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A semana se inicia com um dos textos do e-book “Escrita Criativa: O avesso das palavras”, produto final do projeto de extensão conduzido pela escritora e  professora do Centro Universitário Una, Geanneti Tavares Salomon. 

A produção de hoje é de Gabriel Lucas Monteiro Ezequiel, acadêmico do curso de Nutrição do Centro Universitário Una

 

Liberdade

Por Gabriel Lucas Monteiro Ezequiel

Queria ter a liberdade

A liberdade de um amor tranquilo

Regado de calor que aquece os ossos

Queria ter a liberdade

De andar tranquilo pela rua

Sem preocupar que alguém de farda leve minha vida

Ou que alguém armado leve algo que tive que batalhar pra ter

Queria ver a liberdade

De quem pode ser o que é

Sem se preocupar como os outros vão falar ou fazer

Talvez a liberdade

Esteja em uma cabana afastada

no meio do nada

Ouvindo os sons que vêm da natureza

Quero a liberdade

De ter o que eu quero

E receber por aquilo que faço

Quero uma casa que não desabe quando a tempestade vier

Uma comida que não me adoeça a cada mordida

Quero a liberdade de ir e vir sem medo.

 

Para acessar o e-book completo clique no link.

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Por Daniela Reis 

Hoje, 26 de março, é comemorado o Dia do Cacau. Essa data foi instituída como uma maneira de difundir o consumo do fruto além do uso na fabricação do chocolate e discutir a importância política e econômica que esse alimento tem para nosso país.

E é claro que aqui no Contramão a gente comemora essa data de maneira deliciosa, trazendo para você uma receita especial de FUDGE DE CHOCOLATE, que tem uma textura macia e o sabor marcante do cacau. Quem nos agraciou com essa gostosura é a aluna do curso de Gastronomia da Una, Olívia Junqueira.

Ela começou a fazer doces e bolos para família, quando percebeu na gastronomia uma paixão. Há 10 anos atua na área da confeitaria e dá aulas para crianças e adultos no projeto Chefinhos Escola, juntamente com a nutricionista Cristina Marques.

Vamos ao passo a passo?

FUDGE DE CHOCOLATE

Quantidade de porções: Aproximadamente 20 unidades
Tempo de preparo: 30 min de preparo e 2h de geladeira
Categoria: Sobremesa
Nível de dificuldade: Fácil

Ingredientes:


– 400 g de chocolate meio amargo
– 395 g de leite condensado (1 lata)
– 20 g de manteiga
– 25 g de cacau em pó
– 1 pacote de biscoito (Oreo) sem o recheio

Passo a passo para a preparação:
1) Adicionar em uma tigela o chocolate meio amargo, o leite condensado, o cacau em pó e a manteiga.

2) Levar ao banho maria, até derreter bem o chocolate e incorporar todos ingredientes.

3) Retirar do fogo e adicionar os biscoitos quebrados grosseiramente. Misturar bem, colocar em uma forma ou aro revestida com papel manteiga e levar à geladeira por duas horas. Quando estiver firme, cortar em quadrados e passar no cacau em pó.

Agora é só preparar! Aproveite para fazer em comemoração ao Dia do Cacau ou como opção de uma deliciosa sobremesa de Páscoa!

 

 

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Crédito: Arquivo Nacional

Por Italo Charles

O TBT de hoje recorda que em 25 de março de 1824 foi outorgada, por Dom Pedro I, a “Constituição Política do Império Brazil”. A carta, com base na “Graça de Deus” e “Unânime aclamação dos povos”  viria a ser a primeira Constituição brasileira.

Um ano antes, no dia 3 de maio de 1823, foi instalada a Assembleia Constituinte com a finalidade de elaborar a constituição. Entretanto, durante a madrugada de 12 de novembro do mesmo ano, diante das oposições políticas, D. Pedro exigiu que o Exército invadisse o plenário da assembleia constituinte, o acontecimento ficou marcado como “noite da agonia”.

O episódio ficou marcado pela prisão e deportação de vários deputados. Na ocasião o imperador assinou um documento que além do desterro dos ex-deputados, ocasionaria em outras medidas repressivas, tais quais como a vigilância policial em espaços de reuniões e prisão de quem tentasse intervir.

