O Peso do Chumbo

O Peso do Chumbo

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Agora em 2014 completam-se 50 anos do período mais obscuro da história do Brasil: a Ditadura Militar. O regime ditatorial, que foi instaurado em 31 de março de 1964, quando o então presidente João Goulart foi deposto por um golpe militar, cassou os direitos civis abrindo o estado de exceção.
Foi uma época em que o regime militar se permitiu prender, torturar e inclusive matar aos que se opusessem aos interesses do governo. Cinco décadas depois, o cenário político e social do Brasil torna necessário relembrar o real significado dos “Anos de chumbo”.

MALDIÇÕES HERDADAS

O fim da ditadura no Brasil não se deu como em outros países da América Latina, como Chile e Uruguai, por exemplo, onde os ditadores foram derrotados nas urnas, após convocarem plebiscitos. O que ocorreu no Brasil foi um processo de transição “lenta, gradual e segura”, como afirmou o último presidente militar, Ernesto Geisel. Com isso, a ditadura determinou prazos para que o país fosse novamente se tornando democrático, o que afastou o povo das decisões mais importantes, como escolha do presidente, por exemplo. Ulysses Guimarães, do PMDB, era o nome mais aclamado, porém Tancredo Neves foi escolhido para assumir o poder assim que os militares deixassem de governar. No entanto, Tancredo morreu antes de assumir e José Sarney acabou sendo o primeiro presidente civil do país após o período ditatorial.
Para alguns, esse processo deixou uma herança cultural negativa, da qual o povo brasileiro não conseguiu se livrar até hoje. “As principais mazelas deixadas pelos anos de comando militar no Brasil foram relativos ao comportamento do povo diante do poder. Durante a ditadura, o povo aprendeu a se acostumar e ser passivo diante do que era imposto a ele”, analisa o sociólogo Jairison Reis.

RELATOS DA LUTA

O coordenador do Centro de Memória da Faculdade Federal de Medicina, Ajax Pinto Ferreira, era estudante na UFMG em 1968, ano em que aconteceu a invasão de militares ao local, para a retirada dos estudantes que ocupavam a faculdade. “No dia 3 de maio de 1968, estava convocada uma reunião de estudantes. Com spray a gente pichava ônibus com palavras de ordem: ‘Abaixo a Ditadura!’, ‘Fora os Gorilas!’”, relembra Ajax.
A faculdade foi cercada por policiais após o diretor ter se recusado a conversar com os alunos sobre o que estava proposto na reunião. Outros campi da faculdade também tiveram manifestações semelhantes. Porém, o único campus a não dialogar com os alunos foi aquele em que Ajax Ferreira estudava, havendo ainda entrada da polícia. A polícia voltou a fazer buscas na escola e acabou prendendo os demais alunos. O diretor passou a ser hostilizado depois desses acontecimentos, chegando a ter os quatro pneus de seu carro furado.

INTERVENÇÃO MILITAR

A memória do que foram os “Anos de chumbo” parece passar por uma tentativa de revisionismo nos dias atuais. No dia 22 de março, foram realizadas Marchas pela Família com Deus em várias cidades do país, registrando baixas adesões. A marcha original foi um dos estopins para a implantação do regime militar no país, conforme a História registra e os fatos não negam. A convocação para a reedição deste evento pedia intervenção militar, mas vários manifestantes disseram que não eram favoráveis à volta da ditadura. Em Belo Horizonte, a marcha contou com a participação de cerca de 70 pessoas.

Por :Frederico Thompson, Hemerson Morais e Paloma Morais

Foto: Internet

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