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Por Bianca Morais

Matizar: Fazer passar gradualmente de um matiz a outro: a arte de matizar as cores.

Em busca de uma palavra que remetesse a mistura, a banda que não tem um estilo fixo, nomeou-se Matiza, sinônimo de misturado.

Com formação atual de Eduardo Maia (vocal), Bruno de Maria (vocal e guitarra), Pedro Martins (baixo e vocal), Lucca Azevedo (guitarra) e Flávio Marcos, o batata (bateria e percussão), a banda define seu som como pop progressivo, um derivado do rock progressivo, o prog.

Para conhecimento geral, o Batata tem esse apelido porque a irmã dele tinha apelido de batata e antes dela o irmão dele teve apelido de batata, e antes dele a outra irmã teve apelido de batata. Todos estudaram no mesmo colégio e o apelido é de família.

Não só Batata tem nesse almanaque, mas segura mais um pouco que lá na banda Daparte aparece um Cebola. Só continuar lendo.

Agora, se assim como eu, você nunca havia ouvido falar desse gênero, e achava que prog era algo relacionado a eletrônica, deixa eu te explicar um pouco sobre.

O progressivo é um estilo de música que surge quando o artista mistura muitos estilos. Tem a ver com a ideia de pegar coisas e tentar juntar de forma a criar algo novo, independente. É como se fosse um rock alternativo, se assim ficar mais fácil para você entender. Porém, como a banda anda bem distante do rock e não tem muita guitarra distorcida. Não dá para classificá-la dentro do rock e seus subgêneros, por isso se enquadram numa pegada mais pop.

O principal compositor da banda, o Bruno, carrega consigo grande influência do MPB. Inclusive, ele tem um projeto solo de Bossa Nova. Escutem Samba da Bahia, nas plataformas de streaming. Os arranjos e melodias bases elaborados pelos outros integrantes da banda seguem influências de todos os lugares que já passaram e músicas que escutaram.

Quando você escutar Matiza, o termo progressivo irá vir a sua cabeça de primeira, porque a sonoridade deles remete a muita coisa que provavelmente você já ouviu durante sua vida, mas ao mesmo tempo consegue ser bem diferente.

É, não dá para explicar muito além disso, mas dificilmente uma banda consegue classificar e enquadrar o seu gênero dentro de um só, de primeira.

Pode ser que você diga que te lembram 5 a Seco ou Jorge Vercillo. Alguns arriscam que os vocais das músicas, principalmente do primeiro EP, que tem muito vocal com três ou quatro pessoas cantando ao mesmo tempo, relembra a música mineira de antigamente, aquele MPB do Clube da Esquina e Milton Nascimento. De mineiro também são comparados a 14bis.

Se assemelham a banda britânica Yes por conta do rock progressivo.

Agora, para finalizar essa classificação das influências, segundo o baixista Pedro, se Incubus fosse mineiro, seriam iguais a eles.

Enfim, depois que você escutar e chegar a alguma conclusão, conta para eles que irão adorar saber.

Comparações a parte, a banda é uma mistura de influências que cada integrante traz em sua bagagem. Tem Tame Impala e Avenged Sevenfold (principalmente nas guitarras e solos) vindos do Bruno e do Lucca. Tem Pink Floyd e Boogarins do Batata, tem o soul e o black music vindos do Pedro e o Dudu gosta de música nordestina.

A banda nasceu em 2017, logo após um encontro por coincidência entre os amigos Bruno e Edu (mais uma para a série: “BH é um ovo”).

O Bruno tocava em uma banda cover de Avenged Sevenfold e o Edu foi assistir. Depois do show foram conversar e ali resolveram fazer uma banda de música autoral. Sem mais delongas, foi isso.

A banda começou a ensaiar em agosto daquele ano e fizeram seu primeiro show em outubro de 2017, em uma sexta-feira 13. Data meramente ilustrativa, nenhum azar tiveram, apenas o de não conseguir tocar um repertório 100% autoral. Atire a primeira pedra uma banda que nunca tocou um cover para vender show.

Mas nem os covers deles são normais, eles colocam a parada do progressivo até nisso.

Depois do primeiro show como Matiza e tocando cover, as composições já estavam a todo vapor. Dali para frente, aos poucos foram conseguindo encaixar o autoral no repertório.

Pedro e Batata ainda não estavam na banda, nessa época seus lugares pertenciam ao Vitão no baixo e Vivi na bateria.

O Vitão precisou sair por problemas pessoais e por indicação de um amigo em comum, o Pedro entrou na banda.

O primeiro contato do Batata com os meninos foi em um festa de Halloween da engenharia elétrica da UFMG. Batata, já formado, estava ajudando seus calouros a organizar a festa. Foi então que chegou uma banda com o instrumentos na mão e perguntaram:

“Quem vai montar o palco para nós?” (Caso não tenham pegado, a banda era a Matiza)

O Batata olhou para seus calouros, seus calouros olharam para ele e rolou um “ferrou”.

Porém os olhos de Batata era apenas para assustar os garotos, já que ele é engenheiro de áudio e manja tudo do assunto.

Foi lá, arrumou o palco, regulou o som durante o show, sucesso.

Ali a banda conheceu quem seria seu futuro baterista quando o Vivi precisou se mudar para São Paulo a trabalho.

Em determinado momento da trajetória, sentindo falta de mais som, chamaram o Lucca para ser o segundo guitarrista.

Desde o começo até hoje muita coisa mudou, a banda foi criando mais familiaridade com seu som e cada dia mais levando o projeto com mais seriedade. Se antes era tudo festa, hoje ainda é festa, só que também é trabalho, e muito trabalho. Se no início a grana de cachê era repartida igualmente para os membros, hoje eles que lutem porque toda grana que fazem vai diretamente para o caixa da banda que é usado para produzir, lançar música e fazer marketing digital. A seriedade com que levam a banda é algo que mudou muito ao longo do tempo.

Ainda em busca de saber qual é o público alvo da banda, trabalham com anúncios de Facebook ads e no Instagram. Procuram direcionar as músicas para os mais diferentes grupos, analisando como esse público responde aos anúncios, aos vídeos e buscando resultado para entender quem gosta do conteúdo.

Assim como a Chico e o Mar, a Matiza também conta com o apoio de uma distribuidora de música, a Distrokid. Hoje tudo é online e o Spotify e Deezer, por exemplo, são a melhor maneira de divulgar seu trabalho. Essas empresas tomaram o papel das gravadoras e o contrato que antes se fazia com elas, pode ser feito agora com as distribuidoras que colocam suas músicas na plataforma de streaming. Dentro do mundo musical, existem rumores de que em um futuro bem próximo, até mesmo essa distribuição deixará de existir e as bandas terão contrato direto com os streamings.

Atualmente, poucas são as bandas independentes que realmente almejam tocar nas rádios, porque se tornou algo muito difícil de se atingir, principalmente se você parar para escutar as músicas que são tocadas em rádio. Existe uma determinada fórmula, músicas com menos de 3 minutos, refrãos mais simples e fáceis de decorar.

