zChamadas

Era Dia dos Namorados e o caminho para casa incluía a Praça da Liberdade como rota. Dessa vez, havia algo no ar e não era o “enamoramento” dos vários casais que já tem o costume de estar na praça com ares de romantismo europeu. Dezenas de policiais circulavam por todas vias no entorno, várias viaturas chegavam fechando as ruas, cercos eram montados: uma praça de guerra era montada bem à minha vista. Me aproximei mais rápido para ver o que acontecia.

Um saxofonista, que pensava em faturar uns trocados na data, mudou de música quando a polícia tomou a praça. Não tenho ideia se era sua intenção, mas a marcha fúnebre que saiu tocando combinou com o clima que se instaurou naquela momento. Muitos casais dispersaram antes ainda de entender o que estava acontecendo; talvez até mesmo Cupido esteja mais precavido nos dias de hoje. Pouco tempo depois depois da chegada da polícia, vi as bandeiras vermelhas subindo a Avenida João Pinheiro. Mesmo imbuído da minha função (apurar todo o desenrolar da manifestação) e embora estivesse calmo, não pude evitar um arrepio de temor diante do cenário que se desenhava.

A polícia se posicionou em toda praça, com efetivo suficiente para fechar todas as ruas em volta e ainda sobrava gente para ficar em frente ao relógio da Copa – sim, falo do relógio que a Coca-Cola instalou por lá para fazer a contagem regressiva da temporada de futebol (se esse fosse um relato gonzo, eu escreveria “temporada de medo e delírio” no lugar). Ao contrário da força policial, os manifestantes não estavam em número tão expressivo. O grupo se aproximava enquanto a última porta do Xodó era fechada. O barulho não entrou bem em meus ouvidos.

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Eram exatamente 16h, quando uma linha invisível delimitou o posicionamento de manifestantes e policiais na praça; frente a frente, ambos os lados esperavam por algum movimento, alguma ação, uma faísca. A faixa invisível só não era respeitada pela imprensa, que sempre se embrenhava entre os dois grupos para ter bons registros. A linha de frente do grupo que protestava era formada por alguns mascarados, um pessoal com estilo punk e cabelos espetados, jovens e senhoras – destaco senhoras, por que não vi nenhum senhor por lá, pelo menos não à frente. Os policiais estavam imóveis, bravamente posicionados (atrás de escudos e bem armados) defronte ao fatídico relógio. Ninguém tocaria nele desta vez, nenhuma pedra o arranharia, diferente do que aconteceu nas Jornadas de Junho no ano passado. Havia forte aparato policial para garantir sua segurança desta vez.

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Contra a barreira policial os manifestantes puxaram gritos, como “olha que idiota, tá defendendo o relógio da Copa!”. Os agentes permaneciam imóveis. Até que, em certo momento, um pequeno aglomerado de manifestantes começou a queimar a bandeira do Brasil, mas o vento atrapalhou, apagando a intenção deles. Foi nesse momento em que ouvi os primeiros disparos, juntamente com o corre-corre, o gás lacrimogêneo e as pedras. Consegui ver que um manifestante havia se machucada e outro voltava para socorre-lo, mantendo as mãos sempre para cima. Ao redor: bombas de gás versus pedras. Difícil escrever “enfrentamento” para definir isso.

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Enquanto agentes policiais marchavam, uma senhora desabafou aos berros: “a população está ferida, mas o relógio está intacto! Parabéns, vocês conseguiram!”. Uma outra debochou: “a gente só queria dar um abraço no relógio, mas vocês não deixaram”. Com a praça esvaziada, mantendo formação, escudos à frente, a polícia passou a cercar outras vias.

Eram 16h20 quando um grupo de policiais saiu da praça, passou pelo prédio da biblioteca pública para enfim bloquear a Rua da Bahia. De mãos dadas com a namorada sigo para o programa romântico da tarde: vou atrás deste destacamento. Lágrimas correm pelo meu rosto e não é choro sensível pela data comercial, é o efeito do gás que já me cega. Ela assume a câmera até que eu me recupere.

