Tags Posts tagged with "Contramão"

Contramão

0 1030

Texto escrito: Melina Cattoni                                                                                  

Insegurança s.fem.: 1. Sentimento controlado apenas por você. 2. Sensação alimentada por seus monstros e experiências 3. Caso a deixe crescer, pouco a pouco, ela te engole e você se aprisiona.

Aprisionar é um verbo muito forte, não?

Não!

É o que acontece e é a situação de impotência mais triste que existe. Sabe o porquê é a pior? Simplesmente porque é você que se coloca nesta situação, e por mais que surja uma nova oportunidade, e você a enxergue e quer vivê-la, sua prisão particular grita e te controla.

Cabe ao ser humano aproveitar cada segundo como se fosse o último. A partir do momento que nos libertarmos dos nossos medos, estamos prontos para nos entregar e arriscar em chances que aparecem como uma simples caixinha de surpresa. Basta ter coragem para abri-la e viver o desconhecido.

Medo, esse é o verdadeiro motivo para a insegurança.

A vida se compara a uma montanha russa com subidas, descidas e reviravoltas, a parte mais gostosa é quando está no topo e sente aquele frio na barriga ao olhar para baixo. E de repente, você se liberta para sentir aquele sentimento de felicidade ao descer com toda velocidade. Quando chega em terra firme você está com um sorriso igual ao de uma criança. E apesar dessa situação, quando acorda no outro dia, você sente o mesmo medo.

“Abra suas asas, solte suas feras, caia na gandaia, entre nessa festa”. Todos já ouviram e cantaram esse verso em algum momento. Quem ainda não ouviu, com certeza ouvirá. E sabe por quê? É a descrição fiel dos sentimentos e da liberdade que todos nós queremos alcançar um dia.

Há exatos 24 dias do pleito eleitoral que irá eleger o novo prefeito da cidade de Belo Horizonte, as campanhas eleitorais sofreram mudanças na sua forma de divulgação e realização. Por meio de leis e resoluções, as mudanças foram divulgadas pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, TRE/MG. Nele, além das alterações para a realização dos tradicionais comícios existem proibições para diferentes formatos de publicidade como, o telemarketing, outdoor e adereços e acessórios como camisetas, bonés e chaveiros.

Outras mudanças ocorreram, por exemplo, na realização de comícios, e propagandas realizadas pela internet. Nas hipóteses das divulgações realizadas por meios virtuais, “não pode ser impulsionada por mecanismos ou serviços que, mediante remuneração paga aos provedores de serviços, potencializem o alcance e a divulgação da informação para atingir usuários que, normalmente, não teriam acesso ao seu conteúdo”, conforme consta no documento.

Além da divulgação daquilo que “pode e não pode”, o TRE/MG também divulgou um canal para a realização de denúncias. Por meio de um formulário eletrônico, o eleitor poderá denunciar os candidatos e suas respectivas campanhas que não estiverem de acordo com as novas regras eleitorais.

O inteiro teor das novas recomendações, bem como as denúncias realizadas pelos eleitores, podem ser encontrados no seguinte endereço eletrônico:

https://www.tre-mg.jus.br/eleicoes/eleicoes-2016-1/propaganda-eleitoral-pode-x-nao-pode.

Reportagem: Lucas D’Ambrosio

Arte Gráfica: Isabela Castro

Fotografia: Lucas D'Ambrosio

Um dos avanços da legislação brasileira foi a alteração, no ano de 2014, do artigo 243 da Constituição do Brasil.  Depois de 15 anos tramitando no Congresso Nacional, a alteração permitiu a expropriação das terras, rurais ou urbanas, em que forem constatada a presença de trabalho escravo ou análogo, no território nacional. Em 2013, o Senador Romero Jucá (PMDB-RR) apresentou o Projeto de Lei do Senado (PLS) nº432/2013 que pretende alterar aquilo que é considerado “trabalho escravo moderno”, deixando de considerar, no caso, o trabalho em que as pessoas são submetidas à jornadas exaustivas ou à situações degradantes.

Amanhã, dia 02, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) irá realizar, por meio da Clínica de Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas, uma audiência pública para debater a proposta de lei, que atualmente, possui a relatoria do Senado Paulo Paim (PT-RS) e está em trâmite no Congresso. Os debates serão realizados no prédio de Direito da UFMG, à partir das 14h e contará com a presença do senador.  

