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Crônica

Por Ana Clara Souza 

Terminei de ler minha primeira revista Vogue, talvez, a minha primeira revista. Isso porque não me recordo de ler do início ao fim nenhuma revista se quer. Lembro que com uns nove anos eu pedi minha mãe para assinar a revista teen Atrevidinha, e recebia todos os meses, durante o período de um ano, capas com famosos do mundo pré-adolescente, como Justin Bieber (primeira revista que recebi), glee (a primeira série que assisti, onde eram abordados vários conflitos interessantes, e falava de arte), e também, capas de pessoas que nunca tinha visto ou ouvido falar. 

Estudava em uma escola particular, e não sabia de muita coisa que o meu ciclo comentava porque não tinha SKY, a TV a cabo de sucesso na época, que ditava as tendências norte-americanas, e por isso, muitas das capas eu ficava sem entender.  

“Você recebe as revistas e não lê tudo?”, disseram. Exatamente! Eu pulava para a parte dos joguinhos, como “descubra se ele está na sua”, “você é mais Emo ou mais paty”; e claro, como seria o meu mês de acordo com a previsão de alguma redatora. 

Eu sempre olhava os títulos das reportagens e só. Se não me engano, a única que li foi a do Justin, pois o universo há de nos unir algum dia e achei importante ler sobre ele falando que a mãe dele cozinha mal (risos). Agora me questiono de onde veio a vontade de ler uma Vogue? É um pouco longo, mas o desejo surgiu ouvindo um podcast, e se consolidou nos relatórios sobre a semana da moda no meu estágio. 

A experiência, meus amores? Simplesmente incrível! Desde a capa, nada mais e nada menos que Anitta comemorando os 47 anos da revista mais importantes do mundo, até o final, com editoriais lindos no decorrer das páginas. 

O intuito era experimentar, mas como graduanda de Jornalismo, eu me fascinei com as matérias, artigos de opinião e descobertas. A primeira vez é sempre estranha. Estranhamente boa ou ruim, e a primeira vez lendo uma Vogue, uma revista completa, foi memorável. 

O conselho que deixo é, se entregue e se permita pelas primeiras vezes. Porque certamente será incrível, assim como a minha experiência. 

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Por Keven Souza

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Dom., 13 de março (9:40am)

Bom dia, amiga! Ainda estou de ressaca, mas passei para agradecer o nosso encontro de ontem, foi sensacional, como sempre, estar ao seu lado em um momento ímpar da sua vida. 

Somos amigos há quantos anos? 3, 4, 5 anos? São tantos que nem me lembro! Você é praticamente minha irmã, uma parceria mútua de vida e ver você se noivando é algo surreal pra mim. Estou feliz, claro! Afinal, vivíamos falando sobre nossos sonhos sentados naquela cadeira azul do fundamental, totalmente imersos nos anseios de adolescentes ainda em fase de crescimento. 

Quero te falar que ao longo desses anos, de certa forma, sempre senti que a palavra casamento estava entrelaçada em suas falas. Você não percebia, mas eu sim. Ser noiva, ter um esposo, construir uma família, sempre foi o seu sonho. E isso é incrível! Torci e torço por você. Mas preciso te dizer amiga, ontem eu me senti ferido. 

Dom., 13 de março (11:37am)

Acabei pegando no sono, desculpa, domingo é assim! Continuando, eu quis estar ali, na sala, bem pertinho, para comemorar a sua união com a pessoa que você escolheu para passar os dias da sua vida, eu quis! Mas irei abrir meu coração: você é uma pessoa privilegiada. 

Digo não de modo ignorante ou ruim, até porque ter privilégios é sempre bom e quem não gostaria de usufruir de um, não mesmo? Mas, falo de modo bom. Talvez você não tenha parado para pensar ou refletido que você não precisou se justificar diante de muitos, uma decisão que você tomou e que corria na suas veias desde jovem, que é se casar. E se casar com a pessoa que escolheu. 

Amiga, sua família estava toda com você.  Sua mãe, seu pai, seu tio, sua priminha e até a sua vó que é de lá do Nordeste veio te prestigiar. 

E é aí que está o ‘X’ da questão, porque dificilmente irei vivenciar esse momento de felicidade mútua com minha família. Essa não é a minha realidade, e não estou sendo radical, somente verdadeiro e coerente com minha história.

Casar nunca foi o meu sonho, você sabe, mas ontem me questionei se houvesse essa vontade despertada em mim, se teria o apoio da minha família como a de seus parentes, que partilhavam da sua felicidade e torciam para que você encontrasse uma pessoa que te amasse. Minha família nunca faria isso, entende?

Sentado, na sua sala, me senti um peixe fora d’água. Porque dificilmente poderei reunir as pessoas que são meu sangue sem ter, que ao menos, me justificar por escolher amar um homem. 

