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Foto Reprodução internet

Por Manuella Guerra

Originários da Bélgica, os irmãos Dardenne conservam em seu cinema um estilo próprio e singular. Nos primeiros minutos de filme já é possível reconhecer a autoria daquela obra. A semelhança entre os filmes, para além da parte técnica, se dá também no olhar dos diretores para o mundo. Seus personagens são magistralmente humanizados, reais, únicos e emocionantemente imperfeitos.

No meio de alguma ação já em andamento, surge a câmera. Claustrofóbica, incansável, invasiva e fascinada. A câmera, o olhar dos diretores, o nosso olhar: insaciáveis por mais daqueles personagens, acompanhando-os sem cessar.

Planos fechados, às vezes tão próximos que quase podemos sentir a respiração daquelas vidas; a câmera parece pulsar junto à pulsação delas. A câmera é asfixiante, mas também é ela que testemunha e mostra ao mundo o quão asfixiante aquela vida é. As obras dos Dardenne são reflexões políticas e sociais que se dão a partir da individualidade, estimulam nos espectadores uma forte conexão com aqueles seres e seus dilemas.

Os irmãos Dardenne apresentam um olhar sem julgamento, sem ditar regras ou destilar moralismos. Não fornecem respostas prontas, mas apresentam a situação, o objeto de interesse e é como se depois deixassem em nossas mãos os questionamentos, a possibilidade ou não de entender as escolhas e atitudes das personagens.

Ao final dos filmes a sensação talvez seja a de uma incapacidade de julgamento, pois eles parecem criar uma narrativa de modo a evitar uma análise crítica moral dos atos. Os erros, “imperdoáveis”, dentro de contextos específicos e individuais, somos até capazes de compreender, mesmo quando não concordamos. Não há uma moral na história, a intenção dos diretores não é apontar o certo e o errado. Trabalham com as questões sociais, a marginalidade, o vazio, a pobreza, o individualismo, as falhas e degradações causadas pelo sistema capitalista. As necessidades e transformações dos seres humanos dentro das micro-cadeias econômicas e seus dilemas morais.

 

Em A Criança, Bruno, o pai inconsequente, vende o bebê que teve com sua namorada e vive de pequenos furtos. Mesmo assim cativamos por ele no mínimo um sentimento de pena, de empatia maior do que a vontade de punição.

Nos filmes dos cineastas, vemos uma variedade de situações. Rosetta é uma jovem solitária que divide um trailer com a mãe alcoólatra em sua guerra diária por um emprego, por uma vida “normal”; Bruno e Sonia, jovens sem perspectiva alguma que vagam pela cidade com o filho recém-nascido. Um pouco menos à margem, a médica Jenny, solitária e apática, que dedica cem por cento de seu tempo e atenção aos pacientes e Sandra que, além da depressão, tem que vencer também a sua luta para convencer os colegas de trabalho a abdicarem do abono salarial recebido em troca do posto dela na empresa. Todos habitantes de uma Europa pouco próspera, em crise.

Há poucas falas nos filmes, os diálogos são curtos e pontuais, não nos fornecem um contexto completo sobre aquelas histórias. Conhecemos os personagens pelos seus olhares, gestos e atitudes ao longo do filme. Eles mantêm uma opacidade. Essa opção por seguir a nuca (e não os rostos de frente) se relaciona com isso. A ausência de trilha musical também é marca registrada no estilo naturalista dos Dardenne, que se aproxima do documental.

Os filmes apresentam uma Europa mais humilde, problemática e debilitada. Mas existe nos Dardenne uma universalidade. A crueza de seu cinema nos aproxima de uma realidade onde não há como não se abalar com o escândalo das imperfeições, perturbações, angústias e das dores da existência, sentimentos inerentes à raça humana. Possuem uma estética despida e imperfeita em que apresentam um hiper realismo de extrema sensibilidade, simplicidade e acima de tudo, de um humanismo perturbador.

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Foto Divulgação

Por Ana Paula Tinoco

Quantidade não é qualidade e é necessário saber quando parar.

