Política

Por Bianca Morais

No último Lollapalooza, no ano de 2019, a apresentadora Titi Müller do canal Multishow soltou o conhecido meme “a galera te pedindo muito Anitta”, que na verdade era para mascarar a plateia gritando “Fora Bolsonaro”. A questão é que o ano agora é 2022, dois anos depois do último Lolla o evento volta com tudo, e inclusive, com Anitta agora no número 1 do mundo. 

Esse ano além de ter muita gente pedindo Anitta, também teria muita gente pedindo fora Bolsonaro, afinal é ano de eleições e quem ama um bom festival sabe que no governo dele a verba para cultura foi cortada. Pabllo Vittar estava presente no evento, outra rainha do Brasil, símbolo LGBTQIA+, a drag mais pedida de todo o mundo, fez uma performance incrível e um momento polêmico registrou seu show. 

Ao ir para a plateia, ela se enrolou em uma toalha com a estampa do ex-presidente do Brasil, Lula. O que levou a galera à loucura, uns pedindo “Lula” e outros “Fora Bolsonaro”. E foi então, que o atual chefe de estado recorreu imediatamente ao TSE para que proibissem as manifestações políticas no evento. O pior? O pedido foi acatado! 

Agora me pergunto, estamos vivendo a constituição que garante a liberdade de expressão ou voltamos aos anos de chumbo em que artistas como Caetano Veloso, Milton Nascimento, Chico Buarque entre outras dezenas tinham que se calar em meio a ditadura militar.

E o Lollapalooza não deixou barato. No sábado, o vocalista da aclamada banda de rock Foo Fighters faleceu, a banda, claro, cancelou sua apresentação e o festival chamou simplesmente o Planet Hemp para tocar no lugar dos caras.

Teve Emicida, Rael, Criolo e a frente do Planet: Marcelo D2. Artistas que vivem da música e sabem o quanto ela é importante e simboliza em momentos de insatisfação. Foi assim no século passado e não será diferente neste. Porque, na música não há espaço para represália, não há lugar para boicote, não há censura! 

E se Jair Messias Bolsonaro, estimula a reclusão de manifestação artísticas nos palcos por parte dos cantores e do público, deveríamos pensar sobre seu cargo de presidente, já que na íntegra  o trabalho de um presidente é governar para todos, inclusive para aqueles que discordam do seu governo, e não calar a voz de uma classe só porque ela não lhe convém. 

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Por Daniela Reis

O movimento de 11 de novembro, também conhecido como Golpe Preventivo, foi marcado por uma série de acontecimentos que que levaram ao contragolpe político liderado pelo General  Henrique Teixeira Lott, em 1955.

Na madeugada daquele dia, Lott, que era o então ministro da Guerra, reuniu-se em sua residência com trinta generais de guarnições locais do Rio de Janeiro. O objetivo era garantir a posse do presidente eleito, Jucelino Kubitschek. A ação contou com a ocupação de militares e tanques de guerras nas ruas da cidade.

Para entender

Naquela altura, depois de muitas divergências, a ação do ministro visava a legalidade democrática, uma vez que a posse de JK e João Goulart, eleitos para a presidência da República, iria ser impugnada pela oposição, capitaneada pela União Democrática Nacional (UDN) e por Carlos Lacerda – que liderava a fina flor do conservadorismo no país. O golpe de Estado estava em andamento.

Após o suicídio de Getúlio Vargas, o cargo de presidente do Brasil foi ocupado por seu vice, Café Filho. Em teoria, o mandato de Café Filho se estenderia até 31 de janeiro de 1956, quando ocorreria a posse do presidente escolhido em eleição presidencial que ocorreria em outubro de 1955. No entanto, houve, nesse período, uma crise política resultante das movimentações da UDN.

No começo de 1955, muitos membros da UDN – da qual o grande destaque era Carlos Lacerda – passaram a defender a anulação da eleição presidencial de 1955 e a reivindicar a imposição de um governo tampão, nomeado por eles como “governo de emergência”. Esse discurso era, naturalmente, um grave desafio à Constituição de 1946 e à democracia brasileira da Quarta República.

