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A obra cinematográfica é pŕe-indicada ao Oscar 2022 e será exibida no último cinema de rua de BH 

Por Keven Souza

A partir de hoje, dia 28, em Belo Horizonte (MG), o Una Cine Belas Artes abre suas salas de cinema para receber uma das grandes produções dirigidas pelo diretor Ahmir Questlove Thompson, o documentário “Summer of Soul”. O longa-metragem chega ao espaço cultural com intuito de trazer uma experiência estética que liga o passado e o presente da indústria musical negra estadunidense. Para os amantes de cinema de rua, a produção mostra o lendário Harlem Cultural Festival de 1969, que reuniu nomes como Nina Simone, Gladys Knight, Stevie Wonder, B.B. King e tantas outras personalidades. 

Em cartaz, “Summer of Soul” estará disponível nas sessões de 16h10 e 18h20, das terças aos domingos, durante os meses de fevereiro e março. Os ingressos variam de 12 reais a 30 reais – estudantes UNA e UFMG possuem 50% de desconto no valor da entrada. E para retirar é só ir até a bilheteria local ou comprar online através do site do Una Cine Belas Artes

“Summer of Soul” foi lançado em julho de 2021, nos Estados Unidos (EUA), com duração de 1h 50min e classificação para maiores de 18 anos. Produzido em grande parte por imagens que ficaram ocultas do Harlem Cultural Festival de 1969, a obra celebra a cultura afro-americana nos diferentes aspectos da música negra, trazendo shows históricos e entrevistas atuais para revelar as circunstâncias daquela época.

Apesar de sua estreia ter sido no passado, o documentário tem sido relevante para promover discussões acerca do racismo estrutural em solo americano. Isso porque, sua realização retrata o ofuscamento das conquistas e da cultura negra em um festival que reuniu aproximadamente 300 mil pessoas em Nova York. E hoje, após cinco décadas, o público tem a chance de ter uma imersão histórica, além de identificação social, com a música afro-americana trago pela produção. 

Una Cine Belas Artes 

Localizado no coração do bairro de Lourdes, na região centro-sul de Belo Horizonte, o cinema possui um público diverso e fiel, que encanta frequentadores há mais de 30 anos, com seu espaço de café e livraria, além de três salas de cinema, como ponto de encontro para prosear ou manter uma conversa casual. 

Endereço: R. Gonçalves Dias, 1581- Belo Horizonte/MG

Funcionamento: De terça a domingo (fechado às segunda-feiras)

Telefone: (31) 3252-7232

Para garantir o seu ingresso, acesse o site ou retire na bilheteria local. 

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Por Daniela Reis

Para os amantes da animação e do Walt Disney, 18 de novembro é uma data especial. Foi nesse dia, no ano de 1928, que o famoso personagem Mickey Mouse apareceu pela primeira vez em um desenho animado. O simpático ratinho e a sua namorada Minnie foram os protagonistas de “Steamboat Willie”, a primeira animação com música e som da história. Esse pequeno filme ficou marcado pela apresentação do personagem ao mundo, datando assim, o seu aniversário.

Dirigido por Walt Disney e Ub Iwerks, produzido pelos Estúdios Walt Disney e distribuído pelo Celebrity Studios, “Steamboat Willie” foi exibido no Universal’s Colony Theater (hoje The Broadway Theatre), em Nova York.

A história de pouco mais de 7 minutos traz Mickey dentro de um barco a vapor em um rio. O ratinho aparece como capitão do barco, mas logo é “deposto” pelo verdadeiro comandante, o carrancudo gato Pete. Em certo momento, a embarcação para e surge Minnie, que se junta ao namorado. O desenho segue com o casal se divertindo fazendo música com o som dos bichos do barco!

Uma curiosidade interessante sobre a produção é que o próprio Walt Disney fez todas as vozes da animação, incluindo as de Mickey e Minnie – na verdade, são mais sons do que propriamente vozes. A trilha sonora teve arranjos de Wilfred Jackson e Bert Lewis, além das músicas “Steamboat Bill”, composição de Arthur Collins de 1911 e “Turkey in the Straw”. O nome da animação é uma paródia do filme de Buster Keaton, “Steamboat Bill Jr.”, que, por sua vez, é uma referência à música de Collins.

Mickey Mouse reapareceria pela segunda vez em um desenho em dezembro de 1928, em “The Gallopin’ Gaucho”.

Curiosidades do rato de suspensório

 – No início, o personagem principal de Walt Disney não era Mickey e sim Oswald, o coelho sortudo. Walt Disney acreditava que o personagem seria um sucesso, mas em uma viagem para tentar conseguir dinheiro para a produção, os investidores deram uma resposta negativa e, como os direitos autorais do personagem pertenciam a eles, assumiram o controle do personagem.

– O primeiro nome de Mickey Mouse, na verdade era…Mortimer!

– O nome “Mickey” foi sugerido por Lillian, esposa de Walt, que achou o nome Mortimer muito pretensioso e sugeriu Mickey. A partir daí, nascia um astro!

– As primeiras palavras de Mickey foram: “Hot Dog! Hot Dog!”, a fala faz parte do curta-metragem The Karnival Kid (1929). Daquele momento em diante, na maioria dos curtas de Mickey durante a Segunda Guerra Mundial foi o próprio Walt Disney que deu voz a Mickey.

– Apesar do nome Mickey Mouse ser conhecido no mundo todo, em italiano, é chamado de Topolino; em alemão, é o Micky Maus; em espanhol, Raton Mickey; em sueco, Musse Pigg; e em mandarim, Mi Lao Shu.

