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Ana Carolina Nunes de Abreu

Ninguém quer mudar seus costumes. Digo: sair da rotina somente por sentir vontade de tal feito. São raros os impulsos de vontade do diferente. Dar-se ao trabalho de sair logo pela manhã, quando os olhos ainda doem, acostumando-se com a cintilação do dia, e passar por um caminho diferente – rua acima, rua abaixo. Observar gritos silenciados e estampados nos muros de chapisco, com o cantarolar dos pássaros ao fundo, que sobrevoam ou observam o nada. Sentir a brisa-quase-vento que passa pelo canto das orelhas e coça o braço com o dançar dos pelos. Não, ninguém quer sentir essas coisas se é preciso chegar no horário em um ofício qualquer.

A saída da comodidade exige esforço. Durante as festas carnavalescas, me deparei com o gosto aguçado por uma dança que, antes, só era conhecida por nome. É absurdamente lindo e instigante ver o ritmo e a cadência de um Vogue. O corpo se move como se entrasse nas partituras e abraçasse todas as notas.

Recebi o convite despretensioso para participar de uma aula. Apesar do interesse, jamais tivera empenho suficiente para seguir com novidades que me demandassem tempo, deslocamento e, principalmente, dedicação. E o convite ficou para trás, como quem lê uma carta que lhe palpita o coração e faz o Zigomático maior tracionar-se ao canto da boca em direção às orelhas, com a sinceridade de quem respira fundo e sente a nostalgia nas pontas do dedo, e na textura do papel. Logo depois, porém, guarda numa caixa, com certo desleixo, e encaixa no único canto disponível dentro do guarda-roupa, próximo a outros pertences que nunca são usados, nem pra servir de decoração.

No entanto, o descontentamento com a situação fez com que eu escolhesse esse espaço para revelar minhas palavras. Não que seja digna, ou que sejam as melhores. Que eu possa, contudo, dar minha contribuição, e que não seja na irregularidade de meus passos e na falta de malemolência de quadris, braços, pernas e desconhecimento musical. Lembro-me de ter decidido ir, numa sexta-feira qualquer, entre trabalhos, happy-hour e a necessidade de um cigarro, ao Centro de Referência da Juventude, onde as aulas de Vogue são realizadas, a partir das 18h, ministradas por uma moça-talvez-menina com um corpo traçado pelo padrão, tal como a pele e o fenótipo. Bonita, além de se aparentar uma pessoa agradável.

Por fora, o contraste de rotas. Pessoas acumuladas em um canto da Praça da Estação, com malas, bolsas e sacolas no chão. Pessoas acima de cinquenta anos, diria. Suas bagagens são coloridas, bem como seus papos e amenidades. Esperam, pacientemente, por um ônibus que as levará a uma cidade do interior de Minas Gerais, da-qual-não-me-recordo-o-nome, para a festa de uma padroeira, à qual também não me atentei o bastante para anotar.

De fora, observo a dança que já havia começado. O grupo, majoritariamente de negros e LGBTs, une-se por uma vontade comum. Seus saltos parecem sapatos comuns, pela facilidade com que os usavam. São 15 cm que, para eles, complementam a performance, perfeitamente. O suor da dança respinga pelo cabelo e traça o maxilar dos rostos, evidente em corpos que se mexem com facilidade, ao passar da música que não ouço, devido ao barulho externo, de carros e pessoas. 

Não há coreografia, até porque tudo vem de orientação própria. É seu corpo a conversar com você, e você a conversar com a música. Um diálogo que exige “o querer”, pernas próximas uma da outra e fôlego para um death drop — um fragmento da dança em que eles, simplesmente, se jogam ao chão, virando uma das pernas para trás, e, logo em seguida, levanta-se, como se nada acontecera. Você, não. Você, mero espectador, demora alguns segundos para absorver tamanho movimento.

