Outubro Rosa: Uma boa alimentação auxilia no tratamento e também na prevenção

Outubro Rosa: Uma boa alimentação auxilia no tratamento e também na prevenção

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Por Bianca Morais

O câncer de mama é o tipo mais comum da doença entre as mulheres em todo o mundo, e não apenas elas, como também os homens, são acometidos por essa doença. O Outubro Rosa é uma campanha de conscientização com o objetivo de advertir as mulheres e a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama e mais recentemente sobre o câncer de colo do útero.

No Brasil, por mais que pensem que o câncer de mama está diretamente ligado ao fator genético, ele representa apenas 10% dos casos. Sua maior porcentagem está ligada a estilo de vida como exemplo, a má alimentação. Uma dieta balanceda e saudável vai muito além de manter o corpo em forma, mas ajuda a prevenir muitas doenças e é essencial a todos. 

Nesse Outubro Rosa, o Jornal Contramão traz uma entrevista com Lorena Nogueira, nutricionista clínica do Hospital Sofia Feldman e mestre em Ciências da Saúde, que explica o quanto um cardápio rico em nutrientes pode fortalecer o organismo, dar disposição e contribuir para o restabelecimento da saúde em casos de mulheres que enfrentam a batalha contra o câncer de mama.

Lorena Oliveira – Nutricionista

Tratamentos como a quimioterapia costumam causar enjoos e perda de apetite, impedindo as mulheres de se alimentarem adequadamente. O que pode ser feito nessa situação?

Mesmo com os enjoos e a falta de apetite, é muito importante que a paciente continue se alimentando bem. Alimentos nutritivos combatem a fadiga, a fraqueza e auxiliam o corpo a se recuperar.

Algumas dicas podem ajudar:

– Prepare seus alimentos favoritos. Como o apetite está reduzido, uma preparação que te apetece pode fazer a diferença.

– Coma porções menores. É melhor comer pequenas quantidades várias vezes ao dia do que se forçar a comer grandes porções de uma vez.

– Dê preferência a alimentos mais práticos. Quando estiver bem, pique as frutas e deixe na geladeira, deixe alguma refeição pronta congelada, para que nos dias de fraqueza e desânimo, a refeição já esteja pronta.

– Tente se hidratar ao longo do dia. Com pequenas quantidades por vez.

– Evitar frituras e alimentos gordurosos. São de difícil digestão e podem causar desconforto.

– Algumas preparações podem ser enriquecidas com azeite extra-virgem, ovos, queijos, etc, de acordo com a orientação de seu nutricionista. Durante a perda do apetite, alguns suplementos podem ser utilizados, também de acordo com a orientação individualizada de uma nutricionista.

– Em caso de enjoos e vômitos, dê preferência para alimentos secos. A inclusão de gengibre na alimentação também pode ajudar, como chás de frutas com gengibre. Também é importante identificar os alimentos e cheiros que causam as náuseas para evitá-los.

 

Quais são os alimentos mais indicados para fortalecer o organismo das mulheres com câncer?

De uma maneira geral, comida de verdade.

Variar os alimentos também é importante para aumentar e fortalecer a imunidade, além de uma boa hidratação.

 

Quando o caso é falta de apetite, existe algo que possa ajudar a abri-lo?

Preparar alimentos que sejam da preferência da paciente, pode ajudar.

Oferecer pequenas porções é sempre mais interessante do que encher o prato.

Alimentos mais leves e com maior digestibilidade também têm melhor aceitação. Vitaminas ou sopas podem ser boas opções.

Além disso, alimentos em temperatura ambiente ou frios tem maior aceitação, como frutas, água de coco e iogurtes.

 

Quais as principais reclamações feitas por elas em relação à alimentação no período de tratamento?

Além das náuseas/vômitos e da perda de apetite, algumas pacientes relatam diarreia ou intestino preso, alterações no olfato e no paladar e boca seca.

 

E como você as aconselha?

Aconselho sempre a ouvir o que o nosso corpo está dizendo e acolher esta informação. Vamos por partes, dia após dia. Pensando em estratégias que possam gerar mais conforto de acordo com cada demanda específica.

 

O que é preciso evitar e por quê?

Alguns alimentos e bebidas podem ser vetores de substâncias específicas que atuam como carcinogênicas. Alguns exemplos são: carne vermelha em excesso, salsicha, presunto, linguiça, bebidas alcóolicas e refrigerantes.

De maneira geral, é preciso evitar:

– alimentos ultraprocessados (fast food, bolachas recheadas, macarrão instantâneo, carnes processadas, entre outros);

– bebidas alcóolicas;

– carne vermelha em excesso.

 

Quais hábitos alimentares podem prejudicá-las?

Consumo frequente de fast food, carnes processadas como a salsicha e os embutidos, bebidas alcoólicas, alimentos pobres nutricionalmente falando como os ultraprocessados que não agregam em nada na imunidade e pelo contrário, debilitam o nosso organismo e diminuem a nossa capacidade de reagir e combater o câncer.

 

Estudos mostram que uma dieta deficiente em certos alimentos pode levar ao câncer de mama. Por que isso acontece? E quais são esses alimentos?

