Luta Antimanicomial

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Por Keven Souza 

O mercado de trabalho vive uma constante evolução em relação a qualificação dos profissionais, e tem exigido indivíduos cada vez mais comprometidos e capazes de operar em diferentes âmbitos ocupacionais. No Centro Universitário Una, as agências, os projetos de extensão e a Fábrica, que é o coletivo dos laboratórios de Economia Criativa, fazem parte dos núcleos que  desenvolvem habilidades consistentes aos alunos e proporcionam experiências profissionais reais e diversificadas.

E o Contramão traz hoje uma agência que faz parte da Fábrica e que se configurou como o núcleo do curso de Relações Públicas, mas que abrange diversos cursos acadêmicos com o objetivo de conceder aos alunos destaque no mercado de trabalho, mediante a participação na produção de eventos, para capacitá-los profissionais de diversas formações e habilidades.

A Una 360 é uma agência multidisciplinar, situada na Cidade Universitária Una, no campus Liberdade e atua no mercado desde 2014. Os serviços fornecidos no setor de produção, aprimoram a experiência dos estudantes ao conhecerem a estrutura dos grandes eventos em etapas de organização, logística, cobertura fotográfica e jornalística e até mesmo o resultado final.

Alunos em cobertura jornalística

Atualmente, a 360 é gerida pela líder interina Larissa Santiago, que está cobrindo provisoriamente a licença maternidade de Débora Lisboa Quirino (líder efetiva), com o suporte de treze extensionistas de diferentes cursos da área de comunicação e de outros como Arquitetura, Design Gráfico, Cinema e Direito. 

Segundo Larissa Santiago, líder interina e coordenadora da agência LUNA, a Una 360 desenvolve profissionais para o futuro, que além das habilidades técnicas, possuem uma visão humanística nas relações e produções, e entendem a importância de suas ações nas reflexões culturais. Em que, os extensionistas são uma equipe unilateral que trabalha em conjunto nos projetos, e a diversidade de contextos sociais, fortalecem a equipe que é vibrante, múltipla, expansiva e colaborativa. 

Na Una 360 o foco é treinar e revelar novos talentos mediante as produções realizadas, sendo um meio de exposição no que diz a respeito aos extensionistas saírem da agência, na maioria dos casos contratados, em que ambos têm a oportunidade de crescerem profissionalmente e serem reconhecidos no mercado de trabalho em virtude de sua participação no núcleo.

Para o estudante Patrick Bryan Ferreira do Nascimento, que foi um dos extensionistas de jornalismo no ano de 2019, sua participação foi inesquecível e trouxe muitas propostas de trabalho. “Trabalhei para a Rede Minas, por indicação de um colega que trabalhava com a gente nos eventos, e hoje estou indo para uma nova proposta, já formado, pela experiência que tive na Una”, afirma. 

Segundo ele, suas funções eram deliberadas a partir de sua formação, e desenvolveu habilidades fundamentais como profissional e que sua atuação como assessor de imprensa e social media na Una 360, trouxe a oportunidade de cobrir eventos e entrevistar famosos como a Ivete Sangalo, Fernanda Gentil, Iza, Seu Jorge, Melim e outros, nos mais de duzentos eventos produzidos ao longo de sua participação. 

“Sempre fui interessado no entretenimento desde criança e de repente, tão cedo, você estar na produção de um mega show, na sala de imprensa com artistas que você sempre ouviu e admirou é muito emocionante”, explica Patrick. 

À frente de tantos outros projetos focados na produção de eventos, a Una 360 viabiliza contribuir com a experiência e o network dos alunos, e amparar na prática os conhecimentos aprendidos em sala de aula com assertividade. 

As oportunidades são únicas, capazes de ofertar o contato com o mundo exterior, que ao convergir com o amadurecimento profissional, acarreta no estímulo dos sonhos dos alunos de prestarem serviços à grandes festivais. Por essa razão, promover eventos corporativos ou de entretenimento na agência, é construir experiências enriquecedoras, inesquecíveis e divertidas, que auxiliam os estudantes a iniciarem as carreiras. 

Isabella Rosa Tavares, que está no décimo período do curso de Direito, afirma que, o que a levou ser extensionista da Una 360, e possuir jornada a mais de três anos na equipe, foi a possibilidade de trabalhar com eventos dentro de sua área, focada em otimizar seu tempo aos estudos e agregar conhecimento acadêmico.

Para ela, a agência motivou o seu sonho de produzir eventos, porque durante as festividades lidava com pessoas e grupos distintos, e se permitiu descobrir que é ótima em trabalhar com o público. E, que hoje ama participar dos eventos e o sentimento que permanece a cada produção é o de dever cumprido.

“Me sinto realizada e preparada para encarar o que vier pela frente, porque foi exatamente essa junção de teoria e prática que abriu não só o leque do conhecimento, mas também me tornei uma pessoa muito melhor do que a Isabella que ingressou no início da graduação”, desabafa Isabella.