A cidade foi tomada por tanques, carros de assalto e 25 mil soldados que ocuparam pontos estratégicos, como: o Campo de Santana, a Estação de Trem Central do Brasil, e o aeroporto Santos Dumont. O presidente interino, Carlos Luz (que era presidente da Câmara e assumira o cargo após o vice-presidente Café Filho alegar problemas de saúde), escapou do Palácio do Catete pela porta dos fundos. Os líderes golpistas se refugiaram no cais do Ministério da Marinha, no Porto do Rio de Janeiro, e embarcaram no cruzador Tamandaré, que zarpou com destino a Santos. O plano era constituir um governo paralelo com o apoio do governador paulista Jânio Quadros.

Quando o Tamandaré chegou ao canal de entrada da Baia de Guanabara os canhões das duas fortalezas militares – o Forte do Leme e o Forte de Copacabana – começaram a disparar. O cruzador conseguiu varar a barra, mas logo chegou pelo rádio a notícia de que São Paulo se rendera às tropas legalistas. Não tinha saída: o Tamandaré deu meia volta, Carlos Luz renunciou, e os líderes golpistas tiveram de negociar as condições do desembarque.

O contragolpe promovido pelo general Lott foi fulminante. Após a rendição, quando a conjuntura política parecia finalmente entrar nos eixos, Café Filho saiu do hospital e anunciou sua disposição de reassumir a Presidência da República: a UDN voltou a se assanhar e o Exército retornou com os blindados para as ruas do Rio.  Mas o Congresso Nacional votou a interdição de Café Filho e confirmou a posse de JK e Jango para 31 de janeiro de 1956. O general Lott jamais aceitou ter protagonizado um contragolpe – dizia ter liderado um “Movimento de retorno aos quadros constitucionais vigentes”.

 

 

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Foto: Assessoria

Em um país que todos os dias pessoas transexuais e travestis são assassinadas, lutar por sobrevivência, respeito e dignidade é um ato político 

*Por Italo Charles

Sobrevivência, reconhecimento, voz e respeito são alguns aspectos que denotam a luta diária de pessoas tranvestigeneres. Viver em uma sociedade dominada por corpos brancos, cisgêneros e machistas que estabelecem a estimativa de vida de um grupo ou que cria estereótipos sobre seus corpos e atribuições, é, para as pessoas transexuais e travestis  um ato de resistência e política.

Falar sobre a visibilidade trans e travesti é compreender os estigmas que esses corpos carregam e, para além, é atuar na causa política para construção de dignidade às pessoas transvestigeneres.

Anualmente, janeiro é o mês que celebra a visibilidade trans.  Essa conquista se tornou possível a partir de uma manifestação por parte de um grupo trans ativista, no Congresso Nacional, no lançamento da campanha “Travesti e Respeito”  promovida  pelo Ministério da saúde no dia 29 de janeiro de 2004.

A partir de então, o mês de janeiro é marcado por uma sequência de ações que visam o reconhecimento, respeito e visibilidade de pessoas transvestigeneres que, diariamente, lidam com o preconceito e invisibilidade. 

Entretanto, as manifestações por respeito, equidade e, sobretudo, existência de pessoas transvestigeneres não pode ser vista pela mídia apenas no mês de janeiro, uma vez que, pessoas transexuais e travestis vivem diariamente uma luta constante por sobrevivência.

É importante ressaltar que o Brasil é o país que mais mata pessoas transexuais e travestis, e pelo 13º ano está no topo do ranking de assassinato de pessoas trans. Segundo dados divulgados pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), no ano de 2020 foram mapeados 175 assassinatos de travestis e mulheres trans, número maior que o do ano anterior.

Entretanto, o país que mais mata pessoas transvestigeneres continua no ranking de maior consumidor de pornografia trans nas plataformarmos de conteúdo digital, justo no período em que houve o aumento de assasinatos – 2019 a 2020.

Os dados são alarmantes e mostram como a sociedade reage a esse grupo. Mas, para além dos números (inaceitáveis), a população transvestigere batalha todos os dias enfrentando ameaças, transfobia, racismo e a misoginia para construírem um país mais igualitário.

