Tags Posts tagged with "Exposição"

Exposição

Todos os anos, a organização Médico Sem Fronteiras (MSF), vacina milhões de pessoas, na maioria das vezes em lugares extremamente remotos. Para mostrar o planejamento necessário para levar os medicamentos em áreas de difícil acesso, o órgão trouxe para Belo Horizonte a exposição Caminhos da Vacinação, que fica na Praça da Liberdade até o dia 1° de novembro.

Através de fotografias e vídeos interativos, a mostra revela ao público os desafios enfrentados para realizar campanhas de vacinação em várias regiões de difícil acesso no mundo. Transportar medicamentos por trajetos imprevisíveis, longos e tortuosos, tendo de mantê-las, durante todo o tempo, a temperaturas entre 2°C e 8°C é uma das dificuldades reveladas.

_DSC0002
Visitante conhecendo a exposição

De acordo com Aparecida Ribeiro, 48, voluntária na ONG, a exposição prende a atenção dos visitantes. “O público está se sensibilizando com o trabalho, muitas pessoas que vêem ficam emocionadas. A maioria já conhece o Médico Sem Fronteiras e a apresentação é somente um dos serviços”, afirmou.

Caminhos da Vacina

O documentário “Caminhos da Vacina”, produzido pela Quintal Filmes, mostra os caminhos que ligam o armazém de suprimentos de vacina em Bruxelas, na Bélgica, aos vilarejos situados na região noroeste da República Democrática do Congo (RDC).

Na produção, o Coordenador de Logística da MSF, Marco Doneda, relata que as estradas são muito ruins, vilarejos que são tão distantes que só se pode ter acesso “a pé”. “Ás vezes é difícil seguir em frente nas viagens. O problema, normalmente, é levar os materiais até o local em boas condições” completa Doneda.

Partes do documentário que são utilizadas na exposição, apresentam a resistência que muitas aldeias possuem á aplicação das vacinas, por questões culturais e religiosas. Segundo o Coordenador de Logística, um dos papéis da equipe nesses locais é informar a população sobre a campanha, as datas das crianças serem vacinadas, e a importância da vacinação para todas elas.

“Não podemos ignorar a vacinação, eles estão nos avisando. As crianças que não estão vacinadas sofrem mais. Aprendemos sobre a importância da vacina na vida de uma pessoa e quais as crianças devem receber para que ela esteja totalmente protegida”, Chantale, mãe de oito filhos e moradora do Congo.

Texto e Fotos: Victor Barboza

Como forma de refletir sobre as diversas modos de percepção e facilitar o acesso a obras de arte, a exposição “Sentidos”, do escultor mineiro Leandro Gabriel, marca a comemoração dos 50 anos do Setor Braille na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa.

De acordo com a Assessoria da Biblioteca, a experiência sensorial é algo único e passa despercebido por quem se firma em enxergar apenas com os olhos, e ver apenas com os olhos é uma ação muito limitada com base no que os sentidos podem oferecer.

Serão exibidas oito obras, sendo sete delas inéditas, parte do acervo particular do artista Leandro Gabriel, que, apesar do aspecto rústico, transmite delicadeza em suas criações. Quem não puder ver a textura sentirá por meio do tato.

A mostra faz parte da celebração dos 50 anos do Setor Braille da Biblioteca que, nesse período, facilitou o atendimento ao deficiente visual na orientação de pesquisas e estudos para o acesso à informação e à literatura por meio de audiolivros e obras em braille.

_DSC0015
Estantes de livros no Setor Braille da Biblioteca Pública Luiz de Bessa

A exibição foi idealizada pelo coordenador do Setor Braille, Glicério Ramos, e pelo coordenador das Galerias de Arte da Biblioteca, Ricardo Girundi. “Devemos mudar a forma de ver a arte no Brasil. Precisamos criar exposições nas quais se transmitam às pessoas a essência das obras que não podem ser vistas por deficientes visuais”, ressalta Girundi. O coordenador ainda enfatiza o objetivo da mostra, que é torná-la mais interativa no uso de outros sentidos, seja por meio da fala, do toque ou do cheiro.

As obras ficarão expostas até 11 de julho, no segundo andar da Biblioteca Pública Municipal Luiz de Bessa (Praça da Liberdade, 21 – Funcionários, Belo Horizonte/MG). A entrada é gratuita.

 

Texto e Fotos: Victor Barboza

A galeria Mama/Cadela realiza a abertura da exposição Trahere, do artista multimídia Bruno Duque, idealizador e coordenador do Coletivo Diametral (2014), hoje (22), às 19 horas.