Dissolvida a Constituinte, D. Pedro reuniu dez pessoas de sua confiança, que juntos, redigiram a primeira constituição que viria ser outorgada em 1824 e se estabeleceria até 1889, totalizando 65 anos de regimento. 

A constituição instaurada foi uma das mais liberais existentes na época, mesmo com o poder  centralizado ao monarca. À época o mandato dos senadores era vitalício  e o voto censitário era exercido apenas por homens ricos.

Constituições

Dado o fim da primeira Constituição brasileira e com a Proclamação da República em 1889, o sistema político e econômico do país passou por mudanças significativas. Marechal Deodoro, proclamador da República e chefe do governo provisório, junto a Rui Barbosa declararam uma comissão para elaboração de um projeto a ser avaliado pela futura Assembleia Constituinte. O projeto foi aceito e vigorou até 1933.

A terceira Constituição foi comandada por Getúlio Vargas e foi instaurada em 16 de julho de 1934 e trazia como principais mudanças: maior poder ao governo federal, voto obrigatório e secreto a partir dos 18 anos ampliado às mulheres, mas, ainda com exceção de analfabetos e mendigos e a criação da Justiça Eleitoral e do Trabalho.

Em 1937, Vargas anulou a Constituição de 1934, dissolveu o Congresso e declarou ao Brasil a Carta Constitucional do Estado Novo que daria o poder central para o chefe de estado Executivo.

Devido às determinações impostas pelo Congresso recém eleito, em 1946 foi retomada a linha política estabelecida em 1934, a qual trouxe alterações e vigoraria até o Regime Militar.

Durante o Regime Militar o autoritarismo e política da segurança vigoravam. Em 1967 o poder Executivo enviou ao Congresso a proposta de Constituição que foi aprovada e promulgada no dia 24 de janeiro de 1967.

Em virtude de todo contexto social, político e econômico durante a Ditadura Militar, em 1985 foi realizada a Assembléia Nacional Constituinte a fim de desenvolver um novo texto constitucional levando em conta a realidade estabelecida na época. Já em 1988 foi instituída a “Constituição Cidadã”, a carta estabeleceu cláusulas revolucionárias que propunha a alteração e melhoria de todo o sistema social, político e econômico do país. Desde então a Constituição Cidadã vigora.

 

*Edição: Daniela Reis

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No dia último domingo, 21 de março, foi comemorado o Dia Mundial da Infância. E para comemorar e trazer de volta lembranças dessa época tão especial, a jornalista Bianca Morais nos agraciou com uma crônica. 

 

A infância na casa da vovó

Por Bianca Morais

Fecho os olhos e me lembro dos anos dourados. 

– “As férias chegaram!”

Isso significava que era hora de fazer as malas, pegar o máximo de roupas que cabiam dentro dela e partir para casa da vovó! Encontrar com os primos e ficar por lá até o dia que ela se cansasse da nossa bagunça e nos devolvesse aos pais.

Brincadeiras durante todo o dia, fazíamos teatro e interpretávamos os personagens da nossa novela predileta, montávamos um salão de beleza na sala com direito a tudo, incluindo cabelo e maquiagem. E a  unha só quando a gente conseguia pegar os esmaltes da vovó escondidos, porque quando ela descobria era uma baita confusão. A cabaninha a enlouquecia, já que usávamos todos os seus lençóis limpos e almofadas chiques do sofá, tudo espalhado pelo chão. 

À noite expulsávamos nosso tio do quarto dele e ficávamos lá, alguns amontoados na cama de casal e outros nos colchões. Fingíamos que estávamos dormindo, luzes e tv apagadas, assim que escutávamos o primeiro ronco da vovó era só bagunça. Assistir filmes até depois da meia noite, guerra de travesseiros, virar a madrugada contando histórias. 

Uma vez ou outra, nosso tio expulso do quarto pelos sobrinhos, se fantasiava do personagem do filme Pânico para nos assustar. Agora pense em um monte de crianças acordadas em um horário que não deveriam, e de repente entra o Pânico no quarto. Era gritaria total. Nessa hora a vovó acordava, xingava e colocava todo mundo para dormir. 

No dia seguinte vovó não poupava. Bem cedo já abria as cortinas do quarto e cantava “deixa a luz do céu entrar”, e ali não importava que horas a gente tinha ido dormir, todo mundo tinha que estar de pé na hora que ela mandasse.