A Matiza é um exemplo de banda que resolveu por não se adequar ao mercado da música comercial. Quando você escuta um som deles, entende de cara o motivo disso. Eles contam com muitos elementos específicos; tem dueto, solo de guitarra, de baixo. Mesmo sabendo que isso não deixa a música atrativa aos olhos comerciais, os meninos preferem fazer a música deles, lançar do jeito que ela é, do jeito que gostam e depois descobrirem quem vai querer ouvir.

Aconteceu isso com o último lançamento da banda, Noite em BH.

“E nós em paz, a noite em BH

Sobe-desce Bahia

De amores que eu vivi”

Inicialmente, a ideia era fazer um pop palatável, que cairia na graça do povo, quem sabe das rádios (indo contra seus princípios). Não demorou muito para a banda ver que não era o que queriam. Bruno chegou com o final instrumental da música, dois solos de guitarra, no meio dobra a guitarra, tem solo do Lucas primeiro, depois tem mais solo do Bruno, depois os dois dobram juntos.

É muita guitarra. Agora já imaginou se isso se encaixaria em um padrão comercial? Jamais. Nem um pouco preocupados com isso, bateram o martelo e soltaram do jeito que queriam.

Particularmente, que música boa. Só não ganha de Tropical Gin (a minha favorita).

Noite em BH foi composta pelo Bruno para sua namorada. A lírica é sobre um romance na cidade de Belo Horizonte. Que belorizontino nunca teve um amor que subiu e desceu Bahia? Quer banda mais mineira que isso?

Outra curiosidade é que a música veio primeiramente do projeto solo de bossa nova dele, mas ao cair na mão do Batata, Pedro, Dudu e Lucca, ganhou uma dimensão completamente diferente.

Assim como Noite em BH e Tropical Gin, a banda é cheia dessas músicas que vão te envolver e levá-lo para uma parada bem diferente de tudo que você está acostumado a ouvir. São sons experimentais, de viajar na música mesmo. Vale a pena conferir.

 

 

 

 

 

*Esse produto resultado do Trabalho de Conclusão de Curso do Centro Universitário Una da Jornalista Bianca Morais.

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Venha conhecer mais sobre essa banda que é destaque no cenário musical de BH

*Por Bianca Morais

A velha guarda do rock belorizontino foi representada neste almanaque pelo trio de bandas parceiras, os “frendes” que estão nessa estrada há mais de 10 anos. O estilo rock tem sumido e não que ele esteja morto, mas é cada vez mais raro você ver aqueles meninos de 17 ou 18 anos, amigos de colégio, formarem uma banda de rock. Em meados de 2014 e 2015 houve um boom desse fenômeno, mas hoje a frequência é muito menor. Os jovens de hoje se influenciam por outros tipos de música. Por isso, quando apareceu a Chico e o Mar, a Devise vibrou.

Quem é Chico e o Mar e porque eles cativaram as bandas de rock de BH, eu vou contar agora.

O nome da banda Chico e o Mar não nasceu do Rio São Francisco que deságua no Oceano Atlântico. Na verdade, nasceu de um brainstorming de ideias vindas de uma noite qualquer na cobertura do apartamento do vocalista Daniel Moreira, onde estava ele, o Caio Gomes, baterista, o primo Paulino e o Jairo da banda Young Lights.

*Escutem Young Lights nas plataformas de streaming. A banda, além de parceira dos caras da Devise, também apadrinhou a banda Chico e o mar e serve de muita inspiração para os garotos.*

A banda precisava de um nome e de uma coisa eles tinham certeza, queriam algo brasileiro e leve. O avô do Dan se chama Chico e o vocalista sempre quis colocar o nome dele em algum projeto. Pois bem, a noite terminou e no dia seguinte o Jairo mandou uma mensagem pela manhã para o Dan escrito “Chico e o Mar”, e foi isso. A banda agora tinha um nome para se apresentar.

Você quer algo mais brasileiro que o nome Chico e mais leve do que a palavra mar?

Ao longo do tempo, o nome começou a tomar outras proporções. No início, era algo que foi criado na pressa para suprir a demanda da banda de ter um nome, mas com a entrada dos outros integrantes foram atribuindo novos significados. Quanto mais o grupo de cinco garotos se conhecia e trocava experiências, mais o nome ganhava sentido diferente na cabeça de cada um. O mar é algo infinito, que nos faz navegar por oceanos desconhecidos e descobrir novas coisas. O nome é amplo e permite descobrir novos caminhos a cada dia.

A Chico e o Mar é uma banda independente que vem buscando sempre fazer as coisas com sua cara e encontrar o espaço dela no cenário. Nunca gostaram de tocar covers. Eles têm uma ideia muito forte de que você tem que ir a um show deles, escutar as músicas e depois de três ou quatro shows você já vai saber cantar todas suas músicas e gostar do trabalho deles. E eles estão errados? Claro que não. É muito comum bandas com medo de se arriscar no cenário musical e, por isso, acabarem colocando covers no repertório para agradar ao público. A Chico não quer isso. Eles não querem que vocês gostem deles por músicas de terceiros e o tempo que gastariam treinando música de outras pessoas, eles preferem gastar trabalhando nas próprias músicas.

Destemidos, eles sempre estão em busca de mostrar que BH não é somente o circuito do rock com banda cover. Eles querem ser a resistência, um grito de “tem música boa em BH”.

Com dois anos de banda, eles tem se sentido mais à vontade para percorrer diferentes cenários musicais. Se você escutar a primeira música “Vida” e a última “Afogado”, vai ver que eles deixaram de ser aquela banda que tocava somente romance e passaram a abordar novos temas como amizade, coisas que gostam de fazer juntos, um dia legal, trocas e relações familiares.

É muito gostoso escutar Chico e o Mar, principalmente se você é um jovem de 16 a 24 anos, porque você consegue se enxergar nas experiências. Ao longo do tempo, a nossa narrativa de vida muda, conforme vamos vivendo e ganhando experiência. Tem períodos que você passa por um término de namoro e outros que você está feliz com a vida.

Como tudo começou

Daniel Moreira tinha um projeto solo, mas ele não queria ser solo, queria os amigos perto dele. Foi então que lá em 2015 uma amiga em comum apresentou o Dan vocalista para o Caio baterista, já na intenção de que dali iria surgir um cunho musical. Acontece que além da música, nasceu uma amizade muito íntima e os dois começaram a construir juntos o sonho de uma banda.

Da primeira formação até hoje, muitas coisas mudaram. Com o primeiro baixista, o Bode, a Chico apresentava um som bem diferente, algo mais dark, que dizia muito a respeito do que passavam na época, adolescentes vivendo um contexto caótico (quem nunca passou por problemas na juventude, não é mesmo?). Mas esse som mais pesadão não deu certo e o Bode resolveu meter o pé.

