Page 384

O prédio que abrigava o antigo hospital São Tarcísio está sendo reformado e passará a ser endereço do novo Centro de Arte Popular de Belo Horizonte.

A região da Praça da Liberdade, Savassi e entorno, abriga os espaços mais sofisticados da cidade e é vista por muitos belo-horizontinos como área reservada às classes alta e médio-alta, nesse sentido, a criação de um centro de arte popular nessa região cria um contraste social e rompe com o estereótipo de que a região é reservada para “gente rica”.

“Privilegiar a riqueza e a diversidade das manifestações culturais populares, valorizando o trabalho dos artistas que traduzem no barro, na madeira e em outros materiais, o universo em que vivem. O público poderá conhecer obras de artistas de várias regiões do Estado, como o Vale do Jequitinhonha. Com uso de recursos interativos e audiovisuais, o espaço dará ao visitante uma dimensão mais ampla da cultura mineira.” informa a assessoria de imprensa da Secretária de Cultura de Belo Horizonte sobre a proposta de utilização do espaço. “As obras na rua Gonçalves Dias n º 1608 no bairro Lourdes vêm sendo acompanhadas pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e artístico de Minas Gerais (IEPHA/MG) por ser um patrimônio tombado, mas as propostas culturais para o espaço ficam a cargo da Secretária de Cultura” informa a assessoria de imprensa do IEPHA. A assessoria diz ainda que o projeto arquitetônico do local prevê mudanças e ampliações, mas a arquitetura antiga da fachada será preservada.

dsc_0019Sendo um dos projetos do Circuito Cultural, a obra está prevista para terminar no segundo semestre de 2010 é e fruto da parceria da Cemig com o Governo de Minas, o investimento é de R$ 6 milhões e a torcida é que esse seja um espaço que contribuía para inclusão social, agregando o valor á arte popular, diminuindo a diferença e conseqüentemente a desigualdade social.

Por: Danielle Pinheiro

Fotos: Danielle Pinheiro

Quem nunca viu nos sinais, nas ruas, em festas e bares um objeto parecido com uma bola de cristal, que conduzida pelas mãos de um malabarista parece flutuar? Leve e delicada, a bolinha de contato atrai olhares e a curiosidade das pessoas.

Desenvolvida na década de 80, a Contact Juggling ou Bola de Contato, é a arte de movimentar esferas, mantendo contato com diversos pontos do corpo. Wanderson Bispo, 20, encanta nos sinais há 2 anos. Nascido em Sergipe, vindo do Rio Grande do Norte, Bispo vive da arte nas ruas. Começou a treinar contato com uma laranja, sob influência dos amigos. Já dominava a arte de malabares com claves, mas o contato foi uma novidade. “Cada dia a gente aprende um pouco mais. Nas ruas, conhecendo pessoas, a gente vai aperfeiçoando a técnica”, conta o malabarista.

Uma das críticas sempre feitas pelos artistas de rua à população, diz respeito à aceitação. Muitas vezes, o que é visto como arte por alguns, é ignorado por outros. “Nunca me importei com o preconceito. As pessoas perguntavam se eu não queria trabalhar de carteira assinada e sempre tive certeza da minha escolha”, diz Bispo.

Mesmo com as dificuldades encontradas, Bispo consegue ainda tirar sorrisos do rosto das pessoas. “Às vezes as pessoas param aqui no sinal, depois de um dia cheio e ao ver a leveza do contato, percebem que a vida também pode ser leve”, conclui o malabarista.

Confira o vídeo com a performace do malabarista Bispo.

Por: Débora Gomes

Foto: Camila Sol

Belo Horizonte começa a entrar em clima de Copa do Mundo. A 23 dias da abertura do evento que movimenta o mundo inteiro, alguns estabelecimentos já preparam os enfeites verdes a amarelos, incentivando os brasileiros a vestir as cores do seu país.

O ambulante Geraldo Silva, 42, vende bandeiras de times de futebol. Há um mês, começou a vender bandeiras do Brasil em diversos sinais e esquinas de Belo Horizonte. Mesmo faltando ainda alguns dias para a copa, Silva afirma que as vendas estão crescendo cada dia mais. “Optei por vender bandeiras da seleção por causa da Copa e vejo hoje que não foi um mau negócio”, explica o comerciante.

As lojas de roupas e tecidos também se preparam para atender os clientes. Com um estoque grande de bolsas e camisas de diversos modelos, procurando atender a todos os gostos, várias lojas na Rua Cristovão Colombo enfeitam suas vitrines com as cores do Brasil. A vendedora Cláudia Ferrer, diz que a procura por artigos para a Copa iniciou há mais de um mês. “Época da Copa é muito Brasil”, conta a vendedora, ressaltando ainda que num prazo de 15 dias, Belo Horizonte receberá uma loja especializada da Copa, com acessórios, blusas, bolsas, vestidos, perucas, tudo para incentivar e incrementar a torcida mineira.

