Crítica | Vingadores: Guerra Infinita

Crítica | Vingadores: Guerra Infinita

Por Tiago Jamarino – start – Parceiros Contramão Hub 

Vingadores: Guerra Infinita é o apogeu de 10 anos da Marvel nos cinemas, entregando um “épico” com drama, mesmo dentro de sua caixinha

 

Vingadores: Guerra Infinita é a culminação de 10 anos do Universo Cinematográfico Marvel, desde 2008 com o Homem de Ferro inaugurando a era da Marvel nos cinemas, o MCU tem construído um lindo universo e legado diante o mundo dos super-heróis. Muito se discute se esses longos anos com a temática tenha saturado aos seus espectadores, mas ao ver a este filme tenho plena certeza que está era está apenas começando. Guerra Infinita veio com a árdua missão de ser o apogeu de tudo que foi construído até então, incontáveis heróis, em vários grupos e uma gama de possibilidades, nada melhor que a casa das ideias para ter um leque nas mãos, após tanto tempo, é hora de soltar o clímax. O filme é satisfatório em vários sentidos, tanto em suas cenas de ações, em um drama dosado, suas piadas, mas é muito inchado e não tem uma história digna do hype. Os irmãos Russos tiveram um grande supletivo com Capitão América: Guerra Civil, aprenderam a trabalhar com vários personagens, com diversas locações e dosar os pontos certos, tanto que este filme a momentos grandiosos e de tensão. Mas no fritar dos ovos, nem só de bons momentos vive um filme de super-herói, é preciso mais, uma história e acabar com paradigmas que filme do gênero não precisa de um roteiro eficaz. O que vemos em Guerra Infinita é um filme bom, que tem um forte legado com 10 anos de aprendizado, mesmo contendo erros é um filme que conseguiu ser diferente em vários quesitos, mesmo tendo a nítida sensação de ser mais um filme dentro da caixinha.

Guerra Infinita se inicia logo na cena pós-créditos de Thor Ragnarok, onde a nave de Thanos se encontra com a nave dos refugiados Asgardianos, logo já temos a consolidação do Titã Louco como o grande vilão do MCU, digno de todo o hype criado. O desenrolar destas cenas já é o cartão de visita para sentir a grande ameaça que o vilão será ao longo do filme. Acabando com a curiosidade geral da nação sobre o vilão, direi já, afirmo com todas as letras, Thanos é o maior vilão de todo o MCU e se não dos filmes de heróis. Thanos é imponente, sagas, poderoso, vilanesco sem frases canastronas de sou mal, sua ameaça é sentida por todos. O grande detalhe em seu tratamento é fenomenal, a Marvel aprendeu com erros passados, o texto na mão de Josh Brolin é algo espetacular, assim como o dialogo visto até no trailer, “A diversão não é um fator quando se tentar equilibrar o universo. Mas isto, põe-me um sorriso no rosto.” As motivações de Thanos são aceitáveis, pode parecer rasas em um certo ponto de vista, mas não diferentes de vários ditadores que se levantaram pelo mundo. Os personagens do Universo cinematográfico da Marvel são especiais, estão nas nossas vidas há uma década, é fácil se identificar com todos eles, mesmo não sendo tão significativo o crescimento de cada personagem, ao longo dos anos eles evoluíram, este filme mostra onde esse crescimento os levou.

Guerra Infinita é o ponto de jornada de um vilão, em um certo ponto de vista, o filme mostrará a jornada de Thanos em um grande desafio cósmico de juntar todas as joias megapoderosas. O público já sabe onde estão todas essas joias, exceto uma, a joia da alma. A joia da alma está presente, mas o que mais é interessante o modo como ela é procurada ou meio que digamos sem spoilers, “achada”. A ordem Negra de Thanos é apresentada com esses ganchos, mas é o ponto mais fraco do filme, a tropa de elite de Thanos não é tão bem-dita e sentida sua ameaça assim, vai ver é culpa do grande vilão que os ofusca. O longa não depende de você ser um fã de uma década da casa das ideias, mas para se ter a total experiência é necessário ter acompanhado tudo de perto, isso é explicado na dramaturgia como uma forma de se conectar e importar com o personagem, dentro desta premissa, o tempo todo o filme te passará uma sensação de perigo. O que acontece ao longo do filme é uma verdadeira montanha-russa de sentimentos, alegria, euforia, medo e tristeza somados a uma carga dramática que não estava presente em Guerra Civil, em Guerra Infinita apresentam esse peso e pela primeira vez uma consequência de verdade.

