Moda

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O debate sobre sustentabilidade e consumo consciente de moda são fatores essenciais para a construção de uma cadeia produtiva mais justa

Por Italo Charles

Nos últimos anos a globalização e o crescimento exacerbado das mídias publicitárias têm impulsionado transformações em diversos âmbitos e no campo da moda não é diferente. Muito se fala em sustentabilidade e consumo consciente, mas poucas pessoas sabem realmente o significado desses conceitos.

Compreender o que se diverge entre moda sustentável e consumo consciente é o primeiro passo para desmistificar os processos que abraçam uma cadeia produtiva enorme como a da moda.

A indústria mundial de moda é responsável pela promoção de empregos, maior rentabilidade e produção de produtos com custos acessíveis, entretanto, não existem apenas pontos positivos nesse grande meio.

Por trás de tamanha produção estão ocultos os malefícios que o setor carrega. O uso de mão de obra barata e insalubre, insumos químicos usados no processo, descarte de resíduos e poluição do meio ambiente são alguns fatores.

A produção sustentável é pautada pelo processo de fabricação que tem como base o uso de insumos não poluentes ou que causem o mínimo impacto ambiental, uso de fibras orgânicas, reciclagem, reaproveitamento de materiais e a responsabilidade social que está atrelada à condições de trabalho dignas.

Mudanças 

Até o século 18, confeccionar roupas fazia parte de um processo longo ocasionado pela dificuldade de acesso a tecidos e materiais, além da mão de obra para produção, o que tornavam as peças mais caras.

Devido a tais condições as roupas tinham mais qualidade e eram feitas para durar, dessa forma, o consumo, na época, era menor e mais consciente, uma vez que se sabia a origem das peças.

Com a chegada da Revolução Industrial em 1970 e com a criação da máquina de costura, os processos para fabricação começaram a se otimizar e com isso o aumento da produção. Mas, foi em 1990 com os avanços tecnológicos que o termo “fast-fashion” foi criado.

Classificado como o padrão de produção, consumo e descarte acelerado, o fast-fashion ganhou espaço no mercado tanto pela mão de obra barata, facilidade e agilidade na produção quanto no custo de matéria prima.

E, com o tempo, o ramo foi tomando maiores proporções sendo que a cada semana eram lançadas novas tendências que imitavam a alta costura, mas com baixa qualidade, custo e durabilidade.

A partir disso, nos últimos anos, debates sobre sustentabilidade e consumo consciente tiveram mais espaço devido ao volume excessivo produzidos pelas indústrias de fast fashion, questões ambientais e principalmente após o desabamento do Rana Plaza em 2013 – prédio de uma fábrica têxtil em Blangadesh.

Dado o acontecido, surgiu o movimento “quem faz minhas roupas?”, difundido pela Fashion Revolution, organização que luta pela transparência e melhoria na cadeia de moda. As manifestações a respeito da causa suscitaram uma análise sobre os processos e padrões da moda.

Consumo Consciente

Por outro lado, enquanto a moda sustentável, de certa forma, está relacionada aos métodos de produção da indústria têxtil e aos fabricantes, a moda consciente faz com que o consumidor esteja presente e manifeste suas preocupações com os meios de produção e com os impactos ambientais.

Consumir moda conscientemente não é apenas usar peças de origem sustentável ou eco-friendly, para além disso, é ter o autoconhecimento e entender os motivos pelos quais nos leva a adquirir determinado produto.

Para se tornar um consumidor consciente é necessário observar como tem sido seu comportamento nos últimos tempos. Abrir o guarda-roupas é o primeiro passo a ser tomado, só assim, será possível identificar o que realmente é usado e o que não é.

Entender que a peça tem um ciclo e analisar a qualidade de insumos, de trabalho dos prestadores envolvidos e principalmente a forma como será usado e descartado a peça é parte principal do consumo consciente.

Ser um consumidor consciente é avaliar que  “velhos hábitos podem ser melhores”.

