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Imagem: Reprodução/Google

Por Bruna Valentim

No dia 25 de março foi celebrado o Dia Nacional do Orgulho Gay. A data foi criada para propagar a valorização das causas LGBT e reforçar que independente da orientação sexual todos devem se orgulhar de ser quem são. Lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros lutam há anos por igualdade.
O Jornal Contramão resolveu conversar com quatro moradores da capital mineira e representantes da sigla LGBT para saber o que esse dia significa para casa um deles. Emanuelle, João Vítor, Gabriela e Helena não se conhecem, mas são jovens que mesmo com vivências, personalidades e gostos diferentes, lutam por um mesmo ideal que é a liberdade, uma vida segura e direitos iguais.

Engajada e defensora ferrenha das minorias, a fotógrafa e estudante de Publicidade, Emanuelle Romão de 23, tem riso fácil é extrovertida, extremamente dedicada e tem um relacionamento com outra garota e faz questão de evidenciar esse amor com fotos e textos apaixonados postados nas redes sociais. Segundo Manu, como ela gosta de ser chamada, nem sempre as coisas foram fáceis e expostas assim. “Desde pequena eu sabia que era diferente do que a sociedade me dizia que era normal, mas tive certeza quando percebi que me forçava a gostar de homens e me via triste com isso”, conta a jovem que destaca momentos de tristeza vividos: “Tive um período onde fiquei deprimida e doente. Me assumi há 5 anos e meus amigos são compreensivos, mas no início minha família não lidou muito bem, cheguei até a ser expulsa de casa”, relembra.

De acordo com Manu, foi um longo processo. “Hoje convivemos melhor, não chega a ser uma relação que tínhamos antes, mas estamos em harmonia. O que importa é que hoje me sinto livre internamente”. Para ela, o Dia do Orgulho Gay representa resistência. “É sobre não abaixar a cabeça. É para lembrar que mesmo com todo o preconceito e as dificuldades que enfrentamos continuamos juntos. Eu sinto orgulho de ver isso crescer, de ver pessoas como eu cada dia mais se assumindo mais por aí”, finaliza.

Diferente de Manu, João Vitor da Silva, 20 anos, ainda não conseguiu se abrir com a família. “Minha família ainda não sabe. Eu nunca senti a necessidade de afirmar isso ou aquilo em relação minha orientação sexual em casa, até porque não isso não vai interferir de maneira nenhuma em quem eu sou com eles, na nossa relação por minha parte. Com os meus amigos é diferente, todo mundo sabe lidar com isso e eu me sinto completamente confortável perto deles”. Para Silva, quando o assunto é preconceito ele destaca para evolução das coisas, mas frisa que ainda não é o suficiente. “Estamos sendo mais vistos, mas poucos aceitam de verdade. O Dia do Orgulho Gay é importante por ser um momento de liberdade, de ser quem você deve ser sempre, mas não consegue pela retaliação da sociedade. É um momento nosso, alegre e cheio de cores. É um momento que conquistamos pelo que lutamos todos os dias que é emprego, aceitação, é uma folga dos problemas, uma data de libertação”.


Gabriela Neto por sua vez, tem 21 anos, é estudante de publicidade, usuária assídua do twitter, e atualmente  tem uma namorada,embora não se rotule lésbica. Bissexual assumida, apesar da pouca visibilidade que as pessoas bissexuais têm na mídia, Neto diz que foi a internet e a televisão que a ajudaram a superar o medo de se assumir “Na época que me assumi, 4 anos atrás, uma coisa que me ajudou foram vídeos de pessoas no Youtube que eram parecidas comigo, coisa que eu não tinha muito contato na vida real. Também assistia Supergirl, série em que existe uma personagem lgbt, então durante o meu processo de descobrimento me ver retratada na mídia fez com que eu me sentisse melhor comigo mesma”  A jovem acredita que o dia do orgulho gay é importante pois é um momento de renovação de esperanças “Só nós sabemos o que é viver nesse mundo sendo uma pessoa
LGBT. Ver o movimento tomando a proporção que tem tomado ultimamente pelo mundo é algo realmente feliz. E eu digo feliz em caixa alta. Me sinto esperançosa, especial. Estamos no início dessa luta mas as coisas têm melhorado, está sendo devagar mas estamos chegando lá” acredita.