– Mickey participou da cerimônia do Oscar duas vezes. Em 1998, o personagem subiu ao palco para entregar um envelope ao ator Tom Selleck. Já em 2003, Mickey voltou a aparecer na cerimônia como animação ao lado da atriz Jennifer Garner.

– Mickey Mouse chegou à televisão em 1950. Nesta década, Walt produziu um especial de Natal para televisão chamado “One Hour in Wonderland“. O desenho clássico Relojoeiros das Alturas (1937) também foi apresentado como parte das comemorações de fim de ano.

 

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cinema movie film festival poster design background

Por Keven Souza

Quem não se encantou quando foi a primeira vez ao cinema? Ou quem nunca se emocionou ao assistir um filme que lhe proporcionasse sensações únicas? Agora, imagine como ficaram as pessoas que foram à primeira sala de cinema fixa do Brasil e se surpreenderam com a exibição do primeiro curta nacional. 

O que era representado por pinturas e telas no século XIX, se tornou algo menos atrativo e pouco crucial, quando foi possível registrar uma imagem sem ao menos pintá-la. Talvez, a partir daí tenha surgido o pontapé para que chegasse no conceito de cinema que se tem hoje. Um espaço que se enche de pessoas para exibir megas produções com efeitos visuais e sonoros, como um canal poderoso que é capaz de formar grandes nomes na indústria artística, como Fernanda Montenegro e Sônia Braga. 

De fato é graças às dificuldades encontradas em produzir curta-metragem nos séculos passados que moldaram as maneiras de fazê-lo atualmente. Por isso, o Contramão traz hoje um apanhado dessa história para que possa relembrar as ricas e diversas obras que formaram o cenário cinematográfico nacional até os dias atuais. 

O início das produções 

Uma arte que encanta, fascina e mexe com a emoção. Um espaço de histórias e movimentos, destinado a produzir obras estéticas para transcender a imaginação e realçar as sensações. Este é o cinema, um artefato cultural que carrega consigo a responsabilidade de ser uma das principais artes do mundo com a capacidade de emocionar o público através do entretenimento popular e trazer memórias únicas nas mais variadas produções cinematográficas que por meio deste lhe é apresentado. Apresentações que só existem porque certamente o cinema é um dos meios que mais usou da criatividade para acompanhar a realidade e evoluir em tempos tecnológicos. 

Sua história existe há mais de cem anos e passou por inúmeras transformações ao longo do século XX e do século XXI, quando foi exposta a primeira concepção de cinema em um cenário mundial na cidade de Paris em 1895, pelos franceses Auguste e Louis Lumière. A exibição do filme ‘Saída dos Operários da Fábrica Lumière’, dos irmãos Lumiére, não só transformou o que havia de conceito sobre captar imagens, como trouxe à tona a criação do cinematógrafo, um aparelho portátil que permitia a projeção de imagens em movimento em uma tela ou parede sem usar a eletricidade. 

Saída dos Operários da Fábrica Lumière

Com este brilhante trabalho, a invenção se espalhou por todo o mundo e possibilitou a produção de curtas-metragens, mesmo que sem som, de forma surpreendente e totalmente nova. O aparato não demorou a chegar ao Brasil. No dia 19 de junho de 1898 foram exibidas imagens capturadas do cenário da Baía de Guanabara na cidade do Rio de Janeiro, gravadas a bordo do navio Brésil, que havia saído de Boudeaux, na França. A partir daquele momento, foi escrita na história do país a primeira captação de imagens em movimento através da tecnologia do cinematógrafo. 

A primeira sessão no país 

Entre 1897 e 1898, após a criação do cinematógrafo, foi inaugurada a primeira sala fixa de cinema do Brasil, o “Salão de Novidades Paris”, no Rio de Janeiro. Na época, o local era amplamente frequentado e contou a exibição de diferentes curtas voltados ao cenário euro-ocidental com cenas do cotidiano das cidades europeias.

A sala foi aberta ao público por incentivo dos irmãos italianos Paschoal Segreto e Affonso Segreto. Afonso era o responsável interino pela aquisição dos filmes no espaço e seu irmão, Paschoal Segreto, era um dos proprietários da sala juntamente com José Roberto Cunha Salles. Os irmãos Segreto foram figuras importantes para o início do cinema no país, considerados os primeiros cineastas pela gravação da Baía de Guanabara, em 1898, com sobrenome de peso que tornou-se sinônimo do pioneirismo no cinema nacional. 

O que levanta ruídos em volta do primeiro filme feito no país, já que, assim como os irmãos Segreto, houveram quatro produções de outros cineastas, como Vittorio di Maio, que foram cruciais para legitimar as gravações em solo brasileiro. 

Apesar dos pesares, os curtas foram apresentados, ambos em preto e branco, sendo mudos e em curto espaço de tempo. Que são eles: 

  • Ancoradouro de pescadores na baía de Guanabara
  • Chegada do trem em Petrópolis
  • Bailado de crianças no colégio, no Andaraí
  • Uma artista trabalhando no trapézio do Politeama

Além disso, um dos problemas encontrados para a produção do cinema em todo o país, era devido a falta de eletricidade e como a cidade carioca era a capital da Federação na época, a situação foi resolvida em 1907 com a implantação da Usina Ribeirão de Lages, no Rio de Janeiro.

