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Foto: Divulgação

Programação conta com mais de 60 apresentações explorando as possibilidades do fazer artístico dentro do cenário virtual 

Por Guilherme Sá

Ao adentrar pelas porta do casarão Estrela, a impressão é mergulhar no cenário cheio de sentimentos. Lembro-me bem da primeira vez que ali pisei, no primeiro semestre de 2019. As paredes da construção, feridas pelo tempo, mostram suas cicatrizes, a energia tem algo diferente, não é pesada, mas demonstra que um dia foram. Os artistas e colaboradores ocupantes, constroem suas entranhas mas também as deixam visíveis, não querem apagar a sua história. Transformaram o lugar escuro e sem vida em uma das maiores ações coletivas dessa cidade.

A partir dessa união, criaram-se ações como a que acontece até o dia 31 de julho. A Ocupação Espaço Comum Luiz Estrela em Belo Horizonte, realizará o 2º Festival de Inverno – Inverno Estelar – com uma programação extensa com participação de artistas, ativistas, arquitetos, psicólogos, educadores e produtores culturais locais, nacionais e estrangeiros. Neste ano a edição acontece totalmente online.

Construído por cincos mulheres produtoras, mas também de diferentes carreiras (característica bem comum do coletivo), são elas, Luciana Lanza (bailarina e produtora), Deise Eleutério (arquiteta e produtora), Gabrielle Salomão (bailarina e produtora), Mariana Angelis (designer e produtora), Maria Câmara (psicologa e produtora) e Yasmine Rodrigues (atriz e produtora). 

O desenho do festival surgiu na assembléia geral do Coletivo Estrela (grupo  responsável pela administração do espaço desde 2013) com o objetivo de manter ativa as ações que já vinham sendo desenvolvidas. “A gente se juntou, vamos ajudar, fazer juntos na cara e na coragem. Fizemos um edital e estamos aí experimentando essa coisa nova que é fazer tudo de forma virtual.” diz, Luciana Lanza.

A programação inclui, exposição de retratos e zines, apresentação musical, sarau, performances, discussões sobre patrimônio, oficina de percussão, de atuação para cinema, cerâmica, redação, fotoperformance, entre outros. Mas como fazer tudo isso dentro do ambiente virtual?

Mudar, adaptar e experimentar foram pontos chaves para o processo de criação do festival e quebra das dificuldades encontradas. Luciana Lanza comenta que, cada artista está á procura da melhor forma de expressão da sua arte e está aberto ao novo. “É um festival muito amplo, os artistas estão experimentando também junto com a gente, ninguém sabe qual é a melhor plataforma, a melhor mídia, melhor horário. Enfim, muitos desafios que a gente está encarando, quase que no escuro mas com muita vontade de fazer.”

Lançado o edital em junho, nos canais de comunicação, a seleção foi simples e natural, o que deixou claro que não haveria remuneração aos artistas, mas, ao encontrar apoio na vontade de construir coletivamente o festival. “Acontece que o estrela já tem um público de pessoas que acompanha, entendi quais são as lutas do lugar e, como é um coletivo muito grande que comporta muitas lutas, muitas temáticas, então o festival não poderia ser diferente. Ele recebe todo tipo de linguagem, de performance, música, dança, teatro, rodas de conversa, uma diversidade de pessoas que comunga das mesmas ideias.” conclui, Luciana. 

Para a mineira Anne Cruz que realizou a live show no último sábado, 25, a participação no festival foi o momento de mostrar sua versatilidade como cantora e apresentar-se para um público novo “A princípio fiquei com receio, pois seria uma live fora do meu canal, mas comprei a ideia de participar. Eu tive todo suporte da produção do evento. Live é um show virtual, eu tenho de criar um bom repertório, lidar com minha timidez para poder levar um entretenimento de qualidade para as pessoas que disponibilizaram seu tempo para poder me assistir.”