Dentro do meio político não seria diferente às agressões contra a comunidade transvestigenere, pelo contrário, por se tratar de um âmbito machista, cisgênero, misogino e racista, as pessoas transexuais e travestis enfrentam situações mais desafiadoras para conquitar seus espaços.

O ano de 2020, no viés político, foi muito positivo para a comunidade LGBTQIAP+ em um todo, principalmente para as pessoas transvestigeneres, pois, pela primeira vez na história elegeu um grande número de mulheres transexuais e travestis e homens trans.

Entre as pessoas eleitas, está Duda Salabert, professora de literatura, vegana, ativista, fundadora da ONG Transvest, mãe e a 25ª colocada na lista das 50 pessoas LGBTQIAP mais influentes do Brasil. Eleita pelo PDT com 37.613 votos, Duda é a mulher mais votada da história de Belo Horizonte.

Em entrevista ao Jornal Contramão, Duda Salabert conta sobre as necessidades de ser uma mulher trans na política, os desafios diários e o impacto que sobre a representativa e visibilidade trans.

Duda, o que te motivou a entrar na política?

Para nós, travestis e transexuais, a política não é opção, ela é destino, é sina. Até porque os nossos corpos já são políticos por tensionar e questionar a estrutura e a visão binária da sociedade. Eu entrei na política institucional partidária para combater os números que solapão as identidades das pessoas travestis e ransexuais como fato de que o Brasil é o país que mais mata pessoas transsexuais do planeta há mais de 10 anos consecutivos e 90% das transexuais estão na prostituição.  Esses dois números já mostram a necessidade de construir políticas públicas para a nossa comunidade e a nossa pauta nunca foi protagonismo nem no centro, na esquerda, nem na direita, mas na necessidade de hackear e ocupar o espaço da política partidária institucional.

Quais foram e são os maiores desafios enfrentados na carreira política e como docente sendo uma mulher trans?

As dificuldades em relação à comunidade trans se assemelham às dificuldades enfrentadas pelos grupos tidos como minorias, a população negra, as mulheres, indígenas por que a política partidária institucional é feita para ser mais uma das ferramentas para privilegiar os privilegiados e excluir os excluídos. Então, as estruturas partidárias espelham os preconceitos e violências que são da própria sociedade, dessa forma, nós temos que combater essa estrutura que alicerça o patriarcado e que quer privilegiar homens brancos, cisgêneros e heterosexuais. E isso se espelha também em outras instituições, como no mercado de trabalho, na família, nas igrejas. 

No último ano (2020) você foi reconhecida pela Rede Guiya entre as pessoas LGBTQIAP+ mais influentes do Brasil. Na lista você ocupa a 25ª posição, qual a importância desse reconhecimento e o que muda para situação política atual?

O reconhecimento é importante não em dimensão particular, mas sim na coletiva. Uma vez que quanto mais pessoas transexuais ocuparem esse espaço mais  a pauta trans assume relevo no debate público, então não há vitória particular, mas sim uma vitória coletiva já que eu represento ali a comunidade das pessoas travestis transexuais. Isso é um avanço, porque  na comunidade LGBT a pauta trans ficou em segundo plano, assim, isso mostra que o movimento é organizado e tem ocupado e conquistado mais espaço.

Também em 2020 você foi eleita como a mulher mais votada da capital mineira. Qual a sensação desse marco e como isso influencia contra a transfobia existente na sociedade?

Ter sido a pessoa mais votada na última eleição é um recado que parte da sociedade em relação a não tolerar mais algumas estruturas de opressão, marginalização e exclusão que existia e existe na sociedade. Então, nesse sentido, essa é a vitória de um campo progressista que busca renovar e oxigenar a política e, também, trazer novamente a esperança para o campo da política que foi retirada na última vez devido a consquista do Jair Bolsonaro, que é uma vitória da anti-esperança, da anti-política. Então, em 2020 a sociedade se mobilizou para resgatar essa esperança e resgatar a necessidade de mudar os rumos da política regional que é um termômetro para o nacional também..