 

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O Papo com a Fábrica de hoje vai mostrar a evolução da moda no universo da aviação. A convidada de hoje, Leticia Dias, e ela vai mostrar uniformes de tripulações desenvolvidos por grandes estilistas e muito mais. O papo é comandado pela jornaliista Dani Reis.

A Letícia é líder do Numo (Núcleo de Moda) e esse é o último vídeo da nossa série em comemoração ao mês da aviação.

Para acessar o conteúdo completo acesse o link.

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Conheça o laboratório de moda do Centro Universitário Una

Por: Italo Charles

Moda é muito mais que vestir, é sentir, renovar, moda é criar. A moda transforma realidades, muda conceitos e otimiza processos. Todos esses atributos fazem parte do cotidiano de quem trabalha no setor. Hoje, apresentamos a você o Numo, Núcleo de Moda do Centro Universitário Una.

Fundado no ano de 2004, o curso de Moda abria espaço para uma nova realidade ao cenário ‘fashion’ em Belo Horizonte. Junto, surgia os laboratórios de Corte e Costura, Têxtil e o Studio de Fotografia para realização das atividades práticas

Atualmente, a equipe responsável pelo laboratório é composta pela líder Letícia Dias, pelas técnicas Andreza Ramos, Sheila Fonseca e pela estagiária Alda Viana. A estrutura do núcleo compõem os ambientes de Corte e Costura, Têxtil, Multiuso (utilizado para moulage e acessórios) e o estúdio de Fotografia, usado para editoriais de moda e fotografia de acessórios. Os espaços são planejados e organizados para os alunos desenvolverem as atividades de sala de aula, atividades extracurriculares e para realização das Unidades Curriculares (Uc’s).

“Temos diversos maquinários e materiais, além de uma equipe disponível integralmente para apoiar e auxiliar os docentes no desenvolvimento das atividades e projetos. O Laboratório de Corte e Costura é o mais utilizado pelos alunos nos intervalos das aulas e nos horários vagos e se tornou um espaço colaborativo, de trocas de ideias, local de encontros para desenvolver projetos, ampliar network, fazer parcerias e ainda bater um papo saudável e construtivo em um ambiente cheio de arte e criatividade”, comenta Letícia Dias.

O lab tem como missão gerar experiência aos alunos, conectá-los com o mercado, além de apoiar a coordenação do curso, o corpo docente e o ecossistema Ânima nas demandas relacionadas ao Curso de Moda. “Sempre tentamos trazer o melhor para os alunos, oferecemos cursos, oficinas, palestras com grandes nomes da Moda, ex alunos bem posicionados no mercado como inspiração e parcerias com eventos externos”, relata Letícia.

Através de parcerias e projetos o Numo estabelece um vínculo entre os alunos e o mercado, de tal forma, fomenta o ambiente acadêmico e eleva a produção dos estudantes. “A conexão com o mercado a partir das parcerias externas, oferece a oportunidade do aluno se apresentar, mostrar seu potencial às empresas, pessoas influentes na Moda, de descobrir e desenvolver habilidades, entender melhor a área profissional, construir seu network e agregar experiência ao currículo”, salienta a Líder.

Projetos 

Entre o final de 2019 e o início de 2020 aconteceu no lab o recrutamento de alunos para atuação no backstage do Minas Trend, além disso, ocorreu a produção de figurino para o bloco Então Brilha e a confecção de looks sustentáveis para o desfile do Mood (Festival de Moda de BH produzido pela Prefeitura).

Também foi disponibilizado espaços para realização de oficinas do FeedDog Brasil com vagas exclusivas para alunos, visita a fábrica da Cedro Textil, uma das principais empresas têxteis do País, parceria com o 1º coworking de Moda de MG – Co.crie – com grandes descontos para nossos alunos e ex-alunos do curso de Moda utilizarem o espaço.

Já neste período de retorno às aulas, o lab tem oferecido oficinas Extensão, tais como: E agora, para onde vou? Conhecendo as áreas de atuação na Moda, ministrado por Letícia Dias (líder do Numo) e Handmaid:  Bordados em pedraria – Teoria e Prática, com Sheila Soares.

