreira, mas comemoram o aniversário de Drummond”, destaca o livreiro Sebastião Apolinario.

A homenagem na livraria de BH conta com: “alguns poetas, exposições de obras, algumas cartas, fotos retiradas de alguns livros sobre Drummond e reportagens”, explica Apolinario. Ainda segundo ele a exposição teve a colaboração da biblioteca pública, que cedeu um acervo de banners com poemas e alguns desenhos do poeta, o acervo particular que é do poeta Mário Alex, do Afonso Ávila, do Carlos Ávila. “O Instituto Moreira Salescolaborou com o selo da marca e um CD com várias pessoas lendo Drummond”.

Sebastião Apolinario e o curador Mário Alex Rosa
Sebastião Apolinario e o curador Mário Alex Rosa

Carlos Drummond de Andrade foi um escritor que sempre soube olhar a vida de maneira perspicaz. Suas crônicas, poemas e contos, apesar de explorar o caráter prosaico das coisas, constitui uma rica descrição de objetos, olhares, gestos, de sentimentos, personagens e suas singularidades, que ele soube como ninguém transcrever para o papel. Até mesmo uma inusitada pedra no caminho do poeta mineiro serviu de inspiração para uma das mais famosas poesias da literatura brasileira.

A livraria Mineiriana fica na rua Paraíba, 1419, Funcionários – Belo Horizonte

Por: Bárbara de Andrade e Felipe Bueno

Fotos: Felipe Bueno



Em comemoração da Semana Nacional do Livro e da Literatura, a Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa promoveu nesta tarde, 26, a palestra com o escritor espanhol, Enrique Páez. Em seu estudo, Páez trata da integração e difusão das culturas, de fronteiras geográficas, linguísticas, religiosas, raciais e culturais.
“Toda a diversidade humana pode e deve ser compreendida graças aos emigrantes e imigrantes, embaixadores culturais de seus povos de origem”, explica Páez. O palestrante ainda completa: “a literatura infantil e juvenil uma ferramenta fundamental para disseminar as diferenças genéticas e artísticas do ser humano”.
Quando questionado sobre o interesse da criança com a literatura na atualidade, ele enfatiza: “Eu fui um bom leitor e eu era a minoria na minha época. Hoje, vejo mais crianças lendo, mas não muitas”, finaliza.

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Sobre o autor
Enrique Páez é um escritor espanhol que atualmente vive em Tenerife, Espanha. Tem sete romances infantis e juvenis publicados e foi traduzido em mais de dez idiomas, inclusive a obra “Me chamo Suzana, e você?”, pela primeira vez publicado no Brasil. Seu livro teórico “Escrever: manual de técnicas narrativas” é uma das maiores preferências espanholas entre os manuais de escrita criativa. É fundador e coordenador geral da Rede Internacional de Contadores de Histórias.

Texto e foto: Marina Costa

O “Sempre um Papo” comemorou 25 anos e para festejar a data o jornalista Zeca Camargo foi convidado para mediar o evento que reuniu os escritores Fernando Morais, Frei Betto, Leonardo Boff, Ruy Castro, Heloísa Seixas, Luís Fernando Veríssimo, Zuenir Ventura. Confira a entrevista realizada pelo Contramão!

Por Bárbara de Andrade
Foto: Felipe Bueno
Vídeo: Bárbara de Andrade e Vanessa C.O.G.