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Doutora em Ciências da Saúde, Psicóloga Clínica e professora do Centro Universitário Una fala sobre doenças e transtornos psicológicos que podem levar ao suicídio

Por: Italo Charles

Cultivar o bem-estar da mente é de suma importância para uma vida saudável. E, nesse período de isolamento social, devido a pandemia, casos de pessoas com transtornos psicológicos têm aumentado. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país recorde em casos de transtorno de ansiedade e preenche a segunda posição em transtornos depressivos de acordo com o ranking mundial.

Um dos desfechos dos transtornos de ansiedade e depressão é o suicídio, ainda de acordo com a OMS, no ano de 2019 foram registrados 13.467 casos de suicídio no Brasil. E com o objetivo de prevenir reduzir os casos, no ano de 2014 foi criada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), a campanha Setembro Amarelo que anualmente promove eventos e ações a fim de difundir a discussão sobre o tema.

Os especialistas afirmam que um dos meios para prevenir o suicídio é a quebra do tabu acerca do assunto. Educar a sociedade sobre transtornos como a ansiedade e depressão, tende a causar um impacto positivo e mostrar que são doenças e que merecem a devida atenção.

Para entender melhor sobre a relação dos transtornos com o suicídio, a professora de psicologia do Centro Universitário Una – Isabel Pimenta, em entrevista, explicou como a pandemia tem causado efeitos na mente das pessoas e como isso pode ocasionar o suicídio.

Isabel, neste período de isolamento devido a pandemia, muitas pessoas podem apresentar medo, ansiedade e outras características, como esse cenário tem contribuído para o aumento de casos de doenças psicológicas? 

Durante a pandemia, temos visto um aumento significativo de sintomas de ansiedade, rebaixamentos de humor, sintomas relacionados à depressão e muitas angústias. Sentir isso neste momento, é possível dizer que de certa forma é esperado. Mas, um sujeito que não apresenta nenhuma dessas características é, inclusive, um sujeito que talvez não esteja entendendo a complexidade da situação.

Embora, aquelas pessoas que já tinham algum transtorno instaurado antes da pandemia chegaram nesse cenário mais vulneráveis. Então, elas têm uma tendência a um agravamento do caso, já as pessoas que não tinham nenhum desses sinais começaram a apresentar os dois principais transtornos que são os de ansiedade e o transtorno de depressão.

A gente sabe que através da pandemia com todas as suas características, surge o medo de contrair a doença, medo de alguém da família ser contaminado. Com o próprio isolamento físico muda-se a rotina, os hábitos e através disso cria-se a incerteza em relação ao futuro. Todos esses são fatores de risco para o adoecimento mental e a gente tem visto que de fato as pessoas têm adoecido mais. 

A pandemia pode ser considerada um fator para aumento de casos de suicídio?

Relacionado ao suicídio, 90% dos casos estão associados ao adoecimento mental. Entende-se que o suicídio para essas pessoas é o desfecho de um percurso ocasionado pelo adoecimento

De tal forma, pessoas com um alto grau de sofrimento derivado de transtornos psicológicos que não dispõem de ajuda profissional e sem recursos para tratamento resulta no aumento na taxa de suicídio. Então, a pandemia é vista como fator de risco e um agravamento dessa possibilidade.

Qual a importância de promover a campanha Setembro Amarelo, e como ela pode auxiliar na prevenção?

É muito importante pensarmos que a melhor maneira de prevenir o suicídio é promover a saúde mental. Então, o Setembro Amarelo é um mês para falar da importância de cuidar da mente para evitar o pior.

Neste período são realizadas palestras reforçando a importância do cuidado com o mente, há divulgação dos canais de ajuda, desconstruindo os tabus relacionados ao adoecimento mental. 

Como identificar pessoas com os transtornos de ansiedade e depressão? E, quais o sintomas que elas apresentam antes de tentar o suicídio?

Há alguns sinais como mudança drástica de humor, isolamento social, mudanças no comportamento e também da rotina . Dessa forma, podemos dizer a essas pessoas que elas podem procurar ajuda que isso não é sinal de fraqueza, pedir ajuda para algum profissional.

Às vezes a pessoa está tão contaminada com o sofrimento dela que vai ser o outro que vai sinalizar pra ela que tem alguma coisa que não que não anda bem. Sendo assim, é muito importante que nós enquanto sociedade reconheçamos esses sinais de sofrimento.

Após identificados esses sintomas, quais meios o indivíduo tem disponível para auxílio? 