A direção mais uma vez fica a cargo dos irmãos Russos, que já trabalharam na casa, com o excelente Capitão América: O Soldado Invernal (2015) e encare como queira, Vingadores 2.5 ou Capitão América: Guerra Civil (2016). A dupla de direção é bastante competente, eles sabem o que estão fazendo, o grande mérito é trabalhar com uma escala maior, mesmo a história sendo ausente. As cenas de ações são formidáveis, vamos explicar por partes, como o elenco é dividido em vários núcleos, temos o planeta Terra e o Espaço. Dito isso, a ação no espaço conta com um CGI esplendoroso, é o auge da Marvel em criação de mundos, cada planeta e em batalhas especiais, os poderes apresentados em tela, é lindo, dignos de uma space-opera. A ação na terra exatamente em Wakanda é mais prejudicada, a geografia do lugar e os planos usados causam um pouco de estranheza, se no espaço os diferentes poderes foram bem usados, na terra a uma variação esquisita e vários deslizes, mas não é nada que totalmente penaliza o conjunto da obra.

A estética do filme é diretamente a culminação de uma década, a Marvel está no auge, o vilão Thanos é feito por captura de movimento, por trás do CGI existe um ator, Josh Brolin, a ILM ( Industrial Light & Magic)responsável por esses efeitos fizeram um trabalho primordial, deixando a vista todas as expressões de Brolin e fazendo a magia acontecer de forma crível. Diferente de Lobo da Estepe em Liga da Justiça, Thanos é crível e sua presença não causa estranheza perto dos demais personagens que estão na mesma cena com ele. O filme dispõe de uma gama de vários personagens, o CGI compões tudo com bastante esmero, mas tudo isso não seria possível graças a montagem. A montagem, em contrapartida, é perfeita, conciliando todos os pontos e interligando diferentes atos e diferentes núcleos, a algumas quebras de ritmos, mas o trabalho da edição fecha com chave de ouro. As paletas de cores são cores vivas e reagem as diferentes facetas do filme, quando o drama é presente, ela fica mais escura, tudo é interligado com o que ocorre em tela. A trilha sonora ainda não é memorável como tantas da cultura pop, mas a musiquinha dos Avengers estão ali.

O roteiro é o ponto que será mais discutido ao longo do tempo, escrito pela dupla Christopher Markus e Stephen McFeely. O texto apresentado faz um bom trabalho, mediante aos vários personagens que são apresentados, temos o vilão e sua jornada com sua trupe e do outro lado, as dezenas de super-heróis que estão no longa. A história é bem simples de se entender, não espere nada complexo como os (quadrinhos) base, O Desafio do Infinito e Saga do Infinito, a história é a mais previsível possível, o que não quer dizer que o filme é ruim, mas carece de algo que poderia dar a ele um lugar ao sol. Os diálogos e as interações de vários núcleos poderiam se manter o filme todo que pagaria o meu ingresso, é divertido ver essas tão esperadas interações, felizmente, todas funcionam. A tão criticada fórmula Marvel está presente, á piadas, nós personagens que levam o humor no cerne, assim como um momento de grande drama que é quebrado por um alívio cômico, ainda está presente, mas no que diz respeito aos filmes anteriores, em Guerra Infinita, a sensação do perigo e o clima fúnebre é algo nunca visto antes.

