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Economia

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A praça da Liberdade e toda a região centro-sul de Belo Horizonte, em função da concentração de museus, teatros, cinemas, agências de publicidade, redações de jornalismo, startups, é um dos maiores expoentes da economia criativa em Minas Gerais. Foto: Italo Charles.

O setor da economia criativa é o que mais cresce em Minas Gerais; as iniciativas público e privada ajudam a consolidar projetos das diversas vertentes da indústria criativa no estado 

Por Bianca Morais e Marcelo Duarte*

Minas Gerais é reconhecido como estado com economia voltada, predominantemente, para mineração e agropecuária. Porém, nos últimos anos, um novo modelo econômico vem se impondo. Conjunto de negócios baseados no capital intelectual, cultural e na criatividade que gera valor econômico e responsável por movimentar os setores da indústria criativa, a economia criativa ganha cada vez mais espaço.

A exemplo disso, de acordo com dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico de Belo Horizonte, Minas Gerais figura na segunda posição na geração de empregos da indústria criativa, com mais de 457 mil postos de trabalho, o que equivale a 9,84% das vagas formais do setor em todo o Brasil.

No total, o estado abriga mais de 63 mil empresas, que correspondem a 12% das empresas criativas no país. O setor gera R$ 788 milhões de renda mensalmente, apenas em Minas Gerais.

Ainda segundo o órgão, no cenário nacional, cerca de 4,6 milhões pessoas trabalham diretamente com a economia criativa, gerando renda mensal de mais de R$ 10 bilhões. São mais de meio milhão de empresas, das quais 98% são micro e pequenas empresas.

Segmentos da economia criativa 

A economia criativa é dividida em grupos e segmentos. São eles: Criações Funcionais, com a arquitetura; design; moda; móveis; publicidade; cultura, com atividades artísticas, gastronomia e patrimônio cultural; mídia, com audiovisual, edição/editorial e música; e tecnologia e inovação, com conhecimento e software.

Um dos ramos que vem ganhando espaço dentro da economia criativa em Minas Gerais é inovação e tecnologia. A economia criativa conquista espaço cada vez maior no Estado, fazendo com que ele se desenvolva nessa área, para diversificar sua economia e inserir o estado em um eixo de comércios e serviços criativos, para além das atividades que são já tradicionais.

Belo Horizonte possui mais de 104 mil empregos criados pela economia criativa, sendo o maior polo criativo de Minas Gerais (22,7% dos empregos do Estado).

Nos quatro grupos da economia criativa, BH é o município com maior número de empregos nas atividades criativas do Estado, com destaque para arquitetura, atividades artísticas, conhecimento, edição/editorial, música, publicidade e software.

É o terceiro maior polo criativo do Brasil (concentra 2,26% dos empregos nas atividades criativas).  Mais de 21% das empresas de BH desenvolvem atividades relacionadas à economia criativa, sendo 53,7% microempreendedores individuais.

A arquitetura é, do grupo de criações funcionais, a principal do estado. É o maior polo de Minas Gerais e o 3° do Brasil. Existem 2 mil estabelecimentos ativos e se concentram principalmente na região Centro-Sul.

Outra área muito reconhecida é a de tecnologia e inovação. É o segundo grupo mais representativo na economia criativa, ficando atrás apenas da cultura. Detém 31,8% dos profissionais criativos do município, mais de 17 mil. Seus dois segmentos, conhecimento e software, também se destacam como os melhores do estado.

Em 2017, as atividades criativas geraram em Belo Horizonte cerca de R$250 milhões em renda mensal. Em Minas Gerais, outra área que também se destaca é a gastronomia. Com 21,39 mil profissionais em Belo Horizonte, (92,4% dos profissionais de Cultural da capital), é o maior polo de Minas Gerais e o terceiro maior do Brasil (em termos de número de profissionais). Concentra 23,3% dos profissionais de gastronomia de Minas Gerais e 2,4% dos profissionais de gastronomia do Brasil.

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Interior

A Economia Criativa não está concentrada apenas na capital, Juíz de Fora, Uberlândia, Contagem e Nova Serrana estão entre os os cinco municípios mineiros que concentram a maior quantidade de empregos da economia criativa. Um exemplo disso vem do segmento de cultura, atividades artísticas, em que o maior polo se concentra na cidade de Santo Antônio do Monte,

Quebrando com formatos tradicionais de trabalho e diversificando a economia, Minas é visto, ainda, como um estado muito tradicional. De fato é, a cultura aqui ainda é conservadora, mas o setor criativo, e seus múltiplos talentos, têm tido um papel importante para romper com esses conservadorismos.