A Clínica

Carlos Haddad, professor da Faculdade de Direito da UFMG e Juiz Federal, 43, realizou sua pós-graduação em direito no estado de Michigan, EUA. Em 2014, ele teve contato com a clínica Human Trafficking Clinic, que faz parte da Clinnect, uma rede universal de prestação em assistência jurídica às vítimas de trabalho escravo e de tráfico de pessoas.

Alunos participam de aula da Clínica de Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas, no curso de Direito da UFMG. Fotografia: Lucas D’Ambrosio

Foi proposto a ele que se aplicasse o mesmo modelo, aqui no Brasil. “É uma forma de lidar com uma situação que às vezes tem repercussão internacional: o tráfico internacional de pessoas. Isso, de maneira mais cooperativa e organizada entre diversas entidades e em vários países”, comenta Haddad que aceitou o convite e trouxe a proposta para a UFMG, se aliando à instituições de países que já possuem o projeto como, Colômbia, México e Etiópia

O Funcionamento

Por meio de uma parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego e com o Ministério Público do Trabalho, as atividades tiveram início em março de 2015. Com a iniciativa do professor Carlos Haddad, ao lado da também professora da UFMG, Lívia Miraglia, que atuam como coordenadores, o trabalho é realizado com o auxílio de advogadas que são colaboradoras e alunos que trabalham como estagiários e viabilizam a realização do projeto.

A clínica é estabelecida pelo tripé básico da educação pública superior: o ensino, a pesquisa e a extensão. De acordo com a professora Miraglia, cada um desses requisitos são observados e cumpridos atentamente no funcionamento da clínica.No processo de pesquisa, atualmente, analisamos todos os autos de infração que nos são fornecidos pelo Ministério Público do Estado (MPE) e Ministério Público do Trabalho  (MPT ). Nos últimos 10 anos, nossa análise parte desses autos para podermos identificar quais deles se tornaram, de fato, ações trabalhistas, quais se tornaram ações penais e em quais tiveram condenação.”, explica.

A professora de Direito do Trabalho, Lívia Miraglia é coordenadora da Clínica de Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas, da UFMG. Fotografia: Lucas D’Ambrosio

Outro aspecto observado é o ensino. Há uma disciplina específica que é ofertada aos alunos que demonstram interesse em participar da clínica. “É uma matéria optativa. Nessa aula ensinamos procedimentos básicos de atendimento e tratamento ao público, ensinamos a produção de peças processuais e tudo aquilo que os advogados precisam saber para prestarem atendimento externo.”, ressaltando a importância de ensinar aos alunos o tratamento e atendimento ao público.

Desse ponto, o último aspecto tratado é a extensão, “Ofertamos atendimento ao público, fazendo com que os alunos sejam os protagonistas. Proporcionamos a eles contato com demandas reais. Já realizamos entre 15 a 20 atendimentos durante esse período. É preciso, além do atendimento, compreender a demanda e realizar os encaminhamentos específicos, para cada um dos casos.”, finaliza Lívia Miraglia.  

Experiência para os alunos

Rayhanna Fernandes Souza Oliveira, recém-formada no curso, é uma das participantes da  clínica. Seu interesse em participar surgiu em 2015, quando ela já estava interessada no temas trabalhados em sala de aula pelos professores e coordenadores, Carlos Haddad e Lívia Miraglia. Foi aberto um edital para novos membros e seu ingresso se deu por meio de prova e entrevista.

Para ela, é importante o estudante atuar em atividades de extensão, principalmente, voltado para o tema do trabalho escravo e tráfico de pessoas. “Os estagiários trabalham nos três projetos concomitantemente, na pesquisa, ensino e extensão. Isso nos faz crescer , não só para lidar com as pessoas lá fora, mas também aqui, como integrantes da clínica”.

Rayhanna Oliveira, recém formada do curso de Direito da UFMG é integrante do corpo de estagiários que presta atendimento às vítimas de trabalho escravo. Fotografia: Lucas D’Ambrosio

O atendimento, que é aberto ao público, é realizado no 14º andar do prédio da pós graduação de Direito da UFMG, todas as segundas e  sextas-feiras, de 11h as 16:30h. Dois estagiários ficam à disposição, um auxiliando o outro, com as demandas solicitadas. A estudante, ainda ressalta, a importância do trabalho de campo no processo de aprendizagem e orientação às solicitações, “os nossos coordenadores sempre incentivam para irmos à campo vivenciar, não apenas visualmente, mas também de forma direta os problemas enfrentados por aqueles que têm os seus direitos violados”, finaliza.