Parceria e serviços 

Devido ao cenário imposto pela pandemia de Coronavírus, o setor de eventos é um dos mais afetados e as produções externas permanecem estagnadas para a realização de festividades. Entretanto, os principais serviços prestados pela Una 360 dão oportunidades aos extensionistas de participarem ativamente de ações como planejamento de espaços e plantas arquitetônicas, atendimento em postos médicos, assessoramento digital, cobertura fotográfica e produção de filmagem, coletivas de imprensa, acompanhamento e interface com fornecedores contratados, processos de marketing, apoio logístico, gestão de contratos e uma infinidade de outras tarefas que fazem parte da realização de um grande evento. 

Neste momento, a agência tem se adaptado para executar exclusivamente projetos de caráter online, que viabilizam a prestação de serviços seguindo as normas de segurança contra a Covid-19, e atividades como a gestão de redes sociais, cenografia, websérie, produção de conteúdo, cobertura fotográfica e audiovisual, têm sido as principais tarefas realizadas atualmente. 

Em Belo Horizonte, a Una 360 cresceu no mercado diante da sua trajetória, e reúne em média mais de duzentos eventos anuais com parcerias entre produtores de pequeno a grande porte, como o Planeta Brasil, Sarará, Prazeres da Mesa, Bloco Pirraça, Tardezinha e tantos outros renomados do setor de produção. Além de realizar eventos institucionais do Centro Universitário, como o GastroUna (gastronomia) e o UnaTrends (moda). 

Para a estudante Thalia Aparecida da Costa, que está no sexto período do curso de Relações Públicas, é através dos serviços realizados ao longo de sua participação na 360, que alcançou uma maior agilidade na resolução dos problemas que surgem durante os eventos, sua postura firme foi trabalhada diante das situações que lidava com o público diretamente. E afirma que atualmente a habilidade que mais tem desenvolvido é a sua criatividade na criação de conteúdos.

Segundo ela, ter a possibilidade de se conectar com a profissão, ainda na faculdade, é uma maneira de abranger o seu conhecimento e entendimento da área, além de auxiliar no networking para o mercado de trabalho.

Um dos eventos realizados pela agência foi o Festival internacional de jazz, que antes da pandemia de Covid-19, trazia para Belo Horizonte artistas nacionais e internacionais, privilegiando o jazz clássico de New Orleans, anualmente na Praça do Papa com apresentações gratuitas. 

Na época, a atuação da Una 360 ocorreu desde os anos de 2016 a 2020 (última edição realizada por causa da pandemia), sendo contratados para enviar convites, confirmar presenças, apoiar no desenvolvimento da planta arquitetônica e montagem do evento, identificar os convidados na portaria do evento, apoiar na logística do traslado dos convidados, fiscalizar e apoiar durante o coquetel, quick massage, fotografia e filmagem do evento. 

I Love Jazz – Foto: Marcos Vieira
I Love Jazz – Foto: Marcos Vieira

Vércia Oliveira, que é Gerente de Eventos do Grupo Diários Associados de Minas Gerais e a responsável pela contratação da Una 360 neste festival, afirma que a parceira é uma mão de via dupla, que além se ter o custo-benefício em relação a mão-de-obra para o organizador, é ofertado diretamente a oportunidade ávida dos alunos vivenciarem momentos reais com ação proveitosa para proporcionar o crescimento imprescindível para torná-los profissionais mais completos. 

Para ela, as inúmeras parcerias com a agência são sempre muito enriquecedoras e ao longo dos anos muitas produções aconteceram e em todas elas o comprometimento da equipe foi excepcional para serem reconhecidos no setor de eventos.

“Eu espero, em todas as produções, ter passado um pouco de nós pra eles, pois sempre deixaram muito deles conosco.  Somos muito gratos às parcerias realizadas com a Una 360!” diz Vércia. 

Hoje o Contramão traz o artigo opinativo da nossa ex-estagiária de jornalismo, Joyce Oliveira. Ela que conclui sua graduação ainda esse semestre e atua como social média e produtora de conteúdo.

A mudança das redes sociais

Por Joyce Oliveira

Em 2020, o mundo se deparou com uma realidade completamente atípica. A chegada da Covid-19 forçou a sociedade a mudar sua rotina e as formas de relacionamento. Isso, obviamente, influenciou na maneira como as pessoas utilizam as redes sociais. A distância física fez com que os indivíduos procurassem se conectar ainda mais virtualmente, a ponto de comerciantes, empreendedores e empresários buscarem, no ambiente on-line, uma maneira de se reinventar. Todo esse ciclo tem transformado os padrões de consumo na internet e a presença das pessoas nas redes sociais.

Essa necessidade de conexão tem explicação na psicologia. De acordo com tal campo de estudo, as pessoas precisam se conectar umas às outras para manter qualidade de vida e boa saúde mental. Portanto, estar presente nas redes, em um momento de distanciamento físico, tornou-se a forma mais fácil de manter as relações e, também, de aliviar um pouco da saudade e da solidão.

