TBT

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Glee (FOX) Season 2, 2010-2011 Shown: Naya Rivera

Por Daniela Reis

A atriz e cantora Naya Rivera foi encontrada morta no dia 13 de julho de 2020. Ela estava desaparecida desde o dia 08 daquele mês, após pular de um barco no lago Piru, na Califórnia. O filho dela, a época com 4 anos, foi encontrado sozinho na embarcação com boas condições de saúde. Na época, o menino disse as autoridades que viu quando a mãe afundou na água.

As autoridades criaram uma força tarefa para as buscas de Naya, foram cinco dias de trabalhos incessantes acompanhados pela família da atriz. De acordo com as investigações, ela teria ajudado o filho a subir no barco antes de desaparecer. Durante as investigações, a polícia local já acreditava que Naya teria sido vítima de afogamento acidental, fato confirmado após a autópsia do corpo.

A trajetória de Naya Rivera 

A atriz americana nasceu em janeiro de 1987 na Califórnia e começou a atuar ainda bebê. Seu primeiro trabalho de destaque foi aos 4 anos na comédia da CBS “The Royal Family”.

Ela também fez participações especiais em vários programas, incluindo “Um Maluco no Pedaço”, “Baywatch” e “CSI: Miami”.

O auge da carreira foi na série “Glee”, quando Naya interpretou Santana Lopez, uma líder de torcida, e apareceu em mais de cem episódios. O musical de sucesso foi transmitido de 2009 a 2015, mas Naya saiu da produção em 2014.

Ela também era modelo e tinha uma carreira como cantora. Naya lançou o single “Sorry” com participação de Big Sean em 2013.

Outras tragédia que marcaram o elenco de Glee

No dia 30 de janeiro de 2018, Mark Salling, que deu vida ao personagem Noah Puckermann, foi encontrado morto. O ator cometeu suicídio aos 35 anos, após se declarar culpado pela posse de imagens de pornografia infantil. Mark foi preso em 2015 e em 2017 ele conseguiu um acordo de até sete anos de prisão, mas poderia ficar sob a supervisão da justiça durante toda a vida. O corpo foi encontrado em um rio e a causa foi enforcamento.

Ator da série Glee Mark Salling

No dia 13 de julho de 2013, Cory Monteith, de 31 anos, foi encontrado morto em um quarto do hotel Pacific Rim, em Vancouver, no Canadá. Alguns dias depois, a polícia confirmou que a causa da morte foi uma overdose, após o ator misturar álcool e heroína. Em Glee, Cory Monteith interpretou Finn Hudson. Na série, o personagem também morreu e ganhou um episódio em sua homenagem.

Ator de Glee Cory Monteith

 

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Por Daniela Reis 

Há 11 anos o nome do goleiro Bruno Fernandes e da modelo Eliza Samúdio estamparam as manchetes dos jornais em todo o país. O desaparecimento da jovem julgou e condenou culpados, porém mesmo após tanto tempo ainda paira no ar a pergunta: Onde está o corpo de Eliza Samúdio? 

As investigações e os depoimentos de testemunhas e envolvidos levaram à prisão o goleiro e os cúmplices Macarrão e Bola além da emissão de uma certidão de óbito, mesmo sem a principal prova do crime, o cadáver da mulher. Esse documento atesta que ela foi morta por esganadura no município de Vespasiano, localizado na região metropolitana de BH. 

Relembre

A modelo Eliza Samudio tinha 25 anos quando desapareceu misteriosamente em junho de 2010. A jovem passava por uma fase turbulenta devido a uma disputa por pensão alimentícia do filho com o goleiro Bruno Fernandes, do Flamengo. De acordo com a Justiça, ela foi levada à força do Rio de Janeiro por Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, amigo de Bruno, para um sítio do goleiro, em Esmeraldas (MG), onde foi mantida em cárcere privado junto com o filho bebê. 

Na noite de 10 de junho de 2010, Eliza foi levada para a casa do ex-PM Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola. A investigação policial concluiu que a modelo foi espancada e asfixiada até a morte.

Bruno ainda nega participação na morte da ex-amante. “Não mandei matar ninguém”. 

Após uma intensa investigação policial, além de buscas fracassadas pelo corpo de Eliza e a fase processual, os réus foram levados a júri popular no Fórum de Contagem, na Grande Belo Horizonte. 

Desfechos 

Bruno foi condenado, em 2013, por sequestro, ocultação de cadáver e por ser o mandante da morte de Eliza. A pena inicial era de 22 anos e três meses de prisão. Anos depois, o jogador de futebol teve a pena reduzida pela Justiça para 20 anos e nove meses. 