PLS432/2013

O significado jurídico para trabalho escravo está presente no artigo 149 do código penal e prevê a submissão do trabalhador a trabalhos forçados, à servidão por dívidas, jornadas exaustivas ou à condições degradantes. Ainda, de acordo com a professora Miraglia, o PLS 432/2013 é específico para regulamentar a modificação que houve, ainda em 2014, do artigo 243 da Constituição.

O artigo, que trata da expropriação de terra, sofreu uma alteração que foi considerada um avanço jurídico. “Ele tem um detalhe, uma vírgula, que é: trabalho escravo, sendo ele em termos da lei. Este detalhe impossibilita a aplicação desse dispositivo, pois aguarda a sua regulamentação.”

Ainda sobre as alterações, Miraglia explica a função da audiência pública. “Vamos discutir se essa regulamentação é necessária pois temos o artigo 149 no código penal que define o que é trabalho escravo e temos a lei específica de ritos de expropriação de terra. Este projeto de lei exclui do conceito de trabalho escravo a jornada exaustiva e as condições degradantes. Sendo que esses critérios, são os que mais dão causa às demandas e denúncias de trabalho escravo no Brasil.”, analisa.

Para o professor Carlos Haddad, a grande questão é lidar com a disputa de interesses, que envolve algumas vezes grandes empresas, que possuem a concentração de capital, em confronto com o trabalhador. “É muito difícil, porque a tendência hoje, em nosso capitalismo sem fronteiras é alcançar o máximo de lucro ao menor custo e, às vezes, essa redução de custo se faz pela supressão de alguns direitos dos trabalhadores”, enfatiza Haddad.

Carlos Haddad, professor da UFMG é o responsável por implementar a Clínica de Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas no Brasil. Fotografia: Lucas D’Ambrosio

Para ele, para tornar o assunto conhecido, a presença de campanhas públicas e educativas é importante, sobretudo em escolas, a fim de mostrar para as novas gerações os males de uma exploração abusiva da força de trabalho.

A audiência pública, irá ocorrer na sexta-feira, dia 03 de setembro, à partir das 14h no auditório Maximum Alberto Deodato do prédio do curso de Direito da UFMG, avenida Álvares Cabra, 211, Centro de Belo Horizonte.

Reportagem: Isabela de Assis – Estudante do curso curso de Jornalismo UNA-ICA / Lucas D’Ambrosio

Fotografias: Lucas D’Ambrosio

Caetano Souza, português, encontrou no Tuk Tuk uma opção para driblar a crise e reconstruir sua vida no Brasil.

O Tuk Tuk, também conhecido como “triciclo coberto para transporte de passageiros urbanos”, se tornou uma das alternativas para a locomoção na cidade de Belo Horizonte. Apesar de ter sua destinação exclusiva para a contratação de passeios turísticos, qualquer pessoa, sendo turista ou não, pode usufruir do serviço. Comumente utilizado em países como Índia e Tailândia, o “pequeno notável” do trânsito asiático se tornou comum em países da Europa e agora está conseguindo se firmar como modelo de negócio pelas ruas de Minas Gerais.

A empresa luso-brasileira Tuk Tour Turismo é a principal representante do segmento em BH. Atualmente, a frota possui quatro veículos que circulam pelas principais regiões turísticas da capital: Pampulha, Centro e região Sul. Outros dois veículos também circulam pelo interior do estado, na cidade de Ouro Preto. Além de ser uma alternativa para a locomoção, ele proporciona uma nova experiência para os usuários que o utilizam para conhecer pontos famosos da cidade ou, simplesmente, redescobrir lugares que antes não eram percebidos.

Caetano Souza, 49, é português e há três anos mora em Belo Horizonte. Mudou-se para o Uruguai na tentativa de reconstruir sua vida financeira após o colapso econômico que atingiu países europeus nos últimos anos como, Espanha, Portugal e Grécia. Em uma visita ao Brasil conheceu BH e coincidentemente, descobriu a empresa – que também é de origem portuguesa – se tornando um dos seus atuais colaboradores.

Falando dos benefícios de se utilizar o Tuk Tuk, Souza é enfático, “É excelente, pois é uma forma de passear pela cidade e de andarmos por ela tranquilamente. Sempre andamos na velocidade máxima de 40Km por hora. Como o veiculo não possui janelas e nem vidros, a pessoa possui uma visão da cidade diferente daquela que está acostumada. Tem maior tranquilidade para ver aquilo que, no dia a dia, não conseguem ver”, completa.

Motocicleta ou Triciclo?

