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Contramão

Por Matheus Dias

Nas ruas, na TV, na rádio, na internet, no letreiro, nas bandeiras, nas faixas, nos altos falantes de carros, nos papéis – famosos santinhos, nos muros e em diversos locais se vê a movimentação política que se aflora de dois em dois anos a partir do mês agosto. 

É impossível não perceber que já se aproxima um dos períodos em que temos que exercer a cidadania, irmos nos colégios eleitorais para votar em alguém que nos representa.

Desde criança escuto a palavra “representar”, ou derivações dela. Quando se tratava de política, me pego pensando quando comecei a votar: será que tenho alguém que apoio e confio a tal certo ponto de me representar? Consigo achar um candidato que entregará tudo? Possivelmente não, mas parto para o desafio de fazer uma peneira nos que conheço ou ouvir falar para sondá-los em dar o meu voto. 

O horário eleitoral gratuito é um dos momentos da grade de programação de rádio e TV mais rejeitados e apontado como chato por grande parte das pessoas na minha percepção, mas paro a rotina alguns dias para poder assistir e ver quem está com  a oportunidade de me representar. E novamente me deixa mais confuso, principalmente os concorrentes aos cargos de legislativo, que neste ano são os deputados e senadores. 

Sinto que por uma cultura enraizada em nossa sociedade, os cargos de legislativo aparentam ser menos importantes para sabermos suas propostas e, para os candidatos que tentam se reeleger,  uma análise de seu mandato.  

Quando vejo o grande debate nas ruas sobre os candidatos concorrentes aos cargos do executivo e pouco escuto dos deputados, por exemplo, fico preocupado e quando pergunto para os amigos e também pessoas próximas, a resposta é de que ainda pensará em um candidato e que verá mais para frente – mesmo faltando menos de duas semanas para ir às urnas. 

Acredito que nessa reta final, os candidatos com melhor propaganda, maior números de placas espalhados pela cidade e com maior simpaticidade ganham votos. A hora de dar um voto de confiança se aproxima, é preciso ter cautela para depositar confiança e poder nas mãos de pessoas que influenciará e tomará decisões que respingará em mim e em todos.

rock in rio

Por Keven Souza 

Aconteceu no último domingo (11) o encerramento do Rock In Rio 2022, na Barra da Tijuca no Rio de Janeiro. O evento que reuniu ​aproximadamente 100 mil pessoas no sétimo dia e contou a presença de mais de 36 artistas dos mais variados gêneros musicais, trouxe vida a Cidade Rock em 12 horas de música constante divididos em oito palcos. 

rock in rio
Dua Lipa, esbanjando talendo e brilho no palco mundo ( Foto: Keven Souza )

A atração mais aguardada da noite foi a cantora britânica de 27 anos, Dua Lipa. A artista era headliner do dia, onde, ao som de “Physical“, subiu ao Palco Mundo com todo um espetáculo de cores, luzes e hits. Esbanjando talento, apresentou o setlist com os sucessos de Future Nostalgia, seu segundo álbum de estúdio. Tudo muito bem pensado para quem estava presente no Parque Olímpico e também acompanhava de casa, pela transmissão do Multishow. 

Das músicas aos figurinos – quatro, ao todo – Dua Lipa brincou com cores e não dispensou brilho. Trouxe seu balé que performou garantindo um show à parte com coreografias. A cantora interagiu ainda com a plateia e finalizou, em português, dizendo: ‘obrigado gatinhos e gatinhas’.  

Megan Thee Stallion, Rita Ora e Ivete também foram outras cantoras que abrilhantaram o último dia de Rock In Rio, se apresentando no Palco Mundo. No Sunset, Liniker mostrou toda força da mulher trans preta juntamente com Luedji Luna. Logo após, Majur,  Agnes Nunes, Mart’nália, Gaby Amarantos e Larissa Luz uniram o samba, soul, blues, brega e jazz em um só espetáculo para homenagear Elza Soares.