Os bares e padarias também entraram no clima do futebol. Comidas típicas do Brasil e os tradicionais enfeites verdes e amarelos chamam a atenção dos clientes. A estudante Marina Alves, 16, acha interessante a iniciativa dos estabelecimentos: “É bom, porque não tem jeito de esquecer a Copa. Vem comprar um pão na padaria e logo já vê tudo verde e amarelo”. Além dos enfeites, alguns estabelecimentos aderiram também a uniformes, comprovando que Belo Horizonte está atenta na torcida pela seleção brasileira na Copa 2010.

dsc_0141

dsc_0140

dsc_0142

Por: Débora Gomes

Fotos: Débora Gomes e Natália Oliveira

1 964

Quando o “louco” tem espaço para se expressar, as pessoas dão credibilidade ao que ele está falando? Na maioria das vezes ninguém perde tempo escutando o que uma pessoa portadora de sofrimento mental tem a falar, pois muitos na sociedade já tem um preconceito e acreditam que o doente mental não segue uma linha de raciocínio que qualquer pessoa ‘normal’ teria. Porém no dia 18 de maio essa situação muda um pouco.


A Praça Sete parou na tarde desta terça- feira. Usuários, familiares, trabalhadores da saúde mental, parceiros e amigos ocuparam a rua Afonso Pena para o desfile da Escola de Samba Liberdade Ainda que Tan Tan, em defesa na luta antimanicomial. Esse dia é muito especial para os portadores de sofrimento mental, pois pela décima quarta vez eles ganharam as ruas da cidade e mostraram que estão presentes na sociedade, e que são capazes de levar uma vida social.

A terapeuta ocupacional Priscila Andrade explica que o tema escolhido para o desfile deste ano, ‘Solidariedade: Há em ti, há em mim’, faz uma alusão à tragédia que ocorreu no Haiti, tendo em vista que a sociedade também se balançou, tornando-se mais solidária frente ao sofrimento da população haitiana. O desfile foi dividido em alas, cada uma com um subtema diferente.

A primeira ala “Me empresta tudo que resta que lhe devolvo sonhos de sobra” representa a solidariedade. A segunda, “Libertar-te da dor, encontrar-te com a cor”, faz uma referência a Semana da Arte Moderna de 1922, explorando a experiência dos delírios e alucinações. A terceira ala veio com um grande balão e as crianças, no bloco “Todas elas cabem no nosso balão”. Já a quarta ala, “O balanço da loucura aterremota a ditadura da razão”, representa os movimentos sociais, compreendidos como placas tectônicas que se movimentam, numa destruição de constrói algo novo, aludindo ao terremoto no Haiti. A quinta ala “Que mentira é essa? Quem me tira dessa?” denunciou as mentiras no âmbito da saúde. E a última ala “Basaglia viu e anunciou, Bispo luziu quando endoidou” conta a história da reforma psiquiátrica.

O desfile contou com a presença de três trios elétricos, alas fantasiadas representadas por cada CERSAM regional, escola de samba, rainha de bateria e muita alegria, música e samba no pé. O movimento buscou, mais uma vez, a evolução na luta política pelos seus direitos, entre eles o de se expressar perante a sociedade, e conseguiram muito bem. Trouxeram para a avenida o samba enredo produzido pelos próprios portadores de sofrimento metal.


História da Luta Antimanicomial

Em 1993, aconteceu o I Encontro Nacional do Movimento da luta Antimanicomial, em Salvador – BA, tema como lema “O Movimento Antimanicomial como movimento social”. Esse evento reafirma princípios básicos da identidade do Movimento, como a independência do aparelho de estado, compromisso de transformação social, luta por uma sociedade sem manicômios e caráter não partidário. E também debates sobre diagnósticos do portador de sofrimento mental, as possibilidades de novos tipos de tratamentos terapêuticos e progressos dos direitos. Sendo assim surge o CERSAM – Centro de Referência em Saúde Mental. Centros como este estão presentes em vários pontos da nossa cidade, buscando tratar de forma humana, os doentes que chegam para serem atendidos. Esses Centros realizam tratamentos que possibilitem o portador de sofrimento mental, possa ser reintegrado na sociedade e levar uma vida “normal”. Opondo-se aos manicômios e a maneira agressiva que em alguns lugares tratam os doentes.

dsc_0062

dsc_0066

dsc_0075

dsc_0080

dsc_0091

dsc_0098

dsc_0100

dsc_0114

dsc_0119

dsc_0123

Por: João Marcelo Siqueira e Débora Gomes

Fotos: Débora Gomes


Sabor, simpatia e aroma conquistam estudantes, trabalhadores e moradores da região da Savassi. Todos os dias pela manhã o senhor Antônio Carlos Panicali, 62, monta seu carrinho de cachorro quente na rua Pernambuco, esquina com a praça Diogo de Vasconcelos.