Após a inauguração da usina, foi possível aumentar os números de salas, que cresceram consideravelmente, não só na cidade, como as antigas salas de cinema: o Pathé Palace e os cinemas Capitólio, Íris e Pathé, mas também por todo o país.  

Crescimento do cinema 

Na primeira década do século XX, com a amplificação das salas de sessões no país, começaram a surgir as primeiras produções de caráter fictício no Brasil. Nesse período, o cineasta luso-brasileiro António Leal, apresenta sua película “Os Estranguladores”, considerado o primeiro filme de ficção brasileiro, com o tempo maior do que os que já existiam, com duração de 40 minutos. 

Os estranguladores (1908)

O filme obteve grande repercussão e trouxe novas expectativas para a cinematografia.  Houve também registros de filmes cantados, um gênero que contornava o fato do cinema ainda ser mudo com uma dublagem ao vivo e “Paz e amor” foi uma produção desse gênero considerada como uma das de maior sucesso nos anos iniciais do século passado. 

Em um panorama geral, o século havia começado brilhantemente com esforços voltados a estimular a cultura nacional através das ‘telonas’, entretanto, em 1910, houve o enfraquecimento dos curtas-metragens produzidos no Brasil. 

O conflito empobreceu as produções feitas aqui, além daquelas vindas da Europa, e deu margem para que Hollywood, nos Estados Unidos, se consolidasse como a grande produtora mundial de filmes. Logo o que havia de cinema em território nacional acabou sendo atordoado por produções norte-americanas e que chamavam mais atenção, tecnicamente, pela qualidade dos curtas. 

Essa confluência do estilo cinematográfico americano foi abraçado por todo o país, principalmente na década de 1930, e muitas salas de cinema começaram a priorizar inteiramente a exibição de filmes hollywoodianos. O que prejudicou na íntegra o cinema nacional. 

Com tanta negligenciada, a cinematografia do Brasil buscava atingir outras expansões, como fazer produções em jornais e revistas, por exemplo as publicações das revistas de cinema “Para Todos, Selecta” e a “Cinearte”. Desde então, na década de 30, foi criado o primeiro grande estúdio cinematográfico no Brasil, denominado de a Cinédia.

A Cinédia foi a personificação da resistência do cinema brasileiro. A companhia cinematográfica, realizava produções que exploravam musicais e temas da cultura popular, como o carnaval e a MPB. Por meio dessas ações, foi despontada uma figura icônica, a grande Carmen Miranda.

Estudiosos e cinéfilos, acreditam que foi após esse momento épico, em 1940, que surgiu a chanchada, um dos primeiros e relevantes gêneros de sucesso na história do país. Este estilo entendia que, os temas que diziam respeito ao gosto popular eram importantes para promover curtas-metragens que misturavam humor com drama musical, sendo ligados diretamente ao baixo orçamento. 

Além disso, a repercussão e o desenvolvimento da chanchada coincidiu com o surgimento do cinema falado, que foi um processo de introdução gradual no país, sendo a princípio com filmes estrangeiros e posteriormente traduzidos para o portugues.

Dentre as produções de sucesso desse gênero, destacaram-se: 

  • Moleque Tião (1941)
  • Tristezas Não Pagam Dívidas (1944) 
  • Carnaval no fogo (1949)
  • Aviso aos navegantes (1950)

A revolução do cinema novo 

Após o fim da década de 40, se manifestou o cinema novo. Um movimento de caráter revolucionário, focado em pautas sociais e políticas que passam a questionar o poder do cinema hollywoodiano nas produções nacionais e teve como ponto de partida a produção “Rio, 40 graus”, de Nelson Pereira dos Santos. O filme oferecia uma narrativa simples, preocupada em ambientar personagens e cenários que pudessem fazer um panorama da cidade carioca, que era a capital do país na época. 

O cinema novo se embebedou fortemente do neo-realismo italiano e da “nouvelle vague” francesa, com o propósito de relatar críticas voltadas à desigualdade social. Se com a chanchada havia um tom divertido nas produções, nesse período essa voz é abandonada para mostrar a verdadeira realidade do país, principalmente do Rio de Janeiro, onde as áreas turísticas ficaram em segundo plano e apareceram as pessoas pretas, as favelas e a marginalidade. 

Com isso, a nova geração de cineastas propôs deixar os percalços encontrados nas décadas passadas a fim de usar uma linguagem inspirada em traços de sua própria cultura, no caso a do Brasil. Os curtas e os longas-metragens abordavam pessoas reais em suas histórias, como trabalhadores rurais e indivíduos de baixa renda, além de que, toda trama trazia cenários simples ou naturais, com imagens sem muito movimento. Um dos principais nomes que atuaram no movimento foi o cineasta Glauber Rocha, que produziu filmes como “Deus e o diabo na terra do sol” e “Terra em transe”. 

Deus e o Diabo na Terra do Sol – Glauber Rocha

Mais tarde, na década de 60 e no início dos anos 70, surge o cinema marginal denominado também de “Údigrudi”, um gênero que vai dar continuidade à postura anteriormente defendida pelo Cinema Novo.

Chegada do século XXI e outros gêneros

De fato, a presença do cinema nacional é uma relíquia atemporal que, como vimos, existe há mais de um século, se moldando e traçando novos olhares para o que se tem da cinematografia brasileira hoje. Depois da chanchada e do cinema novo, por um longo período de tempo o cinema esteve sob controle do governo militar, durante a Ditadura Militar (1964-1985), onde sofria grande censura em continuar a mostrar a verdadeira situação social do Brasil. 

