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O último e histórico show da Legião Urbana em sua cidade natal: 63 presos, 231 feridos e uma onda de ódio à banda

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(Muro em frente à casa do Renato Russo, em Brasília, um dia após show desastroso no Mané Garrincha. Foto: Reprodução internet)

 

O último e histórico show da Legião Urbana em sua cidade natal: 63 presos, 231 feridos e uma onda de ódio à banda.

Mais de 50 mil pessoas foram até o Estádio Mané Garrincha, em Brasília no dia 18/06/1988 para acompanhar o show que marcava a volta da banda Legião Urbana a sua cidade de origem. Toda a cidade se mobilizou para o que seria o maior evento da história de Brasília, mas após sucessão de erros dos organizadores, da banda, Polícia Militar e mau comportamento do público, o show terminou em tragédia com 63 pessoas presas, mais de 230 feridos e uma onda de ódio contra a banda, que nunca mais se apresentou na capital brasileira.

O tumulto começou já na entrada do estádio, a organização do evento não disponibilizou todos os portões do estádio para o acesso do público, o que gerou filas enormes e grande confusão, levando a PM a agir com truculência para conter a agitação. O clima já era tenso no Mané Garrincha quando a Legião Urbana, com mais de uma hora de atraso, deu início ao show, e ainda existiam filas enormes do lado de fora do estádio.

O público parecia contido e o show prosseguia, até que Renato Russo, vocalista da banda fez um discurso de criminalização das drogas. O público não reagiu bem à fala de Renato, o vaiou e começaram a jogar “bombinhas” no palco, mas o ápice da fúria aconteceu assim que o vocalista terminou seu discurso, um homem invadiu o palco e subiu nas costas de Renato Russo, agarrando-o pelo pescoço.

Ouça o discurso de Renato que causou revolta entre os fãs:

Assista ao vídeo do momento em que Renato Russo é atacado:

Imagens: TV Globo

Após esse incidente, o clima que já era de tensão, piorou. O show era paralisado todo o tempo, no gramado e arquibancada do estádio o público entrava em conflito com a PM, enquanto objetos continuavam sendo arremessados no palco. Em 1999 o baterista Marcelo Bonfá e o guitarrista Dado Villa-lobos, em entrevista para a Rádio Cultural/RJ, relataram o que aconteceu no dia, e os prováveis motivos para o fatídico show. Ouça a entrevista, que conta ainda com relato do Renato Russo, dias depois do evento para TV Globo:

Em meio a trocas de acusações a Secretária de Segurança Pública de Brasília abriu um inquérito para investigar as causas e os danos dos incidentes ocorridos durante o evento. Hezir Espindola, representante dos organizadores do show e César Paz representante da Sec. de Segurança Pública, relataram o ocorrido em entrevista para a TV Globo, dias após o show em junho de 1988. Ouça os relatos de Hezir e César, respectivamente:

Com o nível de tensão alto no ambiente, era inevitável que a situação piorasse, aparentemente com a intenção de diminuir os nervos, Renato paralisou uma música e com palavras ásperas encerrou o show, o público revoltou-se novamente e o tumulto piorou, corre-corre, pessoas sendo pisoteadas, a polícia voltou a agir com truculência, as pessoas que foram como fãs da banda, voltaram do estádio com o sentimento de frustração e rancor com a Legião Urbana. Paredes em torno do estádio e próximas a casa da mãe de Renato Russo amanheceram pichadas com palavras de ordem contra a banda. Ouça o momento em que Renato encerra o show:

jornal

(Jornal Correio Brasiliense 20/06/1988)

Carminha Manfredini, mãe de Renato Russo, explicou em entrevista a Rádio Cultural, o quão era importante para seu filho, se apresentar na cidade onde viveu e o tamanho da decepção com o resultado desse dia que entrou negativamente na história de Brasília e a Legião Urbana. Ouça o depoimento de Manfredini:

Assim encerrou-se a história da Legião Urbana com Brasília. Nem só de flores e amor se vive uma paixão.

Matéria produzida pelos alunos do 4º período de jornalismo, João Victor de Castro e Paloma Simões, na disciplina de TIDIR/JOR2B.

 

 

 

 

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