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Por Edilane Carvalho

A maior dificuldade nutricional que um universitário que vem do interior estudar na cidade pode enfrentar em relação à alimentação está geralmente relacionada à mudança de ambiente e à transição para um novo estilo de vida.

Com a disponibilidade de alimentos, muitos universitários do interior podem estar habituados a uma dieta baseada em alimentos frescos e locais, que podem não estar disponíveis gratuitamente na cidade. Isso pode levar a uma diminuição na qualidade nutricional de suas refeições.

As restrições orçamentárias podem levar a uma diminuição da qualidade da alimentação, já que os produtos alimentícios mais saudáveis – frescos e orgânicos – podem ser mais caros nas metrópoles.. A necessidade de equilibrar custo e qualidade nutricional pode ser um desafio, levando a escolhas alimentares menos saudáveis.

A vida universitária muitas vezes é agitada também. Aulas, trabalhos, estudos e atividades extracurriculares, tudo junto leva a falta de tempo e pode levar os estudantes a optarem por refeições rápidas e processadas em detrimento de opções mais saudáveis.

Por ter o conhecimento nutricional limitado sobre nutrição, alguns estudantes – do interior ou não – podem não saber o preparo de refeições saudáveis. A falta de habilidades culinárias e de informação nutricional pode dificultar a tomada de decisões alimentares adequadas.

Outro ponto de cuidado é a pressão dos colegas e o ambiente social, que podem influenciar as escolhas alimentares dos universitários. Festas, lanches rápidos e refeições fora de casa podem ser tentadores, mas nem sempre são saudáveis.Muitos estudantes que se mudam para a cidade, por exemplo, podem vir a morar em dormitórios ou apartamentos compartilhados com cozinhas limitadas, ou sem acesso a elas, o que pode dificultar o preparo de refeições domésticas.

Superando as dificuldades nutricionais

Para superar essas dificuldades, os universitários do interior podem se beneficiar de planejamento e educação nutricional, como aprender a cozinhar refeições saudáveis, fazer compras econômicas e conscientes e aproveitar os recursos disponíveis, como refeitórios da universidade, grupos de alimentação saudável e programas de orientação nutricional . Além disso, é importante lembrar que equilibrar uma dieta saudável com a vida universitária é possível com o tempo e o esforço adequado.

nutricionista Shellen Pollyanna
Nutricionista Shellen Pollyanna ( acervo pessoal )

Para tirar algumas dúvidas referente às questões nutricionais na vida do universitário, conversamos com a nutricionista Shellen Pollyanna, Pós graduada em nutrição aplicada à estética e Pós graduada em clínica e hospitalar na faculdade Santa Casa sobre o tema.

Quais são os principais obstáculos que os universitários do interior enfrentam ao tentar manter uma alimentação saudável na cidade?
Acho que a principal dificuldade é a falta de tempo em preparar os lanches e demais refeições.

Como a falta de acesso a alimentos frescos e saudáveis ​​na cidade pode afetar a dieta dos universitários que vêm do interior?
Discordo, pois o acesso a alimentos frescos e saudáveis muitas vezes está nas cantinas das faculdades. Só precisa de um olhar mais crítico do estudante.

Quais são as opções de refeições disponíveis no campus da universidade e nos arredores?
Tem na maioria das faculdades saladas de frutas disponíveis para estudantes. Nos arredores, muitas vezes, tem espetinhos de carne. Outras vezes refeições completas. Muitas faculdades têm food trucks com opções de macarrão.

Isso influenciou a escolha alimentar dos estudantes?
Não sei dizer. Mas fato é que, na maioria das vezes, é falta de conhecimento a respeito da alimentação ser saudável ou não.

Como a mudança de horários devido às aulas e atividades extracurriculares afeta os hábitos alimentares dos universitários?
Aí, sim, pode afetar, mas também pode ser adequada a realidade de cada um. Lembro que quando estava na faculdade, chegava em casa meia-noite e fazia ceia.

Falta de tempo para cozinhar em casa afeta a qualidade da alimentação dos estudantes? Quais alternativas eles têm para fazer refeições saudáveis ​​de forma conveniente?
Já citei os food trucks acima, que seria uma opção mais adequada do que alimentos muito processados. Além de fazer melhores opções.

