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Hoje o Contramão traz o artigo opinativo da nossa ex-estagiária de jornalismo, Joyce Oliveira. Ela que conclui sua graduação ainda esse semestre e atua como social média e produtora de conteúdo.

A mudança das redes sociais

Por Joyce Oliveira

Em 2020, o mundo se deparou com uma realidade completamente atípica. A chegada da Covid-19 forçou a sociedade a mudar sua rotina e as formas de relacionamento. Isso, obviamente, influenciou na maneira como as pessoas utilizam as redes sociais. A distância física fez com que os indivíduos procurassem se conectar ainda mais virtualmente, a ponto de comerciantes, empreendedores e empresários buscarem, no ambiente on-line, uma maneira de se reinventar. Todo esse ciclo tem transformado os padrões de consumo na internet e a presença das pessoas nas redes sociais.

Essa necessidade de conexão tem explicação na psicologia. De acordo com tal campo de estudo, as pessoas precisam se conectar umas às outras para manter qualidade de vida e boa saúde mental. Portanto, estar presente nas redes, em um momento de distanciamento físico, tornou-se a forma mais fácil de manter as relações e, também, de aliviar um pouco da saudade e da solidão.

Esse movimento acelerou ou adiantou mudanças nos padrões de uso e consumo da sociedade. O marketing digital e as estratégias de mídia mostraram, às pessoas, que a enorme necessidade de conexão com o outro acabou se tornando algo rentável– e até as empresas começaram a buscar humanização.

Por falar em negócios, até as próprias redes sociais iniciaram uma corrida sobre quem alcançaria mais pessoas e quais atualizações poderiam fazer para que o público ficasse cada vez mais “preso”. Só no último ano, o TikTok ganhou mais de 600 milhões de novos usuários, o Instagram aderiu a mudanças na plataforma– incluindo “Reel” e “Instagram Shop” – e muitas outras alterações no algoritmo. O que nos leva a pensar que são estratégias para tornar o público cada dia mais dependente das plataformas, além de mostrar que elas podem ser extremamente versáteis, tanto para posts pessoais, quanto para compra e venda de produtos e serviços, criando a sensação de uma realidade paralela, na qual é possível encontrar tudo em um só lugar.

A cada dia, está mais claro que toda essa transformação causada pela pandemia, mundo afora, não é uma coisa temporária. Na verdade, há novos padrões que, provavelmente, sofrerão mudanças e avanços, mas farão parte de nossa rotina, ou, como costumamos chamar, nosso “novo normal”. Cabe a nós aprender e nos adaptar a esse turbilhão de informações, que, agora, mais do que nunca, circula por todas as redes sociais. Precisamos, também, entender se estamos preparados para acompanhar tudo. Mas, isso é assunto para outra conversa.

 

 

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por Marco Aurélio Faleiro

A relação entre a atividade jornalística profissional e as plataformas de conteúdo online, como Google e Facebook, é assunto central na análise das práticas e dos negócios do jornalismo contemporâneo, pois elas transformaram a maneira como as pessoas consomem informações. Desde a popularização do acesso à internet, as empresas de notícias têm mantido relação paradoxal com essas estruturas de mediação, em que se alternam movimentos de aproximação e conflito.

Os produtores de notícias precisam, cada vez mais, adequar-se às estruturas de acesso e troca de dados desenvolvidas pelas plataformas, para ter espaço, visibilidade e – o principal, em qualquer negócio – dinheiro. Mais do que meios para veiculação de conteúdo, as plataformas se impuseram como modelo de funcionamento de serviços na rede, gerando interferências na produção, no consumo e na circulação de conteúdo jornalístico. Ao centralizar e controlar as dinâmicas de circulação e monetização do conteúdo, as plataformas online promovem o que estudiosos chamam de “plataformização do jornalismo”.

Uma das consequências de tal fenômeno é o processo de desagregação de notícias, em virtude do acesso – isolado ou por meio de agregadores de conteúdos. São poucos os leitores que destrincham um jornal até encontrar a informação que lhes interessam. Essa tendência compromete a receita das empresas jornalísticas, que entram numa cadeia de audiência e publicidade que privilegia questões comerciais, em prejuízo da qualidade e da autoridade editorial.

Em outubro passado, o Google lançou um projeto que, segundo a empresa, busca promover o jornalismo de qualidade e combater a desinformação, com o investimento, nos próximos três anos, de US$ 1 bilhão em veículos de imprensa do mundo inteiro. A gigante de tecnologia afirma que, além de auxiliar a transformação digital e melhorar o plano de negócios das empresas jornalísticas tradicionais, pagará os grupos editoriais por notícias acessadas por meio da plataforma. No Brasil, mais de 30 dos principais jornais e revistas – entre eles, O Tempo e Estado de Minas – fazem parte da ação.

Como jornalistas ou consumidores, precisamos entender como se estabelece essa parceria comercial, tecnológica e editorial entre o Google e as empresas jornalísticas, quais suas balizas e se ela se insere ou distorce a lógica da plataformização do jornalismo. Independentemente das iniciativas recém-tomadas, que parecem apenas querer minar iniciativas de reguladores, a monetização da atividade jornalística em ambiente virtual e a remuneração aos veículos tradicionais por suas produções veiculadas nas plataformas precisam ser regulamentadas.

É legítimo e oportuno, ainda, que a grande concentração de serviços e capital pelas big techs esteja no radar de autoridades do Brasil e do mundo. Não menos importante, o controle da desinformação e da incitação ao ódio nas redes, que tem erodido o convívio social, precisa ser debatido com urgência e seriedade. Superada a pandemia de covid-19, a plataformização do jornalismo deve ser foco de nossa atenção.

 

 

*Edição: Professor Mauricio Guilherme Silva Jr.