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hospital colônia de barbacena

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Créditos: Luís Alfredo - Revista O Cruzeiro

Por Dani Reis

Você já ouviu falar sobre o holocausto brasileiro? Ele aconteceu aqui em Minas Gerais, precisamente na cidade de Barbacena, entre os anos de 1930 e 1980. O mesmo intitulou um livro, lançado em 2013 e que já vendeu mais de 250 mil exemplares. Esses episódios que aconteceram em terras mineiras, precisamente dentro do Hospital Colônia de Barbacena, também foram pautas para documentários e objetos de muitas pesquisas relacionadas ao tratamento de pessoas com transtornos mentais.

Calcula-se que cerca de 60 mil brasileiros morreram, ou foram mortos sob tortura, choques intensos e banhos gelados. O nome holocausto se deu, pois a instituição de saúde poderia ser comparada aos campos de concentração e extermínio. Os pacientes eram enviados para o hospital à força, mas suspeita-se que cerca de 70% não possuía sequer algum tipo de doença mental. O local abrigava crianças abandonadas pelos pais, portadores de deficiências físicas, mulheres adulteras e até criminosos.

A imagem que ilustra nosso TBT de hoje é do fotógrafo Luis Alfredo, da Revista O Cruzeiro. Ele foi o primeiro a divulgar as atrocidades que aconteciam dentro do hospital. Eram diferentes tipos de tortura, os pacientes passavam frio, fome, nem vestimentas eram fornecidas, os mesmos circulavam pelas dependências, praticamente nus.

O Hospital Colônia foi fechado no final dos anos 80. Dentre os que sobreviveram durante e depois, adicionando os que fugiram, soma-se um total de 200 pessoas.

Em memória daqueles que foram exterminados na Colônia Barbacena, no mesmo local, foi aberto o Museu da Loucura em 1996. As barbáries cometidas por detrás das paredes do local foram crimes institucionalizados, tendo o Estado como o responsável. Contudo, nunca houve uma reparação formal, nem mesmo com os que sobreviveram, apenas um fechar de olhos permanente, um desviar de atenção para a nossa história. O trem da loucura tinha lugar certo para parar, mas as cicatrizes dessa viagem mal assombrada vão além da pele, estão esculpidas na alma.

 

*Revisão: Bianca Morais