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Amor?

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*Por: Italo Charles

É  domingo de manhã, abro a janela, acendo o cigarro e dou o primeiro trago. Olho, espero um bom dia caloroso e firme de quem ainda está por levantar. Dois minutos, nada, três, quatro, cinco, aí sim, um “Bom Dia”, singelo. O dia começa  sem cor, o céu  está  cinza, triste? Talvez, mas não para quem o ama. 

Sento no sofá observando as plantas que ali estão,  sinto um vazio, algo falta, ou eu faço faltar? Amor, tem de várias formas, mas o que é  amor? Posso amar meu pet, claro, é  lindo. Mas amor pode ser cuidar, querer estar, se importar ou simplesmente  gostar. 

Amar não tem tempo, surge, do nada, amor se constrói através de gestos, observações, dos defeitos, do sorriso que contagia, ou da bobeira que se faz. Mas, amor, como explicar, como sentir?

Não há tempo, não há certo ou errado, é  sentir, é  se entender, existe amor de mãe para filho, amor maternal, aquele que admira e protege acima das circunstâncias . 

Existe amor de amigo, aquele que apoia, que incentiva e sempre está ali para te ajudar, nos momentos felizes e tristes, na saúde e também na doença, ah, isso é  amor de amigo, amor de irmão. 

Mas também, tem o romântico, aquele que estabelece depois da paixão. Paixão é tempo de estar, de gostar e de imaginar, amor é querer, é cuidar, é muito mais que se possa imaginar.

Então, existe tempo de amar?

 

 

**Revisão: Daniela Reis

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Por Débora Gomes – .as cores dela. – Parceira Contramão HUB

Hoje fez um dia bonito, como nem sempre são os dias aqui. As amenidades de outono gelaram minha manhã e, se pudesse, teria ficado todo o tempo em casa, sentada em frente ao computador, lendo, escrevendo, desenhando um pouco. Talvez sentisse menos tua falta. É que a sinto (muito!), principalmente quando saio às ruas e vejo rostos nada semelhantes ao teu. “As pessoas aqui carregam uma alegria triste”, pensei. E concluí que vem daqui essa minha mania de sorrir nos lábios o que os olhos tanto choram.

Te guardo em saudade, já lhe falei várias vezes. Ocorreu-me agora, aquele poema falado pela Matilde Campilho, com seu cantado sotaque “português-de-Portugal”:

“é terrível a existência de duas retas paralelas

porque elas nunca se cruzam. 

e elas apenas se encontram no infinito”.

Sei que se interessas por essas questões de infinito e por qualquer outra coisa que pareça te tirar daqui, das gaiolas desse mundo. Ele às vezes também ressoa como algo do qual nunca fizeste parte, eu sei. Mas consegues lidar com isso bem melhor do que eu, que ando desfazendo um tanto de nó, tentando o encontro de um único laço.

É estranho pensar que o que mais nos afasta foi meu maior começo de amor. Lembro bem quando você me disse: ‘eu ando sempre distraído demais nesse passo que é viver’. E eu compreendi ali que dizias sobre liberdade e teu amor pelo vento no rosto em dias de estrada. Sempre soube ler tuas entrelinhas, embora eu pareça chegar quando você já está partindo.

“Não se esqueça de me escrever”, eu deveria ter dito. No entanto, espero sempre uma fresta de sol nos dias frios, para me aquecer as meias e o moletom escuro. Você não vem, eu já sei. ‘Nem em palavra e nem em verbo’, repito para não esquecer. Porque algumas vezes, eu deixo de me lembrar que te conheci em uma manhã de primavera, quando a gente ainda acreditava no amor. E se hoje eu aprendi a temer os silêncios, é porque entendi que eles podem ensurdecer qualquer coração partido. 

[te guardo nessas palavras. para que se torne o motivo da minha terceira fuga…]

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Foto: tumblr

Eu o encontro todos os dias na Avenida Silviano Brandão. No ponto de ônibus. Nunca conversarmos. Mas me chama a atenção seu jeito triste. Sempre com um fone nos ouvidos. Sempre com um cigarro na boca. Sempre com um livro em mãos. Nunca ri. Nunca fala com ninguém. Ele é sozinho. Pelo menos é o que eu percebo nos minutos que ficamos juntos esperando o ônibus. Não posso evitar querer saber mais sobre ele.

Talvez este rapaz não seja triste. Talvez esteja apenas cansado do longo dia trabalho. Talvez não goste de conversar ou de sorrir depois de levar uma bronca de seu chefe por demorar a voltar do horário de almoço. Talvez ele seja feliz, muito feliz. Mas meus olhos o veem daquele jeito, e isso me faz pensar em como a tristeza está presente em nós.

Seus grandes olhos azuis não possuem um brilho, seus cabelos perfeitamente bagunçados ficam escondidos por um boné, sinto-me atraída por todo aquele mistério e solidão que o cerca.

Ele fuma para sentir um pouco de satisfação em algo. Mas isso só denuncia seu vazio, sua solidão. Talvez seja daí que venha sua tristeza: do desamparo, da rejeição por ter um emprego ruim, por fazer um curso no qual não se sente feliz. Talvez.

Meu rapaz solitário não ouve os sons do mundo. Ele está sempre com seus enormes fones nos ouvidos. Talvez ouça músicas alegres para espantar os pensamentos tristes que insistem em lembrá-lo o enfado do dia a dia. Mas talvez goste simplesmente de esquecer que a realidade emite sons desagradáveis. Talvez ele queira apenas fugir no barulho de um rádio ou em uma canção que a faça acreditar que a vida será melhor.

Continuo sentada no banco do ponto de ônibus. Ele entra no ônibus que o levará para casa ou até à faculdade. Não há despedidas, mas ele olha para trás uma ultima vez. Eu sei que o encontrarei no próximo dia e ele talvez saiba que irá me encontrar também.

Por Isabella Silmarovi

 

Uma fila se formou na esquina da Rua Gonçalves Dias com Rua da Bahia na noite da última terça-feira, para a pré-estréia do filme “Amor?”, dirigido por João Jardim. O evento, organizado pelo projeto Sempre Um Papo, aconteceu no Usiminas Belas Artes e contou com a presença do diretor do filme, em um bate-papo com os atores Julia Lemmertz e Ângelo Antônio.

Na fila, a expectativa era grande, tanto pela curiosidade despertada pelo filme, quanto pela presença dos atores. A estudante Solange Morais chegou cedo ao Belas Artes para garantir sua entrada. “Fiquei muito sensibilizada com as histórias do filme. Mas vi apenas trechos e não queria perder a oportunidade de assistir tudo”, comenta. Os convites foram distribuídos uma hora antes da exibição do filme. Foram disponibilizados 130 lugares e mesmo assim, várias pessoas ficaram sem entrar na sala. “Não podemos lotar a sala e não é permitido assistir ao filme de pé”, explicou a assessora Jozane Faleiro.

Para mais informações sobre o filme, acesse https://amorofilme.com.br/

Confira entrevista com Julia Lemmertz, Angelo Antonio e João Jardim:

Por Débora Gomes e Nelio Souto