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Por Bianca Morais

Matizar: Fazer passar gradualmente de um matiz a outro: a arte de matizar as cores.

Em busca de uma palavra que remetesse a mistura, a banda que não tem um estilo fixo, nomeou-se Matiza, sinônimo de misturado.

Com formação atual de Eduardo Maia (vocal), Bruno de Maria (vocal e guitarra), Pedro Martins (baixo e vocal), Lucca Azevedo (guitarra) e Flávio Marcos, o batata (bateria e percussão), a banda define seu som como pop progressivo, um derivado do rock progressivo, o prog.

Para conhecimento geral, o Batata tem esse apelido porque a irmã dele tinha apelido de batata e antes dela o irmão dele teve apelido de batata, e antes dele a outra irmã teve apelido de batata. Todos estudaram no mesmo colégio e o apelido é de família.

Não só Batata tem nesse almanaque, mas segura mais um pouco que lá na banda Daparte aparece um Cebola. Só continuar lendo.

Agora, se assim como eu, você nunca havia ouvido falar desse gênero, e achava que prog era algo relacionado a eletrônica, deixa eu te explicar um pouco sobre.

O progressivo é um estilo de música que surge quando o artista mistura muitos estilos. Tem a ver com a ideia de pegar coisas e tentar juntar de forma a criar algo novo, independente. É como se fosse um rock alternativo, se assim ficar mais fácil para você entender. Porém, como a banda anda bem distante do rock e não tem muita guitarra distorcida. Não dá para classificá-la dentro do rock e seus subgêneros, por isso se enquadram numa pegada mais pop.

O principal compositor da banda, o Bruno, carrega consigo grande influência do MPB. Inclusive, ele tem um projeto solo de Bossa Nova. Escutem Samba da Bahia, nas plataformas de streaming. Os arranjos e melodias bases elaborados pelos outros integrantes da banda seguem influências de todos os lugares que já passaram e músicas que escutaram.

Quando você escutar Matiza, o termo progressivo irá vir a sua cabeça de primeira, porque a sonoridade deles remete a muita coisa que provavelmente você já ouviu durante sua vida, mas ao mesmo tempo consegue ser bem diferente.

É, não dá para explicar muito além disso, mas dificilmente uma banda consegue classificar e enquadrar o seu gênero dentro de um só, de primeira.

Pode ser que você diga que te lembram 5 a Seco ou Jorge Vercillo. Alguns arriscam que os vocais das músicas, principalmente do primeiro EP, que tem muito vocal com três ou quatro pessoas cantando ao mesmo tempo, relembra a música mineira de antigamente, aquele MPB do Clube da Esquina e Milton Nascimento. De mineiro também são comparados a 14bis.

Se assemelham a banda britânica Yes por conta do rock progressivo.

Agora, para finalizar essa classificação das influências, segundo o baixista Pedro, se Incubus fosse mineiro, seriam iguais a eles.

Enfim, depois que você escutar e chegar a alguma conclusão, conta para eles que irão adorar saber.

Comparações a parte, a banda é uma mistura de influências que cada integrante traz em sua bagagem. Tem Tame Impala e Avenged Sevenfold (principalmente nas guitarras e solos) vindos do Bruno e do Lucca. Tem Pink Floyd e Boogarins do Batata, tem o soul e o black music vindos do Pedro e o Dudu gosta de música nordestina.

A banda nasceu em 2017, logo após um encontro por coincidência entre os amigos Bruno e Edu (mais uma para a série: “BH é um ovo”).

O Bruno tocava em uma banda cover de Avenged Sevenfold e o Edu foi assistir. Depois do show foram conversar e ali resolveram fazer uma banda de música autoral. Sem mais delongas, foi isso.

A banda começou a ensaiar em agosto daquele ano e fizeram seu primeiro show em outubro de 2017, em uma sexta-feira 13. Data meramente ilustrativa, nenhum azar tiveram, apenas o de não conseguir tocar um repertório 100% autoral. Atire a primeira pedra uma banda que nunca tocou um cover para vender show.

Mas nem os covers deles são normais, eles colocam a parada do progressivo até nisso.

Depois do primeiro show como Matiza e tocando cover, as composições já estavam a todo vapor. Dali para frente, aos poucos foram conseguindo encaixar o autoral no repertório.

Pedro e Batata ainda não estavam na banda, nessa época seus lugares pertenciam ao Vitão no baixo e Vivi na bateria.