Não terei um banquete feito por minhas avós para celebrar a união com meu amado, não terei! Talvez eu sempre soubesse disso, mas ao observar o brilho nos olhos de sua mãe, de ver sua pequena dando largos passos rumo a vida adulta, me fez cair na real: o terror do gay não vem só da rua, de apanhar ou sofrer homofobia, ele se faz presente também na mesa que nunca será montada caso ele sonhe um dia se casar. 

Por isso, te digo para ser ao máximo feliz! Para aproveitar cada segundo ao lado do seu marido nesses próximos anos.  Para lembrar de mandar mensagem sempre que possível para sua família, porque se ontem pôde celebrar e até mesmo estar, sem ao menos sentir julgada, ao lado do seu noivo é graças ao amor e ao companheirismo deles. 

No mais, eu te amo muito e desejo que sejam felizes até enquanto durar. Enfim, falei demais e preciso fazer meu almoço. Até logo, beijos e ótimo domingo, amiga! 

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Oficina de Storytelling

Por Bianca Morais 

Há seis anos eu pisava pela primeira vez na faculdade, essa sensação eu nunca vou me esquecer. Era uma mistura de ansiedade, com preocupação e nervosismo, afinal ali, naquele momento, eu definiria o resto da minha vida.

Logo no primeiro dia comecei meu ciclo de amizades, quatro amigas inseparáveis que faziam todos os trabalhos juntas, acontece que nem sempre todos caminham pelo mesmo percurso. Seja por questões financeiras ou até mesmo descobrir dentro do seu curso que sua paixão é outra e escolhe seguir outro rumo. Para minhas amigas e eu não foi diferente, com o passar dos semestres duas desistiram, e aquele quarteto virou uma dupla, sem contar que naquela sala de trinta jornalistas do primeiro semestre, restaram apenas 4. 

Hoje piso na faculdade como funcionária, loucura, depois de anos como estudante posso voltar como educadora, vejo todos aqueles jovens chegando iniciando sua jornada como eu da mesma maneira que eu: cheios de energia e vontade de viver essa experiência fantástica que é a a graduação.

A faculdade não forma apenas profissionais, forma pessoas e personalidades. Assim como disse uma vez Nelson Mandela “Educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”, e é tão gratificante para quem, assim como eu, entende que educação é algo tão fundamental e que ninguém jamais pode tirar de você. Assistir a volta às aulas, uma volta presencial, é gratficante, afinal estamos aos poucos saindo de uma pandemia que afastou os calouros e veteranos da universidade.

Estudante poderia ser sinônimo de energia, de alegrar um espaço com seus planos, ideias, e principalmente seu sonhos. Pergunte a qualquer um deles qual foi a sensação ao pisar pela primeira vez na faculdade e você será preenchido por uma onda de euforia que só eles conseguem transmitir.

E quanto aquelas amigas que iniciaram a jornada comigo e precisaram interromper, é importante enfatizar que a faculdade é também um ciclo difícil, porém muito prazeroso, haverão momentos ruins, no entanto terão muito mais momentos bons.

Finalizo a reflexão de volta às aulas citando meu grande ídolo e o mentor de toda uma geração de jovens, Chorão, “Revolução na sua vida você pode você faz, quem sabe mesmo é quem sabe mais”, busque conhecimento, não se contente com pouco, aproveite cada oportunidade que a faculdade vai te dar e acredite que você pode se tornar o jovem que vai mudar o mundo e ser levado a sério.

 

 

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Hoje é dia de escrita criativa aqui no Contramão! A Produção é de uma aluna de Publicidade e Propaganda, se liga no textão!

Ela não vai mais voltar

Por Larissa Medeiros 

Fala pro seu coração desistir de disparar toda vez que o celular vibrar

Ela não vai mais voltar

Provavelmente é só um colega da faculdade, chamando pra tomar uma cerveja

Jurando que essa noite você vai esquecê-la

Mas você prefere ficar em casa

Lendo o livro de poesias que ela gostava

Pra ver se assim consegue encontrar algum código, decifrar algum enigma

E entender o porquê de ela ter partido.

Você pode parar de ensaiar suas falas no espelho

Ela não vai mais voltar

Você não vai precisar fazer esse discurso

Sobre como as últimas noites foram tão mais frias sem os batimentos cardíacos dela sobre seu peito

Sem os cabelos dela no travesseiro ao lado

Ou a gargalhada dela que enchia o quarto, o apartamento e a sua vida.

