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Festival de Moda de Belo Horizonte traz programação extensa e aberta ao público

O evento acontece entre os dias 20 e 23 de novembro e conta com a participação de alunos da Una

*Por: Bianca Morais

Que Belo Horizonte já é um dos polos da Moda do Brasil, já sabemos. A cidade tem recebido muitos eventos na área e um exemplo recente foi o Minas Trend, que agitou a capital no final de outubro apresentando tendências e gerando negócios.

Agora chegou a vez MOOD – Festival de Moda 2019. Em parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Belotur e Mumo (Museu da Moda), o evento acontece entre os dias 20 e 23 de novembro trazendo dezenas de atividades.

BH reúne grandes nomes da indústria da moda e se reinventa constantemente com a chamada economia criativa, o que serviu de inspiração para os debates que visam reafirmar esse posicionamento da capital como ambiente de moda, inovação e criatividade.

O Mood  apresenta uma programação robusta com desfiles, palestra e oficinas que prometem estabelecer vínculos entre indústria, atacado, varejo e consumo. As ações coordenadas com projetos e intervenções com capilaridade pelas diferentes regiões, tem o objetivo de promover a moda mineira, o acesso e a inclusão.

Una marca presença no Mood

Os eventos estarão espalhados por toda a cidade e o desfile de encerramento acontece no dia 23 de novembro, no Mercado Central, e conta com a produção do renomeado estilista Renato Loureiro. O Curso de Moda do Centro Universitário Una é um dos convidados para participar desse desfile, ao todo, quatro alunos e ex-alunos da instituição irão apresentar dez “looks” (desenhados e produzidos por eles). Além disso, outros três alunos participarão como assistentes de produção, auxiliando estilistas e modelos.

De acordo com a Líder do Numo (Núcleo de Moda da Una), Letícia Dias, eventos como esse são de extrema importância para os alunos, uma vez que é de grande visibilidade e proporciona uma conexão com o mercado:

“Aceitamos de imediato a participação com o objetivo de promover aos alunos experiências que proporcionem desenvolvimento, networking, prática do conteúdo das disciplinas e vivência fora no ambiente acadêmico. O Numo esteve aberto a todos os momentos para recebê-los e acompanhá-los nesse processo. Participar de desfiles é o sonho de muito alunos, principalmente aberto ao público, com a presença de grandes nomes da moda e da imprensa.”

A ex aluna da Una, Maria Cepellos, convidada a participar do desfile, irá apresentar 5 looks. Inspirada em Arquitetura, comidas e bebidas típicas sua coleção está dividida em três linhas:

“Trabalhei a arquitetura da fachada, criei uma tela em viés e crochê aplicado representando o artesanato. Com estampas inusitadas de queijo com azeitonas, pimentas com a data que surgiu o mercado, garrafas em forma de mandala e galhinhos de cevada. Criei uma estampa inspirada nas cerâmicas do Jequitinhonha que são vendidas no Mercado Central e trabalhei as tramas dos balaios em barbante. Também tem a linha que traz max estampas de orquídeas e a trama do restaurante exatamente em suas formas no viés. Toda a coleção em tons terrosos que são típicos do mercado, como ocres, cobre, laranja e vermelho”.

Assim como Maria, outros artistas estarão expondo a criatividades na passarela, o evento será gratuito e aberto ao público, confira a programação completa no site oficial.

 

  • A aluna escreveu a matéria sob a supervisão da jornalista Daniela Reis

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Foto: Marcelo Soubhia Divulgação

O evento contou com a participação de grandes estilistas e proporcionou grandes possibilidades de negócios. 

 

*por: Joyce Oliveira e Ítalo Charles

 

“Tecendo Futuros” esse foi o tema escolhido para a 25ª edição do Minas Trend, que aconteceu entre os dias 21 e 25 de outubro no Expominas, em Belo Horizonte. O evento considerado o maior salão de negócios da América Latina, trouxe as propostas de tendências para o outono/inverno 2020. 