Por se tratar de um período de pandemia, no qual o uso das máscaras para proteção são obrigatórios, e pensando no retorno das atividades, suscitou no Numo o desenvolvimento do projeto “Máscaras de proteção Ânima”. Além de proteger e colaborar para a  proteção e preservação da saúde de todos, o projeto colabora também com a cadeia produtiva do setor da Moda, que adaptou sua produção para confeccionar máscaras de proteção. 

As máscaras serão distribuídas entre os mais de 150 mil estudantes, educadores e prestadores de serviço que fazem parte de diversas Instituições do Grupo Ânima, presentes em vários estados do Brasil, colaborando para proteção e preservação da saúde de todos.

“Sabe-se que neste momento de pandemia, a indústria da moda passa por reduções significativas em sua produção, o que coloca em risco a garantia do trabalho aos trabalhadores formais e autônomos que dependem exclusivamente da confecção de vestuários. Atualmente, nosso desafio está sendo desenvolver um modelo de máscaras inclusivas para pessoas com deficiência auditiva que não embace”, afirma Letícia.

Além dos projetos e oficinas de extensão e o projeto Máscaras de proteção Ânima, o Numo produz o Una Trendsetters, desfile tradicional que acontece todo final de semestre letivo. O evento que celebra a formatura dos estudantes, teve a 17ª edição no CentoeQuatro (no final de 2019), e já passou por grandes espaços de BH, como: Mineirão, Iate Tenis Clube, Ilustríssimo.

Depoimentos

“Quando entrei para trabalhar no Numo, eu estudava Moda e estava no último período da faculdade, vi uma oportunidade enorme de crescer, de aprender e de me ingressar no mercado de trabalho através do laboratório. Hoje, depois de 2 anos trabalhando como técnica no Numo, me surpreendi com todas as oportunidades que tive, foi muito mais do que esperava, pude compartilhar o meu conhecimento e aprender muito mais, tive experiências em eventos, cursos, oficinas que me proporcionaram  desenvolvimento pessoal e profissional, conheci pessoas maravilhosas e fiz amigos incríveis” –  Andreza Ramos – (Técnica do Numo).

“Acredito que a nossa relação com o aluno seja mais próxima por termos um espaço físico onde eles podem ir, fazer trabalhos, conhecer pessoas. Temos sempre um contato bem direto com eles e estamos sempre procurando melhorar as formas de trazer coisas novas para dentro do curso e para os alunos.”-  Alda Viana  (Estagiária do Numo).

“Como ex aluna, foi no Numo que coloquei em prática muitas teorias aprendidas em sala de aula, criei minha primeira bolsa e minha primeira peça de roupa. Alguns dos momentos mais divertidos da faculdade aconteceram lá, e sempre que o estresse batia, era para lá que ia tirar uns minutos para dar uma aliviada.” – Sheila Fonseca  (Técnica do Numo).

Com a palavra, a líder

“O contato constante para com o aluno e os próprios alunos entre si  fora da sala de aula, em um ambiente disruptivo, criativo e sem rótulos, faz com que o resultado não seja menos que produtivo e engrandecedor para todos.” – Letícia Dias

Serviços extras

O Numo fomenta a conexão entre o aluno e o mercado a partir de oficinas, palestras, dicas, participação em eventos, recrutamento de alunos para realizar projetos externos relacionados a área, como por exemplo: alunos para trabalhar no backstage dos desfiles de um dos maiores salões de negócios de Moda da América Latina – MINASTREND – produzido pela Fiemg, que agora é parceira da Una.

Além de produzir conteúdos e vídeos diariamente para as redes sociais com temas sugeridos pelos próprios alunos.

A monitoria online como apoio aos alunos para realização das atividades solicitadas em sala de aula.

Para acompanhar os conteúdos e trabalhos ofertados siga o Instagram.

