#CRÔNICA: Uma crônica de adolescência

#CRÔNICA: Uma crônica de adolescência

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Foto Divulgação

Era ano de eleição, não me lembro bem se para presidente ou prefeito, mas a falta de paciência me fazia pular de canal em canal me sentia em uma corrida de obstáculos, em que cada trave deixada para trás me desse a certeza de alcançar algo que não fossem aquelas estranhas linhas coloridas na tela do nosso tão amado aparelho.

E como que em um passe de mágica, poderia ter escolhido uma casa de Hogwarts? Será? Pensando bem, naquele tempo eu ainda era trouxa. Pois bem, divagações a parte e voltando ao meu encontro, eles estavam ali, bem na minha frente, vestidos de personagens de terror dançando, cantando e naquele momento como que com magia me encantando.

No dia seguinte lá estava eu, no mesmo horário e local com o controle na mão esperando o tal do horário eleitoral, como se eu estivesse em uma ilha e aquele objeto em minha mão fosse o Wilson. Pronto lá estavam eles outra vez, era difícil escolher, já que assim como os personagens clássicos da literatura de terror, aos quais eles escolheram personificar, cada qual tinha seu charme e sua singularidade.

Os dias passaram, a dúvida crescia. Afinal quem eram aqueles cinco garotos e por que nenhum deles havia escolhido o Monstro de Frankenstein? Problemas com escolhas a parte, noite após noite eles estavam lá, mas dessa vez estava diferente: cara limpa, cabelos cortados, roupas comuns. Mas ainda assim, não fazia ideia sobre a identidade de nenhum deles, só que eram lindos, lindos de morrer.

De cara gostei do alto de cabelos pretos e olhos azuis. Não sabia dançar ou cantar, mas quem sou eu para julgar alguém que estava ali para aliviar os 30 mais longos minutos em época de eleição. Aquela situação se tornou um ritual, o não saber me fez pensar que eles eram de alguma era passada, não havia problema, os Beatles já eram uma paixão.

Apesar do cursinho de inglês me ajudar em algumas poucas sentenças, eles cantavam muito rápido e eu estava no básico, nós não tínhamos acesso à internet como temos agora e não havia ninguém a quem recorrer. Horário eleitoral acabando e ficando sem tempo. Não havia corda que ajudasse o cuco a funcionar contra o tempo. Onde estava Doctor Who para me ajudar?

Um dia minha mãe chegou em casa com uma revista e olhando nos meus olhos disse: “Não são aquelas marmotas fantasiadas que você gosta não? ”. Minhas mãos começaram a suar, o coração começou a bater forte, os olhos lacrimejaram, minhas pernas não se moviam e a única coisa que consegui dizer foi “Backstreet Boys! ”. Aquela foi a primeira de uma extensa coleção que envolvia pôsteres, revistas, camisetas, VHS, CDS e afins.

O que tirei dessa experiência com a primeira boy band que amei? Foi uma das melhores épocas da minha vida se a dividirmos por etapas. Aprendendo as coreografias, inglês errado, porque o importante era acompanhar, programando festas de casamento, discórdia sobre quem era o mais bonito, esperar novo disco. Mas o mais importante? Tudo isso entre amigas.

Enfim, foi um amor de verão que durou e perdurou por muito tempo. E do qual não me arrependo, porque era mágico.

Por Ana Paula Tinoco

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