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Os policiais cercaram a Rua da Bahia, mantendo duas filas de agentes. Estamos logo atrás dessa sólida formação. Afora os policiais, somos três: dois estudantes de Jornalismo – no meio de confusão de sentimentos – e um repórter de O Tempo. Enquanto acompanhamos e registramos a ação, dois policiais saíram de suas posições oficiais e se aproximaram de nós. Eu carregava uma mochila e não tinha credencial de imprensa, além disso, fotografava do celular; Guilherme Ávila, o jornalista do O Tempo, tinha credencial, uma GoPro na cabeça, câmera profissional na mão e nada de mochila. Não sei se eu usava um manto de invisibilidade ou se um repórter de jornalão, naquele momento, era mais visado para a abordagem policial, mas o caso é que os agentes me ignoraram e foram direto até Ávila. Só depois de ver a credencial, pedir seu documento de identidade, fazer vistoria corporal e fotografá-lo é que os PMs se lembraram que eu estava lá e pediram para ver o que havia na mochila sem se importar muito com o conteúdo.

Depois da revista, fizemos trajeto contrário ao ato e seguimos pela Rua da Bahia até a proximidade do Minas Tênis Clube, trocando informações com a redação. Sabíamos que com a mochila passaríamos por revistas constantemente e precisávamos nos desfazer dela. Em todo o trajeto havia circulação de policiais. Um professor universitário aparece afobado querendo saber o que estava acontecendo, o som dos tiros o assustaram. Quando explicamos ouvimos uma resposta que me fez cogitar que ele pudesse ser a própria Joana Havelange: “acho que agora não tem mais que protestar, afinal, já gastou muito dinheiro, o que tinha que ser roubado já foi roubado. Agora é nas urnas”.

De novo, o caminho de casa é o caminho da manifestação. Seguimos pela Avenida Bias Fortes. Alguns moradores estavam fora de suas casas com cara de medo. Observamos algumas pichações novas nos muros. “Vocês estão nas manifestações?”, indaga uma senhora. Explicamos que estávamos cobrindo o ato. “Tá uma bagunça, uma baderna, eu se fosse vocês passava por outro caminho”, disse ela. Expliquei que aquele também era nosso caminho para casa. “Boa sorte”.

  Texto por Alex Bessas
  Fotos: João Alves, Alex Bessas e Franciele Carvalho

A Praça da Savassi tem vivido em ritmo quase carnavalesco durante a Copa do Mundo. Na noite de sábado, 14, o lugar virou palco de comemorações pela vitória da seleção colombiana. O amarelo do uniforme e os gritos de guerra eram constantes, assim como o sorriso dos taxistas e ambulantes que também aproveitavam a festa. O que faltou mesmo foram banheiros químicos espalhados pelo local, de forma que as bancas de jornal se tornavam mictórios para brasileiros e gringos.

De Manchester, o estudante Martin era só amor pelo país da Copa. Chegando em Belo Horizonte há duas semanas, o inglês decidiu ficar mais uma semana depois do jogo da Inglaterra, que acontece no dia 24, terça-feira. Suas palavras são carregadas de entusiasmo, “O que mais me chama atenção em Belo Horizonte é a noite. O pessoal é simpático e hospitaleiro, além de muito bonito. As mulheres são muito bonitas!”. Na noite deste sábado, o que espanta Martin é o grande volume de colombianos.

Aproveitando o forte movimento, ambulantes aumentaram significativamente seus preços: uma garrafa de catuaba costuma ser comercializado de R$ 12 à R$ 15 na região, ontem o preço mínimo eram R$ 20. Luís Gustavo de apenas 14 anos veio de Betim para se embrenhar entre os gringos e aproveitar a oportunidade para faturar. Otimismo é o que define o sentimento do taxista Cláudio: para ele o movimento tende a melhorar, mas desde já considera que o número de clientes aumentou consideravelmente. Para o profissional, a maior dificuldade é relacionada ao idioma e a grande variedade de culturas e línguas que desembarcam em BH, “mas o problema não é tão grave, por que a maioria vem sempre acompanhado de algum brasileiro”, ameniza.

O colombiano Pedro Antônio, que veio de Bogotá para acompanhar a vitória de sua seleção na tarde do mesmo sábado, também elogia os brasileiros, que classifica como uma gente muito gentil e bonita. O torcedor, no entanto, faz uma ressalva, “vocês são legais, mas poderiam estar mais preparados para a Copa”. Em relação ao idioma, ele revela que dificilmente encontra quem fale inglês ou espanhol, mas que os brasileiros são educados e falam devagar, o que facilita a compreensão, e que, portanto, não tem tido muita dificuldade em relação a isso.

Na noite de sábado a Savassi foi invadida pelos torcedores colombianos, o espanhol foi o idioma oficial da noite e os gritos de guerra faziam parecer que em Belo Horizonte a torcida é pela equipe da Colômbia. A falta de banheiros químicos, no entanto, foi o que destoou a festa, espalhando mau cheiro e constrangimentos em toda região. Este carnaval vai se alongar até o final dos jogos da Copa do Mundo, ainda é tempo de acertar as arestas.

