Literatura

O jornalista e escritor, Fernando Morais, esteve em Belo Horizonte para a comemoração dos 25 anos do projeto “Sempre um Papo”, e para lançar o seu novo livro “Os últimos soldados da Guerra Fria” que relata o trabalho de cinco agentes de inteligência dos Estados Unidos infiltrados em organizações contrárias à ditadura de Fidel Castro. Nesta entrevista, Fernando Morais defende que a forma mais efetiva de ampliar o público leitor, é o Brasil investir mais em Educação. Confira!

Por Felipe Bueno

Foto: Bárbara de Andrade

Vídeo: Vanessa Gomes

Para comemorar os 25 anos do sempre um papo, o idealizador do projeto Afonso Borges reuniu na noite de segunda-feira os escritores Fernando Morais, Frei Betto, Leonardo Boff, Ruy Castro e Heloísa Seixas, que lançaram respectivamente as obras “Os últimos soldados da Guerra Fria”, “Minas do ouro”, “Cuidar da Terra, Salvar a Vida: Como Evitar o Fim do Mundo”, “Terramarear – Peripécias de dois Turista Cultural”. Também participaram do bate-papo Luís Fernando Veríssimo, Zuenir Ventura e o jornalista Zeca Camargo, que mediou o evento.

Centenas de pessoas, dentre estudantes e professores estavam presentes no Palácio das Artes para acompanhar o sempre um papo.

Pioneiro

O escritor Frei Betto foi o primeiro a participar do “Sempre um Papo” em setembro de 1986. “Tenho a honra de ter sido o primeiro escritor a participar do projeto e estou feliz de 25 anos depois participar desta cerimônia”. O escritor destaca que o diferencial do sempre um papo é propiciar a interação entre leitores e autores. “A noite de autógrafos é precedida de uma conversa em que o escritor fala da sua obra e em seguida responde a perguntas do público/leitor. O leitor tem oportunidade de colocar suas duvidas, inquietações e curiosidades em relação ao escritor e a obra que está sendo lançada”, explica Frei Betto.

Frei Betto
Frei Betto durante entrevista ao Jornal Contramão

Confira no vídeo a entrevista com Luís Fernando Verissimo:

Ao final do bate-papo, os autores distribuíram autógrafos e tiraram fotos com o público.

Grevistas marcam presença no Sempre um papo

O projeto “Sempre um papo” é um instrumento de reflexão do conhecimento a partir do diálogo entre a obra, os escritores e os leitores. Enquanto o jornalista e escritor, Fernando Morais, discursava a respeito de uma formação escolar melhor, com escolas mais inclusivas. “Para o Sempre um papo fazer bodas de ouro com o dobro de pessoas na platéia, o governo tem que investir na educação pública”, os professores da rede estadual de levantaram e começaram a bater palmas, seguidos de gritos de protesto: “A greve continua! Anastasia a culpa é sua!”. Os professores que estão em greve, há mais de três meses reivindicam o pagamento do piso nacional, acabando com a política de subsídio implantada pelo Governo do Estado. Ao final do evento, os professores distribuíram panfletos para o público.


Público do Sempre um papo se manifestando contra a greve dos professores estaduais
Público do Sempre um papo se manifestando contra a greve dos professores estaduais

Por: Bárbara de Andrade e Felipe Bueno

Fotos: Felipe Bueno Vídeo: Duda Gonzalez, Vanessa Gomes e Vinicius Calijorne

Com a presença de fãs, da impressa e com direito à apresentação musical de Tadeu Franco, o jornalista da TV Globo, Maurício Kubrusly, lançou na noite desta terça-feira, 02, o livro “Me leva Brasil”, na Acâdemia Mineira de Letras (AML). A obra reúne histórias que revelam a diversidade cultural de diferentes regiões do país, ao todos foram 150 cidades visitadas, em cinco anos.

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Maurício Kubrusly em sessão de autógrafos, clique na foto para conferir a galeria

O livro surge a partir da experiência do quadro homônimo apresentado no Fantástico. “É uma coisa meio natural depois de estar viajando, há tanto tempo, resgistrar as histórias mais interessantes”, explica Kubrusly. O “Me leva Brasil” começou a ser exibido no primeiro domingo de 2000, a ideia era de sair pelo país conhecendo pessaos e lugares e, segundo Kubrusly, surgiu de uma curiosidade pessoal. “Andavamos muito só por São Paulo e Rio de Janeiro”, revela.

