Luta Antimanicomial

Por Keven Souza

No último sábado (29), aconteceu a premiação da 2° edição do Concurso de Interiores da Una Região Metropolitana e BH na Una Aimorés. Foram mais de 50 equipes inscritas, que envolveram um total de 100 alunos da instituição. O evento foi organizado pelo laboratório de arquitetura da Una Fábrica (NAU), com apoios dos professores, e contou com coffe break para os presentes logo após as premiações aos vencedores, onde marcaram presença coordenadores de cursos, educadores, empresas parceiras, além de convidados.  

O Concurso de Interiores da Una RMBH fomenta vivenciar a experiência de um projeto feito do zero, com todos os processos de um case real. É o que explica Ana Karolina Oliveira, líder do laboratório responsável pelo evento. “Desafios como esse, provocam nossos alunos positivamente e ajudam a complementar a formação e crescimento de cada um. Os problemas reais de uma planta com restrições construtivas, fachada preservada e claro, o tamanho de residências tangíveis, tornam a experiência ainda mais enriquecedora. Além disso, o briefing primoroso proposto pelo cliente convidado, que trouxe consigo desafios que iam de um extremo ao outro, foi pensado para despertar a criatividade e aguçar a aplicação de técnica”, afirma. 

Novos desafios nesta edição

A proposta era atender um cliente solteiro com demanda de um projeto de interiores, ao qual possuía gostos inusitados e exigências desafiadoras. Raphael Paulino, economista, foi o cliente desta segunda edição. Ele conta que almejava um projeto de interiores fora da curva, não bidimensional e muito diferente do comum. 

“Somos uma esfera com polos, nuances, curvas e gostos diferentes. Tentei trazer um pouco disso no briefing, pedia algo muito inusitado no quarto ao mesmo tempo queria uma área voltada para a espiritualidade. Aí eu que sou professor de Economia, que faz aula de canto, queria um quarto acústico onde pudesse praticar os ensaios. Em paralelo sou goiano e gosto de fazer churrasco, logo pedi um espaço externo para receber amigos em casa. Isso tudo foi um desafio para os meninos desenvolverem os projetos, mas em todos eles vi um pouco de mim. Foi gratificante receber projetos que extrapolaram a criatividade e o design de interiores. Espero poder aplicar um dia”, comenta Raphael. 

Embora o Concurso de Interiores seja uma competição, não há estímulo para rivalidade. A ideia principal é o aprendizado técnico e prático de conceitos absorvidos em sala de aula.  Bem como, a construção de portfólio e network para além dos muros acadêmicos. Dito isso, nesta segunda edição, três parceiros apoiaram o concurso: Loja Elétrica, Escola Desenhar e Escritório Aliás Arquitetura. O concurso também contou com uma banca de júri técnico que avaliou criteriosamente cada projeto de interiores. 

Para Thalita Mattos, professora da Una, que participou como jurada, os alunos conseguiram superar as expectativas não só do cliente, como também dos jurados técnicos. “A nossa preocupação sempre foi, de fato, de serem coisas além de lindas, nada executáveis. Nós, que temos um olhar técnico, queríamos projetos maravilhosos, porque sabemos o potencial deles. Mas gostaríamos de ter certeza que quem saísse premiado teria um projeto pronto para sair pra obra. E conseguimos isso!”, explica. 

De 50 inscrições a 5 finalistas 

Ashley Coimbra de Assis Lino e Daniela Cristina Felix Andrade foram as alunas de Arquitetura e Urbanismo que conseguiram emplacar os requisitos desejáveis para se colocarem em primeiro lugar na disputa. Com o projeto Liberté, levaram para casa dois tabletes, duas luminárias da Loja Elétrica, curso de iluminação do Escritório Aliás Arquitetura e 100% de bolsa em qualquer curso da Escola Desenhar, além de certificado de participação e mimos da Una. 

Segundo Dani, esse tipo de iniciativa é de suma importância na sua vivência acadêmica enquanto estudante. “O concurso de interiores na Una, abre muitas possibilidades, uma delas, são as experiências adquiridas durante o andamento do projeto. As pesquisas e as inspirações são fundamentais para propor o layout de acordo com o briefing do cliente. Fora os desafios encontrados durante o percurso, ao qual aprimoramos as técnicas arquitetônicas, detalhamentos e demais áreas”, diz. Já Ashley, sua parceira, disse à equipe do Contramão, que o diferencial do seu projeto foi o detalhamento e soluções entregues no projeto. “Acredito que o principal diferencial foi a quantidade de pranchas de detalhamento que nós entregamos, além de termos seguido o briefing de forma muito fiel e criado soluções inovadoras”, pontua. 