 

O Desfile de abertura que aconteceu no primeiro dia, apenas para convidados,  apresentou dezenas de looks de diversos estilistas, dentre eles as marcas da capital mineira Norb Brand, Valéria D Valéria e Florent. Com tonalidades em branco, prata e rosado, as peças carregavam uma pegada  fluida, soltas no corpo e com uso de maxi acessórios. A marca Norb é do estilista Norberto  Resende, aluno do curso de Moda, do Centro Universitário Una, que contou em entrevista como foi a experiência de participar desse momento especial. 

 

“O convite para que a Norb apresentasse as peças na passarela surgiu de forma inesperada. Recebi uma ligação do stylist Paulo Martinez me convidando. Foi uma satisfação enorme. Após um longo processo de desenvolvimento da coleção, em uma colab proposta por mim com vários alunos da Una. Tivemos a oportunidade de fazer todo o processo de criação até à passarela. Foi enriquecedor e para nós estudantes isso é uma importante conexão com o mercado.” avalia Norberto.

 

A programação oficial aberta ao público teve início na terça feira, dia 22 e foi muito além das passarelas. O evento também contou com palestras e oficinas dentro e fora de BH. A semana que é destaque no mundo da moda recebeu visitantes e expositores de várias partes do país e também estrangeiros. De acordo com dados da FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), edição o salão de negócios teve um crescimento cerca de 50% de marcas de diferentes segmentos da moda, isso inclui roupas, calçados e acessórios.

 

A apresentação das coleções assinadas por Lethicia Bronstein e Anne Est Folle marcaram o primeiro desfile da noite do dia 23. Conhecida internacionalmente, Lethicia costuma ser a escolhida das famosas, em moda festa e noivas. A paulista trouxe para o Minas Trend uma coleção espelhada na mulher forte, sexy, independente e sonhadora, com tons pastéis e utilização de rendas e tules com transparência. As modelos  Cintia Dicker, Barbara Berger e Renata Kuerten foram destaque no desfile com as criações da estilista. A platéia também contou com presenã vips, as atrizes Bia Arantes, Erika Januza e Mariana Rios conferiram todas as novidades atentas aos detalhes e tedências. Por outro lado, a grife Anne Est Folle apresentou a coleção Lotta Love, com roupas casuais e fluídas, que buscam conforto e elegância. O ponto chave dos looks foram a diversidade de estampas e texturas.

 

Na mesma noite, por volta das 21 horas, aconteceu o desfile da Passarela Têxtil, onde as  indústrias mineiras Cataguases, Cedro Têxtil, Fabril Mascarenhas, Santanense, Cia João Joanense e Tear Têxtil fizeram uma parceria com o SENAI MODATEC, e apresentaram mais de vinte looks com propostas de usabilidade que iam além das passarelas.

 

A estilista Denise Valadares, grande nome da moda festa mineira, abriu a noite de desfiles. Em parceria com o stylist Alberth Franconaid, a ideia uniu a ludicidade de Alberth e a criatividade de Denise originaram a coleção “Caminhos” que apresentou uma reformulação de peças de criações anteriores e peças que segundo a estilista, é comum se ter dentro do armário. 

 

O último desfile da temporada foi da grife Victor Dzenk, que apresentou a coleção ‘Heroínas da Odisseia”, inspirada em produções hollywoodianas que marcaram os gêneros ficcionais e futuristas. Os filmes ‘O quinto elemento’, ‘Blade Runner’ e ‘Matrix’ foram usados como referência para traduzir a mulher clássica, moderna e empoderada. Uma mistura que ressaltou a sensualidade, com o uso de fendas e transparências, e valorizou a moda clássica da alfaiataria, com mangas bufantes, blazers e trench coats.

 

As palestras e oficinas foram ministradas por grandes nomes do cenário mineiro e nacional. A presença do Estilista e Stylist Dudu Bertholini, que possui uma carreira consolidada no ramo, possibilitou ao público uma experiência única em uma palestra sobre a diversidade no mundo da moda.

