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*Por Bianca Morais

Caretice não existe nessa banda, descontraídos, coloridos, dançantes. Se você perguntar para eles o que tocam, não vão saber responder. Vão tentar te convencer que é uma mistura de Psirico com Djavan, pode colocar um pouco de Baiana System também. O negócio deles é brasileiro, é cultura popular, é Dominguinhos, é Alcione.

São as infinitas possibilidades estéticas da música brasileira e latino-americana (essa parte eu peguei da descrição deles no Spotify).

Beleza, mas quem são eles?

Me perdi um pouco tentando apresentá-los que até me esqueci de falar quem são.

Lamparina e a Primavera.

Diferentes de tudo que você já ouviu e inspirados em um único objetivo: fazer as pessoas dançarem e se movimentarem ao som de suas canções. Eles querem tocar as pessoas por meio do espírito da dança. A maioria das composições tem uma mensagem para passar e socialmente falando, é mais fácil essa mensagem atingir os jovens.

“Não sejam rasos, sejam quem vocês são. Criem bons versos, leiam poesias, leiam textos, escrevam, porque isso vai fazer a diferença na hora das pessoas ouvirem, as pessoas vão querer ouvir.”.

Se você não os conhece, já está mais do que na hora de se atualizar. A banda começou em 2016 e hoje já é conhecida em todo Brasil. Já tocaram em grandes festivais como o MECAInhotim e Planeta Brasil. A galera que antes viajava dentro de um Fiat Uno amontoada com os instrumentos, hoje viaja de avião e fica em hotéis tops.

E como surgiu essa conquista? Como veio a fama? Vou contar um pouco da história deles e como chegaram onde estão hoje.

Arthur Delamarque e Calvin Delamarque são irmãos e tinham uma banda, a Delamarque e a Lamparina. O Arthur também tocava na banda do Hugo Zschaber, a Hugo e a Primavera. As duas bandas começaram mais ou menos juntas e os meninos já se conheciam da época de colégio. Acontece que as duas bandas separadas não estavam evoluindo o tanto que queriam, alguns dos integrantes não estavam tão comprometidos quanto os outros, não faziam muitos shows e não ensaiavam com frequência.

Um dia na casa do Arthur, ele e Hugo estavam reflexivos sobre os problemas das respectivas bandas e decidiram que iriam acabar com as duas e formar com quem realmente queria tocar e fazer música.

O nome da banda Lamparina e a Primavera nasceu da união do sobrenome dessas duas bandas. Até porque se juntasse Hugo e Delamarque viraria uma dupla sertaneja e eles estão longe de tocar sofrência.

Nome decidido, a primeira formação da Lamparina e a Primavera tinha os irmãos Delamarque, o Hugo e a Mariana Cavanellas (que depois tocou no Rosa Neon. Continue lendo o almanaque que em breve falaremos de mais essa banda de sucesso).

A banda precisava de um baterista e então apareceu o Thiago Oliveira, também conhecido como Groove. Ele foi resgatado por eles depois da sua antiga banda onde tocava com o Breno Miranda (aquele do Sede pra te ver, corre lá no Spotify). Nessa formação também tinha o guitarrista Francisco di Flora, amigo de escola dos meninos.

Começou então a banda com 6 integrantes: o Arthur, o Calvin, o Hugo, a Mariana, o Groove e o Chico. Os ensaios aconteciam na casa do Groove lá no bairro Concórdia.

O Fabiano Carvalho era vizinho do Groove e tocava percussão. O Hugo já tocava percussão, mas eles sentiam que precisavam de mais gente na banda e mais swing. Então colocaram o Fabiano, também conhecido como Bino.

A banda crescia, lançaram seu primeiro EP Claraboia em 2017, no Cine Theatro Brasil. Com a presença de familiares e emoções à flor da pele, começaram a ver que o trabalho estava dando certo. Aos poucos iam saindo de Belo Horizonte e tocando para o resto do país.

Foi em 2018 que veio o primeiro baque; Mariana Cavanellas anunciou que sairia da banda. Um clima de muita tristeza tomou conta do grupo que ficou cerca de 5 meses de hiato sem vocalista e muitas canções acabaram ficando caracterizadas pela sonoridade da voz de Mariana. Era necessário uma voz à altura para substituí-la. E é claro que não ficou para menos. Depois de um tempo de procura, apareceu Marina Miglo. E o nome foi apenas coincidência mesmo.

Indicada por amigos em comum, Marina trouxe aquilo que eles procuravam, algo novo, mas não deixando perder a identidade que já tinham criado. A única mulher da banda entrou de uma forma bonita, sincera e leve, trazendo consigo uma personalidade intensa para aquele grupo.

Logo depois da saída da Mariana, outro membro da formação inicial também se despediu da Lamparina e a Primavera, o Chico. Se formou em medicina e teve que escolher entre suas paixões. Aparentemente, existem muitos aspirantes a médicos nas bandas de Belo Horizonte. O Rafael da Devise também teve que sair da banda depois que se formou e o Pedro Martins da Matiza também é estudante de medicina (mas agora é torcer pra ele não sair também).

Com a saída do Chico, entrou o Stênio e foi daí que nasceu a banda com a formação que conhecemos hoje.

Como já aprendemos neste almanaque, a vida de uma banda independente não é fácil. Alguns de seus membros irão se perder no caminho, mas é a paixão pela música e a vontade de dar certo que servirão de força para os que ficam.

Saem Mariana e Chico, entram Marina e Stênio e a Lamparina e a Primavera finalmente se entende por completo como banda.

A Lamparina não começou a tocar sua música autoral nos clássicos lugares de Belo Horizonte conhecidos por abraçar esse meio, como a Obra e a Autêntica. Com essa pegada brasileira, a banda era convidada para tocar em bares como o Quintal da Jabu e Catavento Cultural, frequentados por bandas que tocam samba e brasilidades, exatamente o forte deles.

Corajosos e destemidos, assim como os parceiros da Chico e o Mar, se arriscaram em não colocar cover nos repertórios e mostrar para as pessoas o que eles tinham de original. Assim foram conquistando um público que se identificava com o som.

O público cresceu, a música popularizou e a banda que antes tirava do bolso para ir tocar nos lugares, agora voa de primeira classe e toca para milhares de pessoas. Eles, que antes estavam acostumados a ter na frente do palco os amigos cantando bem alto, agora têm o reconhecimento de pessoas que nunca viram na vida, várias delas cantando o que saíram da cabeça deles.

