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Idosos

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Por Bianca Morais 

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2019, o número de idosos no Brasil chegou a 32,9 milhões, estima-se que a tendência do envelhecimento das pessoas irá crescer  ainda mais nos próximos anos. Frente a este cenário, se faz necessário a ampliação de ações dirigidas a essa camada, como uma forma de reinserir essas pessoas na sociedade. É necessário que eles sejam incluídos nas mídias digitais, sejam estimulados a manusear tecnologias, se tornem protagonistas de si, conhecedores e munidos de conhecimento, sendo uma parte ativa e pensante na sociedade. 

Envelhecer não é o fim, pelo contrário, é na terceira idade que muitas pessoas buscam realizar objetivos que não fizeram durante a juventude. Muitos idosos não tiveram a oportunidade de cursar nem mesmo o ensino fundamental, muitos se quer cogitaram o ensino superior durante a vida,  e outros começaram a trabalhar cedo. Pensando na busca de um envelhecimento saudável aos idosos, surge a Universidade Aberta.

Ao redor do país, centenas de instituições de ensino oferecem um serviço que vai muito além de educacional às pessoas da terceira idade, mas também cultural e social. Além da troca de conhecimento entre gerações, não são apenas os idosos que ganham conhecimento acadêmico, mas os jovens, que adquirem uma das experiências mais importantes para alguém, a de vida. 

O Centro Universitário Una, e seu lema de Transformar a Vida Pela Educação, proporciona aos idosos a partir de 60 anos, uma oportunidade para aprenderem assuntos novos, estarem inseridos em algo, conhecer pessoas, viver experiências, tudo isso, contribuindo para uma qualidade de vida, são esses vários benefícios tanto para a mente quanto para o corpo.

O programa Universidade Aberta à Pessoa Idosa Una, teve início na Una Contagem no segundo semestre de 2013, surgiu com um Projeto de Extensão coordenado pelo então professor Cleber Jovino da Silva, com o principal objetivo de atender às diversas demandas do público idoso da cidade, bem como de instituições prestadoras de serviços, e também a política pública voltada para os maiores de 60 anos.  O projeto teve uma natureza multidisciplinar e contava com a participação de outros campus da Una.

Atualmente, dentro da Rede de Apoio ao Envelhecimento Ativo, coordenado pela professora Érica Oliveira, existem três projetos, Escola da Maturidade Núcleo de Atenção contra Violência e Plenitude 60+ , hoje o Jornal Contramão apresenta a Escola de Maturidade..

 

Escola da Maturidade

A Escola da Maturidade, como é conhecida a parte do programa responsável por cursos e oficinas oferece:

  • Prevenção contra Acidentes Domésticos: com duração de 3 semanas, este curso discute os acidentes domésticos mais comuns entre o público 60+, ensina como preveni-los e o que fazer caso ocorram. É um curso com informações essenciais para toda a família.

 

  • Nutrição para Idosos: com duração de 3 semanas, este curso traz de forma prática informações importantes para a nutrição do idoso, tira dúvidas sobre diversos tipos de alimentos, dá dicas de como ter uma alimentação saudável e de custo acessível, entre outros assuntos.

 

  • Espanhol: com 4 semanas de duração, traz o básico do idioma buscando ajudar o idoso a se apresentar, lidar com vocabulário em viagens e restaurantes, entre outros.

 

  • Cultura e Arte: com duração de 4 semanas, trabalha com vários aspectos da arte, com foco na música. Neste curso os idosos são estimulados a criar sua própria contribuição artística.

 

  • Memória e História: com duração de 4 semanas, faz uma viagem entre memória individual e coletiva através da história da mídia, com foco em rádio e TV.

 

As aulas são lecionadas por um professor especializado na área de atuação em parceria com um bolsista.

Prevenção Contra Acidentes Domésticos

No curso de Prevenção Contra Acidentes Domésticos, é ensinado ao idoso ser o protagonista do autocuidado, prevenindo os temidos acidentes domésticos. São passados exercícios práticos de fortalecimento muscular, tem o controle adequado da medicação de uso contínuo através de um “Check list medicamentoso”, além de dicas como a importância de se atentar aos calçados utilizados no cotidiano, como fator fundamental na prevenção de quedas. São apresentadas estratégias para manter uma casa segura, como reagir a uma situação de queda ou em caso de urgências. 

Todo esse aprendizado é oferecido com o uso de metodologias didáticas, com a finalidade de proporcionar mais acesso e compreensão para os idosos. Dentre elas, infográficos, mapas mentais, leitura interativa, vídeos explicativos legendados e encontros síncronos. 

