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Por Daniela Reis 

Há 11 anos o nome do goleiro Bruno Fernandes e da modelo Eliza Samúdio estamparam as manchetes dos jornais em todo o país. O desaparecimento da jovem julgou e condenou culpados, porém mesmo após tanto tempo ainda paira no ar a pergunta: Onde está o corpo de Eliza Samúdio? 

As investigações e os depoimentos de testemunhas e envolvidos levaram à prisão o goleiro e os cúmplices Macarrão e Bola além da emissão de uma certidão de óbito, mesmo sem a principal prova do crime, o cadáver da mulher. Esse documento atesta que ela foi morta por esganadura no município de Vespasiano, localizado na região metropolitana de BH. 

Relembre

A modelo Eliza Samudio tinha 25 anos quando desapareceu misteriosamente em junho de 2010. A jovem passava por uma fase turbulenta devido a uma disputa por pensão alimentícia do filho com o goleiro Bruno Fernandes, do Flamengo. De acordo com a Justiça, ela foi levada à força do Rio de Janeiro por Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, amigo de Bruno, para um sítio do goleiro, em Esmeraldas (MG), onde foi mantida em cárcere privado junto com o filho bebê. 

Na noite de 10 de junho de 2010, Eliza foi levada para a casa do ex-PM Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola. A investigação policial concluiu que a modelo foi espancada e asfixiada até a morte.

Bruno ainda nega participação na morte da ex-amante. “Não mandei matar ninguém”. 

Após uma intensa investigação policial, além de buscas fracassadas pelo corpo de Eliza e a fase processual, os réus foram levados a júri popular no Fórum de Contagem, na Grande Belo Horizonte. 

Desfechos 

Bruno foi condenado, em 2013, por sequestro, ocultação de cadáver e por ser o mandante da morte de Eliza. A pena inicial era de 22 anos e três meses de prisão. Anos depois, o jogador de futebol teve a pena reduzida pela Justiça para 20 anos e nove meses. 

Dayanne Rodrigues, ex-mulher de Bruno, foi julgada ao lado do goleiro, mas absolvida por quatro votos a três pelo júri popular pela acusação de participação no sequestro e cárcere privado de Eliza. 

Macarrão foi condenado a 15 anos de prisão por envolvimento no crime, mas já cumpre a pena em regime semiaberto

Bola foi condenado a 22 anos de prisão no caso da morte da ex-namorada do goleiro Bruno. Atualmente, ele trabalha durante o dia e volta para a Casa de Custódia de Polícia Civil, em Belo Horizonte, para dormir. Em março de 2020, o detento foi autorizado a ir para o regime domiciliar devido ao risco de contaminação pelo novo coronavírus no sistema prisional. A medida vale por 90 dias. Em 2016, o ex-PM foi condenado a 12 anos de prisão pela morte do carcereiro Rogério Martins Novelo, ocorrida em 2000, na cidade de Contagem

Fernanda Gomes Castro, ex-namorada de Bruno, também foi condenada por participação no sequestro e cárcere privado da modelo. Ela foi sentenciada a cinco anos de prisão em regime aberto. Em 2013, Fernanda foi aprovada em vestibular para o curso de Direito, mudou o visual e começou a trabalhar em um escritório.

Hoje, o goleiro Bruno mantém os treinamentos para voltar ao futebol, seu grande objetivo. Em 2020, Bruno esteve perto de assinar contrato com o Fluminense de Feira (BA) e o Operário (MT). No entanto, ambos os clubes desistiram da contratação. Bruno não se abala com a opinião popular sobre a participação dele na morte da modelo. Atualmente, ele cumpre pena em regime semiaberto e tenta voltar ao futebol.

Bruninho, filho do relacionamento do goleiro com Eliza Samudio, está com 11 anos. Atualmente, o garoto vive com a avó materna, em Campo Grande (MS). A mãe da modelo, Sônia, ainda luta para saber o que houve com a filha e descobrir o paradeiro do corpo. O menino não tem contato com o pai. 

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Por Bianca Morais 

Há dois anos, no dia 16 de junho de 2019, um domingo, o marido da deputada federal Flordelis (PSD), o pastor Anderson do Carmo de Souza, foi morto a tiros em sua residência, em Pendotiba, Niterói. No primeiro momento, a polícia iniciou a investigação como um latrocínio, roubo seguido de morte.

Naquela madrugada, logo após ser alvejado, Anderson foi levado ao  hospital por familiares, mas não resistiu aos ferimentos. Até então,  o assessor da deputada dava nota à imprensa afirmando que ela estava muito abalada. 

A nota dizia:

“A família Flordelis, com dor, comunica o falecimento repentino do Pastor Anderson do Carmo, um servo de Jesus Cristo. A deputada Flordelis, muito abalada, ainda não tem como se pronunciar. Neste momento, apertamos as mãos de Deus e imploramos o conforto Dele. O Pastor Anderson estava cumprindo um ministério maravilhoso de redenção de almas, em uma luta diária para evitar que o ódio continue a ceifar vidas por falta de Deus no coração dos seres humanos. Hoje é um domingo muito triste, muito triste em nossas vidas”.

