Intervenção no centro de BH promove Cafuné Grátis

Intervenção no centro de BH promove Cafuné Grátis

Foto por Bárbara Avelino

Belo Horizonte, dia 29 de julho de 2015, entre o meio dia e às 14h.

A artista Gilmara Oliveira, 48, estava sentada no quarteirão da Av. Afonso Pena com a Av. Amazonas. Ao lado dela placa com os dizeres Cafuné Grátis. “Foi uma vivência incrível, uma experiência fantástica. Eu estendi um tapete no chão e sentei ali. Ofereci cafuné de morador de rua até estudantes que passavam correndo“, relata a artista.

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Artista Gilmara Oliveira promoveu o Cafuné Grátis na Praça Sete

A ação foi desenvolvida em parceria com o grupo Vespa Víbice, do qual faz parte, e nasceu a partir de um drama pessoal. “Meu filho de 16 anos foi atropelado e ficou em coma no hospital. A situação dele ficou muito séria, depois que ele saiu de risco e foi para enfermaria. Uma coisa que ele me pediu muito foi o cafuné para dormir”, explica.

A primeira edição do Cafuné Grátis foi realizada durante uma feira do Vespa no segundo andar do Edifício Maletta, no espaço ao lado do bar Olympia. A ação foi oferecida por um real o minuto. “Tivemos uma excelente rotatividade”, o que fez com que Gilmara experimentasse esse o ato na rua, explica Gilmara Oliveira.

Valor sentimental

Para o estudante, Lucas Duarte, 23, esse tipo de ação revela lições importantes de cordialidade. “Nos dias atuais, os abraços e carinhos estão tão extintos. Mostrar que uma ação tão simples, mas com um valor sentimental tão forte, é grátis e produz um bem enorme”.

Segundo pesquisa realizada pelo IHA, Belo Horizonte é a 8ª capital mais violenta do país. Segundo a Secretaria de Defesa Social ocorrem cerca de 108 roubos por dia, totalizando 16.327 só nos cinco primeiros meses de 2015.  Gilmara Oliveira trabalha com pesquisas relacionadas à questão da violência como mote para ação artística, pois acredita que esse tema tem que ser discutido com o objetivo de revisão de conceitos.

Por ora, a artista não pretende realizar uma terceira edição do Cafuné Grátis, em Belo Horizonte, mas pretende leva a ação até a Bienal na Colômbia ainda esse ano. “A ação é muito interessante, mas quando você repete demais cai muito no banal”, esclarece.

Mais informações:

O Grupo Vespa Víbice se encontra toda terça-feira às 19h no segundo andar do Edifício Maletta, no espaço ao lado do bar Olympia e está aberto ao público que queira participar de experimentações e performances.

Texto e foto: Julia Guimarães

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