O Vitão precisou sair por problemas pessoais e por indicação de um amigo em comum, o Pedro entrou na banda.

O primeiro contato do Batata com os meninos foi em um festa de Halloween da engenharia elétrica da UFMG. Batata, já formado, estava ajudando seus calouros a organizar a festa. Foi então que chegou uma banda com o instrumentos na mão e perguntaram:

“Quem vai montar o palco para nós?” (Caso não tenham pegado, a banda era a Matiza)

O Batata olhou para seus calouros, seus calouros olharam para ele e rolou um “ferrou”.

Porém os olhos de Batata era apenas para assustar os garotos, já que ele é engenheiro de áudio e manja tudo do assunto.

Foi lá, arrumou o palco, regulou o som durante o show, sucesso.

Ali a banda conheceu quem seria seu futuro baterista quando o Vivi precisou se mudar para São Paulo a trabalho.

Em determinado momento da trajetória, sentindo falta de mais som, chamaram o Lucca para ser o segundo guitarrista.

Desde o começo até hoje muita coisa mudou, a banda foi criando mais familiaridade com seu som e cada dia mais levando o projeto com mais seriedade. Se antes era tudo festa, hoje ainda é festa, só que também é trabalho, e muito trabalho. Se no início a grana de cachê era repartida igualmente para os membros, hoje eles que lutem porque toda grana que fazem vai diretamente para o caixa da banda que é usado para produzir, lançar música e fazer marketing digital. A seriedade com que levam a banda é algo que mudou muito ao longo do tempo.

Ainda em busca de saber qual é o público alvo da banda, trabalham com anúncios de Facebook ads e no Instagram. Procuram direcionar as músicas para os mais diferentes grupos, analisando como esse público responde aos anúncios, aos vídeos e buscando resultado para entender quem gosta do conteúdo.

Assim como a Chico e o Mar, a Matiza também conta com o apoio de uma distribuidora de música, a Distrokid. Hoje tudo é online e o Spotify e Deezer, por exemplo, são a melhor maneira de divulgar seu trabalho. Essas empresas tomaram o papel das gravadoras e o contrato que antes se fazia com elas, pode ser feito agora com as distribuidoras que colocam suas músicas na plataforma de streaming. Dentro do mundo musical, existem rumores de que em um futuro bem próximo, até mesmo essa distribuição deixará de existir e as bandas terão contrato direto com os streamings.

Atualmente, poucas são as bandas independentes que realmente almejam tocar nas rádios, porque se tornou algo muito difícil de se atingir, principalmente se você parar para escutar as músicas que são tocadas em rádio. Existe uma determinada fórmula, músicas com menos de 3 minutos, refrãos mais simples e fáceis de decorar.

A Matiza é um exemplo de banda que resolveu por não se adequar ao mercado da música comercial. Quando você escuta um som deles, entende de cara o motivo disso. Eles contam com muitos elementos específicos; tem dueto, solo de guitarra, de baixo. Mesmo sabendo que isso não deixa a música atrativa aos olhos comerciais, os meninos preferem fazer a música deles, lançar do jeito que ela é, do jeito que gostam e depois descobrirem quem vai querer ouvir.

Aconteceu isso com o último lançamento da banda, Noite em BH.

“E nós em paz, a noite em BH

Sobe-desce Bahia

De amores que eu vivi”

Inicialmente, a ideia era fazer um pop palatável, que cairia na graça do povo, quem sabe das rádios (indo contra seus princípios). Não demorou muito para a banda ver que não era o que queriam. Bruno chegou com o final instrumental da música, dois solos de guitarra, no meio dobra a guitarra, tem solo do Lucas primeiro, depois tem mais solo do Bruno, depois os dois dobram juntos.

É muita guitarra. Agora já imaginou se isso se encaixaria em um padrão comercial? Jamais. Nem um pouco preocupados com isso, bateram o martelo e soltaram do jeito que queriam.

Particularmente, que música boa. Só não ganha de Tropical Gin (a minha favorita).

Noite em BH foi composta pelo Bruno para sua namorada. A lírica é sobre um romance na cidade de Belo Horizonte. Que belorizontino nunca teve um amor que subiu e desceu Bahia? Quer banda mais mineira que isso?

Outra curiosidade é que a música veio primeiramente do projeto solo de bossa nova dele, mas ao cair na mão do Batata, Pedro, Dudu e Lucca, ganhou uma dimensão completamente diferente.