As pernas se abrem no chão, fora da preocupação do relógio. Pernas, essas, que não cabem em outro sentimento que não seja o amor à dança (a não ser que, claro, elas queiram,). Não há obrigação de continuidade dentro de seu momento performático. Só a linearidade do que se quer tornar linear. Eles caminham como quem passa por uma famosa passarela, sobre a qual o foco são os movimentos e o que se decide fazer com o que aprendeu. Ficao perplexa ao perceber como o corpo faz traços estranhos, incrivelmente lindos. Lá de fora, o cheiro de um final de semana no centro traz os sussurros de quem passa por ali, a observar, pelos vidros do CRJ, as habilidades que também são meu foco. Decido entrar.

A elegância agora tem som, e um som familiar, conhecido por vídeos aos quais já assisti. Misturam-se e entrelaçam seus corpos com a música, do funk brasileiro ao hip hop gringo. De perto, tão mais leves em seus passos, causam certa inveja, ao passar pelos espaços do salão, enquanto esticam seus braços para o alto e fazem círculos, quadrados. Ali está toda a geometria existente, e não existente. Uma alma concreta; almas que podem ter lá seus problemas, mas, ali, parecem esquecê-los. 

O Centro é repleto de movimentos. Caminhadas mais à frente, no corredor de um espaço branco, mostram passos de hip hop, funk, e, mais ao fundo, capoeira. Um alívio percorre meu corpo, ao saber que existem tantas pessoas dispostas a descobrir, em seus corpos, o próprio limite. O contraste que faz total sentido. Crianças, sorrisos, gritos de felicidade e estilos que agradam a meus olhos, mesmo na maior distância. Ali, um sentimento de pertencimento, que pertence a eles.

Transmissão de corpos tão encantadora me faz ter vontade de abaixar a câmera e fazer minha própria dança, dentro de estilos que fogem aos padrões e acendem chamas em qualquer um. E me faz perceber que, talvez, aquela ali seria a comodidade deles. E a simpatia, mesmo que distante, é tão grande, que gostaria de convidá-los a também conhecer outras situações. Assim como os vi encantados ao final da noite, enquanto perguntam pelas fotos que me viram tirando, bem como sobre o que eu anotava numa caderneta, de forma rápida e precisa. Não necessito de muito. Afinal, as palavras sairiam com naturalidade e amor nesse registro de uma paixão que nasceu.

Esta é uma história pré-quarentena, quando os sentimentos à flor da pele me traziam a sensação de estar viva, e de poder observar a vida que pulsava além de mim. Esta é uma história que foge à falta de abraços, beijos e suores. Esta é uma história de aglomeração, contato do qual sinto falta, diariamente, e que só pude perceber no isolamento, sem pessoas em seus trajetos à casa, ao bar, à cidade do interior ou à linha de frente de um Vogue.

 

*A crônica foi produzida sob a supervisão do professor Maurício Guilherme Silva Jr.

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Foto: @fabi_photografia

Por Amanda Gouvêa

Em meio à crise gerada pelo novo coronavírus, ações de apoio às pessoas mais afetadas parecem cada vez mais comuns, e o termo solidariedade tem sido levado a outro patamar. Movimentos sociais e pessoas que já agiam em outras circunstâncias, intensificam suas atuações, e chegam, de forma mais rápida, àqueles que mais precisam.

A instabilidade no país, aliada à Covid-19, levou, no primeiro trimestre deste ano, 1,2 milhões de pessoas ao desemprego, cuja taxa atingiu a marca de 12,2%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tais números trazem à tona a desigualdade e a crise econômica que já assolava o Brasil. Pessoas em situação de rua, desempregados, trabalhadores informais, microempresários e tantas outras pessoas, sofrem, de forma efetiva, os impactos gerados pela pandemia, que causa perdas em diversos setores e serviços.

A distribuição de alimentos, a fabricação de máscaras e as doações de produtos de higiene pessoal, são ações solidárias, que se multiplicam pelo país, na tentativa de amenizar os impactos gerados pela crise. “Muitas pessoas que pagam aluguel estão sem trabalhar, lutando para sobreviver, com ajuda do próximo”, comenta Luana Moreira, que há quatro anos, atua por meio do Projeto do Bem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

O projeto, neste momento, visa garantir o básico às famílias mais carentes, o alimento. Para isso, tem contado com a rede colaborativa e solidária, criada pela situação atual. “Graças a Deus, as pessoas estão mais solidárias, mais preocupados com o outro. Temos visto outros projetos que também entregam cestas básicas”, acrescenta Luana.