E também foi a oportunidade do público que já a segue, assistir sua estréia em um show solo. “Foi minha estreia cantando sozinha, na minha jornada eu vinha fazendo participações em  algumas rodas de samba em BH, e com essa onda de live, eu  venho fazendo minhas apresentações sozinha. A participação no festival foi um marco na minha caminhada como cantora. Foi muito gostoso, as pessoas interagiram com show virtual, foi lindo participar desse projeto.” comenta. 

Outro destaque é o artista amapaense Nau vegar, que apresentará no dia 31 ao lado de Thayse Panda e  Geisa Marins, com o perforbar no instagram – um bar online onde quem entrar na live poderá interagir com o artista, como se fosse um bate papo de buteco, e enquanto conversam sobre qualquer tema, fará o uso das ferramentas da plataforma, como os filtros, criando algo novo a partir das possibilidades e a experiência do encontro de diferentes pessoas. 

Para Nau, a participação no Inverno Estelar representa a conexão com um público novo, “Minhas expectativas na verdade é mais pelo público, o público que vamos receber será o público do Luiz estrela, então não sei como será.”  

O organizador do Mizura – Encontro de Performance e Intervenção Urbana no Amapá, um dos maiores do Brasil, o ator e performista comenta que sua arte utiliza principalmente do corpo para construir o espetáculo “Eu trabalho com a arte da Performance como pensado dentro das artes visuais, a arte do corpo, meu corpo é meu instrumento de trabalho. Eu não tenho uma forma de criação específica, se dá de diversas formas, lendo um livro, assistindo a um filme, ou as vezes sou atraído por algum objetivo, ou material e a partir daí eu crio um trabalho.” 

Em relação ao desafio de apresentar-se online, o artista enxerga a possibilidade de explorar os novos meios de criação performática. “Essa será a terceira vez que faço essa ação, mas tô aprendendo ainda, mas está sendo uma experiência maravilhosa, é também uma forma de explorar o campo da tecnologia que até então, não dava tanta atenção.” conclui. 

A OCUPAÇÃO ESPAÇO COMUM LUIZ ESTRELA

A ocupação cultural e autogestionada nasceu em 2013 através da reunião de um grupo de amigos, artistas e moradores da capital preocupados com o abandono do casarão da rua Manaus, bairro Santa Efigênia. 

O local foi usado para diversas finalidades. Sua origem remonta o início da construção de Belo Horizonte, servindo de Hospital Militar até 1945, após esse período, reformado para abrigar o Hospital de Neuropsiquiatria Infantil (HNPI) que funcionou até os anos 1990, com a mudança do HNPI, o espaço foi transformado em escola para o ensino de crianças com transtornos intelectuais, escola estadual Yolanda Martins, o que perdura até o ano de 1994.

Com a escola desativada, começa então o processo de abandono advindo de diversas disputas de uso que nunca foram prosseguidas, em 20 anos de deterioração e em péssimas condições estruturais ganha uma nova chance de vida e utilidade com a ocupação. 

A organização do coletivo é composta por núcleos que atuam na restauração, preservação, administração financeira e jurídica além da implantação de atividades culturais, políticas e educacionais, devolvendo luz a construção que viu tantos horrores no passado.

Faz parte da filosofia do local a luta antirracista, em defesa da negritude brasileira, pelo direitos dos povo indígenas, LGBTQIA+, a luta antimanicomial, em defesa da população de rua, a luta pelos direitos humanos e em defesa das Ocupações do país.  

O nome do espaço é uma homenagem ao Luiz Estrela, poeta e morador de rua que foi assassinado em 2013.

Para assistir e acompanhar a programação do Festival entre nas redes sociais da ocupação:

Instagram, Facebook e Youtube

 

 

 

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*Por Mariana Aroni

Como vim parar aqui? Que lugar é esse? E esse chão quente?!

– Ronc! – assustei. Que barulho é esse? – Roooonc! – Opa, algo tremeu aqui dentro. – Roonc!