 

Durante o evento, várias apresentações culturais também encantaram o grande público. O grupo Primeiro Ato, com sede em BH, proporcionou a quem assistia um instante de descontração com o espetáculo de dança contemporânea “Passagem”. Já o grupo Cisne Negro levou ao ExpoMinas o espetáculo “Trama”. 

 

A programação se encerrou com a Orquestra de Câmara SESIMINAS que contou com a participação dos músicos Flávio Venturini e DoContra. O MinasTrend fecha mais uma temporada com grandes tendências e aquecendo o mercado que cresce cada ano mais na capital, Belo Horizonte deixando os presentes já na expectativa para a próxima edição. 

 

  • Os alunos escreveram a matéria sob a supervisão da jornalista Daniela Reis

 

 

 

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Edição do primeiro semestre de 2019 foi um grande sucesso

GastroUna valoriza a gastronomia regional
Mostra da Una apresenta inovação, sustentabilidade e novos talentos, no dia 28/11

  • por Jéssica Oliveira

Conectar os alunos com o mercado e possibilitar um desafio que envolve empreendedorismo, inovação e sustentabilidade. Esses são os objetivos da 8ª edição do GastroUna, que acontece no dia 28/11, na Una João Pinheiro. A apresentação, aberta ao público, vai reunir chefs, entidades do setor (Abrasel, Belotour e Emater), professores e críticos.

A mostra dos alunos de gastronomia propõe o desenvolvimento de um projeto técnico cientifico, que consiste na criação de um negócio, envolvendo desde a escolha do nome, logomarca, plano de negócio, planejamento estratégico, cardápio e execução. Nessa edição, os pratos apresentados devem conter Pancs (plantas alimentícias não convencionais).
Cada grupo também apresentará dois drinks (um alcoólico e outro não) para harmonizar com as refeições. Os projetos devem ser sustentáveis, criativos e trazer valorização da história e da biodiversidade brasileira.

Para a idealizadora do GastroUna, a professora Rosilene Campolina, a mostra é uma oportunidade de se apresentar ao mercado e ser julgado por ele. “Os talentos merecem ser reconhecidos. Esses novos profissionais precisam atravessar as fronteiras da universidade e ganhar o mercado. O GastroUna foi a metodologia que encontrei, para estabelecer essa rede de contatos e para servir de vitrine para os alunos”, diz Rosilene.

A professora ressalta que é importante preparar os alunos de forma prática para a empregabilidade. “Eles saem da faculdade com essa experiência, de vivenciar e montar um empreendimento. Não somente como cozinheiros, mas como gestores do seu próprio negócio. Isso envolve logística, gestão de insumos, de estoque, gestão de pessoas e a forma de administrar uma equipe”, completa.

Para o coordenador do curso de Gastronomia, Edson Puiati, essa prática também é importante para a instituição de ensino. “A matriz do nosso curso é o empreendedorismo e a gestão de negócios gastronômicos. O GastroUna vem coroar isso com muita criatividade, já que os estudantes colocam em prática tudo que aprenderam na sua trajetória acadêmica. Já para a Una, o evento apresenta para o mercado o que desenvolvemos aqui na academia, uma vez que nossos jurados são profissionais renomados. Isso faz com que a gente tenha um retorno do público externo sobre o nosso trabalho”, salienta.

Os três melhores grupos serão premiados com livros, kits de culinária e produtos gourmet, brindes personalizados, jantares e participação em grandes eventos como o Arraial de Belo Horizonte e as feiras Aproxima e Jungle Bier. O GastroUna também promove um intercâmbio entre cursos. Alunos de cinema e comunicação trabalharão em conjunto realizando a cobertura e transmitindo em tempo real as apresentações em telões do hall de entrada do campus, pela internet, nas redes sociais.