As perspectivas para a área são muito promissoras, há um tempo, tinha-se muito a ideia de que, para um projeto ir para frente, era preciso mudar para São Paulo ou Rio de Janeiro. Hoje, há uma valorização do local e a percepção de que temos potencial para fazer a diferença aqui e agora, de mudar o aqui, e não mudar daqui. A geolocalização do estado favorece: Minas tem o maior número de startups e iniciativas, a perspectiva é crescer e desenvolver ainda mais.

Áreas crescentes da economia

A partir do mapeamento das atividades que englobam a Economia Criativa, munido de dados e indicadores estatísticos, é possível se ter a noção dos resultados das ações desenvolvidas por determinados elos da cadeia criativa da cultura. Detecta-se que a quantidade de ações nas regionais centro-sul e leste, da capital mineira, é infinitamente superior às regionais como Barreiro, Venda Nova e Norte.

No estado de Minas Gerais, de acordo com o balanço lançado pela P7 Criativo, o audiovisual se desenvolveu muito na região da Zona da Mata mineira. Com os apoios recentes que foram dados, a região teve um conjunto expressivo de produções audiovisuais, que ativou muito a economia do lugar. Em Belo Horizonte, a produção de quadrinhos vira produções de cinema de animação.

Para Leonardo Guerra, diretor da P7 Criativo, uma das áreas que podem mais ser desenvolvidas na economia criativa é a área da moda, por conta da sua diversidade com que é trabalhada no estado. “Estamos tentando focar um conjunto de ações para fomentar esses grandes setores como o mercado de moda, que envolve uma cadeia produtiva extensa, onde tem a confecção, a indústria têxtil, a área de calçados, joias, couros e bijuterias, e a quantidade enormes de eventos de atividades em torno. Há uma carência de se criar valor agregado, que a longo tempo se perdeu a formação de profissionais que atuem em uma geração maior de valor, com produtos mais elaborados, públicos mais diversificados”.

Minas Gerais possui ainda, a única aceleradora de jogos digitais da América Latina – Playbor -, que está sempre desenvolvendo programas para estúdios iniciantes e funcionando como uma ponte entre academia, governo e indústria. Portanto, os jogos hoje são ferramentas importantíssimas que, com um objetivo estratégico bem definido, pode servir como um grande aliado para diversas áreas da economia criativa. Minas Gerais é referência internacional quando falamos sobre o ecossistema de startups e economia criativa. Temos atualmente alguns dos principais e melhores avaliados cursos de jogos digitais do Brasil, além de jogos de sucesso internacional, como Dandara e Mr Square.

O primeiro passo para a organização e amadurecimento do mercado mineiro foi a criação da GAMinG – associação mineira de jogos -, ao final de 2016, a qual tem como principais objetivos a organização das ações e contatos com o ecossistema mineiro e a busca de oportunidades de negócios para os estúdios.

Para João Guilherme Paiva – Co-fundador na Playbor e Diretor de negócios na GAMinG Jogos lúdicos, de treinamento e soluções gamificadas, as iniciativas têm se mostrado eficazes no aumento do engajamento de alunos, profissionais ou qualquer pessoa interessada, tornando o processo de aprendizado divertido e aumentado os resultados.

“Games, sendo um desses setores, tem uma peculiaridade em relação aos demais que é a horizontalidade de mercado, ou seja, jogos vão além do entretenimento e podem fazer parte de diversas outras categorias, como: jogos de advertising (advergames), jogos lúdicos educacionais, jogos sociais, soluções gamificadas e simuladores”, argumenta Paiva.

Cada vez mais, grandes empresas e instituições de caráter conservadores têm buscado jogos digitais e ou analógicos como ferramentas para a inovação e adaptação ao mundo moderno, principalmente quando querem atingir o público jovem.

“Um bom exemplo [do uso dos jogos digitais no mundo corporativo] é o case do Ministério da Transparência e da Corregedoria Geral da União, que nos procuraram para executar uma programa de aceleração que pudesse buscar formas e gerar soluções gamificadas para abordar temas como combate a corrupção, ética e cidadania. Na cultura, temos a Diretoria de Fomento e Economia da Cultura, que visa dar sequência às questões relacionadas à economia”, afirma Paiva.