Cidade do Rock é baile de favela

rock in rio
Toda a estrutura gigantesca do palco mundo. ( Foto: Keven Souza )

Já a cantora Ludmilla, de 27 anos, que também se apresentou no Palco Sunset, foi uma das artistas mais comentadas do mundo na internet após seu show. Isso porque, ela prometeu que faria algo grandioso e cumpriu. A dona do hit ‘Rainha de Favela” investiu em estrutura de palco, luzes e figurinos luxuosos. Além disso, não deixou de lado o funk!

Ludmilla construiu um setlist único, que privilegiava o gênero musical, fazendo com que a Cidade do Rock por um momento virasse baile de favela. Levou ainda a dupla Tasha e Tracie, MC Soffia, Tati Quebra Barraco e Majur para o palco. Como resultado, fez um show certamente histórico que trouxe questionamentos aos produtores do Rock In Rio sobre a participação de artistas brasileiros no Palco Mundo, que é o principal palco do festival. 

O Rock in Rio promoveu inclusão em seus shows deste ano, como intérpretes de Libras (Linguagem Brasileira de Sinais) e mais artistas negros e LGBTQIA+. Mas a principal crítica do público com os produtores foi colocar artistas femininas de grande público, que é o caso de Ludmilla e Avril Lavigne, em palcos menores, como o Sunset. 

A volta do Rock In Rio no Brasil 

Após dois anos desde a última edição do evento do Brasil, que aconteceu em 2019, a Cidade do Rock recebeu um público de 700 mil pessoas com o forte desejo de se reencontrar. Foram sete dias, 1.255 artistas, 300 shows e mais de 507 horas de experiência. 

As parcerias? Muitas! Stands do Globo Play, Tim, Itaú, TikTok, Coca-Cola, Doritos, Latam, Kit Kat, iFood, entre outros, decoraram o Parque Olímpico com cores e vida. E para mostrar que o Rock In Rio é um festival de números, esta edição foi recorde de turistas no Rio. Foram mais de 420 mil pessoas de outros estados do Brasil e uma estimativa de 10 mil de fora do país. 

O Rock In Rio é um festival que impacta diretamente na economia da cidade. É, ainda, patrimônio cultural imaterial do Rio de Janeiro que expande toda nossa brasilidade para o mundo. Que as próximas edições continue com ​​toda a energia e alto astral, pois o evento além de trazer grandes espetáculos para o Brasil, dá um show como festival de experiências!  

 

Por Melina Cattoni e Ana Luísa Arrunátegui
Fotografia: Ana Luísa Arrunátegui
Imagens: Equipe “Dando Asas à Imaginação” e Haroldo Borges
Agradecimentos: Arthur Felipe Fiel, João Marcos Nascimento e Paula Teixeira Gomes

A 13ª edição da Mostra de Cinema de Ouro Preto ocorre entre os dias 13 e 18 de Junho. Um dos destaques deste ano serão às Sessões Cine-Escola, com a exibição de curtas animados e documentários que abordam a infância de forma lúdica e carinhosa, ampliando o debate sobre o tema “Educação, História e Preservação do Cinema e do Audiovisual”.

Um dos pontos fortes de grande parte das narrativas animadas é entender que, no fundo, todos nós somos crianças. Fantasias e inovações são algumas das ferramentas utilizadas para abordar com sutileza diversas questões como, por exemplo, a diversidade humana, tema abordado pelo curta Dando Asas à Imaginação. Os protagonistas representam crianças que nem sempre são vistas no cinema ou na televisão, especialmente crianças negras – representadas pela Carol e pelo Carlinhos. A produção expõe a nova configuração social que compõe a sociedade. A exibição para crianças e adultos é interessante, uma vez que “o filme coloca a escola no centro da narrativa e é apresentada como um lugar divertido, colorido e mágico onde tudo é possível. A escola é o portal de entrada para o mundo da imaginação”, aponta o professor e roteirista, Arthur Felipe Fiel.

 

 

A produção de animações em curta-metragem é um convite à experimentação. Diversas técnicas, como Cut-Out digital, agitam o imaginário do espectador. Apesar do processo de distribuição ser competitivo, existem iniciativas, “como a aquisição de curtas animados por parte da TV Brasil e o lançamento do serviço de streaming do AnimaMundi”, relata o animador e bacharel em cinema, João Marcos Nascimento.