 

*A matéria foi produzida sob a supervisão da jornalista Daniela Reis

 

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*Por Ana Carolina Nunes Abreu

Por muito tempo – e principalmente antes da Segunda Guerra Mundial – a ideia de moda se concentrou na Europa, oriunda de maisons luxuosas na elite europeia, com tecidos raros, vindo das melhores grifes e produção feita à mão pelos estilistas, para os nomes da mais alta sociedade. Até hoje, por exemplo, a rainha Maria Antonieta é vista como o símbolo do pioneirismo da moda.

Com as guerras, os estilistas precisaram migrar para regiões pouco afetadas economicamente, como os Estados Unidos. Por esse motivo, foi necessária a criação de um modelo de compra e venda de peças que facilitasse tanto a produção, quanto a recepção dos artigos de moda. Assim, surgiu o prêt-à-porter. Pierre Cardin, estilista francês, criou este termo para denominar sua primeira coleção para uma loja de departamento. Ou seja, a primeira ideia de peças de roupas feitas de forma idêntica, apenas com tamanhos diferentes para a clientela. Foi o primeiro passo para o Fast Fashion e, também, para a democratização da moda.

O termo Fast Fashion foi criado em 1990, para denominar a produção massiva e industrial de artigos de moda, em grande escala, grande margem de lucro e baixa qualidade. Lembra das calças e jaquetas jeans que sua mãe usava e se gabava dizendo que duravam 10, 20 anos? Pode esquecer.

A ideia é criar lançamentos frequentes, sazonais e que buscam suprir o mercado com as tendências atuais e que, com a mesma velocidade que é feita, pode ser descartada. A cada segundo no mundo, o equivalente a um caminhão de lixo de roupas é descartado ou queimado em aterros sanitários no mundo inteiro. Em 2014, um consumidor médio comprou 60% mais artigos de moda do que em 2000.

A revista Environmental Health realizou, em 2018, uma pesquisa apontando que aproximadamente 85% das peças de roupa consumidas pelos norte-americanos são enviadas para o aterro sanitário como resíduo sólido.

Você consegue imaginar o impacto ambiental de tudo isso? Apenas para ilustrar: para fabricar uma camisa de algodão, são necessários 2.700 litros de água. O bastante para uma pessoa beber por 2,5 anos. Toda produção de roupa enquadrada no modelo de “moda rápida” exige gastos em água, emissão de poluentes e desmatamento, para a plantação de algodão, por exemplo.

A luta para conscientizar e diminuir o consumo do Fast Fashion começou há pouco tempo. Para amenizar os danos, foi criado um movimento, em 2004, que vai de encontro com o modelo anteriormente citado: O Slow Fashion.

Promovendo uma consciência socioambiental, valorizando e priorizando comércios e recursos locais,  essa produção visa a prática de confiança entre os produtores e seus respectivos consumidores, praticando preços reais, muitas vezes com os custos sociais, estimulando uma criação de pequena e média escala. De acordo com a professora Valesca Sperb Lubnon do curso de Design de Moda do Unipê, “Assim como houve na primeira Revolução Industrial, quando saímos do artesanal e fomos para a produção em escala, agora estamos em um início de uma nova era, na qual voltamos nossa atenção à qualidade do produto, à valorização do profissional e do conhecimento”. 

Este novo cenário fez as gerações mais atuais repensarem o conceito de moda, principalmente a facilmente descartada. E bem antes desse movimento ser considerado, já havia um modo de consumo que partia da sustentabilidade, baixo preço e apreciação do comércio local, os brechós e bazares.

Existentes desde o final do século XIX, esses comércios visavam atender a população mais carente, que não tinha condições financeiras de ostentar produtos de departamentos, mesmo aqueles com preços mais baixos. Com peças e artigos usados e de segunda mão, os brechós eram, antes de tudo, a única forma de consumo de roupas que muitas pessoas tinham.

Vislumbrando as décadas mais antigas, os comércios de segunda mão passaram a ser vistos como espaços retrôs e vintages, usado por jovens para reconstruir o estilo de gerações anteriores. Isso mesmo, roupas de cós alto, alfaiataria, oxfords, blusas estampadas de botões, jaquetas jeans e outros acessórios que compõem looks conhecidos como “anos 80”, já faziam parte do vestuário de quem não podia consumir em lojas conhecidas em shoppings e demais malls, mas não com a visão crítica da moda, e sim por necessidade.

