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Covid-19

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Por Bianca Morais 

O TBT do Jornal Contramão de hoje presta uma homenagem a partida de um dos maiores atores que a população brasileira já teve o prazer de assistir

Tarcísio Pereira de Magalhães Sobrinho, eternamente conhecido como Tarcísio Meira, nasceu no dia 5 de outubro de 1935 e faleceu nesta quinta-feira, aos 85 anos. Deixa para trás sua companheira de vida, a atriz Glória Menezes e o filho, também ator, Tarcísio Filho.

Tarcísio Pereira e Glória Menezes se conheceram no início de suas carreiras no teatro, os fãs do casal lamentam não apenas a morte de Tarcísio como a internação de Glória no hospital, ambos contraíram o doloroso coronavírus.

Na televisão Tarcísio estreou em Noites Brancas, no ano de 1959, na TV Tupi. Em outro teleteatro, contracenou pela primeira vez ao lado de sua amada em Uma Pires Camargo, em 1961. 

Tarcísio era galã em sua primeira telenovela diária, 2-5499 Ocupado (1963), na Tv Excelsior, também com Glória Menezes e em várias outras da época, foram mais de sete telenovelas antes de ir para a Globo com a esposa onde estrearam em Sangue e Areia (1967). 

Esse foi só o começo de uma grande carreira onde participou de mais de 50 trabalhos, entre novelas, minisséries e seriados de televisão, exemplo: ​​Irmãos Coragem (1970), Cavalo de Aço (1973), O Semideus (1973), Guerra dos Sexos (1983), O Tempo e o Vento (1985), Desejo (1990), Rei do Gado (1996), Torre de Babel (1998), Hilda Furacão (1998), A Muralha (2000), O Beijo do Vampiro (2002), Senhora do Destino (2004), Páginas da Vida (2006), A Favorita (2008), A Lei do Amor (2016), Orgulho e Paixão (2018).

No cinema, Tarcísio Meira ainda se destacou no cinema, principalmente nos anos 70 e 80, o primeiro filme em que atuou foi Casinha Pequenina (1963), ao lado de Mazzaropi, e outros, como Máscara de Traição, As Confissões de Frei Abóbora, Independência ou Morte, A Idade da Terra e Eu. 

No dia de ontem perdemos também outro brilhante artista aos 84 anos, Paulo José, em decorrência a um quadro de pneumonia. O ator colecionou grandes papéis ao longo da carreira, como o mecânico Shazan no seriado Shazan, Xerife e Cia. No total somaram-se 20 novelas e minisséries, como Por Amor, Explode Coração, Senhora do Destino, Caminho das Índias e Em Família.

No cinema interpretou o emocionante papel no filme “O Palhaço” e em “Macunaíma”. Paulo José deixou esposa e quatro filhos.

Semana de luto para a cultura brasileira. Grandes talentos jamais são esquecidos.

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Por Daniela Reis 

O Contramão traz hoje um TBT que encheu o mundo de esperança. Exatamente no dia 11 de agosto de 2020, o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou a aprovação da primeira vacina do mundo contra a Covid-19. 

Durante uma reunião transmitida ao vivo pelos meios de comunicação, disse que a vacina se mostrou eficiente durante os testes, oferecendo imunidade duradoura contra o coronavírus. Ele também afirmou que uma de suas filhas já havia sido inoculada. 

O imunizante recebeu o nome de “Sputnik V”, em referência ao pioneiro satélite soviético lançado nos anos 1950, que marcou o início da corrida espacial.

A Rússia foi o primeiro país do mundo a registrar e aprovar para uso da população uma vacina contra o coronavírus. No entanto, muitos cientistas no país e no exterior se mostraram céticos em relação à fase de testes. 

Sputnik V

Entre todas as vacinas contra a Covid-19 já registradas no mundo, a Gam-COVID-Vac (nome oficial da Sputnik V), produzida pelo Instituto Gamaleya, na Rússia, é a única desenvolvida com dois adenovírus inofensivos, nomeados de D-26 D-5. Esses adenovírus não causam doença no ser humano e são aplicados um em cada dose, o que pode ser considerado duas vacinas em uma.  

Os adenovírus são uma família de vírus que atacam humanos e animais e, quando inativados, são considerados vetores, ou seja, servem para transportar material genético de um vírus diferente – no caso a proteína Spike encontrada no coronavírus – para uma célula humana.

Na primeira dose, o D-26 leva a proteína S para dentro das células humanas, o que causará uma resposta imune do organismo, que começa a criar defesa contra a proteína e, consequentemente, anticorpos contra o coronavírus.

Na segunda dose, entra em cena o D-5, outro adenovírus que fará o mesmo papel, mas ao mesmo tempo tende a ser o diferencial mais assertivo do imunizante. Isso porque, segundo cientistas, por ter duas ‘fórmulas’ diferentes, essa vacina pode ajudar a produzir mais anticorpos contra o coronavírus e ser a responsável pela alta eficácia contra o vírus Sars-CoV-2. 

A vacina que leva o nome do primeiro satélite espacial soviético, lançado em 1957, atingiu uma taxa de eficácia de 97,6%, segundo o Instituto Gamaleya.

 

Revisão: Keven Souza 

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Por Bianca Morais 

Todo começo de um novo ano as pessoas estabelecem metas para atingir ao longo dele, alguns planejam começar uma dieta, fazer um exercício físico, entrar na faculdade ou tirar a carteira de motorista. Existem aqueles, no entanto, que diferente de metas, idealizam sonhos e sonham alto. 

Tem aquela estudante que desde pequena tem vontade de fazer um intercâmbio, onde poderá colocar em prática o inglês que aprendeu ao longo da vida, conhecer uma nova cultura e se aventurar no desconhecido. A noiva que foi pedida em casamento pelo amor de sua vida e planeja para aquele ano seu casório perfeito que irá reunir toda a família e amigos. Existe também aquela fã número 1 de uma banda, que esperou por muito tempo para finalmente assistir eles ao vivo, cantar bem alto suas canções preferidas em couro com outros milhares de fãs. 