Café da manhã na mesa, cada um com a sua canequinha, as das meninas super poderosas ficam guardadas até hoje, 20 anos depois. No almoço o cardápio não tinha dúvidas, macarrão com batata frita. Podia fazer todos os dias que não enjoávamos. E claro, cachorro quente para o café da tarde.

Tempo bom que não volta mais. 

Juntar todo mundo e ir até a banca para comprar figurinha e completar o álbum, trocar as figurinhas entre si, alugar um filme na locadora, brigar pelo controle remoto e para ser o primeiro a jogar video game, colecionar adesivos, passar trote pelo telefone. 

Hoje, os primos estão mais velhos e muito longe um dos outros. As férias agora cada um tira numa época diferente, mal conseguimos nos encontrar. A saudade e a nostalgia que vivemos é saber que curtimos uma fase muito boa. A infância será para sempre um momento de alegria e coisas boas em nossas vidas.

 

*Edição: Daniela Reis 

**Revisão: Italo Charles 

“Meu trabalho consiste em levar soluções eficientes às famílias, casas e as empresas, de forma em que haja mais qualidade de vida às pessoas”

Por Italo Charles

Organizar espaços e torná-los funcionais nem sempre é uma atividade fácil. Para muitas pessoas pode parecer uma tortura, mas para outras pode ser algo prazeroso e até mesmo  uma profissão.

Em meados da década de 1980, nos Estados Unidos, um grupo de amigas empreendedoras – Bewerly Clower, Stephanie Culp, Ann Gambrell, Maxine Ordesk  e Jeanne Short – se reuniram para oferecer serviços de organização na cidade de Los Angeles.

A partir de então, a prestação de serviços do grupo ganhou grandes proporções e em menos de três anos fundaram a National Association Productivity & Organizing, que atualmente conta com mais de 4 mil membros.

No Brasil, a atividade de organização se iniciou por volta dos anos 2000. Não há registros da primeira pessoa que começou a atuar nesse ramo de forma profissional no país. Mas sabe-se que a maioria começou auxiliando familiares e amigos.

Ao decorrer do tempo, os serviços prestados foram crescendo e em 2006 profissionais da área se juntaram para criar uma associação a fim de subsidiar e regulamentar a profissão, porém apenas em 2013 que de fato a Associação Nacional de Profissionais de Organização e Produtividade (Anpop) foi estabelecida.

Mas, ainda hoje existem rumores e desconhecimentos sobre a profissão  e atuação de Organizers no Brasil. Em entrevista ao Jornal Contramão, Karina Carneiro Elian Costa, personal há três anos e proprietária da Kaetrenos Organização, fala sobre a profissão e dá dicas de como deixar o home office mais organizado e eficiente.

 

Como você descobriu a área de atuação como “Personal Organizer”? 

A organização sempre foi um dom, um hobbie e uma ferramenta de organização dos próprios sentimentos e emoções (organizar algo ou algum ambiente, sempre foi para mim uma forma de me organizar internamente).

Mas, como nenhuma profissão se faz apenas com dom ou habilidades, comecei a ver a possibilidade de profissionalizar esse, até então hobbie, a partir do olhar de amigos próximos, familiares e posteriormente, alguns programas de canais fechados de TV.

Após pesquisas, descobri que a profissão já existia fora do Brasil há mais de 20 anos, mas aqui (Brasil) ainda não era conhecida e muito menos regularizada. Comecei então a ler a pouca literatura existente antes de me profissionalizar em um curso e, como pedagoga de formação, reconheço que é um mercado que exige muito conhecimento (de diversas naturezas).

E, claro, com um olhar empreendedor de natureza, esses conhecimentos foram aos poucos, ao encontro das necessidades das pessoas ao meu redor. Organizar a casa, organizar o espaço de trabalho, a agenda, entre outros.

Apesar de parecer uma novidade, a profissão de Personal Organizer surgiu na década de 1980 nos Estados Unidos,

 

Quais foram/são os maiores desafios? 

No início, confesso que o maior desafio era enxergar a atuação de organizer como profissão reconhecida e valorizada. A grande maioria da população brasileira não sabia o que era (o que ainda é uma realidade hoje) ou, achava que era um serviço supérfluo e destinado à Classe A.