Sobre o veículo, Caetano Souza explica sobre as modificações realizadas em uma motocicleta para criar o formato típico do veículo. “No documento consta como triciclo. Basicamente é uma moto com duas rodas traseiras, adaptada para dois passageiros. O motor é de moto com algumas modificações na transmissão para torná-lo mais forte e suportar o peso maior”, explica. A legislação atual de trânsito não exige a utilização de capacetes para andar no veículo por ele possuir cobertura, além disso, possui cinto de segurança para dois passageiros e para o motorista.

Para desfrutar do passeio com o Tuk Tuk, o turista ou morador de BH terá que desembolsar o valor de 30 reais por pessoa, pela hora. Nos finais de semana e feriados, o valor da hora é 35 reais, por pessoa. Souza enfatiza que o serviço não é o modelo tradicional de táxi, como em outros países, mas uma opção de passeio turístico. “As pessoas estão no fluxo da correria e da pressa do dia a dia no trânsito. Nós que estamos no Tuk Tuk, não. Estamos desfrutando do passeio. No verdadeiro passeio não é preciso olhar para o relógio e ficar preocupado com a hora.”, finaliza.

Fotografias e Reportagem: Lucas D’Ambrosio  

O lançamento da campanha #SomosTodosParalímpicos, da Vogue Brasil, repercutiu nas redes sociais de modo diferente do esperado. Estrelada pelos atores Cleo Pires e Paulo Vilhena a campanha despertou críticas em torno da representatividade para os atletas paralímpicos. A peça fotográfica traz as imagens dos corpos dos artistas sobrepostas, por Photoshop, aos corpos dos atletas Bruna Alexandre paratleta de tênis de mesa e Renato Leite  paratleta de vôlei sentado. A revista investiu no ensaio tencionando a visibilidade dos atletas paradesportivos, devido ao cenário em que houve a redução do orçamento, a pouca cobertura midiática e as baixas vendas dos ingressos para a competição.

No Twitter, os internautas criticaram a falha na representatividade, uma vez que, a revista poderia convidar um esportista para posar.  “Que negócio estúpido essa campanha da Vogue eu sou deficiente e achei O CÚMULO DO RIDÍCULO.” tweetou @HailYsgramor.  Apesar do retorno negativo da campanha o assunto se manteve nos Trends Topics do Brasil durante todo o dia, a jogada de marketing na visão de alguns deu certo “Se a Vogue Brasil tivesse pego os atletas paralímpicos não ia ter dado repercussão, sabe por que? Porque o povo não apoia, a grande maioria, não da bola.” tweetou @DiegoSpier.

O Baile Africano promovido pela revista em fevereiro de 2016, também foi lembrado pelos internautas. Na ocasião, a festa pretendia homenagear a cultura Afrodescendente, mas acabou contando com poucos convidados negros e com a presença de atrizes brancas usando penteados e adereços de origem Africana. No Facebook o site que marcou presença na polêmica foi o Sensacionalista, que divulgou uma matéria ironizando o feito, declarando que a magazine irá realizar um editorial sobre a cultura Africana utilizando modelos escandinavos.

O professor do curso de Publicidade e Propaganda, do Centro Universitário UNA,  Luiz Lana comentando sobre o assunto, demonstrou sua insatisfação com a campanha, “Eu achei de extremo mau gosto. Acho que ela tenta promover empatia aos atletas paraolímpicos, mas pisa na bola ao tentar fazê-lo.”  Como resposta aos comentários, Cleo Pires postou um vídeo em sua conta do Instagram, tentando explicar o real sentido da campanha. A paratleta Natália Mayara comentou sobre a repercussão do caso, “Gente a ideia era justamente essa, mostrar que qualquer um pode ser paralímpico! Inclusive atores globais famosos que todos veneram, mostrar que entre nós e eles a única diferença é a condição física. Além da visibilidade que esses atores tem que vai atingir muito mais pessoas pelo mundo. Parem de querer polemizar tudo.”.

Reportagem: Kedria Garcia Evagenlista – Aluna do Curso de Jornalismo do Centro Universitário UNA-ICA

Estefane dos Santos de Oliveira foi uma das visitantes da exposição "Mulheres Cabulosas da História".

Apesar de desempenharem um papel fundamental na construção humana, social e cultural da história, existem mulheres que foram esquecidas ao longo do tempo e colocadas como coadjuvantes diante das tradicionais figuras masculinas impostas pelos livros didáticos. Nomes como, Dandara, Simone de Beauvoir, Mercedes Sosa, Nísia Floresta, Sophie Scholl, Frida Khalo e Angela Davis são alguns desses exemplos. O projeto fotográfico “Mulheres Cabulosas da História” faz o resgate desses e de outros símbolos da luta social e feminista, por meio da releitura dos seus retratos clássicos utilizando, dessa vez, mulheres que são a atual força de representatividade dessas causas.