Sair de Belo Horizonte significa ver pessoalmente que a música está chegando a outros lugares. Uma coisa é ver números de visualizações pela internet, encarar de frente é outro assunto. O comentário de “viu a galera cantando a nossa música?” por muito tempo deixou de existir nos shows em casa, até porque já estavam acostumados com o público local. Mas ir para outra cidade, como quando tocaram no Sul do país, e ver a galera esgoelando as músicas, mostra para eles o retorno. Tocar em casa, ou seja, na própria cidade, faz com que as pessoas acabem te conhecendo como pessoa, mas em um lugar novo o que chega primeiro é a música. As pessoas ficam mais distantes da banda e mais próxima do trabalho.

O segredo do sucesso

Nada veio por acaso, o que vive hoje a Lamparina e a Primavera é o resultado de um esforço em criar uma personalidade só deles. Não é preciso muito para ver como o estilo deles é diferente. A dica que eles deixam para quem está começando é:

“Sejam vocês mesmos e não tentem copiar o do outro”.

Se você vê na Lamparina um sucesso, use como inspiração. Mas não tente imitar, porque você não vai conseguir ser exorbitante do jeito como a Marina é, nem tranquilo como o Calvin, trabalhador como o Bino, otimista como o Stênio, reflexivo como o Hugo, admirador de bons fumos como o Groove ou maluco como o Arthur. Pode até ser que você seja algo disso aí de cima, mas não da forma que eles são.

Não é porque eles têm dado certo que se você tentar fazer do mesmo jeito deles também dará. Provavelmente não dará mesmo. Você tem que usar uma fórmula diferente. O segredo de dar certo é ser você mesmo e, se for pra ser sua hora, vai acontecer.

Clichê? Sim. Mas verdade seja dita. Principalmente quando você é um artista autoral. Isso significa que você quer fazer o que gosta com originalidade, então não é imitando o outro que gerará bons resultados.

A Lamparina e a Primavera faz o que gosta, do jeito que quer e caiu no carinho do público. Acreditam no som que fazem e autoconfiança é tudo. Acredite que “eu estou fazendo a melhor música, o meu show é muito doido”. Quando você consegue acreditar 100% em você, você vai colocar 100% de si no seu trabalho e só irá colher bons frutos.

E sabe como eu sei que isso está dando certo para eles? Porque eles me contaram, claro. E porque eles estão sendo parados na rua para tirar fotos e quando estão na mesa de um bar percebem que o pessoal da mesa ao lado está se cutucando e apontando para eles. Porque a amiga que fazia circo com o Stênio desde o ano passado, quando voltou das férias foi tremendo e vermelha falar com ele porque não acreditava que ele tocava na Lamparina e a Primavera.

Agora quando eles não conseguirem mais nem ir ao supermercado, você vai se lembrar do que registrei aqui e se não tiver seguido essas dicas vai pensar: poxa, eu poderia ter seguido aquelas dicas do almanaque sobre bandas independentes.

A música não é hobby

Ok, a música pode ser hobby para muitas pessoas, mas para quem quer entrar realmente nesse mercado não pode tratá-la apenas assim. A Lamparina e a Primavera afirma que música é profissão e se você quer que dê certo, tem que se dedicar.

Muitas bandas concordam que não mudariam seu som por algo que está na moda, mas a Lamparina e a Primavera segue uma linha diferente. Ela jamais irá se entregar para a caretice. Porém, se é o pop que está na moda e as pessoas estão consumindo, ela vai fazer um pop, mas vai ser o pop com o jeito e a pegada dela, para que possa se identificar com aquilo e conseguir chegar às pessoas da sua maneira.

Você tá na moda e eu no sufoco

No Brasil, se você trabalha com música e não é rico, muitas vezes você pensará em desistir. “Não podemos romantizar a música porque para quem está começando é zero romance, é mais trampo.”. Então corra atrás e garanta o seu lugar.

Não tenha medo de ser você. Esse povo é raso, amor, mas você não.

 

*Esse produto resultado do Trabalho de Conclusão de Curso do Centro Universitário Una da Jornalista Bianca Morais.

 

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Dia 02 de dezembro é comemorado o aniversário do estado

*Por Bianca Morais

O estado, conhecido como um dos maiores do Brasil, recebe anualmente milhares de turistas interessados em se aventurar pelas maravilhas que são as cidades históricas, as cachoeiras, a estrada real, os museus e a gastronomia. Minas Gerais é abraçado por serras que contemplam um encanto só delas, e como já se dizia a letra da música: “Ó Minas Gerais quem te conhece não esquece jamais”.

Quando se trata de música, a mineira conquista milhares de corações ao redor do Brasil e do mundo. Artistas não apenas na área da música, mas jogadores de futebol, políticos, e tantos outros famosos mineiros que marcaram o mundo.

Hoje Minas comemora seus 300 anos com muita bagagem de quem à muito tempo mostra ao mundo o que é história de verdade.

300 anos de história

Como o próprio nome já diz “Minas Gerais”, um estado repleto de minas que por anos foram exploradas pelos bandeirantes em busca de ouro e pedras preciosas.

Em 1709, foi criada a Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, que mais tarde, em 1720, com objetivo de facilitar a administração dos territórios foi desmembrada pela Coroa Portuguesa, sendo criada a Capitania de Minas, que se tornou conhecida como Minas Gerais. O alvará dessa separação foi datado no dia 2 de dezembro daquele ano, data oficial do nascimento do estado.

As Minas Gerais, quem conhece não esquece jamais

A atividade minerária sempre foi grande no estado, principalmente na época Brasil Colônia, e com isso uma das heranças deixadas pelo período foi a Estrada Real, primeira rota feita pelos portugueses para levar as pedras preciosas de Minas até o mar.

A rota começa em Ouro Preto, localizada em meio às serras mineiras, a cidade reúne o maior e mais importante acervo da arquitetura e da arte do período colonial de todo o Brasil.  O trajeto ainda passa por cidades históricas e marcantes do turismo mineiro como Mariana, a primeira capital de Minas Gerais, Diamantina e seus povoados encantadores, Congonhas, terra dos 12 profetas de Aleijadinho, Lagoa Dourada, lar do famoso rocambole, tradição passada entre famílias, Resende Costa marcada pelo artesanato local, São João Del Rei e Tiradentes, ligadas pelo passeio de Maria Fumaça, cidades que até hoje possuem casarões coloniais, ruas de pedra, igrejas barrocas, e claro, a boa e velha culinária mineira.

A estrada Real corta muitas outras cidades mineiras, algumas delas como Carrancas, São Tomé das Letras, Aiuruoca, Pouso Alto e Itamonte, que são conhecidas pelas suas cachoeiras, fauna e flora diversificadas. MG é a caixa d’água do Brasil, recebe nascentes de grandes rios, por isso, é um dos estados que mais tem cachoeiras no país, recebendo visitas de todo o mundo para conhecer as famosas quedas-d’água.