Com queijo, molho de tomate, salsicha, passas, milho e salada, o cachorro quente Panicali é a sensação da Savassi desde 1979. Antônio Carlos viu um casarão virar estacionamento e de estacionamento se transformar num prédio que abriga hoje uma das maiores centrais de FAST FOOD do mundo.

O seu ponto é bem ao lado Mcdonald’s. Antonio, afirma que mesmo tendo como concorrente direto o Mcdonalds, não existe perda no seu faturamento, pois “existe lugar para todos” e permanece conquistando mais clientes a cada dia, garantindo o sucesso do seu comercio, fazendo do carrinho de cachorro quente o mais conhecido da região.

Traçando um perfil de seus clientes, diz que a maioria vem no horário noturno, principalmente os que saem das boates, já sem dinheiro e com fome, vêem no lanche que ele comercializa uma alternativa.

Panicali trabalha neste local há 41 anos e com muita dedicação conseguiu formar seus 3 filhos: Advogado, Professora de Historia e Turismologa. O vendedor ambulante declara “Eu nunca quis mudar de profissão, formei 3 filhos vendendo pão com salsicha”.

Panicali preza a boa educação, a que ele diz ter que “vir do berço”, faz questão de ser cumprimentado sempre por bom dia ou boa tarde, seja a pessoa um cliente, um amigo ou simples pedestre pedindo informação, já que diz não fazer distinção entre as pessoas. Diz que atualmente o costume de ser gentil está caindo em desuso e lamenta esse fato.  “Minha universidade foi aqui na rua, aprendendo a lidar com as pessoas, a ser educado e tratar bem todos, isso não depende do diploma que você tem, mas depende da sua boa educação”.

O vendedor ambulante gasta cerca de R$ 1, 500.00 ao ano em licença para a prefeitura, saúde publica e Bhtrans, declara sorridente que o seu gasto é valido e tem retorno financeiro e que trabalha com satisfação.

Cachorro Quente com gosto de conquista

dsc_0016

Por: Iara Fonseca e Danielle Pinheiro

Fotos: Danielle Pinheiro

A gincana “Ativa Urbana” promovida pelo Grupo Alvo da Mocidade, deixou a Praça da Liberdade com cara de praia. Pranchas de surf, guarda-sol, cadeiras de praia, frescobol e centenas de jovens muito animados integravam este cenário praiano.

Na gincana, oito equipes de jovens, a maioria de 13 a 17 anos, foram divididas por cores e nomes e participam de provas e prendas. O evento acontece uma vez por ano, sempre no mês de maio. Nos quatro sábados do mês eles se reúnem no pátio do colégio Promove no bairro Mangabeiras para as provas esportivas como, queimada, futebol, rouba-bandeira e outros jogos.

O estudante Giovani Rodrigues, 15, participa do grupo há cinco anos. Ele os conheceu através do padrasto que participava quando jovem e do irmão mais velho, que o levou um dia ao encontro do grupo. Segundo ele, participar da gincana ensina valores como, amar ao próximo e aproveitar a vida de forma saudável. “(…) também por causa das amizades que faço” conta Rodrigues que estuda no colégio Mendes Pimentel atrás do Minas Shopping.

Lucas Vinícius de Oliveira, 22, é programador do evento e conta que outra prova da gincana é o protesto “Já que Minas não tem mar, eu vou criar”. Alguns jovens usam roupas de banho, outros incorporam personagens como, vendedores de canga e churrasquinho, surfistas e até um cachorro fantasiado com barbatana de tubarão brincava com os jovens. “A nossa ideia é trazer mais jovens para o grupo”, relata Oliveira.

O Grupo

A idéia partiu de um grupo chamado ‘Alvo da Mocidade’, que teve origem nos Estados Unidos e atua pelo Brasil inteiro. Hoje, eles não têm nenhum vínculo com o grupo americano e existe em Belo Horizonte há mais de 33 anos. O grupo ajuda jovens em todos os aspectos de sua vida: emocional, física, social e espiritual. Apesar de não terem nenhum vínculo com alguma religião, a missão do Grupo Alvo é apresentar a mensagem de Jesus Cristo para os adolescentes e ajudá-los a crescerem na fé. Até a última contagem, havia 309 jovens participando da gincana nesta tarde.

Alvo da Mocidade está presente em Brasília, Belo Horizonte, Campinas, Ribeirão Preto, Nova Lima, São José do Rio Preto e São Paulo.

imagem-008imagem-017imagem-021

Por  Daniella Lages
Fotos: Daniella Lages, Marcus Ramos
Vídeo: Marcus Ramos