Páscoa 2022: a ressurreição do mercado de chocolate

Páscoa 2022: a ressurreição do mercado de chocolate

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Por Bianca Morais 

Já faz alguns anos que os ovos de Páscoa de grandes marcas, aqueles que sempre aparecem nos supermercados assim que termina o carnaval, têm divido espaço e muitas vezes até o perdido  para os artesanais. Os brindes dentro deles foram substituídos por recheios gourmet deliciosos, sem contar com o custo-benefício e apoio aos pequenos empreendedores.  

Os tempos mudaram, se antes as televisões exibiam comerciais de um ovo com personagens de desenhos “febre do momento”, fazendo com que as crianças implorassem aos pais por ele, hoje elas pouco assistem televisão. O negócio agora é TikTok, crianças e adultos se perdem mesmo nas tentações de chocolate artesanal que passam por seus feeds. 

Redes sociais são, sem dúvidas, uma das melhores formas de conquistar clientes. Através dos vídeos curtos, o vendedor pode mostrar ao público do que é capaz. Conteudos que têm viralizado nas redes mostram toda a preparação e acabam despertando aquela “água na boca” de quem irá comprar. 

Um exemplo de sucesso é o Bentô cake, um pequeno bolo decorado com frases engraçadas. A palavra da vez é criatividade, decorações personalizadas e bom humor, a chave para tornar seu negócio um sucesso. 

Recentemente os fãs da cantora americana Britney Spears foram a loucura depois que ela repostou em seu Instagram um ovo de Páscoa de uma doceria brasileira. “I really like chocolate”, disse ela em sua rede social, fazendo não apenas a felicidade dos fãs ao verem a cantora reconhecer o país, mas também a da Flakes Brazil, criadores do ovo que a pop star postou. 

Não deu outra, a empresa nomeou o produto de “Ovo Britney”, feito de casca cravejada com drazeas coloridas, recheado com brigadeiro gourmet. Flakes Brazil é uma empresa com mais de 15 mil alunos espalhados em 33 países. A empresa ganhou um publipost de aproximadamente 1 milhão de reais da princesa do pop, e tudo isso pois a criatividade daquele doce encantou Britney. 

Hora de empreender 

Para quem trabalha com chocolate artesanal, essa foi uma excelente oportunidade para investir. Segundo a Associação Brasileira da Industria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicad), nesse ano, a Páscoa movimentou a criação de cerca de nove mil postos de trabalho temporários. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) acredita que as vendas devem movimentar R$ 2,160 bilhões no varejo.  

Gabriel Mendes Neiva é formado em Ciências Econômicas pelo Centro Universitário Una, ele explica que a Páscoa é um bom momento para quem oferta bombons, chocolates e ovos obtenham uma renda extra para complementar suas necessidades. 

Segundo ele, os grandes produtores, aquelas empresas que produzem os doces em larga escala e com baixos custos, aproveitam a demanda sazonal para aumentarem os valores e terem uma margem de lucro maior, sem necessidade de agregar um valor para os produtos. 

O movimento de elevação dos preços, atraem e abrem uma janela de oportunidades para que os pequenos possam entrar no mercado e fazer a produção artesanal.  “O consumidor, querendo ou não, vai fazer a compra de alguém, ele não vai deixar de consumir, até por uma questão cultural”, comenta o economista. 

Pequenos empreendedores, grandes negócios 

Clariane Brandão, formada pelo Centro Universitário Una no curso de gastronomia começou a trabalhar na área em 2018. Seu desejo de começar a trabalho no ramo veio da tia que trabalhava com biscoitos decorados e da avó que fazia canudinhos para vender no interior.  

Sempre apaixonada e influenciada pelos vínculos familiares entrou na área da confeitaria. Durante a Páscoa suas vendas triplicam e para ela é a melhor época do ano para ganhar dinheiro.  

“O diferencial dos meus ovos são que eu só utilizo chocolate puro e todos são de cascas recheadas. Sempre crio algum sabor diferente para cada ano. São sabores que lembram os ovos que eu ganhava na minha infância”, comenta ela.  

Depois de anos trabalhando, Clariane, já garantiu sua freguesia fixa, tem consigo entes que estão com ela desde sua primeira páscoa e já viraram clientes de outras datas. A doceira garante que persistência é tudo, e que apesar das dificuldades tudo vai dar certo. “É devagar, mas as coisas vão encaminhando”, completa a confeiteira.  

Já no caso de Lorrayne Carvalho, criadora da confeitaria Maria Briguenta, ela começou a fazer, despretensiosamente, brigadeiros para vender em sua escola quando tinha apenas 14 anos. Atualmente ela trabalha em casa com bolos e doces sob encomenda em datas sazonais como Páscoa, natal e afins. Foi graças ao dinheiro extra conquistado com a venda dos doces que que ela se formou no ensino médio e na faculdade de Odontologia. 

 “Nunca tive uma loja, comecei em 2011, pelo Instagram vendo desde 2014 e apenas em 2021 eu tive uma operação no IFood”, comenta ela. 

 O início na carreira de doces veio da necessidade pela renda para arcar com os estudos, a jovem então se identificou na cozinha e a habilidade de empreender atrás dos doces. Para ela a arte de ganhar dinheiro com chocolate é saber precificar e divulgar. É nisso que ela investe, e seu diferencial está em bolos e doces de festa feitos com ingredientes de qualidade, e lindos, enchem os olhos. 

 Para ela uma das maiores dificuldades no ramo são as horas exaustivas de trabalho e o desgaste físico. “E é uma solidão as vezes, porque você está por trás das comemorações. Então enquanto tá todo mundo curtindo, você está trabalhando. Doceira não tem fim de semana nem feriado”, confessa a jovem. 

 Com clientela fixa e certa estabilidade depois de anos no ramo, Maria confessa que não é uma tarefa fácil, é preciso estar disposto a se sacrificar, não apenas na confeitaria, mas em qualquer outra área. 

 “É ótimo sim, mas tem o ônus e empreender não é fácil. Invista em estudo, principalmente de gestão financeira e de tempo. E vendas!! Venda é a alma do negócio. Mais do que doces gostosos, você tem que fazer o cliente SABER que seus doces são gostosos”, finaliza. 

 

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