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Por Bianca Morais

O dia 26 de setembro, domingo,  é marcado como o Dia Nacional dos Surdos, tendo o objetivo de celebrar as lutas e conquistas do grupo. É um dia de reflexão e respeito sobre a inclusão na sociedade. O Circuito Liberdade, principal complexo cultural e turístico de BH, compartilha a ideia de inclusão, por isso os espaços integrantes vêm buscando cada vez mais desenvolver e introduzir práticas voltadas para acessibilidade, com as adequações necessárias para oferecer aos surdos informação cultural e experiências turísticas, eliminando barreiras.

Entre os espaços do Complexo Cultural que apresentam atividades e recursos voltados para os surdos está a Casa Fiat de Cultura, que tem a acessibilidade como um dos grandes diferenciais de atendimento ao público. O Programa Educativo da instituição – que é permanente – conta com um Núcleo de Acessibilidade e Inclusão, que garante amplo acesso aos mais diversos públicos, tanto nas exposições, quanto nas ações educacionais e de formação.

Os vídeos e transmissões ao vivo contam sempre com legenda ou tradução em Libras. Além disso, o Núcleo desenvolve réplicas de obras em arte 3D, materiais em braille, audiodescrição das obras e atividades sinestésicas. A expografia é adaptada de forma a tornar o espaço das exposições mais acessíveis e são desenvolvidas, ainda, atividades em ateliê, pensando no atendimento aos diversos públicos. 

Segundo Clarita Gonzaga, coordenadora do programa Educativo da Casa Fiat de Cultura, o Núcleo de Acessibilidade atua não apenas no sentido de desenvolver instrumentos e estratégias de acessibilidade, mas também na promoção de discussões sobre mediação e experiência estética acessíveis. “Assim, tendo como referência o conceito ampliado de acessibilidade, a Casa Fiat de Cultura trabalha na construção de um espaço acessível a todos os públicos”, destaca. 

Obra da Casa Fiat

Para o mês de setembro, a Casa Fiat de Cultura preparou um material especial. No dia 21, foi lançado o kit “Portinari para apreciação tátil e auditiva”. A obra “Civilização Mineira” (1959), de Cândido Portinari, foi reproduzida em relevo para apreciação tátil numa parceria com o Stellantis Design Center South America — centro de design da marca, responsável pela criação de carros do grupo automobilístico. O material contempla, ainda, audiodescrição comentada, um caderno em braile e tradução sonora, elabora por meio de uma ferramenta sinestésica. O kit ficará disponível para apreciação do público geral a partir da reabertura da Casa Fiat de Cultura.

Kit braile – Casa Fiat

Outro espaço integrante que se destaca nesse sentido é o Circuito Cultural Banco do Brasil, um espaço dirigido a todos os segmentos da sociedade, com ações integradas e iniciativas de responsabilidade social. 

Um exemplo das atividades do espaço é o CCBB Educativo Arte e Educação, que oferece cursos com profissionais de várias áreas do conhecimento para compartilhar seus saberes. Vários desses cursos contam com intérpretes de libras, como as visitas mediadas que acontecem todas as quintas e sábados às 18 horas. Outra ação é o “Com a Palavra”, com intérpretes de libras e legendas, e o “Transversalidades”, uma atividade que acontece no formato online que também tem intérpretes de Libras. 

Prédio do CCBB

“Quando há alguma demanda de visita agendada de um grupo específico que necessita da presença de intérprete, o CCBB Educativo toma a providência. Antes da pandemia, nós tínhamos uma equipe maior, com a presença de estagiários fluentes em Libras, e tinha a atividade “Lugar de Criação” aos finais de semana. Com a pandemia, a equipe foi reduzida e, consequentemente, algumas ações também foram reduzidas”, comenta Milton Lira, um dos responsáveis pelo programa.

Já o MM Gerdau é um museu de ciências e tecnologia que apresenta de forma lúdica e interativa a história da mineração e da metalurgia. Todas as belezas do local podem ser aproveitadas pelo público surdo, afinal eles disponibilizam conteúdo acessível na internet, Instagram, Facebook, YouTube e visitas virtuais mediadas bilíngues (português e Libras), em tempo real. Elas contam com conteúdo em Braille, áudio, Libras e educadores capacitados para a mediação de pessoas com deficiências nos ambientes expositivos. 

