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Com a proximidade do carnaval, que já começou oficialmente dia 11 de fevereiro em Belo Horizonte, os foliões, especificamente o público feminino, vem manifestando um descontentamento típico das festas de rua: banheiro químico. Além do desconforto e falta de praticidade, as mulheres alegam o perigo que a falta de higiene das cabines oferece a saúde. Como alternativa contra estas questões, um produto que está no mercado vem ganhando visibilidade: o dispositivo urinário feminino descartável, que permite que a mulher faça xixi em pé.

Em grupos de venda destinado ao público feminino, o acessório vem sendo procurado:

 

 

O Contramão entrou em contato com a empresa de BH, Proteja Mulher, que está no mercado há dois anos e desenvolveu um dispositivo descartável. O Rafael, Gerente de Marketing do empreendimento, conta que a ideia surgiu durante uma dificuldade vivida pela esposa do idealizador do produto, “Uma dificuldade simples, porém, que necessitaria de uma solução rápida, ecológica, barata e que ninguém até o momento havia atinado para isso. A partir daí criamos vários protótipos e realizamos vários testes até definir o formato ideal”.

Engana-se quem pensa que fazer “xixi em pé” é um tabu para as mulheres, Rafael explica que o produto vem sendo muito bem recebido no meio feminino, “Temos um feedback muito positivo, tanto da ideia, da funcionalidade e eficácia, quanto da praticidade no uso, manuseio e armazenamento”, enfatiza o gerente afirmando que o produto tem sido bastante indicado também por obstetras.

A funcionalidade e eficácia do produto vai muito além da praticidade, a ideia é fazer com que a mulher não se exponha a algum risco de contrair doenças e infecções ao encostar em várias áreas de um banheiro público. Isto é, não somente ao assentar, mas também ao dar descarga, pegar na maçaneta, levantar ou abaixar a tampa do vaso sanitário e várias outras possibilidades.

Outro ponto ressaltado pelo gerente de marketing é da utilização por gestantes, pessoas com dificuldades fisioterápicas, utilização por laboratórios quando em exames de urina e, claro, não precisar fazer malabarismos para fazer um simples xixi.

As compras podem ser feitas online pelo site [email protected], ou pelo telefone: 994676790. Algumas farmácias de BH já vendem o produto e, em breve, a empresa listará lojas que fornecem o dispositivo. Acompanhe pela página do FACEBOOK.
Por: Bruna Dias

 

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Teste rápido de HIV, Hepatite B e C e Sífilis - Foto:Cristine Rochol / PMPA

O novo Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) será oficialmente inaugurado próximo ao carnaval, mas, já está funcionando. Destinado para diagnóstico e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), é possível realizar gratuitamente os exames para Hepatite B e C, Sífilis e HIV. O CTA fica localizado no 5º andar dos Centros de Saúde – Centro-Sul da Rua dos Carijós, 508, no centro da capital mineira.

O atendimento no CTA é totalmente sigiloso e tem como objetivo diagnosticar e aconselhar as pessoas sobre as dsts, independente do resultado do exame. Os testes demoram, em média, 45 minutos. Os exames são simples, basta um furo no dedo para coletar uma amostra de sangue para o diagnóstico de Hepatite B e C, Sífilis e HIV. O teste é seguro.

Segundo a coordenadora e farmacêutica do CTA, Rosangela Nascimento, as pessoas com resultados positivos são encaminhadas a um infectologista ou para suceder a exames complementares. “Daqui a pessoa é encaminhada para os serviços de referência. Às vezes, ela vai para a fila do serviço especializado, mas, é orientada até sair a consulta”, explica.

O número de DSTs aumentou nos últimos anos por falta da utilização de camisinha. Em 2016, o estado de Minas Gerais registrou 8027 casos de sífilis. Já em 2015, Boletim Epidemiológico Mineiro (BEM) informa que desde 2010 o número de casos de HIV crescem 10% ao ano. O diagnóstico antes da evolução de um vírus, pode proporcionar uma vida saudável mesmo com uma de qualquer doença.