Isso… está dentro da minha b-barriga?! Não sei o que é, mas dá uma vontade imensa de comer alguma coisa. Ah, deve ser essa tal fome de que mamãe tanto falava.

Andar, andar, andar… De não sei onde para não sei onde. Agora, essa tal fome está piorando! Ah, lixo! Espero que tenha alguma coisa para comer. Hummm… Cheirinho bom! Será que é pizza?!

– Sai daqui, cachorro imundo! Fica mexendo e bagunçando o lixo todo. Rasga tudo e deixa espalhado aqui. Sai! – a mulher bateu palmas de forma furiosa, e tentou me chutar.

Ela me assustou de tal forma que saí correndo, uma vez mais, para sei lá onde.

Não consigo entender: o que tem de errado comigo? Chamam-me de imundo. Eu nem sei o que é isso.

Continuo andando, a barriga continua roncando. Vixi, agora também quero água. Vou ter que parar, minhas pernas não aguentam mais. Acho que estou ficando tonto. Ah, uma sombra. Que maravilha!

Hum, que preguicinha gostosa! Acho que tirei um cochilo. Por alguns minutos, consegui me desligar dessa loucura toda, de pessoas para todo lado, asfalto quente, gente querendo me machucar.

Sai! Sai! SAAAAAAAI DAAAQUI! – Que loucura! Tive nem tempo de terminar de pensar. Antes mesmo de terminar a frase mental, já estava virando a esquina. Não estava mexendo no lixo, nem latindo. Estava, apenas, deitado na calçada. Qual era o motivo de aquele homem ficar tão bravo?

Ah, não!

– Roooooooonc! – A fome deve estar pior agora! Preciso de algo urgente para comer. Meu corpo nem se mexe direito. Onde estou? Que besteira! Nem sei por que me pergunto isso ainda. Nunca sei onde estou. Sinto saudade da mamãe e dos meus irmãozinhos. Não lembro de muita coisa.

Mamãe estava dormindo com a gente, quando ouvi um barulho muito forte e acordei. Ela começou a chorar, mas não se mexia, e saía um líquido vermelho de sua cabeça. Não sei o que é. De repente, outro barulho muito forte. E foi aí que vi uns moleques, com um pedaço de madeira na mão, correndo e rindo. Acho que mamãe estava muito mal. Ela chorava baixinho, e estava estranha. Eu tentava falar com ela, mas ela não respondia. Meus irmãozinhos estavam com medo, assim como eu. O Toby corria para debaixo de um pneu, Alissa tentava falar com mamãe, assim como eu. Martie saiu correndo atrás dos moleques, gritando e xingando eles. Não sei onde ele está agora.

TOC. TAC. BUUUM. Ah, não. Cachorrinho infeliz, quis dar um de valente e se deu mal Acho que os moleques o machucaram também. Mas, o que nós fizemos? Mamãe, mamãe! – Alissa, agora, chorava. Acho que mamãe… Ah, meu deus! Mamãe morreu!

Corri para ver Martie. Ele também não estava bem, deu-me uma última olhada e pediu para eu cuidar dos outros. Em seguida, os olhos dele se fecharam. Ele não era apenas meu irmão; era meu melhor amigo.

Voltei para ver Alissa e Toby. A tristeza me invadiu de forma brutal. Não consegui nem me aproximar dos outros. Minhas pernas não funcionavam. Tinha algo salgado escorrendo por meu rosto. Eu chorei. Não de medo, mas por perder duas das criaturas que eu mais amava.

Quando voltei, Toby havia sumido. Não o encontrei mais debaixo do pneu, nem em nenhum outro lugar. Alissa continuava abraçada à mamãe, chorando.

Alissa, precisamos sair daqui. Se aqueles moleques voltarem, vão nos machucar, também. Acho que ela percebeu a urgência e a tristeza em minha voz.