Caio e Dan não desistiram do seu objetivo e pelo caminho encontraram o Calil, onde nasceu a segunda versão da Chico. O Calil era um tunisiano, não falava português, muito classudo no seu modo de tocar. Caio e Dan eram músicos que queriam se expressar pela música, colocar suas coisas no mundo e todo aquele perfil técnico do baixista não se encaixava a eles. O ritmo não inseria, mas era o que tinha para o momento.

Nesse meio os irmãos Guilherme Vittoraci e Gustavo Vittoraci entraram na banda trazendo consigo uma sintonia muito forte. O Caio tocou em igreja durante muito tempo de sua vida, o Guilherme e o Gustavo também. Tocar todos os finais de semana para um determinado público trouxe para eles muita segurança e capacidade de improvisação. Por isso, no primeiro ensaio deles rolou aquele clássico jam que durou uns 10 minutos e no final um olhou para o outro e falou “NU, que doido!”.

A Chico começava a crescer, mas ainda faltava um elemento, já que o Calil resolveu seguir seu caminho, pois viu que ali já não cabia mais.

Coincidências engraçadas, BH é um ovo. Lembra daquele encontro de rua que fez o Leo e o Rapha da Ous terem a ideia de voltarem com a banda? Então, aparentemente encontros ao acaso são muito mais comuns no mundo da música do que parece. Porque foi em uma ida à academia para cancelar sua inscrição que o Dan encontrou o Gabriel Frade.

Pois bem, quem é Gabriel Frade? O Frade é músico profissional há um tempão, já tocou em um milhão de bandas e foi desses rolês que ele conheceu o Dan. E ele também já estudou com o Guilherme lá em 2015. Ou seja, ovo.

No encontro na academia, o Dan contou para o Frade que estava procurando um baixista e o chamou para um ensaio. Frade enxergava no Dan uma determinação e vontade de crescer rápido e, por isso, foi todo nervoso para esse ensaio. Se preparou como se fosse uma entrevista de emprego, com medo. Mas deu certo. E até hoje ele está aí.

A chegada do Frade trouxe à banda um conhecimento de mercado. Eles já tinham músicas, ensaios, mas a chegada dele foi como sair da imaturidade e procurar se profissionalizar.

Os meninos não se conheceram no colégio, mas a vida os uniu e os fez compartilhar de uma amizade muito forte que qualquer um que acompanha a banda um pouco consegue perceber. As capas dos singles sempre são eles tumultuados, juntos, um em cima do outro. No Instagram, as fotos demonstram o carinho que têm um pelo outro, abraço, beijo no rosto, arrumar o cabelo, abotoar o botão da camisa, coisas simples de convivência que criaram e demonstram muito o que a Chico e o Mar é: jovens garotos com um sonho em comum e uma amizade linda.

As composições

As músicas da banda na maioria são composições que o Dan trouxe com ele da sua carreira solo e então os cinco repaginaram para a versão Chico e o Mar. Antes era uma versão mais Dan, mais grunge e a Chico colocou aquela pegada divertida, alto astral, leve, brasileira, dançante. Eles são o que eles próprios chamam de Indie Pop dançante.

Dan e Gui tem uma capacidade de composição rápida. É algo muito orgânico, depois que sai das mãos deles, o Caio pensa em um riff e uma melodia e em seguida vai para o Frade e para o Gui contribuírem.

A história por trás da música Vida:

Vida é uma canção que representa muito a ideia de como as letras que o Dan trouxe da carreira solo foram transformadas pela banda em conjunto. Ela nasceu de um romance que ele viveu, um relacionamento que ia e voltava (claro que você está passando ou já passou por isso, certo?).

“Claro que não vou te deixar

Para de pensar assim

Deixa o coração guiar

Segue o que ele mandar”

No final ela foi embora, o relacionamento acabou e o Dan estava solteiro, mas não sozinho, porque a vida o trouxe o Caio, o Gui, o Gu e o Frade. Juntos eles mudaram a melodia daquela canção e adicionaram um detalhe ao final.

“Mas não é você quem vai me fazer feliz

Não é você quem vai me deixar aqui”

Foi importante contar que depois de tudo positivo que a música trouxe, o romance acabou. Estamos acostumados a não querer que as coisas vão embora, mas uma hora acaba acontecendo.  A música então serve como abraço, um consolo para esses corações partidos.

Mas não só de tristeza e melancolia vive a Chico e o Mar. Sereno, a segunda música, já tem algo mais dançante, flertando com o pop.

A banda não se prende a estereótipos. Sempre se expressam da forma que querem e autenticidade é uma palavra boa para definir. E por falar em autenticidade, a banda já foi campeã de uma Sessão Autêntica, evento que acontece na casa Autêntica. Falaremos dela mais para frente.

Festa é uma pegada mais orgânica e lenta, com inspirações no Clube da Esquina. Carnaval é uma música mais animada. Já o último lançamento, Afogado, quebra todas as expectativas, ritmo lo-fi, baixa produção. O Gui fez o beat do celular e o Dan gravou em um fone de 10 reais. Mesmo assim, a música bomba nas plataformas de streaming.

A relação com os fãs

Se você está procurando uma banda para ser fã, a Chico e o Mar é uma ótima opção. Eles vão te tratar como amigos, trocar ideia com você e te chamar para beber junto antes dos shows. Como eles denominam o rolê, “Chico e o bar”. E se depois do show você ainda estiver animado, pode encontrá-los pela Savassi para beber mais e se divertir.

A banda é construída em um conceito de amizade e, por isso, eles tentam quebrar a ideia de ídolo e tentam se aproximar dos fãs pela interação. “Chico e o zap” é o grupo de Whatsapp onde eles realizam uma troca mais íntima com quem curte o som deles. Esse público apresenta um retorno muito positivo ajudando a banda com divulgação, seja comparecendo em shows, divulgando clipes novos ou filtro do Instagram.

A ideia de Economia Colaborativa:

A Chico e o Mar é uma banda jovem, cheia de energia e vontade de produzir o novo. Porém, jovens e estudantes no começo da carreira, passam pela famosa dificuldade de todas as bandas independentes: a grana.

Acontece que a geração Z de mentes jovens e revolucionárias como a Chico e o Mar aprendeu como administrar essa situação a seu favor. Com a noção de economia colaborativa, a banda aprendeu a abraçar quem está por perto, fazendo trocas com as pessoas que estão no cenário da arte.

Belo Horizonte sempre foi um lugar de muito fluxo de produção. Principalmente em um momento que existem olhos voltados para a capital mineira, a ideia de pessoas produzindo em conjunto, crescendo e ganhando visibilidade é algo muito importante.

Ao invés de pensar no melhor fotógrafo da cidade, a banda vai em busca de pessoas que eles acreditam que são boas e possam trabalhar de forma colarativa com eles. Todos ganham. A banda tem crescido para fora da capital mineira, por isso, o trabalho de quem os ajuda também.

 

*Esse produto resultado do Trabalho de Conclusão de Curso do Centro Universitário Una da Jornalista Bianca Morais.