Outra obra que será exibida na CineOP é o documentário Jonas e o Circo Sem Lona. Produzida pela Plano 3 Filmes e dirigido por Paula Gomes, mexe com a emoção do público ao apresentar a história de um menino que constrói um circo e luta para mantê-lo vivo em seu quintal. O longa-metragem não apenas contribui para a temática educacional, mas também, trata a escola como fator inseparável do personagem. Ao discutir sobre o sistema educativo e defender que os alunos sejam tratados como indivíduos diversos, Gomes afirma que “a educação e a cultura têm papel protagonista para definir novos caminhos”.

 

 

Para a realização deste documentário, o grande diferencial é a proposta de imersão que o público terá na vida de personagens reais. Por se tratar de uma produção que fala sobre o fim da infância e para onde vão os sonhos quando crescemos, cria-se uma relação profunda e intensa, tanto para o espectador quanto para os envolvidos.

Em suma, cada discussão apresentada na Mostra faz o público e cineastas, crianças e adultos refletir não apenas sobre educação, mas todas as temáticas que envolvem a nossa sociedade. Curtiu? Então acompanhe as redes sociais do Jornal Contramão e fique por dentro de tudo que vai rolar na cidade de Ouro Preto. Nossa equipe desembarca na CineOP e compartilha o que há de melhor na cidade. #vemcomagente.

Por: Moisés Martins e Marcelo Duarte 
Foto: Dimi Silva

Em 8 de maio comemora-se o Dia Nacional das Artes Plásticas. Convidamos o artista Edmilson Antônio da Silva, conhecido como Dimi Silva, para um bate-papo.  Aos 35 anos, ele vive de seu trabalho como autônomo em Belo Horizonte. Brinca com as cores, possibilitando a quem vê  viajar por mundos divertidos. A inspiração é ampla, vai da beleza da mulher negra aos autorretratos de Frida Kahlo (1907-1954), uma das principais pintoras do século XX. “É muito importante ter um dia do artista plástico, mas deveria ter mais eventos e feiras para que possamos mostrar nosso trabalho”,  afirma o artista plástico Dimi Silva.

Como e quando você iniciou nas artes plásticas?

A ideia de ser artista plástico foi algo que surgiu em minha vida. O gosto pela arte vem desde criança. Desde cedo aprendi a desenhar. O tempo passou e, a cada dia, queria aprender mais. Comecei a ter contato com novas técnicas e estilos de desenhos, que me fizeram chegar onde estou. Mas não quero parar por aqui. A cada dia que passa eu aprendo mais, para que meu trabalho fique cada vez melhor.

Como você se vê dentro do mundo das artes?

Eu me considero grande artista plástico. A grande maioria das pessoas não dá valor às artes. Então, fica difícil para o artista ser reconhecido pelo seu trabalho.

Dentro da arte, como você usa a tecnologia a seu favor?

A tecnologia tem nos ajuda bastante.  Uso as redes sociais para divulgar meu trabalho. Por meio das postagens, alcanço público amplo, o que aumenta o  reconhecimento do meu trabalho.

Como você apresenta suas obras?

Faço pinturas expostas em  muros da cidade, onde o público tem contato direto com a arte e com o meu processo de produção. Também participo de algumas feiras de artes.

Com qual outra área das artes plástica você teve contato?

Basicamente foi só pintura mesmo. Pintura de telas, murais, desenhos papel e arte digital.

O que você espera do seu futuro nas artes plásticas?

Busco evoluir cada vez mais, sempre buscando novos conhecimentos e com isso reconhecimento pelo meu trabalho.

Você tem contato com outros artistas?

Tenho muitos amigos no meio artístico, com trabalhos maravilhosos e de diferentes estilos. Para mim é um contato muito importante desde a  parte do aprendizado artístico até questão do respeito com a arte do colega.

Você vê muitos jovens inseridos nas artes plásticas?

No meu cotidiano vejo alguns, mas faltam oficinas, eventos e projetos voltados à juventude para poder despertar o interesse dos jovens pelas artes plásticas.

