Luiz Felipe Jerônimo

Para quem foi nascido e criado em grandes cidades, pensar em morar no interior pode parecer loucura, principalmente para jovens nascidos nos anos 2000. Mas para muitos que foram criados no campo, a saudade pode apertar de vez em quando, a depender de como era a relação com aquele ambiente.

Maria Cecília Nepomuceno, de 20 anos, criada em São Gonçalo do Rio Abaixo, cidade da região Centro-Sul de Minas Gerais, sempre foi uma jovem muito ativa na cidade que morava, além de sempre ter mantido relações extremamente saudáveis com sua família. “Lá eu era atleta, treinava Handebol. Tive que parar por conta da faculdade, por conta do trabalho[…] Tudo que tinha eu participava. Também saía para bater papo, pra comer hamburguer do trailer e ‘vivia’ na casa da minha amiga, porque a gente morava a 5 minutos de distância uma da outra”. 

Maria é afetada diretamente pela falta de tempo e oportunidades de realizar tudo aquilo que tinha liberdade para fazer no interior, além da saudade da família.“Eu sinto muita falta da Liberdade, eu sinto muita falta da minha mãe e dos meus avós, de não ter que precisar ficar correndo contra o tempo, […] sinto falta do acolhimento.”

A jovem de 20 anos sente muita falta da vida calma que levava no interior, mas nem todo mundo tem as mesmas experiências, como a Maria Eduarda Araújo, também chamada de Duda, que saiu de Ponte Nova, cidade da Zona da Mata mineira, para cursar o ensino médio na capital mineira, e aqui está até hoje, cursando Jornalismo.

Por ter saído mais nova do interior, Duda não sente tanta falta da pacata vida em Ponte Nova, mas reconhece que sua infância poderia não ter sido tão boa se tivesse sido criada em uma grande metrópole. “Sou grata por ter crescido lá, […] não queria ter tido uma infância na capital não.” Após chegar a BH, Maria Eduarda desenvolveu sua fé cristã, e agora faz parte do grupo de jovens da igreja que frequenta, o que a deixa ainda mais conectada à capital. 

Portanto, independente das experiências no interior, é quase inevitável que os jovens, principalmente aqueles que buscam investir no ensino superior, saiam de suas casas em direção às capitais para estudar, conseguir melhores oportunidades de emprego e formar uma rede de contatos.

Ainda que a saudade “aperte” o coração, no fim, cada passo é dado em direção a um caminho que vá fazer tudo valer a pena.

 

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