A indústria cinematográfica e toda a Hollywood sofrem de um problema chamado exagero e quando falo em exagero falo do fato de não esquecerem ou deixarem determinados projetos descansarem em paz, veja o caso de Velozes e Furiosos. E porque isso acontece? Há várias explicações, mas a mais obvia é o lucro. Alguns filmes nascem para serem únicos, viram trilogias e quando você menos espera tá ali uma franquia, e essa extensão da história não traz nenhum benefício já que a medida que os números vão aumentando a qualidade do produto vai diminuindo. E foi isso o que aconteceu com “Jogos Mortais”,  Jigsaw no original.

Foto Divulgação

Ainda lembro de meu primeiro contato com o suspense/terror “Jogos Mortais”, 2005, que aconteceu quando passei pela porta do cinema e me deparei com um cartaz que tinha em letras garrafais a seguinte frase: “Esqueça Seven!” E abaixo: “Quanto sangue você daria para continuar vivo?”, dei a volta e fui conferir se era isso mesmo que tinha acabado de ler. Curiosa, já que Seven, 1995, é um dos meus suspenses preferidos, entrei no cinema e fui analisar, me achando a crítica, se realmente era possível aquele filme me fazer esquecer a obra de arte que é o filme do diretor David Fincher. Pretensão minha e de quem criou o cartaz à parte, o filme me agradou, me deixando com aquela pulga atrás da orelha. Então voltei no dia seguinte para mais uma vez analisar aquilo tudo e é impossível desgrudar os olhos da tela e não assistir outra e outra vez sem pensar: “Mas como?”. Mas nem se compara ao filme que o cartaz te manda esquecer.

Apresentando um serial killer inteligente, criativo e manipulador, com o diferencial de que ele, Jigsaw, não pode ser acusado de assassinato, já que ele não mata ninguém, ele os induz a decidir, e foi com essa ideia que o diretor James Wan deu um frescor ao gênero do suspense. Criando um quebra cabeças e inúmeras possibilidades ele traz um roteiro com desenvolvimento interessante e final revelador. Colocar um boneco em cima de um triciclo para nos conduzir pela narrativa foi uma jogada acertada, aquele boneco dá arrepios. E a sensação que tive ao assistir ao primeiro filme é que assim como um quebra cabeças você só vê o todo quando termina de formar a grande figura.

Foto Divulgação

Com apenas oito meses de diferença entre os filmes, em novembro do mesmo ano, 2005, encontramos com Jigsaw novamente. O roteiro que a princípio intitulado “The Desperate” (algo como o desespero em português) ficou engavetado por anos por seu teor violento, mas com o sucesso do primeiro filme os produtores decidiram lança – lo como uma continuação de Jogos Mortais, mudaram o titulo, adaptaram e lá estava o que podemos chamar de uma agradável continuação. O filme continua com a pegada de mistério, reviravoltas, situações óbvias que não são percebidas à primeira vista. Não te dá aquela sensação do “como?”, mas convence no papel ao qual se propôs que é o de entreter enquanto suspense.

Em 2006 encontramos um “vilão” vulnerável, mas não menos perspicaz. Com a ajuda de sua companheira que tem uma visão diferenciada do que ele, Jigsaw, acredita ser justiça vemos que a cada momento os “jogos” vão ficando mais intensos e menos eficazes. Aqui é o momento em que a quantidade de sangue que as vítimas estão dispostas a dar não faz diferença. Mas, assim como os outros o final é interessante e cheio de reviravoltas e surpresas. Com o diferencial de ter uma maior participação do ator Tom Bell, teria sido perfeito se Hollywood tivesse parado aqui, porque como já disse no início do texto alguns filmes não nascem para se tornar franquias e em “Jogos Mortais”  é o que vemos.