Ter uma alimentação deficiente em alimentos de origem vegetal como frutas, legumes, verduras, cereais integrais, feijões e outras leguminosas, e rica em alimentos ultraprocessados, como aqueles prontos para consumo e as bebidas açucaradas, pode aumentar os riscos do desenvolvimento do câncer.

Os alimentos saudáveis possuem antioxidantes, fornecendo ao organismo substâncias imprescindíveis para combater os radicais livres que atacam as células.

Alguns antioxidantes e onde eles podem ser encontrados:

– Vitamina A – Encontrada nos alimentos alaranjados, amarelos e vermelhos. 

– Vitamina C – Encontrada nas frutas cítricas. 

– Vitamina E – Encontrada nos óleos vegetais, grãos e nozes. 

– Zinco – Mineral encontrado nas castanhas. 

– Selênio – Mineral presente nas carnes, leite, nozes e castanhas. 

 

Quais fatores atribuídos a nutrição estão ligados a consequência do câncer?

Existem alguns mecanismos biológicos que podem estar associados à incidência do câncer como por exemplo:

– A associação do consumo excessivo da carne vermelha e processada e o risco aumentado de câncer: o cozimento de carnes a temperaturas elevadas resulta na formação de aminas heterocíclicas e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, que têm potencial mutagênico e têm sido associados ao desenvolvimento de câncer em estudos. O alto teor de sal da carne processada pode resultar em danos ao revestimento da mucosa do estômago, levando à inflamação, à atrofia e à colonização por Helicobacter pylori.

– Bebidas alcoólicas: são vários os mecanismos pelos quais o consumo de álcool pode levar ao câncer. O acetaldeído, um metabólito tóxico da oxidação do etanol, pode ser carcinogênico para alguns tipos de células, por exemplo colonócitos, em razão da conversão de etanol em acetaldeído pelas bactérias do cólon. O maior consumo de etanol pode induzir estresse oxidativo por meio do aumento da produção de espécies reativas de oxigênio, que são genotóxicas e carcinogênicas. O álcool também pode atuar como um solvente para a penetração celular de carcinógenos dietéticos ou ambientais, por exemplo tabaco, ou interferir nos mecanismos de reparo do DNA.

 

O que uma boa alimentação pode ocasionar na vida de uma pessoa que está enfrentando um câncer?

Uma alimentação saudável e rica em antioxidantes fortalece o sistema imunológico e favorece uma melhor e mais rápida recuperação.

 

Como nutricionista, como você enxerga a relação dos pacientes com câncer com os alimentos?

De modo geral, os pacientes com câncer começam a entender melhor a relação das boas escolhas alimentares com uma melhor recuperação e também para diminuir o risco de reincidência da doença.

Passada a fase de falta de apetite e enjoos, a tendência é de melhora da qualidade do que se come.

 

Pacientes em tratamento de câncer notam alguma alteração no paladar? (Algumas medicações tende a dar um gosto metálico na boca)

A alteração do paladar é um efeito colateral comum da quimioterapia. A ação de algumas medicações podem deixar a paciente com gosto de metal na boca. Nestes casos, tentamos utilizar panelas de vidro e utensílios e talheres de plástico para minimizar este desconforto. Outra sugestão é marinar a carne a ser consumida em sucos de frutas.

 

Muitos pacientes nessa fase perdem peso. É indicado algum suplemento a eles?

Qualquer suplemento ou aumento da densidade calórica nas refeições deve ser calculada de forma individualizada para cada paciente.

 

Além da alimentação, o que você aconselha as mulheres com câncer?

Acredito que seja o momento de uma reflexão mais ampla. Além de uma alimentação saudável, é preciso eliminar ou reduzir bastante a exposição a agentes cancerígenos como o tabaco, por exemplo. Se houver liberação para a prática de atividades físicas, mesmo que leves, também é muito importante. É preciso cuidar da saúde mental! Acompanhamento com psicólogos e uma rede de apoio verdadeira podem fazer a diferença.

 

Em caso de mulheres saudáveis, existem alimentos que podem auxiliar na prevenção do câncer?

Ter uma alimentação saudável é uma das formas de se evitar o câncer, como já foi dito. Alimentos de origem vegetal como frutas, legumes, verduras, cereais integrais, feijões e outras leguminosas, são ricos em antioxidantes e fibras que podem ajudar na prevenção da doença.

Por outro lado, a obesidade e os modos de vida sedentários podem alterar o ambiente metabólico sistêmico do organismo, de modo que originam microambientes celulares que conduzem ao desenvolvimento do câncer. Exercite-se!

Outro conselho importantíssimo: AMAMENTE. O ato de amamentar, principalmente de forma prolongada (até os dois anos ou mais) protege as mulheres contra o câncer de mama, além de proteger a criança contra a obesidade.

 

Nesse Outubro Rosa, na sua visão de nutricionista, o que você acredita que pode ser feito para ajudar essas mulheres?

É preciso ser rede de apoio para estas mulheres. Facilitar (fazer compras e preparar) refeições práticas e saudáveis pode fazer a diferença no dia a dia de quem luta contra o câncer.

Mas divulgar a importância de uma boa nutrição na PREVENÇÃO da doença também se torna algo que devemos fazer. Espalhar informações de qualidade e baseadas em evidências científicas é fundamental.

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