Aline leciona no curso e em suas aulas os alunos têm a oportunidade de compartilhar suas experiências em turma. A professora que sempre foi apaixonada pela área da gerontologia acredita que a maior dificuldade que alguns apresentam é com relação à tecnologia, tal como abrir um material, mas ela e a bolsista Vitória que a acompanha, fazem de tudo para tornar a experiência mais fácil para eles.

Poucos são aqueles que tiveram a oportunidade do ensino superior, apesar disso estão em constante disposição para aprender, sempre tiram suas dúvidas, inclusive, ajudando Aline a  implementar novos recursos nas suas aulas.

“O curso prevenção, por exemplo, a gente tinha as principais causas que poderiam gerar acidentes domésticos, só que não tínhamos algo relacionado a acidentes com animais peçonhentos, na última turma uma idosa falou que trocando sua plantinha de lugar uma centopeia foi no pé dela, então pensamos vamos tentar incluir também no curso”, conta Aline.

Para ela dar aula a idosos é uma constante troca, ela aprende com eles da mesma forma que ensina, a professora sabe que nem sempre os idosos vão conseguir absorver 100% do que ela passa, mas já é um sucesso a tentativa.

“A sensação de dar aulas a eles é muito boa, e eu falo que dinheiro nenhum paga quando você ajuda pelo menos um deles, uma dica que você dá que às vezes muda a rotina deles, é incrível”, completa ela. 

Os estudantes extensionistas participantes do projeto, têm a oportunidade de aplicar os conhecimentos já adquiridos, aprender novos conhecimentos, e desenvolver a formação humana e a cidadania.

Vitória de Sousa Freitas, tem 21 anos, está no 8º período do curso de enfermagem na Una e iniciou no projeto em maio deste ano. Ao lado de Aline ela participa como bolsista do curso ‘Prevenção de Acidentes Domésticos”, para ela a sensação é de “quero mais”. 

“Ter a honra de participar e contribuir com este projeto é indescritível, os idosos são extremamente sábios, e ao mesmo tempo que ensinamos, aprendemos muito com eles. Contribuir mesmo que minimamente em proporcionar um envelhecimento saudável a eles é muito gratificante. Há de se considerar também o contexto pandêmico em que estamos inseridos, e que esta população é um grupo de alto risco, certamente ficaram afastados de familiares e entes queridos, na tentativa de seguir o isolamento social, e com isso a sensação de ter contribuído com eles para manutenção da saúde mental e física, mesmo que pelo Whatsapp é única e emocionante”, compartilha a jovem. 

Vitória ainda relata como a sua participação no projeto é fundamental em sua formação universitária, nos currículos acadêmicos os estudantes são contemplados com disciplinas teóricas e práticas, mas o Prevenção de Acidentes Domésticos permitiu a ela presenciar a prática real desta população, tendo a oportunidade de intervir em seu contexto de vida. 

“Com o projeto criei senso crítico em analisar todos os fatores que contribuem para a saúde do idoso, sua avaliação multidimensional, e preparar assim as melhores metodologias, estratégias para alcançar nosso objetivo, que é promover uma terceira idade ativa e com pensamento crítico, sendo capazes de promover seu próprio autocuidado, como por exemplo, para prevenir os Acidentes Domésticos. É uma experiência riquíssima, eu aprendo todos os dias alguma coisa nova com os idosos, é uma troca imensa ”, completa a futura enfermeira. 

 

As aulas

Antes da pandemia, as aulas eram presenciais nos campus da Una em BH e Contagem, sempre no turno da tarde. Atualmente, o programa teve que se adaptar para os ambientes virtuais, e os cursos agora são ministrados pelo WhatsApp, com encontros síncronos via Meet. 

Tânia Alves, é coordenadora da Escola, e acredita que um programa como esse tem grande importância tanto para os idosos quanto para os alunos, para a terceira idade ele traz novos conteúdos, proporcionam interação entre eles e é um ambiente de acolhimento e troca de experiência intergeracional.

Já para os alunos, eles têm oportunidade de aprender novos conteúdos com os professores que os orientam e com os idosos, além de poder ser uma oportunidade acadêmica para desenvolvimento de artigos científicos, entre outras produções. 

“É uma experiência enriquecedora. Acolhemos e somos acolhidos. Os idosos são muito ativos, participativos e interessados, o que torna os cursos dinâmicos e produtivos. A relação é de respeito, paciência e admiração entre idosos, coordenação, professores e bolsistas. É gratificante estar envolvida nesse projeto”, compartilha a coordenadora.