Pode parar de deixar a porta do quarto destrancada

Ela não vai mais voltar

Ela não vai entrar na ponta dos pés e se aninhar a você

Tranca a porta, dorme com a solidão por hoje

E amanhã, quando acordar

Não precisa comprar a geleia que ela gostava de comer no café

Afinal, só vai servir pra vencer na geladeira, porque você sabe

Ela não vai mais voltar.

Pode jogar todos os discos dos Beatles dela fora

Vender os livros num sebo

Dar as roupas dela pra caridade

E até adotar um gato, já que ela não vai estar lá pra reclamar da alergia

Eu sei que ela jurou amor eterno

E que garotas podem ser más às vezes

Mas também sei de outra coisa

Ela não vai mais voltar

Então toca sua vida como todo mundo faz

Com um lado da cama vazio

Um coração cicatrizando

Mas com uma boa história de amor pra contar.

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Por Larissa Medeiros 

Chego cedo, é claro. Mesmo após passar horas me convencendo de que toda roupa que experimentava mostrava pele demais ou pele de menos. Mesmo após ter discado o número dele quatro vezes e ensaiado um discurso falso em que meu gato teria morrido tragicamente e que tudo teria que ser cancelado. Mesmo após me desviar do caminho intencionalmente na tentativa de me perder e nunca mais ser encontrada pra dar explicações.

Mesmo assim, chego cedo, exatos 30 minutos mais cedo. A mesma antecedência de quando te encontrei pela primeira vez. Me lembro de quando te vi procurando por mim com os olhos na entrada, ele faz o mesmo. Ele também está usando uma camiseta preta, mas o sorriso ao me ver parece mais confiante do que o seu foi. Ele beija minha bochecha e se senta, e ele não sabe como foi gentil. E, droga, eu queria que não fosse tão gentil.

Passo a refeição inteira procurando por um motivo. Maus modos à mesa, hobbies esquisitos, um olhar demorado para o decote de outra mulher, uma gíria irritante, a confissão de um crime. Qualquer desculpa para que eu pudesse sair pela porta e nunca mais atender uma ligação dele, mas nada disso acontece. Ele é só um cara normal, e nós conversamos sobre todos os assuntos que aparecem na mesa, todos menos um. Porque toda vez que ele menciona alguém de seu passado, eu desvio os olhos ou finjo interesse em algo trivial do lado de fora da janela. E ele percebe, e me lança aquele olhar de sempre, o olhar de pena. O que é loucura, é claro que é, ele não sabe. Ou pelo menos não deveria saber.

E agora estou com você na cabeça. Isso é tudo o que eu não queria que acontecesse, e ao mesmo tempo, tudo que eu tinha certeza de que aconteceria. Seria impossível não compará-lo a você. E não é justo, quando você era tão familiar e ele ainda nem sabe qual é a minha sobremesa preferida. Tento evitar, mas todos os cheiros e todas as formas ao redor se tornam, de algum jeito, sobre você.

Ele fala sobre irmos a outro lugar, e acredito que talvez seja mais fácil nesse outro lugar. Mas enquanto caminhamos, ele segura minha mão, me fazendo recuar. Me fazendo recuar tanto, que um sorriso corado não justifica. Não é tão assustador assim um cara querer segurar a mão da garota com quem acabou de almoçar, é? Mas ele entende. E em alguns momentos coloca a mão em minhas costas, como que para me guiar, mas eu sei que é um disfarce para conseguir me tocar sem que pareça íntimo demais.

Tomara que ele não me beije. Todas as vezes em que ele olha pra mim por mais de um segundo, torço para que não me beije, não quero sentir outra textura se não a sua. Mas ele beija, sem me dar tempo pra pensar. E pela primeira vez minha mente se esvazia. Não penso sobre o toque dele no meu cabelo, nem no momento em que ele me puxa pela cintura, muito menos no que minhas mãos enlaçando seu pescoço significam. Eu apenas sinto. E quando nos afastamos, eu só penso nos olhos dele. Não nos seus.

Quando se dá conta do meu espanto misturado com choro, ele começa a falar, mas eu o calo. Nenhuma mulher quer ouvir desculpas por ter sido beijada apaixonadamente. Certamente se alguém precisa pedir desculpas sou eu, por ter desaprendido a beijar lábios que não fossem os seus. Mas eu sorrio. Um sorriso bonito e divertido, o primeiro desses que consigo destinar a outro homem. Sorrio porque sei que o pouco que conheço dele, está disposto a amar. E o pouco de amor que você me deixou, estou disposta a oferecer. E lá do céu, sei que você piscou pra mim. E eu só tenho a agradecer.

 

Por Daniela Reis 

Digo que não só me formei, mas nasci jornalista. Ainda menina, ganhei de presente aquele famoso gravador de fita cassete, vermelhinho, com os botões coloridos e um pequeno microfone, que usava para gravar meus primeiros programas de rádio. Ali, na minha emissora de “mentirinha”, eu exercia duas funções, a de repórter e também de entrevistada. As ondas não eram de FM, eram da imaginação da garotinha sonhadora e comunicativa. 