Uma reflexão acerca desse estilo de vida se baseia nas estruturas excludentes das lojas de departamento aliadas ao Fast Fashion. E por mais informal que a loja seja, ainda tem, em si, atributos capazes de afastar a população de classes mais baixas. Desde a modernização das lojas aos acontecimentos cotidianos e estruturais, como pré conceitos estabelecidos de acordo com o padrão de consumidor que a loja espera. Frequentemente você pode ouvir um atendente falando para outra pessoa “é pra parcelar de quantas vezes?”, mesmo diante de uma compra com o valor baixo. Já parou pra pensar nisso?

Com a ascensão do brechó, muitas vertentes da discussão acerca da moda surgiram. “Por que eu compraria uma peça por R$100,00, se eu posso comprar por R$10,00 em um brechó?”, questionam os novos consumidores. Esse comportamento, apesar de contribuir para os pequenos comerciantes e donos de brechós, traz consigo a problemática de outro consumo massivo e vazio, aquele no qual você usa de pretexto a sustentabilidade, mas consome o dobro de peças por ser mais acessível, por ser mais “cool” e por ser pauta de elogio dos seus amigos em bares.

Esse tipo de consumo pode, consequentemente, encarecer os brechós, que entendem que seus consumidores atuais são, na verdade, pessoas mais preocupadas com a estética do que realmente um público que tenha a necessidade de comprar ali.

As vendas diretas no mercado de peças usadas passa por um momento de aumento expressivo no Brasil. Nestes últimos 10 anos, o consumo cresceu de forma quase exponencial. O mercado dos brechós, conhecido também como second hand, deve dobrar até 2025. De acordo com a pesquisa do GlobalData, o valor desse segmento deve ir de US$ 24 bilhões para US$ 51 bilhões.

Você, consumidor de brechó ou apenas um curioso, já entrou em uma loja com essa denominação, mas ao conferir os produtos e os preços percebe que, além de terem em sua maioria peças de primeira mão, precificam as roupas de forma a beirar o absurdo com o pretexto de “curadoria e garimpo bem feitos”? É o reflexo do consumo acelerado, que dita aos proprietários dos brechós a glamourização daquele ambiente, já que atualmente é tendência.

Entenda: não é para você parar de consumir em brechós e bazares. Mas esses dados aqui servem para abrir seus olhos diante do seu consumo. Ele é consciente, ou você só compra usando o conceito e a tendência como seus aliados?

Outra forma de mudar seus hábitos de consumo é, também, conhecer lojas e comércios que buscam a produção desacelerada e sustentável dentro do Slow Fashion. Não só roupas, mas também produtos de beleza, sapatos, acessórios etc. Esses ambientes podem, muitas vezes, apresentar um preço maior, mas em troca oferecem um produto eco consciente, sem grandes danos ao meio ambiente e, muitas vezes, não testados em animais.

Como dica para se inserir nesse movimento e conhecer ainda mais sobre essa proposta, listamos algumas lojas com a política Slow Fashion.

Confere aí:

Gioconda Clothing 

Comas

Pântano de Manga

Nuu Shoes 

 

*A matéria foi produzida sob a supervisão da jornalista Daniela Reis

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Festival de Moda de Belo Horizonte traz programação extensa e aberta ao público

O evento acontece entre os dias 20 e 23 de novembro e conta com a participação de alunos da Una

*Por: Bianca Morais

Que Belo Horizonte já é um dos polos da Moda do Brasil, já sabemos. A cidade tem recebido muitos eventos na área e um exemplo recente foi o Minas Trend, que agitou a capital no final de outubro apresentando tendências e gerando negócios.

Agora chegou a vez MOOD – Festival de Moda 2019. Em parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Belotur e Mumo (Museu da Moda), o evento acontece entre os dias 20 e 23 de novembro trazendo dezenas de atividades.