Foto Divulgação

Nos anos seguintes Hollywood derramou uma enxurrada de continuações, 2007 “Jogos Mortais IV”, 2008 “Jogos Mortais V”, 2009 “Jogos Mortais VI” e 2010 “Jogos Mortais VII”. Os roteiristas criaram inúmeros seguidores, esses que eram responsáveis por escolher as vítimas. Os “desafios” ficaram cada vez mais bizarros e grotescos e uma tentativa mal desenvolvida de explicar como John Kramer se tornou “Jigsaw”. Essas continuações deixaram de lado o bom suspense, as reviravoltas ou os finais surpreendentes. O legado do querido serial killer foi resumido a uma carnificina sem precedentes. Uma matança em que tinha como porque o gratuito por puro derramamento de sangue e uma bizarrice que deixaria nossos amados Freddy Krueger, Jason Voorhees e Michael Myers de queixo caídos. Assim como Jigsaw os produtores deveriam saber quando dizer “Game Over”.

Jogos Mortais 8 estreia em outubro deste ano.

Veja os trailers da franquia aqui.

Fotografia: Lucas D'Ambrosio

Banda mineira, Pink Floyd Reunion apresenta espetáculo conceitual para o público de Belo Horizonte.

Reportagem: Lucas D’Ambrosio

As noites de Belo Horizonte são conhecidas, entre outras atrações, pela sua cena musical. Diferentes bandas se apresentam periodicamente pelos pub’s e casas especializadas, trazendo trabalhos autorais ou obras já consagradas. Um dos grupos que se destacam nesse cenário é o Pink Floyd Reunion.

Nos dias 10, 11 e 12 de março (sexta, sábado e domingo), a banda apresenta o espetáculo “The Wall, o filme”. O palco será o Cine Theatro Brasil Vallourec, na Praça Sete, região central de Belo Horizonte.

A Reunião

Criada em 2003 por um grupo de amigos, ela se consolidou na noite belo-horizontina pela fiel reprodução do trabalho criado pelo Pink Floyd. Outro ponto de destaque, são as apresentações conceituais, que misturam a música com reproduções e experiências audiovisuais, presentes em parte do repertório de shows da banda mineira.

Para os ensaios, um estúdio de garagem é o local para a reunião dos sete integrantes da banda: Marcelo Canaan, Fernando Grossi, Raphael Rocha, Fernando Nigro, Raquel Carneiro, Marcelo Dias e Thiago Barbosa. Entre uma pausa e outra para ajustes de instrumentos, um café e água servida em filtro de barro, alguns instrumentos aguardavam as mãos dos músicos para iniciarem os trabalhos.

Em um quarto de garagem, na cidade de Belo Horizonte, acordes, notas, cantos e ajustes abrigam o Pink Floyd Reunion. Fernando Nigro é quem conduz a bateria da banda.  Fotografia: Lucas D’Ambrosio
Entre um ajuste e outro, leva tempo até organizar todos os instrumentos. No meio de cabos, teclados e contrabaixo, os integrantes Thiago Barbosa, Raphael Rocha e Marcelo Dias se preparam para mais uma maratona de ensaios. Fotografia: Lucas D’Ambrosio
O processo de imersão da banda para a realização do espetáculo já dura três meses. Ensaios, encontros, reuniões e acertos finais se fazem necessários para que a identidade na fidelidade de execução possa ser mantida. Na foto, os fundadores da banda, Fernando Grossi e Marcelo Canaan. Fotografia: Lucas D’Ambrosio

Dentre incontáveis cabos distribuídos pelo chão, 14 instrumentos de corda, uma bateria e três teclados, os ajustes são realizados pelos integrantes da banda, que preparavam os equipamentos para o início do ensaio. Os pés nas pedaleiras sincronizavam os últimos ajustes para o seu início. O repertório? A trilha sonora do filme “The Wall”, inspirado no disco de mesmo nome (lançado em 1979), da banda britânica. Para o espetáculo, a banda terá a companhia de um coral e orquestra, comandados pelo maestro Rodrigo Garcia.