A equipe do Jornal Contramão conversou com Duque sobre a produção artística em Belo Horizonte e sobre suas expectativas para a Mostra.

CONTRAMÃO

Para você, qual é o papel que a arte abstrata exerce sobre as pessoas? É um exercício de reflexão?

BRUNO DUQUE

A arte abstrata é muito diversificada. Houve muitas correntes históricas que se desdobraram de formas muito diferentes. Desde obras muito carregadas emocionalmente, até obras puramente racionais. A arte abstrata é muito potente, não só como conjunto de formas e configurações de cores, mas também de ideias, expressões, emoções e outros. É difícil falar sobre o efeito da arte abstrata sobre as pessoas porque os artistas que trabalharam neste âmbito aprofundaram muito em suas pesquisas, conseguindo resultados muito importantes e aumentando ainda mais as possibilidades criativas. Quanto à pergunta sobre se a arte abstrata é um exercício de reflexão, tenho certeza que toda arte é um exercício de reflexão, sendo que algumas exigem maior concentração, enquanto outras são mais arrebatadoras.

CONTRAMÃO

Você, como artista multimídia e idealizador do recente Coletivo Diametral, enxerga BH como um polo artístico? Em sua opinião, a cidade está crescendo ou não no que se diz respeito à produção artística e cultural? Por quê?

BRUNO DUQUE

 Acho que Belo Horizonte é um polo artístico, sim. Esta cidade sempre teve grandes artistas e sempre terá. Não acho que a cidade tenha muita participação no mercado e acho que tem muita produção mais tímida pela própria dificuldade que os artistas encontram em participar do circuito, mesmo do circuito local de Minas. Em comparação com outras cidades em outros estados do Brasil, Belo Horizonte precisa ser mais aberta e, principalmente, mais convidativa para jovens artistas, dando-lhes mais oportunidades.

CONTRAMÃO

Qual é a essência da exposição Trahere? Há alguma mensagem ou sentimento fundamental que você deseja passar para o público? Se sim, qual?

BRUNO DUQUE

A exposição Trahere é muito cerebral. Eu só quis fazer uma coisa “bonita” para também poder falar sobre beleza, mas por trás da estética das obras tem muitos questionamentos e muitos paradoxos desvelados. Cada obra tem um diálogo extenso com a história da arte. Mas ao invés de deixar claro os meus embates com a obra, eu prefiro criar algo que possa levantar muitas questões para pessoas diferentes. De certa forma, não é a pergunta que importa, e sim a interrogação. Minha produção é uma tentativa de oferecer uma interrogação para que cada um faça sua própria pergunta.

CONTRAMÃO

Quais são suas expectativas em relação à exposição Trahere?

BRUNO DUQUE

Eu estou muito feliz em poder mostrar este trabalho, pois é uma exposição individual, e sendo assim eu pude ter todo o controle. Espero receber muitas críticas. Espero que muita gente possa vê-la. E eu gostaria que algum dia minha produção servisse de influência para outros artistas (mas não só aos artistas). Acho que a riqueza da arte é exterior ao indivíduo. É uma coisa da humanidade toda. Estou amadurecendo muito meu trabalho ainda, mas luto para algum dia fazer diferença, pois essa é maior coisa que uma pessoa pode conseguir.

O Mama/Cadela fica localizado na Rua Pouso Alegre, 2.048, Santa Tereza. A exposição fica no espaço do dia 23 de maio a 24 de junho, e o bate-papo com o artista ocorre no próximo domingo, 24, das 15h às 17h. A entrada é gratuita.

Por Gabriel da Silva

+ 5 perguntas que você estava com vergonha de perguntar:

 

Inaugurada na quarta-feira, 11, a exposição “Je suis Charlie, Uai”, apresenta trabalhos de 24 cartunistas mineiros (Aragão, Aroeira, Lor, Mário Vale, Melado, Nílson, Son Salvador, Thalma, Alves, Duke, Dum, Edra, Genin, Guto Respi, Janey, Jorge Inácio, Lute, Mello, Nelson Cruz, Quinho, Chantal, Nani e Rico. E como convidado especial, Ziraldo) que produziram charges especialmente para homenagear os colegas de profissão do jornal Charlie Hebdo – que foram assassinados no dia 07 de janeiro.

IMG_1972

“Essa exposição nasceu da intenção de alguns cartunistas de prestar solidariedade aos franceses. É um tributo à memória do Charlie e das outras vítimas do atentado. E também é uma luta dos cartunistas pela liberdade”. explicou José Carlos Aragão, idealizador da homenagem junto à AFBH.