P7 Criativo

O P7 criativo é uma associação público privada sem fins lucrativos, com o objetivo de se transformar numa agência de desenvolvimento da economia criativa no estado de Minas Gerais. Até então, a primeira iniciativa que existe no Brasil.

O objetivo da empresa é melhorar a comunicação e fomentação da economia criativa em Minas Gerais, podendo propor ações de desenvolvimento para áreas antes não contempladas.

O P7 está instalado na Avenida Afonso Pena 4000. Futuramente, será instalado no prédio icônico do antigo Banco Mineiro da produção na Praça Sete, que está sendo restaurado. Os 25 andares vão abrigar várias empresas, que são de pequeno porte, cerca de 300 posições de coworking, com o objetivo de fomentar setores da economia criativa.

“Há expectativa para economia criativa e para essa agência fomentar setores e alavancar as vendas, abrangendo não só o estado”, pontua o diretor Presidente da P7 Criativo, Leonardo Guerra.

O setor cultural é fundamental para economia criativa no estado, gerando aproximadamente 5 mil vagas de emprego. “Sem dúvida alguma, o setor cultural – incluindo a gastronomia – é de fundamental desenvolvimento para o município. Hoje, temos mais de 30 festivais consolidados no município, além de outros 180 que ocorrem esporadicamente. Os projetos financiados pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura geram aproximadamente 5 mil empregos na capital, além de ampla movimentação”, revela Guerra.

O presidente da P7 Criativo ainda destaca o turismo mineiro e belo-horizontino como expoente da economia que move a cultura e a cadeia criativa local. “Creio que o potencial de turismo cultural do município só tenda a ser mais desenvolvido ainda, ampliando o conceito de serviços e comércio no município. O Carnaval é um grande exemplo”, sustenta.

Na Secretaria de Cultura estadual, pela primeira vez, Minas Gerais tem uma diretoria que contempla a economia da cultura, assunto antes tratado de maneira não sequencial. A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) acompanhou a espontaneidade do Carnaval, fortalecendo-o institucionalmente, gerando condições para que a festa crescesse de maneira organizada e segura.

Além disso, a Lei Municipal de Incentivo à Cultura, por exemplo, também contemplou, no último ano, alguns projetos relacionados à folia, ou seja, além das ações da Belotur, a cultura também visa atuar de maneira transversal e fortalecer o Carnaval.

Uma dos maiores desafios que a Economia Criativa enfrenta é o associativismo em tempos de problemas de geração de emprego no século XXI. “Olha, a economia tem vários desafios. Um deles é o associativismo, de  pessoas que atuam nesse setor, em vários segmentos com baixos níveis de associação e até os que têm o nível maior existe uma dificuldade que a central de fragmentação de ações. O que se pretende com isso é promover e entender essas dificuldades e atuar no sentido de atenuar isso e fortalecer esses segmentos, seja estimulando o associativismo criando canais de comunicação com o governo ou até consolidando ações que estão fragmentados para alguns”, observa.

Savassi Criativa 

A Savassi é um dos bairros mais conhecidos da capital mineira e abriga bares, lojas, baladas, empresas, espaços culturais. Dos treze segmentos dos grupos da economia criativa, dez se encontram na região da Savassi.

A Savassi Criativa é um movimento de iniciativa cidadã que atua para o desenvolvimento da qualidade de vida do bairro levando em consideração sua importância história e cultural, seu ecossistema criativo e sua população diversa.

Segundo Natalie Oliffson, vice presidente do projeto, a savassi é por vocação “o distrito criativo” de Belo Horizonte. Um verdadeiro hub onde se encontram empresas e profissionais de todos os campos da Economia Criativa.

Para a consultora em marketing, a economia criativa é flexível e inclui iniciativas que vão além da área cultural. “No Brasil, o conceito de Economia Criativa está sendo assimilado por governos e mercados, e pessoalmente acredito que quando compreendermos nossas forças nestas áreas poderemos dar um salto em desenvolvimento”, acredita Natalie.

A Economia Criativa e o Projeto Savassi Criativa se relacionam seguindo dois preceitos como ferramentas: O FIB (Felicidade Interna Bruta) como filosofia e a Economia Criativa. Na visão de Natalie Oliffson “A Savassi é uma das regiões da cidade onde a Economia Criativa já está presente, sendo uma vocação natural e um posicionamento.” Por isso, o movimento já se articula junto aos órgãos municipais e estaduais para promover o reconhecimento da Savassi como um ‘Distrito Criativo’ a fim de que possam se desenvolver políticas públicas neste sentido.