Sonhos de uma vida inteira e tudo planejado para acontecer em um ano, 2020. Aquele era para ser apenas mais um no calendário de todos, muitos sonhadores com seus planos já agendados. Janeiro é o mês de férias, verão, sol, praia, fevereiro carnaval, o ano, pelo menos para o brasileiro começa a engrenar depois de março, porém o 2020 preparava uma desagradável surpresa que faria o sonho de muitos serem adiados. 

No final de 2019, os primeiros casos de um novo vírus de origem chinesa começaram a ser divulgados na mídia, porém muito pouco se sabia dele. Em janeiro de 2020, o mundo teve conhecimento do novo coronavírus, mas até então ele não tinha chegado ao Brasil e a vida do brasileiro continuava conforme os planos, ou seja, em ritmo de férias e carnaval. Passado essas duas grandes datas o primeiro caso de COVID-19 no país foi identificado e o resto da história todos sabem.

Pandemia, quarentena, home office, aula online, serviços não essenciais proibidos de abrir, fronteiras fechadas. Há mais de um ano o mundo vivencia um isolamento social intenso para conter a disseminação desse vírus letal que já levou milhares de vidas, adiamento de planos, cancelamentos de ações, afim, o mundo parou e a gente teve que se adaptar. 

Aos poucos a humanidade tem enxergado uma luz no fim do túnel, um fim para todo esse sofrimento. A chegada das vacinas, a diminuição no número de infectados. A frustração foi grande mas é necessário ser positivo.

Buscando por pensamento positivos em um momento de tanta incerteza, o Jornal Contramão trás a série de reportagens “Sonhos adiados”, onde apresentamos histórias de pessoas que tiveram seus sonhos interrompidos, mas que não deixaram de acreditar que uma hora vai acontecer, que o sonho não acabou apenas foi adiado.

Iremos conhecer a história de Jordania, Enza, Mayura e Isabella, quatro jovens que tiveram que adiar seus planos mas têm consciência de que nada está perdido.  

E como diria Walt Disney: “Todos os nossos sonhos podem se realizar, se tivermos a coragem de persegui-los”.

O intercâmbio dos sonhos

Jornania no Uruguai

Jordania Larissa Santos é uma jovem de 22 anos, que tem entre seus hobbies favoritos viajar, por isso, um de seus maiores anseios sempre foi fazer intercâmbio, pois além de aprender o inglês que é uma língua a qual tem muita dificuldade, ela iria adentrar em outros países e em culturas diferentes.

Ela tinha tudo preparado para embarcar com destino a Inglaterra em seu primeiro intercâmbio, no dia 11 de julho de 2020, porém um pouco antes daquela data, mais precisamente dia 26 de maio, véspera de seu aniversário, recebeu a notícia que seria impossível fazer a viagem naquele momento. Devido à pandemia, diversas passagens de avião haviam sido canceladas, países de todo o mundo fecharam suas fronteiras, a fim de conter o vírus e não foi diferente para Jordania, sua passagem foi suspensa.

Os eternos 15 dias

No começo daquele 2020, a jovem viajante fazia sua primeira viagem do ano, um cruzeiro, e jamais imaginaria que dentro de alguns meses viajar seria uma palavra bem distante de sua realidade. “Na televisão do navio passava notícias de todo o mundo, em um dos canais passou a pandemia na China, meu pensamento ali era que isso nunca chegaria no Brasil”, comenta. 

Veio o mês de março e com ele o primeiro caso no Brasil. Esperançosa, a garota ainda acreditava em uma melhora naquela situação, então veio o primeiro caso em Minas Gerais, depois em Belo Horizonte, e por fim decretado a quarentena. “Primeiramente eu disse a mim mesma, quarentena, vai ficar todo mundo em casa 15 dias e vai passar”, conta ela.

Com tudo preparado para a viagem, roupas de calor compradas para o verão europeu e expectativas a mil, porém infelizmente aqueles 15 dias, que ela acreditava que durariam o lockdown, se estendeu mais 15 e mais 15 e no final ela foi informada que precisaria adiar aquele sonho.

“Na época eu lembro que chorei muito, fiquei extremamente chateada, eu não queria acreditar. No fundo eu sabia que isso ia acontecer, mas não queria acreditar, eu falava vou conseguir, só que em maio do ano passado a gente não tinha dimensão do que era a pandemia como temos hoje”, desabafa.  

Surto e desespero

Essas são as palavras que mais descrevem a sensação que Jordania teve quando aceitou que não teria outra escapatória a não ser adiar seu tão almejado intercâmbio. 

“Foi uma mistura de sentimentos, surto, desespero, sensação de estar velha, porque na época que eu fechei o intercâmbio, na minha cabeça era para eu estar agora no meu terceiro. Eu não queria ir para os países simplesmente para conhecer, eu queria estudar e enriquecer meu currículo futuramente”.

Nos planos da jovem incluíam um intercâmbio aos 20, 21 e outro agora aos 22 anos, mas nem tudo sai conforme o planejado, e Jordania já sabia disso, afinal não foi a primeira vez que ela que ela teve adiar esse sonho. Seu pacote havia sido fechado primeiramente no ano de 2019, porém sua faculdade entrou em greve e o calendário atrasou, por esse motivo, o final de seu semestre conciliaria com a data da viagem.

“Eu tive que escolher, ou eu ia para o intercâmbio ou abria mão do meu semestre. Na minha cabeça eu pensava, tenho uma vida inteira para vivê-lo, o mundo está normal, se eu não for nessas férias, vou nas próximas”.

As próximas férias dela eram em janeiro de 2020, verão no Brasil, porém inverno rigoroso na Europa, ela resolveu então adiar um ano. E um ano se passou, a pandemia veio e ela ainda não embarcou.