O CTA começou a funcionar no dia 29 de dezembro e de acordo com Nascimento, como ainda não foi inaugurado, a procura está sendo mais baixa que os outros centros de testagem.  Porém, mesmo que o movimento esteja sendo baixo,ela diz que do dia 29 de dezembro até 17 de janeiro já atenderam quase 200 pessoas.

O horário de atendimento para coletagem é de 08 horas às 12 horas e de 13 horas às 16 horas, mas o CTA fica aberto até as 17 horas.

Texto: Amanda Eduarda

No mês de janeiro é comemorado o Dia do Farmacêutico. Para celebrar essa profissão que desempenha um papel fundamental na saúde da sociedade, o Jornal Contramão percorreu farmácias do centro de Belo Horizonte e conversou com a farmacêutica Isabelle Figueiredo Marques, 30, que há sete anos atua na área. Em em nosso bate papo, ela conta sobre o trabalho desempenhado pelo profissional da área.

Contramão: Como é a atuação do Farmacêutico que trabalha nas drogarias?

Isabelle Marques: Ela se baseia na orientação do paciente quando ele chega no balcão de uma drogaria ou farmácia. Estamos sempre ao lado do balconista, que está realizando o atendimento. Nosso papel é verificar as receitas, ver se as doses dos medicamentos estão adequadas, se a patologia (doença) está descrita, se a idade coincide com o paciente, se o remédio é adequado para ele ou para quem irá efetuar o consumo. Também verificamos se ele tem noção da sua correta utilização ou se utiliza outros medicamentos que possam ter contraindicação. Se não houver qualquer tipo desses quesitos, a dispensação (liberação do medicamento para o paciente) é realizada. Se ele tiver qualquer dúvida sobre o medicamento, resolvemos todas elas na hora. Efetuamos um visto dessa receita para ele estar ciente da dispensação. Liberamos esse paciente com o medicamento e com todas as informações necessárias para a sua adequada utilização.

Contramão: Como é realizada a capacitação do Farmacêutico?

Isabelle Marques: A maioria das faculdades capacitam os alunos que serão farmacêuticos. Além da faculdade, as empresas de grande porte também oferecem uma capacitação profissional para que a dispensação seja adequada. Quando o farmacêutico sai da faculdade, ele ainda não tem toda a informação prática necessária para atuar no mercado. É comum que as chamadas “farmácias de bairro” ainda peque na capacitação do profissional. Ele deve buscar, durante sua carreira, o maior número de informações para poder se capacitar cada vez mais. Temos a obrigação de ajudar com resolução de dúvidas e informações sobre patologias e formas adequadas na utilização dos medicamentos.

Contramão: Quais são as diferenças entre a farmácia de manipulação e as drogarias comuns?

Isabelle Marques: As farmácias de manipulação trabalham com a matéria-prima básica dos medicamentos e irão produzir conforme as necessidades de cada um dos pacientes. Por exemplo, se eu preciso de uma fluoxetina de 10 mg, mas minha mãe precisa de 22,5 mg, será na farmácia de manipulação que este medicamento será produzido. Nela, os profissionais irão manipular aquela quantidade específica que a pessoa precisa. Além disso, as drogarias vendem um número menor de medicamentos e possuem um menor número de opções de produtos controlados, em relação às farmácias de manipulação.

Contramão: Você acredita que os medicamentos produzidos no brasil são seguros?

Isabelle Marques: Definitivamente, não. Existem estudos fora do país que são muito superiores para pesquisarem esses medicamentos. Lá fora, vários remédios já foram suspensos e aqui no Brasil ainda existem alguns que continuam circulando. Por mais que exista uma instrução e uma orientação do farmacêutico, esses medicamentos ainda estão no mercado e as pessoas continuam consumindo cada um deles. (Nos Estados Unidos a pílula Diane 35 e a dipirona, comumente consumidas no Brasil, estão proibidas desde 2015).

Contramão: Quais os riscos da automedicação?