Texto: Alex Bessas
Foto: Divirta-se Uai (Estado de Minas)

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Há mais de 50 anos, no dia 12 de junho, é comemorado o dia dos namorados no Brasil. Em 2014, a data não estará tão em voga como nos outros anos, visto que a abertura da Copa do Mundo no país atrapalhará esse dia tão aguardado pelos casais apaixonados.

Além dos enamorados, a data também é muito esperada pelo comércio. De acordo com FEComércio MG, o dia é estimado como o terceiro melhor do comércio varejista, uma vez que o clima é muito festivo e é focado em trocas de presentes. Em pesquisa realizada entre os dias 02 a 05 de junho, a FEComércio MG constatou que, dos 331 entrevistados, a maioria (35,2%), pretende investir no presente um valor maior em relação à 2013. Dentre essa maioria, 47,9% afirmam como motivo principal a aquisição de um presente melhor, 33,3% diz estar em um momento feliz com o companheiro e 9,4% afirma que sua situação financeira melhorou.

Um dos programas mais comuns encontrados nesta data especial, é sair para jantar com a pessoa amada. De acordo com o proprietário do restaurante Oficina de Ideias, localizado na região centro sul, Evander Simão, o estabeleciomento comemorará o dia na data oficial mesmo (dia 12 de Junho). “A Copa é da FIFA, não do dia dos namorados”. Segundo Simão, o restaurante estará decorado à luz de velas, o que dará um clima mais romântico ao ambiente. No cardápio, serão preparados pacotes diferenciados com entrada, prato principal e sobremesa, acompanhado de vinho, com um valor mínimo.

A churrascaria Ambrósio’s Grill terá o tradicional rodízio no cardápio, mas o casal ganhará uma garrafa de frisante para comemorar o dia tão aguardado. Já o restaurante Pizza Sur, não trará nada de especial em comemoração a data, mas exibirá o jogo no horário devido (17 horas).

Cassiano e Marianne

O estudante Cassiano Lúcio ao falar de sua namorada Marianne Luiza, fica nervoso e afirma em meio a suspiros que “ela é tudo para ele”. Segundo o jovem, o casal se conheceu na faculdade em uma roda de amigos, e ele a ajudou a baixar um aplicativo no celular. Três semanas depois, surgiu o primeiro beijo e um mês depois, começaram a namorar. Marianne mora perto do Mineirão, o que irá dificultar um pouco os planos do casal. “Ainda não planejamos nada. Não sabemos o que irá funcionar, provavelmente decidiremos na hora”, finaliza Cassiano.

Jacson Dias e Maick Hannder

Jacson Dias, estudante de Cinema do Centro Universitário UNA, se derrete ao falar de seu namorado Maick Hannder. Eles se conheceram na sala da faculdade e depois de um semestre na mesma sala, Jacson o chamou pra conversar. Papo vem papo vai, a paixão foi surgindo e após um mês juntos, eles começaram a namorar. Passados quatro meses, eles comemorarão o primeiro dia dos namorados juntos em um restaurante, na noite de hoje. “Não quero que a Copa do Mundo atrapalhe os planos com ele” declara.

Por: Luna Pontone

Foto: Acervo pessoal Jacson Dias

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Faltando exatamente um dia para o maior evento de futebol do mundo, o Brasil, considerado o país do futebol, não vem mostrando muita empolgação com os jogos que serão realizados nos gramados brasileiros.

Sem o ânimo de sempre, pouquíssimas ruas estão enfeitadas se comparadas com os anos anteriores. Lojas de artigos de decoração com a temática não possuem a mesma demanda e a venda de vuvuzelas, cornetas, chapéus, camisas, bandeiras dentre outros artigos não é a mesma, visando que a FIFA proíbe o uso da maioria desses artigos nos estádios.

Obras que iniciaram anos antes não conseguiram serem acabados a tempo e agora, os operários correm a todo vapor, trabalhando noite e dia. Tendo como exemplo, a nova estação Pampulha que mesmo antes de ter sua obra completamente concluída, já começou a prestar seus serviços, de forma precária como alega alguns dos usuários.

Nas redes sociais, poucas pessoas andam comentando sobre assistir os jogos juntos dos amigos e família, mas por outro lado, há um grande número de brasileiros envolvidos nos eventos relacionados às manifestações, estas que já possuem data e horário marcado em sete das cidades – sede.