O tempo perdido

Jordania assim como milhares de adolescentes ao redor do mundo estão vendo o tempo passar e sem poder fazer nada para que ele renda. Não apenas em seu intercâmbio, mas em sua faculdade ela também sente essa perda. 

Ela faz geografia, o curso em si já tem tudo a ver com sua personalidade, e para a estudante o intercâmbio complementaria seus estudos de uma forma enriquecedora, com a troca de território, a vivência com novas culturas. A garota sempre teve dificuldades em aprender inglês em cursos e aulas, por isso, a viagem serviria para aprender na marra uma língua tão fundamental. Morando fora ela vivenciaria inglês o dia todo, então por mais que não voltasse fluente de primeira, voltaria bem melhor do que havia ido.

Em sua graduação, constantemente ela se depara com textos em inglês e se sente desamparada ao lembrar que a essa naltura, caso tivesse realizado o intercâmbio que queria, já estaria muito mais avançada.

“Eu faço licenciatura, logo vou me formar e dar aula. Só que esse é o pensamento de um estudante comum e a minha visão não é comum, eu sempre quero mais. Quando entrei na faculdade me deparei com textos que complementariam meu aprendizado, porém todos em inglês, se você sabe ler bem, se não tem que se virar”, desabafa.

O tempo segue passando, sua graduação acontecendo e a estudante ainda sem realizar o intercâmbio que tanto quer.

“Em geografia ainda existe muito material não traduzido, assuntos extremamente interessantes e que ainda não existem na língua portuguesa, sem contar que caso eu queira fazer uma pós o inglês é fundamental, por isso queria ir o mais rápido possível”, completa.

A importância de buscar auxílio profissional 

Foi sozinha, que há dois anos, a jovem começou a pesquisar sobre intercâmbios, isso sem comunicar aos pais, já que acreditava que eles não teriam condições de bancar esse sonho, que para ela era algo fora de sua realidade. “Comecei a olhar como eu deveria me planejar no meu trabalho e com meu salário, para saber o que eu precisaria para poder ir”, relata.

Posteriormente sua mãe descobriu e depois de conversarem decidiram que a melhor maneira de embarcar nessa experiência seria com o apoio de uma agência.

“Não me arrependo de ter procurado auxílio profissional, foi onde me ofereceram os melhores preços e oportunidades, me explicaram o que me esperava lá fora, vi que eles não queria apenas ganhar meu dinheiro, e sim me oferecer uma experiência inesquecível” explica ela.

Jordania também compartilha que estar respaldada por uma agência diminuiu e muito seus prejuízos. “Principalmente com a chegada da pandemia eles foram essenciais, se eu tivesse que remarcar tudo sozinha, passagem, moradia, escola, eu não daria conta”, acrescenta.

Os planos para o pós pandemia

Atualmente, alguns países voltaram a receber estrangeiros, como é o caso da África do Sul, local inclusive, para onde Jordania adquiriu um novo pacote de intercâmbio durante a pandemia. “Achei as condições bacanas, depois eu estava no meio de uma pandemia, sem o que fazer, já que não podia sair, achei que uma boa coisa seria investir em educação”. 

Como a África do Sul está aberta e a Inglaterra, por enquanto, não tem previsão de reabertura, Jordania cogita realizar a viagem para a África antes da tão sonhada Europa, porém alguns receios ainda rodeiam a mente da jovem que vive a realidade de um país onde a Covid-19 está longe do fim.

“Tenho medo de chegar lá e simplesmente não quererem me receber e eu ter que voltar para trás, ou falarem que está tendo um novo surto e vou ter que ficar de quarentena em um hotel, arcando com as despesas e ainda perder metade da minha viagem isolada”. 

Todo o mundo se encontra em uma situação bem delicada, o uso de máscara ainda é obrigatório em vários lugares e muitas pessoas ainda não foram vacinadas. A realidade de um intercâmbio consiste em imergir em uma nova cultura a fim de aprender uma nova língua, agora imagine a busca de contato em meio a uma fase que o ideal é manter distanciamento das pessoas como proteção.

“Aprender uma nova língua já é extremamente difícil, pensa numa situação dessa, tendo que conversar de máscara. Se fosse para eu ficar uma quantidade de tempo maior acharia viável, agora pouco tempo não compensa”.

Jordania na Casa Rosada – Argentina

Desistir jamais

Se antes Jordania levava inglês na brincadeira, desde que teve a maturidade de entender a importância dele a garota passou a se empenhar em seus estudos e visualizar seu futuro. Apesar de todos os perrengues que passou e de ainda não ter conseguido embarcar em seu sonho, ela nunca pensou em desistir ou cancelá-lo, ao contrário afirma que pode levar até 10 anos que ela vai conhecer a cidade de Eastbourne, no interior da Inglaterra.

Antes da pandemia, quando seu sonho ainda estava vivo, Jordania se encontrava empolgada, estudava bastante o inglês e pela primeira vez estava de fato empenhada. O foco, entretanto, se perdeu depois que ocorreu o adiamento da viagem.“Foi um pouco frustrante no início, lembro que eu fiquei 4 meses bastante abalada, tipo assim, eu vou estudar para que o mundo está acabando em pandemia”.

Com esperanças e energias renovadas depois de um período de desânimo, Jordania voltou a dedicação ao inglês, desta vez abandonou o cursinho e passou a fazer aulas de conversação. “Eu preciso me aprimorar de qualquer maneira”, completa.

A estudante de geografia sempre teve afinidade com o google maps, em função disso, quando ainda planejava a viagem, pegou o mapa de Eastbourne e marcou todos os lugares que deveria ir. “Eu gosto muito de fazer isso, ser uma pessoa planejada, ter roteiros. Quando eu pesquisei a cidade que eu iria, lá em 2019, tinha muita pouca informação, então pensei em disponibilizar isso de algum jeito”, comenta.