Aqui podemos ver um pouco de suas obras e sua descrição sobre elas;


Mural realizado na pista de skate do Barreiro/Belo Horizonte. “Assim como a maioria dos meus trabalhos não tem muita a explicação exata, gosto de compor obras voltadas para psicodelismo surreal com bastante movimento e cores vibrantes e objetos de mundos distintos tudo em um mesmo lugar”


“Trabalho realizado para uma cliente. Tinta acrílica sobre papel, retratando um ícone e referência. A pintura é releitura de uma das obras de Frida Kahlo, com cores, objetos e movimentos sempre presente no meu trabalho”.

Por Melina Cattoni
Fotografia: Instituto Brasileiro de Museus e Fauno Cultural
Agradecimentos: Circuito Liberdade, Espaço do Conhecimento Ufmg,  MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal, Projeto Museu de Rua.   

 

Fachadas clássicas, arquiteturas antigas e salões espaçosos são características presentes ao pensar em museus. Para reformular esta ideia e mostrar que esses espaços caminham junto ao uso das tecnologias e ao avanço das mídias digitais, o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) promove a 16ª Semana Nacional de Museusentre os dias 14 à 20 de Maio.

Com o tema Museus Hiperconectados _ novas abordagens, novos públicos, a décima sexta edição possibilita o diálogo entre público e os espaços culturais. Para Luciana Amormino, jornalista especialista em História da Cultura e da Arte, a temática permite a reflexão sobre a relevância da instituição junto ao público. “Possibilita evidenciar as conexões que fazem um museu acontecer, as parcerias que firmamos para a realização de nossas atividades, com os mais diversos públicos ou até mesmo com outros museus e instituições parceiras”, aponta a coordenadora da programação do Museu das Minas e do Metal.

O diferencial dessa edição está no uso das novas tecnologias e a possibilidade de parcerias. “O Memorial Minas Gerais Vale, por exemplo, em parceria com o Museu Brasileiro do Futebol, sediado no Mineirão, promoverá o intercâmbio de conteúdos como: músicas, vídeos, projeções e ações educativas interativas”, cita a museóloga Maíra Corrêa, coordenadora de programação do Circuito Liberdade. As redes sociais e aplicativos também são recursos utilizados nas oficinas. Como exemplo, o Espaço do Conhecimento da UFMG, oferece a Janela Digital, ferramenta que possibilita ao público conhecer as ações do espaço mesmo com o museu fechado. As pessoas podem assistir a mini vídeos da exposição sem sair de casa. Para a oficina Fotografia imersiva e tecnologias de realidade virtual para museus, ofertada pelo Museu Mineiro, se faz necessário o uso câmeras fotográficas ou smartphones para a experiência.

Quem vai ao Museu?

Das produções cinematográficas às grandes galerias, criatividade, diversão e, principalmente, interatividade são elementos presentes ao entrar em contato com as artes. Presentes nas praças, ruas e becos, o diálogo e a representatividade das artes em todos os locais é importante. Para Laís Flor, estudante do  curso de Museologia da Universidade Federal de Minas Gerais, os museus cumprem sua função com aqueles que têm acesso. A partir do momento que há uma identificação com o aquele espaço e, com o que ele representa, o lugar será aproveitado.

Ao pensar sobre a revitalização urbana e ressignificar  a ‘ida ao museu’, o Projeto Museu de Rua propõe novo tipo de entretenimento para a cidade, bem como a valorização das artes e dos artistas. O idealizador do projeto, Ivan Neves Bechelane, declara que o local das artes é no espaço público. “Qualquer espaço que seja fechado não é para todos. Qualquer lugar que ‘cobre’ entrada não é democrático. A arte tem que estar na rua. Ela é nosso espaço comum. A arte transgride o padrão e traz reflexões que são importantes de serem discutidas no nosso cotidiano”, diz o artista.

 

 

A principal participação do público nas intervenções se dá na “Batalha do Bomb”. Os integrantes do projeto escolhem as palavras que serão escritas no local e parte do público se voluntaria a escrever. “A arte conversa com a sociedade através da rua. Um museu, normalmente, é ambiente que demanda estudo prévio e que traz mensagens, às vezes, fora de contexto dentro de um ambiente versátil. Já a arte de rua expressa a mensagem local e interage esteticamente com o que está em volta”, declara Ivan.