Como você enxerga o impacto e a responsabilidade de representar a causa LGBTQIA+ dentro da política?

Sou professora há mais de 20 anos e carrego essa ideia da responsabilidade com o coletivo na minha atividade profissional, no campo da política é uma forma de eu trazer essa preocupação que já tinha em sala de aula para o campo das políticas públicas. Então é uma responsabilidade coletiva que eu já fomentava e que agora é só uma dimensão maior pelo número de votos que tive, mas a ideia central é a preocupação com o social, com a formação de uma nova sociedade que busca a justiça social. Isso  já faz parte do DNA de quem é professora.

Segundo o boletim divulgado pela ANTRA, no período de janeiro a outubro de  2020 em relação ao ano anterior, a taxa de assassinato contra pessoas trans e travestis aumentou 47%. Dessa forma, como você enxerga esse aumento e quais medidas precisam ser tomadas para reduzir esses dados?

É ‘quem tem fome, tem pressa’ já falava o sociólogo Betinho,  importante na história recente do Brasil, que a gente tem que buscar por isso que você merecia mais né na garantia de renda das pessoas transexuais daí hoje uma criação de e aprovação de projetos que garantam a empregabilidade de pessoas transexuais e para Além disso as pessoas políticas estruturais como por exemplo de bater um projeto Educacional que traga a questão da diversidade do respeito à diversidade já que o que transforma a sociedade é educação Então a gente tem que repensar a escola brasileira a fim de que ela construa uma nova mentalidade uma nova perspectiva social de respeito à diversidade e respeito a transexualidade para a gente poder combater esses de violência contra pessoas LGBT especificamente transexuais .

Em relação ao SUS em  BH, existe algum acolhimento específico de pessoas trans e soropositivas, como funciona? 

Nós temos em Belo Horizonte um ambulatório trans que está situado no Hospital Eduardo de Menezes, lá tem uma equipe multidisciplinar para tratar temas referentes à transexualidade. Há  também em Uberlândia e em outros municípios no Brasil.

Como é lidar com a saúde mental em um meio quase que majoritariamente homofóbico, transfóbico e misógino?

‘Há que endurecer sem perder a ternura jamais’, já falava o Che Guevara. Então, o espaço político é espaço de muito enfrentamento e esse enfrentamento vai endurecendo cada vez mais, o casco vai ficando cada vez mais grosso, logo, para nós ativistas que estamos há muito tempo, a gente não sabe como lidar com a saúde mental.  O fato é  que a gente entra blindando e criando um escudo para evitar que a saúde mental seja abalada.

Como é ser uma mulher trans, vereadora, militante e vegana hoje?

A transexualidade e o veganismo têm inúmeros denominadores comuns, entre eles o fato de combater uma lógica sistêmica, estrutural,  histórica e atávica de privilegiar homens brancos, cisgêneros, heterossexuais, europeizados ricos e carnistas. Essa lógica que se configurou a partir do fortalecimento de uma perspectiva antropocêntrica responsável pelas inúmeras violências que tem não só em  relação a seres humanos e não humanos, como também ao meio ambiente, e essa lógica que alicerça o capitalismo, então tanto veganismo como a transexualidade são forças importantes no combate a uma lógica antropocêntrica capitalista é neoliberal.

Anualmente, durante o mês de janeiro, a mídia tem dado espaço para as pautas relacionadas ao mês da visibilidade trans. Entretanto, a cada ano o número de assassinato com transexuais e travestis tem aumentado. O que você acha que deveria ser feito para mudar esse cenário e como os meios de comunicação deveriam se posicionar diante disso?

Os meios de comunicação têm que entender o papel social que eles desempenham, sobretudo  os são concessões públicas. As mídias têm um compromisso com a questão pública e, a questão pública opera sobretudo na busca por justiça social, então os meios de comunicação deveriam ser, em tese, instrumentos para criação de novas consciências que lutam a favor da justiça social, e  a gente não vê isso justamente pelo Lobby que há entre os grandes veículos de comunicação e os oligopólios capitalistas. Entretanto,  uma coisa que deveria mudar é o  entendimento que a pauta das pessoas transexuais não deveria ser discutida só em janeiro, mas no ano inteiro, já que há um genocídio em curso contra pessoas transexuais.