Helena Bonassi tem 25 anos, estuda arquitetura em uma universidade particular e é estagiária na área. A jovem que tem o hábito de se encontrar com as amigas para tomar o chá da tarde concorda com as opiniões acima. A estudante sabe que embora tenha crescido em meio a certos privilégios sociais nem tudo são flores quando uma pessoa tem coragem de assumir transexual  “Eu passei a maior parte da vida como um homem gay que costumava se montar de drag queen e aparentemente tudo estava indo bem. No fundo eu sempre soube que poderia ser trans, embora tenha colocado barreiras nessa possibilidade por medo das dificuldades que eu enfrento hoje.” Ela garante que o apoio que vêm recebendo de uma amiga próxima é fundamental para enfrentar os tempos difíceis “ Tem uma pessoa que gosto muito que se assumiu trans antes de mim e que já me enxergava de verdade, então aos poucos ela foi me ajudando a ter autoaceitação. A vi tendo a coragem que eu não tinha e comecei a ver que a vida de uma trans pode ser bem diferente da figura estereotipada de travesti, ela estava feliz, então aquilo me encorajou muito. Estou passando por um período complicado onde a dinâmica familiar está muito conturbada pelo fato de eu ter tomado essa decisão, mas se não fosse por ela eu ainda seria uma trans vivendo a vida de um gay frustrado.” 

“Ter um dia celebrando o orgulho gay mostra que isso é fruto de uma reação em massa da nova geração, estamos conquistando respeito através da resistência, mostra uma liberdade em todos os sentidos jamais vista antes.
As cenas de preconceito existem porque nós temos resistido, existido, temos tomado nosso lugar e não vamos voltar atrás” diz Bonassi sobre a data .

No último domingo, dia 25, as redes sociais foram tomadas por mensagens de apoio a causa e celebrações já conquistadas pelos LGBTs como o direito
ao casamento civil e a adoção de crianças, mas também foi um dia para relembrar pessoas que morreram vítimas de crimes homofóbicos. No resto do mundo o dia orgulho gay é comemorado em 28 de junho anualmente.

Por Bruna Valentim

Greta Gerwig é uma atriz de respeito. Musa do cenário indie, ela é referência quando se trata de filmes alternativos com histórias tão reais que chegam a ser palpáveis. Ela fala sobre o mundo feminino de forma tão pura como apenas outra mulher seria capaz de retratar. Greta é o tipo de atriz que enquanto a assistimos parece que estamos vendo uma amiga de longa data no seu próprio reality show. Como diretora felizmente Gerwig também não decepciona em seu longa de estreia.

Com cinco indicações ao Oscar,a de melhor filme, melhor roteiro original, melhor atriz, melhor atriz coadjuvante e melhor direção (Gerwig quebra recordes sendo a quinta mulher indicada na categoria em 90 anos de premiação), o filme acompanha uma adolescente interiorana e sua complicada relação com sua família enquanto busca se encontrar e seguir seus sonhos em meio a decisões erradas e atitudes inconsequentes típicas da idade.

Christine, que se autotitula Lady Bird, é uma garota de 17 anos que odeia sua cidade natal, Sacramento, sonha em viver da arte em alguma grande metrópole e se acha diferente, portanto melhor, que outras pessoas. Saoirse Ronan que da vida a personagem, com apenas 23 anos, adquiriu uma terceira indicação ao Oscar, dessa vez como melhor atriz e com muita chance de levar a estatueta para casa. Por vezes engraçada, por vezes impetuosa, por vezes simplesmente chata, mas sempre interessante, Lady Bird têm camadas e faz com que sintamos empatia e amor pela personagem, mesmo com atitudes adversas que poderia despertar uma antipatia no telespectador, mas o carisma de Ronan faz apenas com que torçamos pela adolescente de cabelo rosa em sua jornada em busca de felicidade e amor.