Esse movimento acelerou ou adiantou mudanças nos padrões de uso e consumo da sociedade. O marketing digital e as estratégias de mídia mostraram, às pessoas, que a enorme necessidade de conexão com o outro acabou se tornando algo rentável– e até as empresas começaram a buscar humanização.

Por falar em negócios, até as próprias redes sociais iniciaram uma corrida sobre quem alcançaria mais pessoas e quais atualizações poderiam fazer para que o público ficasse cada vez mais “preso”. Só no último ano, o TikTok ganhou mais de 600 milhões de novos usuários, o Instagram aderiu a mudanças na plataforma– incluindo “Reel” e “Instagram Shop” – e muitas outras alterações no algoritmo. O que nos leva a pensar que são estratégias para tornar o público cada dia mais dependente das plataformas, além de mostrar que elas podem ser extremamente versáteis, tanto para posts pessoais, quanto para compra e venda de produtos e serviços, criando a sensação de uma realidade paralela, na qual é possível encontrar tudo em um só lugar.

A cada dia, está mais claro que toda essa transformação causada pela pandemia, mundo afora, não é uma coisa temporária. Na verdade, há novos padrões que, provavelmente, sofrerão mudanças e avanços, mas farão parte de nossa rotina, ou, como costumamos chamar, nosso “novo normal”. Cabe a nós aprender e nos adaptar a esse turbilhão de informações, que, agora, mais do que nunca, circula por todas as redes sociais. Precisamos, também, entender se estamos preparados para acompanhar tudo. Mas, isso é assunto para outra conversa.

 

 

Por Carlos Fernandes 

Naquele 7 de março de 2020, quanto o árbitro apitou o fim do clássico entre Atlético e Cruzeiro, com mais uma vitória do alvinegro, não imaginávamos o que estava por vir. Até a data de hoje, foi a última vez que vimos as arquibancadas do Mineirão lotadas, e não temos perspectivas de quando voltaremos a prestigiar o show das torcidas mineiras.

Desse modo, o futebol perde parte de seu encanto. Parece outro esporte, não tão apaixonante. Muitos são os que defendem as atividades futebolísticas ativas em meio à pandemia, tendo como argumento que se trata de uma das “alegrias do povo”. De fato, é. O espetáculo, porém, está, hoje, sem seu principal personagem: o torcedor.

Obviamente, o momento pede, e devemos seguir as recomendações da OMS. No momento, é impossível imaginarmos torcida nos jogos de futebol. Entretanto, também é impossível pensar no futebol como um esporte tão apaixonante… sem torcida.

Quer um exemplo? A última final da Libertadores foi protagonizada por duas equipes paulistas, dois rivais, Santos e Palmeiras. Um dos assuntos mais comentados nas redes sociais foi a falta de “clima de final” no jogo, ou, até mesmo, a “falta de graça”. Alguns até disseram ter sido “a pior final de Libertadores que já vi na vida”.

Para desvalorizar o feito histórico de Santos e Palmeiras, os torcedores de outros clubes até alfinetaram: “Final com dois que ninguém liga”.

Sabemos, contudo, que não é nada disso. O Santos, com suas três conquistas da América, e o Palmeiras, com uma conquista até a final, sabiam bem o peso, e tinham uma história do tamanho de final de Libertadores. Mas, não adianta. Sem o personagem principal, sempre teremos a sensação de que faltou algo. E a resposta é uma só: faltou o torcedor. Faltou o grito de “UUUUUUUUH!”, em um lance de quase gol, faltou a vaia quando o time adversário está com a bola, faltou comemoração, faltou alegria.

No futebol mineiro, o Galo, talvez, encare sua temporada de maior desafio. Com altos investimentos, o clube e a torcida esperam grandes conquistas em 2021. O Cruzeiro atravessa a pior crise de sua história, e, mais do que nunca, precisa do torcedor. Por fim, o América, que volta à primeira divisão depois de cinco anos, após uma temporada espetacular. Nenhuma dessas histórias tem sido vista de perto pelo torcedor. É angustiante.

No clássico do dia 11 de abril de 2021, houve o reencontro entre Atlético e Cruzeiro, pouco mais de um ano depois. As situações são parecidas às de 2020: Atlético na Série A, cheio de esperanças; Cruzeiro na Série B, enfrentando crises. O que muda são as arquibancadas do estádio, que, pela primeira vez na história do clássico, estarão vazias. Não sei o que representa tal clássico, para além da sensação de “jogo-treino em estádio”.

 

*Edição: Professor Maurício Guilherme Silva Jr.

Por Daniela Reis 

Quem acompanha nossas postagens, sabe que na sexta-feira a gente adora trazer aquela receitinha especial! Hoje vamos com a tradicional Ambrosia, porém com um toque de café que deixou essa maravilha ainda mais gostosa. A receita é do Wessery Zago, técnico do laboratório de Gastronomia da Una.

Vamos ao passo a passo?

Ambrosia de Café

INGREDIENTES:

– 5 litros de leite gordo;

– 1 litro de creme de leite fresco (caso o leite seja tipo A)

– 750g de açúcar refinado;

– 8 ovos (sendo 8 claras em neve e 8 gemas peneiradas);

– 2g  de bicarbonato de sódio;

– 2 unidades de pau de canela;

– 2 colheres de sopa de café solúvel meia torra.