Nesse contexto, surge a criação da Embrafilme (Empresa Brasileira de Filmes), uma produtora de controle estatal que financiava um gênero que se desenvolvia naquele tempo, as pornochanchadas. Movimento que misturava o erotismo com o humor e como exemplo marcante tinha-se a produção do cineasta Bruno Barreto, “Dona flor e seus dois maridos” (1976), que fez sucesso e já foi recriado na teledramaturgia nos dias atuais.

Na metade dos anos 80, com o fim da ditadura e a chegada do videocassete, há o despontar de uma crise econômica envolta do cinema nacional. Já que, com a criação das locadoras, as salas ficaram vazias e os produtores sem dinheiro para  produzir seus filmes. Com isso, começava-se a comentar sobre a retomada do cinema na década de 90. Os burburinhos para que o cinema voltasse a produzir curtas, ganharam forças depois de anos de imersão na crise. 

A partir disso, pela persistência e o empenho do movimento, deu-se o crescimento da produção de filmes e começaram a ser fomentados grandes festivais no país. Nesse período, é exibido um dos maiores, e talvez um dos melhores, filmes já produzidos no país:  “Central do Brasil” (1998), dirigido por Walter Salles.

Central do Brasil (1998)

Já no início do século XXI, o cenário não poderia ser melhor, o cinema nacional passa ser considerado e reconhecido mundialmente. Filmes, festivais, atores e atrizes, passam a fazer parte de grandes premiações, como o Oscar e o Globo de Ouro. Tudo se deu devido aos recordes de vendas em relação às bilheterias e a introdução de novas tecnologias, como por exemplo a ilusão de percepção de profundidade dos filmes em 3D.

É com esse contexto que são produzidos os clássicos da geração e aclamados pelos públicos em geral:  

  • Cidade de Deus (2002) de Fernando Meirelles; 
  • Carandiru (2003) de Hector Babenco; 
  • Tropa de Elite (2007) de José Padilha; 
  •  Enquanto a Noite Não Chega (2009), de Beto Souza e Renato Falcão.

Dia do Cinema Nacional 

No Brasil o Dia do Cinema Brasileiro é comemorado duplamente, no dia 19 de junho e 05 de novembro e isso se deve à datas importantes da história cinematográfica do Brasil. 

Há 124 anos ocorria a primeira exibição pública de cinema no Brasil. No dia 5 de novembro de 1896, no Rio de Janeiro, foram projetados oito pequenos filmes, de cerca de um minuto cada um, para a elite carioca, na Rua do Ouvidor.

Quase dois anos depois, no dia 19 de junho de 1898, o ítalo-brasileiro Afonso Segreto registrou as primeiras imagens em movimento no Brasil. Afonso estava a bordo de um navio e gravou imagens da sua chegada à Baía da Guanabara. Alguns historiadores consideram que, na verdade, as primeiras gravações brasileiras teriam acontecido em 1897, na cidade de Petrópolis.

Como os dois acontecimentos foram memoráveis, alguns atribuem o Dia Nacional do Cinema Brasileiro ao dia 5 de novembro, outros o comemoram em 19 de junho. Outras fontes afirmam que a data de 5 de novembro seria ainda uma homenagem ao aniversário do cineasta Paulo Cesar Saraceni e também à data da morte do cineasta Humberto Mauro.

Desde aquele período, o cinema tem deixado como aprendizado que não se faz uma história da noite para o dia. É acerca de cada movimento ou gênero, que veio a surgir durante os anos, que a cinematografia do país veio a ser moldada e considerada. Hoje se consolidou uma identidade artística única que permeia canções, peças de teatros, coleções artísticas e principalmente filmes. 

Uma identidade que está em constante evolução, mas carrega consigo mesma a sua própria história. Abraça o futuro, mas nunca deixa o seu passado. E esta é a história do cinema brasileiro, recheada de resistência e resiliência!

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Filme A grande Luta, de Júlio Sales

O evento acontece a partir do dia 21 e as ações acontecem presencialmente e online 

Por Keven Souza

Entre os dias 21 e 28 de outubro, acontecerá a 8ª Edição do Festival de Cinema Lumiar, organizado por professores do curso de Cinema e Audiovisual do Centro Universitário Una. O evento deste ano pretende discutir a produção do cinema universitário feita por estudantes de toda a América Latina, que além de integrar e abordar os filmes elaborados pelos discentes, compreende as inovações estéticas diante o cenário cinematográfico das diferentes Américas. Nesta edição, o Lumiar, sucederá de modo híbrido por meio da plataforma Coioteflix e Zoom – com transmissão também no Youtube, e através de algumas sessões presenciais no Una Cine Belas Artes, seguindo todos os protocolos de segurança contra a Covid-19. Os interessados poderão participar de ambos os meios de forma totalmente gratuita. 

O festival teve sua primeira edição em 2014, e desde então vem sendo reconhecido em toda a América Latina, se superando e crescendo a cada ano para abranger e estimular estudantes de diferentes países e universidades, a mostrarem suas produções cinematográficas para concorrerem, por meio do festival, em busca do Troféu Lumiar de melhor curta-metragem universitário.  “O Lumiar é um festival escolar. Todas as etapas de produções contém a presença de alunos e digo que vai além de um espaço de exibição do curso de Cinema e Audiovisual da Una. É um espaço de troca e de intercâmbio mútuo entre estudantes da América e sua comunidade local”, define o professor e um dos coordenadores, Daniel de Lima Veloso, sobre o Festival.