Assim como Noite em BH e Tropical Gin, a banda é cheia dessas músicas que vão te envolver e levá-lo para uma parada bem diferente de tudo que você está acostumado a ouvir. São sons experimentais, de viajar na música mesmo. Vale a pena conferir.

 

 

 

 

 

*Esse produto resultado do Trabalho de Conclusão de Curso do Centro Universitário Una da Jornalista Bianca Morais.

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*Por Daniela Reis

Hoje a receita é perfeita para o final de semana! Os dadinhos de tapioca são uma excelente opção de entrada, tira-gosto ou até mesmo para o café da tarde. E quem nos agraciou com essa gostosura é o ex-aluno do Curso de Gastronomia do Centro Universitário Una e proprietário da Sanxav Paães Artesanais, Luan Henrique dos Santos.

Dadindo de Tapioca

Descrição do prato: Receita preparada com tapioca em formato de cubos.

Quantidade de porções: 30 dadinhos

Tempo de preparo: 2h30

Categoria: Aperitivos

Nível de dificuldade: Fácil

Ingredientes:
500g de farinha de tapioca granulada
1litro de leite líquido integral
500g de queijo canastra curado ralado
Sal a gosto
Pimenta do reino branca a gosto

Passo a passo para a preparação:
– Aqueça o leite em uma panela.
– Quando o leite estiver bem quente, desligue o fogo, adicione o queijo e continue mexendo.
– Logo em seguida adicione a farinha de tapioca granulada e continue mexendo.
– Adicione o sal.
– Pare de mexer quando todos os ingredientes estiverem bem misturados.
– Despeje em uma forma coberta com papel filme (pvc), cubra em cima e leve para a geladeira por mais ou mens duas horas.
– Retire da geladeira, corte em cubinhos, e frite aos poucos em óleo quente, outra opção é colocar no forno até dourar.
– Sirva com algum molho da sua preferência de acompanhamento.

DICA: Use um pouco de alho granulado e pimenta do reino branca para acentuar ainda mais o sabor.

 

 

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Professor do Centro Universitário Una, Edson Puiati,  participará de evento que visa soluções inovadoras para o estímulo do turismo gastronômico em Minas Gerais

*Por: Italo Charles

Fomentar as discussões acerca de inovação e desenvolvimento de empreendimentos é parte do trabalho desenvolvido pela Fumsoft – Instituição sem fins lucrativos que visa o aperfeiçoamento da cadeia produtiva de Tecnologia da Informação e Minas Gerais.

Devido aos percalços ocasionados pela pandemia do covid-19, um dos setores mais atingidos foi o de turismo gastronômico. E, com o intuito de propor discussões sobre inovação, transformação digital, meio e métodos para para elevar o setor, a Fumsoft Select svai realizar na quinta-feira, 22 de outubro, o webinar “Desafios e inovações para o desenvolvimento do turismo 

A edição será pautada pela conversa entre David Mora – Coordenador do Mestrado em Turismo Gastronómico do Basque Culinary Center (San Sebastian – Espanha), pelo Chef, pesquisador de culinária mineira e professor do Centro Universitário Una, Edson Puiati, e por  Marina Simião – Subsecretaria de turismo. A mediação da conversa será por conta de Wilson Lima – presidente da Teknisa Software.

O evento acontecerá será online e a transmissão acontecerá a partir das 9h30. Para conhecer mais sobre os projetos da Fumsoft  e fazer sua inscrição para o Webinar acesse: http://bit.ly/desafios_do_Turismo_Gastronomico

 

**Edição: Daniela Reis

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Crédito: Divulgação

*Por Bianca Morais

Belo Horizonte é a capital dos bares e a região metropolitana já é considerada como um polo cervejeiro. Somos um povo boêmio que adora reunir a turma para beber aquela gelada. Acontece que o público, consumidor de cerveja, tem se tornado cada vez mais exigente, e para eles um mercado específico e crescente traz inúmeras opções, o mercado das cervejas artesanais. De acordo com dados de 2019 do Ministério da Agricultura, 241 micro cervejarias registradas no estado, a maior parte delas (51) na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A vida noturna regada a boa comida e bebidas garantiu à capital o título de Cidade Criativa da Gastronomia pela Unesco no ano passado, e o que há de melhor para acompanhar a boa culinária mineira é uma cerveja tão bem produzida. Investir nas cervejas é algo além do gostar, é produzir sua individualidade, sua marca, ver o retorno de um público que está aceitando cada vez mais a experiência de novos sabores.