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*Por Bianca Morais ,

E hoje é dia de música!!! Sim, vamos dar continuidade ao Almanaque de Bandas Independentes. Na publicação de hoje, destaque para a banda Devise.

DEVISE

Mote:

Substantivo masculino.

[Literatura] Estrofe que, localizada no início de uma composição poética, é utilizada como razão da obra, desenvolvendo o tema do poema.

Ok, mas por que eu estou explicando isso?

Porque em francês a palavra Mote é traduzida como Devise. E é dessa banda que vamos falar agora.

Não, eles não são franceses, muito menos falam francês. Mas o vocalista, Luís Couto, na procura de um nome para a banda, para além de um significado, procurava por algum nome forte que soasse legal e marcasse a imagem da banda. Começou então a pesquisar qualquer coisa que viesse à cabeça e traduzia para outras línguas para ver se soava interessante em português.

Estudando um pouco a estrutura de poesia, acabou lendo sobre o mote, o tema central da poesia, a essência de tudo.

Pensou então “bacana, mas Mote é um péssimo nome para uma banda.”.

Jogou em um dicionário e em francês deu Devise.

Pronto, é isso.

Apesar de no final ter um significado marcante, não foi esse o principal objetivo.

A banda nasceu em 2012 na cidade de São João Del Rei, onde o Luís e o Bruno Vieira (Mike, guitarrista) cursavam administração na UFSJ (o Mike era calouro do Luís). O Luís já conhecia o Daniel Mascarenhas (D2, baterista) lá de Bom Despacho, cidade natal dos dois, onde tocavam covers. O Bruno Bontempo (baixista) foi o último a entrar, substituindo o Coruja que ficou um ano na banda, pois havia substituído o Rafael Carvalho, que virou médico em 2016 e saiu da banda.

O Luís e o D2 tinham uma banda cover, o Luís possuía algumas músicas engavetadas e pensou em colocá-las para jogo. Ele já fazia parte de uma banda autoral, a Churrus, (escutem Oldfield Park da Churrus, também nas plataformas digitais), mas sentia que os estilos não combinavam muito e resolveu começar um novo projeto.

Luís chamou seu calouro Mike para gravar algumas dessas músicas e foi instantâneo, a banda precisava de um guitarrista como ele. Na época foram gravando três ou quatro músicas, guitarra e voz, e foi quando decidiram começar a ensaiar com a banda toda. O Rafa e o Daniel iam para São João Del Rei e a banda começava nascer ali.

O primeiro EP saiu no mesmo ano. Houve o lançamento e começaram a fazer shows, principalmente em Belo Horizonte, Bom Despacho e São João Del Rei, as cidades com as quais tinham um vínculo pessoal. O repertório no início era mesclado com alguns covers, mas apenas para preencher o setlist, já que o EP contava com 5 faixas. Como uma boa banda independente no começo, por mais que tocassem cover, a Devise sempre procurou dar o seu estilo para essas músicas.

Durante o ano de 2013, a banda ficou um pouco parada voltando apenas no final quando começaram a gravar o álbum Lume. Em 2014, houve o lançamento do disco e desde então não pararam mais. Posteriormente, em 2017, veio o Petricor e diversos singles.

Informações úteis para você continuar lendo sobre a Devise: o apelido do Daniel é D2 por causa da época do colégio. Na sua turma tinham três alunos com o nome de Daniel e ele era o segundo (não tem nada a ver com o Marcelo D2).

O Bruno Vieira é o Mike. Quando era mais jovem, era branquinho, magrinho e o cabelo grande levou os amigos a chamá-lo de Mick Jagger ou Michael Jackson, então a junção desses apelidos deu origem ao Mike.

Explicações dadas, como bons rockstars, vou me referir a eles aqui pelos apelidos que são conhecidos.

Banda geradora de caixa, não é uma banda geradora de lucro

A Devise está no mercado de bandas independentes há oito anos e hoje é uma das bandas de rock mais conhecidas da capital mineira. Já tocou no mesmo palco de grandes nomes da música brasileira, como exemplo, a participação no Breve Festival com Mano Brown, Iza e Djonga.

Já produziu com Jean Dollabella, tocou junto com Andy Summers, do The Police e João Barone, do Paralamas do Sucesso. Foram entrevistados pelo Henrique Portugal e sempre é lembrada pelo Samuel Rosa, do Skank.

Mas nada veio de mão beijada para os meninos vindos do interior, que não cresceram na capital, não tinham contatos do meio musical e não conheciam produtores musicais, que são as principais pessoas para abrir portas para shows. Tudo que conseguiram até hoje foi porque desde cedo eles correram muito atrás para conquistar. Foi com o tempo e entregando shows de qualidade que passaram a criar os contatos.

Realidade seja dita que para uma banda independente se manter, principalmente quando quer atingir um material de qualidade igual ao da Devise, há um custo financeiro alto por trás. Todos os rendimentos deles são para a subsistência da banda, seja na gravação de discos ou clipes.

A Devise é uma banda geradora de caixa, não de lucro. O Mike, Luís, D2 e Bontempo não sobrevivem à custa da Devise. Eles, assim como a maioria das bandas independentes, têm outros empregos e são realistas quando afirmam que é necessário ter outro trabalho que permita fazer o que querem. No meio da música independente, é fundamental que uma banda ame o que faz, pois somente isso fará com que continuem.

Os meninos da banda sempre correram muito atrás de tudo que conquistaram e entre eles existe admiração mútua e amizade muito grande. Viver de música não é fácil e desistir nunca foi uma possibilidade, mas sempre que alguém estremece, o que os mantêm firmes e fortes são os shows. O vício dos quatro integrantes é o palco. Quando se reúnem em cima dele para tocar, sentem a energia, a força e a vontade de não se render.

A amizade é outro elemento fundamental para a sobrevivência de uma banda independente, porque quando um companheiro de banda pensa em desistir ou começa a ficar distante, é pela amizade que os outros o trazem de volta. É uma questão pessoal.

Parar? Jamais. A sensação que os novos lançamentos proporcionam a eles dá a sensação de que o trabalho está acontecendo e, mesmo com as dificuldades e perrengues, a banda está viva.

A sintonia da banda

A Devise é uma banda que trabalha em sintonia, cada um de seus membros traz ao grupo diferentes referências e, todas unidas, cria-se uma liga. Cada cabeça consome influências diferentes e também conversam entre si.

Uma analogia breve sobre a Devise, por Bontempo:

A música tem que funcionar como um carro.

D2: funciona como uma força, tanto fisicamente por tocar a bateria, como no som dele, que é bem particular e bate no peito de uma forma diferente dos outros bateristas. Sendo então o motor desse carro, algo que move. Mesmo com seu jeito caladão, ele faz as coisas acontecerem. Segundo os outros colegas de banda, também pode ser o tanque de gasolina, porque bebe muito.

Bontempo: seria o volante que, em suas próprias palavras “o chato que só dá a direção, mas não faz nada”. Manda ir para lá, vir pra cá, mas, na verdade, é apenas o famoso palpiteiro. Os colegas, no entanto, afirmam que é um homem franco, tanto na personalidade quanto no seu som.