Como os custos associados à alimentação na cidade afetam uma dieta equilibrada?
Os custos realmente são altos se não houver um planejamento. Mas se organizar, o custo pode ser muito baixo. Visto que uma alimentação saudável não precisa ser cara, com alimentos simples de sacolão.

A adaptação a uma nova cultura alimentar na cidade é um desafio para as faculdades do interior? Como isso pode influenciar suas escolhas alimentares?
As escolhas devem ser pautadas por conhecimento em educação nutricional. Deve-se conhecer os alimentos, saber o que é bom e diferenciar os objetivos. Não acho que o problema seja de lugar, interior, cidade, não seja também da oferta da faculdade. Acho que o problema é justamente a falta de educação nutricional que recebem desde a infância, passando pela educação nas escolas. Uma alimentação saudável é simples e funciona muito para suprir deficiências nutricionais de estudantes de todas as idades. Agora a escolha do estudante é que leva a demanda do mercado. E opções tem várias.

É importante destacar que a escolha entre uma alimentação saudável e não saudável não se limita apenas aos aspectos físicos da saúde, mas também afeta a saúde mental e a qualidade de vida. Uma dieta equilibrada pode aumentar a energia, melhorar o humor e reduzir o risco de depressão e ansiedade, enquanto uma dieta não saudável pode ter o efeito oposto.

Portanto, a conscientização sobre os benefícios de uma alimentação saudável e os riscos associados à alimentação não saudável desempenha um papel crucial na promoção da saúde e não está bem a longo prazo. Fazer escolhas alimentares sábias e equilibradas é um passo importante na direção de uma vida mais saudável e plena.

Em resumo, a escolha entre uma alimentação saudável e uma alimentação não saudável desempenha um papel crucial em nossa saúde e bem-estar. Optar por uma alimentação equilibrada e rica em nutrientes é fundamental para manter um estilo de vida saudável e prevenir uma série de problemas de saúde.

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Por Júlia Garcia

O fim de semana em Belo Horizonte está repleto de eventos para todos os gostos. Confira hoje a agenda que o Contramão separou para você curtir o final de semana.

Para você que curte o carnaval fechado, o Carnaval do Mirante e o We Love Carnaval se reuniram para realizar esse grande encontro dos gigantes de beagá no “Carnaval dos Sonhos”.

De hoje, até o dia 13 de fevereiro, a capital mineira vai receber diversos artistas que prometem alegrar mais ainda o carnaval. Se liga nas atrações:

Carnaval dos Sonhos

Hoje, sexta-feira, o evento recebe o Baile do Dennis e o cantor L7nnon.

No sábado, o show fica por conta de Ludmilla, Pedro Sampaio e Gustavo Mioto.

No domingo, quem comanda a festa é a dupla Jorge e Mateus e o cantor Saulo.

Segundou e quem se apresenta é Wesley Safadão, Sorriso Maroto e Kâshi (Kvsh).

E, no último dia, o palco é comandado por Ivete Sangalo e Tuca Fernandes.

Hoje, o evento começa às 19h. Nos demais dias, a partir das 16h. O Carnaval dos Sonhos acontece no Mirante Beagá. Os ingressos estão disponíveis através do site carnavaldossonhos.com.br

Blocos de rua

E para você que curte o carnaval aberto, com os blocos de rua, se prepare, pois tem várias opções, para todos os gostos.

Hoje, sexta-feira, você pode curtir o Bloco Viaduto Trance, a partir das 17h.

No sábado, bem cedinho, o Então Brilha abre o carnaval, a partir das 5h. 

E ainda no sábado, a partir das 9h, você pode acompanhar o Quando Come Se Lambuza.

No domingo, a partir das 7h, você pode curtir o bloco Abalô-Caxi. E ainda no domingo, às 9h, acontece o Beiço do Wando.

Na segunda, o Baianas Ozadas inicia o dia  a partir das 8h. Às 9h da manhã você pode acompanhar o Corte Devassa.

E na terça-feira, último dia, 8h da manhã acontece o Juventude Bronzeada. E as 10h da manhã, você pode curtir o bloco Funk You.

Serão mais de 500 blocos, para todos os gostos. Para conferir a programação, basta acessar Portal Belo Horizonte

Beba bastante água, se lembre que não é não, use proteção e não se esqueça do brilho!

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Por Ana Clara Souza

A minha relação com o meu corpo físico sempre foi muitas coisas. É difícil resumir 24 anos de uma relação tóxica em uma só palavra além de ‘tóxica’, mas, é tudo, menos confortável. 