Enquanto vegana e defensora dos animais, quais são os planos para o recolhimento e adoção de animais de rua, campanhas de castração e vacinação?

Há muito o que fazer como, por exemplo, lutar na política orçamentária para valores maiores destinados ao centro de controle de zoonoses, como também garantir o castramóvel nas regionais de Belo Horizonte. Além disso incentivos fiscais tais como: desconto no IPTU para ativistas que resgatam animais de rua e fazem papel que o poder público não faz, como também a criação de um banco de ração para que receba doações de empresas e pessoas da sociedade em geral para que esse banco posso distribuir as rações para os ativistas e ONGs cadastradas na defesa animal na prefeitura. 

Mas as pessoas têm que  entender que a pauta defesa animal não é somente sobre  “gato”, embora sejam problemas visíveis na sociedade, mas também nas outras espécies que coexistem conosco, sobretudo, em Belo Horizonte que há muitos espaços de vegetação com uma diversidade muito grande, então isso passa pelo debate sobre a valorização da educação ambiental nos currículos escolares.

Você acha que seria possível acabar com os preconceitos contra as pessoas lgbtqiap+, se sim, de qual forma?

Os preconceitos só podem ser rompidos a partir de uma revolução. Até porque o capitalismo se alicerça tendo como pilar a exploração e a opressão, então a própria dinâmica do capitalismo transforma as diferenças como um mecanismo de garantir mais lucro para as pessoas privilegiadas no campo da opressão e  também a exploração na luta de classe. Sendo assim, uma das formas de combater qualquer tipo de opressão é acabar com o sistema capitalista, isso não quer dizer que em uma sociedade socialista não teria preconceitos até porque o preconceito é uma coisa cultural e não acaba  da noite pro dia, mas a revolução seria uma das formas da gente buscar o combate às opressões.   Não é a garantia de que elas acabariam, mas é o único meio possível de sustentar o fim dela, já que na dinâmica capitalista a opressão e  exploração são duas faces da mesma moeda.

O que você mais se orgulha dentro do seu trabalho?

Me orgulho de ser professora em um país que não valoriza a educação nem os profissionais da educação, então só de estar 20 anos me mantendo nesse campo de atuação já é para mim motivo de orgulho.

Qual o impacto da criação e manutenção da Transvest?

Não dá para mensurar o impacto da Transvest, porque as principais transformações que a gente fez não está no campo da objetividade mas sim da subjetividade, no sentido de pessoas resgatarem autoestima, ter um espaço de encontro, de afeto e de congregação, então a Transvest acaba sendo uma ilha de afeto e acolhimento no oceano de transfobia que é Belo Horizonte. Isso está no campo do imensurável justamente por não operar na dimensão material, mas no campo do material nós tivemos pontos positivos, como a criação da primeira casa de acolhimento de pessoas trans na capital, também aprovações na UFMG, UEMG, PUC, Milton Campos, Una e outras universidade.

Qual seu posicionamento acerca da visibilidade trans e quais pontos devem e podem melhorar?

O que tem que melhorar não é a visibilidade trans, mas sim a sociedade.  A visibilidade trans é um movimento criado por pessoas transexuais que buscam tornar público alguns problemas que nos tocam, então não tem problema algum uma semana no mês da visibilidade trans, o problema está na na sociedade.

 

*Transvestigenere

Termo adotado pelas ativistas Erika Hilton e Indiana Siqueira, a fim de desconstruir os estereótipos negativos que as palavras “transexual” e “travesti” carregam, além de compreender todes e quaisquer pessoas que não se encaixem na cisgeneridade.