Os relacionamentos amorosos de Lady Bird no filme, diferentemente do que acontece na maioria dos filmes adolescentes, são romances reais es situações absolutamente plausíveis para jovens adultos. Os atores escolhidos para interpretar seus namorados, Lucas Hedges e Timothée Chalamet, mesmo que não sejam o foco principal uma indicação ao Oscar no currículo. As pessoas provavelmente se identificarão com Lady Bird e terão uma sensação do que é ser uma adolescente descobrindo o amor, a paixão, o sexo. Os primeiros momentos em um relacionamento, a primeira vez, o término, são situações que a direção do filme mostra sem firulas, sem uma áurea cor de rosa, mostra do jeito que é. Greta foi sincera sobre tudo e essa é sem duvidas sua maior qualidade como diretora. A forma como a personagem principal lida com seus interesses amorosos e seus altos e baixos é independente, honesta e nada soa falso ou melodramático, algo corriqueiro em longa metragens do gênero.

A relação da protagonista com sua mãe é o ponto mais alto do filme, não é algo perfeito como a relação mãe e filha do aclamado seriado Gilmore Girs, é algo mais cru, mas também verdadeiro. As brigas entre as personagens e a maneira como fazem as pazes é duro, é puro, é a oposição de duas personalidades fortes que se contrastam, mas acima de tudo se complementam de um jeito muito bonito. Atenção para a cena do aeroporto, lenços serão necessários.

Lauren Metcalf, mãe de Lady Bird, está em estado de graça no filme. Demonstra a exaustão da rotina dobrada para conseguir alimentar a família, o amor e a frustração que sente pela filha ao não conseguir realizar seus sonhos e ao tentar sempre tirar a garota das nuvens, mostrando a realidade que a jovem não que enxergar. A indicação ao Oscar como melhor atriz coadjuvante é mais que merecida.

A trilha sonora carrega sucessos do ínicio dos anos 2000, uma vez que o filme se passa em 2002, então vemos Bones Thugs-N-Harmony e Justin Timberlake com seu coração partido embalando as aventuras de Lady Bird pela simpática sacramento.

O filme é sucesso absoluto e é uma concordância dos críticos e da audiência. Parte disso certamente se deve a perfeição da construção da personalidade de Lady Bird, ela é segura quase o tempo todo, ela tem certezas sobre quem é e sobre o que quer. Ela vive com intensidade e verdade ao mesmo tempo em que sente medo, reconhece quando erra, pede perdão e perdoa. Ela é humana, assim como todos os personagens do filme e sua perfeição se encontra aí, no fato de que essa estória em devidas proporções poderia ser sobre você ou sobre mim. O filme contém traços biográficos de Gerwig, e é uma carta de amor a Sacramento e uma homenagem as mães, as filhas, ao poder feminino, as relações familiares e a quem se é de verdade.

Por Hellen Santos 

 

Para regulamentar o funcionamento dos serviços de transporte por aplicativo e proporcionar segurança aos usuários e prestadores do serviço, a prefeitura de Belo Horizonte publicou nesta última quarta-feira (24), no Diário do Município (DOM) o Decreto Nº 16.832 de 23 de janeiro de 2018. Os aplicativos mais conhecidos como Uber, Cabify e 99 pop terão que pagar 1% do valor de cada viagem a PBH. Essa taxa nomeada de preço público será repassada às diretrizes do Plano Direto de Mobilidade Urbana da capital mineira (PlanMob-BH).

O presidente da BHTrans Célio Bouzada e o secretário de Planejamento de BH, André Reis anunciou na coletiva desta manhã (25) o critério e valor a ser pago para processo de regulamentação. “Olhamos todas as cidades onde eles são regulamentados. Vamos optar pelo cobrar o menor valor de utilização das vias, que é um 1% do faturamento da corrida. Isso, no nosso entendimento, não onera em nenhum momento os aplicativos. Vão continuar oferecendo o que já fazem, mas com esse regramento simples, ” relatou o presidente da BHTrans.