Bart, por que fizeram isso com eles? Mamãe disse para ficarmos longe dos humanos ruins e nos trouxe para cá, justamente, para ficarmos seguros. O que nós fizemos de errado? Ela me disse isso em meio a lágrimas e soluços.

Eu não sei. Eles são cruéis. Mas vamos ficar bem. Venha, precisamos nos proteger. Não encontrei Toby. Já o chamei, mas não sei onde ele está. Não podemos mais ficar aqui. Tentei parecer forte. O desespero e a tristeza me inundavam de forma que não conseguia suportar.

Não conhecia o mundo direito, mas mamãe já tinha nos preparado para o que poderia acontecer. Foi ela quem nos falou sobre a violência, a fome, a tristeza, o frio e a sede.

Alissa se convenceu do que eu falava e decidiu vir comigo. Andamos pertinho um do outro, nem sei por quanto tempo. Não encontramos Toby.

Que gracinha, mãe! São filhotinhos. Posso ficar com um? Uma menininha estava brincando com a gente. Fez carinho em mim e em Alissa. Adoramos ela!

Tadinhos! Devem estar sozinhos e perdidos. Podemos levar só um, os dois não dá. Pega a fêmea, é mais fácil de cuidar, faz menos bagunça. 

Alissa ficou radiante e me chamou para também ir. A menininha a pegou no colo. Eu as segui, andando atrás dela e de sua mãe, mas a mulher me afastou e disse que não me levaria. Eu continuei andando atrás delas, até que elas entraram em um carro e foram embora. Não consegui entender o que Alissa disse.

E eu, mais uma vez, estou perdido em devaneios. O passado é o passado. Agora, preciso encontrar algo para comer. A fome só aumenta.

Onde estou?

– Ah, Bartolomeu, pare de se perguntar isso! Você está perdido na cidade. Nunca vai saber onde está e nem para onde vai. Procure comida, que é o mais importante agora! – gritei, para mim mesmo, em minha mente.

 

*A crônica foi produzida sob a supervisão do professor Maurício Guilherme Silva Jr.

 

 

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*Por Daniela Reis

A receita de hoje é de Luis Felipe Castilho Assis e é uma excelente sugestão para o final de semana!

Descrição do prato: Nhoque de beterraba na manteiga de ervas acompanhado de pernil suíno e tomates sweet grape.

Quantidade de porções: 8

Tempo de preparo: 1h

Categoria: Prato Principal

Nível de dificuldade: Fácil

Ingredientes:

Nhoque de Beterraba
– 600g de beterraba cozida, sem casca e processada no mixer ou no liquidificador.
– 150g de farinha de trigo
– 130g de cebola
– 4g de alho
– Sal e pimenta a gosto
– Azeite para refogar

Manteiga de ervas
– 100g de manteiga no ponto de pomada
– 8g de alho
– 6g de salsinha
– 2g de funcho

Pernil Suíno
– 1kg de pernil suíno picado em cubos
– 20 ml de shoyu
– 8g de alho amassado
– Sal e pimenta a gosto
Para a composição
– 180g de tomate sweet grape

Passo a passo para a preparação:

Para a Manteiga de Ervas:
– Picar bem pequeno o alho e as ervas
– Misturar tudo com a manteiga
– Reserve no ponto de pomada ou na geladeira para durar mais

Para o Pernil Suino:
– Disponha o pernil em um bowl ou vasilha
– Acrescente o shoyu, o sal e a pimenta e misture bem
– Esfregue o alho picado e reserve por uns 20 minutos.
– Com um pouco de azeite, coloque o pernil em uma frigideira ja aquecida e mexa ate que esteja cozido.