Existem vários canais, tem o CVV (Centro de Valorização da Vida), que é um serviço de acolhimento de escuta terapêutica disponível no número 188 e pelo site https://www.cvv.org.br/ e funciona sete dias por semana 24 horas por dia, lá existem pessoas treinadas para ouvir os sofrimentos e para  acolher essas pessoas.

Além disso, a Una possui as clínicas escola de psicologia funcionando, agora na pandemia estamos com atendimento online e em breve o atendimento presencial retornará. O telefone para contato é: (31) 3508-9139.

Existem ainda as clínicas sociais, o serviço público municipal de apoio mental. Tem uma rede que é preparada para atender pessoas com sofrimento mental e devemos acionar esse canais para solucionar esses quadros.

Apoio aos alunos

O Centro Universitário Una através do NAAP – Núcleo de Acessibilidade e Apoio Psicopedagógico, oferece assistência à comunidade acadêmica a partir da realização de acompanhamento de acordo com a notificação referente a dificuldade de acompanhamento das disciplinas, dificuldade na organização do tempo e inclusão de pessoas com deficiência.

Contatos NAAP:

(31) 3235.7317

nap@una.br

O Grupo Ânima (administrador do Centro Universitário Una),  possui o Projeto Entrelaços  que tem como objetivo cuidar da saúde dos universitários. O projeto se ocupa na formação de professores acerca das noções básicas sobre saúde mental, na elaboração de fluxos de serviços para atender, acolher e encaminhar melhor os alunos, realizar palestras e oficinas que visam a promoção da saúde mental.

Contato Entrelaços:

entrelacos@animaeducacao.com.br

 

*A entrevista foi produzida sob a supervisão da jornalista Daniela Reis

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Alunos de graduação do Centro Universitário Una podem se inscrever para o projeto de extensão Una-se contra a LGBTfobia. As inscrições estão abertas e acontecem até 14 de setembro e podem ser feitas no site, clicando em Projetos de Extensão > Cidade Universitária. ⁣⁣⁣ ⁣

O projeto desenvolve ações de sensibilização, empatia e conscientização por meio de rodas de conversa, oficinas de capacitação, palestras, mostras de filmes, exposições fotográficas ou um simples bate-papo, considerando uma perspectiva interseccional. ⁣

Criar um espaço de escuta, acolhimento e diálogo para alunas e alunos LGBTQIAP+, no qual aprendemos juntas e juntos, é uma das propostas do Una-se. Atuam também na busca da construção de uma sociedade que respeite e ouça as demandas das pessoas LGBTQIAP+. As conversas não acontecem apenas com quem faz parte dessa população. Pessoas aliadas são muito bem-vindas.⁣⁣⁣ ⁣⁣⁣ ⁣

“Acreditamos que a escola pode e deve ser um local em que pessoas LGBTQIAP+ se sintam seguras e confortáveis para serem quem são. 🌈”

Para saber mais sobre o projeto, confira o Instagram.

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*Por Daniela Reis

A receita dessa torta de limão de hoje é para adoçar seu final de semana! Quem nos agraciou com essa delícia foi o aluno do curso de Gastronomia do Centro Universitário Una, Samuel Nolasco.

Vamos ao passo a passo?

Torta de limão com merengue suíço
Quantidade de porções: 14 fatias
Categoria: Sobremesa
Nível de dificuldade: Fácil

Ingredientes:

Base de Biscoito

150 gramas de BOLACHA MAIZENA

5 colheres de sopa de MANTEIGA sem salIngredientes: recheio

400 gramas de CHOCOLATE BRANCO picado

200 gramas de CREME DE LEITE

Raspas de 1 LIMÃO

Suco de 4 LIMÕES

Cobertura (merengue suiço)

4 claras

1 xícara de açúcar

Passo a passo

Base

1. Pré-aqueça o forno a 200°

2. Coloque a bolacha Maizena no processador e triture até virar uma farofa.

3. Adicione a manteiga em temperatura ambiente. Triture novamente até misturar.

4. Arrume na assadeira pressionando no fundo e nas laterais. Se quiser, use um ramekin (potinho) para facilitar esse processo.