O meu maior desafio hoje é apresentar o serviço de organização para todos os níveis sociais. Mostrar como a vida organizada (interna e externamente) traz inúmeros benefícios e, não necessariamente é preciso ter a casa mais bonita, decorada, os melhores organizadores e etc.

Hoje a profissão tem crescido bastante, mas ainda é preciso percorrer um longo caminho, sobretudo no que diz respeito a valorização de mercado.

Infelizmente, muitas pessoas ainda acham que é só ter o dom e acabam entrando no mercado sem qualificação, o que desvaloriza a profissão.

 

Como funciona a rotina de um profissional Personal? Há passos fundamentais a serem seguidos? 

Sim… Há alguns passos fundamentais na minha rotina de organizer.

O primeiro deles é ouvir o cliente: entender um pouquinho da sua rotina e quais as suas principais queixas em relação à organização atual do seu espaço. Também é  dar a oportunidade de conhecer melhor como funciona o trabalho, o portfólio e esclarecer as suas dúvidas, etc.

A partir daí, começamos o trabalho na visita técnica. É nessa visita, que pode ser presencial ou através de vídeo conferência e até mesmo por vídeos e fotos, que consigo entender a real necessidade do meu futuro cliente, qual a sua rotina, espaço e o que ele espera de mim. 

Uma Personal Organizer não organiza apenas closets, o serviço é amplo e pode ajudar em qualquer âmbito da vida de uma pessoa, desde a organização de documentos, mudanças, residências e empresas inteiras!

Nessa hora muita gente fica com vergonha, com medo do que a personal organizer vai pensar quando ver a bagunça. Mas, um profissional sério não tem olhos julgadores para o espaço. E pode acreditar que, com nosso olhar apurado, até a bagunça nos ajuda a entender o que não está funcionando ali e buscar soluções que tragam um resultado eficiente. Quanto mais soubermos sobre a rotina no espaço a ser organizado, melhor será o resultado da organização.

É o resultado desta etapa que vai me permitir criar o projeto com mais eficácia e esclarecer o que pode ser esperado do resultado da organização do seu espaço.

Essa é a próxima etapa: criar um projeto baseado no que foi conversado e visto do local, apresentando as soluções pensadas para aquele cliente especificamente. Ou seja: tudo é personalizado porque ninguém tem o mesmo espaço, a mesma quantidade de objetos, a mesma rotina.

No projeto, além das soluções, também envio o orçamento e a quantidade de tempo que será necessária para a transformação acontecer. Não existe uma tabela de preços. Cada profissional decide o seu preço e, em geral, leva em conta a sua experiência, os custos necessários para manter a sua estrutura, entre outras questões. Assim como em qualquer profissão.

Na maior parte dos projetos, também sou eu quem faz a compra dos produtos organizadores, previamente acordados com o cliente. O que também é opcional. Trabalho de uma forma que tento, ao máximo, otimizar e aproveitar tudo o que o cliente já possui. Mas, é claro que, na maior parte das vezes, como as pessoas não costumam investir tanto nisso ou não possuem conhecimento específico em organização, é necessário levar itens básicos que permitirão a “mágica” da organização acontecer.

Uma Personal Organizer também ajuda a cliente a se livrar de objetos que fazem mal emocionalmente para ela (e). Orientar e escutar é uma das rotinas cruciais na organização. 

Como o mercado e o público entendem a profissão e atuação dos profissionais? 

Quando comecei, esse era um grande mercado adormecido no Brasil, o da organização pessoal, residencial e corporativa. Não havia empresas, sites ou blogs que falassem tanto assim no assunto.

Porém, o mercado tem estado cada vez mais aberto e o tema organização e produtividade tem sido referência constante na mídia. Novas empresas, blogs e sites surgem a cada dia. Principalmente pelo fato de que, na pandemia, as pessoas passaram a conhecer melhor os seus lares, e assim, passaram a enxergar os “vilões” de um espaço e uma vida desorganizada. 

Os tempos modernos fazem com que o tempo fique mais curto e mais valioso. É nesse cenário que o trabalho de um Personal Organizer passa a ganhar um papel cada vez mais importante. A tendência é que as pessoas utilizem seu tempo com a sua família, com o lazer ou com o seu próprio desenvolvimento pessoal. 