“A produtora foi até as afiliadas da Globo meses antes do programa ir ao ar, e pediu que mandassem histórias interessantes para o programa, depois que o primeiro programa foi ao ar, começou a chover cartas”, explica. A ideia inicial, de acordo com Maurício Kubrusly era comprar um ônibus, sair de São Paulo e do Rio e ir para o Brasil.

O assessor da AML Petrônio Souza, Maurício Kubrusly, o cantor Tadeu Franco e o produtor musical Branco Monteiro
O assessor da AML Petrônio Souza, Maurício Kubrusly, o cantor Tadeu Franco e o produtor musical Branco Monteiro

Ô povo bom…”

O jornalista apresentou para o público algumas das histórias vividas durante sua passagem por 150 cidades brasileiras, dentre essas a primeira foi do Galinha Tonta, um morador de São Francisco, Minas Gerais. O apelido veio de uma brincadeira na infância, o garoto era pobre e negro, quando foi humilhado por uma mulher, ficou muito triste e não queria mais viver.

O Galinha Tonta conta que dormiu e sonhou com com um japonês, um alemão e um inglês conversando com ele em sua respectivas línguas e que quando acordou sabia falar e escrever nas três linguas. O mais curioso é que isso aconteceu quando o personagem tinha sete anos, e ele só aprendeu a escrever em português aos 11. “É um caso totalmente incompreensível para mim, levei a história ao hospital das Clínicas e ninguém soube explicar”, revela Kubrusly.

Maurício Kubrusly informa que o Estado que mais aparece no livro é Minas Gerais. “Ô povo bom pra contar história! Andando pelo interior de Minas, percebi que o mineiro tem um jeito particular de contar histórias, fico fascinado”. Kubrusly revelou também uma certa atração pelas mineiras. “Fico derretido pelas mineiras de Belo Horizonte”.

Outra história que chamou atenção do jornalista e escritor foi a a briga de duas mulheres pelos mortos da cidade, ambas tinham uma funerária e disputavam para saber quem iria cuidar do velório. “Houve uma briga entre as duas na rua e a Câmara Muncipal decidiu, dia par uma cuida do velório, em dia impar a outra cuida”, conta.

Kubrusly registra que de todas as regiões do país que ele conheceu a a que mais o entristece é a Norte. “É muita pobreza”, lamenta.

Kubrusly e a narrativa popular

A forma como Maurício Kubrusly vivencia e faz jornalismo perpassa por uma nova ótica de abordagem, há no seu trabalho uma tendência de uma linguagem literária, um jeito mais solto e que se propõe viver uma experiência antropológica. “É só uma postura minha de achar nessas reportagens que a estrela é o entrevistado e não o entrevistador”, explica, “você tem que ser o menos invasivo possível, e tentar desesperadamente o impossível, que é a pessoa fique do jeito que ela é, tendo na frente dela uma câmera de televisão”.

Maurício Kubrusly garante que não segue um modelo de jornalismo, ele não pensa em um projeto, simplesmente explora aspectos culturais nunca vistos antes, na opinião dele. “Eu gosto muito de caminhar nas pequenas cidades que ficam longe dos grandes centros. Por que ali, as pessoas têm um outro tipo de verdade, ou seja, elas são do jeito que elas são, o fato de uma emissora chegar no lugar, ele não vai se alterar”, explica.

Apesar de não ser o pioneiro nesse tipo de abordagem de em que o repórter extrapola os limites da objetividade, Kubrusly considera que a partir do “Me leva, Brasil”, outras emissoras de televisão começaram a investir nesse tipo de reportagem. “Quanto mais a gente se voltar para esse Brasil, que é o Brasil da maioria, mas que tá longe das grandes cidades, melhor para nós brasileiros. Porque a gente vai valorizar cada vez mais a diversidade do país”, avalia.