5. Leve para assar por aproximadamente 15 minutos.

Recheio

1. Coloque em uma tigela o chocolate branco picado e o creme de leite. Misture.. Misture.

2. Leve para o microondas por 30 segundos, misture e volte para o microondas por mais 30 segundos.

3. OU esquente em banho-maria até obter um creme homogêneo.

4. Adicione as raspas de um limão e suco de 4 limões. Misture até o creme ficar homogêneo.

5. Despeje o creme na assadeira e leve para geladeira por pelo menos 3 horas.

Merengue suiço

1. Em uma tigela em banho maria coloque o açúcar e as claras. Leve ao fogo baixo mexendo sem parar até o açúcar se dissolver.

2. Assim que as claras estiverem pasteurizadas (você não vai sentir nenhum açúcar na mão), jogue a mistura ainda quente na batedeira e bata em velocidade máxima até que fique bem branco e com ondas.

Montagem

1. Desenforme a torta e coloque no prato que irá servir.

2. Decore com o merengue e raspas de um limão.

Sobre o chef

Samuel sempre foi apaixonado por cozinhar. Fez faculdade de gastronomia e atualmente é proprietário da Cakes com Afeto (@cakescomafeto) onde trabalha com bolos tradicionais, bolos decorados e personalizados, além de bolos no pote.

Siga no Instagram e fique por dentro desse doce gtrabalho!

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Foto: Divulgação

Programação conta com mais de 60 apresentações explorando as possibilidades do fazer artístico dentro do cenário virtual 

Por Guilherme Sá

Ao adentrar pelas porta do casarão Estrela, a impressão é mergulhar no cenário cheio de sentimentos. Lembro-me bem da primeira vez que ali pisei, no primeiro semestre de 2019. As paredes da construção, feridas pelo tempo, mostram suas cicatrizes, a energia tem algo diferente, não é pesada, mas demonstra que um dia foram. Os artistas e colaboradores ocupantes, constroem suas entranhas mas também as deixam visíveis, não querem apagar a sua história. Transformaram o lugar escuro e sem vida em uma das maiores ações coletivas dessa cidade.

A partir dessa união, criaram-se ações como a que acontece até o dia 31 de julho. A Ocupação Espaço Comum Luiz Estrela em Belo Horizonte, realizará o 2º Festival de Inverno – Inverno Estelar – com uma programação extensa com participação de artistas, ativistas, arquitetos, psicólogos, educadores e produtores culturais locais, nacionais e estrangeiros. Neste ano a edição acontece totalmente online.

Construído por cincos mulheres produtoras, mas também de diferentes carreiras (característica bem comum do coletivo), são elas, Luciana Lanza (bailarina e produtora), Deise Eleutério (arquiteta e produtora), Gabrielle Salomão (bailarina e produtora), Mariana Angelis (designer e produtora), Maria Câmara (psicologa e produtora) e Yasmine Rodrigues (atriz e produtora). 

O desenho do festival surgiu na assembléia geral do Coletivo Estrela (grupo  responsável pela administração do espaço desde 2013) com o objetivo de manter ativa as ações que já vinham sendo desenvolvidas. “A gente se juntou, vamos ajudar, fazer juntos na cara e na coragem. Fizemos um edital e estamos aí experimentando essa coisa nova que é fazer tudo de forma virtual.” diz, Luciana Lanza.

A programação inclui, exposição de retratos e zines, apresentação musical, sarau, performances, discussões sobre patrimônio, oficina de percussão, de atuação para cinema, cerâmica, redação, fotoperformance, entre outros. Mas como fazer tudo isso dentro do ambiente virtual?

Mudar, adaptar e experimentar foram pontos chaves para o processo de criação do festival e quebra das dificuldades encontradas. Luciana Lanza comenta que, cada artista está á procura da melhor forma de expressão da sua arte e está aberto ao novo. “É um festival muito amplo, os artistas estão experimentando também junto com a gente, ninguém sabe qual é a melhor plataforma, a melhor mídia, melhor horário. Enfim, muitos desafios que a gente está encarando, quase que no escuro mas com muita vontade de fazer.”

Lançado o edital em junho, nos canais de comunicação, a seleção foi simples e natural, o que deixou claro que não haveria remuneração aos artistas, mas, ao encontrar apoio na vontade de construir coletivamente o festival. “Acontece que o estrela já tem um público de pessoas que acompanha, entendi quais são as lutas do lugar e, como é um coletivo muito grande que comporta muitas lutas, muitas temáticas, então o festival não poderia ser diferente. Ele recebe todo tipo de linguagem, de performance, música, dança, teatro, rodas de conversa, uma diversidade de pessoas que comunga das mesmas ideias.” conclui, Luciana. 