 

 

Para Laís Flor, ainda sim, o reconhecimento e o acesso das comunidades periféricas à essas instituições não é tão abrangente. “Tanto a divulgação, quanto a forma como o museu se comunica com as minorias, são meios de melhorar esse acesso e essa identificação da população com este espaço de cultura”, afirma.

Por Tiago Jamarino – start – Parceiros Contramão Hub 

Vingadores: Guerra Infinita é o apogeu de 10 anos da Marvel nos cinemas, entregando um “épico” com drama, mesmo dentro de sua caixinha

 

Vingadores: Guerra Infinita é a culminação de 10 anos do Universo Cinematográfico Marvel, desde 2008 com o Homem de Ferro inaugurando a era da Marvel nos cinemas, o MCU tem construído um lindo universo e legado diante o mundo dos super-heróis. Muito se discute se esses longos anos com a temática tenha saturado aos seus espectadores, mas ao ver a este filme tenho plena certeza que está era está apenas começando. Guerra Infinita veio com a árdua missão de ser o apogeu de tudo que foi construído até então, incontáveis heróis, em vários grupos e uma gama de possibilidades, nada melhor que a casa das ideias para ter um leque nas mãos, após tanto tempo, é hora de soltar o clímax. O filme é satisfatório em vários sentidos, tanto em suas cenas de ações, em um drama dosado, suas piadas, mas é muito inchado e não tem uma história digna do hype. Os irmãos Russos tiveram um grande supletivo com Capitão América: Guerra Civil, aprenderam a trabalhar com vários personagens, com diversas locações e dosar os pontos certos, tanto que este filme a momentos grandiosos e de tensão. Mas no fritar dos ovos, nem só de bons momentos vive um filme de super-herói, é preciso mais, uma história e acabar com paradigmas que filme do gênero não precisa de um roteiro eficaz. O que vemos em Guerra Infinita é um filme bom, que tem um forte legado com 10 anos de aprendizado, mesmo contendo erros é um filme que conseguiu ser diferente em vários quesitos, mesmo tendo a nítida sensação de ser mais um filme dentro da caixinha.

Guerra Infinita se inicia logo na cena pós-créditos de Thor Ragnarok, onde a nave de Thanos se encontra com a nave dos refugiados Asgardianos, logo já temos a consolidação do Titã Louco como o grande vilão do MCU, digno de todo o hype criado. O desenrolar destas cenas já é o cartão de visita para sentir a grande ameaça que o vilão será ao longo do filme. Acabando com a curiosidade geral da nação sobre o vilão, direi já, afirmo com todas as letras, Thanos é o maior vilão de todo o MCU e se não dos filmes de heróis. Thanos é imponente, sagas, poderoso, vilanesco sem frases canastronas de sou mal, sua ameaça é sentida por todos. O grande detalhe em seu tratamento é fenomenal, a Marvel aprendeu com erros passados, o texto na mão de Josh Brolin é algo espetacular, assim como o dialogo visto até no trailer, “A diversão não é um fator quando se tentar equilibrar o universo. Mas isto, põe-me um sorriso no rosto.” As motivações de Thanos são aceitáveis, pode parecer rasas em um certo ponto de vista, mas não diferentes de vários ditadores que se levantaram pelo mundo. Os personagens do Universo cinematográfico da Marvel são especiais, estão nas nossas vidas há uma década, é fácil se identificar com todos eles, mesmo não sendo tão significativo o crescimento de cada personagem, ao longo dos anos eles evoluíram, este filme mostra onde esse crescimento os levou.