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Conheça os candidatos a prefeitura de BH

*Por Daniela Reis, Bianca Morais e Italo Charles

No próximo domingo, dia 15, acontecem as eleições municipais. Os eleitores vão escolher os seus candidatos a prefeito e vereador que vão administrar e fiscalizar o município nos próximos quatro anos. Pensando em auxiliar os cidadãos que ainda estão indecisos, o Jornal Contramão trouxe a lista com informações dos 15 candidatos a prefeitura de BH.

Confira:

Alexandre Kalil (PSD):

Alexandre Kalil, 61 anos, é o atual prefeito de Belo Horizonte e concorre à reeleição. Kalil é empresário na área da construção civil e ficou conhecido por ter ocupado o cargo de presidente do Clube Atlético Mineiro. Ele concorre esse ano pelo PSD e tem como vice Fuad Noman, ex-secretário da Fazenda na capital. Sua candidatura tem apoio do MDB, DC, PP, PV, Rede, Avante e PDT.

Áurea Carolina (PSol):

Áurea Carolina, 37 anos, lançou sua candidatura pelo PSOL. Em 2016, foi eleita a vereadora mais bem votada de Belo Horizonte e agora disputa o cargo de prefeita. Socióloga e cientista política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG),  Áurea levanta bandeiras do feminismo e causas igualitárias. Seu vice é Leonardo Péricles, do Unidade Popular pelo Socialismo e recebe apoio do PCB

Bruno Engler (PRTB):

Bruno Engler, 23 anos, é Deputado Estadual de Minas Gerais desde 2018 e se candidatou a prefeito pelo Partido Renovador Trabalhista Brasileiro. Sua vice é a Coronel Cláudia, do PRTB. Bruno é cristão e conservador, fundou o movimento Direita Minas, que ajuda a espalhar pautas tradicionalistas no Estado.

Cabo Xavier (PMB):

Cabo Xavier, 48 anos, é policial militar. Candidatou-se pelo Partido da Mulher Brasileira (PMB), com a vice Paula Maia do mesmo partido. Ele é presidente nacional do PDS (Partido da Defesa Social), partido ainda em formação que não participa das eleições deste ano.

Fabiano Cazeca (Pros):

Fabiano Cazeca, 65 anos, é candidato pelo Partido Republicano da Ordem Social (PROS), sua vice é a Doutora Paula Psiquiatra é do Partido Trabalhista Cristão (PTC). Disputou as eleições de 2018 para deputado federal mas não foi eleito. Fabiano é empresário, proprietário da Multimarcas Consórcios e conselheiro do Clube Atlético Mineiro.

João Vitor Xavier (Cidadania):

João Vitor Xavier, 38 anos, é formado em jornalismo e deputado estadual desde 2010. Candidato pelo Partido Cidadania concorre tem como vice Leonardo Bortoletto, do Democrata. Xavier também é conhecido por ser apresentador de um programa esportivo na Rádio Itatiaia. A candidatura tem o apoio dos partidos PTB, PMN, Podemos, PSC, PL, PSB e PSL

Lafayette Andrada (Republicanos):

Lafayette Andrada, 54 anos, é deputado federal e concorre pelo Republicanos. É advogado, doutorando em Direito pela Universidad Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e membro do Instituto Mineiro de Direito Constitucional e do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Também estudou Agronomia na Universidade Federal de Lavras (UFLA) e é técnico licenciado do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Sua vice, Marlei Rodrigues, é gestora de projetos na Escola do Legislativo da ALMG e obreira na Igreja Universal.

Luisa Barreto (PSDB):

Luisa Cardoso Barreto, 36 anos, é formada em Políticas Públicas e Gestão Governamental com especialização em Gestão Estratégica pela Fundação João Pinheiro. Atuou como secretária-adjunta na Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag). Em 2019 filou-se ao PSDB e lançou sua candidatura ao pleito de Belo Horizonte junto ao candidato a vice, Juvenal Araújo.