Música ao vivo

Além dessas atuações, o que tem tomado as plataformas digitais são as lives, que acumulam grandes números de arrecadações e views, ao unir variados estilos musicais.

Com mais de oito mil shows cancelados ou adiados, em 21 estados brasileiros, segundo dados levantados pelo Data Sim em março, as transmissões têm sido uma forma de conscientização para que as pessoas fiquem em casa. Além disso, servem para divertir o público e levantar doações a instituições e famílias de todo o Brasil.

No ver do músico Felipe Santos, o período de quarentena afetou, diretamente, o setor musical. Com a falta de eventos, fonte principal de quem trabalha no meio, muitos músicos passam por impasses. “Os eventos são nossa fonte de renda. Sem eles, não temos renda. Tentamos organizar outras coisas, mas torcemos para isso passar o mais rápido possível. Precisamos trabalhar”, explica.

O cantor também destaca que aderiu às transmissões ao vivo: “Havíamos feito outras lives pelo Instagram. Tivemos, então, a ideia de fazer algo grande, que pudesse ajudar pessoas. Pretendemos fazer outra, mas ainda não há nada certo. Muitos companheiros de profissão passam necessidade. Músicos não têm como gerar receita sem eventos, e pensamos em fazer algo para auxiliá-los”.

Para o produtor de Felipe, André Mota, a inspiração para a live vem de outros grandes nomes, que fazem, nas telas, há mais de um mês: “Nós nos inspiramos em lives de grandes artistas. Vimos que, na região, muitas pessoas precisavam de ajuda. Resolvemos, então, explorar a boa popularidade do Felipe para fazer um grande projeto beneficente, além do registro de uma grande apresentação, no dia do aniversário da cidade de São José da Lapa”, conta.

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Receita familiar excelente para acompanhar um cafézinho

Por: Daniela Reis

A receita de hoje é uma quitanda passa de geração para geração da estudante do curso de Gastromia do Centro Universitário Una, Vanessa Grasielly. A broinha de fubá de canjica é um lanche rápido e prático para o café da manhã ou o chá da tarde.

Receita
Quantidade de porções: 16 a 20 broinhas
Tempo de preparo: 40 minutos
Categoria: Quitanda/lanche
Nível de dificuldade: fácil

Ingredientes
4 ovos;
1 copo de óleo;
1/2 copo de leite;
1 colher sopa de açúcar;
1 pitada de sal;
300g de pedacinhos de queijo em cubinhos;
300g de pedacinhos de goiabada em cubinho;
500g de fubá de canjica.

Prepração

Bater no liquidificador os ovos, óleo, leite, açúcar e sal. Despeje em uma vasilha e coloque o fubá aos poucos. Atenção: não pode ficar nem duro e nem mole.

Então coloque as colheradas no tabuleiro untado e enfarinhado. Depois pegue um pedacinho do
Queijo e um da goiabada e ponha por cima da massa. Assar em forno a 160 graus, entre 15 e 20 minutos.

Sobre a chef

Vanessa Grasielly é formada em Relações Públicas e atualmente cursa Gastronomia no Centro Universitário Una. Descobriu sua paixão pela confeitaria há um ano e meio, e a cada dia se encanta mais por essa arte de fazer delícias. “Trabalhar com confeitaria é realizar sonhos, e meu papel vem sendo eternizar esses momentos através dos meus bolos e doces. E ao me ingressar na faculdade de gastronomia percebi como essa área é incrível, cada sabor, cada descoberta, tudo vem sendo uma experiência maravilhosa, e novos caminhos vem se abrindo além da confeitaria”, afirma.