Mike: os adornos, os kits. Tudo de requinte e tudo que a gente reclama em um carro. Todas as coisas bonitas, os detalhes, a atenção.

Luís: as rodas. Não importa se você tem um baita carro, um motor excelente, os adornos e kits mais bonitos ou quem está na direção, sem as rodas não se vai a lugar nenhum. É o essencial para o carro andar.

O Mike fissurado em Led Zeppelin, o Bontempo em Red Hot Chilli Peppers, o Luís em britpop e o D2 metaleiro. Essas referências são muito encontradas nas músicas.

Se você escutar Go With the Flow do Queen of the Stone Age, vai gostar de Bodatista.

Se você escutar Berlin do Black Rebel Motorcycle Club, vai gostar de Indra.

Resgatando todas as referências, acabaram produzindo uma identidade sonora que vem amadurecendo muito desde o primeiro EP até hoje. A mudança do som de um disco para outro se dá principalmente pelo reflexo do que eles estão consumindo como música.

Em oito anos de banda, a Devise aprendeu a ousar mais. Sem medo de arriscar, atribuem elementos que gostam e escutam em suas músicas. Já colocaram órgão por influência de Deep Purple, guitarras mais barulhentas por causa de Oasis e guitarras mais rasgadas por causa de Led Zeppelin e Whitesnake. Em um disco da banda você vai tudo isso e muita referência do britpop e indie rock. E assim eles se enquadram no famoso rock alternativo.

Cada música surge de um jeito. Algumas enquanto estão passando som antes de algum show, alguém começa a tocar alguma coisa e dali sai uma base que é trabalhada na produção. Tem as músicas que o Luís escreve, tem outras que saem de um riff do Mike. No Whatsapp, a banda tem um grupo destinado apenas às ideias sonoras, então quando finalmente se reúnem no estúdio o processo flui bem rápido. Eles apenas unem o que foi discutido anteriormente no grupo, consolidam e colocam em ação.

É claro que essa rapidez e fluidez vem também do tempo de banda, que faz cada um entender mais de si e do grupo, se comunicar e pensar melhor. Criar playlists com referências também é uma dica que a banda dá para que todos entrem em sintonia e entendam melhor o projeto que um deles está propondo.

O Luís é o compositor principal e o grupo trabalha em volta fazendo os arranjos ou interferindo em alguma letra que ele compõe. As composições mudam de acordo com o momento de vida pelo qual passam. As letras, em sua maioria, são inspiradas em situações cotidianas e pessoais.

O bilhete de Kurt Cobain a Arnaldo Baptista

Nem somente de algo pessoal falam as músicas da Devise, um exemplo disso é Bodatista. A música nasceu depois que Luís assistiu ao documentário do Arnaldo Baptista, mais precisamente no momento em que o artista fala do bilhete que Kurt Cobain, ex-vocalista e guitarrista da banda grunge Nirvana, escreveu para ele. Na época, Kurt veio ao Brasil e queria encontrar o integrante da banda Os Mutantes, porque o considerava sensacional. Porém, o encontro não aconteceu e, por isso, ele escreveu um bilhete ao músico:

“Arnaldo, te desejo o melhor e cuidado com o sistema. Eles te engolem e te cospem de volta como o caroço de uma cereja marrasquino. Com amor, Bill Bartell da Gasatanka Records e White Flag e Kurt Cobain do Nirvana”.

Isso o tocou muito, porque o vocalista enxergou que os dois artistas compartilhavam a mesma dor do julgamento das pessoas por ser quem eles queriam ser. Assim, resolveu fazer uma homenagem a ambos.

O nome da música vem da capacidade incrível do Luís de dar nomes (por mais que ele diga que não) a tudo. Fã de Kurt Cobain, Luís estudou o músico e descobriu que Cobain tinha um amigo imaginário e que o nome era Boddah, por isso Bodatista, vindo do encontro dele e do Baptista.

Luís, tenha a certeza de que sua imaginação e criatividade para nomes é realmente muito boa e muito diferenciada, por assim dizer.

Mesmo o rock não estando no seu auge, ainda há um grande público em seu favor. A Devise procura atrair a galera que quer conhecer bandas novas, abrindo a mente deles para o rock local, além de atingir pessoas que não querem ouvir AC/DC, Strokes e Oasis para o resto da vida (não que isso seja um problema).

Abrir a mente é algo essencial para começar a gostar de bandas autorais e independentes. A Devise foi a primeira que escutei. Me lembro como se fosse ontem o dia que uma amiga me fez ir ao show deles em um evento onde só tocariam bandas independentes e o ingresso custava 20 reais, no Espaço Do Ar. Imagina um lugar longe, é lá mesmo. E outro detalhe, só vendia cerveja artesanal e… xeque mate!

Para mim, jovem que ama cerveja barata e escutar bandas covers que tocam um pouco de tudo que eu gosto, ir a um rolê onde eu não saberia cantar nenhuma música e também não beberia, era um sacrifício enorme por uma amizade que valia ouro (a minha, no caso).

Chegando ao evento, para minha surpresa, não somente as bandas eram autorais, mas até o DJ só tocava música autoral. Me senti perdida e entediada, até que chegou a hora do show.

A minha amiga já era muito fã da banda e, como boa fã (e a amiga da boa fã), nos posicionamos na frente do palco. A Devise começou e imediatamente algo mudou. Tudo que eles tocavam me remetia a bandas que eu gostava muito. O show foi acontecendo e as músicas entrando na minha cabeça de uma forma involuntária. A voz do vocalista parecia tanto com a do Liam Gallagher que, quando ele abriu a boca para cantar Além do Próprio Espelho, na primeira frase “deixa o dia recomeçar”, eu achei que ia sair um “today is gonna be the day” ali. Não saiu, mas que música boa.

O show foi todo autoral e juro para vocês, nem um coverzinho. Eu não conhecia nenhuma música. A minha boca nem mexeu, mas a minha cabeça estava a milhão. Quando entramos no Uber para ir embora, fui despejando na minha amiga tudo que eu conseguia lembrar de frase ou de melodia para que ela me falasse o nome da música. No dia seguinte eu já estava com a playlist Devise pronta no meu Spotify e dali não parei de ouvir mais.

O segundo show que fui deles e o primeiro com as letras na ponta da língua, foi n’A Obra. Ali eu me sentia em um mega show, de uma banda super famosa que eu era muito fã. Eu realmente cantava as músicas com emoção e eu conhecia todas. Foi incrível. Dali para frente, em todos os shows consigo ir, eu vou e me divirto muito.