Sempre gostei de conhecer e contar histórias, até fui apelidada por uma professora do primário como “Daniela Tagarela”. Minha curiosidade ia além das perguntas clássicas das crianças. O sonho era grande, muito maior que aquela molequinha de cabelos lisos e compridos, franja e gordinha. Eu me vi algumas vezes como professora, mas o anseio era mesmo segurar um microfone em frente às câmeras, aquele com canopla e a logo de um importante canal. 

No dia da inscrição para o vestibular, lembro como se fosse hoje, o frio na barriga ao assinalar a opção: Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo. Estava ali dando o primeiro passo para um sonho que um dia se tornaria real. Como todo jovem eu tinha minhas dúvidas, meus medos, mas a única certeza era: Eu quero e vou ser jornalista! Provas de vestibulares feitas, aprovação e o primeiro dia de aula. Sim, eu estava na cadeira de uma universidade subindo o primeiro degrau para a conquista do meu canudo, o meu diploma. 

Sempre fui daquelas alunas caxias, que anotava tudo, que sentava na frente e que amava as aulas práticas de rádio e TV. Era figurinha conhecida do jornal laboratório, apresentava um programa na emissora educativa FM e aproveitava todo o meu tempo livre para trocar ideias e criar projetos com colegas e professores. Ali, a Daniela Reis Salgado começou a ser conhecida como Dani Reis, nome profissional que utilizo até hoje nas minhas produções. 

Ainda como universitária tive minha primeira matéria publicada em um jornal de grande circulação de Belo Horizonte, através de uma parceria da minha instituição de ensino com o veículo de comunicação, tenho esse impresso guardado até hoje como minha primeira conquista profissional. Daí não parei mais! Fui escolhida pela universidade para um intercâmbio em Portugal, estagiei na assessoria da UEMG – Universidade Estadual de Minas Gerais, fui monitora na rádio da faculdade, participei de projetos de extensão, formei! 

Pronto, o mundo estava aberto para mim! E como sempre fui dessas que busca oportunidades, logo me inscrevi para minha primeira pós-graduação. No mesmo período fui chamada para cobrir férias no Jornal o Tempo, onde também escrevi para o Jornal Pampulha e o Super. Veio a primeira reportagem de capa, o primeiro furo e a primeira matéria especial. A adrenalina da primeira entrevista coletiva que cheguei com gravador, bloco e caneta, a emoção de sentar no mesmo ambiente dos grandes, dos profissionais, caiu a ficha: Danielaaaaaa, você é uma profissional! Nossa… o sonho estava se tornando realidade. 

E foi assim, de degrau em degrau, que o dia de pegar aquele microfone com canopla chegou! Indicada por professores da pós, participei de um processo seletivo de uma grande emissora, passei! Agora era oficial, repórter Dani Reis. Poxa, a garotinha do programa de rádio no seu Primeiro Gradiente agora estava nas ruas fazendo povo-fala, cobrindo eventos importantes, dando furos e até fazendo vivo em um helicóptero. A rotina era puxada, muitas vezes as pautas eram tristes, tragédias da chuva, acidentes fatais, crimes hediondos. Plantões aos finais de semana, bater ponto às 05h da matina. Mas nada disso era maior que a realização de saber que estava alcançando o que queria. 

Foram anos de TV, mas o caminho profissional nos surpreende! Jornalismo não é só microfone ou gravador na mão, jornalismo vai além! E durante esse minha trilha passei por grandes instituições, por assessoria, por produção de eventos, marketing digital, freelas e mais freelas. Em todo esse percurso estava fazendo o que mais amava, comunicando, contando histórias, tendo contato com o público e deixando minha marquinha positiva na vida de pessoas que cruzavam meu caminho, sorte a minha! 

Hoje, a jornalista aqui pode fazer um pouco de tudo! Da TV e da produção para o universo acadêmico! Nesse novo desafio a possibilidade de compartilhar conhecimento, de gravar, de escrever, de revisar, de assessorar, de produzir e ajudar a construir novas histórias com jovens universitários, que assim como eu (um dia) sonhavam em chegar lá. 

Nesse dia do jornalista, só posso agradecer por tudo que vivi e esperar com o peito aberto por o que ainda está por vir. Continuarei buscando pautas, contando histórias, produzindo e mesmo com 15 anos de carreira continuarei sentindo o frio na barriga quando alguém gritar “gravando” e ainda temerei o nosso famoso deadline. 

Parabéns jornalistas, vamos comunicar para mudar o mundo!

 

*Edição: Bianca Morais e Italo Charles