O turismo no estado vai muito além da rota da estrada Real. As serras que rodeiam o estado, são um desses atrativos, Serra da Piedade, Serra da Mantiqueira, Serra do Cipó, Serra da Canastra, Serra do Caparaó, Serra da Moeda, todas com lindas paisagens, atraem os diversos públicos, desde casais buscando aconchego, até aventureiros que exploram suas trilhas, escaladas e voos de parapente.

Minas ainda é o lar do maior museu a céu aberto do mundo, o Inhotim. Localizado na cidade de Brumadinho, o instituto recebe anualmente milhares de visitantes, repleto de galerias com artes contemporâneas, o museu ainda abrange uma espetacular área verde, com um jardim botânico impecável onde se encontra a maior coleção em número de espécies de plantas vivas entre os jardins botânicos brasileiros.

Minas Gerais é repleto de peculiaridades e elementos que a tornam única. Poucos sabem, mas o estado concentra o maior número de grutas e cavernas do país, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), das 16.034 cavidades naturais registradas, 6.184 (38,5%) estão em Minas. São lugares com mais de 600 milhões de anos de história, esculturas naturais moldadas pela ação da água e formações rochosas.

Duas grutas muito populares são a Gruta do Rei do Mato em Sete Lagoas e a Gruta da Lapinha em Lagoa Santa, na última se encontra o museu Peter Lund com acervo de 80 fósseis e é conhecida como uma das maravilhas da Estrada Real, ambas se localizam na região metropolitana de Belo Horizonte. Para um turista que esteja disposto a se aventurar um pouco mais longe, a Gruta de Maquiné, localizada em Cordisburgo, apresenta pinturas rupestres e outros vestígios arqueológicos. As três grutas formam a Rota das Grutas de Peter Lund, naturalista dinamarquês considerado o pai da paleontologia e arqueologia no Brasil.

A cidade de Cordisburgo não abriga apenas a famosa Gruta de Maquiné, lá também é o local de nascimento de um dos escritores mais importantes do modernismo no Brasil, João Guimarães Rosa. Em seu conto Recado do Morro ele retrata o lugar “(…) tão inesperada de grande, com seus enfeites de tantas cores e tantos formatos de sonho, rebrilhando risos na luz – ali dentro a gente se esquecia numa admiração esquisita, mais forte que o juízo de cada um, com mais glória resplandecente do que uma festa, do que uma igreja”.

Berço de grandes artistas

Guimarães Rosa que assinou importantes obras da nossa literatura como o Grande Sertão Veredas, sempre tratou com admiração o estado em que nasceu. “Minas, são muitas. Porém, poucos são aqueles que conhecem as mil faces das Gerais.” E estava certo.

Minas Gerais é solo de grandes escritores, e outro nome muito conhecido também nasceu em terras mineiras, mais especificamente na cidade de Itabira no dia 31 de outubro de 1902. Um dos mais importantes nomes da poesia brasileira de todos os tempos, poeta, contista e cronista, o nome dele, Carlos Drummond de Andrade.

Itabira foi a primeira casa do escritor que se orgulhava disso, em diversos poemas Drummond, faz referência a cidade, que em forma de carinho e exaltação a sua imagem criou o Museu de Território Caminhos Drummondianos. O lugar é uma espécie de museu a céu aberto, com 44 placas-poemas distribuídas por diferentes pontos da cidade, identificando os locais citados nos poemas de Drummond.

(…) Alguns anos vivi em Itabira. Principalmente nasci em Itabira. Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro. Noventa por cento de ferro nas calçadas. Oitenta por cento de ferro nas almas. E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação (…)

O verso acima faz parte do Confidência do Itabirano, um dos poemas espalhados pela cidade de Itabira, esse em específico se localiza no Memorial Carlos Drummond de Andrade, desenvolvido por seu amigo Oscar Niemeyer. Localizado em um dos pontos mais altos da cidade, o Pico do Amor. Ao chegar no lugar o turista se depara com uma estátua do poeta sentado num banco, o memorial ainda abriga um precioso arquivo de livros de Drummond. A cidade de Itabira mantém a lembrança do poeta sempre viva.

Mas não é apenas dos grandes escritores que nós, mineiros, podemos sentir orgulho. Aleijadinho e Mestre Ataíde, reconhecidos como maiores artistas do período Colonial, o primeiro escultor e o segundo pintor, nasceram nas terras mineiras e nelas deixaram eternizadas suas obras.

Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, nasceu na cidade de Ouro Preto em 1738. Ele é considerado o maior representante do barroco mineiro, conhecido por suas esculturas em pedra sabão, um exemplo delas são os profetas do Santuário de Bom Jesus de Matosinhos em Congonhas.

Próximo de Ouro Preto, em Mariana nascia no ano de 1762, Manoel da Costa Ataíde, o Mestre Ataíde, produziu um acervo imenso de pinturas espalhadas pelo estado, principalmente em igrejas. Na famosa Matriz de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, se eternizou uma de suas criações, a Assunção de Virgem Maria, rodeada de uma orquestra de anjos.

E é assim, com grandes Mestres como Ataíde, Reis como Pelé, ou até mesmo aqueles que não nasceram em Minas, mas são mineiros de coração, como é o caso do excepcional e único Milton Nascimento, que Minas se consagra como um berço de grandes artistas.

“De uma terra tão distante do mar 

Vem trazendo esperança para quem quer

Nessa terra se encontrar

E o trem…

Gente se abraçando

Gente rindo

Alegria que chegou no trem

(o trem…o trem…o trem)”. 

 

*Edição: Daniela Reis

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Primeiro de dezembro é conhecido como a data que marca a luta contra a Síndrome de imunodeficiência adquirida (Aids)

 

Por Italo Charles

Há muitos anos falar sobre Aids e HIV era visto como tabu. Muitas pessoas fugiam desse debate, mas, ao longo do tempo, visto a necessidade de falar sobre a doença que era temida e considerada a doença dos “gays”, as manifestações para disussão se tornaram pauta.

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida – mais conhecida como AIDS em inglês ou SIDA em português – é causada pelo vírus HIV que atinge o sistema imunológico do ser humano. Entretanto, o que muitos não sabem é que quem contrai o vírus HIV não necessariamente será acometido à AIDS.

A ciência e a medicina se evoluíram muito ao longo dos anos e com isso têm proporcionado às pessoas soropositivas uma vida saudável. Atualmente, as formas de tratamento e cuidados para os pacientes têm sido de grande eficácia, diferente das situações ocorridas até o final da década de 1990 quando não se sabia muito e não havia tratamentos eficazes.