Lado a lado a dupla, Renata Érika Nunes Figueiredo e Josiane Aparecida Ferreira formaram o segundo lugar na classificação, promovendo uma disputa acirrada na decisão. Elas contemplaram duas Alexas, o curso de iluminação do Escritório Aliás Arquitetura e 100% de bolsa em qualquer curso da Escola Desenhar. 

Já em terceiro lugar, ficaram João Victor Vidal Almeida e Daniella Balbino Praes Silva. Eles ganharam duas trenas a laser, como também o curso de iluminação do Escritório Aliás Arquitetura e 100% de bolsa em qualquer curso da Escola Desenhar. 

Fechando o pódio desta temporada, as menções honras foram dadas à Camila Oliveira Campos, Debora Rayane Arantes Barbosa, Lucas Martins Liz Lage e Sabrina Lopes Dias Faria. Ambos brilharam na disputa e receberam também o curso de iluminação do Escritório Aliás Arquitetura, além de 100% de bolsa em qualquer curso da Escola Desenhar.

Clique aqui e veja as fotos do projeto!

 

Por Ana Clara Souza 

Terminei de ler minha primeira revista Vogue, talvez, a minha primeira revista. Isso porque não me recordo de ler do início ao fim nenhuma revista se quer. Lembro que com uns nove anos eu pedi minha mãe para assinar a revista teen Atrevidinha, e recebia todos os meses, durante o período de um ano, capas com famosos do mundo pré-adolescente, como Justin Bieber (primeira revista que recebi), glee (a primeira série que assisti, onde eram abordados vários conflitos interessantes, e falava de arte), e também, capas de pessoas que nunca tinha visto ou ouvido falar. 

Estudava em uma escola particular, e não sabia de muita coisa que o meu ciclo comentava porque não tinha SKY, a TV a cabo de sucesso na época, que ditava as tendências norte-americanas, e por isso, muitas das capas eu ficava sem entender.  

“Você recebe as revistas e não lê tudo?”, disseram. Exatamente! Eu pulava para a parte dos joguinhos, como “descubra se ele está na sua”, “você é mais Emo ou mais paty”; e claro, como seria o meu mês de acordo com a previsão de alguma redatora. 

Eu sempre olhava os títulos das reportagens e só. Se não me engano, a única que li foi a do Justin, pois o universo há de nos unir algum dia e achei importante ler sobre ele falando que a mãe dele cozinha mal (risos). Agora me questiono de onde veio a vontade de ler uma Vogue? É um pouco longo, mas o desejo surgiu ouvindo um podcast, e se consolidou nos relatórios sobre a semana da moda no meu estágio. 

A experiência, meus amores? Simplesmente incrível! Desde a capa, nada mais e nada menos que Anitta comemorando os 47 anos da revista mais importantes do mundo, até o final, com editoriais lindos no decorrer das páginas. 

O intuito era experimentar, mas como graduanda de Jornalismo, eu me fascinei com as matérias, artigos de opinião e descobertas. A primeira vez é sempre estranha. Estranhamente boa ou ruim, e a primeira vez lendo uma Vogue, uma revista completa, foi memorável. 

O conselho que deixo é, se entregue e se permita pelas primeiras vezes. Porque certamente será incrível, assim como a minha experiência. 

Por Keven Souza

Desenvolver ensino teórico-prático, ampliar autoridade nas redes sociais e fomentar a produção de conteúdo de moda on-line. São estas as premissas do programa Tá na Trend, projeto da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) em parceria com o curso de Moda do Centro Universitário Una

O Tá na Trend é uma das novas propostas criadas para o canal do Youtube do Minas Trend, maior salão de negócios da moda da América Latina, sediado pelo Sistema FIEMG, que possui mais de 8,9 mil inscritos na plataforma. 

Dito isso, o canal está de cara nova!

A primeira vista, o canal retorna com uma recente reestruturação de conteúdos e quadros exclusivos para reforçar o evento enquanto autoridade em negócios e assuntos relacionados à moda no meio digital. Com a iniciativa, estudantes do curso de Moda da Una propõem temas relacionados à sua área e têm a oportunidade de compartilhar seu aprendizado no canal do Minas Trend a partir de um olhar jovial e criativo. É o que explica o analista de comunicação digital da FIEMG, Rafael Figueiredo. 