Como participar

Para participar da Escola da Maturidade, a pessoa precisa ter 60 anos ou mais, as vagas são oferecidas preferencialmente para moradores de Belo Horizonte, sendo as remanescentes destinadas para aqueles que residam em outras localidades. 

É seguida a ordem de inscrições para montagem das turmas que são abertas sucessivamente. Para cada turma são 30 vagas.

As inscrições podem ser feitas pelo link.

 

Bate-papo com Thais Morais Trindade

Thais Morais Trindade, é uma pessoa curiosa e atenta, principalmente aos ruídos “fico de olhos e ouvidos abertos, dispostos, entusiasmados e sempre prontos”, conta ela.

A senhora é repleta de amigos que assim como ela pensam que “educação e conhecimento é tudo de bom”, e que o convívio os aproximam e impulsionam. Com toda essa vontade de viver, ela e sua turma começaram na Universidade Aberta da FUMEC, que oferecia, às pessoas acima de 55 anos, um projeto com um formato interessante de educação.

“Nos chamou a atenção, foi gratificante, enriquecedor e inesquecível, ganhei mais alguns amigos, que conservo até hoje, porém, devido a não continuidade do projeto, migramos para a PUC, que também oferecia projeto semelhante, mas com formato diferenciado, menos diversificado e com menos conteúdo”, relembra Thais

Foi então que depois de outra procura Thais aterrissou na Una, aceitando um novo desafio. “É sempre bom trocar experiências. As provocações despertam ações e possibilidades”, pontua a aluna super participativa dos cursos da Rede de Apoio ao Envelhecimento Ativo e ressalta: não pretendo sair tão cedo!

Em entrevista ao Jornal, Thais relata um pouco de sua experiência com os cursos.

 

1. Dentro do programa, com quem você já teve aula e quais foram os cursos feitos?

Antes de fazer parte do Instituto Ânima, foi na UNA Linha Verde que tive o privilégio de conhecer a Érica Oliveira e tê-la como professora de informática. Pessoa com muitas virtudes, energia positiva, dedicada e atenciosa que me cativou e logo entrei em sintonia, pois me senti acolhida e segura. Desde então, não parei mais. 

Recentemente participei de três cursos: Espanhol , Nutrição e Memória e História.

2. O que você aprendeu nestes cursos?

No Espanhol aprendi que ainda tenho tempo para sonhar e viver grandes aventuras e diversidades culturais. 

A Nutrição me fez priorizar a saúde com decisões assertivas para uma boa qualidade de vida. Ficar atenta às armadilhas e estereótipos. 

Em Memória e História me permiti, através da tecnologia, fazer viagens virtuais, e reviver fases da vida, com emoção e superação. Refletir sobre as escolhas. Valorizar as oportunidades, esforço e desempenho pessoal e coletivo. 

Aprendi também sobre a importância da inclusão. Me adaptar a uma nova linguagem e novo formato de aprendizado, me aproximando do “Mundo das Novas Tecnologias”. E como o desafio bateu na minha porta, resolvi abrir e superar o “Receio”, sair da zona de conforto, me conectar, explorar, aprimorar e expandir.

3. Você teve alguma dificuldade? Se sim, qual?

Um pouco com a tecnologia. Confesso não ter tanta habilidade com máquinas, não são a minha preferência. Gosto de calor humano, olho no olho. Sinto falta do presencial. Mas me convenci que seria inevitável. A resiliência me salvou! 

4. Qual a importância que a Universidade Aberta à Pessoa Idosa teve para você?

Foi uma virada de chave. A Una estava de portas abertas à minha disposição, então eu não poderia perder a oportunidade de entrar e usufruir de toda estrutura física, tecnológica e humana, com profissionais prontos para me receber de braços abertos, ouvir minhas dores, aumentar minha autoestima, me carregar no colo e acreditar em mim, além de poder dividir tudo isso com amigos e colegas.

5. Além do aprendizado do curso, o que essa experiência levou para você?

O pulo do gato. Ser simples e ter sempre Deus por perto, priorizar a natureza e a sustentabilidade. 

Para reflexão:

“As respostas encontramos nos livros, mas as soluções, só na natureza”. 

Viver um dia de cada vez, sabendo que tudo é transitório. Somos eternos mutantes. Não deixar a página em branco, continuar escrevendo e “Ser Protagonista da própria história”.

Compreender e encarar com dignidade, calma e otimismo o caos e as adversidades, assumindo falhas e responsabilidades, sem julgar que “só o outro é culpado”. Parar e observar pessoas que, com emoção, tomam decisões assertivas, que respeitam, prezam e entendem que a qualidade de vida faz toda a diferença na saúde física e mental de uma nação.