As empresas de transporte serão conhecidas agora como Operador de Transporte Individual Remunerado (Otir). Os aplicativos ainda têm o domínio do valor que será cobrado dos passageiros e também por todo diálogo entre os usuários e motoristas.

Critérios necessários para a regulamentação

Credencial de Otir emitido pela BHTrans; Carteira de identidade e CPF; Carteira nacional de habilitação explicitando o exercício de atividade remunerada; certidões negativas de distribuição de feitos criminais; aprovação em curso para prestação do serviço de transporte de passageiros.

Em nota o aplicativo Uber se posicionou sobre a decisão da prefeitura:

“O decreto publicado hoje pela Prefeitura de Belo Horizonte é um passo na direção de uma regulação moderna para a cidade, considerando os milhares de motoristas parceiros e usuários da Uber, preservando sua liberdade de escolha. A Uber vai cumprir sua obrigação de avaliar os impactos das novas regras e se preparar para responder às adaptações necessárias para o cumprimento do modelo estabelecido. Iniciativas para regulamentar o transporte individual privado por meio de aplicativos são positivas, desde que não imponham burocracias desnecessárias que inviabilizem o sistema. Queremos manter um diálogo aberto com a Prefeitura para continuar a discutir os benefícios que a tecnologia pode trazer para as pessoas e para as cidades. ”

Votação no Senado

Na última terça-feira (23) o senado aprovou com 46 votos o projeto que impõe algumas regras nos aplicativos de transporte. Foram retirados a obrigação que o Uber e Cabify tivessem placa vermelha, e que o carro usado para trabalho fosse de propriedade do motorista. O conteúdo retornou para a câmara que decida continuar com as alterações ou prosseguir com o texto anterior. A proposta escolhida ficará pendente até a análise dos deputados. Lindbergh Farias (RJ), líder do PT afirma que tem que abaixar a taxa que é cobrado por viagens ao motorista: “É um absurdo que os aplicativos cobrem 25% pelo serviço prestado pelos motoristas. Nossa proposta é reduzir esse valor para 10%”.

Foto : ( Capricho)

 


Música

“Que tiro foi esse”. A autora da música mais falada do mês desembarca em BH nesta sexta-feira (19), para participar de um evento que ocorrerá no Parque Municipal, a partir das 19h. A cantora é convidada do Bloco “Já é sensação”.

No sábado (20) a partir das 18h30, a banda BaianaSystem irá reunir com os blocos Chama o Sindico e Pena de Pavão de Krishna, também no parque. O evento tem como objetivo, estimular a reflexão sobre a sustentabilidade em BH, dando ênfase no respeito e na liberdade de expressão.

Valor:  R$ 15 o lote extra /  BLOCO DO PIMPÃO – JOJO TODYNHO

Endereço:  Parque Municipal. Avenida Afonso Pena, 1.377, Centro

 

 

Artes Visuais

O Centro Cultural Banco do Brasil reúne 120 obras do Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (FILE) na exposição “Disruptiva”. A mostra começa nesta sexta-feira (19) e vai até dia 19 de março. A entrada é gratuita e a classificação é livre. 

Endereço: Praça da Liberdade, 450 – Funcionários, (Praça da Liberdade)

 

Saúde

A Prefeitura de Belo Horizonte vai reforçar a vacinação contra febre amarela neste final de semana. Os 152 centros de saúde vão funcionar neste sábado, dia 20 de janeiro, para vacinação. O horário de funcionamento será das 08 às 17 horas. Saiba mais no link.

 

 

 

Por Hellen Santos 

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Por Hellen Santos

 

Neste sábado, 20, todas as unidades de saúde da capital estarão abertas das 08h às 17h para o fornecimento das vacinas contra a febre amarela. Ao todo, 152 centros em toda Belo Horizonte e região vão intensificar a vacinação contra a doença que já fez sua 15ª vítima no estado.

