Empreendedorismo não é coisa só de gente grande

Empreendedorismo não é coisa só de gente grande

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Por Bianca Morais

Hoje as crianças crescem cercadas de informações, influenciadores, aplicativos como Instagram e TikTok, e cada vez mais tem despertado nelas a vontade de empreender. Enquanto antigamente elas montavam barraquinhas de limonada na rua, agora elas vão além, investindo com apoio dos pais em diversos segmentos.

Um dos maiores incentivadores dessa garotada são os canais no YouTube, sendo alguns muito educativos, ensinam desde valores importantes como respeito e lealdade, até como como produzir um objeto para vender, por exemplo, pulseiras de miçanga, doces, entre outros. 

Além dos youtubers, quem também está à frente da responsabilidade de guiar os menores para o melhor caminho são os pais, o empreendedorismo pode ser estimulado ou inibido, depende então dos responsáveis pelo menor, estimular essa criatividade na fase mais importante em que ela pode ser ativada: na infância. 

Instigar o pensamento da criança, dar força para ela gerir seu próprio negócio da maneira que for melhor, explicar a ela como precificar seus produtos, anotar cada compra com seu valor.

Relevante ressaltar, que esse tipo de empreendedorismo não pode ser considerado um trabalho infantil, muito menos exploração do menor. Trabalhar com foco na educação das crianças e de uma forma que elas também se divirtam no processo só tende a trazer benefícios a elas. 

O empreendedorismo infantil não é sobre resultados financeiros, é muito além disso, é explicar aos pequenos o preço de cada objeto, para que elas inclusive, aprendam a dar valor aos bens materiais, saber que vivemos em uma situação de crise financeira no país, que nada é barato, e tudo é conquistado com esforço. 

Empreendedorismo infantil é sinônimo de criatividade, já se diziam por aí, as crianças são o futuro do país, então se elas têm o desejo de começar algo surpreendente, por que não apoiá-las nesse caminho? Prepará-las para o futuro?

Essa proatividade infantil desperta nelas um perfil para determinadas áreas, maturidade, raciocínio lógico e tomada de decisão, até as mais tímidas conseguem se soltar quando colocadas para desenvolverem seus dons naturais. Nessa fase a maior preocupação não é não é o lucro, e sim explorar ideais, se divertir. 

Hoje o Jornal Contramão conta a história de Bruna, uma menina de dez anos que se aventura desde cedo no comércio.

A mente enorme da pequena Bruna

Bruna Morgado sempre foi uma criança muito esperta, criativa, e claro, um pouco bagunceira. 

Quando tinha seus três anos de idade, pegou lápis e giz de cera e desenhou  na parede de seu quarto. Uns acharam travessura, mas se procurar olhar com outros olhos aquilo era apenas o início de uma bela mente criativa. Para completar a estripulia, Bruna ainda culpou a “Fofoca”, a sua foca de pelúcia.

“Meu marido chegou, pegou a Fofoca, apontou para parede e explicou a ela que não podia fazer aquilo, Bruna ainda pequena respondeu baixinho: tá bem., como se fosse a Fofoca falando”, conta a orgulhosa mãe, Fabiane Morgado.

Ainda pequena, Bruna já inventava além da farra, as desculpas perfeitas para se defender.

A menina, frequentemente, pedia a mãe para vender alguma coisa, sempre com uma ideia de fazer uma lojinha na garagem de sua casa, para que as pessoas que passavam em sua rua comprassem, porém a rua das duas passam poucas pessoas e Fabiane sabia que não iria fazer sentido, adiando os sonhos da pequena.

A mãe trabalhadora

Desde de nova, Fabiane já trabalhava, sua mãe a ensinou a ser uma mulher independente e dona de si, todo aquele ensinamento teria um propósito importante, já que ela a perderia cedo, aos 19 anos.

Sem os pais, Fabiane aprendeu muito nova o significado de fazer o seu e correr atrás, afinal nada na vida vem de graça, e foi exatamente essa garra que Bruna herdou da mãe.

“Por ter perdido minha mãe ainda cedo eu procuro mostrar a realidade a Bruna, nada é fácil, é preciso arrumar o quarto e ter obrigações, afinal para enfrentar o mundo aqui fora é preciso ser forte. Debaixo da minha asa é muito fácil, eu protejo, sou uma leoa, porém eu empurro, porque se eu faltar ela vai saber se virar sozinha”, diz Fabiane. 