Agora eu vou falar porque você deve escutar as bandas independentes da sua cidade. Sempre vai ter show. Sabe a sua banda internacional favorita que vem ao Brasil de 2 em 2 anos e olhe lá? Então, sempre haverá show das bandas da sua cidade. Você sempre vai ter a oportunidade de sair pelo menos uma vez no mês para se divertir e cantar ao vivo as músicas que canta lá no busão ou no banho. Tem coisa melhor? Além disso, por que ouvir uma cópia de grandes sucessos se você pode ouvir algo original e diferente? É ótimo passar a madrugada bêbado com amigos ouvindo e vendo alguma banda cover reproduzir Live Forever do Oasis, Californication do Red Hot e You Shook Me All Night Long do AC/DC, mas experimenta a sensação de ir a um show da Devise e ouvir toda a plateia cantando o refrão de Sem Fim, em coro. Abra sua mente e dê uma chance para o cenário local.

 

*Esse é um produto resultado do Trabalho de Conclusão de Curso do Centro Universitário Una da Jornalista Bianca Morais.

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*Por Bianca Morais

Se você está começando a ler aqui esperando que eu conte o significado profundo das siglas O-U-S, que formam o nome da banda OUS, então sinto em lhe contar que não tem significado nenhum.

Não é coruja em inglês e não tem nada a ver com mitologia da Índia.

Segundo Raphael Jardim, vocalista da banda, um amigo de escola, o Marcelo, se referia aos integrantes da banda dessa forma, uma variação de “OU”. Um OU elaborado, por assim dizer. É uma brincadeira interna entre amigos que criou um significado especial para eles.

E é entre amigos de escola também que nasceu essa banda. Eles se uniram inicialmente lá em 2001 (ultrapassando então a idade da Radiotape), com uma conexão musical muito forte, apesar de certas especificidades, elemento em comum como Beatles, Oasis e Foo Fighters, uniram 7 garotos do ensino médio que participaram de alguns festivais e depois acabaram seguindo caminhos diferentes.

Houve um intervalo entre 2002 até 2010, período em que tocavam apenas por diversão.

Mas foi cerca de 10 anos depois do início da banda que o Rapha e o Léo se encontraram  por coincidência na rua, trocaram uma ideia “Pô, por que a gente não volta a tocar?” Segundo o baterista foi assim que a banda se reuniu, e dessa vez com a intenção de um projeto mais sério.

A primeira formação profissional da banda então foi: Raphael Jardim (no vocal), Leonardo Ghudor (na bateria) e Henrique da Mata (na guitarra). O power trio. Nessa época viraram residentes no Collins Pub aonde chegaram a fazer mais de 100 shows. Tocavam covers, mas sempre procuravam mostrar também suas autorais.

Antes mesmo de se tornarem profissionais, lá no embrião da banda, eles já trabalhavam com autorais, os shows que faziam tinha covers, mas o foco sempre foi o autoral. No começo, essas músicas eram um tributo aos seus artistas favoritos, o que é supernormal em uma banda no início de carreira, ser influenciada pelo som que gosta.

Com o tempo vem também a maturidade, com os anos a banda OUS foi criando um som mais com a sua cara, uma personalidade só deles. A banda se define como rock alternativo, aquele rock moderno, um pouco pesado, um pouco clássico. Segundo eles, um pouco de The Killers com um pouco de Beatles.

As letras na maioria são compostas pelo Rapha e a melodia, na maior parte pelo Leo. O Rapha dá os temas e o Léo o ritmo e melodia, trabalham juntos no estúdio fazendo a fusão dessas ideias.

Rapha é um compositor diferenciado, enquanto muitos se inspiram apenas em experiências pessoais, o vocalista da Ous se inspira também em fantasias. Apaixonado por literatura, além das situações que vive em seu dia a dia ele gosta de pegar elementos de livros que leu.

Admirável mundo: O nome da canção não é uma mera coincidência com o livro Admirável Mundo Novo do Aldous Huxley, um dos favoritos de Raphael Jardim. Segundo o músico, o livro conta a história de uma sociedade escrava do entretenimento onde as pessoas sofrem de depressão e tomam um remédio, o Soma, para sobreviver à doença. O livro marcou muito o cantor que uniu a história a uma experiência que viveu. Um dia, caminhando com seu cachorro pelo seu bairro, descobriu que uma menina havia se suicidado bem no lugar onde ele passava todos os dias, poucas horas antes dele passar por lá. Isso foi algo que lhe marcou muito, pois caso tivesse passado antes poderia estar ali no momento.

“Se tem alguém pra me salvar

Você

Me de às mãos  vamos voltar

O mundo é seu”

Ele casou essa experiência com o tema do livro. “Como uma menina poderia querer tirar a vida?”. Uma coisa levou a outra e saiu a letra.

Se depois de ler toda essa história você acha que daí nasceu uma canção triste, você está errado. Porque não só de Rapha existe a Ous, mas também de Léo. Quando o vocalista chegou com a música para a banda, ele tinha uma ideia de ritmo que foi quebrada pelo baterista completamente.  Léo compôs a parte rítmica todo sozinho. É uma melodia animada, que dá vontade de chorar apesar da história da música, escutá-la da vontade de dançar.

Essa é a banda Ous, as letras registradas em conjunto são assinadas por todos, são músicas verdadeiras, que tentam se conectar com pessoas que se identificarem com a banda. Para eles o mais importante é fazer uma música criativa e original que leve as pessoas a terem interesse de escutar. Todo o resto, marketing, fazer show, para eles é acessório, o fundamental é uma música criativa, pois sem isso a banda não tem nada.

Diferente da maioria das bandas que você vai encontrar neste almanaque, a banda Ous tem composições em inglês e não é porque eles são antipatriotas, mas porque as músicas são escritas da forma como elas surgem na cabeça, então às vezes elas vêm em forma de melodia, outras como letra, ritmo, às vezes em inglês e às vezes em português. Mas eles se defendem dizendo que preferem as músicas em português, afinal, inglês está em um ambiente mais genérico, a maioria do mundo canta em inglês, mas em português fica mais autêntico.

Para treinar um pouco seu inglês escute aí: Speechless (a favorita do Rapha).

Durante muito tempo a composição da banda foi Rapha, Léo e Henrique. Em 2013, buscando uma forma de dedicar mais tempo à banda, Rapha e Léo pediram demissão de seus respectivos empregos, porém Henrique tinha outras prioridades profissionais e escolheu se dedicar à carreira de advogado, foi então que saiu do grupo. Como grandes amigos, a saída de Henrique abalou muito a banda, que começou a refletir se queria mesmo continuar.

Será que tá funcionando?

Será que a gente é talentosa o suficiente para fazer isso?

Será que vai ter gente querendo ouvir a gente?

Toda boa banda já pensou em algum momento em desistir, porém a resiliência e a vontade de fazer dar certo serviu de incentivo para eles continuarem.

Henrique da Mata posteriormente acabou engatando um projeto solo, a banda ous chegou a gravar com ele seu disco solo, assim também como Henrique continuou a tocar algumas vezes com eles, entre essas vezes a gravação de Paris. Confira a música Mar aberto e também todo o ep Liberdade nas plataformas de streaming.