A aluna Caroline da Silva participou da última edição do evento com o sanduíche “Matula da Roça”, que trouxe ingredientes tipicamente mineiros como o pão de milho, farofa de torresmo, geleia de pimenta e couve. O prato ficou em 2º lugar no voto popular e ganhou o concurso junino no Arraial de Belo Horizonte 2019. “O projeto nos coloca frente a frente com a realidade de um investimento, além de trazer valorização e reconhecimento pelo nosso esforço”, diz.

Serviço:
Data: 28 de novembro de 2019
Horários: Manhã: de 08h às 11h / Noite: de 19h às 22h
Local: Unidade João Pinheiro II (Avenida João Pinheiro, 580, Lourdes – BH/MG)

*(A estagiária escreveu reportagem sob a supervisão da jornalista Daniela Reis)

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BH recebe 25ª edição do evento

Entre 21 e 25 de outubro BH recebe grandes nomes da moda

Por: Italo Charles e Joyce Oliveira

 

Destacar o setor têxtil fazendo do algodão o fio condutor das histórias contadas sobre as perspectivas da moda suscitou a criação do 25° Minas Trend, que acontece entre os dias 22 a 25 de outubro, no Expominas, em Belo Horizonte. Repleta de novidades, a semana de moda mineira, apresentará as propostas de tendências para o outono/inverno 2020. Com a participação de grandes marcas como Denise Valadares, Lethicia Brostein e Victor Dzenk, o evento promete agitar a capital.

 

A edição batizada de “Tecendo Futuros”, traz reflexões sobre inovação, democratização e a diversidade no mundo da moda. Com direção criativa de Rogério Lima, o evento, que é o maior salão de negócios do setor na América Latina, promete levantar discussões acerca do aperfeiçoamento da cadeia produtiva de moda, com uma programação que inclui palestras, oficinas e desfiles. Pela primeira vez, as indústrias têxteis serão as estrelas da passarela. Ao todo, seis empresas mineiras do ramo irão se apresentar em um desfile coletivo, composto de 20 looks confeccionados pela equipe técnica do Senai Modatec.

 

A marca Norb Brand, dirigida por Norberto Resende, estilista e estudante do curso de moda do Centro Universitário Una, é um dos destaques do desfile de abertura, que acontece na noite dessa segunda-feira (21). A marca eleita pela Codemge (Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais) como empresa tendência, estará presente no salão de negócios pela segunda vez consecutiva e de acordo com Norberto a inspiração vem das drags queens.

“A coleção foi inspirada no universo drag e nas pesquisas da Brigitte Baptiste, uma transexual que fala sobre os seres híbridos da natureza. As peças vão trazer muito volume e babado, seguindo a essência da Norb reforçando o exagero das drags”.

 

Coleção de aluno da Una é destaque

O estilista não trabalhou sozinho. Com ele há uma equipe de estudantes de moda da Una, que auxiliam no projeto de costura e modelagem.

“A gente montou uma equipe com vários alunos que participaram da produção, e acompanharam a ideia, desde sua criação no papel até sua chegada às passarelas. Foi uma experiência excelente que proporcionou a eles vivenciar  todos os desafios que é a produção completa de uma coleção”, salienta.

 

Fora da Capital

Uma grande novidade dessa edição é a extensão das atividades do Minas Trend para cidades do interior do estado. Com programação exclusiva e gratuita, que vai dia 14 de outubro a 09 de novembro, Tiradentes, Ouro Preto, Itaúna e Uberaba recebem palestras e oficinas.

A edição se encerra no dia 24 de outubro (quinta-feira) às oito e meia da noite com a Orquestra de Câmara do SESI e com o músico Flávio Venturini. Os ingressos para o público estão a preços populares nos valores de 20 reais a inteira, e 10 reais a meia entrada. Já palestras e oficinas são gratuitas. Mais informações e inscrições no site do Minas Trend.

 

 

*(Os estagiários escreveram a reportagem sob a supervisão da jornalista Daniela Reis)

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Copa Cozinha é um dos estabelecimentos que participa do processo de revitalização do Mercado Novo por meio da gastronomia. Foto: Super Câmera.

