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horta terapia

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Por Bianca Morais

Nos últimos anos, muito se ouviu falar sobre como o cultivo de plantas e flores podem auxiliar em tratamentos e também na prevenção à doenças crônicas e até desequilíbrios emocionais. Quem tem jardim em casa, sabe muito bem como a presença do verde pode trazer diversos benefícios, desde o ato de colocar a mão na terra, cultivar, cuidar e ver aquela planta crescer, ou seja, acompanhar a evolução da vida.

A prática de cultivar um jardim ou horta não tem de fato uma comprovação científica, porém vem ganhado espaço em lugares como hospitais, unidades de saúde, sanatórios, lares para idosos e clínicas de reabilitação, como uma estratégia de promoção da saúde. 

Essa atividade melhora o funcionamento cognitivo, atenção, memória, concentração, humor e capacidade de atenção, além de vantagens, tais como, sensação de bem-estar reduzindo os sintomas de estresse, depressão e ansiedade, proporcionando calma e relaxamento durante as atividades, ademais, nas crianças ainda auxilia as crianças ao conhecimento do desenvolvimento das espécies estimulando o interesse e curiosidade para o consumo de alimentos naturais e saudáveis.

Conhecida como horticultura terapêutica, a atividade consiste em produzir hortaliças para nutrir o corpo e cuidar da mente. Pensando nisso, os alunos do curso de Engenharia Ambiental da Una Cristiano Machado desenvolveram o projeto Horta Terapia, juntamente com a Associação de Pais e Amigos do Centro de Reabilitação (ASPAC), a instituição sem fins lucrativos presta assistência social, clínica, psicológica e nutricional a pessoas com deficiência e usuários de drogas em recuperação.

O projeto teve início a partir da ideia das alunas Jéssica Assis e Tarcila Soares, integrantes do quadro de alunos do DSAAU (Do Something Amazing Arquitetura e Urbanismo), escritório modelo da unidade Cristiano Machado, em união com o conhecimento do professor e coordenador Manfredo Hoppe, para melhoria do aspecto ambiental e paisagístico do local, para a realização dos projetos arquitetônicos de adequação e melhoria da ASPAC, conforme o vínculo foi estabelecido surgiu a ideia da realização da horta. 

A Horta Terapia é um projeto de horta urbana destinada a atividades terapêuticas que contempla desde o público infantojuvenil aos idosos. Ela representa um componente de paisagismo que irá proporcionar um conforto visual no local, além de ser um elemento ambiental que possui melhorias que atuam direta e indiretamente na saúde física e psicológica daqueles que realizam o manejo ou apenas convivem com o espaço.

“Nosso principal objetivo é levar um ambiente confortável para as crianças que realizam as terapias na ASPAC e aos idosos que frequentam o local, efetivando a educação ambiental e o contato com a natureza, com isso trazer diversos benefícios à saúde e ao meio ambiente”, comenta Tatiana, coordenadora do curso de Engenharia Ambiental.

A ação de ajudar no cultivo, estimula a criatividade e a memória visual, já a jardinagem melhora a atividade motora e tem um efeito ao mesmo tempo motivador e relaxante, indicada então a manutenção da saúde em idosos e tratamento de dependentes químicos e pessoas com transtorno mentais ou neurológicos. 

A Horta Terapia é uma proposta econômica, acessível e ainda ajuda essas pessoas a se sentirem parte de algo, elas ajudam desde o processo de criação, organização e manutenção de um espaço verde, cultivando a cura através do plantio, a horta resgata valores sociais como o respeito, a solidariedade e trabalho em grupo.

O projeto em desenvolvimento terá três canteiros que serão utilizados como preceitos os R’s da sustentabilidade.  Garrafas pets irão ser usadas para estabilização lateral dos canteiros, sendo o foco na redução e reutilização desses resíduos. A horta foi elaborada em local pré-estabelecido pela ONG e aspectos de idealização e alinhamento com os responsáveis do lugar através de visitas de campo, ela irá contar com estrutura de sombrite que auxilia no manuseio da horta reduzindo a radiação solar direta nas espécies.

A Engenharia Ambiental é um curso extremamente dinâmico que atua em diversas áreas, tais como projetos voltados para a flora, as hortas são componentes fundamentais nas cidades, pois trazem benefícios como melhoria do microclima do local, recuperação do solo pelo desenvolvimento de espécies e educação/conscientização ambiental, o papel da engenharia se deve em alinhar todas as perspectivas para efetivação da horta que deve atender às características daquele local, promovendo o conhecimento ambiental de forma lúdica e didática a todos, contudo sempre se atentando aos parâmetros técnicos a serem seguidos na elaboração do projeto.

“O projeto é muito importante pois vai trazer uma maior visibilidade para a possibilidade de hortas urbanas como aproveitamento do espaço, melhoria paisagística, proporcionar conforto térmico e acústico, prover alimentos orgânicos proveitosos para consumo humano, enraizamento da educação ambiental, melhora motora e psicológicos pelo contato com a natureza”, completa Tatiana.

Os alunos são responsáveis pelo contato direto com os responsáveis da ONG mostrando todos os benefícios que o projeto pode proporcionar ao local. Jéssica Maria, é graduanda e formanda do curso de Engenharia Ambiente e se diz muito realizada com o projeto.

“Fazer parte desse projeto de horta é uma nova visão sistêmica que eu não tinha a respeito do cunho da arquitetura voltado ao meio ambiente, acho extremamente relevante pensar fora da caixa e me proporcionar a fazer parte de um estágio voluntário no escritório de arquitetura e urbanismo, levando em consideração que minha formação é em engenharia ambiental, e também conseguindo contribuir e interligar as áreas utilizando meus conhecimentos na minha área”, conta a estudante. 

A horta terapia é algo que também pode ser feito dentro de casa, dependendo da disponibilidade do local, pode-se realizar um pequeno canteiro ou plantio direto em vasos das espécies de preferência do morador, atentando-se a todos os dias passar ao menos um tempo no local, manejando a horta e regando as espécies.

“Esse tempo destinado deve-se ser priorizado o contato com a natureza, o cuidado em verificar como as espécies estão se desenvolvendo e observar o crescimento do seu próprio alimento, a maior satisfação se deve em consumir algo que foi plantado e cultivado com carinho”, explica a coordenadora.

Para o futuro, o DSAAU pretende elaborar junto às suas parcerias mais projetos com este cunho no decorrer dos próximos semestres.