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Dra Izabela Reis, médica da família, conversou com a equipe do Contramão

Por Jéssica Oliveira

A pandemia do novo Coronavírus fez com que o número de pacientes internados aumentasse a ponto de sobrecarregar o sistema de saúde brasileiro, com o número de casos subindo diariamente e os casos de óbito que já ultrapassam 45 mil, locais com maior risco de contaminação. No entanto, os médicos, que estão na linha de frente na luta contra a COVID-19 afirmam que a procura por atendimento em casos crônicos ou atendimento de urgência diminuiu significativamente, em razão do risco de contágio.

Porém, a endocrinologista e médica da família, Izabela Reis, explica que em caso de doenças crônicas ou de sintomas incomuns e inesperados de outras enfermidades é necessário o acompanhamento regular e até mesmo a busca por atendimento em unidades de urgência. A medica também nos conta sobre os perigos da automedicação. Confira a entrevista completa com a prossional da saúde.

Qual a orientação para pessoas que fazem acompanhamento médico por doenças crônicas como problema de pressão e diabetes?

Portadores de doenças crônicas são considerados de risco para complicações provenientes da infecção pela COVID-19. Portanto, estes pacientes devem estar com a doença sob controle. Ou seja, devem manter o uso das medicações de forma regular como prescrito pelo médico e aliar à alimentação saudável. Sempre que possível, devem aferir a pressão arterial (caso possua aparelho em casa) e a glicemia capilar para acompanhar os níveis de açúcar. Se estes parâmetros estiverem fora dos valores normais e caso tenham dúvidas ou aparecerem outros sintomas, devem entrar em contato com o médico responsável.

Caso seja necessário uma consulta, e esta ocorra de forma presencial, o paciente deve assegurar de que há restrição do número de pessoas circulantes naquele local e ter todos os cuidados básicos como uso de máscara, evitar levar acompanhantes, manter distância de dois metros de outra pessoa e lavagem das mãos. É importante ressaltar que o CFM (Conselho Federal de Medicina) autorizou a Teleconsulta, ou seja o Médico está autorizado a realizar consultas via internet, sendo uma excelente opção neste momento para a segurança de todos. O que não pode é este paciente ficar com sua patologia fora de controle.

Quais as consequências de um paciente que se automedica e adia um diagnóstico, ao invés de procurar um hospital por receio de se expor ao risco da Covid?

A automedicação é perigosa, pois podem surgir efeitos colaterais indesejáveis, além do risco de mascarar sintomas que possam se manifestar para um diagnóstico médico correto. Não podemos esquecer que além do COVID-19, todas as outras doenças continuam existindo e devemos cuidá-las para evitar o possível agravamento e para não piorar ainda mais a superlotação hospitalar neste momento de pandemia. Caso o paciente apresente sintomas que coloquem sua vida em risco, deve procurar um serviço de Pronto Atendimento, caso contrário deve procurar um agendamento ambulatorial ou procurar o posto de saúde mais próximo para a orientação correta.

Até que ponto é adequado evitar ir ao hospital nessa pandemia?

Deve-se evitar sim ir ao hospital durante a pandemia desde que não esteja em risco iminente de morte ou não tenha alterações dos sinais vitais. Quando for possível aguardar uma consulta agendada, este é o melhor caminho. Então “o que são sinais vitais”? São os indicadores das funções que nos mantém vivos como frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão arterial e temperatura. Por exemplo, queda importante ou aumento excessivo da frequência cardíaca mesmo que em repouso; dor no peito; dificuldade para respirar; pressão arterial alterada mesmo com uso de medicação regular; febre alta refratária aos antitérmicos; e perda da consciência são motivos para procurar um Pronto Atendimento. Lembrando que traumas e fraturas também não devem postergar uma avaliação médica imediata

Com a estrutura das unidades básicas de saúde, qual suporte elas podem dar ao paciente evitando o contato com o hospital?
A estrutura de cada unidade básica varia de região para região. Algumas mais equipadas possuem medicações básicas orais, venosas e até mesmo exames disponíveis, outras possuem somente o médico e/ou enfermeiro, que sozinhos não conseguem tirar ninguém de uma situação de risco iminente à vida. Mas de modo geral o acompanhamento de doenças crônicas, crises hipertensivas, dores leves a moderadas, febre leve a moderada, diarréias, amigdalites, otites são patologias bem guiadas pela Unidade básica de saúde.