Copa sem o povo

A COPAC (Comitê Popular dos Atingidos pela Copa) organiza em Belo Horizonte, o Ato Nacional “Copa sem o povo, tô na rua de novo” no dia 12 de Junho, 12:00, na Praça Sete para reivindicar os direitos dos cidadãos brasileiros.  Enquanto isso, em São Paulo, vai ser realizado o protesto “Se tiver demissão, não vai ter copa”, no metrô Carrão por causa da demissão dos 60 metroviários.

A questão: – se vai ou não ter copa, adiantamos que vai ter sim, mas o que todos querem é trabalho, moradia, respeito, diálogo, educação e seus direitos.

Texto: Bárbara Carvalhaes
Foto: Gabriel Amorim

Em forma de festa, o movimento Tarifa Zero (TZ) reuniu cerca de 100 pessoas na Avenida Nossa Senhora do Carmo, em frente ao Chevrolet Hall, na última sexta feira, 06. A concentração começou por volta das 17 horas, onde os manifestantes começaram a organizar a festa. Dentre as pautas levantadas, a ocupação do espaço público, o gasto abusivo da Copa do Mundo e claro, a redução da tarifa.

 Em mutirão, voluntários colaram bandeirinhas, arrumaram o som e se prepararam para a festa. Antes de fecharem a rua, alguns manifestantes fizeram um deboche em forma de entrevista usando máscaras de figuras conhecidas, como Márcio Lacerda, prefeito da cidade e Ramon Victor César, presidente da BH Trans. A locutora fazia chamadas típicas de festa junina com problemas apontados pelo TZ. “Olha o metrô do Barreiro” dizia a locutora, enquanto os manifestantes respondiam “é mentira”.

 Os manifestantes começaram o ato fechando a faixa lateral da avenida, sentido o bairro Belvedere. Logo depois, fecharam mais duas faixas do canteiro central da avenida, causando transtorno para a população. Guardas municipais instruíam os motoristas no local a fazerem o retorno.

 Segundo o organizador Eduardo Macedo, o ato em forma de festa junina é o primeiro com uma temática. Alguns manifestantes foram vestidos a caráter para o ato. Vendedores ambulantes participaram da festa, vendendo cerveja e até acessórios com as cores da seleção canarinho. Por volta das 20 horas, os manifestantes começaram a dançar quadrilha e queimaram uma catraca, que simbolizava uma fogueira da festa junina.

“As manifestações vão continuar, principalmente no período da Copa”, disse Eduardo Macedo, integrante do TZ. Recentemente, houve um aumento de 7,5% no valor da passagem metropolitana.

Texto e foto por: Cassiano Freitas e Lívia Tostes

Está acontecendo desde o dia 07 de Junho, no Palácio das Artes, a Semana Aberta do Programa de Residências Internacionais. Desenvolvido pela Fundação Clóvis Salgado e o Jardim Canadá Centro de Arte e Tecnologia (JA.CA), o programa teve mais de 270 artistas inscritos, no qual houve 12 selecionados sendo sete brasileiros e cinco estrangeiros.

A seleção ocorreu através de vários critérios, estando entre eles originalidade e coerência do projeto proposto pelo artista, trajetória e interações com o espaço urbano. Além disso, os candidatos poderiam escolher entre duas modalidades para se inscrever: Arte e Pesquisa. Os artistas e pesquisadores escolhidos foram divididos em três ciclos de residência, iniciado em abril com término em novembro e para que o projeto seja realizado, os participantes contam com uma ajuda de custo de R$2.600,00 (dois mil e seiscentos reais).

O desenvolvimento dos projetos acontecerá na Galeria de Arte Contemporânea e Fotografia até o dia 14 de Junho e terá a presença de Fernanda Rappa (SP), Thelmo Cristovam (PE), Guilherme Cunha (MG) e Krzysztof Gutfranski (Polônia) que tem o foco no Diálogo das Artes com as Ciências – botânica, física, neurociências e mineralogia.

 Ervas do cerrado

A artista Fernanda Rappa de São Paulo dedicou seu programa de pesquisa ao resgate dos raizeiros do interior de Minas Gerais, destacando o uso das plantas do Cerrado. Nesta quarta-feira, 11, a artista realizará uma intervenção no quarteirão fechado da Rua Carijós, no Centro da cidade. A intervenção ocorrerá através da divulgação das propriedades e degustação das ervas estudadas.

Texto: Bárbara Carvalhaes

Foto: Divulgação