Guerra Infinita é o ponto de jornada de um vilão, em um certo ponto de vista, o filme mostrará a jornada de Thanos em um grande desafio cósmico de juntar todas as joias megapoderosas. O público já sabe onde estão todas essas joias, exceto uma, a joia da alma. A joia da alma está presente, mas o que mais é interessante o modo como ela é procurada ou meio que digamos sem spoilers, “achada”. A ordem Negra de Thanos é apresentada com esses ganchos, mas é o ponto mais fraco do filme, a tropa de elite de Thanos não é tão bem-dita e sentida sua ameaça assim, vai ver é culpa do grande vilão que os ofusca. O longa não depende de você ser um fã de uma década da casa das ideias, mas para se ter a total experiência é necessário ter acompanhado tudo de perto, isso é explicado na dramaturgia como uma forma de se conectar e importar com o personagem, dentro desta premissa, o tempo todo o filme te passará uma sensação de perigo. O que acontece ao longo do filme é uma verdadeira montanha-russa de sentimentos, alegria, euforia, medo e tristeza somados a uma carga dramática que não estava presente em Guerra Civil, em Guerra Infinita apresentam esse peso e pela primeira vez uma consequência de verdade.

A direção mais uma vez fica a cargo dos irmãos Russos, que já trabalharam na casa, com o excelente Capitão América: O Soldado Invernal (2015) e encare como queira, Vingadores 2.5 ou Capitão América: Guerra Civil (2016). A dupla de direção é bastante competente, eles sabem o que estão fazendo, o grande mérito é trabalhar com uma escala maior, mesmo a história sendo ausente. As cenas de ações são formidáveis, vamos explicar por partes, como o elenco é dividido em vários núcleos, temos o planeta Terra e o Espaço. Dito isso, a ação no espaço conta com um CGI esplendoroso, é o auge da Marvel em criação de mundos, cada planeta e em batalhas especiais, os poderes apresentados em tela, é lindo, dignos de uma space-opera. A ação na terra exatamente em Wakanda é mais prejudicada, a geografia do lugar e os planos usados causam um pouco de estranheza, se no espaço os diferentes poderes foram bem usados, na terra a uma variação esquisita e vários deslizes, mas não é nada que totalmente penaliza o conjunto da obra.

A estética do filme é diretamente a culminação de uma década, a Marvel está no auge, o vilão Thanos é feito por captura de movimento, por trás do CGI existe um ator, Josh Brolin, a ILM ( Industrial Light & Magic)responsável por esses efeitos fizeram um trabalho primordial, deixando a vista todas as expressões de Brolin e fazendo a magia acontecer de forma crível. Diferente de Lobo da Estepe em Liga da Justiça, Thanos é crível e sua presença não causa estranheza perto dos demais personagens que estão na mesma cena com ele. O filme dispõe de uma gama de vários personagens, o CGI compões tudo com bastante esmero, mas tudo isso não seria possível graças a montagem. A montagem, em contrapartida, é perfeita, conciliando todos os pontos e interligando diferentes atos e diferentes núcleos, a algumas quebras de ritmos, mas o trabalho da edição fecha com chave de ouro. As paletas de cores são cores vivas e reagem as diferentes facetas do filme, quando o drama é presente, ela fica mais escura, tudo é interligado com o que ocorre em tela. A trilha sonora ainda não é memorável como tantas da cultura pop, mas a musiquinha dos Avengers estão ali.

O roteiro é o ponto que será mais discutido ao longo do tempo, escrito pela dupla Christopher Markus e Stephen McFeely. O texto apresentado faz um bom trabalho, mediante aos vários personagens que são apresentados, temos o vilão e sua jornada com sua trupe e do outro lado, as dezenas de super-heróis que estão no longa. A história é bem simples de se entender, não espere nada complexo como os (quadrinhos) base, O Desafio do Infinito e Saga do Infinito, a história é a mais previsível possível, o que não quer dizer que o filme é ruim, mas carece de algo que poderia dar a ele um lugar ao sol. Os diálogos e as interações de vários núcleos poderiam se manter o filme todo que pagaria o meu ingresso, é divertido ver essas tão esperadas interações, felizmente, todas funcionam. A tão criticada fórmula Marvel está presente, á piadas, nós personagens que levam o humor no cerne, assim como um momento de grande drama que é quebrado por um alívio cômico, ainda está presente, mas no que diz respeito aos filmes anteriores, em Guerra Infinita, a sensação do perigo e o clima fúnebre é algo nunca visto antes.