Dayanne Rodrigues, ex-mulher de Bruno, foi julgada ao lado do goleiro, mas absolvida por quatro votos a três pelo júri popular pela acusação de participação no sequestro e cárcere privado de Eliza. 

Macarrão foi condenado a 15 anos de prisão por envolvimento no crime, mas já cumpre a pena em regime semiaberto

Bola foi condenado a 22 anos de prisão no caso da morte da ex-namorada do goleiro Bruno. Atualmente, ele trabalha durante o dia e volta para a Casa de Custódia de Polícia Civil, em Belo Horizonte, para dormir. Em março de 2020, o detento foi autorizado a ir para o regime domiciliar devido ao risco de contaminação pelo novo coronavírus no sistema prisional. A medida vale por 90 dias. Em 2016, o ex-PM foi condenado a 12 anos de prisão pela morte do carcereiro Rogério Martins Novelo, ocorrida em 2000, na cidade de Contagem

Fernanda Gomes Castro, ex-namorada de Bruno, também foi condenada por participação no sequestro e cárcere privado da modelo. Ela foi sentenciada a cinco anos de prisão em regime aberto. Em 2013, Fernanda foi aprovada em vestibular para o curso de Direito, mudou o visual e começou a trabalhar em um escritório.

Hoje, o goleiro Bruno mantém os treinamentos para voltar ao futebol, seu grande objetivo. Em 2020, Bruno esteve perto de assinar contrato com o Fluminense de Feira (BA) e o Operário (MT). No entanto, ambos os clubes desistiram da contratação. Bruno não se abala com a opinião popular sobre a participação dele na morte da modelo. Atualmente, ele cumpre pena em regime semiaberto e tenta voltar ao futebol.

Bruninho, filho do relacionamento do goleiro com Eliza Samudio, está com 11 anos. Atualmente, o garoto vive com a avó materna, em Campo Grande (MS). A mãe da modelo, Sônia, ainda luta para saber o que houve com a filha e descobrir o paradeiro do corpo. O menino não tem contato com o pai. 

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Por Daniela Reis 

O TBT de hoje é uma grande conquista para os casais homoafetivos do mundo e vem para fechar a última quinta-feira do mês do Orgulho Gay.

No dia 26 de junho de 2016, a Suprema Corte dos Estados Unidos aprovava, em decisão histórica, a união de pessoas do mesmo sexo em todo o país. Naquela época 13 estados ainda proibiam o casamento gay, mas a votação de cinco votos contra quatro determinou a sentença para todos os 50 estados americanos.

A luta dos movimentos LGBT para oficializar o casamento entre pessoas do mesmo sexo já perdurava por mais de 40 anos. Em 1971, a Suprema Corte recebeu pela primeira vez um caso do tipo por parte de um casal homossexual de Minnesota. Em 1996, o Congresso americano aprovou a lei – depois assinada pelo então presidente Bill Clinton – da Defesa do Casamento, que proibia o reconhecimento federal de casamentos entre pessoas do mesmo sexo. O Estado de Massachusetts se tornou em 2004 o primeiro do país a legalizar o casamento homossexual.

A decisão

Os juízes tinham que considerar se os estados americanos seriam constitucionalmente obrigados ou não a emitir licenças matrimoniais e a reconhecer casamentos gays realizados fora das fronteiras estaduais.

Até então, a Lei de Defesa do Casamento impedia o governo federal de reconhecer casamentos de pessoas do mesmo sexo. Esses casais eram proibidos, por exemplo, de desfrutar de benefícios de programas federais, como pensões públicas e outros benefícios sociais, se seus parceiros morressem.

Comemoração entre famosos

Barack Obama, presidente dos EUA, no Twitter: “Casais de gays e lésbicas têm agora o direito de se casar, como todas as outras pessoas. #Oamorvence”.

Ellen DeGeneres, humorista e apresentadora, no Twitter: “O amor venceu. #Igualdadeparacasamentos”.

Hillary Clinton, pré-candidata democrata à presidência dos EUA, no Twitter: “Nosso novo mapa favorito. Dá RT se você mora em um estado em que o casamento gay é lei”. [No post, havia uma mapa dos EUA em que todos os estados são indicados como favoráveis ao casamento gay.]

J.K. Rowling, escritora conhecida por “Harry Potter”, no Twitter: “Uau. Mais um dia histórico para #IgualdadeParaCasamentos”.