Antes esquecido, o Mercado Novo passa por uma revitalização puxada por um movimento gastronômico e vive um boom de bares e restaurantes

Por Jéssica Oliveira*

A exemplo de cidades como Nova Iorque, que passa por uma constante revitalização de bairros e espaços antes abandonados, a capital mineira vem recuperando e dando vida à ruas e estabelecimentos que caíram no esquecimento do poder público e das pessoas. O bar Zona Last foi o pioneiro ao atrair para a região leste um público diverso e interessado em vivenciar e ocupar outras áreas de Belo Horizonte.

Outro ponto que passou a ser frequentado pelos belo-horizontinos, a rua Sapucaí, no centro da cidade, recentemente, ganhou status de cartão postal, e, para além disso, traz variadas opções de bares e restaurantes que se tornaram referência nos últimos anos. O mesmo ocorre com o Mercado Novo. Até um ano atrás, quem passava pelo lugar se deparava com um prédio largado às traças, com pouca iluminação e sem cor.

Antes, toda edificação, construída na década de 1960, com o intuito de ser um centro de distribuição, assim como o Mercado Central, estava ocupada apenas por lojas e serviços gráficos. Um movimento gastronômico, no entanto, tem alavancado as atividades do local, que recebe, durante toda semana, gente interessada em boa comida e opções variadas de cervejas artesanais e drinks.

Quem vai até o local encontra um ambiente simples e despojado, com culinária voltada para as raízes mineiras e processos artesanais. O projeto batizado de Velho Mercado Novo, sob a batuta dos sócios Rafael Quick, Samuel Viterbo, Marcelo Machado e Luiz Furiati, é responsável por reavivar o local, que funciona como espaço onde os produtos e produtores locais são valorizados. Não à toa, a marca mineira de gin Ivy viu a possibilidade de instalar no Mercado Novo um bar onde todo o cardápio de bebidas foi pensado a partir do destilado, que nos últimos dois anos se tornou o queridinho das noites belo-horizontinas.

A presença de empreendedores da gastronomia e a execução de projetos em parcerias têm dado resultados e feito com que o Mercado Novo se torne um ponto de encontro. Uma das propostas responsáveis por esse engajamento é a dobradinha feita pela Cozinha Tupis e a Distribuidora Goitacazes, empresa do grupo Viela. A união tem fomentado a criação de novos projetos criativos no espaço.

Repensando a cozinha

Henrique Gilberto, 32 anos, que comanda o Cozinha Tupis, é um dos expoentes da cozinha mineira. A proposta do seu estabelecimento, localizado no segundo andar do Mercado, é proporcionar ao público um ambiente que dialogue com o espaço onde está instalado.

“Desenvolvemos uma cozinha anti-padrão, que fomenta a nossa criatividade. O restaurante não existe sem o Mercado Novo. A Cozinha Tupis só existe por causa dele. Ela tenta condensar a essência de insumos que são encontrados aqui, refletindo um pouco da cozinha centro belo-horizontina, as influências, as maneiras de serem consumidas, tudo isso é embasado em como cozinhamos e como as pessoas se comportam no centro da cidade”, revela Gilberto.

O empreendimento tem uma política de microeconomia. Todo insumo usado no restaurante é comprado no próprio Mercado Novo ou Mercado Central. Os ingredientes são escolhidos pensando na sazonalidade e oferta do mercado. “O que conduz o cardápio semanalmente é justamente o que vimos na feira do mercado, então o cardápio muda conforme a feira muda. Os ingredientes que não podem faltar são os frescos, da época. Não temos uma regra, esperamos que o ingrediente esteja no seu melhor momento para que possamos comprar. O ingrediente da época é o que conduz a Cozinha Tupis”, completa Henrique.