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, há no Brasil aproximadamente 900 mil pessoas com HIV, desse montante 642.362 mil pessoas estão em tratamento e, no último ano (2019)  foram diagnosticados 41.919 novos casos.

Vivência – O diagnóstico da infecção por HIV, para muitos soa como “um fim”. Não diferente para João (nome fictício para manter em sigilo a identidade do entrevistado), que por um tempo viu a sua estimativa de vida se esvair devido ao diagnóstico e a situação na qual foi exposto.

Em 2017, no mês de novembro, João passou por uma situação que jamais imaginaria. Com 21 anos, em uma festa após ter bebido muito, ou supostamente ter sido drogado por algo na bebida, se sentiu mal até que os amigos o colocaram em um quarto para descansar. Mas, no meio da noite ao acordar no susto, percebeu que havia alguém sobre ele no ato de estupro. Ainda sob efeito do álcool ou talvez do entorpecente que pudera ter sido acrescentado em sua bebida não teve forças para reagir.

“Na manhã seguinte, juntei minhas coisas e fui embora dali o mais rápido que pude, sem que ninguém me visse. Nunca havia me sentido tão mal em toda a minha vida. Estava com muita vergonha e raiva de mim mesmo”, desabafa.

Na época, o jovem que hoje está com 24 anos, não tinha muitas informações sobre HIV/AIDS e consequentemente sobre os meios para minimizar os riscos após a exposição. Dessa forma, por se sentir envergonhado e culpado não contou a ninguém e sequer sabia como procurar ajuda.

Passado o tempo, ao se relacionar com um rapaz – aproximadamente três meses após o estupro – este mesmo rapaz se viu com alguns sintomas e resolveu procurar o médico e fazer exames, ao ser diagnósticado informou a João para que pudesse realizar os exames também. Dado o dia, angustiado por ter sido infectado com gonorreia e ao fazer os testes, foi diagnosticado como reagente para o HIV, neste momento viu seu mundo cair. 

“No início foi difícil, confuso… eu havia acabado de passar por um grande trauma e receber a notícia só piorou; eu não conhecia os procedimentos, a quem procurar, se eu deveria contar para minha família ou não, se eu iria morrer pelo vírus, se minha vida mudaria muito ou não e se mudasse, o que mudaria? Além, é claro, a questão do medo, medo de mim mesmo, medo de sempre ser excluído e rejeitado pelas outras pessoas”, explica.

A falta de liberdade para falar do assunto amedronta muitas pessoas e com isso provoca a desinformação. Até o momento em que João teve que enfrentar o medo para fazer os exames, as informações que tinha eram poucas. “Eu tinha muito pouco conhecimento, não estamos mais nos anos 80 e 90, mas ainda há sim muitos tabus e estigmas, como o pensamento de que HIV e AIDS são a mesma coisa, AIDS é uma palavra que assusta pelo seu histórico no mundo, então as pessoas não abordam muito esse assunto; eu por exemplo, não sabia sobre a prep, que é a prevenção que temos disponível para situações de exposição ao vírus, se eu soubesse na época, muita coisa seria diferente”, salienta João.

Enfrentar desafios é parte da vida de qualquer indivíduo, mas para pessoas soropositivas, muitas vezes se tornam muito maiores e temerosas. “A questão mais difícil sobre HIV que enfrentei e ainda enfrento é a questão psicológica, isso te afeta, te deixa pra baixo, você tem medo de ser rejeitado ou discriminado e consequentemente é mais difícil se relacionar com alguém intimamente, você se fecha e teme que alguém entre”.

Mas nem só de desafios a vida é feita. Ao se pensar no acaso e no destino é possível observar que certas situações estão ali para revelar algo de positivo, gerar aprendizados e experiências. “O maior aprendizado é que passei a ser mais grato pelas coisas que antes eu não era, amadureci e fui impulsionado a correr atrás do que eu quero e, com certeza isso me deixou mais forte em alguns aspectos, quando você faz parte de alguma minoria, tem que ser duas vezes melhor pra conseguir metade daquilo que os outros tem, então peguei isso como filosofia e seguir em frente”, conclui.

 

Em entrevista com a médica infectologista, Bárbara Silveira Faria, do Hospital Sofia Feldman, algumas questões a respeito do que se difere a AIDS e o HIV, os meios de prevenção e tratamento foram levantados.

Bárbara Silveira Faria – Médica Infectologista do Hospital Sofia Feldman
  • Quais são os sintomas mais comuns após a infecção de HIV?

Estima-se que 10 a 60% dos indivíduos com infecção precoce por HIV não apresentaram sintomas. 

Em pacientes com infecção sintomática aguda, o tempo normal desde a exposição ao HIV até o desenvolvimento dos sintomas é de duas a quatro semanas, embora períodos de incubação de até dez meses tenham sido observados. 

A maioria dos sintomas associados à infecção aguda por HIV tem resolução espontânea; no entanto, a gravidade e a duração dos sintomas variam amplamente de paciente para paciente.

Uma variedade de sintomas e sinais pode ser observada em associação com a infecção aguda sintomática por HIV. Os achados mais comuns são febre, linfadenopatia, dor de garganta, erupção cutânea, mialgia / artralgia, diarréia, perda de peso e dor de cabeça.

Nenhum desses achados é específico para infecção aguda por HIV, mas certas características, especialmente a duração prolongada dos sintomas e a presença de úlceras mucocutâneas, são sugestivas do diagnóstico.

Além desses sintomas mais comuns, são considerados como apresentações sintomáticas atípicas, infecções oportunistas e manifestações do sistema nervoso central.

 

  • Com qual periodicidade devem ser feitos os testes?

O teste de HIV deve ser realizado para diagnosticar o HIV em pacientes com sinais e sintomas clínicos de infecção aguda ou crônica, bem como naqueles com possível exposição ao HIV. O teste de HIV também deve ser incorporado ao rastreamento de rotina de indivíduos saudáveis, incluindo mulheres grávidas. 

Para pacientes sem fatores de risco para infecção por HIV, é recomendado pelo menos um teste de HIV em adultos e adolescentes de 13 a 75 anos de idade. Além disso, as mulheres grávidas devem ser testadas para o HIV no início de cada gravidez usando uma abordagem de “exclusão”, mesmo que tenham sido testadas durante gestações anteriores. 

Embora o teste único em uma visita de rotina à clínica médica seja razoável para a maioria dos pacientes, testes anuais ou mais frequentes são recomendados para pessoas de alto risco, incluindo:

 

  • Homens que fazem sexo com homens com parceiros sexuais infectados pelo HIV ou com sorologia desconhecida, podem se beneficiar do teste a cada três a seis meses
  • Usuários de drogas injetáveis.
  • Pessoas que trocam sexo por dinheiro ou drogas.
  • Parceiros sexuais de pessoas infectadas pelo HIV, bissexuais ou drogas injetáveis.
  • Pessoas que fazem sexo com parceiros cujo status de HIV é desconhecido.