O elenco é impossível falar de um por um, falarei bem superficialmente sem dar detalhes que possam estragar a experiência. Thor de Chris Hemsworth é meu favorito do filme, depois de Thanos, claro, o deus do trovão encontrou o ponto de equilíbrio certo entre a comédia e a piração de uma divindade. O texto não esquece do Ragnarok, tão pouco das consequências do seu primeiro ato, o Odinson carrega um peso de seus atos e sua interação com os Guardiões da Galáxia é a melhor coisa que vemos neste filme. O núcleo dos Guardiões teve seu texto escrito por James Gunn, o nível dos personagens está como dos filmes anteriores. Gamora (Zoe Saldana)Nebulosa (Karen Gillan), Quill (Chris Pratt) que junto com Tony Stark (Robert Downey Jr.), Homem-Aranha (Tom Holland), Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) tem uma interação incrível e inesperada. O núcleo da terra Pantera Negra (Chadwick Boseman) e sua turma de Wakanda, assim como Steve (Chris Evans) e sua trupe, .Scarlett Johansson, Mark Ruffalo,Don Cheadle, Sebastian Stan, Anthony Mackie, Paul Bettany e Elizabeth Olsen. Robert Downey Jr ainda encanta, mesmo sendo a sua mesma performa de sempre, ainda sim o ator consegue entregar sempre o melhor. Pela primeira vez, Chris Evans, consegue ser o símbolo de inspiração que deveria ser em vários filmes passados, mas ficava só como escada para um humor de Tony, desta vez o Capitão bota para quebrar. Peter Dinklage, de Game of Thrones, também está no filme, com um personagem ainda mantido em segredo, mas sua participação se torna memorável, apesar do pouco tempo de tela.

Vingadores: Guerra Infinita é o filme da Marvel que você está esperando há dez anos. Tudo o que aconteceu nos leva a esse evento climático. Thanos é uma força da natureza e o vilão mais mortal da Marvel Studios que já existiu. Ele facilmente leva a coroa de Michael B. Jordan’s Killmonger. O filme sofre com umas piadinhas fora de contexto, não da tempo de tela necessário a alguns personagens, por motivos óbvios é claro, a trama é bem rasa e a história não é digna de um grande épico. Dizer que o filme é o Imperio Contra-Ataca da Marvel depende do ponto de vista, por seu tom, pelo seu desfecho, dizer isso, só o tempo dirá. Mas para quem está a uma década acompanhando e amando todos esses personagens este filme é um deleite, é um filme que vai agradar tanto críticos mais conservadores como o povão, em geral.

FICHA TÉCNICA

DIREÇÃO
Anthony Russo, Joe Russo

EQUIPE TÉCNICA
Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely
Produção: Kevin Feige
Fotografia: Trent Opaloch
Trilha Sonora: Alan Silvestri
Estúdio: Marvel Studios
Montador: Jeffrey Ford, Matthew Schmidt
Distribuidora: Walt Disney Pictures

ELENCO
Angela Bassett, Annie Pisapia, Anthony Mackie, Benedict Cumberbatch, Benedict Wong, Benicio Del Toro, Blair Jasin, Bradley Cooper, Callan Mulvey, Chadwick Boseman, Chris Evans, Chris Hemsworth, Chris Pratt, Danai Gurira, Dave Bautista, Don Cheadle, Elizabeth Olsen, Ethan Dizon, Florence Kasumba, Floyd Anthony Johns Jr., Gwyneth Paltrow, Hye Jin Jang, Idris Elba, Isabella Amara, Jeremy Renner, Jon Favreau, Josh Brolin, Karen Gillan, Kerry Condon, Letitia Wright, Linda Cardellini, Mark Ruffalo, Matthew Zuk, Michael Pierino Miller, Paul Bettany, Paul Rudd, Perla Middleton, Peter Dinklage, Pom Klementieff, Robert Downey Jr., Scarlett Johansson, Sean Gunn, Sebastian Stan, Terry Notary, Tiffany Espensen, Tom Hiddleston, Tom Holland, Tom Vaughan-Lawlor, Vin Diesel, Winston Duke, Zoe Saldana

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