A fotógrafa Isis Medeiros, 26, é a responsável por idealizar o projeto que está exposto na passarela cultural do Anexo da Biblioteca Professor Francisco Iglésias, Rua da Bahia nº 1889, bairro Lourdes, entre os dias 25 de agosto a 02 de setembro, com entrada franca. Com o apoio e a realização do coletivo de mulheres do movimento social Levante Popular da Juventude, a ideia foi o resultado do engajamento fotográfico desempenhado pela autora do projeto. “Quando conheci o Levante, tive contato com todas as causas de opressão social: feminismo e patriarcado, racismo e todos os tipos de LGBTfobias. Por eu ser mulher, a primeira coisa que me pegou foi o feminismo. Fui entender várias das opressões que as mulheres sofriam e que antes eu não conseguia enxergar, e que também sofria antes. Fui entender as dificuldades que vivemos. Logo no inicio comecei a pensar como transformar isso em algum tipo de trabalho”, explica Medeiros sobre a inspiração do seu projeto.

Tornando o projeto em realidade:

Em fevereiro de 2015, após retornar de uma viagem realizada para a Bolívia, a fotógrafa apresentou a proposta para o movimento, do qual faz parte desde o ano passado, e recebeu o apoio para a sua concretização. Com a ajuda de outra integrante, Paula Silva, iniciaram o processo da pesquisa de nomes e referências que poderiam integrar as retratadas. Isis Medeiros credita o sucesso do projeto ao trabalho coletivo que foi realizado. “Ele foi muito importante e envolveu todas as meninas do movimento. Durante um mês de mobilização realizamos as pesquisas e o ensaio, que não durou mais de dois e intensos dias. No total foram 43 retratos realizados de 70 nomes pesquisados. Nesse processo, criei um evento no facebook e as meninas foram ajudando com sugestões e palpites. Tivemos a ajuda da figurinista Alzira Calhau que providenciou as vestimentas de cada uma das mulheres que foram retratadas”, explicando sobre o processo de criação das fotografias.

Além de participarem no processo de criação, as mulheres do movimento social também foram as modelos utilizadas para as releituras fotográficas. Todas os registros estão acompanhados de uma pequena biografia de cada uma das personalidades e, em seguida, é apresentada uma descrição da mulher que a representou. Isis Medeiros, além de fotógrafa, foi responsável por interpretar Isis Dias de Oliveira que, durante a ditadura militar, atuou como militante da Ação Libertadora Nacional sendo presa no ano de 1972 e dada como morta, quinze anos depois.

Retratos de Mulher:   

Estefane dos Santos de Oliveira, 21, é estudante e foi uma das visitantes da exposição “Mulheres Cabulosas da História”. Frequentadora do espaço destinado à estudos e leitura da biblioteca pública, o trabalho chamou a atenção da estudante que visitou o trabalho. “Por eu ser mulher, acho interessante ver e conhecer um pouco das mulheres que lutaram e representaram nossa causa ao longo dos anos da nossa história.”. Para ela, todos os retratos, de alguma forma, possuem a sua importância individual. “Cada uma delas lutou por ser mulher. Lutou pelo nosso reconhecimento e pelo nosso próprio bem-estar. ”, comenta.

A ideia de Isis Medeiros foi criar um ambiente em que as pessoas pudessem ver e interagir com as fotografias. Ao lado do texto que apresenta a exposição, existe uma placa com os dizeres: “o que você diria agora para uma mulher? ”. Ele acompanha caneta e papéis para serrem colados em volta do cartaz com a resposta dos visitantes. Medeiros comentou sobre as experiências geradas pela oportunidade de expor todo o material, “O que mais me comoveu foi a questão da mulher negra. Ela é a que menos aparece. Me comove ver as mulheres negras se empoderando e se organizando. Elas sentem um reconhecimento quando se deparam com a exposição e isso me emociona”, afirma .

Certa vez, Medeiros estava na Praça da Liberdade e observando os visitantes através do corredor de vidro em que as fotografias estão expostas, no interior do anexo da biblioteca, se atentou para um grupo de meninas que estavam chorando ao verem as fotos. “Naquele momento percebi que alcancei o objetivo que é de sensibilizar as mulheres para lutarem por aquilo que acreditam, por serem aquilo que desejam ser. A vida inteira lutamos por reconhecimento e para estarmos vivas. ”, finaliza.

Fotografias e Reportagem: Lucas D’Ambrosio