Jesus da Rua da Bahia

Jesus da Rua da Bahia

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Em meio à correria do dia a dia, várias pessoas passam pela Rua da Bahia, e não percebem a presença do artesão capixaba Larilson Jesus, 40, o Jesus, como é conhecido na região. Os brincos, colares e correntes são produzidos a partir de fio de ouro e materiais como penas e sementes. Ele chega a produzir 80 pares de brincos por dia e tudo é vendido.

Jesus está em BH há dois anos em BH e é fácil identificá-lo, pois ele tem tatuado na testa uma coroa de espinhos. A cruz que Jesus carrega todos os dias é a fiscalização da Prefeitura Municipal, que costuma apreender todo o material produzido e, até mesmo, a matéria-prima. Jesus não tem licença da Prefeitura por preferir não ter local de trabalho fixo. “Hoje estou aqui, mas amanha não sei, posso estar em outro lugar, em outro estado”, salienta.

Apesar de tudo Larilson garante que tem uma vida tranqüila com o seu trabalho. “Dá para viver do jeito que eu gosto, não preciso de luxo. Com os meus artesanatos consigo pagar o aluguel, a pensão a minha filha e, ainda, cuidar dos meus dois cachorros”, afirma. “Se tiver um trabalho você não se perde, tem que ganhar o sustento com o próprio suor”, ensina.

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Jesus, artesão da Rua da Bahia

O Jesus da Rua da Bahia não tem conhecimentos provenientes do estudo, só cursou até a sexta série, o resto foi com a vida e com as às diversas viagens que ele fez. “Já estive no Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo. Acredito que aprendi muito mais com as minhas viagens do que se estivesse em uma escola, pois conheci diversas culturas”, revela. “Escolhi Minas Gerais porque as pessoas aqui valorizam a cultura”, explica.

Há outra razão que motivou o artesão Jesus a ficar em Minas Gerais: a filha que mora em Ribeirão das Neves. “Quero que minha filha, tenha o melhor, tenha o que eu não tive”, conclui.

Por Anelisa Ribeiro/Bárbara de Andrade

Fotos: Andressa Silva

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