No dia da abertura da exposição, foi lançado um manifesto a favor da liberdade. “Nós, mineiros, temos uma relação muito próxima com a Revolução Francesa. Foi a partir daí que surgiram os Inconfidentes. O sentimento de liberdade está até estampado na bandeira de Minas”, completa Aragão.

A exposição ficará disponível para visitação até o dia 07/03 na galeria Georges Vincent, Rua Tomé de Souza, 1418, Savassi. Entrada gratuita.

1- Charlie Hebdo, quem?

Charlie Hebdo é um jornal francês satírico e semanal que não tem medo de ofender. O jornal tira sarro de políticos e líderes religiosos, de todos os matizes, e faz parte de uma tradição de sátira política e religiosa na França secular. Mas o jornal também foi acusado de ser anti-islâmico, antissemita e racista, e que o conteúdo é puramente inflamatório e ofensivo.

2- E então?

No dia 07 de Janeiro passado, os irmãos Saïd e Chérif Kouachi invadiram o jornal Chalie Hebdo junto aos seus fuzis Kalashnikov e assassinaram 12 pessoas – que inclui membros da equipe e policiais. Os irmãos Kouachi são homens franceses, de origem Argélica, e são muçulmanos que se sentiram ofendidos com as caricaturas que o Charlie Hebdo publicava. As sátiras que faziam piadas sobre líderes islâmicos, ao profeta Maomé e ao Deus Alá foi, aparentemente, a motivação dos irmãos para atacar a redação do jornal.

3- Por que tanta sensibilidade por algumas charges?

Nas charges que a Charlie Hebdo publicava, o profeta ou o deus islâmico (assim como outros líderes religiosos) tinha toda a característica grandiosa, inacessível e misteriosa totalmente retirada. As figuras santas que só estão disponíveis no altar ou em livros sagrados eram convidadas a agir como humanos. Então, de repente, Alá, que os mulçumanos só viam como o criador dos céus e da terra e que não há nada semelhante a Ele no mundo, caricaturado com as nádegas de fora. Numa religião tão tradicional, onde ainda em alguns países islâmicos as mulheres não conquistaram o direito de dirigir carros, ter o profeta despido para o mundo, rebaixando-o a condição de homem é muito ofensivo para os mais crentes.

IMG_1975

O islamismo é uma religião tão antiga quanto o judaísmo e o cristianismo. Só que o Islã não teve uma reforma ou modernização da sua fé em séculos! Não houve um muçulmano revolucionário como houve cristãos: Matin Luther King, Joana D’arc, alguns Papas. Ou seja, a religião Islâmica ainda mantem o pensamento medieval que todas outras um dia tiveram.

4- “Je suis Charlie”? Que isso?

“Je suis Charlie” foi o slogan do movimento que aconteceu logo depois dos assassinatos na redação do jornal Charlie Hebdo em prol da liberdade de expressão. Traduzido para o português o slogan significa “Eu sou Charlie” foi escrito em cartazes e perfis do Facebook numa demonstração de simpatia pelas mortes provocadas pela intolerância de muçulmanos extremistas. Mas muitas pessoas aderiram à causa pois protestavam à liberdade de pensar e falar livremente, não necessariamente estando de acordo ou comprando as caricaturas do Charlie Hebdo.

5- “Je suis Charlie, Uai”? Uai?

24 chargistas mineiros fizeram cada um uma charge para homenagear os colegas do Charlie Hebdo assassinados. Os trabalhos se transformaram na exposição “Je suis Charlie, Uai”. Entretanto, a exposição não deixa de ser uma reedição da exposição de 1977 em que a maioria dos chargistas que ontem se reuniram para lançar a exposição “Je suis, Charlie, Uai” estavam manifestando naquele mesmo lugar, pelo mesmo motivo: liberdade de expressão. Em 77 eles viviam em uma ditadura e tinham suas charges proibidas de circularem. E agora, com o incidente trágico na França – que se mostrou uma nova tentativa de censurar pela intimidação- e com toda censura velada que vivemos no Brasil de hoje sob forma de sentenças judiciais e pressões, os chargistas daquela geração e os da nova se juntaram para lutar contra a causa da livre expressão do pensamento.

Texto e fotos: Camila Lopes Cordeiro

Contextualizando com o atual cenário da cidade de Belo Horizonte, começou no dia 11 de outubro a exposição  “Venha conhecer o fundo do poço – De onde vem a água que você bebe”, na Praça da Liberdade. Além da exposição, será realizado o XVIII Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas, que conta com a participação do canadense Ryan Hreljac, fundador da ONG Ryan’s Well Foundation.