BH reúne grandes nomes da indústria da moda e se reinventa constantemente com a chamada economia criativa, o que serviu de inspiração para os debates que visam reafirmar esse posicionamento da capital como ambiente de moda, inovação e criatividade.

O Mood  apresenta uma programação robusta com desfiles, palestra e oficinas que prometem estabelecer vínculos entre indústria, atacado, varejo e consumo. As ações coordenadas com projetos e intervenções com capilaridade pelas diferentes regiões, tem o objetivo de promover a moda mineira, o acesso e a inclusão.

Una marca presença no Mood

Os eventos estarão espalhados por toda a cidade e o desfile de encerramento acontece no dia 23 de novembro, no Mercado Central, e conta com a produção do renomeado estilista Renato Loureiro. O Curso de Moda do Centro Universitário Una é um dos convidados para participar desse desfile, ao todo, quatro alunos e ex-alunos da instituição irão apresentar dez “looks” (desenhados e produzidos por eles). Além disso, outros três alunos participarão como assistentes de produção, auxiliando estilistas e modelos.

De acordo com a Líder do Numo (Núcleo de Moda da Una), Letícia Dias, eventos como esse são de extrema importância para os alunos, uma vez que é de grande visibilidade e proporciona uma conexão com o mercado:

“Aceitamos de imediato a participação com o objetivo de promover aos alunos experiências que proporcionem desenvolvimento, networking, prática do conteúdo das disciplinas e vivência fora no ambiente acadêmico. O Numo esteve aberto a todos os momentos para recebê-los e acompanhá-los nesse processo. Participar de desfiles é o sonho de muito alunos, principalmente aberto ao público, com a presença de grandes nomes da moda e da imprensa.”

A ex aluna da Una, Maria Cepellos, convidada a participar do desfile, irá apresentar 5 looks. Inspirada em Arquitetura, comidas e bebidas típicas sua coleção está dividida em três linhas:

“Trabalhei a arquitetura da fachada, criei uma tela em viés e crochê aplicado representando o artesanato. Com estampas inusitadas de queijo com azeitonas, pimentas com a data que surgiu o mercado, garrafas em forma de mandala e galhinhos de cevada. Criei uma estampa inspirada nas cerâmicas do Jequitinhonha que são vendidas no Mercado Central e trabalhei as tramas dos balaios em barbante. Também tem a linha que traz max estampas de orquídeas e a trama do restaurante exatamente em suas formas no viés. Toda a coleção em tons terrosos que são típicos do mercado, como ocres, cobre, laranja e vermelho”.

Assim como Maria, outros artistas estarão expondo a criatividades na passarela, o evento será gratuito e aberto ao público, confira a programação completa no site oficial.

 

  • A aluna escreveu a matéria sob a supervisão da jornalista Daniela Reis

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Foto: Marcelo Soubhia Divulgação

O evento contou com a participação de grandes estilistas e proporcionou grandes possibilidades de negócios. 

 

*por: Joyce Oliveira e Ítalo Charles

 

“Tecendo Futuros” esse foi o tema escolhido para a 25ª edição do Minas Trend, que aconteceu entre os dias 21 e 25 de outubro no Expominas, em Belo Horizonte. O evento considerado o maior salão de negócios da América Latina, trouxe as propostas de tendências para o outono/inverno 2020. 

 

O Desfile de abertura que aconteceu no primeiro dia, apenas para convidados,  apresentou dezenas de looks de diversos estilistas, dentre eles as marcas da capital mineira Norb Brand, Valéria D Valéria e Florent. Com tonalidades em branco, prata e rosado, as peças carregavam uma pegada  fluida, soltas no corpo e com uso de maxi acessórios. A marca Norb é do estilista Norberto  Resende, aluno do curso de Moda, do Centro Universitário Una, que contou em entrevista como foi a experiência de participar desse momento especial. 