Este ano a equipe de curadores foi composta pelos professores José Ricardo Júnior, Eduardo Rocha, Sávio Leite, pela professora Raquel Pelegrinni e pelas alunas Amanda Luz, Maria Eduarda Guimarães e pelo aluno Michael Nascimento. Durante o edital desta edição, que geralmente permite o envio de um curta-metragem de qualquer gênero, formato e temática, houveram cerca de 90 inscrições de curtas-metragens vindos do Brasil, Argentina, Chile, México, Cuba e Colômbia. 

Através do edital, a equipe selecionou 15 destes para a Mostra Competitiva Interamericana que farão parte do propósito de exibir um panorama da produção cinematográfica universitária das Américas. O cartaz dos indicados contém um reduto de filmes ricos e diversos, e para a sessão de abertura haverá duas produções: o filme “Eu te amo é no sol” de Yasmin Guimarães e Daniela Cambraia, vendedor do edital de produção do LUMIAR e o curta-metragem “Rua Ataléia” do consagrado realizador André Novaes, que também lançará o seu livro “Temporada” que narra o processo de feitura do longa homônimo.

Confira a programação de 2021:

21/10 – QUINTA-FEIRA

19H – Sessão de Abertura | Filme vencedor do Edital Lumiar Eu te amo é no sol de Yasmin Guimarães e Daniela Cambraia (MG, 2021, 19″) – Filme convidado Rua Ataléia de André Novaes Oliveira (MG, 2021, 11″) | Live no Youtube e CoioteFlix

22/10 – SEXTA-FEIRA

10H – Debate Realizadores Competitiva 1 | Zoom com transmissão no youtube

19H – Debate com Helena Solberg | Convidados especiais: Mariana Tavares e David Meyer | Mediação: Carla Maia | Zoom com transmissão no youtube

23/10 – SÁBADO 

10H – Lançamento do Livro Temporada, de André Novaes | Zoom com transmissão no youtube

15H – Oficina Videoclipe com Arthur Senra | Zoom para inscritos

24/10 – DOMINGO

15H – Oficina Videoclipe com Arthur Senra | Zoom para inscritos

25/10 – SEGUNDA-FEIRA

15H – Oficina Videoclipe com Arthur Senra | Zoom para inscritos

19H – Debate realizadores Competitiva 2 | Zoom com transmissão no youtube

26/10 – TERÇA-FEIRA

19H – Debate realizadores Competitiva 3 | Zoom com transmissão no youtube

27/10 – QUARTA-FEIRA

10H – Debate realizadores Competitiva 4 | Zoom com transmissão no youtube

19H – Oficina de Design de Personagens com Conrado Almada | Zoom para inscritos

28/10 – QUINTA-FEIRA

19H – Encerramento (Anúncio e exibição dos filmes premiados) | Zoom com transmissão no youtube

Além da Mostra Competitiva, o Festival conta com uma programação extensa que inclui palestras, lives, oficinas, sessões, bate-papos, entre outros. Neste ano, estão no cronograma três oficinas destinadas a abrilhantar e difundir o conhecimento cinematográfico em todo o público interessado, incluindo alunos e alunas. Uma delas é a oficina de videoclipe ministrada pelo realizador Arthur B. Senra, que será seguida também de uma mostra especial sobre videoclipes com curadoria da produtora e ex-aluna Gabriela Barbosa. Outra oficina sobre o processo de criação do filme “Rua Guaicurus” com seu realizador João Borges e a última sobre animação com realizador Conrado Almada. 

A expectativa é de que a 8º edição aconteça de forma brilhante e enriquecedora, para trazer, novamente, um importante espaço de resistência, discussão e aprendizado para a formação de cinema nos países latino-americanos. “A expectativa é muito boa, porque é um festival consagrado no meio universitário de Belo Horizonte e também no Brasil. Espero que as pessoas participem e assistam, acho que essa edição vai ser interessante para pensarmos nesse tipo de cinema – universitário – que está em pé de igualdade do cinema profissional”, diz o professor e curador do Festival, Sávio Leite.

Para mais informações acesse o site disponível ou o Instagram do Lumiar. 

Cine Una Belas Artes

Gonçalves Dias, 1581 – Lourdes, Belo Horizonte

(31) 3252-7232

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Por Keven Souza

A cinematografia sempre foi uma área vulnerável no Brasil. As repressões políticas e sociais que marcam a história do cinema nacional são intimidantes e tem afetado, ao longo dos anos, a forma de documentar e expor com contundência a realidade social no país. O Cine Belas Artes ou Belas, como é carinhosamente conhecido, é um dos últimos cinemas de rua em Belo Horizonte, que veio a enfrentar desafios financeiros e problemas internos que dificultaram, por um longo período de tempo, a função de levar arte aos amantes do universo audiovisual.

Neste ano de 2021, o Centro Universitário Una entrou com ordem de patrocínio ao Belas com intuito de proporcionar melhorias no local e permitir a reabertura do espaço para o público. A parceria tem conectado o cinema aos diversos aparelhos culturais do Circuito Liberdade, ao trazer esperança e alívio de continuar as atividades relacionadas à disseminação da cultura pela capital mineira, além de estender o local às atividades de extensão relacionadas à Una. Por isso, de vizinhos a parceiros, o Cine Belas Artes agora é Una Cine Belas Artes!