Dessa forma, nessa época, Jordania criou um Instagram de viagens, em um primeiro momento ela pretendia postar sobre o intercâmbio, como adiou, passou a fazer postagens sobre as diversas viagens que já fez, isso claro, para ocupar seu tempo enquanto a hora de partir para o exterior ainda não chega.

“O foco principal do Instagram sempre foi e sempre será meus intercâmbios, porque acredito que dentro dele eu posso juntar tudo que eu mais gosto: viagens, estudos e geografia”, compartilha a jovem.

Só a educação pode mudar o mundo

Para além da Inglaterra e África do Sul, ainda está guardado na gaveta de Jordania o seu sonhado intercâmbio para a Irlanda. Desde o começo era sua ideia principal, porém o país que é um conhecido destino entre os intercambistas por oferecer estudo e trabalho, é bem restrita a aceitar alunos que não irão para ficar mais de seis meses.

Como Jordania ainda está na faculdade, o período não lhe atendia, mas isso é questão de tempo. “Na teoria minha graduação terminaria no meio do ano, então eu me formo e no restante do ano vou para lá, estudar e esfriar um pouco a cabeça da faculdade, me dedicar ao inglês e trabalhar com algo que eu jamais trabalharia aqui no Brasil, aí sim voltar e ingressar na profissão que eu quero que é dar aula”, conta a garota.

Se tem algo que dá forças e incentivo para ela não desistir de seus planos é a educação. Como futura profissional, a estudante acredita que apenas ela é capaz de transformar as pessoas.

“Não pretendo nunca desistir do meu sonho de fazer intercâmbio, demore o tempo que for, porque a educação é a única coisa que existe que pode mudar o mundo, principalmente o país, se você está procurando alguma coisa para investir, invista na educação, porque conhecimento é algo que ninguém pode jamais tirar de você”, conclui a jovem. 

Jacqueline Nayara Martins, 29 anos, é gerente de vendas da agência de intercâmbios CI, em Betim. Ela está no mercado de intercâmbios há 6 anos e em meados de 2020, viu pela primeira vez, uma pandemia mundial mudar o rumo do negócio que administra há tantos anos. 

A CI intercâmbios é uma empresa que está no mercado há muitos anos e em um momento de tantas incertezas, precisou criar estratégias para não deixar o cliente na mão. 

Em um primeiro instante, eles ofereceram a todos os intercambistas a primeira alteração gratuita, sendo assim, eles receberam um crédito no valor total de seu pacote, para usar na mesma escola que escolheram inicialmente ou também a possibilidade de trocar o programa de intercâmbio para um outro de sua escolha, já que alguns países como Austrália e Nova Zelândia, segue fechados e sem previsão de reabertura e outros como Dubai estão abertos.

Em entrevista ao Jornal, Jacqueline relata com detalhes e propriedade, de quem esteve a todo momento, desde o início da pandemia, acompanhando diversos jovens que tiveram seus sonhos de intercâmbios interrompidos, como tem sido essa fase tão difícil e como ela não desiste de alimentar as esperanças de que muito em breve eles estarão decolando em busca de todo esse tempo perdido.

Jacqueline Nayara

1. Quando você se deu conta da gravidade da pandemia do coronavírus e como isso poderia atrapalhar seus negócios?

Em março de 2020. Eu havia acabado de voltar de um treinamento em São Paulo, e na mesma semana iniciamos o lockdown no Brasil. Ainda havia muitos estudantes no exterior e começamos na mesma época um trabalho de “resgate” deles, pois muitas escolas estavam sendo fechadas por causa também do lockdown em seus respectivos países e tinham poucos voos operando naquele momento. Desde então, nossa primeira atitude foi dar assistência aos estudantes no exterior e concomitantemente iniciamos as alterações dos intercâmbios de estudantes que estavam com embarque mais próximo.

2. Trabalhando dentro da área, você acredita que a maioria das pessoas optaram pelo cancelamento ou adiamento do intercâmbio? E por qual motivo?

Felizmente, nossa taxa de cancelamento foi mínima e aumentou um pouco no início de 2021, mas no geral, a maioria alterou a data do intercâmbio. 

Acredito que viver um tempo fora, estudar e estar imerso a uma nova cultura é o sonho de vida de muitos, e apesar de não termos clareza de quando isso tudo irá passar, nós sabemos que uma hora isso vai passar. 

Muitos estudantes já estão com o intercâmbio todo pago, outros alteraram para novos destinos, pois há países que já estão abertos (como é o caso dos Emirados Árabes e da África do Sul) então, creio que é mais uma questão de tempo para que eles possam realizar esse sonho. A empresa tem mais de 30 anos de mercado e vejo que os nossos estudantes confiam muito no trabalho desenvolvido por nós.

3. Vocês da área do intercâmbio sentiram o peso financeiro causado pela pandemia? Se sim, de que forma?

Sem dúvida, o nosso setor foi um dos mais atingidos pela pandemia, vejo que vários outros setores também sofrem com os reflexos dessa situação. Contudo, é exatamente nestes momentos de dificuldade que percebemos que estamos fazendo um bom trabalho, pois após um ano de pandemia, nós ainda permanecemos no mercado, estamos assistindo nossos clientes, e estamos com os processos comerciais e de vendas ativos, nos reinventando todos os dias. Nossa demanda não cessou e as pessoas valorizam a educação internacional, elas sabem o quanto é importante essa vivência na vida e carreira delas. Vejo todos os meses a empresa crescer e estou muito feliz com os nossos resultados.

4. Quais têm sido as principais reclamações vindas dos intercambistas?

O principal ponto é a ansiedade que essa espera cria em muitos deles, principalmente nos estudantes mais jovens, alguns lidam melhor do que outros com essa expectativa. Temos uma relação muito amigável com os nossos clientes e isso ajuda a lidar com essas frustrações, vejo que eles também nos ajudam muito, se colocam em nosso lugar, pois nesta situação, não há culpados.