Hoje, também cresce a compreensão da necessidade de se otimizar os espaços residenciais (mais praticidade e economia) e de trabalho (mais produtividade e menos stress) e, para alcançar tudo isso é necessário organizar, e é exatamente aí que entra o Personal Organizer, oferecendo serviços, orientação e soluções para uma vida mais organizada, e claro, com mais praticidade e produtividade.

Se ficarmos atentos, considerando que tudo evolui, assim como no mercado americano, que já tem quase 30 anos de desenvolvimento, iremos entender que há muito ainda por acontecer por aqui. Até o mercado do varejo está mais atento ao mercado da organização. Grandes lojas já contam com setores específicos para a venda de produtos desse segmento.

 

Acredito que exista um tabu em relação à profissão e que muitas pessoas acham que não é pra elas por ser “caro”, como mudar essa visão? 

Esse tipo de serviço foi por muito tempo e ainda é considerado para para uma classe mais provida de recursos financeiros. É aí que entra um dos meus diferenciais no mercado pois, a organização está para todos, e nos mais variados aspectos das nossas vidas.

Por muito tempo, a organização estava associada a um espaço planejado, decorado, estruturado e, principalmente, para quem tinha espaço. Com a mudança dos espaços residenciais para casas cada vez menores, as rotinas de trabalho e cada vez mais corridas das pessoas e com isso, a falta de tempo, a organização se faz necessária para todas as pessoas. Com ela, deixamos de perder tempo, multiplicamos o espaço que temos, alcançamos uma vida mais produtiva e temos mais prazer em nosso dia a dia. Bem estar é tudo!

 

O serviço de personal organizer não está condicionado somente a casas, certo? Em quais outros espaços ocorre essa atuação? 

Os clientes estão em todos os lugares e as necessidades de uma vida organizada se fazem em todas as áreas. Com os diversos cursos existentes no mercado hoje, já temos especialização para as diferentes demandas: residencial (que é o mais demandado), pré e pós mudanças, organização corporativa, organização baby e infantil, arquivos digitais, organização de fotos e documentos, organização de barcos, luto, malas/viagem.

Depende da segmentação que você fizer do seu negócio. Algumas organizadoras só dão consultoria. Outras, só organizam armários.

Com o crescimento do mercado, as organizadoras profissionais estão se especializando cada vez mais.

Durante esse período de pandemia em que as pessoas estão a maior parte do tempo em casa, trabalhando em casa, fica até difícil manter uma organização  e talvez, para além disso, dificulte o seu trabalho.  Como tem sido atuar nesse período, quais os desafios e, sobretudo, como as pessoas podem manter o espaço de casa e trabalho organizados? 

De fato, o período da pandemia trouxe um olhar extremamente diferenciado para os ares, adicionando esse ambiente fundamental nos dias de hoje: o home office.

Não é tão difícil assim criar esse ambiente de produtividade, mesmo para aqueles que não possuem um escritório em casa, ou seja, um espaço para ler, trabalhar, produzir…A importância de se manter um escritório em casa organizado vai além da questão estética, auxiliando também na concentração e aumentando a produtividade.

Como personal organizer, recebi muitas demandas de auxílio/consultoria, para organizar e até mesmo criar esses espaços nos lares. O maior desafio do momento, é estar auxiliando meus clientes presencialmente. Porém, com a tecnologia a nosso favor, tenho me re-inventado e criado atendimentos adaptados para trazer soluções ao meu público.

No exemplo do home office, é importante que esse espaço seja pensado de forma específica dentro de casa, através de local que não tenha tanto barulho, que sejam aproveitados ambientes com iluminação natural

Crie um local (casinha) para todos os objetos necessários para o trabalho (agendas, canetas, blocos, fios dos eletrônicos, papéis, livros…) 

Utilize mobília, tapetes e divisórias como painéis móveis para criar múltiplos espaços e aumentar a funcionalidade

Use acessórios organizadores como caixas e revisteiros para manter os itens guardados (nesse caso, para quem não tem gavetas disponíveis). Opte sempre pelos organizadores móveis

Mantenha a mesa limpa: quanto menos objetos espalhados, maior a sensação de limpeza e organização

 

Sua conta no Instagram é bem ativa, como surgiu a ideia de usar a Internet como complemento do seu trabalho? 

Acredito muito no poder da internet há algum tempo. Claro que hoje, além de importante, usar esse espaço é essencial. A melhor forma de ser visto e reconhecido, sem dúvida.