Isabelle Marques: Nosso papel é oferecer a medicação de forma responsável, em que os farmacêuticos serão instruídos para realizar orientações à população sobre os remédios referentes à cada patologia. Infelizmente a saúde pública no país é muito escassa. As pessoas que não tem acesso ao SUS ou à planos de saúde privados, recorrem às farmácias buscando soluções para as suas patologias. Tentamos ajudar dentro dos limites que existem na nossa atuação, oferecendo por exemplo, medicamentos que não precisam de prescrição. Tentamos trabalhar da melhor forma possível para ajudar o paciente. Mas é importante lembrar que o médico é o responsável pelo diagnóstico do paciente, enquanto que os farmacêuticos são os responsáveis por oferecer meios para o tratamento mais adequado à cada caso.

Contramão: Como é o controle de qualidade dos remédios produzidos no Brasil?

Isabelle Marques: Existem três tipos de medicamentos: referência, genéricos e similares. Este último já possui maior qualidade devido a uma lei que saiu em 2015 e exige que ele tenha o mesmo padrão de qualidade dos que são referências. Aqueles que passaram e foram aprovados por testes de bioequivalência e biodisponibilidade, possuem eficácia similar aos ditos de referência. Agora, esse tipo de medicamento (similar) são intercambiáveis. A lei provou que se você tiver uma prescrição de medicamento referência e não tiver condição de pagar por ele, se existir no mercado um similar autorizado pelo teste da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), ele pode ser trocado pelo outro. Nesses casos, fazemos a dispensação do medicamento similar. Isso prova que quando o paciente toma o medicamento, sua utilização terá efeito e sua qualidade será próxima ao referencial. Eles são praticamente iguais, senão a vigilância não autoriza a troca.

Contramão: Qual o recado que você passa como farmacêutica:

Isabelle Marques: Estamos aqui para ajudar a população. não queremos o consumo inconsciente dos medicamentos. É comprovado que a automedicação pode causar outras patologias, muitos casos de intoxicação e muitas vezes por medicamentos banais. Tá na dúvida, procure o farmacêutico. Existem várias farmácias no país inteiro e lugares que tem sua responsabilidade e sabem valorizar o papel do farmacêutico. As pessoas devem começar a enxergar com bons olhos o trabalho que realizamos. Os pacientes têm medo de conversar com seus médicos. É aconselhável que as pessoas procurem pelo nosso trabalho com antecedência, para tentarmos promover a melhor solução possível às suas patologias. Nosso papel é esse, promover a saúde e orientar, da melhor forma possível, os pacientes que nos procuram. Evitar que eles se desgastam com a compra equivocada de medicamentos.

Reportagem: Lucas D`Ambrosio

Arte: Isabela Castro e Laís Brina

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Direitos autorais: Nicoleta Ifrim-Ionescu

Concentrando 30% dos casos de sífilis em Minas Gerais, Belo Horizonte se encontra em estado alarmante diante do que pode se tornar uma epidemia. A doença, que é sexualmente transmissível, teve um aumento considerável de diagnósticos e não houve prevenção ou tratamento na mesma proporção. Dados liberados pelos infectologistas do Ministério Público revelam que somente na capital mineira, o número de casos saltou para 2.800, este ano, sendo que há seis anos eram apenas 5.

Segundo o órgão, o aumento representa um crescimento de 55, 900% e os casos recorrentes são aqueles transmitidos por relação sexual, transfusão de sangue e compartilhamento de agulhas e seringas contaminadas. Mas, são os casos em que a doença é transmitida de forma congênita, ou seja, de mãe para filho via placenta, e em gestantes que mais preocupam. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, somente os casos congênitos cresceram absurdamente, enquanto que em 2010 foram 107 casos, em 2016 passaram a ser 5.245.

Como medida de prevenção, o Ministério Público assinou três pactos para erradicação da doença na última década, mas sem sucesso. Outro agravante no que diz respeito a controlar a doença, ou até mesmo erradica-la, estão as ações de prevenção, já que a número de parceiros das gestantes que tratam a doença é baixo.

O Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) apresenta dados que mostram que dos 4.519 registros, apenas 1.201, ou seja, 26,57% casos de gestantes diagnosticadas com a doença tiveram parceiros que se trataram ao mesmo tempo em que elas. Para 32% a informação de tratamento conjunto não consta nas fichas de atendimento e em 41,3% não houve adesão. E as informações foram colhidas no período entre janeiro de 2015 e outubro de 2016.

Jordana Costa Lima, coordenadora de DST/Aids e Hepatites Virais da Secretária de Estado da Saúde de Minas Gerais, explica a importância da procura e aceitação do tratamento: “A sífilis é uma doença muito fácil de ser transmitida, mais até que a hepatite e o vírus HIV. Além disso, se a mulher se trata e o parceiro não, ela volta a ser reinfectada e começa um novo ciclo da doença”. Lima ressalta ainda que uma pessoa com sífilis é mais propícia a adquirir o vírus da Aids, já que um dos sintomas da doença são as feridas, o que aumenta a exposição ao HIV.

O casal se tratar em parceria implica em ter um bebê saudável.

Se o casal se tratar em parceria isso implica em ter um bebê saudável, já que quando não tratada, a doença transmitida via placenta, pode causar sérios problemas de saúde ao recém-nascido, como: pneumonia grave nos primeiros meses ou primeiros anos, microcefalia, anemia, fígado e baço aumentados. Ainda é importante ressaltar que alguns bebês que nascem com a doença não têm sintomas claros, por isso é importante que a criança faça o exame e em caso de resultado positivo, ela deve ficar internada por pelo menos 10 dias para que possa receber os medicamentos.

Prevenção

“O Estado de Minas Gerais distribui cerca de 30 milhões de preservativos por ano e intensificou o diagnóstico com a aplicação de testes rápidos”, destaca Lima que completa, “uma campanha de conscientização será iniciada pelo Ministério Público nos próximos dias, já que o sucesso do tratamento depende da fase da gestação e o estágio da infecção materna”, finalizou.

Fique atento! Abaixo os sintomas da doença em seus três graus: primário, secundário e terciário.

Quais são os sintomas da sífilis?

Os sintomas da sífilis variam conforme o estágio da doença e também de pessoa para pessoa, mas no começo podem ser bem leves e passar despercebidos. Por isso não é raro a pessoa só descobrir que tem a doença quando faz um exame.

No estágio inicial, conhecido como sífilis primária, surge uma (ou mais) ferida indolor e altamente contagiosa, com bordas elevadas, denominada cancro. A ferida pode ser arredondada, meio funda com as bordas mais altas. Ela surge no lugar em que houve a infecção (nos órgãos genitais, dentro da boca, na mão), normalmente cerca de três semanas depois do contato com a bactéria, mas às vezes antes ou depois disso — até três meses após a infecção.

Dependendo da posição do cancro, se ficar dentro da vagina ou da boca, ele acaba nem sendo notado. Esse tipo de ferida pode surgir também nos lábios vaginais, no períneo, no ânus e nos lábios. Podem aparecer ínguas (linfonodos aumentados) na área próxima ao cancro.
Sem tratamento, a ferida desaparece sozinha em até um mês e meio. O problema é que as bactérias responsáveis pela doença continuam se multiplicando no organismo, e entram na corrente sanguínea. Quando isso acontece, a doença passa para o próximo estágio, a sífilis secundária.
No estágio secundário, a sífilis pode apresentar vários sintomas, que aparecem semanas ou até meses depois do surgimento da ferida. Assim como os da sífilis primária, porém, eles podem passar despercebidos. A maioria das pessoas apresenta uma erupção de pele que não coça, principalmente na sola do pé e na palma da mão, mas às vezes em outros lugares do corpo.

Também podem surgir lesões na boca e na vagina, novas feridas indolores na área genital (que, assim como o cancro inicial, são muito contagiosas), sintomas parecidos com a gripe e queda de cabelo. Nesse estágio, a doença ainda é curável, se tratada. Sem tratamento, os sintomas costumam ir embora por conta própria em alguns meses, mas a doença permanece ativa. A bactéria continua se multiplicando nessa fase latente e pode causar problemas graves anos depois.