O dia 7 de junho de 2014:

Essa data é mais que especial para a banda Ous, pois foi o lançamento do seu primeiro EP, o “Amor Vincit”, no Studio Bar. E não foi uma noite especial só para eles, naquele sábado além do lançamento do primeiro EP da Ous, a Radiotape lançava seu EP “Novo dia” e a Devise (vamos falar deles na sequência) lança seu cd “Lume”. Bandas autorais lançando de forma independente trabalhos autorais em uma casa de show lotada. A memória é fresca na mente de todos os membros dessas bandas.

Rapha e Léo relembram o momento de “banda à moda antiga”, todos eles reunidos no camarim antes e depois dos shows. Ali ninguém tinha estourado, mas o clima de amizade e cumplicidade, de sentir que o movimento das bandas estava acontecendo, que realmente tinha um público que estava escutando e cantando a músicas deles e a união para fazer um evento por conta própria despertava a sensação de que seus projetos estavam dando certo.

 

*Esse é um produto resultado do Trabalho de Conclusão de Curso do Centro Universitário Una da Jornalista Bianca Morais.

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*Por Bianca Morais

Hoje vamos apresentar a primeira Banda do Almanaque Bandas Independentes. Venha conhecer a história da Radiotape, há 14 anos na estrada, os rapazes já viram todo o cenário da música de BH crescer e evoluir. Para quem curte um rock vale a pena conferir.

Badaró deu à luz a Radiotape (ao EP também, mas falamos mais pra frente) no ano de 2006. Vindo de Ubá, trouxe consigo as ideias no papel e no violão. 14 anos de banda não é para qualquer um, por isso seus integrantes mudaram muito desde o começo até hoje. Muitos amigos passaram pela banda que, atualmente, tem como formação Adilson Badaró nos vocais, Bruno Bentes na bateria, Henrique Rocha na guitarra e Bruno Groth no baixo.

“Banda é aquele negócio, você vai fazendo, mas sua vida vai tomando um monte de direção”, conta Badaró.

Em 2010, o segundo integrante mais antigo entrou na banda, o Bentes. Após a saída do antigo baterista, Caputo, que havia começado com o Badaró a banda, a Radiotape procurava por alguém para ocupar o seu lugar. Por indicação de amigos em comum e, por tocar Beatles e Strokes, as ideias foram batendo, Badaró e Sallum convidaram o Bentes para tocar com eles e está aí até hoje.

*Pode ser que quando você for a um show da Radiotape, da Ous ou da Devise, vai escutar a galera chamando o Bentes de Frendes, e não, você não está confundindo um nome com o outro. Às vezes ele é o Bentes e às vezes ele é o Frendes, e às vezes todo mundo é Frendes.

Confuso? Sim. Mas vou tentar explicar. O Badaró tem um amigo no trabalho que sempre chegava e falava “Fala, Frendes”. Um dia, o Badaró foi perguntar para ele o porquê dele sempre chamar todo mundo de frendes, e ele explicou que friends é amigo em inglês.

Explicação óbvia? Poderia até ser, se não fosse por causa do Bentes. Quando o Badaró conheceu o Bentes, ele já usava o frendes e explicou o sentido para ele. Acontece que o Bentes começou a falar Frendes mais que todo mundo, e então todo mundo passou a chamá-lo de frendes. A combinação com o nome? Coincidência.

Não sei se consegui ser clara o suficiente na explicação, mas acredito que se você tentar ler mais umas cinco vezes você consegue, vai lá, faz um esforço.

BH É UM OVO e eu vou explicar o porquê.

Acasos não acontecem nessa banda, ou acontecem. O Henrique, talvez você o conheça por Toxina, ou talvez você nem o conheça, é primo da Verônica, que é noiva do Badaró, que o indicou para tocar baixo na banda. O Badaró já conhecia o Toxina de outros rolês. Mais precisamente pelo tal de Rodner que estudou com Henrique na UEMG em 2009 e o levou para tomar uma na Savassi e, chegando lá, conheceu o amigo dele, o Badaró. Então não foi difícil sua entrada na banda lá em meados de maio de 2016. Ele entrou no final da gravação do EP Luz.

O EP conta com as faixas Luz, Capataz, Fotossíntese e Vou Seguir. Confira nas plataformas de streaming.

O nome Toxina, segundo ele, vem lá de sua antiga banda de hardcore no colégio.

E mais um acaso? A Verônica, noiva do Badaró, também é cantora independente. Confira nas plataformas a música “Além de mim”.

O Groth já conhecia o som da Radiotape por meio do Bentes por tocarem nos mesmos lugares com suas bandas covers de indie rock: a Konk e a Juicebox. Em 2017, a banda se encontrava sem baixista para um show depois que o Raphael Jardim, da banda Ous (falaremos dela na sequência) que estava tocando na Radiotape precisou sair. Bruno entrou, fez um show rápido, e desde então não saiu mais.

Lembra que eu pedi para se concentrarem nos detalhes, certo? Ainda tem muita história para descosturar nesse rock independente de BH.

Radiotape: Assim como a maneira que Badaró escutava as músicas na sua infância e adolescência, sempre em fita, as primeiras gravações da banda também eram gravadas nelas. Por isso, do inglês tape, a banda Radiotape. Caso estejam se perguntando, a pronúncia correta é: rádio (em português) e tape (em inglês) = Radiotape. Junta aí e é só sucesso.

A Radiotape não gosta de rótulos. Produz suas músicas, mas também se diverte tocando músicas das bandas que gostam. Em suas letras autorais você encontra a mistura de todas as influências, desde o pop rock até o britpop. Segundo eles, é um som bem orgânico e nada industrial. Eles fazem música de forma natural e porque gostam de fazer isso.

Se para alguns o rock está morto, para eles está bem vivo e não têm medo de explorá-lo cada vez mais.

A mistureba da Radiotape:

Tem Oasis, Led Zeppelin, Beatles;

Tem Legião Urbana, tem Capital Inicial, tem Skank;

Tem Clube da Esquina (como todo bom mineiro que faz música);

Tem aqueles que dizem que lembra um pouco Cachorro Grande;

Tem o Badaró que carrega consigo suas raízes caipiras e tem também o Henrique acelerado no hardcore.

Cada um acrescenta e agrega um pouco ao som.

Na hora de compor, é o Badaró que chega com a melodia cantarolada e então só depois a letra vem aparecendo. Melodia é a raiz da letra.

Tonight: É um exemplo de música que veio do cantarolado de Badaró e depois quem disse que conseguiram substituir a palavra tonight? A banda sem rótulos não viu nisso um problema e resolveu manter a palavra em inglês.

A canção é sobre nossa sensação na noite, de liberdade, despreocupação.

“Quando perceber que é fácil, se perder pelo espaço, quero não sentir limites, TONIGHT.

Vou sair ter que voltar, se perder não quero procurar, vou dormir sem ter que acordar”.

Aproveitando a pegada de “Tonight”, confira também “Enquanto os outros dormem”.

Enquanto os outros dormem, a Radiotape sai por BH curtindo o momento. A noite deles demora a terminar e, quando acaba, geralmente é lá no Rei do Pastel, tomando uma cachaça.