Ter argumentos que justifiquem que ainda vale a pena acreditar que cada um possa fazer a sua parte e contribuir de alguma forma. Que existem pessoas dispostas a encontrar soluções e se unir a elas. 

A minha experiência de vida e profissional me leva a crer que bons profissionais (empregados ou patrões, públicos ou privados), são agentes catalisadores, intermediários e facilitadores, com o propósito de servir e apresentar a qualquer cidadão, em qualquer situação a melhor ferramenta e o melhor caminho para potencializar a eficácia do resultado.

6. Qual a sensação de saber que tem pessoas que se importam com o bem estar de vocês?

Gratidão. Tenho acompanhado a trajetória da UNA/Instituto Ânima, através da mídia, internet e ações. Novas parcerias, novos e audaciosos projetos, e com isso, “Nós 60 +”, somos privilegiados e beneficiados com a ampliação das opções de cursos e eventos.

Me sinto orgulhosa de ser colaboradora e fazer parte deste universo de possibilidades, podendo contribuir com ações e divulgações que possam agregar, despertar interesse e motivar pessoas a não desistir e continuar investindo em educação e conhecimento.

Não se esqueçam: 

” Pessoas que ajudam pessoas, se ajudam e ajudam pessoas como você e eu”.

Simples assim!

 

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Conheça o projeto do Programa Universidade Aberta para cuidados e inclusão dos idosos

Por: Italo Charles

Hoje, dia 1º de outubro, é celebrado o Dia Internacional do Idoso. Para além de festejar é importante cultivar os cuidados e lutar por direitos juntos as pessoas da categoria. E, com o  intuito de promover a longevidade e o empoderamento das pessoas idosas, o Instituto Ânima criou o programa Universidade Aberta.

Fundado em 2011, o Programa Universidade Aberta possibilitou formação  através de cursos, oficinas e palestras a vários idosos. “Até o momento, se considerarmos todos os projetos desenvolvidos, já conseguimos beneficiar mais de 5 mil idosos”,  comentou a Gestora de Projetos, Naiane Santos. 

Ao passar dos anos, surgiram várias possibilidades de atuação voltadas ao público da terceira idade e,  uma delas, o Projeto Plenitude 60+ que surgiu no primeiro  semestre deste ano (2020).

Definido a partir dos pilares de saúde física e mental, saúde financeira do idoso,  sociabilidade e direitos, o Projeto Plenitude 60+ é um Núcleo de Comunicação e Campanhas Educativas para idosos e tem por finalidade produzir conteúdos para as redes sociais a fim de promover a autonomia e a inclusão social do idoso.

O coordenador do Projeto, Elias Santos, comentou que a universidade precisa olhar para o público idoso, uma vez que a sociedade e o mercado de trabalho não oferecem oportunidades.  “A Universidade Aberta foi um grande mudança para mim, primeiro como professor e segundo como radialista, profissional do mercado, pois o mercado não respeita as pessoas da categoria”.

o Plenitude 60+ também atua através do Conselho Municipal do Idoso (CMI), órgão responsável pela mediação entre o poder público municipal e a sociedade na execução das políticas em atendimentos aos direitos dos idosos.

Para conhecer mais sobre o Programa Universidade aberta, acesse o Facebook .

 

*A matéria foi produzida sob a supervisão da jornalista Daniela Reis.

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Delegada titular da Delegacia de Proteção ao Idoso de Belo Horizonte, Margareth Travessoni, conversou sobre o assunto com a equipe do Contramão.

*Por Izabela Avelar e Moisés Martins

O Relatório de denúncias registradas pelo disque 100 dos Direitos Humanos em 2019, aponta violações contra o grupo de pessoas idosas como sendo a segunda maior demanda de ocorrências. Segundo o documento, no ano passado foram registradas mais de 48 mil denúncias envolvendo o idoso. Este número representa 30% dos casos de registros do canal de monitoramento.

Os dados foram apresentados pelo Ministério da Mulher da Família e dos Direitos Humanos, em junho de 2020, e retrata as violações de Direitos Humanos no Brasil. A negligência consiste na violação com maior volume para o grupo de idosos, com registros de (41%), seguida da violência psicológica com (24%), e abuso financeiro que consiste em (20%) das ocorrências. Os abusos foram constatados em todo o Brasil e os estados que registraram os maiores índices de denúncias foram, principalmente, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Hoje, 15 de junho, é o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa. A data foi declarada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Rede Internacional de Prevenção à Violência à Pessoa Idosa. Desde 2006, acontecem campanhas pelo mundo todo com o objetivo maior de reconhecer as pessoas idosas como sujeitos de direito, sabendo que os números se agravam, gradativamente, e por isso demanda atenção.

