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*Por Bruna Silva Araújo Nunes

Toda criança com deficiência tem o direito de estudar e à ela deve ser garantida uma educação inclusiva. Pensando na inclusão, o sistema de ensino brasileiro promove algumas iniciativas de integração, como é o caso da Sala de Recurso que trabalha com a inclusão de crianças especiais da educação infantil ao ensino fundamental I.

Implantada a cerca de treze anos a Sala de Recursos Multifuncionais (SRMF), realiza atendimento educacional especializado visando promover uma condição melhor de acesso, aprendizado e conhecimento para alunos especiais, através de uma serie de atividades voltadas para as diferentes necessidades desses alunos. Para entender melhor essa parceria na educação com as escolas e familiares entrevistamos a professora Elzeni Rodrigues, especialista em psicopedagogia e libras que atua a mais de vinte e cinco anos nesse segmento.

 

Como funciona a Sala de Recurso?

R: A Sala de Recurso dá um apoio para os pais e professores, além de atender os alunos. Os alunos são recebidos nessa sala onde é feita uma avaliação para ver a necessidade dele. Quer dizer, cada um tem uma dificuldade, então de acordo com a dificuldade que o aluno apresenta é que é feito um trabalho social, pedagógico, de coordenação motora e também um atendimento e orientação aos pais e professores além da adaptação de material de acordo com o nível pedagógico dele.

Como foi a implementação da Sala de Recurso nas escolas públicas? No quesito acessibilidade

R: Facilitou muito a vida a vida das pessoas com deficiência, porque os alunos não tinham acesso a escola regular, eles iam para a escola especial e com a implementação da Sala de Recurso tiveram que capacitar professores para estarem fazendo esses trabalhos junto aos alunos especiais e as professoras deles.

Como esse acompanhamento especializado ajuda esses alunos nas áreas acadêmicas e sociais?

R: Nas áreas acadêmicas ele vai para a Sala de Recurso e tem uma aula diferenciada. Se ele está estudando matemática, na Sala de Recurso ele vai aprender a matemática de outra forma, brincando, jogando, cantando, se ele tem que aprender a tabuada dependendo do nível dele a gente trabalha com musiquinha ou jogos para ele entender como funciona a tabuada, porque na sala de aula a professora não tem como fazer isso, ela vai passar a matéria, explicar e pronto.

Na parte social, por exemplo, nós já tivemos um aluno que não sabia tomar banho e precisou passar por uma orientação através da Sala de Recurso, então a professora dessa sala que vai trabalhar isso. Até em questão de convívio, eu já tive um aluno que não conseguia se socializar, ele veio com um mandado judicial, então ele veio para mim e fiz um trabalho com ele para que se acostumasse comigo e depois aos poucos colocando mais um aluno dentro da sala. Às vezes eu saia com ele para outras salas para ir se socializando e voltar a frequentar o recreio ou a escola.

Como os demais colegas de sala de aula, podem ajudar esses alunos especiais a se sentirem mais incluídos?

R: Primeiro a gente faz uma preparação na sala de aula, informamos que tem um aluno assim, que tem dificuldade. E na realidade, todo mundo tem alguma dificuldade, um usa óculos porque não enxerga direito, o outro usa aparelho auditivo porque não escuta bem, então a gente vai explicando para eles entenderem que todo mundo tem um tipo de dificuldade em alguma área e que aquele coleguinha que está vindo tem essa ou aquela restrição.  Então eles acabam ajudando o tempo todo, por exemplo,  aquele aluno que é autista e sai muito de sala, eles são os primeiros a falarem “não professora pode deixar que eu vou atrás”, e eles vão lá e buscam o coleguinha, ajudam a vigiar e tomar conta na hora do recreio. Mesmo tendo uma professora para isso, a professora de apoio, os outros alunos entendem e muitas vezes colocamos um colega que tenha mais afinidade do lado desse e aí a tendência é aquele que tem mais condição ajudar o que tem menos.

O apoio da família em qualquer idade é importante. Como é o trabalho da escola em parceria com eles?

R: É importante a família ter consciência da dificuldade do aluno e do que precisa ser trabalhado com ele. Não adianta a escola fazer a parte dela se em casa a família não der continuidade, ou então, na escola a gente ensina e chega em casa os pais passam a mão na cabeça e não deixam fazer nada “ai tadinho não sabe nada”.  Tem outras situações também, como ao contrário, cobrar demais sendo que ele ainda não tem condição. Então, o ideal é a família participar das reuniões, de treinamentos na escola, porém essa pe a parte mais difícil, é o que a gente menos tem. Infelizmente a maioria das famílias não participam e isso dificulta nosso trabalho, mas que é importantíssimo é.

Hoje nos temos varias atividades em jogos que ajudam no desenvolvimento de crianças especiais, como eles podem ser aplicados fora de sala de aula?

R: Os jogos pedagógicos ajudam de acordo com a dificuldade do aluno e pra cada uma utilizamos um tipo de jogo. Você usa uma sequência numérica para um aluno que tenha essa dificuldade. Para os que tem dificuldade de concentração pode-se aplicar sequência de cores, por mais bobo que pareça ajuda a pessoa a ter mais atenção. Se ele precisa desenvolver o movimento de pinça, começamos a desenvolver o movimento de amassar, pegar nas coisas e se for mais voltado ao movimento da escrita pode se usar um pegador de gelo para mover peças. Esses jogos não são só brinquedos, mas o aluno brincando começa a aprender coisas que  já foram explicadas várias vezes e ele não entendeu, mas quando ele vai brincar acaba aprendendo mais fácil.

Durante essas décadas na área da educação como você vê esse processo de valorização da educação especial?

R: Nossa! Mudou muito, antes a gente trabalhava e não tinha nada, tudo tinha que ser construído e era tudo dentro da escola especial. O aluno com deficiência não estudava na escola regular, e às vezes era apenas um déficit de atenção, uma coisa mais simples que uma psicopedagoga com alguns atendimentos resolveria. E de lá pra cá mudou muita coisa, hoje temos palestras, congressos, tem muito material na internet e antes não tinha nada disso, as pessoas não sabiam falar ou discutir o assunto e a maioria dos profissionais que ajudavam os professores eram os médicos. Fazíamos curso de capacitação com fonoaudiólogos, com otorrinos, pediatras, fisioterapeutas, eram os próprios médicos e pessoal das clinicas que capacitava a gente na APAE, pois não existiam pessoas da área da educação capacitadas para poderem estar fazendo esse trabalho com a gente, hoje em dia temos nas grades curriculares de alguns cursos a matéria de inclusão.