No chamado estágio terciário, a doença pode provocar anormalidades cardíacas, lesões nos ossos, na pele e em vários órgãos, e a pessoa pode morrer. Além disso, cerca de 20 por cento das pessoas com sífilis terciária apresentam a neurossífilis, ou seja, o sistema nervoso é afetado pela doença. Nos estágios finais, a neurossífilis pode causar convulsões, cegueira, surdez, demência, problemas na medula espinhal e a morte. A neurossífilis também pode surgir nos estágios anteriores, causando problemas como a meningite. Felizmente, a maioria das pessoas é diagnosticada antes disso e recebe o tratamento adequado para não chegar à sífilis terciária.

Fontes: Estado de Minas/ Baby Center

Por Ana Paula Tinoco

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Reprodução: Campanha Novembro Azul

Com o objetivo de quebrar barreiras e derrubar tabus que ainda existem na sociedade quando o assunto é câncer de próstata e tudo o que gira em torno da enfermidade, a  Campanha Novembro Azul vem para a conscientização. Urologistas tentam alertar para o fato de que a patologia está entre as três mais incidentes e para que esse quadro mude é preciso levar informação e passá-la adiante. Pois, a única barreira que há entre a prevenção e o diagnóstico: é o preconceito.

Os dados apresentados pela Coalização Internacional para o Câncer de Próstata, o IPCC, são alarmantes. Eles mostram que 47% dos homens descobrem a doença em estágio avançado e desconhecem seus sintomas e são 1,1 milhão de homens afetados pela doença e 307 mil mortes no mundo, sendo que apenas no Brasil estima-se um total de 61.200 casos.

Diante desses dados a Campanha tem como principal foco alertar a sociedade da necessidade da prevenção, assim como o de um diagnóstico precoce, já que o sucesso do tratamento depende do estágio em que a doença foi diagnosticada. De acordo com Leonardo Pimentel, radio-oncologista da Radiocare quando a enfermidade é descoberta cedo, as chances de cura são muito altas, podendo chegar a mais de 90%.

Ainda segundo Pimentel a idade ideal para que os homens deem início aos exames periódicos variam de acordo com vários fatores: histórico familiar de câncer de próstata, 45 anos, ou que possuam mais de um parente de primeiro grau diagnosticado, 40 anos. Mas para os homens que não se enquadram nos grupos de maior risco, a idade para dar início aos exames anuais é de 50 anos.

Os médicos atentam para o fato de que o câncer de próstata é uma doença silenciosa, como explica o professor e urologista adjunto da Faculdade de Medicina da UFMG Bruno Mello: “Existem exames que podem ser realizados em pessoas que não possuam indícios ou sintoma da doença, os exames de rastreamento. Como o câncer de próstata usualmente só causa sintomas quando em estágio avançado, somente a prevenção pode detectar a doença de forma mais precoce”, finaliza.

Em 2014, a Lei 13.045 foi aprovada. Ela garante que o exame de próstata seja feito pelo SUS.

Para mais informações visite o site do INCA.

Por Ana Paula Tinoco

Com o intuito de criar uma rede de discussões sobre o consumo de crack na cidade de Belo Horizonte, a Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP/MG) promoveu uma roda de conversas entre alunos, docentes, jornalistas e especialistas para debater o tema. O evento, Incursões no Território: uso de crack e práticas de cuidado, foi realizado na tarde de quinta feira, 06, no auditório da sede da escola que fica na avenida Augusto de Lima, 2061, no Barro Preto.

O objetivo do evento é criar um diálogo sobre a vida, o uso do crack e sobre os cuidados do Sistema Único de Saúde (SUS). Além de alunos e docentes, contou com a participação de especialistas e representantes de instituições ligadas à questão que envolve a saúde pública de BH.