Modo de Preparo

– Dissolver o açúcar no leite, misturando ainda frio;

– Se for o caso, acrescentar o creme de leite fresco e continuar mexendo;

– Levar ao fogo, preferencialmente em tacho de cobre bem limpo;

– Manter o fogo médio até começar a ferver, mexer vagarosamente para não derramar;

– Acrescentar o bicarbonato de sódio (serve para escurecer um pouco o doce);

– Acrescentar o café solúvel e mexer bem;

– Quando estiver no ponto de véu, quando passa uma colher e o fundo dela é coberto por

uma fina camada do doce, chega o momento de acrescentar os ovos;

– Bater as claras em neve bem firmes, acrescentar as gemas peneiradas e bater

novamente;

– Juntar ao doce e aguardar o cozimento por uns 10 minutos;

– Revirar os ovos batidos sobre a calda e aguardar mais 10 minutos de fervura;

– Por fim, misturar mais uma vez e cozinhar até que o doce fique homogêneo por cerca de

mais 10 minutos;

– Conservar o doce em potes de vidros e sob refrigeração.

Dica:

– Após aberto os vidros, servir em até 15 dias.

Por Tales Ciel

Ainda me lembro de quando vi a minha primeira parada gay. Vi pela janela do carro; vi, porque participar eu jamais iria. Lembro-me de pensar “ainda bem que não sou eu”, para muitas das ações incabíveis que estavam fazendo – dois homens que se gostam beijando? O sacrilégio! Mal sabia o pequeno eu o que essa frase iria fazer. Às vezes ainda penso no que poderia ter sido se não tivesse sido doutrinado assim, se não tivesse negado tanto, se não teria começado a perceber mais cedo e me poupado de ter que ir no ritmo que a pandemia me permite, mas sei que não vale à pena ficar pensando nisso. Antes tarde do que nunca, é o que dizem.

Para muitas juventudes LGBTQ+, a percepção de que algo está “errado”, incomodando, começa bem cedo. Para outros ela vem mais devagar, aos pouquinhos. Se é algo do destino ou do subconsciente não tem como dizer e pode ser que seja um pouco dos dois, porque tem pessoas que precisam de mais tempo que outras para entender algo que deveria ser apenas mais uma faceta de existir. Mas o medo, ele nos para, faz com que enxerguemos esses pequenos fatos e condições como errôneos e ruins, com que esses seres humanos que são diferentes – pois é apenas isso que somos, diferentes do “padrão” – se odiarem tanto por dentro, até não acreditarem que merecem viver. Que podem ter uma vida normal, um emprego, uma pessoa para amar. Faz um garotinho olhando duas pessoas que se amam pela janela do carro agradecer por não ser como eles.

E é um absurdo pensar que condicionamos o nosso direito de existir nos padrões que um grupo alheio de pessoas seguem. Que temos que justificar com evidências e provas, um slide de 100 e mais páginas e um estudo de 60 anos o porquê merecemos viver. É uma noção retrógada, nociva e cruel, que muitos não param para perceber. Especialmente num tempo em que os números e fatos que deveriam estar sendo levados em consideração é, talvez, o primeiro lugar que o Brasil ocupa mundialmente no assassinato de pessoas transgêneros ou a relação de uma morte por homofobia a cada 16 horas. Tanto que quando invertemos as cartas, há muitas mais evidências de que nenhum dos que nos subjugam podem provar porquê não podemos, porquê somos “errados”.

Em quase todas as espécies de animais no planeta há a presença de todos as cores do arco-íris, por exemplo existem casais de leões, pinguins, elefantes e muito mais, homoafetivos. Até mesmo nas plantas, com árvores que trocam entre serem do sexo feminino e masculino sem motivação ou interferência externa, apenas o fazem. Sexualidade, gênero e identidade são coisas que fazem parte da mãe natureza e, por extensão, fazem parte da natureza humana. Talvez o problema não seja quem somos, talvez não seja quem amamos, como no chamamos ou queremos vestir. Talvez, o problema não sejamos nós, não seja o menino gay que agradece por não ser o que, na verdade, é. Talvez, o problema seja o medo que aprendemos a ter.

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Crédito: Isabel Baldoni/ PBH

Por Bianca Morais

18 de maio é comemorado no Brasil o Dia da Luta Antimanicomial. A data é uma homenagem à constante batalha pelos direitos das pessoas com sofrimento mental. No decorrer dos anos, todos aqueles indivíduos com doenças mentais eram excluídos da sociedade e internados em hospitais psiquiátricos, os manicômios, onde eram isolados da convivência social e submetidos a diversos tratamentos desumanos. 

Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Acontece que, por muito tempo, os pacientes com transtornos mentais tiveram seus direitos a viver em sociedade privados por um conselho médico que acreditava em intervenções grotescas como tratamento.