Para a mineira Anne Cruz que realizou a live show no último sábado, 25, a participação no festival foi o momento de mostrar sua versatilidade como cantora e apresentar-se para um público novo “A princípio fiquei com receio, pois seria uma live fora do meu canal, mas comprei a ideia de participar. Eu tive todo suporte da produção do evento. Live é um show virtual, eu tenho de criar um bom repertório, lidar com minha timidez para poder levar um entretenimento de qualidade para as pessoas que disponibilizaram seu tempo para poder me assistir.”

E também foi a oportunidade do público que já a segue, assistir sua estréia em um show solo. “Foi minha estreia cantando sozinha, na minha jornada eu vinha fazendo participações em  algumas rodas de samba em BH, e com essa onda de live, eu  venho fazendo minhas apresentações sozinha. A participação no festival foi um marco na minha caminhada como cantora. Foi muito gostoso, as pessoas interagiram com show virtual, foi lindo participar desse projeto.” comenta. 

Outro destaque é o artista amapaense Nau vegar, que apresentará no dia 31 ao lado de Thayse Panda e  Geisa Marins, com o perforbar no instagram – um bar online onde quem entrar na live poderá interagir com o artista, como se fosse um bate papo de buteco, e enquanto conversam sobre qualquer tema, fará o uso das ferramentas da plataforma, como os filtros, criando algo novo a partir das possibilidades e a experiência do encontro de diferentes pessoas. 

Para Nau, a participação no Inverno Estelar representa a conexão com um público novo, “Minhas expectativas na verdade é mais pelo público, o público que vamos receber será o público do Luiz estrela, então não sei como será.”  

O organizador do Mizura – Encontro de Performance e Intervenção Urbana no Amapá, um dos maiores do Brasil, o ator e performista comenta que sua arte utiliza principalmente do corpo para construir o espetáculo “Eu trabalho com a arte da Performance como pensado dentro das artes visuais, a arte do corpo, meu corpo é meu instrumento de trabalho. Eu não tenho uma forma de criação específica, se dá de diversas formas, lendo um livro, assistindo a um filme, ou as vezes sou atraído por algum objetivo, ou material e a partir daí eu crio um trabalho.” 

Em relação ao desafio de apresentar-se online, o artista enxerga a possibilidade de explorar os novos meios de criação performática. “Essa será a terceira vez que faço essa ação, mas tô aprendendo ainda, mas está sendo uma experiência maravilhosa, é também uma forma de explorar o campo da tecnologia que até então, não dava tanta atenção.” conclui. 

A OCUPAÇÃO ESPAÇO COMUM LUIZ ESTRELA

A ocupação cultural e autogestionada nasceu em 2013 através da reunião de um grupo de amigos, artistas e moradores da capital preocupados com o abandono do casarão da rua Manaus, bairro Santa Efigênia. 

O local foi usado para diversas finalidades. Sua origem remonta o início da construção de Belo Horizonte, servindo de Hospital Militar até 1945, após esse período, reformado para abrigar o Hospital de Neuropsiquiatria Infantil (HNPI) que funcionou até os anos 1990, com a mudança do HNPI, o espaço foi transformado em escola para o ensino de crianças com transtornos intelectuais, escola estadual Yolanda Martins, o que perdura até o ano de 1994.

Com a escola desativada, começa então o processo de abandono advindo de diversas disputas de uso que nunca foram prosseguidas, em 20 anos de deterioração e em péssimas condições estruturais ganha uma nova chance de vida e utilidade com a ocupação. 

A organização do coletivo é composta por núcleos que atuam na restauração, preservação, administração financeira e jurídica além da implantação de atividades culturais, políticas e educacionais, devolvendo luz a construção que viu tantos horrores no passado.

Faz parte da filosofia do local a luta antirracista, em defesa da negritude brasileira, pelo direitos dos povo indígenas, LGBTQIA+, a luta antimanicomial, em defesa da população de rua, a luta pelos direitos humanos e em defesa das Ocupações do país.  

O nome do espaço é uma homenagem ao Luiz Estrela, poeta e morador de rua que foi assassinado em 2013.

Para assistir e acompanhar a programação do Festival entre nas redes sociais da ocupação:

Instagram, Facebook e Youtube

 

 

 

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*Por Mariana Aroni

Como vim parar aqui? Que lugar é esse? E esse chão quente?!

– Ronc! – assustei. Que barulho é esse? – Roooonc! – Opa, algo tremeu aqui dentro. – Roonc!

