Dia Mundial de Luta contra a AIDS: Especial Gestantes

Dia Mundial de Luta contra a AIDS: Especial Gestantes

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Por Daniela Reis 

Hoje, 01 de dezembro, no Dia Mundial de Luta contra a AIDS, trouxemos uma entrevista com a médica infectologista do Hospital Sofia Feldman, Bárbara Silveira Faria Salgado, que explica sobre gestantes soropositivas, os cuidados e muito mais. Confira!

Como as gestantes contaminadas com vírus HIV fazem para que o bebê não seja portador da doença? Quais os principais cuidados que a mulher portadora de HIV precisa ter durante a gestação? 

Gestantes sabidamente HIV positivo devem realizar o pré-natal em centro especializado, fazer uso das medicações antiretrovirais regularmente permitindo que a carga viral se mantenha indetectável, utilizar preservativo nas relações sexuais durante a gestação evitando adquirir outras infecções sexualmente transmissíveis. Além disso, comunicar na maternidade sobre o diagnóstico possibilitando que todos os cuidados com o bebê sejam realizados na sala de parto e não amamentar.

Gestantes HIV positivo que fazem o acompanhamento adequado e recebem os cuidados na maternidade, a chance de transmissão para o bebê é próxima de zero. Todos os bebês filhos de mãe HIV positivo devem ser encaminhados ao centro de referência com infectologia pediátrica.

 

Uma mulher com HIV pode ter uma gravidez tranquila e sem grandes intercorrências?

Sim. É importante realizar o teste rápido de HIV na primeira consulta de pré-natal, possibilitando o diagnóstico e início da terapia antiretroviral precoce. No caso de mulheres que já fazem uso do tratamento, deve-se manter o uso regular da medicação. O principal fator de risco para transmissão do bebê é o valor de carga viral de HIV no sangue materno, fazendo uso regularmente da medicação, esta carga viral se torna indetectável, reduzindo a chance de transmissão.

 

Quais são as principais ações e estratégias necessárias com uma mulher que vive com HIV e quer engravidar?

As intervenções de planejamento reprodutivo devem ser individualizadas de acordo com cada situação apresentada, levando-se em conta as vulnerabilidades sociais e individuais. Para a concepção, deve ser ofertada orientação desde o período de planejamento reprodutivo até o pré-natal, parto e puerpério, com informações sobre estratégias de redução da transmissão vertical do HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis, bem como para as parcerias sexuais. Importante adequar medicações de potencial teratogênico, quando for o caso.

 

Se a mulher é HIV positivo e seu parceiro não, como planejar a concepção para que ele não seja infectado? Em um cenário em que o homem é HIV positivo e a mulher não, como proceder?

As orientações quanto à saúde sexual de parcerias sexuais sorodiferentes consiste em garantir que o parceiro com HIV esteja em tratamento regular com antiretrovirais e  assintomáticos, atualizar situação vacinal, assegurar que tenham pelo menos duas cargas virais indetectáveis consecutivas, sendo a última com até seis meses de realização; garantir que tenham exames negativos para sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis.

A boa adesão aos medicamentos e a manutenção da carga viral HIV indetectável reduzem o risco de transmissão sexual do HIV a níveis insignificantes

 

Qual a importância do pré-natal para as mulheres soropositivas?

Gestantes diagnosticadas com HIV devem realizar o pré natal em serviço especializado para avaliação das indicações das medicações para tratamento e efeitos colaterais.

Deve-se realizar um acompanhamento compartilhado, em conjunto com a unidade básica de saúde.

 

Quando a gestante só descobre o HIV já durante os exames de pré-natal, existe algum cuidado específico?

O cuidado é o mesmo para todas as gestantes com diagnóstico de HIV, ressaltando a importância da boa adesão ao tratamento e consequentemente reduzindo a chance de transmissão para o bebê.

Importante que o profissional de saúde estabeleça uma boa relação com o paciente, com uma linguagem acessível para explicar os aspectos essenciais da infecção causada pelo HIV, bem como a importância do acompanhamento clínico-laboratorial e do uso da medicação contribuindo para a adesão ao tratamento e ao seguimento.

Sabe-se que mulheres que iniciam o pré-natal sabidamente HIV, com carga viral indetectável, a chance de transmissão para o bebê é muito baixa. Por isso é importante a testagem universal da população, para que seja possível um diagnóstico precoce e início de tratamento. Atualmente, o ministério da saúde recomenda a testagem anual para adolescentes e jovens e semestral para pessoas do grupo de risco.

 

A mulher soropositiva pode amamentar?

Não, está contra indicado em todas as mães HIV positivo, independente da carga viral e do uso de ARV.  O fato de a mãe utilizar ARV não controla a eliminação do HIV pelo leite, e não garante proteção contra a transmissão vertical. Sendo assim, toda puérpera vivendo com HIV/aids deve ser orientada a não amamentar. Ao mesmo tempo, ela deve ser informada e orientada sobre o direito a receber fórmula láctea infantil. São terminantemente contraindicados o aleitamento cruzado (amamentação da criança por outra nutriz) e o uso de leite humano com pasteurização domiciliar.

Em países de baixa renda como por exemplo a África a amamentação é liberada uma vez que a criança tem maior risco de complicação devido a desnutrição e anemia, então recomenda-se o uso de medicação para essa mãe na tentativa de reduzir a transmissão para seu filho. Essa recomendação é exclusiva para estes países.

 

Explique como funciona a Terapia Antirretroviral (TARV) na gestação.

A TARV é indicada para todas as pessoas com HIV, independente do estágio clínico, tendo como principal objetivo reduzir a morbimortalidade e melhorar a qualidade de vida. Em gestantes está indicada durante a gestação visando reduzir a carga viral de HIV materna e consequentemente a transmissão para o bebê. Deve ser mantida também após o parto.  A incidência de reações adversas em gestantes a medicamentos ARV é baixa, além de pouco frequentes, os efeitos adversos geralmente são transitórios e de intensidade leve a moderada, sendo bem tolerados.

 

Como é a assistência da mulher com HIV durante o trabalho de parto e qual a melhor via de parto a ser adotada?

A via de parto depende do valor da carga viral da paciente, carga viral alta ou desconhecida recomenda-se cesariana, já carga viral indetectável ou baixa (<1000 cópias) a indicação da via de parto é obstétrica podendo ser indicado parto normal.

Para as mulheres que estão em uso de TARV, os medicamentos deverão ser mantidos nos horários habituais, mesmo durante o trabalho de parto ou no dia da cesárea eletiva.

Vários cuidados são realizados na sala de parto de um pacientes HIV, tais como contraindicar procedimentos invasivos, evitar uso de fórceps, evitar toques desnecessários, evitar bolsa rota prolongada, a ligadura do cordão deve ser imediata, recomendado banho precoce do recém nascido assim como iniciar a profilaxia para a criança conforme a classificação de risco.

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