Como comecei na organização atuando como pedagoga empresarial, essa foi uma maneira de dizer às pessoas não próximas a mim que esse também seria o meu trabalho. Fez parte do processo de transição de carreira, me estabelecer como P.O e ser vista assim. 

Existe a possibilidade de prestar o serviço de personal organizer virtualmente? 

Claro!! E como dito anteriormente, após a pandemia, foi necessário me reinventar e deu super certo. Até mesmo para aquelas pessoas que achavam ser impossível contratar uma personal organizer, essa também foi uma solução. Hoje em dia, além da consultoria online, onde conheço virtualmente o espaço do cliente e apresento as melhores soluções, também faço a venda dos acessórios (atualmente estou desenvolvendo uma linha de produtos organizadores que já conta com colméias organizadoras, ganchos e planner), e material exclusivo ensinando as técnicas (dobras) em um ou dois encontros virtuais. A pessoa executa, mas todo o projeto é proposto por mim e acompanhado.

 

Conheça mais sobre o mundo da organização acessando o perfil de Instagram @kaentrenos.organizacao da Karina.

 

“Organizar é solucionar!!!

E todo mundo merece uma vida e um ambiente em ordem”  – Karina Carneiro

 

*A entrevista foi produzida sob a supervisão da jornalista Daniela Reis

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A semana começa com um  texto do e-book “Escrita Criativa: O avesso das palavras”, produto final do projeto de extensão conduzido pela escritora e  professora do Centro Universitário Una, Geanneti Tavares Salomon. 

A produção é de Larissa Medeiros, que é estudante de Publicidade e Propaganda na Una e contadora de histórias desde que se entende por gente. 

Mulher de vinte

Larissa Medeiros

As luzes estão apagadas quando chego, a casa está silenciosa, exceto pelo som da televisão na sala. Vejo Daniel dormindo na poltrona, os óculos escorregando para a ponta do nariz; ainda de sapatos e com a roupa do trabalho, caiu no sono assistindo a um programa qualquer de entrevistas. Decido dar uma olhada nas crianças primeiro, subo as escadas pisando o mais suave que consigo, abro a porta, que range um pouco, mas que não incomoda duas pequenas criaturinhas enroladas em seus cobertores. Beijo a cabeça de cada um e sinto o cheiro de xampu nos cabelos, um livro de fábulas está caído no chão e tenho certeza de que fizeram o pai lê-lo ao menos três vezes antes de pegarem no sono. Sorrio, eles são a melhor coisa que eu poderia ter feito no mundo.

Desço as escadas e vejo a TV desligada, Daniel agora está escorado no balcão da cozinha com um copo na mão; ele ergue os olhos pra mim, e por um momento tenho certeza de que ele sabe. Que consegue ver algo em meus olhos, que sente o cheiro a metros de distância. Mas ele sorri, um sorriso cansado. Me aproximo e o beijo de leve, ele toca minha cintura – não segura, não puxa, apenas toca. Ele diz que vai pra cama e, apesar do semblante abatido, sugere algo na voz. Ouço-o arrastar os pés pelos degraus, mas me permito um momento a sós na cozinha.

Passo os dedos pela bancada cara que terminamos de pagar há pouco tempo, e sei que é uma vida boa. Daniel é um bom homem. E é por isso que não conto, porque nenhuma vez é culpa dele, nenhuma vez é para machucá-lo. Quando me deito na cama de outro homem, faço isso por mim mesma. Faço isso pela garota de vinte anos que, num momento de carência, ligou pro cara que ela tinha certeza de que iria correndo feito um cãozinho bem treinado e, num descuido, fez um bebê com ele. Faço isso por tudo o que perdi desde então, todas as noites em que troquei taças de champanhe por mamadeiras. Sexo selvagem no sábado à noite por sexo conveniente no domingo à tarde. Todas as viagens que poderia ter feito, todos os caras que poderia ter conhecido e por quem poderia ter me apaixonado loucamente.

Apago as luzes e subo para o quarto, Daniel está no banho. Por um milésimo de segundo, me ocorre entrar no chuveiro com ele, mas então penso em todo o tesão e empenho que teria que colocar nisso, e acabo indo pro banheiro das crianças do outro lado do corredor. Quando volto, ele está sentado na cama com a luz do abajur acesa e quando me deito, ele a apaga. E ele não faz ideia de como odeio isso, de como odeio que ele não queira ver meu corpo. Ele toca em mim com gentileza, mas sem paixão. Como se fôssemos fazer a lista de compras pro mercado, e não sexo.