“Pegue o copo fique mais um pouco ainda temos muito para conversar. Oh não vá.

Sei que é tarde mas ainda é cedo nossas noites nunca vão se acabar antes das seis”.

Curiosidades

Em 2008 a banda abriu o show do Keane.

Agora o interessante da história está em como eles conseguiram.

Diferente do que acontece hoje em 2020, lá em 2008 não tinha isso de plataformas de streaming e quem queria divulgar suas músicas carregava um CD.

E foi assim que em um show do Little Joy, Badaró entregou um disco da Radiotape para o produtor do evento, falou da banda e que caso houvesse uma oportunidade, poderiam abrir um show da Patofu (humildes sempre). Conversa de porta de casa de show, como conta o vocalista da banda.

Esse produtor deixou esse CD no escritório, onde a secretária começou a ouvir.

Na época, a banda Fresno, que abriria os shows do Keane no Rio de Janeiro e São Paulo, não viria para BH, abrindo as portas para as bandas da capital. O produtor então juntou o material de algumas bandas e a secretária dele colocou junto o CD da Radiotape, dizendo ter gostado muito do som. Esse material foi enviado à produção do Keane, que escolheu a banda Radiotape.

“Gratidão eterna à secretária que curtiu nosso som”.

Para a banda, eles não miram um público específico, fazem as músicas e esperam atingir quem se identifica com elas.

 

 

*Esse é um produto resultado do Trabalho de Conclusão de Curso do Centro Universitário Una da Jornalista Bianca Morais.

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Uma série dedicada às bandas independentes da capital mineira

*Por Bianca Morais

O Jornal Contramão, a partir de hoje, apresentará uma vez por semana histórias do Almanaque Bandas Independentes, produzido como meu Trabalho de Conclusão de Curso. No projeto entrevistei bandas independentes de Belo Horizonte e contei um pouco sobre suas histórias. Para começar, apresento uma parcela sobre o cenário desses artistas que tem crescido nos últimos anos. Nesse trabalho passaram grupos bem conhecidos da capital mineira, são eles: Radiotape, Ous, Devise, Chico e o Mar, Matiza, Lamparina e a Primavera, Rosa Neon, Duetê, Papa Black e Daparte. Então, fique de olho aqui no nosso site e nas redes sociais que a cada semana traremos uma banda diferente.
Confere aí, vale a pena!

Um pouco de história 

Belo Horizonte é um berço de grandes compositores que construíram boas referências na história da música belorizontina. Porém, de um tempo para cá é possível visualizar uma movimentação maior do cenário da música independente crescendo, com muita gente produzindo conteúdo de qualidade.

A cena independente de BH vive então uma nova fase que já se repete há alguns anos.

Tudo começou na década de 60 com eles, os pioneiros, o Clube da Esquina. O movimento musical mostrou que mineiro sabe fazer música boa, com grandes nomes como Milton Nascimento, os irmãos Borges e Beto Guedes. O grupo serviu de ponta pé para o Brasil enxergar que Minas é berço de grandes artistas.

Anos depois, outras bandas marcaram o cenário musical belorizontino, foram elas Skank, Jota Quest, Pato Fu e Tianástacia, bandas que explodiram e fazem sucesso até hoje nas rádios do país.

Depois desse boom de bandas de pop rock lá no final dos anos 90 e início dos anos 2000, mais uma vez o cenário se apagou. Durante um bom tempo, as bandas de Beagá ficaram adormecidas e voltaram a acordar poucos anos atrás. Para ser mais específica, com o aparecimento da banda Lagum. Com os olhares sempre voltados para Rio de Janeiro e São Paulo, a banda mineira apareceu e conquistou o Brasil inteiro com o hit Deixa, voltando os holofotes mais uma vez para a capital mineira.

O almanaque

Mas esse almanaque não está aqui para contar sobre essas bandas famosas, essas vocês já conhecem. Vou contar como a Lagum e todas as outras bandas servem de motivação para as demais bandas correrem atrás do sucesso. Depois de tanto tempo sem alguém de fato progredir, a Lagum explodiu, incentivando quem estava com sede de correr atrás de fazer seu som.

Este é um almanaque sobre bandas independentes, com artistas que se expressam através de suas próprias músicas, independentemente do grande mercado da música nacional. Fazem, assim, parte de um movimento cultural local. Durante muitos anos, antes que a Lagum aparecesse, Belo Horizonte viveu uma efervescência de música cover. O Circuito do Rock, formado por três casas noturnas (hoje apenas duas em funcionamento), foi o grande incentivo para isso. Ir para um lugar beber e escutar músicas que você já conhece parece um plano perfeito para um sábado a noite, certo?

E por anos isso ficou na cabeça de muitos. Mas tocar música de outros artistas acaba despertando a vontade de produzir algo seu, de se arriscar, e a capital mineira tem dado toda a motivação possível.

A cabeça dos contratantes também vem mudando. Se antes era somente cover e pouca liberdade para mostrar o autoral, hoje eles têm dado espaço para a galera que tem algo novo e diferente para mostrar. Afinal, no futuro você não vai querer ser o cara que disse “não” para aquela banda que está fazendo sucesso nas rádios e televisões.

Grandes festivais na cidade como o Planeta Brasil e o Sarará, que recebem pessoas de todos os estados brasileiros e até atrações internacionais, têm dado muito espaço para essas bandas independentes se apresentarem, fazendo palcos como o “Locais”, onde se apresentam artistas da própria cidade.

Cada vez mais, essas bandas têm se unido e criado festivais independentes para tocarem; e o mais interessante é que o público está realmente pagando, comparecendo e valorizando esse cenário. A vontade de conhecer coisa nova tem aparecido aos poucos na mente das pessoas.

O comportamento tem mudado e a esperança dos artistas de fazer esse movimento dar certo, também.

“Se aqueles caras da Lagum fizeram e deram certo, por que eu não vou tentar também?”

O cenário sempre existiu, mas agora com mais destaque e diversidade de estilos. Um dos fatores que motiva essas bandas a se arriscarem é a democratização do acesso. A internet e a facilidade de conhecer conteúdo novo caminha ao lado do trabalho independente.

É um momento muito bonito e justamente por isso não foi nada fácil selecionar as 10 bandas que aqui estão.

Todos os nichos e gêneros têm artistas fazendo um trabalho maravilhoso, mas para poder registrar e mostrar um pouco do que está acontecendo selecionei bandas de rock e pop em que cada membro (vocal, guitarra, baixo, bateria, teclado, entre outros) tem seu papel único.

A quantidade de bandas não faz diferença porque não é um mercado de competição. Na área cultural, quanto mais diversidade, mais fácil a visibilidade de cada uma no todo. Uma banda puxa a outra e ninguém se sobressai.

Espero que goste e até semana que vem!

 

 

*Esse é um produto resultado do Trabalho de Conclusão de Curso do Centro Universitário Una da Jornalista Bianca Morais.