A exposição da praça mostra para os visitantes como funciona o ciclo hidrológico, além de curiosidades sobre o consumo de água para produção de alguns materiais, como cerca de 200 litros para fabricação de 1 jeans. Junto ao ponto de exposição está também o Cleanit-LC, um equipamento de purificação de água de poços artesianos, que procura tirar da água o cromo hexavalente, um agente cancerígeno que pode estar na água desses poços.

O engenheiro mecânico e expositor Anthony Gladek, 52, falou sobre o produto e explicou que o período de estiagem que algumas cidades vem passando tem pouco a ver com os lençóis freáticos e mais com o modo como nós usamos á agua. O modo impensado como a população usa e o crescimento populacional são fatores agravantes, mas ainda há mais elementos causadores da atual situação. Segundo ele, a cidade cresce e ninguém faz nada. “Se a agricultura continuar a pensar só em produtividade a agua vai acabar”, afirmou Gladek.

Como funciona o Cleanit-LC?

A água provinda dos poços artesianos, em alguns casos, pode estar contaminada com cromo hexavalente, sendo essa a forma mais oxidada que existe do elemento. O equipamento funciona como um filtro inicial que remove esse agente cancerígeno. O processo, de forma mais simplificada, funciona passando a água por um tubo com ferro não-valente.

Quando o ferro é adicionado à água e então misturado, atrai o cromo. Ao entrarem em contato, o cromo adere à superfície do ferro e os dois elementos viram uma substância maior que não consegue passar pelo filtro. Assim, quando a água sai do tubo, estará livre do cromo. O ferro não-valente também é uma substância de superfície porosa. Assim, ao se misturar a água com o ferro, as outras substâncias que entram em contato também aderem a sua superfície graças aos poros. Então, no resultado final, a água estará mais limpa. Entretanto, isso não isenta o produto final da necessidade de passar por todo o processo de filtração do saneamento básico.

Dos eventos

A exposição “Venha Conhecer o Fundo do Poço – De Onde Vem a Água Que Você Bebe?” ficará na Praça da Liberdade, região centro-sul de BH, até dia 19. O 18º Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas terá incio nessa terça-feira,

14, indo até essa sexta-feira, 17. O canadense Ryan Hreljac, fundador da Ryan’s Well Fundation, estará no congresso dando palestra sobre o uso da água e em uma coletiva de impressa na quarta-feira, 15, com tradutor simultâneo para auxiliar na comunicação com o jovem.

Texto: Ítalo Lopes e Umberto Nunes

Fotos: Umberto Nunes

Após 69 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, o assunto ainda é forte e consegue chocar. Infâncias roubadas pelo holocausto e o terror imposto pelos nazistas é revelada na exposição “Tão somente crianças – infâncias roubadas no holocausto”, que foi aberta nesta terça-feira, 07, na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, em Belo Horizonte.

A exposição faz parte do Museu do Holocausto de Curitiba, que disponibilizou parte do seu material, como alguns objetos, vídeos e fotografias, além de doações de sobreviventes do holocausto, para uma mostra intinerante. Belo Horizonte é a quarta capital a receber “Tão somente crianças”, São Paulo, Brasília e Porto Alegre, também já sediaram a exposição.

A instalação de uma câmara escura, ganha destaque. Nela, o público se vê cercardo de luzes refletidas em espelhos, que representam as crianças que foram mortas durante a Segunda Guerra. E, a partir de um telefone, reproduz vozes de crianças e adolescentes que dizem o nome, idade e cidade onde cada uma das vítimas nasceram. A Lista é extensa e causa incômodo aos visitantes.

Nos tablets espalhados pela biblioteca, estão depoimentos em vídeo de sobreviventes contando suas histórias no campo de concentração. As fotografias, trazem junto consigo, um pouco da história nazista e o horror que as crianças passavam nos campos de concentração. Ao fundo da biblioteca, foi instalada uma cômoda com várias gavetas, algumas coloridas e abertas, que representam as infâncias vividas e algumas pretas e trancadas, que representam a infância roubada pelo holocausto junto com um painel que registra os direitos internacionais das crianças pela UNICEF.

O público pode visitar a exposição até o dia 31 de outubro, entre as 8h e 20h, de segunda a sexta, e da 8h as 16h, aos sábados. Entrada gratuita.

Texto e foto: Lívia Tostes