Marcelo Souza e Silva (Patriota):

Marcelo de Souza e Silva, 54 anos, é economista graduado em Administração pela Universidade Fumec e Ciências Contábeis pela Newton Paiva. Em 2007 assumiu a diretoria de projetos da Junta Comercial de Minas Gerais e permaneceu no cargo por dois anos. Atuou como Secretário do Desenvolvimento Econômico e Secretário da Regional Centro-sul até 2015, e foi  presidente da CDL-BH entre os anos 2013 e 2019 quando se licenciou para iniciar sua campanha para o ano de 2020. Neste ano, desassociou-se do partido Novo e filiou ao Patriotas pelo qual concorre à prefeitura de BH.

Marília Domingues (PCO):

Marília Garcia Domingues, 25 anos, é natural de São Paulo (SP), estudante do curso de  Letras. É coordenadora nacional da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR). Concorre a prefeitura de BH pelo partido PCO e tem como foco da campanha defender os direitos dos negros, mulhres da juventude e dos trabalhadores.

Nilmário Miranda (PT):

Nilmário Miranda, 73 anos, é jornalista e redator formado pelo PUC-MG e com especialização em Ciências Políticas pela UFMG. Foi eleito como deputado estadual em 1986 e em 1990 conquistou o cargo de deputado federal, o qual foi reeleito em 1994 e 1998. Assumiu o cargo de Secretário de Estado de Direitos Humanos em 2003. Em 2019 assumiu a presidência do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos de Minas Gerais (Conedh), e se licenciou para candidatar à prefeitura de BH pelo PT. 

Prof. Wendel Mesquita (Solidariedade):

Wendel Cristiano Soares de Mesquita,  41 anos, é formado em Comunicação Social e Artes Cênicas pela UFMG. Foi eleito por duas vezes vereador em Belo Horizonte, na Câmara Municipal de Belo Horizonte foi presidente da Comissão de Educação, Cultura, Lazer e Turismo. Em 2018 concorreu e foi eleito como deputado estadual, e atualmente concorre ao pleito da capital pelo partido Solidariedade.

Rodrigo Paiva (Novo):

Rodrigo Antônio de Paiva, 57 anos, é graduado em Engenharia Civil pela UFMG, com mestrado em Engenharia Civil e Mecânica pela Massachusetts Institute of Technology (MTi). É empresário, em 2018 concorreu ao senado mas não foi eleito. Assumiu a presidência da Codemge em 2019, mas se desvinculou do cargo para concorrer à prefeitura de BH pelo partido Novo neste ano.

Wadson Ribeiro (PC do B):

Wadson Nathaniel Ribeiro, 44 anos, é natural de Juiz de Fora e formado em Administração Pública. Em 1999 assumiu a presidência da União Nacional dos Estudantes (Une) e permaneceu por dois anos. Atuou como Secretário Executivo do Ministério do Esporte entre 2007 e 2010. Foi eleito como presidente estadual do PCdoB em 2013 e é concorre à prefeitura de Belo Horizonte pelo mesmo partido.

Wanderson Rocha (PSTU):

Wanderson Paiva Rocha, 46 anos, é pedagogo pela PUC-MG e mestre em Ciências Sociais pela Universidade de Coimbra, Portugal, e também é especialista em Gestão Escolar pela UFOP. Em 2019 passou a fazer parte da diretoria do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de BH. No começo de 2020 entrou para o Conselho Municipal de Educação de Belo Horizonte e para executiva estadual da CSP-Conlutas.

 

Atenção às novas regras

De 7:00hs às 10:00hs – Pessoas excepcionalmente maiores de 60 anos

De 10:00hs às 17:00 – Público normal

O mesário não poderá pegar seus documentos. Você deverá mostrar.

Álcool gel – eleitor deverá passar álcool em gel nas mãos antes e depois de votar

A caneta para assinatura não poderá ser compartilhada.

Não esqueçam de levar:

📌 Caneta

📌 Máscara (Uso obrigatório)

📌 Identidade

📌  Título de eleitor

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Evento será gratuito, totalmente online e acontece entre 09 e 11 de novembro

*Por Italo Charles

Nos dias 09, 10 e 11 de novembro acontecerá a Maratona de Fact-checking: Eleições – Jornalismo, evento 100% on-line promovido pelo Centro Universitário Una. A maratona tem como objetivo debater a problemática das fake news a partir do movimento de checagem nesse período eleitoral, que sabemos ser propício para a circulação de informações falsas. 