5. Como vocês da empresa de intercâmbio têm dado apoio a esses jovens que tiveram de adiar seus sonhos?

Como disse anteriormente, nós temos uma relação muito amigável com os nossos clientes e isso nos permite estar mais próximos deles. Trabalhamos fortemente para deixá-los atualizados sobre os seus processos, sobre as novas regras, mudanças e etc. Enquanto especialistas de educação internacional, estamos a todo momento analisando os cenários e trabalhando com transparência, para que eles possam tomar as melhores decisões sem grandes preocupações.

6. Na sua opinião, qual a importância de um intercâmbio na vida de um jovem? E o que você diria como incentivo para que eles não desistam, mesmo em um momento tão complicado?

Buscamos todos os dias tornar a educação internacional mais acessível aos diferentes tipos de público, para que todos possam ter a oportunidade de vivenciar essa experiência. 

Muitos vão em busca do desenvolvimento acadêmico, seja estudar inglês, fazer o ensino médio no exterior, ou a universidade, porém a experiência nos permite aprendizados superiores ao acadêmico, digo isso por experiência própria, há uma Jacqueline antes e uma pós o intercâmbio. Aprendemos a ser mais flexíveis, a respeitar mais o próximo, a entender as nossas diferenças e a ter mais empatia, são habilidades que só aprendemos através das experiências.  

Com muita frequência eu recebo áudios e mensagens dos nossos estudantes sobre como eles tiveram a oportunidade de se conhecerem melhor durante o intercâmbio, alguns pensam em empreender, outros começam a dar mais valor a vida que levam aqui no Brasil, e outro dia, eu ouvi uma estudante dizer o quão feliz ela fica em ver o sol, pois onde ela está morando hoje tem pouco sol. 

São coisas simples que mudam a nossa vida e o olhar que temos sobre o mundo. 

O momento é muito complicado, mas é preciso ter fé que vai passar e que as coisas vão melhorar. É momento de se planejar para realizar o seu sonho, busque mais informações, converse com especialistas da área, com estudantes que já moraram fora, pois isso tudo vai passar.  Não desista, jamais! 

 

 

Edição: Daniela Reis 

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Por Flávio Figueiredo, Patrick Ferreira, Tales Ciel e Tawany Santos

A atual pandemia da Covid-19 tem gerado muitos debates sobre a gestão dos governos diante do controle da doença. Hoje o Contramão traz uma matéria especial para outras crises sanitárias em nosso país.

O mundo já passou por inúmeras crises sanitárias globais e a Covid-19 tem se mostrado a mais grave que as gerações atuais já viram. No século XX, os governos precisaram enfrentar desafios em quatro graves doenças que assustaram as pessoas: a gripe espanhola, a AIDS, a gripe suína e agora, a Covid-19. Relembre como foram as gestões dos governos diante das crises.

Pandemia da gripe espanhola – 1918/1920

Gripe Espanhola também foi tratada com negligência no Brasil

De origem misteriosa, a Gripe Espanhola foi uma pandemia que ocorreu entre os anos de 1918 e 1919 atingindo todos os continentes deixando uma marca de no mínimo 50 milhões de mortos. Não se sabe ao certo em qual país a doença surgiu, mas existem suspeitas que tenha sido na China ou mesmo nos Estados Unidos, onde se tem os relatos dos primeiros casos.

Pesquisas da época identificaram que o vírus da gripe espanhola era uma mutação do vírus Influenza (H1N1), que se espalhou das aves para os humanos fazendo suas primeiras vítimas em uma instalação militar no Kansas (USA) em meio às movimentações das tropas no período da 1ª Guerra Mundial, impactando de maneira direta países que participaram desse conflito.

Naquele tempo, assim como recentemente com o Coronavírus, houve negligência por parte de autoridades, Woodrow Wilson presidente americano da época (1856-1924) além de não notificar os demais países da existência do problema, censurou a imprensa para que as mortes não fossem noticiadas, bem como as demais autoridades participantes do conflito não divulgaram as informações em seu país, ficando assim a Espanha que não estava diretamente ligada ao conflito incumbida de trazer as notícias sobre a doença e por isso ela ficou conhecida como Gripe “Espanhola”.

No Brasil, a Gripe Espanhola fez números catastróficos, os dados mais exatos vinham do Rio de Janeiro, a capital da República na época. Estima-se que a doença fez cerca de 15 mil óbitos entre os meses de setembro a novembro de 1918, devido aos recursos escassos e à falta de conhecimento sobre a doença, autoridades da época demoram muito a tomar as primeiras atitudes e ajustar ações e criar medidas efetivas contra a enfermidade.

Naquele tempo, assim como atualmente, algumas das medidas que foram tomadas consistiam no distanciamento físico, uso de máscaras e restrição às aglomerações. No início, a doença foi tratada como piada pela mídia da época, quando Carlos Seidl, então diretor-geral de Saúde Pública, cargo hoje competente ao ministério da saúde, falou sobre a doença e não foi ouvido por muitos. A situação ficou insustentável após ataques da mídia que fizeram Seidl renunciar ao cargo.

Após o acontecido, coube ao médico carioca Theóphilo Torres assumir o posto de diretor-geral de Saúde Pública convidando o também médico e pesquisador Carlos Chagas para assumir as ações de combate à gripe espanhola junto a ele. Em diferença aos tempos de hoje os governantes da época, não foram contra as ações tomadas pelo diretor-geral de Saúde Pública e quanto menos fizeram propagandas de medicamentos ineficazes a doenças.