Em tempos de desemprego em curva ascendente, a economia criativa aparece como uma alternativa para diminuir esses números. O estado de Minas Gerais vem avançando muito nessa área e desenvolvendo muitos estudos sobre o assunto. Atenta ao crescimento da economia criativa, a PBH vem investindo muito no setor, os dados utilizados para desenvolvimento dessa notícia foi cedido por eles com informações que levantam a algum tempo, mostrando dessa forma como tem sido dada uma atenção especial.

Em 2018, foi criado o Horizonte Criativo, um projeto estratégico intersetorial da Prefeitura de Belo Horizonte com o objetivo de oferecer o ambiente adequado para que as atividades criativas possam prosperar em Belo Horizonte. Exemplos como a Semana de Moda de Belo Horizonte, o programa de incentivo fiscal para empresas de base tecnológicas (Proemp), a candidatura como cidade criativa da Unesco (em gastronomia), o programa de incentivo ao audiovisual (BH nas Telas), reforçam a ideia do crescimento.

*(Os estagiários escreveram a reportagem sob supervisão do jornalista Felipe Bueno).

 

 

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Diante da crise econômica que cerca o Brasil, os preços nas prateleiras tendem a aumentar cada dia mais. O Índice de Preços ao Consumidor – Classe 1 (IPC-C1) está muito superior ao teto da meta de inflação do Banco Central, que é de 6,5%. O resultado também ficou acima da previsão dos economistas do mercado financeiro para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a chamada inflação oficial. A taxa para a baixa renda ficou acima da registrada para o conjunto da população, calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor – Brasil (IPC-BR), que atingiu 9,73% nos últimos 12 meses.

Segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no dia 07 de Agosto, a inflação sobre alimentos e bebidas, em julho deste ano, foi de 0,65%.

As maiores altas foram no feijão-mulatinho com aumento de 8,88%, 3,53% no fubá, 3,09% no leite longa vida e 2,85% na cebola, esta que subiu menos do que em junho, quando o preço havia aumentado 23,78% – uma vez que comparando os preços de 2014 e 2015, este teve alta de 155,19%, mais do que o dobro.

No geral do ano de 2015, até Agosto, os alimentos que mais subiram de preço foram, depois da cebola: feijão-mulatinho (35,57%), batata-inglesa (24,6%), feijão carioca (22,66%) e ovos (15,52%), já o café ficou 10,52% mais caro de janeiro a julho.

Mas nem tudo teve alta, alguns alimentos caíram de preço em julho, como o tomate, que teve queda de 10,77%, mas ainda acumula alta de 41,24% em 2015. Também caiu em julho o preço do açaí (-7,51%), do feijão fradinho (-4,13%), do feijão preto (-4,04%) e da cenoura (-3,37%).

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Em entrevista com José Jorge de Oliveira, 61 anos, aposentado pelo Correios há 5 anos, a inflação tem tornado sua vida mais complicada, já que seu salário não acompanha o aumento dos preços e nem mesmo o aumento de outros salários, como o salário mínimo. “Quando trabalhava, na época de Fernando Collor, ainda dava para segurar as pontas, hoje tudo está bem mais caro e o salário só tem diminuído… Claro que o ajuste fiscal pode ser algo passageiro, o Brasil passou por outras crises e conseguiu sair delas, mas estamos vivendo um momento de apreensão.”

“Não é apenas o governo que tem cortado dinheiro de seus principais programas, a população está tendo que lidar com os cortes na hora de fazer compras, por exemplo,” complementou José Jorge. O aposentado, que trabalha atualmente em uma ONG como voluntário administrativo desde 2010, confirma também que o alto preço e a instabilidade deles tem prejudicado seu trabalho. “Todo início de mês tenho que repassar o dinheiro para pagar as contas e também para o pessoal que trabalha na cozinha. O que tem nos ajudado são as doações que estamos recebendo de alguns mercados, já que a luz e a água aumentaram o dobro do que pagávamos aqui”.

Segundo Mirian Leitão, durante uma matéria sobre a inflação nos alimentos para o jornal Bom Dia Brasil, da Rede Globo, “a previsão dos economistas para o ano que vem é otimista: a inflação vai cair bastante – do nível de 9%, 9,5% para 5%, 5,5%. Essa é a previsão da maioria dos analistas, economistas, gente do mercado. Mas quando perguntamos como, ninguém sabe muito bem.