Por: Bárbara de Andrade e Felipe Bueno

Fotos: Felipe Bueno

Os documentários “O Aleijadinho”, de Joaquim Pedro Andrade, e “O barroco da alegria”, de Moacyr Laterza, foram exibidos, hoje, no anexo Francisco Iglésias, da Biblioteca Pública Luis de Bessa, dentro da programação da mostra “Barroco: arte do ouro e da poesia”.

Ao longo do mês de maio, foram exibidos vários curtas-metragens e documentários sobre a História do Barroco em Minas Gerais. Segundo a coordenadora da biblioteca, Alessandra Gino, a idéia de exibir os filmes na biblioteca, é de mostrar o outro caminho de informação que o leitor pode encontrar além dos livros. “O nosso projeto tem como objetivo é mostrar um jeito mais dinâmico de abordar diferentes temas. Todos os meses abordamos temas que despertam o interesse do público”, enfatiza.

  • Corrdenadora Alessandra GinoCoordenadora Alessandra Gino
  • No próximo mês, o tema será “O Meio Ambiente”. O assunto abordará conceitos e práticas ambientais.


    Por: Marina Costa

    Foto: Felipe Bueno

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    No dia 12 de março é comemorado o dia do Bibliotecário. Você já ouviu falar, mas não sabe qual função este profissional exerce? Entenda um pouco mais sobre esta atividade. Estão entre as principais:

    – Eleger as obras de um acervo

    – Classificar os livros e catalogá-los

    – Preparar fichas de empréstimos dos livros

    – Preparar as fichas dos leitores e usuários da biblioteca

    – Desfazer de obras danificadas

    – Organizar material de divulgação da biblioteca

    – Atender no balcão de referência, auxiliando cada usuário na sua necessidade

    – Ler de preferência as melhores obras do acervo, buscando mais informação e conhecimento para melhor desempenho da sua função

    – Se bibliotecário-chefe, supervisionar todos esses serviços, com auxílio das outras bibliotecárias.

    Pra você que se interessa por leitura, informação e conhecimento, fique atento! A Divisão Infanto-Juvenil da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, em celebração ao Dia da poesia, realizará no dia 19 de março, às 10h a Hora do Conto e da Leitura “Pintando poesia”, com participação especial da escritora Neusa Sorrenti.

    A entrada para o evento é gratuita. Para mais informações ligue (31) 3269-1220/1223 ou acesse o site: infantil.sub@cultura.mg.gov.br

    Com a volta às aulas, a demanda por livros didáticos cresce espontaneamente. Alunos das mais variadas idades, procuram os materiais que serão usados no novo período escolar, já que em cada evolução no ensino, livros mais avançados devem ser obtidos.

    Essa é a grande preocupação dos pais desses alunos na hora da compra dos novos livros. Ao invés de procurar esses materiais usados, as pessoas procuram em livrarias especializadas, pagando até mais do que o dobro por livros que podem ser encontrados facilmente em diversos sebos localizados na cidade.

    De acordo com o livreiro Pedro Paulo, da Livraria e Sebo Três Irmãos, sua loja vende muitos livros usados, apesar da difícil concorrência com as livrarias da Galeria do Ouvidor, que são especializadas em vendas de materiais didáticos novos.

    Outro empecilho para quem trabalha em sebos é o fato dos professores adotarem os materiais editados em até dois anos de uso para diminuir a safra de livros usados, fazendo com que os alunos comprem apenas os novos.

    Ronaldo Lima, formado em Jornalismo na década de 70, hoje livreiro da Livraria Shazan, não trabalha com material didático por achar que tudo funciona como uma espécie de “máfia de livros”, onde as empresas produzem em grande quantidade, facilitando o encontro dos livros novos e diminuindo a safra dos materiais usados.

    Na opinião de Ronaldo Lima, o acesso à internet e o uso do xerox, fazem com que a venda de livros diminua bastante. “Os alunos conseguem achar o material na Internet sem precisar comprar. Ao invés de procurar o livro usado, algumas pessoas preferem fazer cópias xerocadas do material, o que pode sair até mais caro do que um livro usado”, conclui.

    Confira entrevista completa com Pedro Paulo:

     

     

    Texto: Arthur Henrique Costa

    Reportagem: Andressa Silva

    Foto: Débora Gomes