Para o Nhoque de beterraba:
– Picar a cebola e o alho e refogar em uma panela funda
– Adicione a beterraba já cozida e processada e misture
– Acrescente a farinha e misture até ficar homogêneo e mais denso
– Reserve em um pote e deixe resfriar
– Povilhe farinha em uma bancada já higienizada
– Em porções pequenas, pegue a massa ja fria e modele na bancada e corte no tamanho desejado
– Esquente a água em uma panela para o cozimento
– Após a fervura da água, adicione o nhoque
– Quando o nhoque subir significa que está pronto. Retire e reserve
– Em uma frigideira acrescente a manteiga de ervas e em seguida o nhoque
– Mexa um pouco e está pronto

Junte o nhoque, o pernil e o tomate. A montagem fica por sua conta da sua criatividade! É um prato com muita cor e sabor!

 

Sobre o chef

Luis Felipe Castilho Assis é aluno do curso de Gastronomia do Centro Universitário Una. Sua paixão pela culinária começou com a avó, que o mostrou que a cozinha vai além de uma simples refeição. “Com a cozinha você se conecta com os outros, você se expressa, você cria ou relembra sentimentos e sensações. Eu posso dizer que minha maior forma de contato e aprendizado na cozinha vem das mulheres da minha vida, minhas duas avós e minha mãe. Isso me fez desde pequeno entender a importância de amar o que você faz e não ter medo de criar”, afirma Luis.

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Recém-operados devem redobrar os cuidados durante a pandemia

Obesos e bariátricos devem redobrar a atenção ao Coronavírus

*Por Jéssica Araújo

Depois que o Coronavírus chegou ao Brasil, o país segue em quarentena. Muito se fala em grupos de risco, mas e os bariátricos e obesos? Quais os cuidados devem tomar em relação à pandemia?

Como têm sido noticiado, os idosos estão no topo do grupo de risco para contrair o Covid-19, mas o que muitos não sabem é que as pessoas que passaram pelo procedimento de cirurgia bariátrica e obesos mórbidos também se encaixam nos grupos de risco e devem ter maior atenção em relação ao contágio.

Segundo o balanço realizado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Metabólica e Bariátrica (SBCBM), o número de procedimentos de redução de estômago aumentou em 84,73% em quatro anos, e, tende aumentar ainda mais até o ano de 2025. De acordo com os especialistas esses pacientes, principalmente os que possuem até três meses de cirurgia devem reforçar os cuidados em relação ao Covid-19.

Especialistas explicam que após o procedimento cirúrgico os pacientes ficam mais vulnerais e apresentam baixa imunidade por deixar de absorver alguns nutrientes necessários para manter uma vida saudável, por isso que os médicos em junção com os nutricionistas receitam vitaminas como: B12, vitamina C, D, cálcio e ferro.

O Cirurgião especializado em gastroplastia endoscópica, Dr. Hemerson Paul, alerta sobre as medidas de prevenção que os operados e obesos devem adotar nesse período de quarentena. “O ideal é que assim como os idosos e as pessoas que apresentem comorbidades, os recém-operados tenham uma atenção a mais contra o vírus, pois nos três primeiros meses essas pessoas estão com a imunidade mais baixa e podem contrair o vírus com mais facilidade e nem apresentar sintomas”, explica.

Ainda de acordo com o médico, alguns cuidados são fundamentais. “Continuar com a higienização das mãos com sabão e álcool em gel, manter a alimentação saudável, mas principalmente continuar tomando as vitaminas solicitadas aos pacientes que fizeram a cirurgia”. “Todos os bariátricos que puderem, devem ficar em casa e manter uma atividade física, mesmo que seja caminhar dentro de casa”, afirma Paul.

Muitos têm seguidos as recomendações médicas, mas os problemas vão além do contágio do vírus. A aposentada, Nanda de Oliva, operada há 12 anos ainda enfrenta dificuldade com a imunidade e a compulsão alimentar nessa fase de isolamento. “O meu maior problema tem sido a compulsão alimentar, tenho comido tudo que tenho em casa e mesmo assim não me sinto satisfeita. Já relação à prevenção, eu tenho usado muito álcool em gel e sempre atenda a ventilação da casa. Apesar de ser uma situação que envolve o mundo todo eu tenho tomado todos os cuidados, pois além de ser do grupo de bariátricos eu ainda tenho anemia e isso me deixa ainda mais vulnerável”, conclui.