Brunch mineiro

Ainda que as opções noturnas de bares e restaurantes sejam as que mais atraem público, engana-se quem acha que o local se limita a isso. Quem estiver disposto a andar sem pressa pelos corredores do Mercado Novo irá descobrir uma galeria de arte, o Espaço Corda, dos amigos Diogo Salomão, Pablo Gomide e Humberto Hermeto, brechós, um laboratório de fotografia analógica, o Super Câmera, uma barbearia e um charmoso café, o Copa Cozinha, onde são servidas várias delícias mineiras.

À frente do Copa Cozinha, Júlia Queiroz, Maíra Sette e Cristina Gontijo decidiram criar um espaço onde as memórias, tanto da equipe como dos clientes, fossem reavivadas. É a partir da cozinha afetiva que as pessoas são conduzidas aos sabores e sensações sentidas na infância.

“Nós trabalhamos na Copa Cozinha em cima de memórias. Cada um tem uma lembrança de família, um cheiro que lembra infância. Na nossa cozinha, o doce de laranjinha kinkan se transforma em tortinha de chocolate com caramelo salgado, o gostinho de limão capeta do quintal é resgatado no nosso bolo com creme de queijo e geleia de amora. O bolinho de fubá, que tem milhares de receitas e está sempre presente na nossa mesa de café da manhã, os biscoitinhos amanteigados que não faltavam na lata da casa da vó, nos inspiraram para os nosso crocantes de goiabada e de doce de leite, e a tortinha cremosa com compota de jabuticaba”, explica Júlia.

Júlia entende que cada processo de uma receita demanda cuidado e delicadeza, e se inspirou na tradição da culinária mineira para criar o cardápio do Copa Cozinha. Ela aprendeu observando e valorizando cada detalhe, o tempo da massa, e os materiais corretos no momento do preparo. Acima de tudo, ela encara a cozinha como um ambiente que deve ser acolhedor.

“Nos apresentar é falar sobre um cômodo da casa conjugado a Copa Cozinha. É onde se prepara a comida e se faz as refeições também. A magia está na vocação de abrigar duas práticas tão infinitas de afeto, cozinhar e servir com simplicidade. Por isso a escolha do Mercado Novo, que é um retrato da nossa identidade, essência e autenticidade. A Copa Cozinha é um lugar para celebrar essa tradição em torno de uma mesa”, destaca Júlia.

*(A estagiária escreveu a reportagem sob a supervisão dos jornalistas Felipe Bueno e Daniela Reis)

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Filme The Wars of Coco Chanel aborda o caráter forte e personalidade controversa da estilista francesa. Foto: reprodução.

Feed Dog Brasil, evento que estreia hoje em Belo Horizonte, apresenta ao público, por meio de exibições de filmes, oficinas e debates, diversos olhares sobre o universo da moda

Por Bianca Morais*

A moda sempre foi representada com esmero nas telas do cinema. Em parte, por conta da sua força narrativa e, por outra parte, pelo fascínio que desperta nas pessoas. Essas duas expressões se fundem na mostra Feed Dog Brasil, Festival Internacional de Documentários de Moda, evento que entra em cartaz hoje, em Belo Horizonte, e que evidencia a pluralidade da moda.

Até o dia 6 de outubro, o público belo-horizontino terá a oportunidade de experimentar uma programação gratuita e diversa, que traz a exibição de 11 documentários, sendo oito inéditos, além de debates e oficinas, no Sesc Palladium, no Museu da Moda (MUMO) e na Una – Campus João Pinheiro II.

Na abertura da mostra, realizada no Sesc Palladium, nesta terça-feira, às 20 horas,  será exibido o filme Celebration, de Olivier Meyrou, um registro do processo de criação da última coleção do estilista francês Yves Saint Laurent.

A curadoria, assinada pela jornalista e documentarista Flavia Guerra, que afirma que moda é cultura, debruça-se sobre obras que entretêm ao mesmo tempo que educam, sem ser didático.

