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Crédito: Rodney Costa

Thiago Guimarães Valu

A cobertura esportiva jornalística, acompanha as mais variadas práticas e modalidades, há pelo menos, 150 anos. Nesse tempo, evidentemente, muita coisa aconteceu.

Aqui,  trataremos, justamente, daquele que é declarado, pela “grande massa”, como o esporte mais popular do mundo, o futebol. Tenho vivido a experiência da cobertura do esporte, como jornalista, nos últimos seis anos,  e cada vez mais me faço as perguntas: “Qual o limite da liberdade jornalística na cobertura de um clube de futebol?” e “Qual a relevância real”?

Atualmente, sou repórter no canal do YouTube Cruzeiro Sports, onde produzimos conteúdos de cunho jornalístico e opinativo sobre o Cruzeiro Esporte Clube. É um canal democraticamente aberto a todos, mas, logicamente, mais consumido por adeptos do clube em questão. Atingimos a importante marca de 150 mil inscritos, recentemente, e a empresa é registrada como veículo de comunicação jornalística. Todos os seus integrantes estão registrados no Ministério do Trabalho como jornalistas, mas o clube não nos reconhece,  nem considera nosso trabalho dessa forma.

O Cruzeiro Esporte Clube segue, a cada dia, mais afundado em crises financeira, política e estrutural sem precedentes, desde que denúncias de irregularidades, tiveram conhecimento público, no dia 26 de maio de 2019, no programa Fantástico, da Rede Globo, graças a grande trabalho jornalístico da repórter Gabriela Moreira. Em um primeiro momento, a tentativa, por parte dos dirigentes, foi mostrar que se tratava de algo tendencioso, já que, no discurso dos gestores do clube, tentava-se criar um ambiente de instabilidade, já que o Cruzeiro  vivia a incomodar no âmbito desportivo. O que se viu, e se vê, desde aquele dia, é o tremendo desmoronamento de uma instituição centenária, que, graças a gestões temerárias, caminha, desde então, sem rumo e luminosidade.

Quer dizer:- a imprensa, antes querida, ao tratar dos títulos e das grandes partidas, passou a ocupar o  posto de “inimigo número” um do “estado”. A verdade é que a cobertura é agradável aos assessores de imprensa dos clubes e direções, enquanto o enquadramento das notícias e informações, favorece não ao clube, mas à imagem de quem ocupa as cadeiras mais importantes das instituições futebolísticas.

Tenho credencial de jornalista validada na AMCE (Associação Mineira Dos Cronistas Esportivos), mas, no entendimento do clube,  não passo de um influencer. Por isso, as perguntas redigidas por mim, direcionadas ao técnico do clube, na coletiva aberta a toda  imprensa, seguem ordem expressa de não serem lidas. O curioso é que  me preparo para cada jogo, do qual fazemos a cobertura, como os profissional da Rede Globo, da rádio Super ou da Itatiaia,que, aliás, me enxergam e reconhecem  como colega de trabalho. Já o Clube, não.

Pergunto, então:- se o conteúdo não fosse crítico e independente como é, será que teríamos o mesmo tratamento por parte dos mandatários do Cruzeiro? Ou seja, a liberdade para coberturas dentro dos clubes de futebol, parece estar, definitivamente, atrelada aos interesses de pessoas que detêm o poder interno, e não dos torcedores.

*Edição: Professor Mauricio Guilherme Silva Jr.

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Por: Gabriel Barros

Três Pontas, Sul de Minas Gerais. Francisco Barros, meu pai, há mais de 30 anos, é radialista na rádio local da cidade, e, desde que eu me entendo por gente, tem um programa sertanejo diário, que começa às 5h e termina às 8h30. Logo depois de encerrá-lo, já começa a preparar um jornal de notícias diárias, que vai ao ar de 11h30 às 12h. Assim é a rotina do meu velho, em seu trabalho, que realiza com muito amor. Fiz essa pequena introdução, sobre o trabalho de meu pai, devido à grande influência que ele tem sobre a profissão que escolhi para exercer na vida: o Jornalismo.