Edifício do MM Gerdau

Atualmente, na impossibilidade de encontros presenciais, são oferecidas visitas virtuais mediadas em Libras para grupos acima de cinco integrantes, com agendamento prévio pelo site https://mmgerdau.org.br/, além de visitas mediadas individuais, presenciais, nos horários de funcionamento do museu.

Com o compromisso de promover a democratização e divulgação científica de forma inclusiva, a série o MM Gerdau tem o “Minuto Libras”, que apresenta ao público pessoas surdas com atuação relevante na educação, produção científica e artística. Com temáticas mensais e periodicidade semanal, pretende-se dar visibilidade ao protagonismo de pessoas surdas e às suas contribuições para as ciências. 

Para Luciana Miglio, coordenadora de Inclusão e Acessibilidade do MM Gerdau, o espaço vem trabalhando continuamente, desde o ano de 2015, na ampliação de exposições e programações inclusivas para todos os públicos, tanto de forma física e presencial, quanto através de sua programação digital. “Nossa busca pela acessibilidade e inclusão tem motivação contínua e permanente”.

Espaço do Conhecimento UFMG

O Espaço do Conhecimento UFMG é um local diferenciado, que conjuga cultura, ciência e arte. Em abril de 2015, o espaço deu início ao projeto Quinta com Libras, a fim de ser uma oportunidade para pessoas que estudam ou são fluentes na Língua Brasileira de Sinais (Libras) reconhecerem e usarem o Espaço do Conhecimento UFMG como local de encontros e de trocas. Nas primeiras sessões, aconteceram visitas mediadas à exposição de longa duração Demasiado Humano e na atividade Jogos do Conhecimento. Desde novembro de 2015, o museu realiza oficinas mensais em Libras, com os temas teatro, astronomia, desenho e música, entre outros.

Desde março de 2020, com a pandemia, os encontros presenciais foram temporariamente suspensos. Para evitar a interrupção do projeto, o Espaço do Conhecimento UFMG está realizando o Sábado com Libras em formato virtual, nas redes sociais do museu. 

Além do Sábado com Libras, o lugar possui uma sessão de astronomia acessível em Libras, exibida no planetário do museu. Agora em formato virtual, são oferecidas todas as quintas-feiras, às 17 horas, sessões de astronomia acessíveis em Libras, que podem ser assistidas pelo Youtube, com a participação do público pelo chat.

No dia 7 de setembro foi divulgado no blog do Espaço o texto “A história do Setembro Azul ou Setembro Surdo”. No dia 11, foi divulgado, na programação do Sábado com Libras, um vídeo produzido por Bárbara Vitor, bolsista no Núcleo de Ações Educativas e Acessibilidade do Espaço, contando sobre a sua experiência como aluna do curso Letras-Libras da UFMG. No dia 15/09, foi divulgado um Quiz com o tema “Setembro Azul” no instagram do Espaço. 

Além disso, a oficina deste mês do Sábado com Libras virtual, a ser realizada no dia 25 de setembro, às 10 horas, vai discutir “A comunicação com surdos nos museus”. A atividade vai abordar a importância da acessibilidade nos espaços culturais e como devemos promovê-la, além de apresentar ao público alguns termos e expressões típicos do universo museal na Língua Brasileira de Sinais. Podem participar crianças a partir de 8 anos, além de jovens e adultos, e não é exigido conhecimento prévio da Língua Brasileira de Sinais.

 

Museu Mineiro

A Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult) e a startup SIGNUMWEB, que tem como propósito resolver a barreira comunicativa entre as empresas e seus clientes ou colaboradores surdos, estão desenvolvendo um projeto de acessibilidade em libras para o Museu Mineiro, espaço cultural sob gestão do Governo de Minas, com o objetivo de dar autonomia e independência aos visitantes para que eles possam ter acesso às informações no local de forma a transformar a sua experiência no equipamento turístico/cultural. O projeto tem lançamento previsto para novembro de 2021

De acordo com o subsecretário de Cultura de Minas Gerais, Maurício Canguçu, os portadores de deficiência, incluindo os surdos, devem ser prioridade nas ações de acessibilidade dentro dos espaços culturais. E o Circuito Liberdade tem atuado para que isso aconteça. “Os equipamentos do Circuito têm debatido o tema acessibilidade em seus comitês e atuado para incluir as pessoas com deficiência em suas atividades, além de melhorar a estrutura dos espaços. Esse é o caminho para que elas possam vivenciar experiências tão ricas e concretas como qualquer outro visitante”, ressaltou.