Sempre ouvi dizer que temos que sair do conforto e experimentar coisas novas. Neste caso, o incansável desconforto poderia dar uma trégua, afinal, a calmaria cairia muito bem em nossa relação. 

É Carnaval. A Prefeitura de Belo Horizonte anunciou o melhor e maior de todos os Carnavais. Os jornais e sites de entretenimento lotam as páginas digitais e físicas de  inúmeras matérias, notícias, dicas e reportagens sobre como aproveitar a festa, que é a cara do Brasil, da melhor forma. Depois de dois anos reclusa pela pandemia da COVID-19, eu e meu corpo não nos preparamos para estar na melhor forma para carnavalizar, mas nós iríamos todos os dias. Estávamos muitíssimos animados. Só não imaginávamos que uma parte de nós não éramos a favor de passar cinco dias na folia, minhas coxas. 

Vou chamá-las de ‘Furibundas’ – que é sinônimo de irritadas, e é um nome bem cômico, como nosso vínculo. 

Desde sempre, elas foram alvos de comentários e censuras. Acredito eu que elas queriam ser assim, normais do jeitinho que são, mas com o passar dos anos e os padrões que a mídia impõe, as Furibundas foram se sentindo diferentes do comum, mesmo sendo comum ter corpos diferentes. 

Elas não são muito fortes visualmente falando, mas acho que elas sustentam muitas coisas. Primeiro, elas abrigam o maior osso humano, o fêmur, e aguentam muitas críticas. As minhas, no caso, sempre foram muito criticadas.

Elas são grossas, lotadas de celulites, estrias e gostosuras. Há quem diga que elas são lindas e fartas, outros, que elas são exageradas, há quem deseja a ponto de tocá-las, há quem goste, há quem não goste… o fato é que, mesmo envergonhadas, elas iriam aparecer em todos os dias de carnaval. 

É 4h30 da manhã e elas se despertam de um sono de três horas. Mesmo exaustas, elas teriam que cumprir com o combinado de se esbaldar no famoso bloco belorizontino, ‘Então Brilha’. Só que nada brilhou. Inventei de decorá-las com uma fatídica meia-arrastão, o que não foi uma boa ideia, mas estava a caráter. Saímos.

Eram 6h da manhã e, até agora, eu e as furibundas se locomoviam de carro. Às 6h15, minhas coxas e as das minhas amigas resolvem começar o trajeto de mais ou menos dois quilômetros até o bloco, a pé. Não tinha dado nem 10min e comecei a perceber que a meia-arrastão não tinha sido uma boa ideia para o primeiro dia. Estressadas, as furibundas me pedem cuidado, como se fosse um cigarro para acalmar, e então, resolvi andar um pouco mais devagar. Fiquei dosando o que era confortável para as nervosinhas e tentei não ficar para trás, pois as coxas magras das minhas amigas estavam apressadas. 

Dá 12h, e as furibundas estão em um estado de estresse que fazia tempos que não presenciava. Escuras e vermelhas, lotadas de calombinhos pelo atrito e umas bolinhas como se fosse uma espinhazinha que incomoda, agora, elas pediam não só um cigarro, mas um maço. Eu ignorei. Como havia passado um grande período em casa, eu posterguei o ato que elas poderiam se irritar. Também esqueci que eram rancorosas. 

Peguei um bocado de hidratante de pele, afastei a meia e como tentativa de conciliação, “lambrequei” as coxas de hidratante. Ufa, elas fumaram e se acalmaram por cinco minutos! Se expressassem com palavras, eu imaginaria que estavam me xingando com todos os tipos de palavras ofensivas do mundo. Eram idênticas às viciadas em drogas. Passava mais hidratante e mesmo parada elas berravam com muito rancor por mais e mais.

Passei o resto do dia andando devagar e reclamando. Acho que aquele ditado “me diga com quem tu andas que direi quem tu és”, se fez jus. Eu estava estressada e sedenta para ir embora, assim como as coxas estavam por uma pomada de assadura.

No outro dia, eu não estava disposta a desistir do Carnaval de belô pelas minhas coxas. Super “compreendia”, acreditando que elas entenderiam que era apenas uma fase e que logo iria passar. Já que estavam estressadas, ardidas e com escoriações, o que seria mais quatro dias de Carnaval?