“Aproveitando a aliança entre a FIEMG e a Una, convidamos o Centro Universitário para ser nosso parceiro nesse projeto. Então, envolver estudantes da Una foi uma forma de aproveitar a parceria e dar oportunidade para que os alunos e as alunas possam ganhar visibilidade no ramo da moda, terem mais uma forma de aprendizado e aumentar as chances de se destacarem profissionalmente”, explica. 

A universidade selecionou três estudantes de Moda para serem os apresentadoras dos conteúdos. Karen Lima, Helena Coutinho e Keren Pimentel são as acadêmicas que participam desta temporada piloto neste semestre de 2022. Ambas atuaram na última edição do Minas Trend e desde então mantêm excelência nos conteúdos produzidos. 

Os conteúdos digitais estão em vigor desde julho deste ano, e os temas são propostos pelas próprias alunas e validado pelas duas instituições. Já a FIEMG é a responsável pela produção e edição dos vídeos que abordam dicas, curiosidades, tendências e outras informações relevantes para pessoas interessadas em moda.

Segundo Helena, uma das jovens participantes, os temas abordados nos vídeos foram pensados de forma estratégica e nada segmentada. “O formato comunicativo precisa ser dinâmico e leve, porque estamos trabalhando diante de um paradoxo que é fazer com que o espectador se sinta próximo ainda que esteja te vendo através de uma tela. É sempre muito legal traduzir o vocabulário técnico que aprendemos para uma linguagem acessível, divertida e atrativa. No Tá na Trend o objetivo é facilitar e democratizar o acesso à informação de moda”, diz. 

Para Keren, estudante do sexto período de Moda da Una, produzir os conteúdos foi uma experiência única. “Foi incrível conseguir repassar ao público toda a informação que eu sabia e ver que aquilo vai ajudar alguém de alguma forma. Isso me fez perceber que estou no lugar certo”, relembra. 

Ao todo, a expectativa é de que nesta primeira temporada do Tá Na Trend sejam produzidos seis vídeos para o Youtube. Publicado um por mês, dois vídeos já foram postados e o terceiro chega ao ar no dia 22 de setembro. O cronograma para os próximos meses está sendo definido, mas possivelmente as publicações acontecerão nos dias 20/10, 17/11 e 15/12. 

Da sala de aula aos estúdios de gravação 

Estudantes da Una e equipe nos estúdios FIEMG, no primeiro dia de gravação. Fonte: Rafael Figueiredo.

Bem como  aprendizado da universidade é fundamental, é na prática que se consegue colocar o conhecimento à prova e perceber a aplicabilidade dele. Por meio do Tá Na Trend, Karen, Keren e Helena se aprofundam em temas na área de Moda ao desenvolverem as propostas de conteúdos. 

Aprendem mais sobre os bastidores de gravação e produção de vídeos, desenvolvem a capacidade argumentativa ao defenderem as propostas, melhoram desenvoltura diante da câmera, ganham autoridade em falar sobre os temas propostos, contato real com o mundo corporativo e mais proximidade com o Minas Trend. 

De acordo com Rafael, até o momento as acadêmicas têm assumido uma postura ativa em relação ao conteúdo proposto. “As alunas têm sido incríveis! Elas se expressam muito bem e são todas muito carismáticas. Tem sido ótimo trabalhar com elas e com toda a equipe da Una envolvida no projeto. Esperamos ter bons resultados e começar uma nova temporada em 2023, com uma turma tão boa quanto a de agora”, afirma.

A estudante Karen diz que, desde já, o projeto tem aberto portas para o mercado. Dando visibilidade pro seu trabalho. “É uma oportunidade de afirmação  para o mercado, da minha capacidade como profissional de moda, o que é de extrema importância para mim”, declara.  

O Tá Na Trend está disponível no Youtube, através do canal do Minas Trend. Para ficar por dentro do projeto, acompanhar os conteúdos e saber mais siga o Minas Trend também no Instagram (@minastrend_). 

Sala de cinema doUna Cine Belas Artes ( Foto: José Ricardo da Costa Miranda Junior )

A ação gratuita aconteceu durante manhã e noite no coração do bairro de Lourdes


Por Keven Souza

No dia 16 de agosto, os acadêmicos do curso de Cinema e Audiovisual da Cidade Universitária Una (CDU) exibiram seus filmes no Una Cine Belas Artes. A ação foi fruto da parceria entre a universidade e o cinema, que foi palco para o encerramento de semestre das Unidades Curriculares (UCs) de Direção Cinematográfica e Realização.