Hoje em dia muito se escuta falar em questões de saúde mental. Ao longo da pandemia o isolamento social tem sido uma das medidas de proteção à disseminação do vírus, e muitos sentem na pele que a privação da liberdade e do contato humano é bastante prejudicial à mente. Se já é ruim para alguém viver isolado em casa, imagine para as pessoas presas em hospícios, sem conforto e respeito.

O mês de maio é de conscientização e aprendizagem sobre uma luta que está longe de acabar. O Jornal Contramão trás hoje uma reportagem especial que conta a história desse movimento que, apesar de anos de batalha, ainda está distante de terminar.

 

O precursor do movimento

Franco Basaglia, foi um italiano, nascido na cidade de Veneza em 1924. Seu nome ficou conhecido em todo o mundo como o psiquiatra precursor da reforma do sistema de saúde mental. Quando se fala em reforma psiquiátrica é entendido a mudança feita em um sistema autoritário de saúde.

O psiquiatra trabalhou, durante a década de 1960, como diretor do Hospital Psiquiátrico de Gorizia, local onde testemunhou o que há de pior no tratamento a pacientes, eram abusos, violências e negligências. Em determinado momento, o médico com toda sua experiência na área percebeu que a internação e o isolamento daqueles pacientes servia apenas para piorar a condição dos enfermos e não de ajudá-los, por isso, o médico junto a equipe do hospital, fizeram mudanças práticas e teóricas nas intervenções dadas aos doentes, prática que ficou conhecida como “negação a psiquiatria”.

Com suas ideias, Basaglia revolucionou um sistema que por anos torturava doentes com transtornos mentais, substituiu sofrimento por humanização, converteu os corpos usados como objetos de intervenção médica e os transformou em parte da sociedade.

O médico italiano promoveu uma rede de atendimentos solidária, inclusiva e libertária, propôs atendimentos terapêuticos em centros de convivência, aproximou os pacientes das famílias e da comunidade. Sua pequena revolução começou ali e mais tarde, em 1968, Basaglia publicou o livro “A instituição negada” onde revelou detalhes de seu método. 

Em 1973, após reformular o tratamento psiquiátrico em Gorizia, ele seguiu para o Hospital Psiquiátrico de Trieste, que posteriormente virou modelo para reformulação do sistema psiquiátrico do Brasil e do mundo.

Franco Basaglia foi o pioneiro na defesa aos direitos humanos e conquista da cidadania dos que carregam transtornos mentais. Pela primeira vez na história começava a se levantar uma bandeira de manicômios como instituições produtoras de exclusão social.

 

A história da reforma do sistema psiquiátrico brasileiro

No Brasil, a luta antimanicomial teve início no final dos anos 70, o país vivia o período da ditadura militar com um governo autoritário. Na época, muitos movimentos cresceram, entre eles, o Movimento Antimanicomial que estava ligado à Reforma Sanitária Brasileira, que resultou na criação do SUS.

Motivados pela revolta com o sistema nacional de assistência psiquiátrica que praticava tortura, fraudes e corrupções, profissionais da saúde reivindicaram melhores condições de trabalho, aumento salarial, faziam criticas as internações nos hospícios e ao uso de eletrochoque nos pacientes e demandavam melhorias na assistência a população e a humanização dos serviços. 

O manifesto desses trabalhadores ficou conhecido como Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM) o qual deu início a uma greve que durou oito meses no ano de 1978. Houve grande repercussão na mídia e a partir dali iniciaram grandes discussões políticas acerca do campo da saúde mental, o que sucedeu em diversos congressos e manifestações. 

O movimento cresceu e passou a contar com a participação da associação de usuários, familiares, instituições acadêmicas, e outros segmentos da sociedade. Para além de denunciar os maus tratos dentro dos hospitais psiquiátricos, eles queriam a construção de uma rede de serviços e estratégias, queriam garantir a inserção daqueles doentes na sociedade, buscavam tratamento justo e correto.

Ao longo desse processo, destacou-se a vinda ao Brasil de Franco Basaglia, ele que tanto revolucionou o sistema psiquiátrico da Itália e do mundo, participou do I Congresso Brasileiro de Psicanálise de grupos e instituições no Rio de Janeiro. O MTSM tinha grandes referências do médico em seus ideais, desse modo, sua vinda resultou em um fortalecimento do movimento e várias reflexões. 

Foi em 18 de maio de 1987, em um encontro com grupos a favor das políticas antimanicomiais, que veio a proposta da reforma do sistema psiquiátrico brasileiro. Entre os tópicos abordados, dizia uma maior participação das famílias no tratamento dos enfermos, a conscientização da população que os transtornos mentais não são uma ameaça e que essas pessoas não precisam ser isoladas do convívio público. 

O maior apelo da reforma era a proibição da construção de hospitais psiquiátricos e a substituição deles por atendimentos psicológicos, alternativas menos invasivas. Substituir a forma progressiva por serviços comunitários. Todas essas pessoas estavam unidas por um único lema: uma sociedade sem manicômios.