Elas não foram compreensivas. No terceiro dia eu cogitei o ato de não comparecer em nenhum bloquinho do quarto, tudo por conta das rancorosas furibundas.

Não tinha muito o que fazer. Eu, mais uma vez, teria de ser tóxica com elas. E fui. Já se passaram nove meses desde o Carnaval e eu continuo sendo. Imagine uma pessoa muito chata. Imagine ela te irritando. Agora, tente imaginar o porquê dela ser assim. 

Pode parecer sem sentido, mas nessa altura do campeonato você já deve perceber que somos moldados de acordo com os acontecimentos da vida. Quando proponho você a usar imaginação para ter empatia com o outro, é na tentativa de aproximar o que senti e o porquê eu mudei os meus pensamentos em relação às furibundas.

Elas nunca tiveram paz. Sempre foram alvo de sofrimento. Já se cobriram de calças extremamente apertadas, constantemente sofrem por atritos… E eu nunca parei de abusar da boa vontade delas. Hoje, entendo a irritação delas no Carnaval. 

Outro dia, resolvi sair da aula de dança e andar até minha casa com um short totalmente desconfortável para as furibundas, não bastava para mim a ocorrência de 3h usando-as de forma ferrenha, queria abusar. Resultado: tivemos uma briga. Dessa vez, a briga foi tão feia, que nem quando quis cuidar delas, tive retorno. Elas ardiam por tudo. Como ser graciosa assim?

Entendi que tinha sido rude. Na tentativa de ser mais compreensiva, estou tentando ser empática com elas. Até comprei um hidratante específico, agora, elas estão mansinhas.

Continuando, lá no Carnaval, no quinto e último dia, elas já nem tentavam dialogar comigo. Parecia que tinham entendido que estavam destinadas a sofrer. A questão nem era mais a comparação com outras coxas, elas queriam, apenas, aproveitar sem sofrimento. 

Infelizmente, não foi possível. Consternadas, coxas grandes parecem não poder ter divertimento e estilo sem dor. Mesmo na tentativa de confortá-las no último dia, a situação estava drástica. Com shorts maiores ou com shorts curtos, elas iriam mostrar que não estavam felizes com a situação que as coloquei. 

É legitimamente possível que em pleno século XXI, em 2023, não existam soluções válidas para acabar com a irritação das furibundas? Reduzir as coxas é a única alternativa?

O verbo reduzir é doloroso. Se reduzo as furibundas, tenho a impressão que sintetizo toda uma estrutura dos meus ancestrais, negros e latinos, que contam em seus corpos que somos lindos assim, com coxas fartas e fortes. Mas esse é o ponto. Não existem possibilidades para furibundas grossas, pois o capitalismo criou um mecanismo seletivo onde não quer que elas sejam aceitas, nem no carnaval e nem em outras épocas do ano. Isso reverbera de tantas formas dentro de mim que desconto nelas, minhas coxas. Elas são furibundas não é à toa, e eu compreendi.

Seguimos tendo uma relação desconfortável.

Já é Carnaval, cidade!

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Desde o dia 27 de janeiro, até 18 de fevereiro, é Carnaval em Belo Horizonte, o maior da história. Os números impressionam a cada ano que passa

Por Gustavo Meira

Com investimento de R$35 milhões da Prefeitura de Belo Horizonte, a programação extensa contará com mais de 500 cortejos, que sairão das nove regiões da cidade. A expectativa é que 5,5 milhões de foliões curtam a festa na capital esbanjando alegria, música e diversidade. Em 2023, foram 5,25 milhões, sendo 226 mil turistas, e uma movimentação financeira de R$720 milhões.

Multidão de foliões na Av. Afonso Pena, Carnaval 2019. Foto: PBH.

A expectativa é que o Carnaval da capital gere 50 mil empregos, um crescimento de 20% em comparação ao último ano. 2024 teve recorde em cadastro de ambulantes para trabalhar na folia, foram 20.899, o maior da história. O aumento foi de 29% em comparação com 2023, quando 16.117 foram cadastrados.  

O Estado de Minas Gerais espera receber 12,1 milhões de foliões e turistas, sendo 6,6 milhões no interior e o restante na capital. Segundo projeção da Secretária de Estado de Cultura e Turismo (Secult), o Carnaval deste ano deve movimentar R$ 1,8 bilhão no Estado, 20% a mais do que em 2023. 