Para falar mais sobre o assunto, o Contramão conversou com a delegada titular da Delegacia de Proteção ao Idoso de Belo Horizonte Margareth Travessoni.

Como funciona a Delegacia de Proteção ao Idoso em Belo Horizonte?

Em BH, a delegacia está localizada na rua Barbacena, nº 288, no Barro Preto. Nós atendemos os casos de violências domésticas contra pessoas idosas e também casos previstos nos Estatuto do Idoso. Funcionamos de segunda a sexta-feira, no horário comercial e plantões aos finais de semanas para mulheres vítimas de violências.

 

Quais são as principais denúncias que vocês recebem para investigação?

Maus-tratos a pessoa idosa, apropriação do benefício previdenciário, abandono do idoso, agressões físicas e psicológicas.

 

Como essas denúncias chegam até a delegacia e como vocês fazem o trabalho de investigação e a comprovação do crime?

As denúncias chegam através do disque 100, Direitos Humanos. Logo após o recebimento da denúncia, a gente designa uma equipe que vai até o local da ocorrência apurar e verificar os fatos e situação diária daquele idoso. Sendo procedente, damos início a uma investigação mais detalhada, convidando as pessoas a comparecerem na unidade policial para formalizar os termos e declarações dos fatos, até finalizar a investigação com o indiciamento do investigado ou não.

 

O que a lei prevê em casos de abusos comprovados?

As penas variam muito, para crimes mais leves e comuns como os maus-tratos a pessoa pode pegar de 1 a 4 anos de prisão. Caso o crime resulte na morte do idoso o acusado pode pegar até 12 anos de prisão.

 

Dentre os agressores quem são os principais algozes? E qual é o sexo mais afetado?

Geralmente os agressores são os próprios familiares dos idosos, filhos, netos, irmãos. Quanto ao sexo mais afetado, não existe muita diferença, sofrem simplesmente por serem vulneráveis, homens e mulheres.

 

Margareth, fala um pouco das três violências citadas no relatório do disque 100, negligência, violência psicológica e abuso financeiro.

 A negligência é justamente o cuidado que o idoso deixa de receber, a falta de alimentação, uma falta de banho, uma troca de roupa ou fraldas, o não uso correto dos medicamentos, já a violência psicológica é aquilo que geralmente o idoso ouve, frases como: “ Porque você não morre” “ Você é um fardo”, e o abuso financeiro que é a apropriação especialmente do benefício previdenciário do idoso.

 

Conte-nos pouco sobre a sua formação e como você chegou à Delegacia de Proteção ao Idoso?

Eu estou a frente da delegacia há um ano. É  um trabalho muito gratificante, foram muitas investigações concluídas nesse período, esse ano estamos pensando até em soltar o balanço das atividades da Unidade, expedimos várias medidas protetivas para idosos que sofrem de violência doméstica. Lembrando que durante a pandemia de Coronavírus as denúncias aumentaram no canal do disque 100, e nossa equipe não parou, durante esse tempo foram em média de 500 ocorrências já verificadas.

 

Após a permanência no cargo, mudou alguma coisa em sua visão pessoal em relação à pessoa idosa?

É satisfatório, saber que estamos ajudando as pessoas, e muitas vezes só a ida da Polícia Civil até o local da ocorrência já inibe a ação dos agressores. Minha vida mudou muito, a gente vê muita coisa ruim, ficamos sensibilizados, mas nos esforçamos muito para que todos os casos que chegam até a equipe seja resolvido.

Ao final da entrevista, a delegada chamou a atenção para que as pessoas denunciem os casos de abusos contra os idosos, através do disque 100, segundo a mesma, a ligação é gratuita e a pessoa não precisa se identificar.

 

* A entrevista foi produzida sob a supervisão da jornalista Daniela Reis

Acesso gratuito à internet, com conforto e tranqüilidade.

Para pessoas da terceira idade, a sala reserva um espaço especial, com monitores devidamente qualificados.

Local: Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa – Prédio anexo Professor Francisco Iglésias

Rua da Bahia, 1889 – 3º andar – Funcionários
Belo Horizonte, MG

Tel.: (31) 3269-1232

Horário de Funcionamento:

Segunda a sexta: 8h30 às 20 h
Sábado: 8h30 às 12 h