Cenário da música autoral em BH

Cenário da música autoral em BH

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Uma série dedicada às bandas independentes da capital mineira

*Por Bianca Morais

O Jornal Contramão, a partir de hoje, apresentará uma vez por semana histórias do Almanaque Bandas Independentes, produzido como meu Trabalho de Conclusão de Curso. No projeto entrevistei bandas independentes de Belo Horizonte e contei um pouco sobre suas histórias. Para começar, apresento uma parcela sobre o cenário desses artistas que tem crescido nos últimos anos. Nesse trabalho passaram grupos bem conhecidos da capital mineira, são eles: Radiotape, Ous, Devise, Chico e o Mar, Matiza, Lamparina e a Primavera, Rosa Neon, Duetê, Papa Black e Daparte. Então, fique de olho aqui no nosso site e nas redes sociais que a cada semana traremos uma banda diferente.
Confere aí, vale a pena!

Um pouco de história 

Belo Horizonte é um berço de grandes compositores que construíram boas referências na história da música belorizontina. Porém, de um tempo para cá é possível visualizar uma movimentação maior do cenário da música independente crescendo, com muita gente produzindo conteúdo de qualidade.

A cena independente de BH vive então uma nova fase que já se repete há alguns anos.

Tudo começou na década de 60 com eles, os pioneiros, o Clube da Esquina. O movimento musical mostrou que mineiro sabe fazer música boa, com grandes nomes como Milton Nascimento, os irmãos Borges e Beto Guedes. O grupo serviu de ponta pé para o Brasil enxergar que Minas é berço de grandes artistas.

Anos depois, outras bandas marcaram o cenário musical belorizontino, foram elas Skank, Jota Quest, Pato Fu e Tianástacia, bandas que explodiram e fazem sucesso até hoje nas rádios do país.

Depois desse boom de bandas de pop rock lá no final dos anos 90 e início dos anos 2000, mais uma vez o cenário se apagou. Durante um bom tempo, as bandas de Beagá ficaram adormecidas e voltaram a acordar poucos anos atrás. Para ser mais específica, com o aparecimento da banda Lagum. Com os olhares sempre voltados para Rio de Janeiro e São Paulo, a banda mineira apareceu e conquistou o Brasil inteiro com o hit Deixa, voltando os holofotes mais uma vez para a capital mineira.

O almanaque

Mas esse almanaque não está aqui para contar sobre essas bandas famosas, essas vocês já conhecem. Vou contar como a Lagum e todas as outras bandas servem de motivação para as demais bandas correrem atrás do sucesso. Depois de tanto tempo sem alguém de fato progredir, a Lagum explodiu, incentivando quem estava com sede de correr atrás de fazer seu som.

Este é um almanaque sobre bandas independentes, com artistas que se expressam através de suas próprias músicas, independentemente do grande mercado da música nacional. Fazem, assim, parte de um movimento cultural local. Durante muitos anos, antes que a Lagum aparecesse, Belo Horizonte viveu uma efervescência de música cover. O Circuito do Rock, formado por três casas noturnas (hoje apenas duas em funcionamento), foi o grande incentivo para isso. Ir para um lugar beber e escutar músicas que você já conhece parece um plano perfeito para um sábado a noite, certo?

E por anos isso ficou na cabeça de muitos. Mas tocar música de outros artistas acaba despertando a vontade de produzir algo seu, de se arriscar, e a capital mineira tem dado toda a motivação possível.

A cabeça dos contratantes também vem mudando. Se antes era somente cover e pouca liberdade para mostrar o autoral, hoje eles têm dado espaço para a galera que tem algo novo e diferente para mostrar. Afinal, no futuro você não vai querer ser o cara que disse “não” para aquela banda que está fazendo sucesso nas rádios e televisões.

Grandes festivais na cidade como o Planeta Brasil e o Sarará, que recebem pessoas de todos os estados brasileiros e até atrações internacionais, têm dado muito espaço para essas bandas independentes se apresentarem, fazendo palcos como o “Locais”, onde se apresentam artistas da própria cidade.

Cada vez mais, essas bandas têm se unido e criado festivais independentes para tocarem; e o mais interessante é que o público está realmente pagando, comparecendo e valorizando esse cenário. A vontade de conhecer coisa nova tem aparecido aos poucos na mente das pessoas.

O comportamento tem mudado e a esperança dos artistas de fazer esse movimento dar certo, também.

“Se aqueles caras da Lagum fizeram e deram certo, por que eu não vou tentar também?”

O cenário sempre existiu, mas agora com mais destaque e diversidade de estilos. Um dos fatores que motiva essas bandas a se arriscarem é a democratização do acesso. A internet e a facilidade de conhecer conteúdo novo caminha ao lado do trabalho independente.

É um momento muito bonito e justamente por isso não foi nada fácil selecionar as 10 bandas que aqui estão.

Todos os nichos e gêneros têm artistas fazendo um trabalho maravilhoso, mas para poder registrar e mostrar um pouco do que está acontecendo selecionei bandas de rock e pop em que cada membro (vocal, guitarra, baixo, bateria, teclado, entre outros) tem seu papel único.

A quantidade de bandas não faz diferença porque não é um mercado de competição. Na área cultural, quanto mais diversidade, mais fácil a visibilidade de cada uma no todo. Uma banda puxa a outra e ninguém se sobressai.

Espero que goste e até semana que vem!

 

 

*Esse é um produto resultado do Trabalho de Conclusão de Curso do Centro Universitário Una da Jornalista Bianca Morais.

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