Mark Zuckerberg, criador do Facebook, no Facebook: “Nosso país foi fundado sob a promessa de que todas as pessoas são criadas igualmente, e hoje nós demos mais um passo na direção de cumprir essa promessa. Estou muito feliz por meus amigos e todos da nossa comunidade que finalmente podem celebrar seu amor e ser reconhecidos como um casal perante a lei. Ainda temos muito o que fazer para atingir a igualdade total para todos em nossa comunidade, mas estamos caminhando na direção certa”.

Matt Bomer, ator assumidamente homossexual, no Twitter: “#Oamorvence. Hoje aconteceu um gigantesco passo adiante para o nosso país, e para minha família. Estou tão grato e feliz!”.

Mia Farrow, atriz, no Twitter: “Estou aqui sentada e chorando, e eu nem tenho uma mulher incrível com quem me casar. Ainda. Mas eu estou TÃO feliz por todos. E orgulhosa dos EUA #Igualdade”.

Shonda Rhimes, criadora de séries como ‘Grey’s anatomy’, no Twitter: “Igualdadeparacasamentos!!! Um passo gigante para que nosso país seja um lugar melhor para se viver”.

Neil Patrick Harris, ator de “How I met your mother”, no Twitter:
“É um novo dia. Obrigado à Suprema Corte. Obrigado ao juiz Kennedy. Sua opinião foi intensa, em mais formas do que você sabe”.

Cyndi Lauper, cantora, no Twitter:
“E sim! O amor vence! Obrigada”

Ricky Martin, cantor, no Twitter:
“URGENTE! Acaba de ser anunciada a igualdade para casamentos neste país”

Anna Kendrick, atriz, no Twitter:
“Hoje é lindo”

Tim Cook, CEO da Apple, no Twitter:
“Hoje marca uma vitória para a igualdade, perseverança e amor. As pessoas que são loucas o suficiente para achar que podem mudar o mundo são aquelas que mudam”

Michael Moore, cineasta, no Twitter:
“NUNCA MAIS vamos chamar de ‘casamento gay’. Agora chamamos de ‘casamento’.”

 

Revisão: Bianca Morais

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Por Bianca Morais 

Há dois anos, no dia 16 de junho de 2019, um domingo, o marido da deputada federal Flordelis (PSD), o pastor Anderson do Carmo de Souza, foi morto a tiros em sua residência, em Pendotiba, Niterói. No primeiro momento, a polícia iniciou a investigação como um latrocínio, roubo seguido de morte.

Naquela madrugada, logo após ser alvejado, Anderson foi levado ao  hospital por familiares, mas não resistiu aos ferimentos. Até então,  o assessor da deputada dava nota à imprensa afirmando que ela estava muito abalada. 

A nota dizia:

“A família Flordelis, com dor, comunica o falecimento repentino do Pastor Anderson do Carmo, um servo de Jesus Cristo. A deputada Flordelis, muito abalada, ainda não tem como se pronunciar. Neste momento, apertamos as mãos de Deus e imploramos o conforto Dele. O Pastor Anderson estava cumprindo um ministério maravilhoso de redenção de almas, em uma luta diária para evitar que o ódio continue a ceifar vidas por falta de Deus no coração dos seres humanos. Hoje é um domingo muito triste, muito triste em nossas vidas”.

Flordelis estava com o marido no momento do crime,  os dois voltavam de uma confraternização, ao chegar e já dentro da casa, Anderson voltou à garagem para buscar algo, momento em que foi baleado. De acordo com a esposa, ela ouviu os tiros. Testemunhas relataram à PM que a deputada teve a sensação de estar sendo seguida por duas motos durante a volta do evento. 

Reviravolta

Após a liberação do  laudo do IML, que informou que o pastor havia levado 30 tiros, os investigadores passaram a desacreditar na versão do crime de latrocínio e que quem atirou em Anderson, fez com o propósito de matá-lo. As câmeras de segurança da casa da família não mostraram ninguém diferente entrando ou saindo do local, o que levantou a questão de que alguém de dentro efetuou os disparos. 

No dia do enterro, o filho de Flordelis foi preso e segundo a polícia ele tinha um mandado de prisão em aberto por violência doméstica. 

Quatro dias após a morte de Anderson, o filho de Flordelis, Flávio dos Santos, deu seu depoimento à Polícia Civil e admitiu ter sido ele quem disparou seis tiros contra o padrasto. Ele ainda afirmou que o irmão, Lucas do Santos, o teria ajudado a conseguir as armas. Os dois foram presos.