 

O Una Cine Belas Artes 

Localizado no coração do bairro de Lourdes, na região centro-sul de Belo Horizonte, o cinema possui um público diverso e fiel, que encanta frequentadores há mais de 29 anos, com seu espaço de café e livraria, além de três salas de cinema, como ponto de encontro para prosear ou manter uma conversa casual. Seu prédio, que abrigou alunos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), já foi a sede do Diretório Central dos Estudantes, e se tornou no ano de 1992, a referência cinematográfica da cidade: o Una Cine Belas Artes. 

Ao partir do pressuposto que o cinema que é de fato, hoje, constituído a sétima arte do mundo mais atrativa e passiva de entretenimento, o Belas é um espaço comprometido com grupos, eventos e movimentos estruturados, como um modelo de cinema alternativo que possui papel imprescindível na disseminação da cultura, como repertório artístico, ao usar de um reduto de filmes independentes, de arte, para propagar o que há de mais importante na cinematografia brasileira e mundial. Sua grande tela é um dos estilos de arte mais importante para humanidade, capaz de comunicar histórias ou pensamentos e opiniões, que podem criticar a sociedade ou até moldar comportamentos.

Em sua essência é característica a democratização do acesso à cultura, que por ser um cinema de rua, oferece ingressos com preços acessíveis e uma variedade de filmes de baixa circulação que o permite ecoar nas diferentes camadas sociais e econômicas ao proporcionar entradas que variam de 12$ a 25$, sendo menos excludente e mais inclusivo comparado aos cinemas constituídos nos complexos comerciais, como os shopping centers, que os ingressos podem chegar até 40$. 

André Flausino de Oliveira, professor de língua portuguesa e frequentador há mais de 20 anos do Belas, diz que o fato do cinema de rua ser acessível a camadas menos favorecidas da população é de vital importância para a perpetuação da cultura cinematográfica, sobretudo no que se refere aos filmes de arte. “O Belas é sem dúvida um marco de resistência em relação a tantos cinemas de rua maravilhosos que devido à crise e especulação financeira tiveram suas portas fechadas e que hoje existem apenas na memória de seus espectadores”, ressalta. 

Segundo ele, sua relação com o cinema é intrínseca, possui inúmeras lembranças relacionadas ao seus encontros no espaço. Uma delas aconteceu em 2019, quando ao lado de sua colega de trabalho Fernanda Mayrink, que é professora de física, pôde levar os alunos do terceiro ano do Instituto de Educação de Minas Gerais para assistir um documentário inspirado em uma crônica de Caio Fernando Abreu. “Foi sem dúvida uma alegria poder proporcionar esse momento privilegiado aos nossos alunos”, diz André.

Professor André com seus alunos na entrada do Belas

E, afirma que, os filmes apresentados geraram reflexões e impactos positivos na sua forma de ver o mundo. “Tenho um carinho imenso por esse cinema. Já assisti inúmeras produções impactantes e que me marcaram para sempre! É um espaço fundamental na vida cultural dessa cidade”, desabafa o professor.

 

Percalços imposto pela pandemia

Ao longo da história o cinema foi um dos meios artísticos que mais usufruiu da criatividade em tempos de tecnologias esparsas e hoje, mais uma vez, encontra-se obrigado a ser criativo e se reinventar diante o cenário pandêmico nestes dois últimos anos. 

A prática de ir ao cinema, que antes era um dos programas de lazer mais tradicionais, foi afetada pela pandemia que estimulou o fechamento de inúmeras salas dos mais variados cinemas do país para coibir as sessões pela pequena distância entre as poltronas e a pouca ventilação no ambiente, o que trouxe como resultado o desfalque de rotatividade e permitiu ao setor de cinema, ficar escasso e sem alternativas para voltar a faturar. 

No caso do Belas – fechado desde março de 2020 e que vinha enfrentando momentos difíceis mesmo antes deste período sensível, criou-se em setembro uma campanha de financiamento coletivo para poder arcar com dívidas, impostos e outros custos, mas com desafios econômicos para se manter aberto e continuar as exibições, ao se somar com os impasses envolvidos por ser um cinema de rua, formou-se um cenário ainda mais complicado que permitiu a situação se agravar durante a pandemia. “Infelizmente vivemos em um país cujos governantes não valorizam a cultura de modo geral e com o cinema não seria diferente”, diz André Flausino, em relação às dificuldades do Belas durante a pandemia.  

 

De vizinhos a parceiros 

Apesar de estarem próximos, este é o primeiro passo em conjunto entre o Centro Universitário Una e o Belas, a parceria, em formato de patrocínio, foi noticiada logo no início deste ano de 2021, mas a princípio aconteceu entre outubro e novembro de 2020, quando o cinema, fechado a alguns meses, começou a comunicar ao público algumas dificuldades financeiras e resolveu desenvolver algumas campanhas de financiamento coletivo. 

O que chamou a atenção da faculdade e desencadeou a proposta do patrocínio promovido pelo Grupo Ânima, que é responsável pelo Centro Universitário Una, que hoje, além de dar o devido suporte para o cinema permanecer aberto e continuar suas atividades, vem para custear melhorias no espaço nas salas em relação a substituição de poltronas, adequação da fachada e banheiros, pintura de mural, entre outros. Além disso, o apoio é também de grande valia para a comunidade escolar ao aproximar todo o complexo acadêmico envolvido na Cidade Universitária da Una, em prol de estreitar os laços entre a faculdade e o cinema como um movimento orgânico e único. 