Nesse encontro foi redigido o Manifesto de Bauru, que denunciou os abusos feitos nos hospícios. Então em 1889, deu-se abertura a tramitação de uma das grandes conquistas do movimento antimanicomial, a lei n°10.216, que apenas foi promulgada em 2001 e garantiu os direitos dos pacientes com transtornos mentais a receberem intervenções menos invasivas e dando prioridade a tratamentos de reinserção na família, no trabalho e na comunidade.

A partir dessa lei, que começou a ser reivindicada nos anos 70 e demorou anos para ser finalmente publicada, diversas portarias passaram a ser criadas para a regulamentação e execução de serviços que garantem a atenção às pessoas com sofrimento mental.

 

As melhorias após a reforma

Com a Lei n°10.216, também conhecida como Lei Paulo Delgado, houve um redirecionamento do modelo assistencial em saúde mental. Nesse novo sistema tiveram maiores investimentos em Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT), Centros de Convivência e Cultura, as Unidades de Acolhimento (UAs) leitos de atenção integral (em hospitais gerais, nos CAPS), Núcleos de Atenção Psicossocial (NAPS) e os Centros de Referência em Saúde Mental (Cersam), alternativas para o modelo manicomial. Tiveram, além disso, a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que substitui a internação em asilos.

Os CAPS, são oferecidos de forma gratuita em unidades regionais. Neles são oferecidos tratamentos intensivos e atendimentos diários com o propósito de reinserir o paciente. Caso haja necessidade de internação, é o CAPS que direciona o enfermo para os leitos de saúde mental em hospitais que oferecem a internação a curto prazo.

Com a lei, o internamento apenas pode ser feito caso o enfermo represente alto risco e através da autorização dos doentes ou de sua família. O procedimento ocorre por meio de um laudo médico que deve ser encaminhado ao Ministério Público, informando a internação e depois sobre a alta.

Pautado em liberdade, respeito, dignidade e autonomia do paciente com sofrimento mental, a nova política mudou e muito a atenção dada a essa parcela da sociedade por muitos anos tão discriminada, isso graças ao resultado da incansável luta pelos direitos desse grupo.

 

O retrocesso na luta

A reforma psiquiátrica deu voz ao enfermo e à sua família, inclusive força para lutar contra os abusos do sistema. A batalha ainda está longe do fim, o Brasil ainda tem muitos hospitais psiquiátricos e leitos sem previsão de serem fechados, no entanto, o verdadeiro retrocesso começou no final do governo de Dilma Rousseff.

Entenda

O retrocesso dessa luta tão sofrida teve início ainda no governo Dilma, quando se credenciaram as chamadas “comunidades terapêuticas”, entre elas estavam instituições religiosas, asilares, manicomiais, ambas com uma concepção arcaica em relação aos transtornos mentais e uma visão moralista e religiosa.

Em 2016, no governo Temer, o regresso continuou com a diminuição dos recursos direcionados aos Centros de Atenção Psicossocial, e aumento do financiamento das comunidades terapêuticas, de manicômios psiquiátricos tradicionais e a redução dos espaços de participação social.

Atualmente, no governo Bolsonaro a situação não melhorou, essas presidenciais tem reincorporado os manicômios às políticas nacionais de saúde. É como se todos eles, Dilma, Temer e Bolsonaro estivessem jogando anos de luta de profissionais da saúde no lixo. Isolamento e religião não são a cura para a loucura. Compreender doenças como depressão, transtornos bipolares e vícios em drogas e álcool, é dar a oportunidade e conforto aos doentes.

A luta antimanicomial é também uma luta democrática, onde não se encaixam padrões retrógrados. Em dezembro de 2020, o ministério da saúde sinalizou cortes em programas de saúde mental, numa reunião com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e as Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), foi proposto revogar cerca de 100 portarias editadas entre 1991 e 2014. A tentativa não foi efetivada, mas levantou o protesto de muitos sobre a importância de defender a Política Nacional de Saúde Mental.

“Cuidar é promover vida. Prender é promover morte”. Esse é um dos gritos da luta que precisou se reacender nos últimos anos. 18 de maio é data para relembrar a luta travada há anos, para o avanço de serviços de saúde abertos para além dos muros de hospícios.

 

Especialista

Caroline Lança – Psicóloga

 

Caroline Lança, 27 anos, é psicóloga, além de seu consultório particular ela atua no Centro de Atenção Psicossocial, o CAPS 2, na cidade de Ibirité, Minas Gerais. O CAPS, como vimos anteriormente, é o substituto dos hospitais psiquiátricos. Caroline recebe diariamente pessoas com sofrimento mental e que estão com alguma urgência ou emergência psiquiátrica, como um paciente em crise psicótica, de ansiedade, pânico, ou até mesmo um surto psicótico, que é aquele onde o paciente tem uma primeira aparição de um transtorno mental. No CAPS, a profissional da saúde também recebe pacientes que sofreram tentativa de autoextermínio ou que estão com ideação suicida.

“O CAPS é de portas abertas, ou seja qualquer pessoa pode procurar pelo serviço, o ideal é que seja do município em que reside. Em Belo Horizonte temos o Centro de Referência em Saúde Mental, os CERSAMS, que também recebem esse público”,  conta ela.