A pandemia do HIV/Aids – 1981/atualmente

Governos começaram a criar campanhas de conscientização e prevenção ao HIV

Em anos anteriores à década de 1980, uma doença acometia muitos jovens, causando sintomas que não eram uniformes. Alguns tinham complicações como uma pneumonia, uma tuberculose, ou um sarcoma, uma doença de pele, que de forma avassaladora os levava até à morte. Mas foi em 1981 em que foi catalogada, a AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) causada pelo vírus HIV. Ele ataca matando as células de defesa (CD4) deixando a pessoa sem imunidade para vários tipos de doença.

Mesmo 40 anos depois, ainda é uma pandemia ativa, porém com tratamentos muito eficazes em que a pessoa vive de forma plena, sem nenhum comprometimento na saúde caso siga corretamente tomando as medicações devidas. O Brasil é referência mundial no tratamento à pessoa vivendo com HIV. Porém, o mundo nos anos 1980, fez vista grossa a essas pessoas, por conta dos infectados e mortos serem principalmente homossexuais. O preconceito fez com que a AIDS se tornasse também uma doença social.

O Brasil não tinha nenhum tratamento no início de tudo. A partir de 1987 que surgiram os primeiros recursos, onde em 1996 deu-se um passo maior, onde a ciência descobriu que uma combinação de medicamentos antirretrovirais, conhecida popularmente como “coquetel”, que era capaz de controlar a multiplicação do vírus, em média eram até oito comprimidos. A partir de 2017, entre um e três comprimidos apenas já são capazes de controlar. Também há como prevenção a PREP (Profilaxia Pré-exposição), onde a pessoa toma regularmente um medicamento que impede a infecção pelo HIV e a PEP (Profilaxia Pós-exposição) que após uma situação de risco, a pessoa pode tomar um medicamento para impedir que o vírus infecte o organismo.

O papel dos governos brasileiros na prevenção e tratamento da AIDS sempre foi satisfatório, apesar das dificuldades biológicas e preconceitos. A partir de 1987, o governo de José Sarney se voltou ao incentivo do uso de preservativos e os “perigos” que as práticas sexuais e uso de drogas guardavam, até que em 1990, no governo de Fernando Collor, intensificou as campanhas educativas muito polêmicas. Em determinado comercial, quatro pessoas deram um depoimento, sendo três de outras doenças e um de AIDS, onde este dizia que a doença dele era incurável e vinha um slogan: “Se você não se cuidar, a AIDS vai te pegar!”. Isso causou muita revolta de grupos ativistas da época por discriminar e estigmatizar a pessoa que estava com a doença. O governo de Collor foi marcado pela indiferença com a epidemia que com a crise fiscal, congelou preços e salários, porém autorizou o aumento em todos os medicamentos de tratamento à doença.

A abordagem do governo de Fernando Henrique Cardoso foi de mais leveza. Deram atenção mais devida às pesquisas e descobertas e passaram a fazer uma campanha mais leve onde incentivava o sexo seguro, para proteção de quem ama, tirando o teor terrorista de anos anteriores. Foi nesta época onde surgiram os primeiros tratamentos mais eficazes e mais pessoas puderam se tratar.

O governo Lula seguiu a favor do tratamento à AIDS, chegando a cometer um ato histórico. A primeira quebra de patente de um medicamento no Brasil. O então presidente Lula decretou a quebra do Efavirenz, do laboratório americano Merck Sharp&Dohme, usado no tratamento da AIDS -e ameaçou repetir a medida com outros fabricantes se considerar que os preços praticados são injustos. O governo Dilma seguiu com medidas semelhantes, acompanhando as evoluções da ciência.

O HIV/AIDS ainda persiste nos dias de hoje. Várias evoluções ocorreram, incluindo testes de uma vacina no Brasil e até mesmo um tratamento de cura desenvolvido pela Universidade do Estado de São Paulo (Unesp), onde um paciente vivendo com HIV, com a junção de várias drogas ficou por 17 meses sem replicar o vírus no organismo. Porém, o governo Bolsonaro segue indiferente com as conquistas. Não há investimento para a pesquisa e Ciência, já manifestou preconceitos em falas como “A pessoa que vive com HIV, além de ser um problema para ela, é um gasto para o país”. Se mostra contrário a tudo que favorece a população LGBTQIA +, que embora não seja mais a maioria que é infectada (58% dos infectados hoje se declaram heterossexuais) segundo dados do Ministério da Saúde). Apesar disso, as pessoas que vivem com HIV recebem um acolhimento adequado pelo SUS. Os medicamentos, exames são gratuitos e recebem até mesmo assistência social e psicológica para manter a vida mais plena possível.

Pandemia H1N1 – Gripe Suína -2009/2010

Em 2008, o ex-presidente Lula (PT) e o então governador de São Paulo, José Serra (PSDB), se uniram para divulgar campanha de vacinação em massa contra a gripe.  Foto: Ricardo Stuckert

A Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou o estado de pandemia moderada para a Influenza A (H1N1) em 11 de junho de 2009, após os casos se espalharem por países da América, Europa e Ásia. Contudo, os primeiros casos de gripe suína já haviam sido registrados um ano antes, no México. Dados da Organização mostram que  foram diagnosticados 504 mil casos da doença e cerca de 6.300 mortes. No Brasil, o Ministério da Saúde registrou entre os anos de 2009 e 2010, 44.544 casos e 2.051 mortes. O estado de pandemia foi encerrado em agosto de 2010 após estudos reconhecerem que a doença estaria sob controle e passaria a se comportar como outras enfermidades localizadas.

Na época, o país apresentou um comportamento ativo no combate à pandemia e se consolidou como a nação que mais vacinou cidadãos pelo sistema público no mundo. A imunização contra o vírus H1N1 começou em março de 2010. O plano de vacinação definido pelo Ministério da Saúde contemplou cinco grupos prioritários para a vacinação: indígena, gestantes, portadores de doenças crônicas, crianças entre seis meses e dois anos de idade e jovens com idade entre 20 e 39 anos. Diferentemente da Covid-19, os idosos não eram considerados grupo de risco.