Planejamento Carnaval de Belo Horizonte

Na semana do início do período de carnaval, a Prefeitura de Belo Horizonte apresentou a imprensa o planejamento estratégico para o Carnaval deste ano, confira:

Prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman, durante coletiva. Foto: Adão de Souza.
Segurança

No quesito segurança, a Prefeitura de Belo Horizonte contará com o apoio de todo o efetivo da Polícia Militar de Minas Gerais, além do apoio de militares do interior, incluindo batalhões de choque, cavalaria e Rotam. “Nossa preparação já começa no pós-carnaval, com treinamentos específicos da tropa, com o objetivo de reduzir sempre nosso uso de força.’’ É o que disse o coronel Micale Henrique Dias, da PMMG. A Guarda Municipal também estará fazendo a patrulha e contará com guardas fluentes em inglês e espanhol para estrangeiros. 

Mobilidade

Para melhor mobilidade, faixas para orientação dos foliões e motoristas estarão espalhadas pela cidade. No centro da capital, linhas de ônibus vão funcionar com trajetos, horários e pontos de embarque e desembarque especiais. As informações serão disponibilizadas nos aplicativos BHBUS+, Movit, SIUMOBILE e outros. O metrô de BH funcionará das 5h15 às 23h nos dias da folia. Aplicativos de trânsito como Waze e Google Maps, vão informar os locais com interdições e sugerir desvios. Por volta de 400 agentes da BHTrans estarão atuando diariamente durante o Carnaval.

Limpeza

A Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) implantará um esquema especial de limpeza, com cerca de 1.450 garis atuando exclusivamente nos locais da folia. É recomendado que o folião evite levar bebidas em recipientes de vidro, e opte por latinhas ou copos plásticos. Além de urinar nos banheiros químicos, e não na rua. 

Saúde

Cerca de 1 milhão de preservativos serão distribuídos durante a folia para evitar as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Testes rápidos para diagnóstico de HIV, sífilis e hepatites B e C também serão oferecidos ao folião. Dois Postos Médicos Avançados (PMAs) funcionarão 24 horas, do dia 9 até o dia 14. Centro de Referência das Juventudes – Rua Guaicurus, 50 – Centro, e na UPA Centro-Sul – na Rua Domingos Vieira, 488 – Santa Efigênia.

Zap Folia

A Prefeitura de Belo Horizonte reativará o Zap Folia, canal de atendimento pelo WhatsApp da Ouvidoria, para o Carnaval deste ano. O canal estará disponível 24 horas por dia, entre 27 de janeiro e 19 de fevereiro, pelo número 98661-2416. O folião terá acesso a informações sobre blocos de rua e escolas de samba, transporte público, trânsito e banheiros químicos, entre outros.

O Carnaval de Belo Horizonte 2024 tem o patrocínio do Governo do Estado de Minas Gerais, por meio da Codemge, Sistema Fecomércio-MG, Sesc e Senac em Minas e Sindicatos Empresariais e colaboração da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) e da rede de supermercados Mart Minas.

Saiba qual fantasia usar na folia!

 

Por Júlia Garcia 

O fim de semana em Belo Horizonte está repleto de eventos para todos os gostos. Confira hoje a agenda que o Contramão separou para você curtir o final de semana.

Sexta

E o final de semana começa com o premiado espetáculo “Elis, A Musical”. Visto por mais de 300.000 espectadores, o espetáculo volta aos palcos em uma edição comemorativa de 10 anos. O musical, que é sucesso de bilheteria, promete emocionar, mais uma vez, os espectadores, recriando os momentos mais marcantes da carreira e trajetória pessoal da cantora gaúcha e apresentando mais de 50 obras musicais que se tornaram grandes sucessos na voz da artista. A peça será apresentada no Teatro SESC Palladium, nos dias 2 e 3 de fevereiro. Os últimos ingressos estão disponíveis na Sympla.

Sábado

A contagem regressiva pro carnaval está quase no fim! E neste sábado, o desfile fica por conta de um dos blocos mais tradicionais da capital mineira, a Banda Mole. O tema desta edição, foi pensado para conscientizar a população, sobre a preservação da natureza, sustentabilidade e responsabilidade ambiental. Além disso, o desfile conta com várias atrações, como os blocos Baianas Ozadas e Funk You e o artista Alexandre Nero. A partir das 13h, a Banda Mole vai ocupar o trecho da Avenida Afonso Pena, entre as ruas da Bahia e Guajajaras. A participação é gratuita!