Na capital, as internações quando necessárias ou são feitas em algum CAPS que funcionam 24 horas e tem leito de internação ou no hospital Raul Soares que é hoje uma referência no estado e é o único hospital público psiquiátrico que ainda existe. O Galba Veloso foi fechado no ano passado.

Em entrevista ao Jornal Contramão, a psicóloga compartilha seu conhecimento na delicada área dos tratamento das pessoas com transtornos mentais.

 

Quem são os pacientes com sofrimento mental? Quais são as principais doenças que os afligem e qual o comportamento deles?

Difícil citar as doenças, o sofrimento mental abrange variados transtornos. Recebemos tratamento para paciente com quadro de esquizofrenia, bipolaridade, ansiedade, depressão, dependência química… O sofrimento mental não tem perfil e pode atingir qualquer pessoa.

 

Na sua opinião, quais são os mais importantes avanços na luta antimanicomial?

Os avanços alcançados pela luta antimanicomial foram o fechamento dos manicômios, a elaboração do tratamento humanizado para os pacientes, a criação de uma rede de tratamento gratuita pelo SUS, composto por dispositivos no território do sujeito, com profissionais capacitados, medicação e internações curtas.

Atualmente, a tentativa é tratar o paciente dentro de sua singularidade. O tratamento é discutido e elaborado em equipe, com a família quando possível, e com a participação do próprio paciente.

 

E o que você acha que ainda falta ser alcançado?

Falta muita coisa ainda e a gente luta por melhores condições. Acho que falta interesse dos nossos governantes, olhar para essas pessoas ainda como pessoas. A saúde ela não é prioridade, nós já sabemos disso. Vivemos um momento, uma pandemia e ela nunca foi prioridade e muito menos a saúde mental, então falta material nos CAPS, nas oficinas, as vezes falta medicação gratuita, falta lugar, um serviço mais organizado, um serviço com uma estrutura física melhor. 

 

O que geralmente é oferecido pelas redes de atenção à saúde mental?

Os CAPS oferecem atendimento psicológico, psiquiátrico, orientação com serviço social, atendimento aos familiares, oficinas, medicação oral e injetável.

Refeições, transporte, internação de curto prazo.

Visita domiciliar quando necessário. 

No CAPS AD (álcool e outras drogas) há um tratamento voltado para a dependência química.

Centro de convivência:

Espaço onde o paciente da saúde mental pode passar o dia e participar de oficinas com artesãos e artistas contratados da prefeitura. 

Muitos pacientes fazem da arte uma fonte de renda (mosaico, trabalhos em argila, costura…)

 

Na atenção básica – posto de saúde:

Atendimento psicológico e psiquiátrico. Medicação oral e injetável. Orientação com serviço social e aos familiares. 

Visita domiciliar aos pacientes.

Também há grupos de cessação de tabagismo no posto de saúde. 

 

Hospital psiquiátrico:

Internações, oficinas, atendimento psicológico e psiquiátrico, atendimento à família. Administração de medicações. 

As internações aqui são mais direcionadas para pacientes que residem em municípios que ainda não apresentam os serviços substitutivos (CAPS, CAPS AD e CAPS I infantil).

 

Por que você acha que esses recentes governos acreditam que uma volta dos manicômios seja algo positivo?

Acredito que na política, muitos governantes não acreditam na rede como tratamento possível e eficaz. O crescimento dessas instituições se deve ao também crescimento da dependência química no país e diferente do SUS, a única abordagem possível é a abstinência.  

No SUS, trabalhamos com a abstinência, mas também na orientação da redução de danos, que consiste na substituição ou redução da droga, sem julgamentos ou tentativa de que todos respondam ao tratamento da mesma forma.

Outro ponto é o crescimento do conservadorismo no país. Sabemos que a maioria das comunidades terapêuticas são religiosas.

 

Como profissional da saúde, qual sua opinião sobre as comunidades terapêuticas?

A maioria dessas comunidades são religiosas, muitas não têm profissionais de saúde e apresentam um tratamento muito semelhante ao manicômio, que é um tratamento pelo trabalho e pela moral, então quanto mais você trabalha, mais você vai ficar bom. Nesse sistema, não existe um problema psiquiátrico mental, existe uma pessoa que está à toa precisando ocupar sua mente. 

Essas comunidades terapêuticas, assim como os manicômios, são isoladas, podem observar que são em lugares distantes, de difícil acesso, eles restringem o acesso da família ao paciente. 

Geralmente já interna estipulando um número de dias e meses que o paciente deve ficar ali, algumas determinam nove meses até mais de um ano, não tem uma discussão de caso a caso, de cada paciente, é uma generalização de todos, assim como no manicômio. Não existe espaço para singularidade, individualidade, para pessoa, existe um todo.

É um tratamento que tem que ser feito para todos de bom modo, não tem uma leitura individual de cada paciente e das suas demandas particulares. Alguns estipulam que nos três primeiros meses os pacientes não podem ter contato com os familiares apenas através de ligação, então é muito semelhante. 