Em frente ao Belas, com afinidade geográfica, a Una Liberdade é o campus destinado a ser vizinho do cinema e que tem partilhado, muito antes da parceria, de aspectos concepcionais e culturais ao ser constituído pelos cursos relacionados a área da Cultura, Comunicação Social e Artes. Pedro Neves, que é diretor do campus Liberdade, diz que a colaboração entre ambas organizações é uma oportunidade ávida para os alunos e frequentadores do campus explorarem na essência, as ideias, como uma forma de conhecer a parte parte business da cultura. 

“A parceria é revigorante, para o campus da Liberdade é uma tela em branco para se explorar, indo além de uma ação comercial relacionada ao financeiro e a sustentabilidade própria do cinema, ao abrir um leque de diálogo entre o acadêmico e o mundo real”, diz Pedro sobre a importância da parceria para o campus da Una Liberdade.

Neves afirma que estão por vir inúmeras ações e atividades como resultado do patrocínio e que todas elas estarão associadas ao posicionamento da Una, para que de o ensejo a Belo Horizonte de compreender de forma clara e objetiva a função dos pilares da instituição e a importância desses valores para qualquer instituição de ensino. “Digo que os pilares da Una – a empregabilidade, a diversidade e inclusão e o acesso, precisam estar mobilizados, não necessariamente em todos os projetos, mas tocados para mostrar que o espaço em que a Una está inserido envolve ações que reforcem o nosso posicionamento”, explica o diretor. 

A parceria também faz parte das ações relacionadas aos 60 anos da Una comemorados neste ano e permitirá aos alunos, a partir de agora, usufruírem do espaço do Belas para atuarem, além da sala de aula, como uma injeção de ânimo para as práticas extensionistas. O que reforça os elementos do pilar da empregabilidade, ao dar abertura aos estudantes de participarem de forma direta, especificamente aqueles que são da área de Comunicação Social ou da Arte, e utilizar do espaço como meio de exibição dos trabalhos envoltos a produção de filmes de curta a longa-metragem, mostra culturais, entre outros eventos. 

Para a estudante Milena Prado Bárbaro, que cursa Cinema e Audiovisual na Una, por meio da parceria haverá a oportunidade dos alunos se aproximarem, na íntegra, com o hábito de ir ao cinema e vivenciarem algo diferente do que se é fornecido nas plataformas de streaming hoje em dia. Além disso, está ansiosa para o retorno presencial para que o cinema possa fomentar um espaço de encontro, de ideias e projetos institucionais. “Os projetos nesse espaço podem ser bem interessantes para quem está estudando Cinema e Audiovisual e estou ansiosa para ter acesso a essas possibilidades”, diz a universitária. 

A estudante acredita que o Belas é um dos locais de maior relevância no quesito de espaço cultural em Belo Horizonte, que estaria a perder sua essência artística se não fosse através do patrocínio fornecido pelo Grupo Ânima. “Durante os últimos meses acompanhei as dificuldades do Belas para manter as portas abertas em meio a pandemia e seria uma enorme perda para a cidade encerrar as atividades de mais um cinema de rua”, explica Milena. 

Por definição, o Una Cine Belas Artes é o ponto de encontro entre a essência das duas organizações, é o alto comprometimento com a cultura e a solene responsabilidade de dialogar com práticas de resistência, vivência e liberdade. É em síntese, a cooperação fomentada pelo acreditar, de ambas, no poder do cinema de rua como instrumento influente que ecoa nas diferentes camadas sociais para construção de identidades e valores, que transforma as distintas realidades que se pode encontrar no ambiente urbano por meio da arte. 

Por Keven Souza

Criada em 2009, pelos diretores André Novais Oliveira, Gabriel Martins, Maurílio Martins e pelo produtor Thiago Macêdo Correia, a produtora mineira Filmes de Pástico já foi selecionada em mais de 200 festivais nacionais como o Festival de Cinema de Brasília e a Mostra de Cinema de Tiradentes, além dos internacionais como o Festival de Cinema de Locarno, Festival de Rotterdam, Indie Lisboa, Festival de Cartagena, Los Angeles Brazilian Film Festival e entre outros, ganhando mais de 50 prêmios. 

Fundadores da Filmes de Plástico

Como uma das séries de conteúdos dos 60 anos da Una, o Contramão traz, hoje, um bate-papo com Gabriel Martins, sócio-fundador da produtora, que tem 33 anos de idade e é Diretor, Cineasta, Roteirista e Produtor Cinematográfico, formado pelo pela instuição em 2010. Martins acredita na Una como um espaço que oferece o encontro entre pessoas que amam cinema e que queiram dialogar e aprender sobre o universo cinematográfico, além de tudo foi roteirista em 2014 do filme “Alemão” e possui produções em catálogo na plataforma de streaming Netflix, com o filme “Temporada”

Nessa entrevista, Gabriel relembra sua trajetória como graduando de Cinema que possuía o anseio de realizar projetos, ainda na faculdade, e que construiu experiências formidáveis através da Una para alavancar os seus sonhos no setor de produção audiovisual. Além disso, nos conta sobre sua carreira de cineasta ao longo dos anos, junto à produtora. 

Gabriel Martins da Filmes de Plástico e ex-aluno da Una

1) Como começou a sua carreira no Cinema? 

Considero que comecei minha carreira no cinema com meu primeiro filme “4 passos” que dirigi na Escola Livre de Cinema em 2005, antes de entrar na Una. Até hoje é significativo para mim, porque através dele errei muito e pude aprender com isso, sem falar na circunstância limitada para produzi-lo, que na época, possuía poucos recursos que consequentemente forçou a minha criatividade na execução. 