A versão dos irmãos fugiu um pouco do laudo do IML e cabia à investigação descobrir o que motivou aquela atrocidade.

Os dois filhos da deputada foram denunciados pelo Ministério Público do Rio, pelo assassinato de Anderson, eles foram acusados de homicídio qualificado com pena prevista de 12 a 30 anos.

De viúva a vilã

Depois de prender os irmãos iniciou-se uma segunda fase das investigações, nela todo o contexto familiar seria investigado. Isso porque Flordelis e o falecido marido, tinham uma família grande, com 55 filhos adotados, até então todos seriam suspeitos.

A cada depoimento prestado, a deputada caia em contradição. Em um primeiro ela dizia que dormia e acordou com tiros, como moravam perto de uma comunidade e sempre escutava os barulhos voltou a dormir, minutos depois foi acordada por gritos dentro de sua casa e foi quando encontrou o esposo morto. 

Ainda neste depoimento, ela se contradiz, ao dizer que tinha saído com o Anderson e ao retornar para casa, entrou primeiro e depois ouviu os tiros vindo da garagem.

Novas revelações feitas por um dos filhos, fizeram a polícia desconfiar cada vez mais da participação da esposa na morte do marido. Segundo ele, a mãe e três irmãs colocavam veneno na comida de Anderson, e por isso, o homem sofria de muitos problemas de saúde. O mesmo garoto também afirmou que o irmão recebeu 10 mil reais para matar o pastor.

Nesse depoimento, um filho, que não foi identificado, afirmou que na noite do crime, viu o irmão Flávio, ao lado do corpo ensanguentado e recolhendo o telefone do pastor que foi entregue à mãe. Celular inclusive de grande importância para a investigação e que nunca foi encontrado. 

Cerca de um mês depois do crime, o inquérito concluiu que o pastor foi morto por questões financeiras e poder na família, e que a deputada federal Flordelis, foi a mandante do crime, porém não pode ser presa devido sua imunidade parlamentar. A mulher também foi responsável por fraudar uma carta em que um de seus filhos confessou ter matado Anderson a mando de um dos irmãos.

A operação contra a família de Flordelis, ficou conhecida como “Lucas 12” e na época do crime chegou a prender diversos membros da família por participação, entre eles: Marzy Teixeira da Silva (filha adotiva) e Simone dos Santos Rodrigues (filha biológica), como participantes no envenenamento; André Luiz de Oliveira (filho adotivo) ex-marido de Simone, foi flagrado em conversas com Flordelis combinando o envenenamento; Carlos Ubiraci Francisco Silva (filho adotivo) por participação no planejamento da morte;

Adriano dos Santos (filho biológico) auxiliou no episódio da carta falsa; Andreia Santos Maia (mulher do ex-policial Marcos) auxiliou no episódio da carta falsa; Rayane dos Santos Oliveira (neta) buscou por assassinos para as tentativas anteriores; Marcos Siqueira (ex-policial) auxiliou no episódio da carta falsa; além de Flávio autor dos tiros, Lucas por participação e a mãe Flordelis dos Santos como mentora do crime.

No dia 8 deste mês, o Conselho de Ética da Câmara, decidiu por 16 votos a 1 cassar o mandato da deputada Flordelis, mas é o plenário da Casa que dará o resultado final, para que ela perca o mandato são necessários 257 votos.

Flordelis hoje anda com tornozeleira eletrônica e responde por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e de recurso que impossibilitou a defesa da vítima), tentativa de homicídio, uso de documento falso e associação criminosa armada. 

 

Edição: Daniela Reis

 

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Por Keven Souza

Há uma grande questão no Brasil que é o impacto da violência na vida de pessoas que utilizam o transporte público. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), até setembro de 2019, uma pessoa foi assaltada dentro do ônibus a cada 33 minutos na capital carioca. 

E o nosso TBT de hoje é de um caso desse tipo de violência que aconteceu há vinte anos e foi manchete em todo Brasil e também no cenário internacional. O famoso e trágico sequestro do ônibus 174, na cidade do Rio de Janeiro. 

Na tarde do dia 12 de junho de 2000, o jovem Sandro Barbosa do Nascimento protagonizou o sequestro de dez reféns na linha 174, rota para Gávea-Central. O indivíduo, que usava roupas simples, embarcou no bairro Jardim Botânico com a finalidade de efetuar um assalto

Às 14h20min, com ação motivada por sinal de um dos passageiros, uma patrulha da Polícia Militar interceptou o veículo e a partir daquela operação o pânico já havia se instalado. Sem ter para onde fugir, Sandro fez passageiras de reféns, com o intuito de chamar a atenção da mídia e negociar a preservação da sua vida junto aos policiais. 