Eles dizem o seguinte: ‘o aumento de energia deste ano não vai se repetir na mesma intensidade no ano que vem. Então isso tira uma parte grande da inflação desse ano. O risco é a indexação. Quando a inflação fica muito alta, a tendência das pessoas ou das empresas é tentar correr atrás desse número antigo, ou seja, a indexação’”.

Diante da alta dos preços dos alimentos, o nutricionista Aurélio Tofani nos deu dicas de como ter uma alimentação saudável gastando pouco. Ouça o podcast a baixo:

Por: Julia Guimarães, Sthefany Toso e Victor Barboza

Infográfico: Marina Rezende

 

Mais belo-horizontinos estão regularizando as dívidas e limpando o nome no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), segundo a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), em comparação ao mesmo período de 2012, houve um aumento de 7,58% no número de cancelamentos junto ao SPC.

O presidente da CDL/BH, Bruno Falci, associa essa redução a oferta de crédito e a queda dos juros. “Com a taxa de juros em patamares menores o consumidor tem mais facilidade em quitar suas pendências financeiras”, explica. Já o economista Ofir Viana, acredita o aumento na oferta de crédito pode acentuar o número de inadimplências. “As pesquisas são realizadas de forma pontual. Porque você acumulou compras de fim de ano e, também, vai acumular despesas de início de ano como, impostos, volta às aulas e dívidas pendentes. Então, ainda que pontualmente haja uma queda, a tendência é que essa inadimplência volte a crescer”, analisa.

O prédio da CDL, localizado na Avenida João Pinheiro 495, tem um setor específico para a consulta ao SPC, onde o fluxo de pessoas é intenso. O administrador de uma empresa de gesso, Claudiano Inácio, foi conferir se seu nome estava negativado e acabou recebendo uma má notícia. “Eu fiz uma um empréstimo, justamente para pagar algumas outras dividas. Mas tivemos um problema de saúde na família e o meu gasto foi maior, e eu não tive condições de pagar. Vim saber qual o valor total da dívida para efetuar o pagamento ou entrar em acordo com o banco”, esclarece.  O administrador ainda relata que é a segunda vez que isso acontece. “Quando eu tinha 18 anos meu nome também estava no SPC, mas eu morava no interior e quando eu voltei pra Belo Horizonte, já tinha saído. Acho que pelo tempo. Dessa vez eu não vou esperar, vou tirar o mais rápido possível”.

Outro caso é o do operador de empilhadeira, Hilton de Oliveira, que contraiu a dívida através do cartão de crédito. “Vou usar o que recebi das férias para tentar pagar algumas à vista e as outras vou parcelar.” Ele ainda admite que precisa ter mais cuidado na hora das compras. “Tem que pesquisar bastante e fazer o mínimo de dívidas possível. Não comprometer mais do que 30% do salário”.

O economista Ofir Viana, que ministra um curso de Finanças Pessoais, alerta sobre a postura do consumidor. “O dinheiro tem poder, ele causa inebriamento das pessoas, fazendo com que elas se esqueçam de sua realidade. Quando as pessoas realizam despesas, elas realizam olhando o que ganham e não o que sobra de seu orçamento, e isso está errado. Quando o consumidor tem a consciência do ponto em que ele está em termos de seu orçamento, em termos do que ele recebe e do que ele gasta, há uma disciplina e, assim, reduz o número de inadimplência”, finaliza.

Por Ana Carolina Vitorino

Foto: Marcelo Fraga

O inverno mal começou e as lojas da região da Savassi já estão a mil com as liquidações. Os descontos chegam até 70% de desconto. Há produtos de todos os segmentos: calçados, roupas, acessórios e presentes.

Algumas lojas estão em promoção desde o início de julho, como é o caso da “Complemento Nominal”, que fica no quarteirão fechado da Rua Antônio de Albuquerque. A gerente Cristiane de Almeida, conta que a loja antecipou a liquidação por causa da copa e que este ano as vendas caíram em relação ao ano passado. “Começamos gradativamente com os descontos, agora já estamos com 70% de abatimento e ficaremos até o lançamento da coleção, que é em agosto” conta Almeida.

No mesmo quarteirão, uma loja de calçados estampa na vitrine, de forma chamativa, um adesivo de 70% de desconto. Amanda Fernandes, gerente da loja “Ideale”, diz que mesmo com o desconto tão alto, a promoção só começou ontem. “Uma bota que custava R$ 399 está saindo por R$ 149 e o aumento da temperatura contribuiu muito para os descontos nas botas” relata Fernandes.

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Por Daniella Lages

Fotos João Marcelo Siqueira