Compulsão e ansiedade nos tempos da Pandemia

Os dias de quarentena têm sido muito difícil para os bariátricos e obesos que alegam ter compulsões alimentares e crises de ansiedade. “A melhor forma de lidar com a compulsão e ansiedade é se dedicar às coisas que te deixem feliz”, alega a Psicóloga Raphaella Rios.

“Você deve fazer coisas como se maquiar, ler um livro, assistir um filme, trabalhar, criar novos hobbies, realizar atividade física, ou seja, consumir o tempo com coisas que antes não tinha tempo para fazer ou seja: movimentar o corpo e a mente”, continua Raphaella.

“O essencial é ocupar os pensamentos para não dar espaço para a ansiedade e assim não acarretar na compulsão alimentar e evitar futuros problemas de saúde. É muito importante se alimentar bem e pensar que tudo isso é uma fase e que se fizermos nossa parte, mais rápido teremos boas respostas”, concluiu a psicóloga.

O Coronavírus

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que já são mais de meio milhão de casos da Covid-19 no mundo todo e no Brasil já foram confirmados 109 mil casos e mais de 7,3 mil mortos pela Covid-19. Vale lembrar que apesar de alguns especialistas alegarem que o vírus tenha uma baixa letalidade, os obesos e os bariátricos devem manter a atenção redobrada e assim como toda a população, manter a higienização e os cuidados para evitar a contaminação.

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Estilo de vida ganha cada vez mais adeptos

Dados da Sociedade Vegetariana Brasileira indicam grandes aumentos de adeptos ao veganismo e vegetarianismo no Brasil

*Por: Moisés Martins

 

O vegetarianismo e o veganismo têm crescido consideravelmente nos últimos anos, prova disso é que quase 15% da população brasileira é adepta a um desses estilos de vida, número 75% maior que em 2012. Esses números não impactam apenas na alimentação, mas também na economia, já que o mercado vegetariano movimenta por ano R$12,5 milhões e o vegano R$2,8 milhões.

 

Já que estamos falando de economia e o quanto esse mercado fatura, provavelmente você já ouviu a seguinte frase: “Ser vegano ou vegetariano custa caro!”, mas de acordo com Ana Luisa Arrunátegui, estudante de cinema e adepta ao vegetarianismo desde 2011, existem maneiras de economizar na hora das refeições. “O preço das frutas e legumes comparado ao das carnes é bem mais barato. A dica é fazer as refeições em casa e evitar os produtos industrializados disponíveis no mercado”, salienta.

 

Apesar de muitas marcas e estabelecimentos aproveitarem o título vegetariano ou vegano para cobrarem mais caro nas prateleiras, a nutricionista Priscila Menezello reforça que a escolha por certos produtos pode deixar a conta mais onerosa. “O custo de vida vegano e vegetariano não é nada caro, um vegetariano come todas as coisas que um onívoro come, excluindo a carne, o que acontece é que quando os adeptos optam por consumir alimentos industrializados, por a demanda ser menor, eles costumam ter um custo mais alto dependendo também da matéria prima que é um pouquinho mais onerosa”.

 

Mas, você já parou para entender esses dois estilos de vida? Ser vegano ou vegetariano  não é a mesma coisa. As duas formas de viver têm diferença. O foco do veganismo é a luta pela libertação e não exploração animal, não apenas na alimentação, mas também no vestuário, em testes laboratoriais, na composição de produtos diversos, no trabalho, no entretenimento e no comércio. Veganos opõem-se, obviamente, à caça e à pesca, ao uso de animais em rituais religiosos, bem como a qualquer outro uso e/ou testes em animais.