A cerveja radical

Limonada e Balonista. Foram essas duas palavras que Flávio Cremonesi disse a Guilherme Fonseca em sua visita a Tasting Room Olec, um bar de cervejas artesanais. Limonada, apelido de Flávio e balonista sua profissão, sempre esteve ligado as cervejas tradicionais, “ex brahmeiro”, se sentiu em um parque de diversão quando conheceu o lugar. Depois das palavras trocadas e a boa prosa em que Limonada conta a Guilherme sua travessia de balão entre o oceano Atlântico e Pacífico, Guilherme solta um “vamos fazer uma cerveja dessa história”. Na mesma hora passava perto Henrique Mafra (a segunda parte da sociedade da cerveja LIFT), que foi quem criou a receita da cerveja, no estilo Saison/Farmhouse Ale, originária da Bélgica, um dos países mais influentes nos estilos mundiais de cerveja.

“Toda história boa pede uma cerveja; e toda cerveja boa tem que ter uma história pra contar” disse Guilherme naquele dia. Em busca de mudanças e inquietação para ser o dono da própria história, Flávio Cremonesi, aceitou a ideia e dali nasceu a LIFT. A escolha do sabor nasce da ideia de Brasil, país tropical, cerveja refrescante, e claro, do nome do dono da marca, Limonada. “A LIFT é um produto com alma e atualmente é muito raro (além da cerveja) produtos e serviços que tenham mais alma e histórias inspiradoras/impactantes” conta Cremonesi.

A Estação Lift, lar da cerveja Lift, fica no bairro Anchieta, um local agradável, com cadeiras de praia na calçada. “O topo da “cadeia alimentar” pro mineiro ir curtir um final de semana na praia. A proposta de trazer a cadeira de praia é justamente trazer o lúdico pra dentro do bar e mexer com os sentimentos dos clientes”.

No Brasil, a cerveja é encontrada em 50 bares em sete cidades, Belo Horizonte/MG, Pedro Leopoldo/MG, Juiz de Fora/MG, Rio de Janeiro/RJ, Piracicaba/SP, Bauru/SP e São Paulo/SP.  A ideia da cerveja, o ambiente do bar, tudo remete a essa ideia do descontraído.

Para aqueles que ainda não se desprenderam da cerveja comum Limonada garante que está na hora de evoluir como consumidor e ser criterioso para entender as boas marcar que colocam a alma no produto. “Buscar novos conceitos. Ser curioso. Mas, daí vai depender de cada postura pra buscar cervejas independentes”.

Toda arte é local antes de ser regional, mas, se prestar, será contemporânea e universal.

As cervejas independentes, desvinculadas das tradicionais, com diferentes sabores, abre um leque de oportunidades e deixa o amante da cerveja com vontade de experimentar e conhecer mais. “Acredito que beber a mesma cerveja, da mesma cor e do mesmo gosto desde Adão e Eva cansou. É uma evolução do paladar/sensorial, do olfato e das cores são essenciais pra atrair a atenção do consumidor final” diz Limonada.

A cerveja rock n roll

Cerveja e rock n roll, esse é o slogan da cerveja Küd. Bruno Parreiras, o proprietário e apaixonado pelo rock resolveu unir suas duas paixões em uma marca. O consumidor da cerveja consegue sentir as referências musicais em cada gole da cerveja, na concepção dos produtos criados.

“Nossa proposta não é usar do sucesso que foi o trabalho dos nossos ídolos musicais para vender nossas cervejas, mas sim, usar essa inspiração que o rock nos dá para criar as nossas cervejas. É uma forma de tentar colocar o sentimento que o rock nos passa de volta na cerveja e tentar resgatar e celebrar um estilo de música que mudou o mundo pra sempre”, conta Bruno.

Atrelando um bom atendimento e um produto de qualidade, a cervejaria é resultado de um trabalho e materialização do sonho de quase 10 anos atrás, que foi pensado pelos idealizadores da marca com propósito de entregar algo feito com muito cuidado, atenção e de fato, cheio de conteúdo.

“O cuidado que temos que ter com este termo, cerveja artesanal, é justamente não banalizar essa expressão, tornando-a um termo vago, pura e simplesmente uma ferramenta de venda para colocar no mesmo “balaio” produtores sérios e preocupados com o setor, daqueles que estão ali só pra surfar na onda, sonhar em ganhar muito dinheiro e no final das contas, acabar frustrado com a dura realidade do mercado” disse o diretor da empresa. Bruno defende que esse mercado tem crescido de uma maneira muito boa em Belo Horizonte, devido ao fato do público estar cada vez mais ligado na proximidade com o que gasta e cada vez mais comprando conteúdo e experiência ao invés de produtos oferecidos em massa.