Orgulho dos pais

Bruna ainda é uma criança e apesar de viver na realidade tecnológica atual, também gosta das brincadeiras “mão na massa”, além de assistir Youtube e TikTok, a pequena ainda tira parte do tempo para cuidar de suas bonecas, brincar de cozinha e de vendas.

“Eu gosto de colocar as roupas da minha mãe e fazer maquiagens engraçadas”, conta Bruna.

A garota é um orgulho para a mãe, estudiosa, sua matéria preferida é Ciências e é muito dedicada. Inclusive, esse ano apesar da pandemia e ensino online, muitas vezes desanimador aos estudantes, Bruna, se empenhou, fez a concorrida prova do Colégio Militar e aguarda ansiosa pelo resultado.

“Tenho muito orgulho da minha filha, na escola, por exemplo, a mãe dos meninos mais frágeis me elogiam, falam que a Bruna é incrível, que defende os filhos delas, tem um carinho especial pelas crianças que sofrem bullying e os protegem”, compartilha Fabiane.

O começo dos negócios

Fabiane tem um salão de beleza, que funciona dentro de sua casa. Diariamente ela trabalha e recebe clientes. Foi em um dia comum de suas atividades depois de muita insistência por parte da filha, que a mãe teve uma ideia no começo do ano, fazer uma cestinha para que Bruna pudesse dar início a seu primeiro trabalho.

“Ela vivia dizendo que queria vender e ganhar seu próprio dinheiro, porém no meio de tanta correria eu deixava passar batido, até que finalmente tivemos a ideia de vender bombons”, diz a mãe.

Ao ir ao supermercado, Leonardo, pai de Bruna, sugeriu que ela comprasse salgadinhos, balas e chocolate para começar seu pequeno negócio. Dessa forma eles já viriam prontos, e por hora, enquanto eles não tivessem tempo para ajudá-la no preparo dos bombons, ela já poderia iniciar as vendas das guloseimas.

“Desde menor eu sempre quis vender para ganhar meu dinheiro e poder comprar brinquedos, roupas, comprar minhas coisas e poder brincar, enchia o saco da minha mãe então um dia a gente foi no supermercado, compramos e agora vendo no salão dela”, compartilha Bruna.

Fabiane é uma mãe que sempre procura estimular a criatividade da filha, na sua opinião, tudo isso pode ajudar Bruna a amadurecer.

“Meu sonho é ver minha filha crescer, se sustentando sozinha, dando conta da própria vida, respeitando as pessoas e os lugares, com a casinha dela e seguindo em frente”, diz Fabiane.

Alma de empreendedora 

Bruna tem muitos planos e sonhos para o futuro. Começou com a caixa registradora, fazendo os familiares comprarem os produtos que ela vendia tirados diretamente dos armários da cozinha.

“No balcão que tem na minha sala eu vendia as comidas, maionese, azeitona, macarrão, de verdade, fazia todo mundo ficar na fila do supermercado e comprar”, conta a pequena.

Bruna já quis ser policial, mas hoje trocou a ideia de lutar contra o crime para ser veterinária, ter seu próprio petshop, dar banho e cuidar dos bichos, porém também não descarta a ideia de ser professora.

Além de empreendedora nata, Bruna juntamente sabe administrar seu dinheiro, sabe o preço de seus produtos, e no momento, o dinheiro que ganha ela paga a mãe que comprou os alimentos. A mãe administra por trás, mas deixa a filha livre para fazer a reposição e o dinheiro.

“Eu até pensei em dar o dinheiro, mas refleti que seria muito fácil, ela tem que ver que para começar a ganhar dinheiro, em qualquer tipo de negócio, primeiramente você nem vê a cor dele, depois que o lucro vem”, explica Fabiane.

Bruna, apesar de chefe do negócio é muito honesta, sempre que pega uma guloseima de sua caixa faz questão de pagar, e o mesmo vale para os pais.

Em relação a expandir os negócios, depois de um tempo vendendo apenas os salgadinhos e doces, Bruna agora também vende brigadeiros, feitos por ela e a mãe.

“Eu tenho muitos sonhos,  um deles é ir para a Disney, Estados Unidos, comprar brinquedos, por exemplo, eu tenho aquelas cozinhas, só que apenas o microondas e eu quero poder comprar aqueles fogãozinhos, geladeiras, com meu dinheiro”,  conclui a jovem empreendedora.

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