 

  • Quais são os meios de prevenção?

A melhor técnica de evitar a Aids / HIV é a prevenção combinada, que consiste no uso simultâneo de diferentes abordagens de prevenção, aplicadas em diversos níveis para responder as necessidades específicas de determinados segmentos populacionais e de determinadas formas de transmissão do HIV.

Intervenções biomédicas

São ações voltadas à redução do risco de exposição, mediante intervenção na interação entre o HIV e a pessoa passível de infecção. Essas estratégias podem ser divididas em dois grupos: intervenções biomédicas clássicas, que empregam métodos de barreira física ao vírus, já largamente utilizados no Brasil; e intervenções biomédicas baseadas no uso de antirretrovirais (ARV).

Como exemplo do primeiro grupo, tem-se a distribuição de preservativos masculinos e femininos e de gel lubrificante. Os exemplos do segundo grupo incluem o Tratamento para Todas as Pessoas – TTP; a Profilaxia Pós-Exposição – PEP; e a Profilaxia Pré-Exposição – PrEP.

Intervenções comportamentais

São ações que contribuem para o aumento da informação e da percepção do risco de exposição ao HIV e para sua consequente redução, mediante incentivos a mudanças de comportamento da pessoa e da comunidade ou grupo social em que ela está inserida.

Como exemplos, podem ser citados: incentivo ao uso de preservativos masculinos e femininos; aconselhamento sobre HIV/aids e outras IST; incentivo à testagem; adesão às intervenções biomédicas; vinculação e retenção nos serviços de saúde; redução de danos para as pessoas que usam álcool e outras drogas; e estratégias de comunicação e educação entre pares.

Intervenções estruturais

São ações voltadas aos fatores e condições socioculturais que influenciam diretamente a vulnerabilidade de indivíduos ou grupos sociais específicos ao HIV, envolvendo preconceito, estigma, discriminação ou qualquer outra forma de alienação dos direitos e garantias fundamentais à dignidade humana. Podemos enumerar como exemplos: ações de enfrentamento ao racismo, sexismo, LGBTfobia e demais preconceitos; promoção e defesa dos direitos humanos; campanhas educativas e de conscientização.

Representação gráfica da Prevenção Combinada | Fonte: Ministério da Saúde/ Aids.gov
  • Hoje, as pessoas soropositivas podem viver uma vida comum e saudável?

Apesar de ser uma doença sem cura, quase 40 anos após o começo da epidemia, e com os avanços na medicina, o paciente soropositivo que segue o tratamento corretamente, consegue levar uma vida normal. 

A implementação de testes rápidos que possibilitam o diagnóstico precoce contribui para o  urso da doença, uma vez que o tratamento precoce oferece alguns benefícios, reduzindo eventos clínicos e a mortalidade em pacientes com infecção pelo HIV  

Preconceitos ainda estão muito presentes na sociedade, precisamos desmistificar os estigmas sobre a doença, fazer com que os portadores do HIV consigam falar abertamente sobre o assunto, e mantê-los sempre incluídos na sociedade. 

  • Por que soropositivo?

Chama-se soropositivo um indivíduo portador de anticorpos no sangue que provém a presença de um agente infeccioso. O termo é mais usado para descrever a presença do vírus HIV, causador da Síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), no sangue. 

A AIDS é uma doença crônica e que pode ser potencialmente fatal. Ela acontece quando a pessoa infectada pelo HIV tem o seu sistema imunológico danificado pelo vírus, interferindo na habilidade do organismo de lutar contra os invasores que causam a doença, além de deixar a pessoa suscetível a infecções oportunistas.

Por isso, é importante lembrar que: Ser soropositivo não é a mesma coisa que ter AIDS! Há  soropositivos (termo usado para designar a pessoa infectada pelo vírus do HIV) que vivem anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença. Mas podem transmitir o vírus a outras pessoas pelas relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação, quando não tomam as devidas medidas de prevenção.  

 

João foi o nome utilizado para preservar a identidade real da fonte.*

 

**A matéria foi produzida sob a supervisão da jornalista Daniela Reis

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Gestora e Presidente do Circuito Turístico Trilha dos Bandeirantes (Cecília Galvão e Wanildo Silva) - Evento de Certificação do Mapa do Turismo 2019 _ 2021

O ICMS turismo faz parte da Lei Estadual 18.030/2009 que tem por objetivo fomentar o turismo regional

Por Italo Charles*

Estimular o turismo é fomentar o desenvolvimento econômico, social  e o reconhecimento da cultura de determinado local ou região. A partir disso, a promulgação da Lei Estadual 18.030/2009, criou o critério de repasse financeiro denominado como ICMS Turismo.

O  ICMS Turismo tem como objetivo incentivar a  implementação de programas e projetos que realizam a promoção do turismo sustentável por parte dos municípios, sobretudo, os que executam políticas públicas para o crescimento do turismo regional. Dessa forma, os recursos arrecadados são destinados às atividades e ações descritas no plano municipal de turismo.

De acordo com a Turismóloga, Cecília Fonseca, o ICMS Turismo se trata de política pública que impõe aos municípios critérios para o repasse de verba, se tornando assim um agente desenvolvedor da estrutura econômica local. “O ICMS nada mais é do que uma política pública voltada para o turismo que exige que os municípios estejam regularizados com as suas leis e com seus instrumentos de gestão funcionando perfeitamente. Dessa forma, o ICMS estabelece critérios para que faça com que nós gestores de turismo, secretários municipais de turismo, possamos comprovar que atividade está sendo trabalhada de uma forma correta.

De todos os estados brasileiros, Minas Gerais é o único que repassa incentivos financeiros aos municípios a fim de executar a gestão turística através da legislação federal e estadual. Ao longo dos anos, os municípios que receberam os repasses, conquistaram grandes evoluções relacionadas ao planejamento e desenvolvimento de políticas públicas. 

Este ano, 343 cidades mineiras estão recebendo o repasse financeiro, que acontece através de alguns fatores, tais como: participar de um circuito turístico reconhecido pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult); ter uma política municipal de turismo elaborada e, pelo menos, em processo de implementação; possuir Conselho Municipal de Turismo (Comtur) constituído e em funcionamento regular; e ter um Fundo Municipal de Turismo (Fumtur) devidamente regulamentado e em operação.

Associados do Circuito Turístico Trilha dos Bandeirantes

Fomento turístico

O turismo é considerado como um conjunto de ações que englobam o desenvolvimento econômico de determinada região. Ao se falar sobre quão importante é o fomento dessa atividade, Cecília comenta sobre os aspectos e importância do turismo.