 

Na manhã desta quarta-feira,17, o presidente da Rede Minas, Flávio Henrique Alves de Oliveira teve registrado Febre Amarela em seu quadro clínico, sendo ele, a 12ª vítima confirmada na região metropolitana de Belo Horizonte. De acordo com dados de epidemiologia da capital, Oliveira pode ter contraído o vírus em uma região de sítios ou matas da grande BH. Outro ponto que ocorreu desta contaminação é que o paciente não era vacinado.

 

Na região do Barreiro, um morador veio a óbito no dia 11 de janeiro, por febre amarela, como consta na confirmação de exame de laboratório concluído nesta terça (16). Esse foi o primeiro caso na capital. Conforme relatos da Secretaria Municipal da saúde, a vítima não tinha registro de vacinação e estava com baixa imunidade. A cidade de Nova Lima lidera os casos de febre amarela, com mais de cinco vítimas. Segundo os órgãos de saúde, os primeiros sintomas do paciente infectado é febre repentina, calafrios, dor de cabeça, dores nas costas e no corpo em geral, náuseas e vômito, fraqueza e fadiga.

 

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) destaca a importância da vacinação, principalmente para aqueles que irão viajar para regiões rurais. Vale ressaltar que uma dose é equivalente a uma proteção para a vida toda.

 

 

 

Google/Reprodução
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Por Bruna Valentim

 

Os jovens não estão usando camisinha e isso é um fato. Os índices de doenças sexualmente transmissíveis vêm aumentando consideravelmente entre a juventude no Brasil é um sinal alarmante para a nova geração.No Brasil de acordo com o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, do Ministério da Saúde, a taxa de infectados explodiu entre 2006 e 2015 na faixa etária​ entre entre 15 e 29 anos e diminuiu entre a população mais velha. Em uma roda de conversa com  pessoas nascidos nos anos 90, quando o tópico doenças sexualmente transmissíveis (DST) surge as experiências e declarações são semelhantes, o maior medo é a AIDS porque não tem cura, mas em contraponto a maioria não usa preservativo em suas relações por confiar na saúde de seus parceiros.

 Acredita-se que a doença teve origem no início do século vinte no continente africano quando caçadores da região buscavam carne de macacos para se alimentarem e ao entrarem em confronto com o animal o sangue do macaco contaminava as feridas dos caçadores. O vírus chamado SIV podia ser encontrado no sistema imunológico dos chimpanzés e dos macacos-verde africano. Apesar de não deixar esses animais doentes, o SIV por ser um vírus altamente mutante, teria dado origem ao vírus HIV que quando não tratado dá origem a AIDS. Nos anos 70 o vírus começou a ser propagado ao redor do mundo e no início dos anos 80, foi reconhecido como uma nova doença que pouco se sabia, mas muito se temia.

 

 Na década de 80 o medo se alastrou pela população mundial e muito se especulava entorno dos motivos da doença e suas vítimas. A princípio acreditava-se erroneamente que a transmissão do vírus se assemelhava a forma que se contrai uma gripe, teoria que mais tarde foi posta por terra. Também acreditavam que a doença seria uma espécie de “cólera divina” um castigo enviado por Deus para os homossexuais, prostitutas e pessoas que levavam uma vida considerada desregrada, mas com os avanços das pesquisas e o passar dos tempos foi comprovado que a história era diferente, o vírus era transmitido sexualmente, por meio do compartilhamento de seringas e sangues já contaminados e que absolutamente qualquer pessoa expostas a essas situações poderia entrar em contato com o vírus se infectar. Na época a doença matava em pouco tempo e não havia qualquer esperança de cura. Ter hiv era como receber uma sentença de morte, o que vitimou muitas pessoas, sem distinção de classe social, raça e credo.