Nós temos inúmeras denúncias recentes de comunidades terapêuticas que violam os direitos humanos mesmo. Nós estamos com chances das comunidades terapêuticas passarem a receber adolescentes, menores de idade, hoje uma criança ou adolescente para ficar internada, que é o último caso, ela precisa de um acompanhante o tempo todo com ela, o que no caso das comunidades terapêuticas isso provavelmente isso não vai acontecer. É extremamente complicado ser depositado dinheiro nesses lugares, para quem defende a luta antimanicomial, a reforma psiquiátrica, nós não entendemos as comunidades terapêuticas como um lugar realmente de tratamento, um lugar que podemos confiar em colocar nossos pacientes, mas infelizmente isso tem sido uma realidade.

 

Você acha que a pandemia tem causado um impacto na luta antimanicomial, pela diminuição de determinados atendimentos à saúde?

Acredito que a pandemia causa impacto na luta antimanicomial por ser um dificultador no diálogo dos profissionais e dos serviços substitutivos. Nesse momento, estaríamos nos preparando para o desfile, havíamos participado de reuniões e discutido avanços e recuos nas políticas. 

Durante os momentos mais críticos da pandemia, os atendimentos foram reduzidos nos serviços de urgência e na atenção básica, fato este que impacta na saúde mental dos indivíduos e no acesso ao tratamento, objetivos claros da luta antimanicomial. 

Vale lembrar que no ano de 2020 perdemos investimento na saúde mental, com o fim do NASF (núcleo de apoio à saúde da família), composto por equipes com psicólogo, assistente social, profissional de educação física, fisioterapeuta, nutricionista, dentre outros profissionais.

 

O que o dia 18 de maio representa para você, uma psicóloga engajada nessa luta? 

O 18 de maio representa liberdade, representa muito, fico muito emocionada. Desde que eu conheci a data durante a formação, ainda na faculdade, eu vou todo ano, infelizmente ano passado e esse ano não vai ter, no desfile. É um carnaval na cidade, é maravilhoso, a gente se concentra na Praça da Liberdade, tem trio elétrico, tem rainha de bateria. O último, em 2019, a rainha foi a Crystal, que é uma transexual mulher negra de Belo Horizonte, uma figura que muitas pessoas já conhecem, ela foi a nossa rainha de bateria. Tem blocos, cada bloco tem um tema. Os CAPS definem qual bloco eles querem entrar, e aí são CAPS de Minas inteiro que vem aqui para a Praça da Liberdade. Tem a ala infantil, a penúltima ala infantil foi Alice no País sem manicômios, foi lindo, os menininhos vestidos de Alice, chapeleiro, mágico,  gato, coelho, foi muito bonito. Nas oficinas no Caps são confeccionadas as roupas para 18 de maio. Tem o samba enredo quem faz são os próprios pacientes que frequentam os Caps. E é muito bonito e uma forma de trazer visibilidade, porque quando a gente passa com aquelas pessoas, causa um estranhamento na cidade, as pessoas ficam chocadas sem entender. Incomodados, como que o louco pode circular em sociedade. As pessoas não querem ver o louco, as pessoas se incomodam com a loucura, e o louco ele deve circular na sociedade, ele não deve ficar trancafiado, ele tem o direito como qualquer outra pessoa de circular, de socializar, de fazer o que ele quiser. É interessante ver o estranhamento, alguns perguntam: “o que é isso, o que está acontecendo”, outros fecham a cara, outros xingam, mas nós paramos o trânsito, paramos a cidade, para mesmo porque a gente desce da Praça da Liberdade até a Praça da Estação parando o trânsito, fazendo questão de parar, de causar um transtornos para que as pessoas possam ver e ouvir que nós não iremos aceitar manicômios nunca mais.

A luta antimanicomial está distante do fim, o sistema já quebrou vários de seus problemas como os hospitais psiquiátricos e internamentos forçados, porém o tabu está longe de acabar. A ideia de que essas pessoas são perigosas, violentas e representam um perigo à sociedade ainda é disseminado e é necessário acabar com ele com urgência. Existe tratamento, é indispensável quebrar os estigmas e espalhar informação correta. Conhecimento é tudo.

A reforma psiquiátrica foi uma resposta à luta manicomial. Liberdade é direito humano. Manicômios nunca devem ser a primeira opção, amor e carinho devem substituir tortura e pacientes dopados. A luta não pode parar, vamos juntos usar esse 18 de maio para levar entendimento sobre o assunto.

Em um passado nem tão distante, pessoas com transtornos mentais recebiam atendimentos desumanos e em hospitais psiquiátricos. Por eles, por todos aqueles internados com ou sem transtornos mentais, que muitas vezes eram colocados naqueles lugares apenas para serem afastados da convivência social, o que acontecia muito no período da ditadura, os presos políticos. É por eles e também os que morreram na miséria dos hospícios que esse 18 de maio não pode ser passado batido, esses não podem ser esquecidos.