Veja a entrevista completa com Marcelo Canaan. O Produtor executivo, guitarrista e vocalista do Pink Floyd Reunion conta mais sobre o espetáculo “The Wall”: 

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Foto Divulgação

Hoje, 24, é a estreia do filme “Elis”. A história abordará a breve carreira da cantora, que ainda jovem chega ao Rio de Janeiro ao lado de seu pai, até sua morte por overdose. A construção da narrativa trará como pontos a evolução da gaúcha como interprete e seus envolvimentos amorosos, com Ronaldo Bôscoli e César Camargo Mariano. Assim como sua forte personalidade, temperamento explosivo e sua relação de pânico com a ditadura militar.

No papel central está Andreia Horta, que apesar de não cantar no filme, fez uma intensa imersão na vida da cantora e assim ser capaz de reproduzir os trejeitos Elis. A preparação que durou três meses, das 9h às 17h, rendeu a atriz o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Gramado deste ano. “Andreia tem mesmo uma performance digna de prêmios, com essa personagem e uma performance arrebatadora. ”, elogia Prata.

A trajetória de Elis como interprete se deu em meio ao auge da ditadura militar. A cantora, que viu amigos sendo torturados e exilados, vivia em constante temor por sua família. Na época, seus filhos eram pequenos. E esse receio de não saber o amanhã a deixou fragilizada, como relata o cineasta Carlos Prata, responsável pelo longa.

Prata, que tem uma longa história na MTV Brasil e estreia como diretor, diz ter sido cuidadoso ao escolher momentos delicados da vida da cantora: “Ela só se envolveu com drogas nos últimos seis meses de vida. Foi um acidente, uma tragédia, e busquei dar o tratamento que isso pedia.”. A cantora morreu precocemente em janeiro de 1982, aos 36 anos.

O longa ainda conta com a participação dos atores Caco Ciocler, César Camargo Mariano e Gustavo Machado, Ronaldo Bôscoli.

Clique aqui para saber os locais e horários em que o filme estará disponível.

Fonte: Metro Jornal/ Por Ana Paula Tinoco

Foto Divulgação

NOTA: ☆ ☆ ☆ ☆ ☆

Na quinta-feira, 17, estreou um dos filmes mais esperados do ano, o primeiro longa da nova saga do universo bruxo da escritora britânica J.K. Rowling: Animais Fantásticos e onde Habitam. O filme que teve sessões esgotadas durante toda a quinta-feira, levou milhares de fãs do bruxo mais famoso do mundo, Harry Potter, a completa loucura. É claro que nós do Jornal Contramão fomos assistir na íntegra esse “não tão novo assim” sucesso.

O longa conta a jornada de Newt Scamander (Eddie Redmayne), um magizoologista britânico que chega à cidade de Nova York carregando sua preciosa maleta magica repleta de animais fantásticos. Scamander está realizando viagens por todo o mundo em busca de novas criaturas, com o objetivo de estuda-las, acolhê-las e até mesmo salvá-las, uma vez que o bruxo encontra-se escrevendo um livro para mostrar a toda a comunidade bruxa que tais bichos, não são perigosos e sim preciosos aliados. Entretanto, o bruxo não obtém facilidades para sua pesquisa junto à comunidade americana, onde os bruxos temem muito mais a sua exposição perante os “no-majs” do que os britânicos perante os “muggles”.

O filme que se passa anos antes da história do “garoto que sobreviveu” trata diversos assuntos com tamanha delicadeza que não te faz desconectar de um para ligar a outro, sem contar que a todo momento retoma a personagens e a fragmentos já retratados anteriormente nos filmes de Harry, como o famoso bruxo Alvo Dumbledore, o temido Gerardo Grindelwald, a tão amada Hogwarts e obviamente, todos os feitiços usados. Sem contar pelo fato de que o próprio Newt Scamander já havia sido citado nos outros filmes e livros, uma vez que seu livro (que contém o mesmo título do longa) é usado pelos alunos de Hogwarts. Além dos fragmentos antigos, são apresentados novos fragmentos, como a escola norte-americana Ilvermony, o conselho bruxo chamado MACUSA (Magical Congress of the United States of America) e obviamente, as criaturas que Newt leva em sua bagagem.

