Exposição Trahere estreia hoje no Mama/Cadela

Exposição Trahere estreia hoje no Mama/Cadela

A galeria Mama/Cadela realiza a abertura da exposição Trahere, do artista multimídia Bruno Duque, idealizador e coordenador do Coletivo Diametral (2014), hoje (22), às 19 horas.

A equipe do Jornal Contramão conversou com Duque sobre a produção artística em Belo Horizonte e sobre suas expectativas para a Mostra.

CONTRAMÃO

Para você, qual é o papel que a arte abstrata exerce sobre as pessoas? É um exercício de reflexão?

BRUNO DUQUE

A arte abstrata é muito diversificada. Houve muitas correntes históricas que se desdobraram de formas muito diferentes. Desde obras muito carregadas emocionalmente, até obras puramente racionais. A arte abstrata é muito potente, não só como conjunto de formas e configurações de cores, mas também de ideias, expressões, emoções e outros. É difícil falar sobre o efeito da arte abstrata sobre as pessoas porque os artistas que trabalharam neste âmbito aprofundaram muito em suas pesquisas, conseguindo resultados muito importantes e aumentando ainda mais as possibilidades criativas. Quanto à pergunta sobre se a arte abstrata é um exercício de reflexão, tenho certeza que toda arte é um exercício de reflexão, sendo que algumas exigem maior concentração, enquanto outras são mais arrebatadoras.

CONTRAMÃO

Você, como artista multimídia e idealizador do recente Coletivo Diametral, enxerga BH como um polo artístico? Em sua opinião, a cidade está crescendo ou não no que se diz respeito à produção artística e cultural? Por quê?

BRUNO DUQUE

 Acho que Belo Horizonte é um polo artístico, sim. Esta cidade sempre teve grandes artistas e sempre terá. Não acho que a cidade tenha muita participação no mercado e acho que tem muita produção mais tímida pela própria dificuldade que os artistas encontram em participar do circuito, mesmo do circuito local de Minas. Em comparação com outras cidades em outros estados do Brasil, Belo Horizonte precisa ser mais aberta e, principalmente, mais convidativa para jovens artistas, dando-lhes mais oportunidades.

CONTRAMÃO

Qual é a essência da exposição Trahere? Há alguma mensagem ou sentimento fundamental que você deseja passar para o público? Se sim, qual?

BRUNO DUQUE

A exposição Trahere é muito cerebral. Eu só quis fazer uma coisa “bonita” para também poder falar sobre beleza, mas por trás da estética das obras tem muitos questionamentos e muitos paradoxos desvelados. Cada obra tem um diálogo extenso com a história da arte. Mas ao invés de deixar claro os meus embates com a obra, eu prefiro criar algo que possa levantar muitas questões para pessoas diferentes. De certa forma, não é a pergunta que importa, e sim a interrogação. Minha produção é uma tentativa de oferecer uma interrogação para que cada um faça sua própria pergunta.

CONTRAMÃO

Quais são suas expectativas em relação à exposição Trahere?

BRUNO DUQUE

Eu estou muito feliz em poder mostrar este trabalho, pois é uma exposição individual, e sendo assim eu pude ter todo o controle. Espero receber muitas críticas. Espero que muita gente possa vê-la. E eu gostaria que algum dia minha produção servisse de influência para outros artistas (mas não só aos artistas). Acho que a riqueza da arte é exterior ao indivíduo. É uma coisa da humanidade toda. Estou amadurecendo muito meu trabalho ainda, mas luto para algum dia fazer diferença, pois essa é maior coisa que uma pessoa pode conseguir.

O Mama/Cadela fica localizado na Rua Pouso Alegre, 2.048, Santa Tereza. A exposição fica no espaço do dia 23 de maio a 24 de junho, e o bate-papo com o artista ocorre no próximo domingo, 24, das 15h às 17h. A entrada é gratuita.

Por Gabriel da Silva

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