O sequestrador que naquela altura  estava sob vários holofotes da mídia e com transmissões ao vivo pela televisão, utilizou a estudante Janaína Lopes Neves, 23 anos, como porta-voz e escudo dentro do coletivo.  Ali apontou a arma na cabeça da vítima e a fez escrever nas janelas, com batom, frases como: “Ele vai matar geral às seis horas” e “ele tem pacto com o diabo”. 

Após horas de tensão dentro do veículo, aproximadamente às seis da tarde, o assaltante decidiu sair do ônibus usando a professora Geísa Firmo Gonçalves como escudo. Ao descer, um policial do Grupamento de intervenção tática, obteve uma ação precipitada, que almejou pará-lo com uma submetralhadora, acabou errando o tiro e acertou a refém de raspão no queixo. Tendo em vista a confusão, a moça de 20 anos levou outros 3 disparos nas costas promovidos por Sandro, e acabou falecendo.

Resultado do sequestro

A situação ao todo durou cerca de cinco horas consecutivas, e Sandro por sua vez foi morto por asfixia mecânica, quando cinco policiais militares tentaram imobilizá-lo no camburão que seguia rumo ao Hospital Souza Aguiar. Após alegações de que sua morte foi ocasional por parte da familia, os policiais responsáveis pelo óbito de Sandro foram levados a julgamento por assassinato e foram declarados inocentes. 

O caso do ônibus 174, desencadeou uma série de ações, iniciativas, eventos e mobilizações por partes civis e da população carioca. A sociedade, na época, se mobilizou em algumas passeatas, uma delas realizada pela organização não-governamental (ONG) Viva Rio, que promoveu um calendário de manifestações a partir do slogan “Basta! Eu quero paz!”.

É notável o esforço da prefeitura do Rio de Janeiro, na troca da linha, visto que no ano seguinte (2001), a linha 174 mudou de número para 158 e no ano de 2016, para Troncal 5. O objetivo talvez seja fazer com que a linha inicial do coletivo não desencadeasse, na sociedade, lembranças daquele episódio violento que foi o sequestro do ônibus 174.

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Créditos: Luís Alfredo - Revista O Cruzeiro

Por Dani Reis

Você já ouviu falar sobre o holocausto brasileiro? Ele aconteceu aqui em Minas Gerais, precisamente na cidade de Barbacena, entre os anos de 1930 e 1980. O mesmo intitulou um livro, lançado em 2013 e que já vendeu mais de 250 mil exemplares. Esses episódios que aconteceram em terras mineiras, precisamente dentro do Hospital Colônia de Barbacena, também foram pautas para documentários e objetos de muitas pesquisas relacionadas ao tratamento de pessoas com transtornos mentais.

Calcula-se que cerca de 60 mil brasileiros morreram, ou foram mortos sob tortura, choques intensos e banhos gelados. O nome holocausto se deu, pois a instituição de saúde poderia ser comparada aos campos de concentração e extermínio. Os pacientes eram enviados para o hospital à força, mas suspeita-se que cerca de 70% não possuía sequer algum tipo de doença mental. O local abrigava crianças abandonadas pelos pais, portadores de deficiências físicas, mulheres adulteras e até criminosos.

A imagem que ilustra nosso TBT de hoje é do fotógrafo Luis Alfredo, da Revista O Cruzeiro. Ele foi o primeiro a divulgar as atrocidades que aconteciam dentro do hospital. Eram diferentes tipos de tortura, os pacientes passavam frio, fome, nem vestimentas eram fornecidas, os mesmos circulavam pelas dependências, praticamente nus.

O Hospital Colônia foi fechado no final dos anos 80. Dentre os que sobreviveram durante e depois, adicionando os que fugiram, soma-se um total de 200 pessoas.

Em memória daqueles que foram exterminados na Colônia Barbacena, no mesmo local, foi aberto o Museu da Loucura em 1996. As barbáries cometidas por detrás das paredes do local foram crimes institucionalizados, tendo o Estado como o responsável. Contudo, nunca houve uma reparação formal, nem mesmo com os que sobreviveram, apenas um fechar de olhos permanente, um desviar de atenção para a nossa história. O trem da loucura tinha lugar certo para parar, mas as cicatrizes dessa viagem mal assombrada vão além da pele, estão esculpidas na alma.

 

*Revisão: Bianca Morais