Escrito por J.K. Rowling e dirigido pelo mesmo diretor dos últimos filmes de Harry Potter, David Yates Animais Fantásticos retrata as diferenças, o preconceito, a hierarquia, superações, conquistas, medos, inseguranças e obviamente, a amizade. O filme consegue ser sombrio e completamente engraçado ao mesmo tempo, contendo cenas de ação hipnotizantes e cenas humorísticas nada forçadas que consegue arrancar gargalhadas de todas as pessoas que degustam do filme. A forma sombria e hilária não é separada somente pelos diálogos e sim também pela fotografia. Nos momentos em que temos Newt perambulando por Nova York, com um jeito meio sapeca e culposo e nos momentos em que o temos juntamente a seus novos amigos a fotografia é amarelada ou até mesmo acinzentada, que torna o ambiente frio e quente ao mesmo tempo, antigo e até mesmo calmo. Com quente e frio ao mesmo tempo podemos caracterizar em relação ao que nos é passado da cena e no que os personagens sentem; na frieza podemos dizer no próprio clima da cidade, que relata como sendo bastante gelado e como quente podemos dizer ser em relação à parceria que Newt consegue conquistar com os novos personagens, as duas bruxas Queenie e Tina e o no-maj Jacob. Nas cenas dentro da maleta temos um misto de cores que consegue com muito louvor despertar uma certa paixão no espectador que logo se apega com o carisma de cada animalzinho carismático que se encontra ali, sem contar na forma como o amor de Scamander pelos mesmos parece saltar da tela. Já as cenas no MACUSA, no orfanato e principalmente nas cenas com os personagens Credence e Percival Gravez temos uma fotografia bem escurecida e pesada, passando uma tensão e uma atenção maior, uma vez que tais cenas possuem uma tremenda carga de mistério que deixa qualquer um que vê bastante curioso com a situação.

O filme consegue ser surpreendente do início ao fim, principalmente com a revelação no finalzinho que absolutamente ninguém esperava e que foi muito bem escondido. É importante ressaltar também a química e a fluidez dos atores com a câmera, o que deixa o ambiente do filme bastante natural, confortável e descontraído, os movimentos são sutis e os cortes leves. O fato mais surpreendente do filme inteiro com toda certeza é seu efeito especial, fator que toma conta de todo filme por si só, fato que foi feito com uma agilidade impressionante, uma vez que dentre toda a proporção do filme apenas uma cena bem rápida consegue incomodar e passar de forma totalmente perceptível aos olhos de quem vê. Os animais e os duelos de feitiços possuem claramente o mesmo padrão realizado nos filmes de Harry Potter, o que faz com que consigam suportar a demanda sem deixar a desejar, é absolutamente como se fosse uma versão mais tecnológica, elaborada e ousada dos demais filmes, fator que funcionou com excelência.

Animais Fantásticos é de aplaudir de pé. O longa não decepcionou fãs, a imprensa e nem a crítica, uma vez que sua nota possui a média 4 em 5, sendo a nota mais baixa 3,3. J.K. Rowling provou mais uma vez que criou um universo tão enorme e excelente que por mais que realize inúmeras coisas sobre o mesmo, jamais ficará maçante e jamais decepcionará ou desanimará os fãs, apenas conseguirá mais amantes e mais pessoas completamente fascinadas pelo grande universo bruxo. O Jornal Contramão recomenda o filme a todos, se você quer aproveitar seu tempo livre, por que não se deleitar em um mundo encantador nos cinemas? Animais fantásticos é a escolha certa! Nox.

Por Isadora Morandi

Cine belas Artes, na rua Gonçalves Dias, próximo à Praça da Liberdade. Um dos últimos remanescentes dos cinemas urbanos de Belo Horizonte.