Os alunos participantes eram do 5º, 6º, 7º e último período do curso, que apresentaram em um dos últimos cinema de rua de Belo Horizonte, mais de 10 obras divididas em duas sessões que abordavam diferentes temas e gêneros.

Programação do evento ( Foto: José Ricardo da Costa Miranda Junior )

“O encerramento foi muito bem sucedido. Havia uma dinâmica de funcionalidade, ritmo e tom dos filmes, que foi importante para os alunos entenderem o funcionamento de uma plataforma de fato do mercado, que é o caso do Belas Artes, onde é um cinema conhecido e frequentado por pessoas locais”, explica o professor de Cinema e Audiovisual da Una, José Ricardo da Costa Miranda Junior.

Orientados por José e demais professores das UCs, os alunos puderam vivenciar a prática do set e outros ambientes de produção durante a mão na massa dos curtas-metragens. “Consegui ver muita dedicação. A qualidade para produzir o que foi apresentado certamente foi perceptível, pude enxergar o nível de compromisso desses alunos, de entenderem que aquilo seria visto por alguém de fora do círculo de amigos e família”, relembra José.

Cada curta exibido passou pela curadoria dos professores e os diversos temas abordavam datas comemorativas que acontecem anualmente. É o que afirma o professor. “Tivemos filmes que retratavam o Natal, Dia das Mães, Ano Novo, entre outros. Inclusive foram exibidos na ordem do ano”, ressalta.

Julio Sales, que participou da ação e apresentou o filme “Pai em Versos”, relata que o encerramento das UCs no Belas Artes foi parte importante para mostrar seu trabalho ao mercado. “Foi incrível a sensação de estar em um cinema lotado exibindo meu filme.  Ao final da sessão, não pude deixar de me emocionar com os aplausos e ver que o esforço para fazer a história havia sido reconhecido. A recepção calorosa de estar em um cinema tão importante para a história de BH e poder ver as reações pessoalmente transformaram o momento em algo único pra mim, lembrarei disso pelo resto da minha vida”, conta.

O Una Cine Belas Artes

Sala de cinema doUna Cine Belas Artes ( Foto: José Ricardo da Costa Miranda Junior )

Localizado no coração do bairro de Lourdes, na região centro-sul de Belo Horizonte, o cinema possui um público diverso e fiel, que encanta frequentadores há mais de 29 anos. Com seu espaço de café e livraria, além de três salas de cinema, é ponto de encontro para prosear ou manter uma conversa casual.

No ano de de 2021, o Belas recebeu ordem de patrocínio do Grupo Ânima Educação, que é responsável pelo Centro Universitário Una, para permanecer aberto e continuar suas atividades. Hoje, o espaço possui inúmeras salas de cinemas abertas para o público e alunos da universidade, na qual possuem desconto nas entradas e produtos vendidos nas instalações do cinema.

Por Keven Souza

O Centro Universitário Una promove nesta quarta-feira (08) na Una Aimorés, o “Plugados no Mercado”, um evento focado, a priori, em alunos de T.I e Gestão, que tangibiliza as oportunidades de carreira e fortalece a empregabilidade, a partir da conexão entre alunos e empresas do setor. 

O Plugados no Mercado acontecerá das 19h às 22h, presencialmente, e conta com uma maratona de atividades, dinâmicas e ambientes de palestras feitas por profissionais eminentes do mercado, que irão compartilhar conhecimentos diversos, de forma ávida. 

No início, haverá uma ação da Red Bull e ao final da noite, todos poderão celebrar e interagir no espaço Lounge, onde será liberado chopp Verace aos participantes. Serão oferecidas também aulas magna realizadas em auditório, além de espaço interativo do ‘PRAVALER’ no térreo do campus e um Hackathon. 

O desafio do Hackathon será: “definição de um produto (tangível ou serviço) e de seu modelo de negócio, considerando seu caráter inovador e sua conexão com as tendências de futuro do trabalho.” Os membros da equipe que desenvolverem a melhor solução, usando o conceito de um produto conectado com inovação e futuro do trabalho, ganharão, cada um, uma Alexa e 50 horas de extensão. 

Com ineditismo, grandes empresas de Gestão e de Tecnologia da Informação, como Gama Academy, Sicoob Coopjus, ArcelorMittal e Take Blip, estarão presentes no dia. Tudo pensado para ser uma noite enriquecedora e energética. 