“O turismo é uma das atividades econômicas que mais gera renda e emprego. Muitas vezes as pessoas não percebem isso, mas a partir do momento que se compreende e percebe que as áreas de alimentos, bebidas, hospedagem e transportes, fica claro que tudo isso envolve turismo. Então, o turismo é uma forma de gerar mais renda para os municípios, com isso, dispondo de uma política pública bem instalada e articulada em desenvolvimento,  sempre crescente, os municípios só têm a ganhar com essas ações”, salienta Cecília.

Ainda existem vários municípios que não participam do ICMS Turismo, mas para além disso, vale destacar que o fortalecimento e planejamento através de uma política pública bem estabelecida resulta no ganho e desenvolvimento regional. 

“Para os municípios que ainda não adotaram o ICMS Turismo,  a minha recomendação é que procure a Instância de governança regional do seu território, esta que tem como preceito as afinidades históricas, culturais e geográficas para que ele esteja associada a essa Instância e comece a trabalhar uma política da forma correta, porque dessa forma,  é possível obter não só ICMS turismo, mas andar junto com a esfera pública, seja estadual ou federal, onde há inúmeros outros programas de incentivo e captação de recursos tanto estaduais quanto federais para o desenvolvimento da atividade”, comenta Cecília.

Circuitos Turísticos 

Os Circuitos Turísticos são instâncias de Governança Regionais, reconhecidas pelo Decreto Lei nº.43.321 de 08/05/2003. Se estabelecem como o principal mediador entre os municípios e governos orientando e coordenando, em parceria com os municípios, a política de turismo junto à cadeia produtiva local, envolvendo o poder público e sociedade civil, visando o fortalecimento da atividade turística regional.

“A Instância de Governança, por se tratar de uma associação de direito privado, geralmente consegue articular o poder público à iniciativa privada e comunidade fazendo com que todos esses atores trabalhem juntos com o mesmo objetivo e o mesmo foco que é o desenvolvimento do turismo sustentável”, afirma Cecília.

Atualmente, em Minas Gerais, existem 42 circuitos certificados. A certificação está prevista na Resolução 008, de 28 de abril de 2008, e é este documento que respalda o circuito perante o Estado, inserindo-o, efetivamente, na política pública do turismo.

Circuito Verde – Trilha dos Bandeirantes

A Associação Circuito Verde –  Trilha dos Bandeirantes, foi criada em 2002 e, desde então, executa ações a fim de difundir o turismo como estratégia para o desenvolvimento econômico, cultural e social na região que compõem a Trilha dos Bandeirantes.

Atualmente, a Trilha dos Bandeirantes é composta por nove municípios: Bom Despacho, Dores do Indaiá, Leandro Ferreira, Maravilhas, Onça de Pitangui, Papagaios, Pará de Minas, Pequi, e Pitangui. Municípios que pertencem à Região Central e Metropolitana de Belo Horizonte.

O Circuito Turístico – Verde Trilha dos Bandeirantes reúne em seus municípios associados grande diversidade histórico-cultural tendo registros sobre o período colonial e o Ciclo do Ouro. Abriga a Sétima Vila do Ouro de Minas Gerais, além de apresentar uma natureza exuberante, grande diversidade histórico-cultural, tradições seculares e trilhas que refletem a identidade de Minas Gerais e do Brasil.

 

 

*Revisão: Bianca Morais

** A matéria foi produzida sob a supervisão da jornalista Daniela Reis

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A receita de hojé é um prato que parece ser impossível de preparar em casa, mas em menos de 15 minutos fica pronta e irá surpreender a todos! Quem traz essa receita é o aluno do curso de Gastronomia da Una, André Barreto.

Quantidade de porções: 04

Tempo de preparo: 15 minutos

Categoria: Entrada

Ingredientes:
• 600g de filé atum fresco
• Gergelim branco e preto
• Azeite
• Cebolinha mini para decorar
• Flor de Sal

Passo a passo para a preparação:

1- Corte o filé de Atum em dois pedaços iguais e pincele azeite em todos os lados;
2- Misture os dois tipos de Gergelim em um prato e empane o peixe;
3- Em uma frigideira antiaderente, coloque um fio de azeite e sele o atum em todos os lados (cerca de 1 minuto de cada lado). Deixe esfriar;
4- Fatie o peixe (1cm de espessura) e monte de forma decorativa na tábua. Finalize com a flor de sal e com a mini cebolinha. Sirva logo em seguida.

DICAS:
– Molhos orientais são excelentes acompanhamentos: TARÊ, TERIAKI, a pasta de WASABI ou até mesmo aquela conserva de GENGIBRE. Ambos são facilmente encontrados em supermercados ou empórios.
– Coma com o Hashi (aqueles palitinhos de comida japonesa).
– Harmoniza bem com vinho branco ou até mesmo um tinto mais leve, como exemplo um Pinot Noir.

Mais sobre André Barreto

Mineiro, relações públicas e cozinheiro por paixão. Desde pequeno ele tomou gosto pela cozinha ao ver seu pai cozinhar para a família e amigos. Foi na adolescência que se tornou uma referência, quando o assunto era cozinha. Passava receitas, dava dicas de lugares legais para comer em BH, dicas de vinhos, viagens, etc.

Em 2015, resolveu compartilhar suas receitas e experiências gastronômicas na internet, de forma que seus amigos e família pudessem acessá-las. Tudo começou como uma brinacdeira que cresceu de forma orgânica e já possui mais de 13 mil seguidores.

Em seis anos, foram inúmeras receitas publicadas em sites, revistas, jornais, participação em programas de TVs, aulas de culinária, participação em feiras gastronômicas em Belo Horizonte e também no interior de Minas Gerais.

Redes sociais: @cozinhepraela
Site: www.cozinhepraela.com.br

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*Por Bianca Morais

O nascimento de uma criança é um dos eventos mais importantes na vida de uma mulher, é o momento dela de se autoconhecer e empoderar-se, um poder e uma função que é somente dela. Dar a luz que deveria ser um ato humanizado e repleto de sentimentos, deixando a mulher como protagonista das suas dores e do seu corpo, porém nos últimos anos a história tem sido bem diferente.

O Brasil é um dos países com o maior número de partos cesáreas do mundo, eles chegam a 80%, enquanto o recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) é de até 15%. Esse índice grande sobre o número de cesarianas é consequência da falta de informação. Grande parte das mulheres não conhece ou não sabe dos benefícios de parir respeitando a vontade do seu corpo e a hora do bebê.  