O elenco é impossível falar de um por um, falarei bem superficialmente sem dar detalhes que possam estragar a experiência. Thor de Chris Hemsworth é meu favorito do filme, depois de Thanos, claro, o deus do trovão encontrou o ponto de equilíbrio certo entre a comédia e a piração de uma divindade. O texto não esquece do Ragnarok, tão pouco das consequências do seu primeiro ato, o Odinson carrega um peso de seus atos e sua interação com os Guardiões da Galáxia é a melhor coisa que vemos neste filme. O núcleo dos Guardiões teve seu texto escrito por James Gunn, o nível dos personagens está como dos filmes anteriores. Gamora (Zoe Saldana)Nebulosa (Karen Gillan), Quill (Chris Pratt) que junto com Tony Stark (Robert Downey Jr.), Homem-Aranha (Tom Holland), Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) tem uma interação incrível e inesperada. O núcleo da terra Pantera Negra (Chadwick Boseman) e sua turma de Wakanda, assim como Steve (Chris Evans) e sua trupe, .Scarlett Johansson, Mark Ruffalo,Don Cheadle, Sebastian Stan, Anthony Mackie, Paul Bettany e Elizabeth Olsen. Robert Downey Jr ainda encanta, mesmo sendo a sua mesma performa de sempre, ainda sim o ator consegue entregar sempre o melhor. Pela primeira vez, Chris Evans, consegue ser o símbolo de inspiração que deveria ser em vários filmes passados, mas ficava só como escada para um humor de Tony, desta vez o Capitão bota para quebrar. Peter Dinklage, de Game of Thrones, também está no filme, com um personagem ainda mantido em segredo, mas sua participação se torna memorável, apesar do pouco tempo de tela.

Vingadores: Guerra Infinita é o filme da Marvel que você está esperando há dez anos. Tudo o que aconteceu nos leva a esse evento climático. Thanos é uma força da natureza e o vilão mais mortal da Marvel Studios que já existiu. Ele facilmente leva a coroa de Michael B. Jordan’s Killmonger. O filme sofre com umas piadinhas fora de contexto, não da tempo de tela necessário a alguns personagens, por motivos óbvios é claro, a trama é bem rasa e a história não é digna de um grande épico. Dizer que o filme é o Imperio Contra-Ataca da Marvel depende do ponto de vista, por seu tom, pelo seu desfecho, dizer isso, só o tempo dirá. Mas para quem está a uma década acompanhando e amando todos esses personagens este filme é um deleite, é um filme que vai agradar tanto críticos mais conservadores como o povão, em geral.

FICHA TÉCNICA

DIREÇÃO
Anthony Russo, Joe Russo

EQUIPE TÉCNICA
Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely
Produção: Kevin Feige
Fotografia: Trent Opaloch
Trilha Sonora: Alan Silvestri
Estúdio: Marvel Studios
Montador: Jeffrey Ford, Matthew Schmidt
Distribuidora: Walt Disney Pictures

ELENCO
Angela Bassett, Annie Pisapia, Anthony Mackie, Benedict Cumberbatch, Benedict Wong, Benicio Del Toro, Blair Jasin, Bradley Cooper, Callan Mulvey, Chadwick Boseman, Chris Evans, Chris Hemsworth, Chris Pratt, Danai Gurira, Dave Bautista, Don Cheadle, Elizabeth Olsen, Ethan Dizon, Florence Kasumba, Floyd Anthony Johns Jr., Gwyneth Paltrow, Hye Jin Jang, Idris Elba, Isabella Amara, Jeremy Renner, Jon Favreau, Josh Brolin, Karen Gillan, Kerry Condon, Letitia Wright, Linda Cardellini, Mark Ruffalo, Matthew Zuk, Michael Pierino Miller, Paul Bettany, Paul Rudd, Perla Middleton, Peter Dinklage, Pom Klementieff, Robert Downey Jr., Scarlett Johansson, Sean Gunn, Sebastian Stan, Terry Notary, Tiffany Espensen, Tom Hiddleston, Tom Holland, Tom Vaughan-Lawlor, Vin Diesel, Winston Duke, Zoe Saldana