 

Circuito Liberdade

O Circuito Liberdade é um complexo cultural sob gestão da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult) que reúne diversos espaços com as mais variadas formas de manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo. Trabalhando em rede, as atividades dos equipamentos parceiros ao Circuito buscam desenvolvimento humano, cultural, turístico, social e econômico, com foco na economia criativa como mecanismo de geração de emprego e renda, além da democratização e ampliação do acesso da população às atividades propostas.

Por Keven Souza

É quase impossível ir à Praça da Liberdade e não sentir o astral artístico que o local permite. De fato é uma das praças mais atrativas de Belo Horizonte quando se fala em turismo transversal com belos edifícios e jardins, talvez a confluência dos prédios que abrigavam o Poder Mineiro e o Governo de Minas Gerais no final do século 19, que era antes o centro administrativo do Estado, seja a essência para tamanha área histórica e cultural.  

Desde a inauguração da Cidade Administrativa na região Norte da capital e a transferência oficial da sede do governo do Estado em 2010, os diferentes prédios históricos da Praça da Liberdade se encontravam vazios e sem grande utilidade, logo com grande vocação para cultuar a arte, a cultura, o turismo e o patrimônio. Neste panorama, foi criado o projeto que visava maior articulação dos edifícios junto ao espaço urbano, onde antes havia secretarias, hoje estão belas salas de exposições capazes de integrar e reunir um grande complexo cultural:  o Circuito Liberdade.  

A criação o Circuito Liberdade teve enorme aprovação por parte do público frequentador da praça, que se tornou um dos maiores complexos culturais do país e o único de Minas Gerais que reúne espaços com as mais variadas formas de manifestação artística e cultural como teatros, museus, biblioteca, espaço multiuso, palácio e cinema. Hoje, é um reduto de equipamentos culturais que abriga 22 instituições de enorme valor simbólico, histórico e arquitetônico, sendo algumas geridas pelo Governo do Estado e outras por meio de parcerias público-privadas ou parcerias com instituições públicas federais que apoiam a cultura do país. 

Entre as maiores de destaques estão o Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB, o Memorial Minas Gerais, o Museu das Minas e do Metal – MM Gerdau, o Espaço do Conhecimento da UFMG, a Casa FIAT de Cultura, o Centro de Arte Popular, o Museu Mineiro, entre outros. Incluindo a bela arquitetura do Edifício Niemeyer e do Palácio da Liberdade. 

O Circuito está desde outubro de 2020, sob a gestão da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG) que ampliou o seu perímetro cultural, para que agregasse, de forma integrada, outros equipamentos culturais de Belo Horizonte e que por meio dele, se tornasse uma rede potente capaz de unificar ações e projetos que representem a todos os municípios de Minas Gerais. Desde então, a Secult-MG se empenha para o fortalecer em aspectos relacionados à cultura e turismo, que além de criar medidas para estimular a experiência e a economia criativa nos seus espaços, tem pensado em mobilizações para potencializar sua comunicação institucional, que em síntese, é abrangente e possui particularidades mediante as instituições que compõem. 

Praça da Liberdade

Nessa circunstância é firmada a parceria do Circuito Liberdade junto ao Centro Universitário Una, a favor de dar o devido suporte em demandas e ações pertinentes ao universo da comunicação, como uma equipe proativa, que compreende as nuances do quão grandioso é o complexo cultural e que vem a somar e construir uma comunicação mais centralizada, além de eficiente. Assim, nasce a sinergia entre a Secult-MG e a faculdade Una neste ano de 2021

“Estávamos em discussão sobre como fortalecer o Circuito Liberdade, em um certo momento, chegamos no nome da Una, primeiro por ela estar dentro do parâmetro territorial do complexo cultural e segundo porque já havia uma interação entre ela e Secult-MG para uma troca de energias e interesses em conjunto”, diz Maurício Canguçu, subsecretário de Cultura da Secult-MG, sobre a ideia de iniciarem a parceria com a Una. 

