Festival lança olhares sobre o universo da moda

Festival lança olhares sobre o universo da moda

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Filme The Wars of Coco Chanel aborda o caráter forte e personalidade controversa da estilista francesa. Foto: reprodução.

Feed Dog Brasil, evento que estreia hoje em Belo Horizonte, apresenta ao público, por meio de exibições de filmes, oficinas e debates, diversos olhares sobre o universo da moda

Por Bianca Morais*

A moda sempre foi representada com esmero nas telas do cinema. Em parte, por conta da sua força narrativa e, por outra parte, pelo fascínio que desperta nas pessoas. Essas duas expressões se fundem na mostra Feed Dog Brasil, Festival Internacional de Documentários de Moda, evento que entra em cartaz hoje, em Belo Horizonte, e que evidencia a pluralidade da moda.

Até o dia 6 de outubro, o público belo-horizontino terá a oportunidade de experimentar uma programação gratuita e diversa, que traz a exibição de 11 documentários, sendo oito inéditos, além de debates e oficinas, no Sesc Palladium, no Museu da Moda (MUMO) e na Una – Campus João Pinheiro II.

Na abertura da mostra, realizada no Sesc Palladium, nesta terça-feira, às 20 horas,  será exibido o filme Celebration, de Olivier Meyrou, um registro do processo de criação da última coleção do estilista francês Yves Saint Laurent.

A curadoria, assinada pela jornalista e documentarista Flavia Guerra, que afirma que moda é cultura, debruça-se sobre obras que entretêm ao mesmo tempo que educam, sem ser didático.

– O nosso pensamento, ao fazer curadoria, juntamente com o Marcelo Aliche, que também é curador, e a Lais Vitral, coordenadora de produção, sempre foi unir diferentes visões e trazer filmes que fazem esse recorte da moda e que, ao mesmo tempo, contêm histórias interessantes, acima de tudo. Por meio dos filmes, a gente se informa, aprende, pensa, amplia nossa visão e vemos ótimas histórias, com ótimos personagens e ótimos temas – explica Flavia Guerra.

Ainda de acordo com a curadora, o cinema contribui para desmistificar o imaginário de que moda é algo inacessível, na medida em que propõe um novo olhar e apresenta uma investigação profunda dos bastidores desse universo.

– É por meio do cinema que adentramos em um ambiente que, naturalmente, não teríamos a chance de entrar como, por exemplo, o ateliê do Yves Saint Laurent. Primeiro, por uma questão histórica e de acesso. Segundo, porque descobrimos que essas personagens que nós retratamos nos documentários, e que a gente vê retratadas, são pessoas – expõe Flávia.

O filme Celebration, escolhido para a abertura, evidencia o quanto Yves Saint Laurent era meticuloso, cuidadoso, extremamente artesanal até no trabalho de pensar a alta-costura, como era viver com ele, o quanto era uma pessoa na sua rotina de trabalho.

Outro filme que destaca o caráter humano de um estilista, que será exibido no festival, é The Wars of Coco Chanel, que evidencia como a vida de Coco Chanel foi muito além do glamour. A produção mostra uma visão caleidoscópica da francesa, o quanto ela era genial e também uma figura controversa.

A indústria da moda

O festival tem por objetivo, também, mostrar que a moda é mais que alto padrão e alta-costura. Os filmes procuram ampliar a visão sobre o assunto ao expor o quanto a indústria têxtil modifica a dinâmica de um lugar, polui a natureza, impõe um novo modo de vida e precariza as condições de trabalho. As produções Estou Me Guardando Para Quando O Carnaval Chegar e Machines abordam a indústria têxtil e propõem debate sobre sustentabilidade e o futuro de uma das indústrias que mais poluem no mundo, depois da petrolífera.

Em contraposição a essa realidade, o filme Cambodian Textiles faz repensar a moda e o modo de produção, o consumo, a valorização do estilo de vida para além da moda, por meio do movimento slow fashion, ao retratar a produção de seda feita a mão no Camboja.

– Para além da criação, a moda tem essa função de movimentar indústrias. É um dos setores que mais emprega no Brasil, responsável por criar uma cadeia produtiva. A moda tem esse papel de repensar como a gente lida, hoje mais do que nunca, com o nosso mundo, com o meio ambiente, muito para além de questões politicamente corretas, mas por questões práticas – acredita Flavia.

Polo da moda

O evento Feed Dog, que nasceu em Barcelona, na Espanha, em 2015, aporta em Belo Horizonte, pela segunda vez, em razão da vocação da cidade, que tem criadores projetados nacionalmente e pela tradição artesanal que ainda preserva, a exemplo do bordado, da costura e do tricô.

A escolha da capital mineira para sediar o evento, segundo conta o diretor artístico e curador Marcelo Aliche, não foi por acaso. A organização encontrou aqui parcerias importantes para a consolidação do projeto como o Museu da Moda, o Sesc, a Riachuelo e o Centro Universitário Una.

– Belo Horizonte é um polo de moda muito importante no país. Tem uma tradição de criadores, de indústria de moda. Isso é muito importante, pois traz consigo uma sociedade já inserida nesse debate. É muito bom encontrar pessoas que podem debater o assunto – avalia Aliche.

O evento ainda realiza a exposição “Alfaiarte”, idealizada pelo alfaiate mineiro Marcelo Blade, em cartaz no Museu da Moda (Mumo) até o dia 27 de outubro.

Ingressos: Todos os filmes e debates têm acesso gratuito, com retirada de ingressos com 30 minutos de antecedência.

Programação completa e inscrição para as oficinas no site: http://br.feeddog.org

 

*(A estagiária escreveu a reportagem sob a orientação do jornalista Felipe Bueno).

 

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