 

Esses dois modos de vida fundamentam-se, ideologicamente, no respeito aos direitos animais e pode ser praticado por pessoas de qualquer credo, etnia, gênero ou orientação sexual. O veganismo não tem relação com crenças políticas nem com preferências musicais, nem deve ser associado a determinada cultura. Trata-se, portanto, de uma prática universal.

 

Já o vegetarianismo, não é apenas uma prática alimentar motivada somente por questões éticas, mas também envolve saúde e bem-estar “Substituo as proteínas da carne por outros alimentos que também são riquíssimos em proteínas, como lentilhas, soja e o brócolis.” comentou Ana Luisa.

 

Com a operação  carne fraca, realizada pela Polícia Federal em março de 2017, foi comprovado que empresas frigoríficas produziam carnes em péssimas condições sanitárias, foi confirmado  também o uso de produtos químicos prejudiciais à saúde. Com isso o índice de pessoas que passaram a buscar por estes estilos de vida aumentou.

 

“Eu falei para mim mesma que a partir daquele dia eu seria vegana, e assim foi. E nesse processo eu não sabia que minha vida ia mudar tanto, comecei a estudar os alimentos, fui aprendendo a cozinhar, inventando receitas, e comecei a sentir o meu corpo mais disposto. Eu estava mais feliz, e emagreci muito também”, afirma Carol Cortês, adepta do veganismo.

 

Muitas pessoas procuram os nutricionistas para fazerem a transição, o que é correto. Afinal toda mudança na dieta causa impacto no corpo e a proteína animal deve ser devidamente substituída pela a vegetal, pois nutrientes essenciais à saúde humana estão presentes nas carnes, nos ovos, etc.  “Existe uma dieta especifica para qualquer pessoa sendo vegetariana ou não, a alimentação é algo individual, os horários, e as necessidades nutricionais. A única diferença de uma dieta vegetariana ou vegana, é que quando você tira a carne, ovos e laticínios, temos que aumentar a quantidade de consumo de alguns alimentos, para garantir o aporte nutricional adequado. Observamos também a necessidade de suplementos como a vitamina D e B12, de acordo com o exame de sangue”, finaliza  a nutricionista Priscila Menezello.

*Essa matéria foi produzida sob a supervisão da jornalista Daniela Reis.

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Filme The Wars of Coco Chanel aborda o caráter forte e personalidade controversa da estilista francesa. Foto: reprodução.

Feed Dog Brasil, evento que estreia hoje em Belo Horizonte, apresenta ao público, por meio de exibições de filmes, oficinas e debates, diversos olhares sobre o universo da moda

Por Bianca Morais*

A moda sempre foi representada com esmero nas telas do cinema. Em parte, por conta da sua força narrativa e, por outra parte, pelo fascínio que desperta nas pessoas. Essas duas expressões se fundem na mostra Feed Dog Brasil, Festival Internacional de Documentários de Moda, evento que entra em cartaz hoje, em Belo Horizonte, e que evidencia a pluralidade da moda.

Até o dia 6 de outubro, o público belo-horizontino terá a oportunidade de experimentar uma programação gratuita e diversa, que traz a exibição de 11 documentários, sendo oito inéditos, além de debates e oficinas, no Sesc Palladium, no Museu da Moda (MUMO) e na Una – Campus João Pinheiro II.

Na abertura da mostra, realizada no Sesc Palladium, nesta terça-feira, às 20 horas,  será exibido o filme Celebration, de Olivier Meyrou, um registro do processo de criação da última coleção do estilista francês Yves Saint Laurent.

A curadoria, assinada pela jornalista e documentarista Flavia Guerra, que afirma que moda é cultura, debruça-se sobre obras que entretêm ao mesmo tempo que educam, sem ser didático.

– O nosso pensamento, ao fazer curadoria, juntamente com o Marcelo Aliche, que também é curador, e a Lais Vitral, coordenadora de produção, sempre foi unir diferentes visões e trazer filmes que fazem esse recorte da moda e que, ao mesmo tempo, contêm histórias interessantes, acima de tudo. Por meio dos filmes, a gente se informa, aprende, pensa, amplia nossa visão e vemos ótimas histórias, com ótimos personagens e ótimos temas – explica Flavia Guerra.