Segundo Maurício, ao se unirem com a Una, a Secult-MG confia inteiramente no trabalho de qualidade e responsabilidade da instituição. “A Una possui uma comunicação muito forte e é essa expertise que nos interessa. Precisamos de fortalecer também a do complexo cultural, ter o suporte nas redes sociais e na imprensa, e por que não se unir com uma instituição que tenha esse domínio?” explica ele. 

Nessa parceria a função do Centro Universitário Una é voltada a atuação prática da Fábrica – coletivo dos laboratórios de Economia Criativa – que por meio de seus núcleos e agências como a Una 360, Fábrica AV e Jornal Contramão irá desenvolver ações direcionadas às demandas de comunicação do Circuito, ligadas diretamente às áreas de cinema e audiovisual, jornalismo e relações públicas. Entre as funções estão em projeção a produção de podcasts quinzenais, produção de clippings, produção de vídeos e fotografias institucionais para museu e biblioteca, consultorias de transmissão ao vivo, além de releases e matérias com foco na produção de conteúdos online divulgados no portal oficial do Circuito Liberdade. 

Pedro Neves, diretor da Una Liberdade, explica que a parceira ser ligada diretamente à atuação da Fábrica, é para colocá-la em uma vitrine de exposição que irá permitir mostrar o seu trabalho e torná-la uma estrutura reconhecida com valor determinado. “Digo que essa parceria dialoga muito bem com Una. É um evento importante para chamar atenção e ‘vender’ a Fábrica enquanto componente que dinamiza as áreas da criatividade, comunicação e produção de conteúdo. Quanto mais ações externas fizermos, mais ela se tornará um precursor de oportunidades para os alunos e alunas, e irá nos permitir abrir novos caminhos”, afirma Pedro. 

A faculdade pretende também tencionar o ensino-prático dos alunos da Una campus Liberdade junto às inúmeras atividades relacionadas à disseminação da cultura, como maneira de demasiar uma formação mais ávida indo além da sala de aula. Para o coordenador dos cursos da área de Comunicação Social e Arte da Una campus Liberdade, Antônio Terra, a parceria é de grande valia para o repertório profissional dos alunos, pelo fato de ligá-los a experiências únicas junto à sociedade e ao mercado. 

“Sem dúvidas é de extrema importância para os cursos da área de comunicação social, uma oportunidade rica de vivenciarem experiências ainda na universidade acompanhada de mentores e professores. Digo que, tudo que iremos produzir para o Circuito Liberdade, reverberar pela a cidade, todos não só irão saber como também ganharão com isso e aos alunos essa divulgação é essencial para um portfólio brilhante”, explica o coordenador.

Terra ressalta ainda que, por mais que a colaboração seja recente e neste primeiro momento as ações estejam direcionadas a projetos extensionistas e projetos ligados à Fábrica, há um campo alastro que propicia desenvolver inúmeras ações ao longo do tempo, que existe planejamento para ampliar novos horizontes direcionados à formação universitária, como por exemplo usar a parceria para compor uma UC Dual futuramente – Unidade Curricular voltada ao ambiente profissional de empresas e companhias parceiras da instituição.

Para além disso, a expectativa é de que haja um trabalho em conjunto, envolto de uma sintonia para melhorar a comunicação, como um todo, do Circuito Liberdade. Para que a colaboração venha ser de sucesso, engajada a todo vapor, com a história e o simbólico, que o complexo cultural abrange e representa. 

 

Museu das Minas e do Metal confirma a participação em mais um ano na iniciativa mundial e convida internautas para tirar dúvidas sobre o acervo mineral

Por Keven Souza

O Ask a Curator ou Pergunte a um Curador é um evento global idealizado por Jim Richardson, fundador do MuseumNext, que convida museus do mundo todo a se mobilizarem com seus curadores para interagir com o público por meio da #AskaCurator nas redes sociais. Sendo uma ação que acontece desde 2010, se tornou um evento de sucesso que proporciona às pessoas questionarem os diferentes guardiões de patrimônios culturais, espalhadas pelo mundo, sobre os seus respectivos acervos e objetos sob seus cuidados. 

O MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal, que participa da iniciativa desde 2013, estará novamente incluído na ação deste ano de 2021, com o propósito de se conectar com os internautas que se interessam sobre o universo dos minerais. A interação terá início no dia 14 de setembro, por meio das redes sociais (Facebook, Linkedin e Instagram) e vai até no dia seguinte (15) das 9 às 18 horas, para o público que quiser fazer perguntas e tirar dúvidas de assuntos relacionados às amostras minerais, critérios de guarda, atuação do setor e outros relacionados à função de curadoria, sendo direcionados a geóloga e responsável pelo acervo mineral do museu, Andrea Ferreira. Basta usar a #askacurator e marcar o @mmgerdau para participar. 

Espaço Cultural MM Gerdau

 

MM Gerdau e a curadoria de geociências 

O MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal, que tem como sede o Prédio Rosa, da Praça da Liberdade, datado de 1897, é um museu de ciência e tecnologia que apresenta, de forma lúdica e interativa, a história da mineração e metalurgia. Além de ser patrimônio cultural comprometido com memórias e experiências, atende da criança ao idoso, do estudante ao trabalhador, proporcionando o conhecimento através de 20 áreas expositivas, por meio de personagens históricos e fictícios, os minérios, os minerais e a diversidade do universo da Geociências. 

Ao fazer parte do Circuito Liberdade desde 2010, integra ao lado de inúmeros museus a responsabilidade na disseminação do conhecimento e da diversidade cultural através das coleções de diferentes tipologias, temas e assuntos. Exposições estas que só acontecem por meio do trabalho afinco e de alta performance de um curador, uma tarefa que surgiu no século XX, por volta de 1950, se referindo a cuidar e conservar todo o funcionamento e administração de um patrimônio cultural. 

No caso do MM Gerdau, por ser um museu voltado à ciência e à mineralogia, o curador deve ser um profissional da área das geociências, preferencialmente um geólogo – profissional que estuda e pesquisa as ciências relacionadas à terra para atuar no cargo. Andrea Ferreira, que é geóloga e a única curadora de Geociências do MM Gerdau, informa que, para um mineral se tornar relevante a ponto de ir para uma exposição, é preciso ele estar bem formado e preservado, possuir beleza e raridade, além de tamanho, e reter uma combinação de fatores que o fazem únicos e consideradas verdadeiras obras-primas da natureza. Ela, que é a responsável apta a responder as dúvidas e perguntas na ação do museu no Ask a Curator, tem o papel excepcional relacionado ao sistema de curadoria e abrange decisões importantes no patrimônio cultural do MM Gerdau. 

Exemplo do mineral Calcita, que faz parte da coleção Minerais do Brasil e está exposto na sala Professor Dr. Álvaro Lúcio, no MM Gerdau

Seu trabalho é cuidar da concessão das coleções de pesquisa, de reserva e de atividades didáticas; implementar e supervisionar o tombamento de acervo; controlar a movimentação, o empréstimo e a retirada de elementos das coleções; realizar palestras e encontro de colecionadores de minerais; fazer triagem de acervo proveniente de doações e permutas visando o tombamento e armazenamento de peças; organizar e limpar a exposição permanente com minerais; planejar e supervisionar exposições temporárias; entre outras funções. Por definição, tem também a missão de atrair novos olhares e visitantes para o museu ao selecionar e lapidar informações e peças que sejam destinadas ao público plural que se tem no Circuito Liberdade. 

O MM Gerdau, por ter um nicho dentro do campo da ciência, tem um público crescente a cada ano da iniciativa e se junta à comunidade mundial, que usa a #askacurator com o propósito de interagir com o público ou sanar dúvidas, em mais uma edição ao convidar a todos internautas para abrir mais um canal de comunicação, que vai além das exposições do museu. Sejam eles os apaixonados pelas riquezas minerais e acervos do museu ou aqueles que queiram saber mais sobre esse universo. “A expectativa é muito boa. Vejo como uma oportunidade da sociedade, como um todo, conhecer um pouco do trabalho do curador, porque muito deste trabalho fica nos bastidores. Logo, é também uma chance de divulgação da nossa atuação”, diz Andrea Ferreira, sobre a participação do MM Gerdau na ação do Ask a Curator. 