A cervejaria Küd, localizada no Jardim Canadá, reflete em seus produtos o seu amor por fazer cerveja, trabalham com a verdade. As cervejas artesanais são um sub-segmento do muito “nichado” setor das bebidas, principalmente no segmento de cervejas, fato relacionado ao grupo específico que querem atingir, consumidores mais interessados em um conceito. Eles não estão no mercado para competir com um produto de um preço caro, mas para oferecer um trabalho que cativa e uma experiência diferenciada.

Seja através da energia radical de andar de balão ou aquela que só o rock n roll nos causa, as cervejas artesanais refletem o desejo, vontade, paixão, o gosto de seus criadores. Elas são essencialmente uma sensação. A cerveja artesanal antes do sabor ou qualquer outra coisa, ela tem uma história para contar.

As cervejarias unem pessoas desconhecidas em pró de um comum, o apreciar aquela cerveja única, o sabor elaborado, essas cervejarias não trabalham em competição uma com outra, e sim em parceria, valorizam o trabalho do outro e se esforçam para tornar Belo Horizonte uma capital que atraia admiradores desse produto.

 

 

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Doutora em Ciências da Saúde, Psicóloga Clínica e professora do Centro Universitário Una fala sobre doenças e transtornos psicológicos que podem levar ao suicídio

Por: Italo Charles

Cultivar o bem-estar da mente é de suma importância para uma vida saudável. E, nesse período de isolamento social, devido a pandemia, casos de pessoas com transtornos psicológicos têm aumentado. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país recorde em casos de transtorno de ansiedade e preenche a segunda posição em transtornos depressivos de acordo com o ranking mundial.

Um dos desfechos dos transtornos de ansiedade e depressão é o suicídio, ainda de acordo com a OMS, no ano de 2019 foram registrados 13.467 casos de suicídio no Brasil. E com o objetivo de prevenir reduzir os casos, no ano de 2014 foi criada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), a campanha Setembro Amarelo que anualmente promove eventos e ações a fim de difundir a discussão sobre o tema.

Os especialistas afirmam que um dos meios para prevenir o suicídio é a quebra do tabu acerca do assunto. Educar a sociedade sobre transtornos como a ansiedade e depressão, tende a causar um impacto positivo e mostrar que são doenças e que merecem a devida atenção.

Para entender melhor sobre a relação dos transtornos com o suicídio, a professora de psicologia do Centro Universitário Una – Isabel Pimenta, em entrevista, explicou como a pandemia tem causado efeitos na mente das pessoas e como isso pode ocasionar o suicídio.

Isabel, neste período de isolamento devido a pandemia, muitas pessoas podem apresentar medo, ansiedade e outras características, como esse cenário tem contribuído para o aumento de casos de doenças psicológicas? 

Durante a pandemia, temos visto um aumento significativo de sintomas de ansiedade, rebaixamentos de humor, sintomas relacionados à depressão e muitas angústias. Sentir isso neste momento, é possível dizer que de certa forma é esperado. Mas, um sujeito que não apresenta nenhuma dessas características é, inclusive, um sujeito que talvez não esteja entendendo a complexidade da situação.

Embora, aquelas pessoas que já tinham algum transtorno instaurado antes da pandemia chegaram nesse cenário mais vulneráveis. Então, elas têm uma tendência a um agravamento do caso, já as pessoas que não tinham nenhum desses sinais começaram a apresentar os dois principais transtornos que são os de ansiedade e o transtorno de depressão.

A gente sabe que através da pandemia com todas as suas características, surge o medo de contrair a doença, medo de alguém da família ser contaminado. Com o próprio isolamento físico muda-se a rotina, os hábitos e através disso cria-se a incerteza em relação ao futuro. Todos esses são fatores de risco para o adoecimento mental e a gente tem visto que de fato as pessoas têm adoecido mais. 

A pandemia pode ser considerada um fator para aumento de casos de suicídio?