 

2) O que propiciou você a escolher estudar Cinema e por quê escolheu a Una? 

Sempre quis fazer Cinema, é um sonho desde pequeno pelo universo audiovisual e me encantava ver televisão e assistir making-of, bastidores de filmes, e nunca me passou pela cabeça cursar outra coisa. A escolha de estudar na Una aconteceu em 2006, quando tentei o vestibular, minha intenção era entrar para uma universidade pública e não particular, mas realizei o vestibular na Una para testar meus conhecimentos e como resultado consegui bolsa integral e tive a oportunidade de cursar o curso, foi interessante porque a princípio, naquele época, era a única faculdade que ofertava o curso só de Cinema. 

E foi através da faculdade que consegui fazer um estágio importante no laboratório, que tive possibilidade de ter contato com muitos equipamentos da área e aprender muito sobre eles. 

 

3) Quando era aluno, você participava de projetos voltados ao curso de Cinema, como por exemplo o Lumiar? O que agregaram na sua formação profissional?

Infelizmente, quando estudei não existia o Lumiar, mas criei o Cineclube, que funcionava depois das aulas e várias pessoas iam lá para ver filmes. Nessa época frequentava muitos festivais, e antes de entrar na Una, era crítico da área e escrevia sobre cinema em uma revista, tinha um network muito forte que consequentemente ajudava a levar muitas discussões importantes pro Cineclube. Digo que foi uma parte excepcional como estudante, porque agregou muito conhecimento para mim e para o projeto, nos encontros se formavam muitas equipes que eventualmente vinham a fazer filmes juntos. 

 

4) A ideia de criar a Filmes de Plástico, veio de onde? 

A Filmes de Plástico veio de encontro entre eu e Maurílio Martins na Una, nos conhecemos no primeiro dia de aula, fomos da mesma turma, e desde o início queríamos filmar e fazer algo que possibilitava assinarmos filmes que queríamos fazer em nosso bairro. Na época, morávamos na periferia de Contagem e havia muitas ideias, uma vontade grande de produzir juntos. 

É interessante dizer também que as nossas produções não tem uma mensagem específica, só fazem parte do universo e que a partir disso, buscamos filmar personagens que trazem empatia com o público e mostram realidades diferentes, provando que, em meio às adversidades, é possível, sim, fazer cinema.

 

5) Devido ao cenário imposto pela pandemia, a cidade (o mundo) sofreu interrupções nas produções. De que forma a Filmes de Plástico se adaptou a esse desafio? 

A Filmes de Plástico teve que se adaptar à pandemia, porque diversos projetos que esperávamos filmar por agora, foram congelados e nesse meio tempo utilizamos o período para desenvolver os roteiros e preparar melhor os projetos, e não tem sido fácil, tivemos algumas questões para nos mantermos de pé enquanto produtora e efetuar outros trabalhos, mas compreendemos que o mundo em si esteve em pandemia contra a Covid-19 e nós como produtora focamos em tarefas que poderiam ser feitas a distância. 

 

6)Existe algum impasse, por causa deste cenário, em fazer crescer ainda mais a produtora?

Com certeza! São dois anos que o mundo de certa forma se estagnou, e a produtora em si mediante o cenário, interrompeu as produções de caráter físicos como a gravação de filmes de longa-metragem e ficamos um pouco impossibilitados de se movimentar mais, mas de alguma forma a pausa não foi negativa, tivemos a oportunidade analisar onde a produtora poderia chegar futuramente, repensar mesmo sobre a nossa caminhada daqui pra frente.

 

7) O que podemos esperar sobre os próximos lançamentos?

Com ineditismo, por agora, temos dois filmes a serem lançados comercialmente, um deles se chama “A felicidade das coisas” dirigido por Thais fujinaga, que é um filme estreado no International Film Festival Rotterdam (IFFR) neste ano e que ano que vem pretendemos colocar em cartaz. O outro é o meu próximo longa-metragem que se chama “Marte Um”, que está em pós-produção e com lançamento, também, previsto para o primeiro semestre do ano que vem.

 

8) Como você entende a evolução do Gabriel que estudou Cinema na Una, para o Gabriel de hoje? 

Minha evolução é nítida, ao longo da trajetória aprendi e errei ao fazer filmes de longa ou curta-metragem, e também em produções de outra pessoas, acho que a experiência me trouxe mais serenidade, me ensinou a entender que às vezes é melhor ter menos urgência e obter mais calma no passo a passo, dando tempo ao tempo.

 

9) Qual conselho você daria aos graduandos do curso de Cinema e Audiovisual em relação às oportunidades de mostrarem o seu trabalho, em um festival como o Lumiar?

O conselho é que as pessoas se joguem nos projetos, criem novos, como o Lumiar foi criado, porque é a partir deles que muitos alunos podem sair da faculdade tendo sua própria produtora. É necessário pensar no seu caminho a seguir, filmar incansavelmente mesmo que você não tenha todos os recursos suficientes, colocar suas ideias em prática e cultivar o ato de fazer cinema é necessário. 

É importante aproveitar também todas as oportunidades de festivais universitários que vier a ter, absorver o máximo que puder desses ambientes para adquirir informações, conseguir ter contato com mais filmes brasileiros e conhecer pessoas que estão em um lugar mais próximo que você, em uma mesma fase da vida que estudam e tentam fazer filmes.

 

Edição: Daniela Reis