 

“O convite para que a Norb apresentasse as peças na passarela surgiu de forma inesperada. Recebi uma ligação do stylist Paulo Martinez me convidando. Foi uma satisfação enorme. Após um longo processo de desenvolvimento da coleção, em uma colab proposta por mim com vários alunos da Una. Tivemos a oportunidade de fazer todo o processo de criação até à passarela. Foi enriquecedor e para nós estudantes isso é uma importante conexão com o mercado.” avalia Norberto.

 

A programação oficial aberta ao público teve início na terça feira, dia 22 e foi muito além das passarelas. O evento também contou com palestras e oficinas dentro e fora de BH. A semana que é destaque no mundo da moda recebeu visitantes e expositores de várias partes do país e também estrangeiros. De acordo com dados da FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), edição o salão de negócios teve um crescimento cerca de 50% de marcas de diferentes segmentos da moda, isso inclui roupas, calçados e acessórios.

 

A apresentação das coleções assinadas por Lethicia Bronstein e Anne Est Folle marcaram o primeiro desfile da noite do dia 23. Conhecida internacionalmente, Lethicia costuma ser a escolhida das famosas, em moda festa e noivas. A paulista trouxe para o Minas Trend uma coleção espelhada na mulher forte, sexy, independente e sonhadora, com tons pastéis e utilização de rendas e tules com transparência. As modelos  Cintia Dicker, Barbara Berger e Renata Kuerten foram destaque no desfile com as criações da estilista. A platéia também contou com presenã vips, as atrizes Bia Arantes, Erika Januza e Mariana Rios conferiram todas as novidades atentas aos detalhes e tedências. Por outro lado, a grife Anne Est Folle apresentou a coleção Lotta Love, com roupas casuais e fluídas, que buscam conforto e elegância. O ponto chave dos looks foram a diversidade de estampas e texturas.

 

Na mesma noite, por volta das 21 horas, aconteceu o desfile da Passarela Têxtil, onde as  indústrias mineiras Cataguases, Cedro Têxtil, Fabril Mascarenhas, Santanense, Cia João Joanense e Tear Têxtil fizeram uma parceria com o SENAI MODATEC, e apresentaram mais de vinte looks com propostas de usabilidade que iam além das passarelas.

 

A estilista Denise Valadares, grande nome da moda festa mineira, abriu a noite de desfiles. Em parceria com o stylist Alberth Franconaid, a ideia uniu a ludicidade de Alberth e a criatividade de Denise originaram a coleção “Caminhos” que apresentou uma reformulação de peças de criações anteriores e peças que segundo a estilista, é comum se ter dentro do armário. 

 

O último desfile da temporada foi da grife Victor Dzenk, que apresentou a coleção ‘Heroínas da Odisseia”, inspirada em produções hollywoodianas que marcaram os gêneros ficcionais e futuristas. Os filmes ‘O quinto elemento’, ‘Blade Runner’ e ‘Matrix’ foram usados como referência para traduzir a mulher clássica, moderna e empoderada. Uma mistura que ressaltou a sensualidade, com o uso de fendas e transparências, e valorizou a moda clássica da alfaiataria, com mangas bufantes, blazers e trench coats.

 

As palestras e oficinas foram ministradas por grandes nomes do cenário mineiro e nacional. A presença do Estilista e Stylist Dudu Bertholini, que possui uma carreira consolidada no ramo, possibilitou ao público uma experiência única em uma palestra sobre a diversidade no mundo da moda.

 

Durante o evento, várias apresentações culturais também encantaram o grande público. O grupo Primeiro Ato, com sede em BH, proporcionou a quem assistia um instante de descontração com o espetáculo de dança contemporânea “Passagem”. Já o grupo Cisne Negro levou ao ExpoMinas o espetáculo “Trama”. 

 

A programação se encerrou com a Orquestra de Câmara SESIMINAS que contou com a participação dos músicos Flávio Venturini e DoContra. O MinasTrend fecha mais uma temporada com grandes tendências e aquecendo o mercado que cresce cada ano mais na capital, Belo Horizonte deixando os presentes já na expectativa para a próxima edição. 

 

  • Os alunos escreveram a matéria sob a supervisão da jornalista Daniela Reis