Domingo

E o ritmo de carnaval continua no domingo. A gente encerra o fim de semana com o Bloquinho da Ana Castela. A cantora mais ouvida no Brasil em 2023, chega na capital mineira com o lançamento desse projeto inédito. Além de Ana Castela, o Pré Carnaval dos Sonhos vai contar com Thiago Carvalho, Baianeiros e Baile do Maguá. Serão horas de muita música, brilho e folia. E o Bloquinho da Ana Castela acontece no Mirante Beagá, a partir das 15h. Para garantir seu ingresso, basta acessar a Sympla.

Confira um dos eventos que vão acontecer em Belo Horizonte.

Por Júlia Garcia

O carnaval, festa típica brasileira, reúne diversos foliões nas ruas. São quatro dias de celebrações, desfiles e diversão. Muitos que optam participar deste momento, se impregnam de brilhos, apetrechos e objetos carnavalescos. Fantasias também são muito usadas neste período, elas permitem que no momento do carnaval, as pessoas possam trocar de papéis, fazer alguma homenagem e até mesmo  protestar. Mas, nem todas essas fantasias são bem-vindas. Isso porque muitos reforçam estereótipos completamente racistas e apaga a luta cotidiana da população negra.  

“Mulheres negras concentram 60% dos casos de racismo e injúria racial pela internet no Brasil”

Para começar, vamos fazer um exercício básico. É provável que você já tenha visto durante os blocos de carnaval, algum rosto pintado de preto, peruca bagunçada e roupas cafonas. Lembrou de algum?! Pois então, a famosa “nega maluca”, como dizem por aí, é uma das “fantasias” mais preconceituosas que existem. Ela atrela as mulheres negras o estereótipo de raivosa, escandalosa, mal vestida e mal cuidada.

De acordo com uma pesquisa da Faculdade Baiana de Direito, Jus Brasil e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), as mulheres negras concentram 60% dos casos de racismo e injúria racial pela internet no Brasil. Mas, mesmo assim, muitos – maioria são homens cis brancos – usam de estereótipos discriminatórios para sua própria diversão.  É bizarro pensar que essa atitude racista e cruel tenha virado brincadeira, enquanto mulheres negras sofrem diariamente com o preconceito e o abandono.

Outro ponto importante a ser mencionado, é o blackface. Do inglês, black, “negro” e face, “rosto”, a prática vai muito além da pintura da pele. Foi iniciado por volta de 1830, nos Estados Unidos, em meio ao período de transição entre escravidão e abolição da escravatura. No século XIX, atores brancos pintavam os rostos de preto em espetáculos humorísticos, se comportando de forma exagerada para ilustrar comportamentos que os brancos associavam aos negros. As pessoas negras eram ridicularizadas para o entretenimento de brancos.

“Casos de racismo cresceram 67%, e os de injúria aumentaram 32,3% entre os anos de 2021 e 2022”

Segundo a 17ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, os casos de racismo cresceram 67%, e os de injúria aumentaram 32,3% entre os anos de 2021 e 2022. Mas porque é tão divertido pintar seu rosto branco e privilegiado, para ridicularizar pessoas que sofrem diariamente com a discriminação racial? Até hoje a população negra é usada para o divertimento dos brancos.

Em 2022 o Brasil registrou 47.508 mortes violentas intencionais, como aponta o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. 76,5% dos mortos eram negros! O documento ainda afirma que  “Negros são o principal grupo vitimado pela violência independente da ocorrência registrada, e chegam a 83,1% das vítimas de intervenções policiais”. 

Curta, mas com consciência e respeito

O carnaval é um momento para celebrar e se divertir, mas também é importante se conscientizar. Quando o humor fere e reprime o outro, ele deixa de ser engraçado. Recentemente a Rede de Observatórios da Segurança divulgou que uma pessoa negra foi morta pela polícia a cada 4 horas em 2022. Mesmo com todos esses dados elevados e preocupantes, você ainda vai querer ridicularizar pessoas negras para suprir sua carência e pagar de “engraçadão”? Revise seus conceitos. Curta, mas com consciência e respeito!

Confira o quiz sobre qual fantasia você deve usar no carnaval.