Um paciente que suspeita estar com Coronavírus deve recorrer ao hospital assim que perceber os sintomas?

Não. O paciente com suspeita de COVID-19 deve permanecer em casa fazendo repouso em isolamento. Só deve procurar o Hospital caso tenha falta de ar, febre que não melhore após uso de medicação e alteração do nível de consciência. Devemos lembrar que estamos numa época do ano favorável à outras doenças respiratórias, o paciente pode não estar contaminado pelo novo Coronavírus e acabar contraindo numa ida indevida ao Hospital. Outro ponto importante é que ainda não temos tratamento para a COVID-19, então não adianta correr para o hospital caso o paciente tenha somente sintomas leves.

 

Lembra-se: É indispensável o uso de máscara, a higienização constante das mãos com água e sabão ou álcool em gel, trocar de roupa e tomar banho imediatamente ao retornar para a casa e higienizar objetos como óculos e celular.

 

 

*A entrevista foi produzida sob a supervisão da jornalista Daniela Reis.

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Evento terá atrações aberta ao público externo

A mostra acadêmica acontece nos dias 17 e 18 de junho com eventos abertos ao público

*Por Italo Charles

A 12ª edição do ExpoUna que acontecerá nos dias 17 e 18 de junho, finaliza o semestre acadêmico com atividades para os alunos e o público externo. A novidade é que a edição será marcada com a programação totalmente online.

Uma imersão entre atividades curriculares e a promoção de experiências mercadológicas marca a mostra, que possui a finalidade de divulgar os trabalhos desenvolvidos durante o semestre letivo e aproximar o público do mercado.

Alguns convidados da mostra no dia 17 são: a maquiadora Mariely Lacerda, o educador de corte Gustavo Gomes, o empresário Júlio Jr. (Vermelho), e a banda Chico e o Mar. Já no segundo dia, o confeiteiro Júlio César Cândido, o músico Gabriel Barros e a dupla Felipe e Thiago são presenças confirmadas na edição.

Com a programação recheada de atividades, os espectadores poderão navegar em oficinas e palestras que integram à várias áreas de cursos ofertados no Centro Universitário Una.

A programação da Una Liberdade

17/6 quarta
11h Webinar Auto Maquiagem com a Mariely Lacerda

11h Webinar com Gustavo Gomes da Barbearia Torres

19h Webinar Estratégias e Bastidores dos Eventos com o produtor Júlio Jr. (Vermelho)

21h Live Banda Chico e o Mar

18/6 quinta

11h Aula show de Gastronomia com Júlio César (prato arroz de abóbora e porco)

19h Live com Gabriel Barros

20h Encerramento com a dupla Felipe e Thiago

Você pode conferir a programação completa acessando o link: https://www.una.br/expouna2020/

 

*A matéria foi produzida sob a supervisão da jornalista Daniela Reis

 

 

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Delegada titular da Delegacia de Proteção ao Idoso de Belo Horizonte, Margareth Travessoni, conversou sobre o assunto com a equipe do Contramão.

*Por Izabela Avelar e Moisés Martins

O Relatório de denúncias registradas pelo disque 100 dos Direitos Humanos em 2019, aponta violações contra o grupo de pessoas idosas como sendo a segunda maior demanda de ocorrências. Segundo o documento, no ano passado foram registradas mais de 48 mil denúncias envolvendo o idoso. Este número representa 30% dos casos de registros do canal de monitoramento.

Os dados foram apresentados pelo Ministério da Mulher da Família e dos Direitos Humanos, em junho de 2020, e retrata as violações de Direitos Humanos no Brasil. A negligência consiste na violação com maior volume para o grupo de idosos, com registros de (41%), seguida da violência psicológica com (24%), e abuso financeiro que consiste em (20%) das ocorrências. Os abusos foram constatados em todo o Brasil e os estados que registraram os maiores índices de denúncias foram, principalmente, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Hoje, 15 de junho, é o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa. A data foi declarada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Rede Internacional de Prevenção à Violência à Pessoa Idosa. Desde 2006, acontecem campanhas pelo mundo todo com o objetivo maior de reconhecer as pessoas idosas como sujeitos de direito, sabendo que os números se agravam, gradativamente, e por isso demanda atenção.