Isso… está dentro da minha b-barriga?! Não sei o que é, mas dá uma vontade imensa de comer alguma coisa. Ah, deve ser essa tal fome de que mamãe tanto falava.

Andar, andar, andar… De não sei onde para não sei onde. Agora, essa tal fome está piorando! Ah, lixo! Espero que tenha alguma coisa para comer. Hummm… Cheirinho bom! Será que é pizza?!

– Sai daqui, cachorro imundo! Fica mexendo e bagunçando o lixo todo. Rasga tudo e deixa espalhado aqui. Sai! – a mulher bateu palmas de forma furiosa, e tentou me chutar.

Ela me assustou de tal forma que saí correndo, uma vez mais, para sei lá onde.

Não consigo entender: o que tem de errado comigo? Chamam-me de imundo. Eu nem sei o que é isso.

Continuo andando, a barriga continua roncando. Vixi, agora também quero água. Vou ter que parar, minhas pernas não aguentam mais. Acho que estou ficando tonto. Ah, uma sombra. Que maravilha!

Hum, que preguicinha gostosa! Acho que tirei um cochilo. Por alguns minutos, consegui me desligar dessa loucura toda, de pessoas para todo lado, asfalto quente, gente querendo me machucar.

Sai! Sai! SAAAAAAAI DAAAQUI! – Que loucura! Tive nem tempo de terminar de pensar. Antes mesmo de terminar a frase mental, já estava virando a esquina. Não estava mexendo no lixo, nem latindo. Estava, apenas, deitado na calçada. Qual era o motivo de aquele homem ficar tão bravo?

Ah, não!

– Roooooooonc! – A fome deve estar pior agora! Preciso de algo urgente para comer. Meu corpo nem se mexe direito. Onde estou? Que besteira! Nem sei por que me pergunto isso ainda. Nunca sei onde estou. Sinto saudade da mamãe e dos meus irmãozinhos. Não lembro de muita coisa.

Mamãe estava dormindo com a gente, quando ouvi um barulho muito forte e acordei. Ela começou a chorar, mas não se mexia, e saía um líquido vermelho de sua cabeça. Não sei o que é. De repente, outro barulho muito forte. E foi aí que vi uns moleques, com um pedaço de madeira na mão, correndo e rindo. Acho que mamãe estava muito mal. Ela chorava baixinho, e estava estranha. Eu tentava falar com ela, mas ela não respondia. Meus irmãozinhos estavam com medo, assim como eu. O Toby corria para debaixo de um pneu, Alissa tentava falar com mamãe, assim como eu. Martie saiu correndo atrás dos moleques, gritando e xingando eles. Não sei onde ele está agora.

TOC. TAC. BUUUM. Ah, não. Cachorrinho infeliz, quis dar um de valente e se deu mal Acho que os moleques o machucaram também. Mas, o que nós fizemos? Mamãe, mamãe! – Alissa, agora, chorava. Acho que mamãe… Ah, meu deus! Mamãe morreu!

Corri para ver Martie. Ele também não estava bem, deu-me uma última olhada e pediu para eu cuidar dos outros. Em seguida, os olhos dele se fecharam. Ele não era apenas meu irmão; era meu melhor amigo.

Voltei para ver Alissa e Toby. A tristeza me invadiu de forma brutal. Não consegui nem me aproximar dos outros. Minhas pernas não funcionavam. Tinha algo salgado escorrendo por meu rosto. Eu chorei. Não de medo, mas por perder duas das criaturas que eu mais amava.

Quando voltei, Toby havia sumido. Não o encontrei mais debaixo do pneu, nem em nenhum outro lugar. Alissa continuava abraçada à mamãe, chorando.

Alissa, precisamos sair daqui. Se aqueles moleques voltarem, vão nos machucar, também. Acho que ela percebeu a urgência e a tristeza em minha voz.

Bart, por que fizeram isso com eles? Mamãe disse para ficarmos longe dos humanos ruins e nos trouxe para cá, justamente, para ficarmos seguros. O que nós fizemos de errado? Ela me disse isso em meio a lágrimas e soluços.

Eu não sei. Eles são cruéis. Mas vamos ficar bem. Venha, precisamos nos proteger. Não encontrei Toby. Já o chamei, mas não sei onde ele está. Não podemos mais ficar aqui. Tentei parecer forte. O desespero e a tristeza me inundavam de forma que não conseguia suportar.