 

Circuito Liberdade

O Circuito Liberdade é um complexo cultural sob gestão da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult) que reúne diversos espaços com as mais variadas formas de manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo. Trabalhando em rede, as atividades dos equipamentos parceiros ao Circuito buscam desenvolvimento humano, cultural, turístico, social e econômico, com foco na economia criativa como mecanismo de geração de emprego e renda, além da democratização e ampliação do acesso da população às atividades propostas.

 

Edição: Daniela Reis 

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Por Moisés Martins

Foto: Moisés Martins

Mesmo após sua morte, Basquiat, um dos poucos artistas plásticos negros a ganhar projeção, continua quebrando tabus no mundo da arte

JEAN-MICHEL BASQUIAT | Lombo [Loin], 1982 |
As obras da coleção Mugrabi compõem a maior exposição de Basquiat já realizada na América Latina, em cartaz no Centro Cultural do Brasil Belo Horizonte (CCBBBH). Sucesso de público e crítica em São Paulo e Brasília, a mostra segue em cartaz na capital mineira até o dia 27 de setembro, e depois é a vez do Rio de Janeiro receber o trabalho do artista norte americano. A mostra dispõe de mais de oitenta obras, entre pinturas, desenhos e gravuras, espalhadas por todo o 3° andar do centro cultural.

O mineiro radicado em Nova Iorque, Jhonn Simões Braga, de passagem pela capital mineira, aproveitou a oportunidade para ver o trabalho do artista neo-expressionista. “A gente vê muita coisa dele lá, mas quase nunca em uma exposição só. Foi fantástico. Um presente do Brasil para mim”, declara. Por reunir um significativo recorte do trabalho de Basquiat e por destacar as obras de um artista negro, a exposição afirma o seu ineditismo.

Ao entrar na primeira galeria da exposição “Jean-Michel Basquiat – Obras da coleção Mugrabi ”, o confronto com o espaço, um prédio neoclássico, com o acervo da mostra, embebido de referências modernas e muitas vezes influenciado pela cultura pop, é inevitável. Durante a visita, muitas indagações vêm à mente.

O retrato de um artista negro logo na entrada não deveria causar impacto. Mas a imagem de Basquiat no museu tem uma força e carrega consigo muitas questões. Talvez, a principal delas seja a representatividade de artistas negros nos museus.

Para além das discussões sociais, a vida e obra de Basquiat, por si só, é capaz de surpreender aqueles que não conhecem a sua biografia. O que é possível notar nas reações dos visitantes ao longo da exposição, como revela a educadora Paulette Azambuja, graduanda em pedagogia com ênfase em arte. “As pessoas chegam aqui com mil estereótipos, os chamam de drogado, dizem que ele tinha AIDS, que ele viveu na pobreza, e muito por isso, por ele ser um artista negro, o que transforma o foco da visita”, conta.

Ao ir fundo na vida de Basquiat, é perceptível que essas afrontas vêm carregadas de puro preconceito. O artista veio de uma família de classe econômica média, sua mãe sempre acreditou no seu talento, e por isso, sempre o estimulou a desenhar, pintar e a interagir com tudo que se relacionasse às artes.

JEAN-MICHEL BASQUIAT | Flash in Nápoles [Flash em Naples], 1983 |
Basquiat foi um dos raros artistas negros de sucesso, no contexto das artes plásticas, em um universo predominantemente branco. Em sua carreira, trouxe à tona a negritude e os traumas experimentados pelos negros nos EUA.

Um fato marcante que coloca isso em evidência, é quando em sua primeira exposição ele vende todos os seus quadros, fatura duzentos mil dólares, e, logo após, ao tentar pegar um táxi na rua não consegue.

Por outro lado, há pessoas que vão à exposição por se reconhecer na vida dele. O público negro está se sentindo representado por essa exposição, e estão se inserindo no mundo das artes, o que não acontece muito em exposições de artistas brancos, por exemplo.

“A importância de se ter artistas negros, aqui dentro do museu, é para que as pessoas negras possam vir e se sentirem representadas. Muitos visitantes negros nunca tinham conhecido o CCBB e a exposição de Basquiat foi capaz de propor esse momento a eles, precisamos abrir janelas e pensar no acesso democrático de fato, para que todos tenham acesso às artes”, pontua Mateus Mesquita, coordenador do Programa CCBB Educativo.