 

As pessoas então começaram a se proteger e o uso da camisinha virou primordial nas relações nas últimas décadas do século passado.  Quem viveu o surto da AIDS tomava precauções e fazia exames regularmente. Os índices de contaminação diminuíram e com o surgimento do coquetel a doença se tornou tratável e a qualidade de vida dos infectados melhorou. Hoje uma pessoa contaminada pelo vírus se tratada corretamente segue uma rotina normal e com uma alta expectativa de vida.

 

As novas gerações, porém, parecem não se dar conta da gravidade da doença, não é incomum escutar jovens dizendo que temem mais uma gravidez indesejada do que a AIDS, e portanto seguem tendo comportamentos sexuais irresponsáveis o que resultou no aumento do índice de contaminação entre os mais jovens. Desde o início dos anos 2000 o número de diagnósticos no país aumentou em 6%, enquanto no resto do mundo o número de infectados pelo vírus teve uma queda de 28%.

 

Em 2015, porém, pela primeira vez desde o surgimento do vírus o Comitê Consultivo sobre Drogas Antivirais, que aconselha a Agência Americana de Drogas e Alimentos (FDA, na sigla em inglês), aprovou o uso do Truvada, medicamento Profilaxia pré-exposição que busca prevenir a AIDS e a Organização Mundial de Saúde Recomendou que os grupos considerados de risco (homossexuais, transexuais, profissionais do sexo) fizesse o uso da Truvada.

 

O uso do medicamento que chegou recentemente ao Brasil pelo sistema único de saúde (SUS) se assemelha ao uso de remédios anticoncepcionais, o medicamento vem em uma cartela com 30 comprimidos, que devem ser ingeridos uma vez por mês durante todo o mês. O uso pelo SUS ainda é restrito é  o preço da cartela varia entre 290 e 400 Reais. O remédio ainda não é popular no Brasil e causa dúvida sobre o seus benefícios.

“Bom, eu não sei se eu usaria. Teria que fazer uma pesquisa muito grande a respeito de efeitos colaterais (não quero ter trombose igual o anticoncepcional feminino pode causar), mas acho que é uma ótima possibilidade, principalmente para quem tem uma vida sexual ativa e bem movimentada, sabe? Vou passar o carnaval no Rio e atividade sexual essa época é mais intensa, então acredito que remédio ajudaria porque não teria tanta preocupação com camisinha estourar ou pelo alto número de parceiros.
Porém acho que isso tem que ser extremamente conversado, porque muita gente acha que os métodos contraceptivos substituem a camisinha e não é bem assim, né? Pilula não substitui, DIU também não, etc”. É o que diz o universitário de 25 anos, João Bicalho.

 

A clínica geral Neuzilene Maurício vê no remédio um avanço ao combate ao HIV, mas tem algumas ressalvas “Creio que o truvada é uma importante ferramenta para reduzir novos casos de infecção por HIV, e nesse sentido todas novas ferramentas são bem vindas, levando em consideração que o vírus é uma pandemia de suma importância para a saúde pública e todas as armas para barrar seu crescimento são importantes. Porém vejo com cautela a disseminação midiática do medicamento como método mágico em detrimento ao uso do preservativo, que continua sendo a melhor ferramenta de prevenção, sobretudo em dias atuais que  observamos o crescimento nos casos de sífilis e hepatites virais por exemplo, que por vezes ficam minimizadas pela sociedade. Como é um medicamento novo só podemos medir a eficácia com tempo, embora pesquisas mostrem o beneficio do uso, nem sempre o uso em massa reflete o mesmo benefício”.

 

É importante ressaltar  que meio  considerado mais eficaz para a prevenção de dsts ainda é a camisinha e que ela deve ser sempre a primeira opção quando se trata de sexo, barata e por vezes gratuitas, é de fácil acesso para toda a população. Vale lembrar que anticoncepcionais são apenas meios de controle reprodutivos e não é servem para proteger doenças. Em caso de comportamento de risco, buscar a unidade de saúde mais próxima dentro das primeiras 72 horas após a exposição para avaliação profissional. O exame de dst pode ser feito de maneira gratuita em centros de testagem e aconselhamentos, onde o processo é rápido, seguro e sigiloso.