Desde criança, me aventurava nos estúdios da rádio Sentinela FM. Mexia aqui, fuçava dali, até que, quando eu tinha 8 anos, meu pai resolveu me testar. Em 2007, fiz meu primeiro programa piloto, o “Turma da Bagunça”. E não vou mentir: ficava constrangido sempre que ouvia minha voz nas antigas caixas de som do “estúdio B” da rádio. Não gostava. Adorava assistir a meu pai trabalhando, mexendo naqueles milhares de botões, mandando o famoso “alô” para os ouvintes, mas não conseguia me enxergar fazendo tudo aquilo, àquela época.

Fui criado no meio do Jornalismo. E, a partir dos fatos que irei contar, descobri que, para ter sucesso num ofício, não basta ser um bom profissional. A paixão e o tesão pelo que se faz são essenciais para alcançarmos os objetivos traçados em nossos sonhos. O apoio que tive dos meus pais foi um grande diferencial para meu início de carreira. É importante, porém, levar em consideração que, em diversos casos, os pais oferecem grande resistência à profissão escolhida pelo filho. Debateremos isso ao longo da história.

Meu pai, junto a minha mãe, sempre me incentivou. Eu era resistente, contudo. Após a decepção com o programa piloto, meu pai tentou me inserir no meio jornalístico, com outras atividades. Gravei até propaganda para o dia das mães, em lojas da cidade: “Mamãe, eu te amo muito. Feliz dia das Mães!”. E, uma vez mais, ao ouvir minha voz gravada, não me sentia satisfeito. Fiz diversos spots para testar, aprimorar e trabalhar minha voz. E meu pai sempre a meu lado.

Passaram-se os anos, e fiquei na geladeira. Meu pai me deu um tempo, para, realmente, decidir o que eu queria. A paixão pelo Jornalismo, porém, habitava em mim, de maneira bem tímida, mas não conseguia enxergar o futuro, e não estar inserido no meio. Até que, em 2016, no auge de meu ensino médio, último ano de escola, e de cursinho preparatório para o Enem e o vestibular, meu pai, uma mais vez, me testou. No dia 23 de setembro, em Três Pontas, é realizada a Festa do Beato Padre Victor, evento religioso que envolve toda a população da região. A rádio Sentinela FM aparece de novo no cenário, juntamente a meu pai, que me chamou para ajudá-lo na cobertura jornalística do evento.

Um misto de nervosismo, animação e adrenalina tomou conta de mim. Mens desinibido, mas ainda bem contido, iniciava, ali, às 15h do dia 23, na praça da Matriz, minha jornada em busca de depoimentos de romeiros que tinham história em particular com o Beato Padre Victor. Daquele modo, ao lidar com pessoas de diversas cidades, estilos e hábitos, meu sonho de ser jornalista, finalmente, aflorava. A emoção das pessoas, ao me contar suas histórias, me fez voltar e lembrar do quão emocionado eu ficava, ao assistir meu pai a trabalhar…

No final da cobertura, às 19h, cheguei à rádio com a memória do gravador – aqueles “tijolões” da época – bem cheia. E, quando fomos passar os áudios ao computador, para editarmos e já prepará-los para ir ao ar, pela primeira vez, não fiquei desconfortável com minha voz nas caixas de som, agora no “estúdio A”. Fiquei, em verdade, muito feliz com o resultado. E a alegria não vinha, apenas, do fato de minha voz parecer menos “estranha”. Ali mesmo, ao olhar para o lado, meu pai, com os olhos carregados de lágrimas, me parabenizou pelo trabalho e disse: “Que orgulho, meu filho”. Aquilo foi a virada de chave para seguir meu sonho.

Não sei se, ao final deste relato sobre minha vida, você se identificou com algo. Fato é que a paixão levou-me a esta linda profissão. Falo da paixão por assistir a meu pai trabalhando, e da paixão das pessoas ao serem entrevistadas. E da paixão que, hoje, meus pais têm por mim, por ter seguido minhas convicções.

Hoje, no último ano da faculdade de Jornalismo, relembro tudo o que já vivi, e não me canso de agradecer, a meu pai, pelos puxões de orelha, pela paciência e pelo respeito que sempre teve comigo. E pelo tempo que tive para absorver o que desejava em meu futuro. Levarei comigo os aprendizados de meu pai e de minha mãe. Além de me educar e fazer de tudo por mim, eles me fizeram – e ainda me fazem –, acreditar que a profissão que escolhi pode transformar o mundo em um lugar mais plural, harmônico e democrático.

 

*A crônica foi produzida sob a supervisão do professor Maurício Guilherme Silva Jr.