Flordelis estava com o marido no momento do crime,  os dois voltavam de uma confraternização, ao chegar e já dentro da casa, Anderson voltou à garagem para buscar algo, momento em que foi baleado. De acordo com a esposa, ela ouviu os tiros. Testemunhas relataram à PM que a deputada teve a sensação de estar sendo seguida por duas motos durante a volta do evento. 

Reviravolta

Após a liberação do  laudo do IML, que informou que o pastor havia levado 30 tiros, os investigadores passaram a desacreditar na versão do crime de latrocínio e que quem atirou em Anderson, fez com o propósito de matá-lo. As câmeras de segurança da casa da família não mostraram ninguém diferente entrando ou saindo do local, o que levantou a questão de que alguém de dentro efetuou os disparos. 

No dia do enterro, o filho de Flordelis foi preso e segundo a polícia ele tinha um mandado de prisão em aberto por violência doméstica. 

Quatro dias após a morte de Anderson, o filho de Flordelis, Flávio dos Santos, deu seu depoimento à Polícia Civil e admitiu ter sido ele quem disparou seis tiros contra o padrasto. Ele ainda afirmou que o irmão, Lucas do Santos, o teria ajudado a conseguir as armas. Os dois foram presos.

A versão dos irmãos fugiu um pouco do laudo do IML e cabia à investigação descobrir o que motivou aquela atrocidade.

Os dois filhos da deputada foram denunciados pelo Ministério Público do Rio, pelo assassinato de Anderson, eles foram acusados de homicídio qualificado com pena prevista de 12 a 30 anos.

De viúva a vilã

Depois de prender os irmãos iniciou-se uma segunda fase das investigações, nela todo o contexto familiar seria investigado. Isso porque Flordelis e o falecido marido, tinham uma família grande, com 55 filhos adotados, até então todos seriam suspeitos.

A cada depoimento prestado, a deputada caia em contradição. Em um primeiro ela dizia que dormia e acordou com tiros, como moravam perto de uma comunidade e sempre escutava os barulhos voltou a dormir, minutos depois foi acordada por gritos dentro de sua casa e foi quando encontrou o esposo morto. 

Ainda neste depoimento, ela se contradiz, ao dizer que tinha saído com o Anderson e ao retornar para casa, entrou primeiro e depois ouviu os tiros vindo da garagem.

Novas revelações feitas por um dos filhos, fizeram a polícia desconfiar cada vez mais da participação da esposa na morte do marido. Segundo ele, a mãe e três irmãs colocavam veneno na comida de Anderson, e por isso, o homem sofria de muitos problemas de saúde. O mesmo garoto também afirmou que o irmão recebeu 10 mil reais para matar o pastor.

Nesse depoimento, um filho, que não foi identificado, afirmou que na noite do crime, viu o irmão Flávio, ao lado do corpo ensanguentado e recolhendo o telefone do pastor que foi entregue à mãe. Celular inclusive de grande importância para a investigação e que nunca foi encontrado. 

Cerca de um mês depois do crime, o inquérito concluiu que o pastor foi morto por questões financeiras e poder na família, e que a deputada federal Flordelis, foi a mandante do crime, porém não pode ser presa devido sua imunidade parlamentar. A mulher também foi responsável por fraudar uma carta em que um de seus filhos confessou ter matado Anderson a mando de um dos irmãos.

A operação contra a família de Flordelis, ficou conhecida como “Lucas 12” e na época do crime chegou a prender diversos membros da família por participação, entre eles: Marzy Teixeira da Silva (filha adotiva) e Simone dos Santos Rodrigues (filha biológica), como participantes no envenenamento; André Luiz de Oliveira (filho adotivo) ex-marido de Simone, foi flagrado em conversas com Flordelis combinando o envenenamento; Carlos Ubiraci Francisco Silva (filho adotivo) por participação no planejamento da morte;

Adriano dos Santos (filho biológico) auxiliou no episódio da carta falsa; Andreia Santos Maia (mulher do ex-policial Marcos) auxiliou no episódio da carta falsa; Rayane dos Santos Oliveira (neta) buscou por assassinos para as tentativas anteriores; Marcos Siqueira (ex-policial) auxiliou no episódio da carta falsa; além de Flávio autor dos tiros, Lucas por participação e a mãe Flordelis dos Santos como mentora do crime.

No dia 8 deste mês, o Conselho de Ética da Câmara, decidiu por 16 votos a 1 cassar o mandato da deputada Flordelis, mas é o plenário da Casa que dará o resultado final, para que ela perca o mandato são necessários 257 votos.

Flordelis hoje anda com tornozeleira eletrônica e responde por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e de recurso que impossibilitou a defesa da vítima), tentativa de homicídio, uso de documento falso e associação criminosa armada. 

 

Edição: Daniela Reis