Para fomentar as discussões sobre o tema e elevar a troca de saberes entre os participantes, a jornalista Ethel Rudnitzki, da Agência Pública, apresentará no primeiro dia de evento o projeto de checagem Truco, desenvolvido durante as eleições de 2018.

No dia 10, o professor da Una Luiz Lana será o responsável por apresentar ao público o projeto Checkbot, este que está inserido no cenário atual que passa por grande inquietação devido a disseminação de informações falsas na esfera pública.

O fechamento do evento será  através de uma roda de checagem, onde os convidados levarão aos participantes as metodologias de apuração.

 

Programação

Ethel Rudnitzki da Agência Pública fala sobre o projeto de checagem Truco nas eleições 2018

9 de novembro 

Das 18h às 19h

Sobre Ethel Rudnitzki

Formada em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Realizou intercâmbio acadêmico na Universidade de Coimbra em Portugal, onde estudou jornalismo com especialização em Estudos Europeus. Trabalhou também como editora e repórter da Revista Viração e do portal Agência Jovem de Notícias, participando de coberturas e eventos internacionais como a Terceira Conferência das Nações Unidas sobre Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável e a 22ª Conferência das Partes sobre Mudança do Clima. Na Pública, fez parte do Truco – projeto de fact-checking – durante as eleições de 2018, e produz reportagens sobre redes sociais e desinformação.

 

Professor Luiz Lana apresenta o projeto de extensão CheckBot

10 de novembro

Das 18h às 19h

Sobre o projeto CheckBot

Este projeto se insere no contexto atual de intensa preocupação com o impacto da propagação da desinformação na esfera pública e no crescente crédito atribuído às agências de fact-checking como estratégia de enfrentamento das fake news para atestar que, não o bastante a expansão dessas iniciativas no Brasil e a consolidação de uma literatura sobre a temática, há no país uma escassez de mecanismos dedicados a entender e combater as notícias falsas.

 

Rodada de checagem – 11 de novembro – Das 18h às 19h

Após as conversas com os profissionais nos dias 9 e 10, acontecerá uma rodada de checagem.

As inscrições são gratuitas, acesse: bit.ly/Maratona_eleições

 

**Edição: Dani Reis

por Moisés Martins (aluno do 3° período de Jornalismo Multimídia)

O tema da primeira mesa foi “Resistências Cotidianas”, inspirado pelo Dia Internacional da Mulher, celebrado no último dia 8 de março. O Mulheres Comunicam tratou em toda discussão, as condições das mulheres na contemporaneidade.

As convidadas da primeira mesa; Polly do Amaral, Larissa Metzker, Gilmara Silva Souza, Cristina Tolentino, trataram de temas importantes e atuais, como o papel da mulher na sociedade moderna, machismo, feminismo entre outros.

A noite foi marcada por frases fortes, lágrimas, indignações e pequenas manifestações contra a morte da Vereadora Marielle Franco assassinada a tiros no Rio de Janeiro, no último dia 14.

Gilmara Souza começou o seu discurso sem palavras e disse que: “No silêncio e no sorriso tem muita coisa”. Disse também que: “Tem humanos que podem existir tem humanos que não, Marielle não podia”

Outra frase Marcante foi da Jornalista Larissa Metzker que disse “A gente precisa romper, tentar intervir nessa política”. A noite não parou por aí, a segunda mesa falou sobre “Desafios no Trabalho”, onde as convidadas falaram sobre empreendedorismo feminino no trabalho.

Ao entrevistar uma convidada que participou do encontro, a Pedagoga formada pela UFMG Kenia Araújo, disse que a temática lhe interessou bastante, e que um ponto positivo do encontro foi levar os presentes a reflexão sobre o lugar que cada um ocupa no mundo, considerando o outro como sujeito que também tem direitos.

Aberto ao público, o Ciclo de Debates e Mostra de Cinema ocorrerão no Campus Liberdade e no Anexo I (prédio do ICBEU), entre os dias 14 e 24 de março de 2018.