Relacionado ao suicídio, 90% dos casos estão associados ao adoecimento mental. Entende-se que o suicídio para essas pessoas é o desfecho de um percurso ocasionado pelo adoecimento

De tal forma, pessoas com um alto grau de sofrimento derivado de transtornos psicológicos que não dispõem de ajuda profissional e sem recursos para tratamento resulta no aumento na taxa de suicídio. Então, a pandemia é vista como fator de risco e um agravamento dessa possibilidade.

Qual a importância de promover a campanha Setembro Amarelo, e como ela pode auxiliar na prevenção?

É muito importante pensarmos que a melhor maneira de prevenir o suicídio é promover a saúde mental. Então, o Setembro Amarelo é um mês para falar da importância de cuidar da mente para evitar o pior.

Neste período são realizadas palestras reforçando a importância do cuidado com o mente, há divulgação dos canais de ajuda, desconstruindo os tabus relacionados ao adoecimento mental. 

Como identificar pessoas com os transtornos de ansiedade e depressão? E, quais o sintomas que elas apresentam antes de tentar o suicídio?

Há alguns sinais como mudança drástica de humor, isolamento social, mudanças no comportamento e também da rotina . Dessa forma, podemos dizer a essas pessoas que elas podem procurar ajuda que isso não é sinal de fraqueza, pedir ajuda para algum profissional.

Às vezes a pessoa está tão contaminada com o sofrimento dela que vai ser o outro que vai sinalizar pra ela que tem alguma coisa que não que não anda bem. Sendo assim, é muito importante que nós enquanto sociedade reconheçamos esses sinais de sofrimento.

Após identificados esses sintomas, quais meios o indivíduo tem disponível para auxílio? 

Existem vários canais, tem o CVV (Centro de Valorização da Vida), que é um serviço de acolhimento de escuta terapêutica disponível no número 188 e pelo site https://www.cvv.org.br/ e funciona sete dias por semana 24 horas por dia, lá existem pessoas treinadas para ouvir os sofrimentos e para  acolher essas pessoas.

Além disso, a Una possui as clínicas escola de psicologia funcionando, agora na pandemia estamos com atendimento online e em breve o atendimento presencial retornará. O telefone para contato é: (31) 3508-9139.

Existem ainda as clínicas sociais, o serviço público municipal de apoio mental. Tem uma rede que é preparada para atender pessoas com sofrimento mental e devemos acionar esse canais para solucionar esses quadros.

Apoio aos alunos

O Centro Universitário Una através do NAAP – Núcleo de Acessibilidade e Apoio Psicopedagógico, oferece assistência à comunidade acadêmica a partir da realização de acompanhamento de acordo com a notificação referente a dificuldade de acompanhamento das disciplinas, dificuldade na organização do tempo e inclusão de pessoas com deficiência.

Contatos NAAP:

(31) 3235.7317

nap@una.br

O Grupo Ânima (administrador do Centro Universitário Una),  possui o Projeto Entrelaços  que tem como objetivo cuidar da saúde dos universitários. O projeto se ocupa na formação de professores acerca das noções básicas sobre saúde mental, na elaboração de fluxos de serviços para atender, acolher e encaminhar melhor os alunos, realizar palestras e oficinas que visam a promoção da saúde mental.

Contato Entrelaços:

entrelacos@animaeducacao.com.br

 

*A entrevista foi produzida sob a supervisão da jornalista Daniela Reis

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Alunos de graduação do Centro Universitário Una podem se inscrever para o projeto de extensão Una-se contra a LGBTfobia. As inscrições estão abertas e acontecem até 14 de setembro e podem ser feitas no site, clicando em Projetos de Extensão > Cidade Universitária. ⁣⁣⁣ ⁣

O projeto desenvolve ações de sensibilização, empatia e conscientização por meio de rodas de conversa, oficinas de capacitação, palestras, mostras de filmes, exposições fotográficas ou um simples bate-papo, considerando uma perspectiva interseccional. ⁣

Criar um espaço de escuta, acolhimento e diálogo para alunas e alunos LGBTQIAP+, no qual aprendemos juntas e juntos, é uma das propostas do Una-se. Atuam também na busca da construção de uma sociedade que respeite e ouça as demandas das pessoas LGBTQIAP+. As conversas não acontecem apenas com quem faz parte dessa população. Pessoas aliadas são muito bem-vindas.⁣⁣⁣ ⁣⁣⁣ ⁣

“Acreditamos que a escola pode e deve ser um local em que pessoas LGBTQIAP+ se sintam seguras e confortáveis para serem quem são. 🌈”

Para saber mais sobre o projeto, confira o Instagram.