– O nosso pensamento, ao fazer curadoria, juntamente com o Marcelo Aliche, que também é curador, e a Lais Vitral, coordenadora de produção, sempre foi unir diferentes visões e trazer filmes que fazem esse recorte da moda e que, ao mesmo tempo, contêm histórias interessantes, acima de tudo. Por meio dos filmes, a gente se informa, aprende, pensa, amplia nossa visão e vemos ótimas histórias, com ótimos personagens e ótimos temas – explica Flavia Guerra.

Ainda de acordo com a curadora, o cinema contribui para desmistificar o imaginário de que moda é algo inacessível, na medida em que propõe um novo olhar e apresenta uma investigação profunda dos bastidores desse universo.

– É por meio do cinema que adentramos em um ambiente que, naturalmente, não teríamos a chance de entrar como, por exemplo, o ateliê do Yves Saint Laurent. Primeiro, por uma questão histórica e de acesso. Segundo, porque descobrimos que essas personagens que nós retratamos nos documentários, e que a gente vê retratadas, são pessoas – expõe Flávia.

O filme Celebration, escolhido para a abertura, evidencia o quanto Yves Saint Laurent era meticuloso, cuidadoso, extremamente artesanal até no trabalho de pensar a alta-costura, como era viver com ele, o quanto era uma pessoa na sua rotina de trabalho.

Outro filme que destaca o caráter humano de um estilista, que será exibido no festival, é The Wars of Coco Chanel, que evidencia como a vida de Coco Chanel foi muito além do glamour. A produção mostra uma visão caleidoscópica da francesa, o quanto ela era genial e também uma figura controversa.

A indústria da moda

O festival tem por objetivo, também, mostrar que a moda é mais que alto padrão e alta-costura. Os filmes procuram ampliar a visão sobre o assunto ao expor o quanto a indústria têxtil modifica a dinâmica de um lugar, polui a natureza, impõe um novo modo de vida e precariza as condições de trabalho. As produções Estou Me Guardando Para Quando O Carnaval Chegar e Machines abordam a indústria têxtil e propõem debate sobre sustentabilidade e o futuro de uma das indústrias que mais poluem no mundo, depois da petrolífera.

Em contraposição a essa realidade, o filme Cambodian Textiles faz repensar a moda e o modo de produção, o consumo, a valorização do estilo de vida para além da moda, por meio do movimento slow fashion, ao retratar a produção de seda feita a mão no Camboja.

– Para além da criação, a moda tem essa função de movimentar indústrias. É um dos setores que mais emprega no Brasil, responsável por criar uma cadeia produtiva. A moda tem esse papel de repensar como a gente lida, hoje mais do que nunca, com o nosso mundo, com o meio ambiente, muito para além de questões politicamente corretas, mas por questões práticas – acredita Flavia.

Polo da moda

O evento Feed Dog, que nasceu em Barcelona, na Espanha, em 2015, aporta em Belo Horizonte, pela segunda vez, em razão da vocação da cidade, que tem criadores projetados nacionalmente e pela tradição artesanal que ainda preserva, a exemplo do bordado, da costura e do tricô.

A escolha da capital mineira para sediar o evento, segundo conta o diretor artístico e curador Marcelo Aliche, não foi por acaso. A organização encontrou aqui parcerias importantes para a consolidação do projeto como o Museu da Moda, o Sesc, a Riachuelo e o Centro Universitário Una.

– Belo Horizonte é um polo de moda muito importante no país. Tem uma tradição de criadores, de indústria de moda. Isso é muito importante, pois traz consigo uma sociedade já inserida nesse debate. É muito bom encontrar pessoas que podem debater o assunto – avalia Aliche.

O evento ainda realiza a exposição “Alfaiarte”, idealizada pelo alfaiate mineiro Marcelo Blade, em cartaz no Museu da Moda (Mumo) até o dia 27 de outubro.

Ingressos: Todos os filmes e debates têm acesso gratuito, com retirada de ingressos com 30 minutos de antecedência.

Programação completa e inscrição para as oficinas no site: http://br.feeddog.org

 

*(A estagiária escreveu a reportagem sob a orientação do jornalista Felipe Bueno).