Não conhecia o mundo direito, mas mamãe já tinha nos preparado para o que poderia acontecer. Foi ela quem nos falou sobre a violência, a fome, a tristeza, o frio e a sede.

Alissa se convenceu do que eu falava e decidiu vir comigo. Andamos pertinho um do outro, nem sei por quanto tempo. Não encontramos Toby.

Que gracinha, mãe! São filhotinhos. Posso ficar com um? Uma menininha estava brincando com a gente. Fez carinho em mim e em Alissa. Adoramos ela!

Tadinhos! Devem estar sozinhos e perdidos. Podemos levar só um, os dois não dá. Pega a fêmea, é mais fácil de cuidar, faz menos bagunça. 

Alissa ficou radiante e me chamou para também ir. A menininha a pegou no colo. Eu as segui, andando atrás dela e de sua mãe, mas a mulher me afastou e disse que não me levaria. Eu continuei andando atrás delas, até que elas entraram em um carro e foram embora. Não consegui entender o que Alissa disse.

E eu, mais uma vez, estou perdido em devaneios. O passado é o passado. Agora, preciso encontrar algo para comer. A fome só aumenta.

Onde estou?

– Ah, Bartolomeu, pare de se perguntar isso! Você está perdido na cidade. Nunca vai saber onde está e nem para onde vai. Procure comida, que é o mais importante agora! – gritei, para mim mesmo, em minha mente.

 

*A crônica foi produzida sob a supervisão do professor Maurício Guilherme Silva Jr.

 

 

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*Por Daniela Reis

A receita de hoje é de Luis Felipe Castilho Assis e é uma excelente sugestão para o final de semana!

Descrição do prato: Nhoque de beterraba na manteiga de ervas acompanhado de pernil suíno e tomates sweet grape.

Quantidade de porções: 8

Tempo de preparo: 1h

Categoria: Prato Principal

Nível de dificuldade: Fácil

Ingredientes:

Nhoque de Beterraba
– 600g de beterraba cozida, sem casca e processada no mixer ou no liquidificador.
– 150g de farinha de trigo
– 130g de cebola
– 4g de alho
– Sal e pimenta a gosto
– Azeite para refogar

Manteiga de ervas
– 100g de manteiga no ponto de pomada
– 8g de alho
– 6g de salsinha
– 2g de funcho

Pernil Suíno
– 1kg de pernil suíno picado em cubos
– 20 ml de shoyu
– 8g de alho amassado
– Sal e pimenta a gosto
Para a composição
– 180g de tomate sweet grape

Passo a passo para a preparação:

Para a Manteiga de Ervas:
– Picar bem pequeno o alho e as ervas
– Misturar tudo com a manteiga
– Reserve no ponto de pomada ou na geladeira para durar mais

Para o Pernil Suino:
– Disponha o pernil em um bowl ou vasilha
– Acrescente o shoyu, o sal e a pimenta e misture bem
– Esfregue o alho picado e reserve por uns 20 minutos.
– Com um pouco de azeite, coloque o pernil em uma frigideira ja aquecida e mexa ate que esteja cozido.

Para o Nhoque de beterraba:
– Picar a cebola e o alho e refogar em uma panela funda
– Adicione a beterraba já cozida e processada e misture
– Acrescente a farinha e misture até ficar homogêneo e mais denso
– Reserve em um pote e deixe resfriar
– Povilhe farinha em uma bancada já higienizada
– Em porções pequenas, pegue a massa ja fria e modele na bancada e corte no tamanho desejado
– Esquente a água em uma panela para o cozimento
– Após a fervura da água, adicione o nhoque
– Quando o nhoque subir significa que está pronto. Retire e reserve
– Em uma frigideira acrescente a manteiga de ervas e em seguida o nhoque
– Mexa um pouco e está pronto

Junte o nhoque, o pernil e o tomate. A montagem fica por sua conta da sua criatividade! É um prato com muita cor e sabor!

 

Sobre o chef

Luis Felipe Castilho Assis é aluno do curso de Gastronomia do Centro Universitário Una. Sua paixão pela culinária começou com a avó, que o mostrou que a cozinha vai além de uma simples refeição. “Com a cozinha você se conecta com os outros, você se expressa, você cria ou relembra sentimentos e sensações. Eu posso dizer que minha maior forma de contato e aprendizado na cozinha vem das mulheres da minha vida, minhas duas avós e minha mãe. Isso me fez desde pequeno entender a importância de amar o que você faz e não ter medo de criar”, afirma Luis.