Esta é a primeira vez que a área de Gestão e Negócios da Una tem o ensejo de realizar tamanha ação, que busca ir não só na contramão do gap de mão-de-obra, mas também na falta de habilidades essenciais e competitividade nos futuros profissionais do mercado. “É muito importante para os alunos a participação nesse tipo de evento, porque faz com que eles consigam aumentar a sua visão sobre o mercado de trabalho, sobre os desafios que esse mercado requer, sobre softs e hard skills que o mercado atualmente precisa. E o Plugados faz com que esses alunos possam pensar um pouco sobre sua vida e sua carreira, e sobre também como podem utilizar as competências construídas na universidade para maximizar e potencializar suas carreiras no mercado de trabalho”, afirma o economista e coordenador da área de Gestão e Negócios da Una, Raphael Paulino.

Para o estudante Una, é a imersão e a promoção perfeita de fazer parte de experiências mercadológicas na academia. Por isso, não fique fora! Participe das salas com temáticas que lhe interessam e se organize para aproveitar ao máximo.

 

Saiba mais sobre a programação na plataforma do sympla e se inscreva:  

https://www.sympla.com.br/plugados-no-mercado—gestao–negocios__1585779 (Área de Gestão e Negócios)

https://www.sympla.com.br/plugados-no-mercado—ti__1585772 (Área de T.I)

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Por Matheus Dias

Hoje, 16 de maio,  comemora-se em todo o Brasil o Dia do Gari, profissional responsável pela limpeza urbana.  Pensando nisso, a equipe do Jornal Contramão conversou com o gari Marcelo Vasconcelos, que trabalha em Belo Horizonte, e trouxe detalhes sobre sua rotina, experiência e decisão para atuar na profissão. 

A origem do termo “gari” surgiu em homenagem ao engenheiro francês, Pedro Aleixo Gary, que fundou a primeira empresa de coleta de lixo do Rio de Janeiro, em 1876. A equipe responsável pela limpeza da cidade começou a ser chamada de “garis”, por causa do fundador, já que os funcionários carregavam o nome do empresário no uniforme.

Respeito e admiração foram fatores decisivos para que Marcelo Vasconcelos, 42, criasse afinidade e despertasse o interesse pela profissão.

Marcelo Vasconcelos em seu trabalho.

Após um período desempregado, a oportunidade para Marcelo veio em um momento crítico no país e no mundo, em 2020, durante a pandemia, onde já pensava não conseguir um trabalho. “Me via largado na sociedade, mandava currículo, participava de entrevistas e não era chamado para as vagas de emprego”, explica. 

Diferente de muitos profissionais que trabalham em locais fixos, sejam em escritórios, lojas ou em suas residências, os garis trabalham nas ruas, lá que é seu ambiente de trabalho, cada dia em um local, onde a produtividade é medida por uma metragem proposta. Marcelo integra o time de garis responsável pela capina e roçada da região leste de BH, a meta diária de sua equipe é de realizar a limpeza, média de 3km, nos logradouros da região que atua. E ele enxerga ser o maior desafio de sua rotina de trabalho.

“Chego no meu trabalho com coração alegre e puro, oro antes de sair de casa e agradeço a Deus pela oportunidade, mesmo que tenha algum tipo de preconceito, para que ele não possa abater minha fé e nem estragar meu dia”, diz ele. Esse é o rito e pensamento de Marcelo para que não sinta o preconceito e desvalorização que ele sabe que existe pela sua profissão. 

Ele explica que deixa se apegar às experiências positivas que vive no seu dia a dia, como por exemplo, quando as vezes bate na casa de um morador na região que está trabalhando e é acolhido com alegria após pedir  um copo de água, café e alimento.

Em 15 de abril de 2021, foi um dos momentos mais difíceis que o gari vivenciou, ele trabalhava no bairro Boa Vista na capital mineira e sofreu um acidente. Estava fazendo a limpeza e não viu um bueiro tampado pelo mato, onde caiu com uma das pernas e rompeu os ligamentos do joelho esquerdo, onde já havia feito uma cirurgia em 2014. “Vieram muitas cenas, passagens e lembranças em minha mente, antes estava desempregado, havia conseguido um emprego e precisei ficar afastado”, relembra Marcelo.

Marcelo retornou ao seu trabalho, auxiliando seus colegas com um serviço mais leve por causa de sua recuperação.

“O meu maior orgulho é que um dia eu tive vontade e desejo de ingressar nesta profissão e fui muito rejeitado. Hoje o meu maior orgulho é vestir a roupa alaranjada, sair para trabalhar e voltar para casa cansado e suado, sabendo que ‘matou mais um leão’ no dia. Saio de casa com orgulho que mais um dia, por minhas mãos e de meus amigos, vamos limpar a cidade”, comenta.