Parto humanizado nada mais é do que um parto natural, sem tempo para acabar, momento que ilustra a ação literal da natureza humana com supervisão profissional e apoio emocional . Antigamente, cesáreas e hospitais não existiam como forma de uma mãe dar à luz a seu filho, o parto era realizado em casa, por parteiras, sem uso de anestesias ou intervenções cirúrgicas. Isso pode ser usado como um exemplo de que é possível sim trazer uma criança ao mundo sem toda aquela tensão do ambiente hospitalar.

O parto humanizado acolhe a grávida. A equipe médica está sempre atenta em explicar o que está acontecendo a ela, se ela quer, se aceita, se entende o que irão fazer e o porquê estão fazendo. Partos em hospitais muitas vezes são estereotipados, cercados por polêmicas envolvendo violência obstétrica, médicos que se dizem donos da razão e não escutam o lado da mulher, são equipes autoritárias que fazem procedimentos sem emergência, somente por pressa, como romper a bolsa para induzir um trabalho de parto. Muito também se ouve falar de casos de episiotomia, que é o corte do períneo (região localizada entre a vagina e o ânus) na hora do nascimento do bebê, uma técnica usada para aumentar a abertura vaginal a fim de evitar que a área perineal sofra uma laceração, sem necessidade, apenas para facilitar o procedimento e sem a autorização da paciente.

De acordo com a OMS, a data provável do parto é calculada para 40 semanas após o primeiro dia da última menstruação, porém nem sempre acontece dessa forma. Quando se humaniza o parto, respeitando a hora da mãe e do bebê, ele pode passar desse prazo pré-determinado, esperar, por exemplo, o momento em que o pulmão e o cérebro estão maduros. É importante ressaltar que cesáreas também podem ser humanizadas, o que torna um parto mais humano é a forma como ele é feito. E, sendo de forma natural, pode ser realizado até em casa, no hospital com suporte de uma banheira ou em casas especializadas, dependendo da forma que a mulher se sentir mais confortável e segura.

Um bom parto trás diversos benefícios, fisiologicamente a mulher fecha um ciclo hormonal para iniciar outro, a amamentação, sendo assim, o parto vaginal desprende hormônios que na cesária demoram a acontecer, facilita a descida do leite, ou seja, o parto humanizado colabora para a recuperação do corpo e traz segurança emocional.

Atualmente no Brasil, o procedimento humanizado já é bem conhecido e vem crescendo cada dia mais. A Obstetrícia é a ciência que estuda a reprodução humana, e dentro dela se formam três diferentes profissionais: O obstetriz, o obstetra e o enfermeiro obstetra. O médico obstetra se forma em medicina e o enfermeiro em enfermagem. O obstetriz é o profissional que conclui o ensino superior em Obstetrícia, a USP, é a única faculdade brasileira que oferece o curso, eles são profissionais preparados para acompanhar um pré-natal e também um parto, todos obstetrizes apresentam uma visão de humanização que aprendem já na faculdade e esse é um dos principais diferenciais entre os outros especialistas. 

Quando o assunto é parto humanizado, a maternidade Sofia Feldman situada em Belo Horizonte, é referência nacional e internacional. Reconhecida como berço da enfermagem obstétrica no Brasil, a  instituição é 100%  atendida pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e oferece serviços de saúde da mulher, pediatria, saúde sexual reprodutiva e assistência social com projetos voltados às mães e ao recém-nascidos.

Dos partos realizados no lugar, cerca de 84% são normais e apenas 16% são cesáreas. Dos partos normais, 7% acontecem na água, cerca de 31% das mulheres recebem analgesia farmacológica para alívio da dor e apenas 1% tiveram episiotomia. O hospital conta com cinco suítes, sendo 3 com banheira, no centro do parto normal Helena Grego e mais cinco quartos, sendo 2 suítes com banheira na casa de parto normal David Capistrano. 

De acordo com Beatriz de Oliveira, 26 anos, atua no hospital desde 2018 como enfermeira obstétrica, a filosofia com que trabalham é de que a mulher é protagonista do seu momento, por isso, durante todo o processo explicam os métodos não farmacológicos e farmacológicos para alívio da dor, oferecendo apoio emocional, incentivando a deambulação, ingestão de líquidos e alimentos, e colocando profissionais disponíveis para tirar as dúvidas.

“Sempre recomendamos que a grávida ainda durante a gestação leia a caderneta da gestante, tire todas as dúvidas com o pré-natalista, conheçam a maternidade, e realize o plano de parto, colocando as coisas que desejam e que não desejam durante o trabalho de parto” conta a enfermeira.

O respeito pelo desejo da mãe

Larissa Godinho, 24 anos, teve seu parto na maternidade Sofia Feldman . A mãe de primeira viagem tinha apenas um desejo na sua gravidez: ter um parto humanizado para seu filho João Antônio.

Quando descobriu a gravidez, preocupada com a estética do seu corpo queria um parto normal, mas foi com o passar do tempo, os pré-natais e muita pesquisa que encontrou o parto humanizado e descobriu que aquilo não era mais apenas para sua beleza e sim pela saúde e bem estar de seu filho.

Durante sua gestação Larissa fez um plano de parto onde deixava claro que não queria nenhuma intervenção, ou seja, não queria anestesia nem ser medicada, queria que tudo fosse o mais natural possível no tempo de João. Sofia Feldman é hospital referência em parto humanizado, por isso, ela não teve dúvidas de onde escolher para ter esse momento tão importante de sua vida. A mãe chegou a conhecer o hospital antes do parto, participou do dia da gestante, e sabia que ali suas vontades seriam respeitadas.

“Sem sombras de dúvidas para mim é a melhor maternidade do SUS que existe, se eu tivesse mais três filhos, meus três filhos eu ganharia lá”.

Como escolheu o parto natural, não havia uma data certa para João Antônio vir ao mundo. Ao completar 39 semanas e 6 dias de gravidez, Larissa foi ao hospital para uma consulta de rotina, não imaginava que horas depois da visita ao médico sua bolsa estouraria e começaria então seu trabalho de parto. 

Larissa ficou em uma suíte, pois queria ter o parto na banheira, a única coisa que a relaxava era a água quente, e no Sofia existem vários banheiros justamente por isso. Em determinado momento ela pediu para a doula se retirar, pois estava muito nervosa e não queria ninguém desconhecido no quarto, ficando apenas sua irmã e o pai do bebê. Conforme queria, não recebeu nenhum tipo de anestesia, apenas um analgésico para poder descansar e comer.

“Foi assim, maravilhoso, porque assim que João nasceu eu fui a primeira pessoa a pegar nele, eu que coloquei ele no meu peito, a gente abaixou a luz para não ficar muito forte no rostinho dele. Minha irmã colocou uma música que eu sempre escutava na minha gravidez pra ele se sentir assim, em casa”.