O prédio, com arquitetura típica dos anos de 1950, teve sua primeira utilização pelos alunos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O que antes era a sede do Diretório Central dos Estudantes, símbolo da resistência estudantil durante a ditadura militar, no ano de 1992, se tornou o Centro de Cultura e Referência Cinematográfica da cidade de Belo Horizonte: o cinema urbano, Cine Belas Artes.

Localizado no coração do bairro de Lourdes, região centro-sul da capital, o discreto edifício ainda mantém viva a cultura da nostálgica combinação de filmes e carrinhos de pipoca. A um quarteirão da Praça da Liberdade, ele recebe seus convidados e oferece, além dos filmes, cafés e livros para aqueles que não dispensam um ponto de encontro para uma conversa casual. Com suas portas abertas à rua Gonçalves Dias, número 1581, o Belas Artes se tornou um símbolo concreto da resistência cinematográfica da cidade.

Cinema possui três salas para as exibições dos filmes. Ao longo da semana, a programação é integrada por oito diferentes títulos que se alternam durante a programação.

Histórias conterrâneas que se cruzam nos corredores do cinema

Em pé, ao lado da entrada principal e próximas à entrada da livraria que existe no salão principal do Belas Artes, duas senhoras mantinham uma longa conversa. Leda Paiva, 83, professora universitária se alegrava com a coincidência do casual encontro em que vivenciava. Suas mãos, firmes e certeiras, seguravam as da educadora popular, Rosa Perdigão, 72.

Os 11 anos de diferença não foram suficientes para separar a história de um inédito (re)encontro, dignos de roteiros de Mario Puzo ou Woody Allen. Leda, mora em Brasília/DF. Rosa, mora na capital mineira. Os 700 e muitos quilômetros que separam as duas cidades, também não impediram o acaso, em uma tarde de terça-feira, naquele lugar.

Rosa Perdição e Leda Paiva. Um encontro de histórias e coincidências no Cine Belas Artes. Fotografia: Lucas D'Ambrosio/Jornal Contramão
Rosa Perdição e Leda Paiva. Um encontro de histórias e coincidências no Cine Belas Artes. Fotografia: Lucas D’Ambrosio/Jornal Contramão

Com brilhos em seus grandes olhos azuis, cobertos pelas lentes de seus óculos, a neta de italianos explicou toda a coincidência com um largo sorriso em seu rosto, “a Rosa veio me perguntar sobre um dos filmes que está em cartaz. Paramos para conversar e descobrimos vários pontos em comum. Sou nascida na cidade de Itabira e ela também é de lá”, revelando que tudo começou com a troca de olhares e pela conversa desinteressada.

Futuro incerto envolve o Belas Artes

Histórias como essa é que tornam o cinema de rua, único para a cidade de Belo Horizonte. Tradicionais na cidade, em certo tempo existiam mais de 40 espalhados pelas ruas de BH. Ao longo dos anos, o costume, tradição e envolvimento da população com essa forma de entretenimento deixaram de ser prioridade para as horas vagas belorizontinas.

Fotografia: Lucas D’Ambrosio/Jornal Contramão

Hoje, o que restou, foram os discursos. Na prática, os investimentos não existem mais. De acordo com fontes que não quiseram se identificar, o cine Belas Artes é outro espaço que está fadado em se tornar uma lembrança para os belorizontinos.

Livraria e cafeteria completam o ambiente formado pelas três salas de cinema do Cine Belas Artes. Fotografia: Lucas D'Ambrosio/Jornal Contramão
Livraria e cafeteria completam o ambiente formado pelas três salas de cinema do Cine Belas Artes. Fotografia: Lucas D’Ambrosio/Jornal Contramão

Apesar do esforço e projetos que existem para revitalizar o espaço e aumentar o conforto para os usuários, a falta de interesse e a dificuldade de encontrar patrocínio é algo que dificulta ainda mais as pretensões para o espaço. O espaço, conta com três salas de cinema o que não se torna suficiente para a automanutenção do espaço que, por enquanto, ainda se sustenta por meio de um esforço que mantém as “telas acesas”.

Fotografias e Reportagem: Lucas D’Ambrosio