Então, quando um cara charmoso fez eu me sentir jovem e desejável outra vez, eu cedi. Uma aventura boba e sem significado, uma estupidez. Uma noite para não pensar em trabalho, casamento, filhos ou qualquer coisa pela qual os adultos se matem. Uma noite pra ter vinte anos de novo e fazer sexo sem amor, sem medo de acordar as crianças no quarto ao lado ou de ouvir ele dizendo que não, não quer tentar uma posição nova. E quando a embriaguez passou, juro que me arrependi. Me senti suja e mentirosa, covarde.

Mas tudo sempre recomeça. Na segunda, uma crise com os filhos e você precisa perder um dia inteiro de trabalho numa reunião na escola. E esse dia perdido significa muito quando as contas chegam na terça e você não tem ideia de como pagar mais uma prestação do maldito carro que você nem queria. Mas comprou porque sua amiga Cláudia da faculdade tem um igual e, quando vocês saem pra almoçar na quarta, ela diz que você precisa retocar o botox, o que só te lembra o quão velha você está ficando. Te tirando totalmente a vontade de vestir uma lingerie nova na quinta e acaba transando com uma camiseta manchada de molho. E é tão frustrante, que quando a sexta chega e você, só por um dia, pode fingir que é jovem e sexy, e que pode tomar quantos drinks quiser – mas só toma dois, porque no dia seguinte tem alguma apresentação de escola e você não pode estar de ressaca –, você não resiste.

Eu não deveria pensar em prestações ou botox enquanto a respiração de Daniel está ofegante no meu ouvido. Enquanto ele pressiona meu seio por cima da blusa que ele nem se deu ao trabalho de tentar tirar. Às vezes finjo um orgasmo, mas em dias como hoje ele está cansado demais para notar.

E não o culpo, não vou obrigá-lo a me fazer gozar quando sei que ele precisa acordar cedo para levar as crianças pra escola, enfrentar trânsito para chegar ao trabalho e aturar um emprego que odeia, mas que nos permite viajar duas vezes ao ano.

E é por isso que não conto a Daniel. É injusto, eu sei. Mas quando sinto um homem que não é meu marido dentro de mim, não é no pecado que penso. Não penso em abandonar minha família, em largar meu emprego, em sumir no mundo com um cara quase dez anos mais novo que eu. Não poderia fazer isso. Quando sinto um homem que não é meu marido dentro de mim, não é no pecado que penso. É na liberdade. Na liberdade de poder ser uma pessoa que não existe mais, de ser a mulher que eu queria ter sido, de dar a ela a vida que ela merecia. Esquecer só por uma noite a vida tranquila e confortável, mas que não traz novidades. As responsabilidades de ser uma boa profissional e ao mesmo tempo uma boa mãe, que é exaustivo. E principalmente, o marido gentil e excelente pai, mas por quem nenhuma de nós duas jamais esteve apaixonada.

Sinto que ele vai gozar, não tento impedir, não tento fazer durar mais. Seu corpo relaxa e ele me puxa pra perto, Daniel nunca foi o homem que simplesmente deita de costas e pega no sono, ele me abraça e beija minha testa e sussurra que me ama. E sussurro de volta. Não é uma completa mentira, eu o amo quando brincamos com as crianças no quintal, o amo quando vamos à casa dos meus pais e eles riem juntos por horas, o amo quando ele assa biscoitos no natal. Eu só não o amo da forma como uma esposa deve amar um marido. Desesperada e irrevogavelmente.

Quando ele está quase adormecendo, ouço uma voz chorosa no corredor e rapidamente me levanto dizendo para ele não se preocupar. Depois de uma música de ninar para afastar pesadelos, não volto pra cama imediatamente, caminho pela casa por um tempo. Como um fantasma, como alguém que não devia pertencer a um lugar bonito e cheio de vida. Como alguém que por destino ficou preso ali. Acorrentado. Se lamentando pela vida que teve – ou pela que não teve. Esperando pela hora certa de se libertar. Esperando pra descobrir como se libertar.

 

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