Larissa teve um parto que considera perfeito, ela e o parceiro esperaram o cordão umbilical parar de pulsar para poder cortar, em momento algum houveram atitudes invasivas, respeitaram o seu tempo e o tempo do seu filho. 

A história dessa jovem mãe é emocionante, mas infelizmente não é a realidade da maioria das gestantes do Brasil. No país em que a tecnologia e ciência substituem a escolha e o respeito com o ser humano, é muito mais rápido e vantajoso se fazer uma cesariana. É mais rápido tirar um bebê em 15 minutos do que dar assistência em um parto natural que pode levar horas e não é lucrativo. Enquanto o parto continuar a ser um produto, o Brasil nunca deixará os números assustadores para trás. 

Uma mulher dando apoio a outra mulher

Em um parto humanizado a assistência é realizada por uma equipe multiprofissional que conta com enfermeiras obstétricas, médicos obstetras, doulas, entre outros.

Médicos e enfermeiras são nomes muito conhecidos na área da saúde, agora um nome que muitas vezes passa despercebido é o de Doula.

Doula vem do grego e significa “mulher que serve”, é a profissional que as gestantes procuram quando optam por um parto humanizado. Uma doula pode acompanhar o casal desde o início, os auxiliando com aulas e esclarecimentos, durante o parto ela fica ao lado da mãe, dando apoio físico e mental, ajudando com exercícios, respirações e após o nascimento a especialista também se dispõe a dar ensinamentos sobre a nova fase, quando o casal se torna uma família.

Adriana Vieira, 50 anos, se formou como doula e educadora perinatal em 2009, é brasileira e atua na Holanda.

Foi em uma viagem de férias, 15 anos atrás, que sua vida tomou um novo rumo que ela jamais esperaria. Ao ir fazer um curso de Yoga em Amsterdam, observou que na sala ao lado acontecia uma aula para casais grávidos, a cena deles aprendendo sobre respiração e posturas a emocionou. No intervalo foi procurar a professora e perguntar sobre o que ela fazia, em resposta a mulher respondeu que era “Instrutora de Yoga e Doula”

Na época, Adriana era jornalista, se interessou pelo assunto e pediu para fazer uma matéria sobre.

“Enquanto fazia eu pensava: Meu Deus, como ninguém fala disso no Brasil para nós mulheres? Por que não aprendemos a amar nossos corpos como são? Pois se geramos um bebê, somos perfeitas! Como nossos pais e médicos não nos incentivam a parir naturalmente, já que é o melhor pra mãe e pro bebê e é algo natural?”. 

Como já praticava yoga, a até então repórter, resolveu fazer uma pós-graduação em Yoga, onde aprendeu sobre a mente e seu poder sobre o corpo. No ano seguinte se especializou em yoga pré-natal. Sua intenção inicialmente não era mudar de profissão, mas de alguma maneira ela queria espalhar para mais mulheres o que havia aprendido.

“Comecei em 2006 dando aulas de yoga para gestantes, em 2009 fiz a formação de Doula e de Educadora Perinatal e tive minha primeira cliente como Doula nesse mesmo ano”, explica.

Para Adriana, o parto humanizado faz parte da luta das doulas a favor das mulheres terem escolhas e serem ouvidas em um momento tão marcante e importante de suas vidas. O parto deve ser algo marcado positivamente em sua vida e não como algo ruim e doloroso. “Mentir para gestante que o bebê está passando do tempo e que pode está em sofrimento para forçar uma cesária, obrigar a mulher a ficar sozinha em trabalho de parto, pressões psicológicas e físicas, como dizer que ela não vai aguentar invés de dar suporte” cita Adriana como exemplo de abusos a gestantes.

Na Holanda, onde atua na área, ela afirma que o sistema obstétrico é bem diferente do Brasil e muito mais humanizado. Quem acompanha o parto e faz o pré natal são as obstetrizes e a presença de uma doula é primordial. Os partos podem ser feitos na casa da gestante, nas casas de parto ou em hospitais. Todo o planejamento é fundamental para a mulher se sentir confortável, inclusive a equipe que irá participar de um momento tão íntimo.

“A gente precisa lembrar que parto é o resultado de um ato sexual e envolve sexualidade, nudez, gemidos, dor, amor, fluídos, homem, mulher, bebê, instinto, foco, concentração, detalhes que precisamos lembrar e para que isso aconteça tem que haver privacidade. Uma mulher em trabalho de parto fica nua, com dor e quer acolhimento, e não saber que tem gente estranha no quarto, entrando e saindo, isso atrapalha muito a entrega da mulher no trabalho de parto”, explica.

Com anos de trabalho, Adriana, afirma que um parto humano traz força para uma mulher ser mãe, um vínculo a mais para o casal e amor ao bebê que chega e deixa sua dica como doula “estude, obtenha informações antes de engravidar e veja o que é baseado em evidências, para que não seja enganada num momento tão especial e marcante de nossas vidas e da vida de quem ainda vai chegar”.

O parto humano durante séculos foi algo fisiológico, uma mulher dando a vida a um ser humano. Foi com o avanço da tecnologia que hospitais, antigamente conhecidos por serem lugares que recebiam pessoas doentes, passaram a ser o lugar onde aquelas mulheres dariam a luz. Mulheres que antes eram amparadas por outras, agora estavam nas mãos de médicos, entregando o controle para eles. Elas que antes eram as protagonistas de seu momento agora estavam entregues a padrões pré-determinados.

A mulher foi cada vez mais perdendo sua voz no parto, uma mulher deitada de pernas para cima é mais fácil para o médico realizar seu parto. Um evento natural passou a ser um evento cirúrgico, cercado por pessoas desconhecidas. O cordão umbilical, que conecta a mãe e o bebê, arrancado às pressas sem nenhuma compaixão. A cesária salva sim, diariamente, a vida de muitas mães e bebês mas ela não é a única opção, falar para uma mãe que ela não tem dilatação é não respeitar seu tempo, é preciso ter paciência e esperar acontecer, não submetê-la a um processo cirúrgico e invasivo por mera conveniência.

O sistema neonatal brasileiro está criando uma cultura de mulheres que se sentem incapazes de acreditar que podem ter seus filhos de forma fisiológica e natural, médicos sem tempo de dar atenção e carinho a mulheres que só querem ter o prazer de dar a luz ao seu filho com amor. É necessário rever o sistema de saúde brasileira e a cultura do parto, não dá para continuar a aumentar o número de mulheres infelizes consigo mesmas por não terem parido da maneira que desejavam. 

 

*Edição: Daniela Reis