Para falar mais sobre o assunto, o Contramão conversou com a delegada titular da Delegacia de Proteção ao Idoso de Belo Horizonte Margareth Travessoni.

Como funciona a Delegacia de Proteção ao Idoso em Belo Horizonte?

Em BH, a delegacia está localizada na rua Barbacena, nº 288, no Barro Preto. Nós atendemos os casos de violências domésticas contra pessoas idosas e também casos previstos nos Estatuto do Idoso. Funcionamos de segunda a sexta-feira, no horário comercial e plantões aos finais de semanas para mulheres vítimas de violências.

 

Quais são as principais denúncias que vocês recebem para investigação?

Maus-tratos a pessoa idosa, apropriação do benefício previdenciário, abandono do idoso, agressões físicas e psicológicas.

 

Como essas denúncias chegam até a delegacia e como vocês fazem o trabalho de investigação e a comprovação do crime?

As denúncias chegam através do disque 100, Direitos Humanos. Logo após o recebimento da denúncia, a gente designa uma equipe que vai até o local da ocorrência apurar e verificar os fatos e situação diária daquele idoso. Sendo procedente, damos início a uma investigação mais detalhada, convidando as pessoas a comparecerem na unidade policial para formalizar os termos e declarações dos fatos, até finalizar a investigação com o indiciamento do investigado ou não.

 

O que a lei prevê em casos de abusos comprovados?

As penas variam muito, para crimes mais leves e comuns como os maus-tratos a pessoa pode pegar de 1 a 4 anos de prisão. Caso o crime resulte na morte do idoso o acusado pode pegar até 12 anos de prisão.

 

Dentre os agressores quem são os principais algozes? E qual é o sexo mais afetado?

Geralmente os agressores são os próprios familiares dos idosos, filhos, netos, irmãos. Quanto ao sexo mais afetado, não existe muita diferença, sofrem simplesmente por serem vulneráveis, homens e mulheres.

 

Margareth, fala um pouco das três violências citadas no relatório do disque 100, negligência, violência psicológica e abuso financeiro.

 A negligência é justamente o cuidado que o idoso deixa de receber, a falta de alimentação, uma falta de banho, uma troca de roupa ou fraldas, o não uso correto dos medicamentos, já a violência psicológica é aquilo que geralmente o idoso ouve, frases como: “ Porque você não morre” “ Você é um fardo”, e o abuso financeiro que é a apropriação especialmente do benefício previdenciário do idoso.

 

Conte-nos pouco sobre a sua formação e como você chegou à Delegacia de Proteção ao Idoso?

Eu estou a frente da delegacia há um ano. É  um trabalho muito gratificante, foram muitas investigações concluídas nesse período, esse ano estamos pensando até em soltar o balanço das atividades da Unidade, expedimos várias medidas protetivas para idosos que sofrem de violência doméstica. Lembrando que durante a pandemia de Coronavírus as denúncias aumentaram no canal do disque 100, e nossa equipe não parou, durante esse tempo foram em média de 500 ocorrências já verificadas.

 

Após a permanência no cargo, mudou alguma coisa em sua visão pessoal em relação à pessoa idosa?

É satisfatório, saber que estamos ajudando as pessoas, e muitas vezes só a ida da Polícia Civil até o local da ocorrência já inibe a ação dos agressores. Minha vida mudou muito, a gente vê muita coisa ruim, ficamos sensibilizados, mas nos esforçamos muito para que todos os casos que chegam até a equipe seja resolvido.

Ao final da entrevista, a delegada chamou a atenção para que as pessoas denunciem os casos de abusos contra os idosos, através do disque 100, segundo a mesma, a ligação é gratuita e a pessoa não precisa se identificar.

 

* A entrevista foi produzida sob a supervisão da jornalista Daniela Reis