Dentre os presentes,  o jornalista e autor do livro Que Ascenda a Primeira Pedra – Ecos da Cracolândia de Belo Horizonte, Luiz Guilherme de Almeida, 28, foi convidado a contar sobre sua vivência e experiência que originou o seu trabalho. Especializado em grandes reportagens e matérias investigativas, ele relatou sobre o processo de criação do material que originou o livro.

“O livro partiu de uma necessidade própria e da vontade de trazer uma alternativa de narrativa. Algo diferente, uma opção diversa daquela que sempre é oferecida pelos meios de comunicação.”, explica. A ideia de abordar o tema surgiu quando Luiz de Almeida iniciou na graduação de comunicação social. Após dois anos de estudos, pesquisas e preparação, iniciou sua imersão em campo que durou outros dois anos de trabalho.

Neste período, o jornalista se empenhou em conseguir acessar os usuários de crack que vivem em situação de rua na cidade de Belo Horizonte. Alternando entre o dia, noite e madrugada, ele destacou a ajuda que teve de projetos sociais para conseguir conhecer as pessoas e desvendar as histórias particulares de cada uma delas, considerando como um  “trabalho de retalhos”.

Para ele, algumas discussões são fundamentais para o tema, “as pessoas tem que entender é que a desintoxicação do usuário é apenas um dos passos necessários para trazer de volta essa pessoa ao convívio social. Ali existe um ser humano. Vai além da questão da dependência química e falhamos em entender que seja somente isso.”.

Outro fator que o jornalista defende é o incômodo gerado pelas pessoas que consomem o crack à vista da sociedade, “a gente só fala do crack pelo fato das pessoas estarem consumindo de forma exposta. Se essas pessoas estivessem nas favelas, isso não incomodaria e não existiria o debate sobre o tema.”, finaliza.  

Medidas Públicas contra o consumo do crack

De acordo com dados publicados pela Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), 370 mil pessoas fazem o uso constante do crack no Brasil, isso até o ano de 2013. Em Belo Horizonte, esse número é de 5 mil, sendo a maioria de mulheres, dentre elas, crianças.

A psicóloga Ana Regina Machado, 47, representante do Núcleo de Redes de Atenção à Saúde (ESP/MG), conta que a iniciativa da roda de conversa surgiu com a publicação do livro do jornalista Luiz Guilherme de Almeida. “Temos aqui na escola um núcleo que trabalha com saúde mental. A partir disso, criamos o debate para pensar em soluções que o Sistema Único de Saúde (SUS) tem utilizado para fazer uma abordagem no campo da saúde, em relação a essas pessoas que estão na rua e são usuárias de droga, utilizando do trabalho de observação realizado por Almeida.”, comentou.

O tema, de acordo com a psicóloga, é abordado com alarmismo pela sociedade e pela mídia. Ainda ressalta que o uso do crack é prejudicial mas que existem outras drogas que também trazem prejuízos e danos aos seus usuários mas que não são abordados da mesma maneira por eles.

Rita Espindola, 52, psicóloga e docente da ESP/MG, destaca a importância da realização de um evento como esse. Ela integra uma equipe de profissionais da saúde que vão às ruas da cidade de Belo Horizonte para mapear, conhecer e identificar os locais e as pessoas que fazem a utilização do crack, integrando a ferramenta conhecida por “Consultório da Rua”.

“É necessário desconstruir a imagem do crack. Existem fatores que vão além do consumo dessa droga. São fatores sociais, fatores psicológicos, biológicos e familiares que existem. O crack é muito utilizado com o álcool que, apesar de ser uma droga lícita, se misturado acaba se tornando extremamente prejudicial”, comentou Espíndola.

De acordo com a docente, o mais importante do consultório é a possibilidade de conhecer e poder ouvir as pessoas que se encontram nessa situação. “O que menos nos interessa é a droga. Na verdade, o que buscamos, é a vida que está ali, na rua, fazendo o consumo dessas substâncias. Esse sujeito é quem vai nortear o que pode ser construído para transformar sua própria realidade”.

Fotografia e Reportagem: Lucas D’Ambrosio