Ainda de acordo com a curadora, o cinema contribui para desmistificar o imaginário de que moda é algo inacessível, na medida em que propõe um novo olhar e apresenta uma investigação profunda dos bastidores desse universo.

– É por meio do cinema que adentramos em um ambiente que, naturalmente, não teríamos a chance de entrar como, por exemplo, o ateliê do Yves Saint Laurent. Primeiro, por uma questão histórica e de acesso. Segundo, porque descobrimos que essas personagens que nós retratamos nos documentários, e que a gente vê retratadas, são pessoas – expõe Flávia.

O filme Celebration, escolhido para a abertura, evidencia o quanto Yves Saint Laurent era meticuloso, cuidadoso, extremamente artesanal até no trabalho de pensar a alta-costura, como era viver com ele, o quanto era uma pessoa na sua rotina de trabalho.

Outro filme que destaca o caráter humano de um estilista, que será exibido no festival, é The Wars of Coco Chanel, que evidencia como a vida de Coco Chanel foi muito além do glamour. A produção mostra uma visão caleidoscópica da francesa, o quanto ela era genial e também uma figura controversa.

A indústria da moda

O festival tem por objetivo, também, mostrar que a moda é mais que alto padrão e alta-costura. Os filmes procuram ampliar a visão sobre o assunto ao expor o quanto a indústria têxtil modifica a dinâmica de um lugar, polui a natureza, impõe um novo modo de vida e precariza as condições de trabalho. As produções Estou Me Guardando Para Quando O Carnaval Chegar e Machines abordam a indústria têxtil e propõem debate sobre sustentabilidade e o futuro de uma das indústrias que mais poluem no mundo, depois da petrolífera.

Em contraposição a essa realidade, o filme Cambodian Textiles faz repensar a moda e o modo de produção, o consumo, a valorização do estilo de vida para além da moda, por meio do movimento slow fashion, ao retratar a produção de seda feita a mão no Camboja.

– Para além da criação, a moda tem essa função de movimentar indústrias. É um dos setores que mais emprega no Brasil, responsável por criar uma cadeia produtiva. A moda tem esse papel de repensar como a gente lida, hoje mais do que nunca, com o nosso mundo, com o meio ambiente, muito para além de questões politicamente corretas, mas por questões práticas – acredita Flavia.

Polo da moda

O evento Feed Dog, que nasceu em Barcelona, na Espanha, em 2015, aporta em Belo Horizonte, pela segunda vez, em razão da vocação da cidade, que tem criadores projetados nacionalmente e pela tradição artesanal que ainda preserva, a exemplo do bordado, da costura e do tricô.

A escolha da capital mineira para sediar o evento, segundo conta o diretor artístico e curador Marcelo Aliche, não foi por acaso. A organização encontrou aqui parcerias importantes para a consolidação do projeto como o Museu da Moda, o Sesc, a Riachuelo e o Centro Universitário Una.

– Belo Horizonte é um polo de moda muito importante no país. Tem uma tradição de criadores, de indústria de moda. Isso é muito importante, pois traz consigo uma sociedade já inserida nesse debate. É muito bom encontrar pessoas que podem debater o assunto – avalia Aliche.

O evento ainda realiza a exposição “Alfaiarte”, idealizada pelo alfaiate mineiro Marcelo Blade, em cartaz no Museu da Moda (Mumo) até o dia 27 de outubro.

Ingressos: Todos os filmes e debates têm acesso gratuito, com retirada de ingressos com 30 minutos de antecedência.

Programação completa e inscrição para as oficinas no site: http://br.feeddog.org

 

*(A estagiária escreveu a reportagem sob a orientação do jornalista Felipe Bueno).