Sob o governo de Lula foram mais de 100 milhões de pessoas vacinadas. Destas, 88 milhões em apenas três meses. A ideia do Governo Federal era conter uma “segunda onda” de casos da doença no outono e no inverno. A fim de combater os boatos que colocavam em dúvida a eficácia e a segurança dos imunizantes, o governo também lançou uma campanha contra essas fake news. Como resultado, mais de 45% das pessoas foram vacinadas. Nenhum lugar do mundo imunizou tanto quanto o Brasil.

Pandemia COVID-19 – 2020/atualmente

Manaus 06/05/2020 – Cenas dos leitos semi intensivos do hospital Platão Araujo sob responsabilidade do Governo de Manaus. Foto Jonne Roriz/Veja

O surto de vírus do Covid-19, nem precisa de introduções, completando agora quase um ano e quatro meses de crise infectológica no país. E de acordo com um estudo australiano, o Brasil é o país que pior lidou com a pandemia. Esse levantamento foi feito com base em análises com mais de 100 nações sob critérios como casos confirmados, mortes e capacidade de detecção da doença. Segundo dados, adicionalmente, do consórcio de imprensa, o país possuía, até janeiro de 2021, quase 9 milhões de infecções confirmadas e 220 mil mortes, para uma população de 209,5 milhões de habitantes.

Esses números são ainda mais indignantes quando olhamos para os países que sofreram intensamente nos primeiros meses de pandemia, como a própria China, onde tudo começou, a Itália e Espanha, têm visto suas infecções despencaram, as do Brasil continuam a subir. De acordo com a maior pesquisa feita sobre o surto em terras tupiniquins, de Darlan Candido, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, é possível que as infecções tenha vindo de muitas mais fontes internacionais, o que indica que a movimentação dentro do país pode ter sido um contribuinte para a disseminação do vírus.

“Quando as diminuições de mobilidade foram impostas, houve uma queda importante do R0, que chegou a menos de 1 em São Paulo entre 21 e 31 de março, no início do isolamento social. Só que, depois dessa redução, o número subiu de novo, estimulado pela diminuição na adesão à quarentena. ”sumariza a jornalista Chloé Pinheiro, em reportagem da revista Saúde Abril.

Na análise australiana, elaborado pelo Lowy Institute, na Nova Zelândia, aponta que, por exemplo, nos países europeus, um comportamento similar ocorreu. “Isolamentos sincrônicos (…) conseguiram parar a primeira onda [de infecção], mas as bordas abertas deixaram os países vulneráveis para renovação de surtos em países vizinhos [tradução nossa].”. Ou seja, o primeiro passo para o controle da pandemia seria o isolamento social e fechamento das fronteiras e aeroportos, coisas que não aconteceram no Brasil. Aqui, cada estado foi deixado, por abandono do supremo, a si próprio, muito como os Estados Unidos no início de seus contágios.

Segundo dados da Universidade Johns Hopkins, os Estados Unidos registraram 33.478.513 casos e 600.935 óbitos, até junho de 2021. Assim como aqui, um governo negacionista, deixou os estados por conta própria e minimizou a gravidade da doença e a importância de medidas de prevenção – como o uso de máscara e o distanciamento social. O ex-presidente, Donal Trump.

Porém, após a troca de presidentes e um plano de vacinação, a média semanal de mortes pela Covid-19 nos EUA caiu em quase 90% do pico em janeiro. O país, que ocupa, por enquanto, o maior número de mortalidade pelo vírus do planeta, fechou suas fronteiras oficialmente em 2020 e começou a reabertura gradual já em setembro do mesmo ano. De acordo com a Hopkins, a campanha de vacinação em massa teve um grande impacto na redução das mortes. Em dezembro de 2020, o país começou a vacinar seus cidadãos e, desde então, de acordo com a universidade, cerca de 44% da população americana já recebeu as duas doses e, por consequência, o número de mortes caiu 18% e o número de internações por infecção pelo coronavírus também baixou 28%.

Já no Brasil, as mesmas campanhas anti-ciência continuam e os casos só aumentam. Em entrevista para a revista Saúde Abril, o pneumologista Fred Fernandes faz uma análise das relações humanas e como foram afetadas pelo Coronavírus. Quando questionado sobre a situação no Brasil, Fernandes destacou a falta de coerência no discurso sobre a doença, citando como exemplo a situação em que o presidente falava uma coisa e os médicos outra. Isso fez com que a população ficasse perdida e diminuindo a eficácia das orientações médicas.

“Quando falamos do uso da cloroquina, por exemplo, isso não está baseado em evidência científica.”, ele cita. “Tem muita gente advogando a favor da cloroquina logo na fase inicial e em indivíduos de baixo risco. Mas trata-se de uma medicação que traz efeitos colaterais conhecidos. E isso pode fazer mais mal que bem.”

 

Edição: Daniela Reis

Hoje o Contramão traz o artigo opinativo da nossa ex-estagiária de jornalismo, Joyce Oliveira. Ela que conclui sua graduação ainda esse semestre e atua como social média e produtora de conteúdo.

A mudança das redes sociais

Por Joyce Oliveira

Em 2020, o mundo se deparou com uma realidade completamente atípica. A chegada da Covid-19 forçou a sociedade a mudar sua rotina e as formas de relacionamento. Isso, obviamente, influenciou na maneira como as pessoas utilizam as redes sociais. A distância física fez com que os indivíduos procurassem se conectar ainda mais virtualmente, a ponto de comerciantes, empreendedores e empresários buscarem, no ambiente on-line, uma maneira de se reinventar. Todo esse ciclo tem transformado os padrões de consumo na internet e a presença das pessoas nas redes sociais.

Essa necessidade de conexão tem explicação na psicologia. De acordo com tal campo de estudo, as pessoas precisam se conectar umas às outras para manter qualidade de vida e boa saúde mental. Portanto, estar presente nas redes, em um momento de distanciamento físico, tornou-se a forma mais fácil de manter as relações e, também, de aliviar um pouco da saudade e da solidão.

