Mercado do Cruzeiro

Mercado do Cruzeiro

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O Contramão volta das férias coletivas com uma série especial sobre os tradionais mercados de BH. O projeto é uma parceria do jornal com o Projeto de Extensão Fundamentos do Jornalismo 2021-2, coordenado pela professora Magda Santiago. O mercado de destaque hoje é o do Cruzeiro, mas teremos matérias sobre o Mercado Novo e o Mercado Central.

Um lugar de história, tradição e parceria 

Por Eduarda Vaz Boaventura Pereira e Pedro Henrique Soares Almeida

O Mercado Distrital do Cruzeiro tem quase 50 anos de existência e é considerado um dos três mercados mais importantes de Belo Horizonte. Após atravessar dificuldades logo no seu surgimento e enfrentar o período de lockdown que se iniciou em 2020, seguiu com as suas atividades, sem se abalar muito com as restrições, e mantém o sucesso que o caracteriza, em um ambiente amigável e familiar, que encanta um público cada vez mais fiel.

Criado no ano de 1974 através de uma iniciativa da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, o Mercado Distrital do Cruzeiro, administrado pela COBAL (Companhia Brasileira de Alimentos), teve como finalidade, na ocasião, retirar os feirantes das ruas e oferecer a eles um local seguro onde pudessem vender seus produtos e mercadorias livremente.

De acordo com o site Perspectivas, uma lei expedida no mesmo ano de fundação do Mercado (1974) proibia as feiras de rua e o fornecimento de alvarás para pequenas lojas de produtos hortifrutigranjeiros. Este fato fez com que os comerciantes tivessem um espaço para expor os seus produtos, e o Mercado do Cruzeiro teve uma excelente adesão do público, pois “centralizou” uma grande gama de vendedores em um só local. Outro ponto importante para a popularidade do estabelecimento foi a sua localização privilegiada, pois o comércio mais próximo do bairro era o Mercado Central, a 4 km de distância.

No início da década de 1990, a liberação dos alvarás para a abertura dos sacolões, e a popularidade e subsequente expansão dos supermercados de bairro e mercearias, determinou uma queda nas vendas do Mercado Distrital do Cruzeiro, mas atualmente ele está funcionando com a sua capacidade máxima. De acordo com o portal on-line do jornal Diário do Comércio, hoje o Mercado Distrital do Cruzeiro conta com 50 lojistas, o que corresponde a 100% de ocupação. Essas informações foram confirmadas por Edelvais Júnior, atual diretor do Mercado.

Os principais produtos comercializados ainda hoje são as frutas, verduras e demais vegetais. Embora conte com uma grande variedade de outras mercadorias, como artesanato, utilidades domésticas, açougues, bares, restaurantes e uma varanda gastronômica, os hortifruti continuam sendo a maior atração, responsável por grande parte das vendas.

O impacto da pandemia

Em entrevista concedida ao jornal Contramão em novembro de 2021, o diretor do espaço, Edelvais Júnior, informou que no ano de 2020, com o início da pandemia da Covid-19, o estabelecimento teve um fechamento instantâneo para todos os lojistas que tinham bares ou restaurantes. Os demais comerciantes, dos segmentos de hortifruti, puderam continuar exercendo suas funções, pois são considerados serviços essenciais.

Uma das mudanças mais significativas pelas quais os lojistas passaram foi a redução de uma hora no funcionamento do Mercado, que era das 7h30 às 18h, e passou a fechar às 17h. Outra alteração foi que, devido ao fato de as pessoas não estarem confortáveis para sair de casa, houve um grande investimento nas vendas via delivery. Nas próprias palavras do diretor, “sem grandes mudanças”.

O vendedor Carlos Magno, conhecido carinhosamente como “Catatau”, trabalha no Mercado há 46 anos. Inicialmente foi carregador e depois abriu seu próprio negócio, uma pequena mercearia que vem se expandindo. Catatau revelou que aderiu ao sistema de entrega delivery, porém faz questão que o cliente vá até a loja porque escolhe do jeito dele, vê a variedade de produtos e pode acabar comprando mais. Também frisou que não sentiu uma variação muito significativa no Mercado durante o período crítico da pandemia, inclusive disse que cresceu ainda mais nessa época, aumentando o tamanho da sua barraca.

 

Ambiente familiar e acolhedor

Trabalhando no Mercado desde os 14 anos, Catatau contou que se sente bem próximo das pessoas que frequentam o local, sejam lojistas ou clientes, como se estivesse em casa. Sentimento esse que o cliente Vicente, mais conhecido como “Primo”, também compartilha, segundo informou em entrevista concedida ao jornal Contramão em dezembro de 2021.

De acordo com Primo, o Mercado é um espaço muito acolhedor e diversas pessoas, que estiveram presentes desde a sua fundação, mantém o hábito de fazer compras no local. Ele comentou um dos motivos de gostar tanto do Mercado: “é um lugar frequentado por famílias, meus pais compravam nas barracas, conheci todos os vendedores”.  Também contou que, mesmo no auge da pandemia, não deixou de ir ao Mercado do Cruzeiro, seguindo os protocolos de higienização necessária.

A sensação de conforto, prazer e o sentimento de proximidade experimentado por muitos que vão ao Mercado do Cruzeiro faz com que valha a pena conhecer este espaço, que é um dos três maiores do gênero em Belo Horizonte, considerado um ponto turístico da capital mineira.

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