Por Melina Cattoni
Fotografia: Instituto Brasileiro de Museus e Fauno Cultural
Agradecimentos: Circuito Liberdade, Espaço do Conhecimento Ufmg,  MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal, Projeto Museu de Rua.   

 

Fachadas clássicas, arquiteturas antigas e salões espaçosos são características presentes ao pensar em museus. Para reformular esta ideia e mostrar que esses espaços caminham junto ao uso das tecnologias e ao avanço das mídias digitais, o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) promove a 16ª Semana Nacional de Museusentre os dias 14 à 20 de Maio.

Com o tema Museus Hiperconectados _ novas abordagens, novos públicos, a décima sexta edição possibilita o diálogo entre público e os espaços culturais. Para Luciana Amormino, jornalista especialista em História da Cultura e da Arte, a temática permite a reflexão sobre a relevância da instituição junto ao público. “Possibilita evidenciar as conexões que fazem um museu acontecer, as parcerias que firmamos para a realização de nossas atividades, com os mais diversos públicos ou até mesmo com outros museus e instituições parceiras”, aponta a coordenadora da programação do Museu das Minas e do Metal.

O diferencial dessa edição está no uso das novas tecnologias e a possibilidade de parcerias. “O Memorial Minas Gerais Vale, por exemplo, em parceria com o Museu Brasileiro do Futebol, sediado no Mineirão, promoverá o intercâmbio de conteúdos como: músicas, vídeos, projeções e ações educativas interativas”, cita a museóloga Maíra Corrêa, coordenadora de programação do Circuito Liberdade. As redes sociais e aplicativos também são recursos utilizados nas oficinas. Como exemplo, o Espaço do Conhecimento da UFMG, oferece a Janela Digital, ferramenta que possibilita ao público conhecer as ações do espaço mesmo com o museu fechado. As pessoas podem assistir a mini vídeos da exposição sem sair de casa. Para a oficina Fotografia imersiva e tecnologias de realidade virtual para museus, ofertada pelo Museu Mineiro, se faz necessário o uso câmeras fotográficas ou smartphones para a experiência.

Quem vai ao Museu?

Das produções cinematográficas às grandes galerias, criatividade, diversão e, principalmente, interatividade são elementos presentes ao entrar em contato com as artes. Presentes nas praças, ruas e becos, o diálogo e a representatividade das artes em todos os locais é importante. Para Laís Flor, estudante do  curso de Museologia da Universidade Federal de Minas Gerais, os museus cumprem sua função com aqueles que têm acesso. A partir do momento que há uma identificação com o aquele espaço e, com o que ele representa, o lugar será aproveitado.

Ao pensar sobre a revitalização urbana e ressignificar  a ‘ida ao museu’, o Projeto Museu de Rua propõe novo tipo de entretenimento para a cidade, bem como a valorização das artes e dos artistas. O idealizador do projeto, Ivan Neves Bechelane, declara que o local das artes é no espaço público. “Qualquer espaço que seja fechado não é para todos. Qualquer lugar que ‘cobre’ entrada não é democrático. A arte tem que estar na rua. Ela é nosso espaço comum. A arte transgride o padrão e traz reflexões que são importantes de serem discutidas no nosso cotidiano”, diz o artista.

 

 

A principal participação do público nas intervenções se dá na “Batalha do Bomb”. Os integrantes do projeto escolhem as palavras que serão escritas no local e parte do público se voluntaria a escrever. “A arte conversa com a sociedade através da rua. Um museu, normalmente, é ambiente que demanda estudo prévio e que traz mensagens, às vezes, fora de contexto dentro de um ambiente versátil. Já a arte de rua expressa a mensagem local e interage esteticamente com o que está em volta”, declara Ivan.

 

 

Para Laís Flor, ainda sim, o reconhecimento e o acesso das comunidades periféricas à essas instituições não é tão abrangente. “Tanto a divulgação, quanto a forma como o museu se comunica com as minorias, são meios de melhorar esse acesso e essa identificação da população com este espaço de cultura”, afirma.