Esse movimento acelerou ou adiantou mudanças nos padrões de uso e consumo da sociedade. O marketing digital e as estratégias de mídia mostraram, às pessoas, que a enorme necessidade de conexão com o outro acabou se tornando algo rentável– e até as empresas começaram a buscar humanização.

Por falar em negócios, até as próprias redes sociais iniciaram uma corrida sobre quem alcançaria mais pessoas e quais atualizações poderiam fazer para que o público ficasse cada vez mais “preso”. Só no último ano, o TikTok ganhou mais de 600 milhões de novos usuários, o Instagram aderiu a mudanças na plataforma– incluindo “Reel” e “Instagram Shop” – e muitas outras alterações no algoritmo. O que nos leva a pensar que são estratégias para tornar o público cada dia mais dependente das plataformas, além de mostrar que elas podem ser extremamente versáteis, tanto para posts pessoais, quanto para compra e venda de produtos e serviços, criando a sensação de uma realidade paralela, na qual é possível encontrar tudo em um só lugar.

A cada dia, está mais claro que toda essa transformação causada pela pandemia, mundo afora, não é uma coisa temporária. Na verdade, há novos padrões que, provavelmente, sofrerão mudanças e avanços, mas farão parte de nossa rotina, ou, como costumamos chamar, nosso “novo normal”. Cabe a nós aprender e nos adaptar a esse turbilhão de informações, que, agora, mais do que nunca, circula por todas as redes sociais. Precisamos, também, entender se estamos preparados para acompanhar tudo. Mas, isso é assunto para outra conversa.

 

 

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Por Bianca Morais

“Forever young, I wanna be, forever young. Do you really wanna live forever?”

Essa música foi lançada lá nos anos 80 e ainda é muito reproduzida por vários artistas, sua tradução diz: “Eternamente jovem, eu quero ser eternamente jovem. Você realmente quer viver eternamente?”

Escutei a música esses dias e ela me remeteu a algumas notícias que li ultimamente em alguns jornais, de que pela primeira vez desde que começou a pandemia do coronavirus, os jovens são a maioria dos internados nas UTIs do Brasil. Assustador, e o que mais me chamou atenção é que essas reportagens mostravam um perfil de jovem que se acha imbatível, que não vai pegar a doença nunca, afinal, eles ainda são muito novos para morrer, ainda têm muito o que viver.

A inconsequência desses rapazes e moças que por acreditarem serem eternos e nada pode os atingir, levam eles constantemente a desobedecerem as medidas de isolamento social e saírem para bares, festas clandestinas, aglomerações e pessoas sem máscara. Muitos deles ainda acham bonito expor essa realidade no Instagram, na minha rede social, por exemplo, vejo constantemente postagens e stories dessa galera que não tem medo do Covid, se sbaldando em festas.

Se para mim tais imagens já incomodam tanto, imagine para aqueles médicos da linha de frente  que colocam diariamente em risco trabalhando em hospitais infestados Covid e quando saem de seus plantões e se deparam com ruas e bares lotados de pessoas inconsequentes. 

Do you really wanna live forever? (você realmente quer viver para sempre)? Isso é o que eu tenho vontade de responder nos stories dessas pessoas, porque parece que não. Será que se eles não se importam com a própria vida, pelo menos não se preocupam com os pais, os avós? Mas agora os avós já foram vacinados, então eles não precisam se afligir mais.

Egoísmo ou super poderes? Não pensar no outro ou simplesmente se achar um máximo que não pega a doença? “Somos jovens, temos que viver intensamente, estamos perdendo nossas vidas para um vírus, não quero envelhecer nessa pandemia”. Realmente, vocês estão perdendo suas vidas para esse vírus, pela primeira vez vocês estão morrendo de fato. 

Não sou Deus para julgar, longe de mim, mas a realidade é que a cada final de semana, feriado ou data comemorativa  a galera se aglomera, vacila e depois paga as consequências. 

Conclusão, não são apenas os jovens que saem prejudicados, mas toda a sociedade. Acompanhem o raciocínio: o perfil da Covid-19 mudou, a população idosa está finalmente sendo vacinada, no entanto, os jovens agora têm sofrido complicações mais preocupantes, chegam aos hospitais em condições muito ruins e ficam muito mais tempo internados em uma batalha gigantesca pela vida. Esses jovens lotam os leitos de UTI, e dessa forma não sobram vagas para novos pacientes, o que tem aumentado e muito o número de mortos por dia no país. 

A cada dia um novo recorde de mortos, uma nova cepa do vírus. Não tem leito para todo mundo, se chega um jovem sem comodidade e um idoso ao hospital a procura de um leito, para quem vocês acham que ele vai? Para os forever young com mais chances de sobreviver ou para o idoso com diabetes, hipertensão e asma?

Reflexão forte, texto pesado, mas não vou me desculpar. Sei que tem muitos desses jovens saem de casa não para farrear, mas para trabalhar, são eles que levam sustento ao lar. Com o fim do auxílio emergencial no final do ano passado e com a nova “merreca” do novo, muitos cidadãos foram obrigados a voltar a trabalhar e enfrentar ônibus lotados. Se eles são obrigados a sair de casa e se aglomerar contra sua vontade, por que não podem curtir o final de semana numa festinha?

Cada um faz o que quer da sua vida, o vírus mortal está no ar, ele circula, sofre mutações, e tem se tornado mais perigoso e letal. A pandemia não vai durar para sempre, mais cedo ou mais tarde, tudo indica que mais tarde, ela vai acabar. A sua juventude pode durar para sempre, isso se você estiver vivo para aproveitá-la. Pense em você, pense no próximo, use máscara, evite aglomerações, se cuide. Em breve sairemos dessa, mas é preciso pensar consciente agora.